quarta-feira, 20 de novembro de 2019

BRIGA NO INTESTINO FASCISTA: POLÍCIA DO GOVERNO WITZEL QUER “ENQUADRAR” CARLUXO NO ASSASSINATO DE MARIELLE


Acaba de “estourar” a notícia trazida pelo jornalista Kennedy Alencar (ex-Folha de São Paulo) acerca de uma informação de bastidor sobre as investigações da execução da vereadora Psosilista Marielle Franco na noite desta quarta-feira 20/19. A Polícia Civil do Rio trabalharia com uma nova hipótese, do envolvimento do vereador Carlos Bolsonaro nesta sórdida trama, que está há 616 dias sem solução por parte das investigações oficiais, seja estadual ou federal. Segundo a polícia civil do Rio de Janeiro, a investigação, aponta na direção do vereador Carlos Bolsonaro (Carluxo) que teria uma relação próxima com o Ronnie Lessa, acusado de ter disparado contra Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. Até aí nenhuma grande novidade, pois é público e notório que o clã fascista é um dos patrocinadores das milícias cariocas, há pelo menos mais de uma década. O fato revelado por Kennedy, seria a explicação do sumiço de Carlos Bolsonaro das redes sociais desde a semana passada. Também nas redes sociais não para de se divulgar que a famiglia fascista estaria com as “barbas de molho” por conta de um possível escândalo que ganharia grandes proporções na mídia corporativa. Não é segredo para ninguém da verdadeira guerra declarada entre o reacionário governador Wilson Witzel e o clã Bolsonaro, uma briga letal que se trava no próprio intestino do campo fascista. Infelizmente o PSOL e o conjunto da esquerda reformista insiste em legitimar o processo de investigação aberto por órgãos do Estado Burguês, seja a polícia de Witzel ou a PF de Bolsonaro e do justiceiro Moro. A cada nova revelação oficial do caso Marielle se inicia uma verdadeira “novela mexicana”, servindo muito mais a feroz disputa intestinal fascista do que mesmo a apuração de dados e provas cabais que conduzam aos verdadeiros mandantes deste hediondo crime. Nós da LBI, desde nossas modestas forças, chamamos a partir da primeira hora do covarde assassinato  de Marielle e Anderson, a organização de um Tribunal Internacional totalmente independente, para apurar, julgar e punir os responsáveis pela morte dos dirigentes do PSOL. Esta tarefa se coloca como necessária para o conjunto do movimento operário, popular e democrático, ao invés de ficar reivindicando “uma apuração honesta do Estado capitalista”, à espera que  suas instituições corrompidas até a medula cheguem a alguma conclusão factível e justa.
REUNIÃO ENTRE PT E O DEM: LULA QUER RODRIGO MAIA PARA VICE EM SUA CHAPA AO PLANALTO E O PCO SEGUE COMO UM CÃO FIEL A TRILHA DA COLABORAÇÃO DE CLASSES DO LULISMO AFIRMANDO QUE SE TRATA DE “PRINCÍPIOS PUROS DE CLASSE”...



Aumentaram os rumores nos bastidores políticos do PT que Lula pessoalmente já enviou emissários do seu partido para uma sondagem a Rodrigo Maia do DEM, acerca da possibilidade na formação de uma chapa presidencial conjunta para a disputa do Palácio do Planalto em 2022. Pode parecer absurda à disposição de Lula em estabelecer uma coligação com o reacionário e ultra neoliberal DEM (antigo PFL), mas não é bem assim...O partido que herdou grande espólio político do regime militar, e posteriormente serviu como braço direito aos governos Tucanos, vem sendo muito cortejado pela “esquerda” burguesa como PDT e PT e até o PCdoB. Como Lula só pensa nas eleições presidenciais como prioridade absoluta do PT, reafirmando esta “tática” na última reunião da Executiva Nacional do partido realizada em Salvador, não quer deixar que Ciro Gomes “abocanhe” sozinho este segmento da direita brasileira. Assim como nas eleições de 2018, o PT correu na frente para cooptar o golpista PSB, que já estava se preparando para uma aliança com o PDT de Ciro, Lula alertou ao seu partido que não “poderiam deixar escapar” Rodrigo Maia, considerado pelos petistas como uma “direita palatável”. Na presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia vem impulsionando toda a pauta econômica rentista, como a destruição da Previdência Pública e as privatizações, porém vem estabelecendo críticas “contundentes” ao clã neofascista Bolsonaro, o que vem atraindo o PT para uma aliança eleitoral ainda mais ampla do que a costurada por Lula em 2002 e 2006. O PCdoB, outro parceiro fiel do PT, assim como o PCO, já sinalizou com seu apoio a esta iniciativa de trazer o DEM para o chamado campo da oposição ampla, dobrando a aposta que fizeram quando apoiaram Rodrigo Maia na disputa pela presidência da Câmara. Já o PCO, que vem afirmando que Lula não deve fazer autocrítica alguma do arco de alianças que o PT celebrou ao longo da última década, ficará agora em uma “saia justa”, como justificar que a política do Lulismo representa politicamente o mais “puro classismo”, tendo um que engolir uma figura “filhote” do capital financeiro como Rodrigo Maia...Enquanto o PT não “bate o martelo” para fechar o acordo com o DEM, sua bancada no Congresso Nacional vem apoiando silenciosamente a pauta do ajuste neoliberal, obviamente sempre tentando “melhorar” com emendas as proposições do “Mercado” em seu objetivo de desmontar o mínimo Estado de proteção social. No “front” da burocracia sindical cutista (apêndice da política de colaboração de classes do PT), não há nenhuma luta ou ação direta do proletariado para resistir a ofensiva neofascista, muito pelo contrário só atuam para sabotar as greves nacionais de várias categorias importantes, como os Petroleiros por exemplo. É urgente romper com estas direções da esquerda reformista, que pensam na atuação institucional, afirmando que o combate ao governo Bolsonaro deve acontecer nos limites do parlamento e ampliando cada vez mais a oposição burguesa, com personagens asquerosos da direita neoliberal, como Rodrigo Maia e similares. É hora da vanguarda classista e combativa da classe operária começar a construir seu próprio instrumento político para a revolução socialista!
20 DE NOVEMBRO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: LUTAR CONTRA O RACISMO É LUTAR CONTRA O CAPITALISMO! ORGANIZAR A RESISTÂNCIA DE TODA CLASSE TRABALHADORA AO GOVERNO BOLSORARO E SEUS ATAQUES NEOFASCISTAS, XENÓFOBOS E RACISTAS!


Todos os dias negros e pobres morrem nas favelas do Rio. As “balas achadas” do aparato repressivo do Estado burguês atingem crianças como Ágatha assim como jovens, adultos e  idosos da classe trabalhadora como denunciou o desenho de Latuf arrancado pelo canalha fascista deputado coronel Tadeu na Câmarda dos Deputados. A população pobre e trabalhadora negra está entre a maioria dos presos, dos explorados, dos desempregados, dos analfabetos, dos que têm sua religiosidade perseguida, dos que são assassinados por grupos de extermínio e dos que possuem o salário médio mais baixo dentre todos os setores da sociedade brasileira. Não por acaso, a mesma acumulação originária do capitalismo que aprisionou o negro na África e o escravizou no Brasil, joga-o nas favelas e cortiços das cidades, explorando-o nas indústrias, utilizando-o como exército de reserva para pagar menores salários. Não por acaso a decisão de “libertar os escravos” no 13 de Maio de 1888 não passou de uma formalidade baseada em uma necessidade econômica capitalista, que manteve a terra nas mãos dos grandes proprietários que conseguiram mão de obra assalariada barata face à inexistência para o escravo de uma opção que não fosse vender sua força de trabalho aos antigos senhores. Hoje, como ontem, os trabalhadores negros continuam lutando ao lado de seus irmãos de classe pela verdadeira abolição da escravidão, que só pode vir pela liquidação do modo de produção capitalista e não pela via de sórdidas campanhas hipócritas patrocinadas pela classe dominante e suas abjetas celebridades. Para o capital é necessário que o racismo continue existindo para justificar a desvalorização extremamente lucrativa para o capitalista da força de trabalho negra e parda. Basta verificar que hoje no Brasil o salário dos negros e pardos é metade ou 60% do salário médio pago aos brancos. Isto não é um mero produto de resquícios dos preconceitos escravistas ainda presentes na mentalidade das pessoas. Essa profunda precarização das condições de vida da maioria da população pobre e negra, maquiada pelas pesquisas dos institutos oficiais e ONGs, é o fruto atual da bárbara recolonização imperialista no Brasil. Esta luta não diz respeito somente ao povo pobre e trabalhador negro, ela deve ser tomada por todo o proletariado, que aprendendo com a luta de Zumbi, deve lutar conseqüentemente por construir um instrumento capaz de conduzir a luta anti-racial e a quebra de todos os grilhões capitalistas, o partido revolucionário trotskista que deverá elevar o combate consciente da luta de toda a classe oprimida por varrer da face da Terra toda opressão e exploração imposta pelo imperialismo rumo à construção do socialismo.



terça-feira, 19 de novembro de 2019

POLÊMICA SOBRE STÁLIN: OS STALINOFÓBICOS QUE SE “ACHAM GRANDES INTELECTUAIS TROTSKISTAS”...


A figura histórica de Josef Vissariónovitch Djugashvili, mais conhecido no movimento comunista internacional sob o codinome de Stálin, requer um rigoroso balanço marxista de sua trajetória como um dos dirigentes da Revolução Russa, assim como de sua condução como Chefe do antigo Estado Operário da URSS. Não se trata de reproduzir simplesmente sua biografia política tendo como parâmetro a Secretaria de Comunicação do Departamento de Estado dos EUA, como desgraçadamente fazem uma plêiade imensa de “intelectuais” que se dizem Trotskistas. A “peste teórica” da stalinofobia vem servindo há várias décadas como instrumento aberto da contrarrevolução, sendo utilizada pelo imperialismo ianque para atacar não só os Estados Operários, mas também o conjunto de conquistas sociais históricas do proletariado em todas as partes do planeta. As duas principais vertentes que hoje debatem o chamado “legado” de Stalin, ou seja, os stalinofóbicos e os stalinofílicos, não servem como instrumento para a revolução socialista e nada tem a ver com a gigantesca herança teórica deixada por Leon Trotsky, em obras como a Revolução Traída, Stalin e Em Defesa do Marxismo, para citar só algumas elaborações magistrais. Os que pensam ser grandes “intelectuais trotskistas” espalhando panfletos da Casa Branca sobre Stalin, “o sanguinário assassino”, sequer conhecem as posições do “velho” sobre o caráter dual do stalinismo, seu papel na contrarrevolução que sedimentou as bases para a burocratização da URSS, destruiu a III Internacional fundada por Lenin, porém estabeleceu ao mesmo tempo um limite de contenção para a expansão imperialista em todo o mundo. Estes “senhores intelectuais”, em conjunto com uma gama de correntes revisionistas do Programa de Transição, não podem se diferenciar das vulgares calúnias imperialistas lançadas contra Stalin, simplesmente porque são correia de transmissão dos EUA no movimento operário mundial, com o “presidente cowboy” Ronald Reagan saudaram a destruição reacionária da URSS como sendo uma verdadeira “Revolução Democrática” e seguindo a mesma trilha política ajudaram a OTAN a derrubar “outro ditador sanguinário” na Líbia, levando na bagagem desta “ação revolucionária” a devastação inteira de um país e seu povo, que hoje vive a “barbárie democrática” imposta por Barack Obama. Não é minimamente justo perder muito tempo com esta escória “intelectual trotskista”, porque não podem ser sequer considerados como parte do movimento global anti-imperialista, posto que estão na mesma trincheira dos EUA na China, Venezuela, Síria, Irã, Coréia do Norte e uma longa lista de intervenções da CIA contra os povos. Quanto aos saudosos stalinistas crônicos, não conseguem se desvencilhar do passado de colaboração de classes, esperando apenas por um aceno da burguesia mundial para celebrarem novamente um “Acordo de Paz”, mesmo que na próxima esquina da história o imperialismo os golpeie violentamente, sem nenhuma gratidão política pelos “serviços prestados”.

REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO NA AMÉRICA LATINA

Atravessamos dias convulsivos na América Latina, tendo como palco principal a Bolívia e o Chile. Um Golpe de Estado derrubou Evo Morales, deixando um rastro de sangue pelos fuzis das FFAA enquanto no Chile mobilizações diárias questionam a gestão do direitista Piñera, que busca com o apoio da oposição burguesa convocar uma “reforma constituinte trucha”. Ladeando esses países irmãos, tivemos recentemente um levante popular traído no Equador pelas direções reformistas (CONAIE e Rafael Correa) além de eleições na Argentina que levaram de novo a centro-esquerda burguesa à Casa Rosada. No Brasil, o neofascista Bolsonaro segue firme na sua agenda neoliberal enquanto Lula faz caravanas em defesa da conciliação de classes, esperando o circo eleitoral de 2022 em busca de reestabelecer o “pacto social” com a burguesia. Nesse contexto de intensa luta de classes, fica evidente que a ausência de uma Partido Leninista com autoridade e peso de massas tem impedido que as revoltas populares assumam o caráter de revoluções socialistas e, ao mesmo tempo, possibilitado que as direções frente populistas (MAS, PT, Frente Ampla no Uruguay, Kirchinerismo) desgraçadamente por sua covardia política e traição abram caminho para o avanço da reação burguesa. Vimos esse quadro claramente na Bolívia, onde o Evo Morales fugiu para o México, deixando as massas sem uma direção política para resistir ao golpe genocida, ainda que estas venham protagonizando heroicamente uma luta para derrotar o novo governo títere do imperialismo ianque.
HAITI, REVOLTA EM MASSA E TERROR DO ESTADO: POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES E CAMPONESES!  POR UMA FEDERAÇÃO SOCIALISTA DO CARIBE! DECLARAÇÃO DA ICL (SPARTACIST LEAGUE/USA)


O Haiti está em um clima de grande revolta popular contra o regime notoriamente corrupto do presidente Jovenel Moïse, há quase um ano e meio.  Moïse, títere de Washington em Porto Príncipe, enviou policiais e gangues paramilitares contra manifestantes, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.  Por trás da revolta está um fato simples: a vida para a maioria dos haitianos se tornou cada vez mais insuportável neste país profundamente empobrecido, em meio à escassez de alimentos e combustíveis, falta de energia, desemprego em massa e inflação desenfreada.  Estas condições desumanas são um resultado direto da dominação neocolonial pelos imperialistas dos EUA, sob as administrações Democratas e Republicanas, e seus parceiros no crime, especialmente no Canadá e na França. Os protestos começaram em julho de 2018, quando o Moïse aumentou acentuadamente os preços da gasolina e de outros combustíveis em resposta as ordens do Fundo Monetário Internacional, dominado pelos EUA.  Os abutres imperialistas exigiram o fim dos subsídios de combustível como parte da conformidade com o acordo climático de Paris em 2016.  Enquanto a “caminhada de gás” foi arquivada, os protestos se intensificaram novamente.  Em novembro, bandidos paramilitares, com a ajuda de altos funcionários do governo, realizaram um massacre particularmente hediondo em La Saline, um bairro pobre de Porto Príncipe, onde muitos manifestantes moravam.  Cerca de 73 homens, mulheres e crianças foram torturados, cortados com facões e incendiados.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

LEIA A MAIS RECENTE EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA Nº 343, 1ª QUINZENA DE NOVEMBRO/2019


domingo, 17 de novembro de 2019

NA TRINCHEIRA DA DIREITA CONTRA A FRENTE POPULAR: PARTIDO OBRERO REVOLUCIONÁRIO DA BOLÍVIA DESCONHECE O “ABC” DO LENINISMO


“Apóiem o fuzil sobre o ombro de Kerensky e disparem contra Kornilov. Depois ajustaremos as contas com Kerensky”. As lições abstraídas por Lenin e Trotsky sobre a posição assumida pelos revolucionários diante da tentativa de golpe militar do reacionário general Kornilov contra o governo de colaboração de classes de Kerensky em agosto de 1917, poucos meses antes da tomada de poder pelos Bolcheviques. O POR (Lora) organização que é a maior referência histórica de Trotskismo na Bolívia, não sabe absolutamente nada de Leninismo e desgraçadamente ingressou na trincheira da extrema direita para derrubar um governo de Frente Popular encabeçado por Evo Morales do MAS. Porém o pior ainda estava por vir para aniquilar a trajetória de uma organização que se orgulhava de ter tido um dirigente, Guilhermo Lora, que redatou as históricas “Teses de Pulacayo” (1946), um norte programático que apontava a necessidade da tomada de poder político para os mineiros e operários da Bolívia. Consumado o golpe de Estado, com a covarde renúncia do presidente Evo Morales e todo seu staff político, empossado fraudulentamente um governo títere do imperialismo ianque, se instala no país uma enorme resistência espontânea de massas que começa a ser violentamente reprimida pelos golpistas. O POR frente a uma escolha elementar para uma corrente que se reivindica trotskista, ou seja, lutar com a forças da resistência contra o golpe (por mais heterogêneas que sejam), ou juntar-se ao bloco da reação (o que obviamente incluí o governo títere), os Loristas fixaram a segunda opção. A última edição do jornal do POR, Masas (15/11/19) afirma categoricamente que: "Evo foi derrotado pela grande mobilização popular”, negando qualquer evidência da existência de um ultra reacionário golpe cívico e militar na Bolívia, e ainda por cima em um escárnio cinico, pergunta: “Há um golpe em marcha na Bolívia?”. Isto quando o governo golpista, apoiado nas forças militares, já assassinou dezenas de ativistas da imensa resistência popular que hoje cruza todo o país andino. Entretanto para os cretinos revisionistas do POR, que ignoram o ABC do Leninismo com um discurso de fachada “esquerdista” e que na verdade representou a “quinta coluna” da oposição de direita ao antigo governo de colaboração de classes do MAS, essa realidade elementar não em nenhuma importância. Se é verdade que existiram grandes manifestações contra o governo Evo, estimuladas pelas denúncias de fraude eleitoral após o escrutínio de 20 de outubro, estes atos nunca carregaram um caráter progressista, no sentido inverso as mobilizações dirigidas pelo neoliberal Carlos Mesa e o fascista Luis Fernando Camacho assumiram um caráter pró-imperialista e racista, contra os povos originários e o proletariado urbano. Ironicamente o POR que afirmava que a classe operária boliviana já tinha superado as “ilusões eleitorais”, negando-se inclusive a apresentar-se como uma alternativa neste pleito, embarcou de “corpo e alma” nas marchas contra Evo que exigiam que se realizassem um segundo turno eleitoral, exatamente o contrário do que os poristas sustentavam... os protestos aconteceram pela reivindicação de uma nova eleição! A escandalosa posição do POR tem causado inclusive um certo desconforto político no interior de sua tendência internacional, o CERCI, não por acaso a TPOR brasileira defende a existência do golpe, ainda que de forma centrista colocou o termo entre aspas em sua primeira declaração sobre a Bolívia. Sob o manto do justo combate que o proletariado travou na oposição em mais de uma década de governo reformista burguês do MAS, o POR quer acobertar sua capitulação ao movimentismo da direita que forçou a renúncia de um covarde presidente que não tinha nenhum compromisso histórico com o socialismo marxista. Trotsky nos ácidos acontecimentos que precederam a revolução russa, quando a reação ameaçava derrubar o “vacilante Kerensky”, postulou a seguinte posição: “Sequer agora devemos apoiar o governo de Kerensky. Seria faltar com os princípios. Alguém fará uma objeção: não será preciso combater Kornilov? Claro que sim; mas entre combater Kornilov e apoiar Kerensky existe um limite.” O fato de corretamente não depositar um único frasco de apoio político ao governo de Evo, não poderia jamais legitimar o ingresso no bloco da oposição fascista a Frente Popular, os Leninistas deveriam estar na primeira fileira para lutar contra o golpe de Estado, sem com isso hipotecar solidariedade alguma com a conduta do MAS. Os Marxistas Leninistas não tem bola de cristal sobre o futuro, porém não são estupidos ao ponto de supor que um movimento organizado pelas forças da direita, e com um móvel reivindicativo reacionário e burguês, poderia desembocar em um “governo operário”, ao se lamentar que a queda de Evo deu lugar a ascensão da criminosa Jeanine, o POR defende a “tese” do “quanto pior melhor”, uma declaração involuntária de sua completa ignorância da teoria Marxista Leninista. Nós da LBI, desde nossas modestas forças políticas, conclamamos todos os militantes e ativistas da esquerda revolucionária, a se perfilarem na trincheira da luta contra os golpistas, pela via da ação direta em frente única com todos que estejam dispostos a abraçar esta bandeira de combate a reação fascista!

sábado, 16 de novembro de 2019

MORTOS EM COCHABAMBA: GOVERNO TÍTERE REPRIME A RESISTÊNCIA AO GOLPE ENQUANTO O MAS COSTURA UM PACTO EM NOME DE “PACIFICAR A BOLÍVIA” PARA A ESTABILIZAR O REGIME BURGUÊS. CONSTRUIR A DEFESA MILITAR DOS TRABALHADORES E TRANSFORMAR OS CABILDOS ABERTOS EM ORGANISMOS DE PODER OPERÁRIO E POPULAR!


Nos últimos dias houve um incremento da violenta repressão as manifestações populares que resistem ao golpe de estado fascista na Bolívia. Em Cochabamba a polícia atacou uma marcha popular que se dirigia ao centro da cidade, assassinando quase uma dezena de ativistas. Na medida que cresce nas ruas a resistência incrementa-se os ataques do aparato repressor do Estado burguês. Já são dezenas de mortos nas ruas, com as FFAA e a polícia atacando as marchas por ordem do fraudulento “Governo de Transição”. Enquanto desfere a repressão, os golpistas estabelecem negociações secretas com a direção do MAS. Não por acaso, em um claro acordo com a golpista Jeanine Añez, houveram seções da Câmara dos Deputados e do Senado. A bancada do MAS (majoritário no parlamento) que estava sendo barrada na entrada dos prédios parlamentares, além de ter sido permitida seu ingresso e participação nas seções, elegeu a mesa diretora das duas casas legislativas e sinalizou um acordo mais estratégico om os golpistas. Como demagogia o MAS propôs e aprovou uma lei para que as Forças Armadas retornassem aos quarteis para “evitar mais mortes”, como se isso fosse possível dentro do Estado capitalista e em meio a um golpe de estado. Essa manobra distracionista foi seguida de uma proposta do recém eleito presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Choque (MAS), para a elaboração de uma “agenda eleitoral para pacificar o país”. Tanto que o senador Omar Aguilar, também do MAS, em entrevistas de rádio afirmou “Nosso objetivo é pacificar o país, não é bloquear essa gestão de transição. Do México, Evo Morales acaba de lançar um Twitter afirmando: “Nuestro pueblo pide paz y concertación. Reitero mi convocatoria al diálogo de alto nivel con mediadores para pacificar nuestra querida Bolivia y preservar la vida y la democracia.”. O “entendimento” para uma nova eleição foi anunciado pela presidente do Senado, Mónica Eva Copa Murga, integrante do MAS que foi recentemente confirmada no posto. Com essa orientação, o MAS pretende usar a crescente mobilização ao golpe, não para derrotá-lo, mas para negociar uma eventual participação eleitoral no futuro. Desgraçadamente, não existe uma direção revolucionária a altura na Bolívia, o POR (Lora) se colocou ao lado das manifestações reacionárias e seus ataques ao MAS, após o golpe ao governo Evo, expresso no Jornal Masas mais se parecem um panfleto que se confunde com as diabrites da extrema-direita golpista. As acusações do POR a Evo em nada se diferenciam das provocações da farsante Jeanine e sua anturragem policial reacionária. Ao contrário desses revisionistas canalhas que enlameiam a bandeira da IV Internacional é preciso lutar na trincheira real de luta das massas contra o golpe assassino! Para acelerar a perda das ilusões do proletariado na camarilha dirigente do MAS faz-se necessário chamar a frente única com o MAS, a COB, as juntas vicinais e a Federação mineira para combater o golpe de Estado patrocinado por Trump/Bolsonaro. Esse chamado deve ser voltado em particular a base do MAS no sentido dela se opor e romper o acordo traidor que vem sendo costurado por seus dirigentes. Nesse sentido a tarefa imediata para as massas combativas do Altiplano é construir sua própria defesa militar, diante das atrocidades que estão ocorrendo, forjando organismos de poder operário e popular!


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

130 ANOS DA “PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA” NO BRASIL: GOLPE MILITAR CONTRA AS VELHAS OLIGARQUIAS SEMI-FEUDAIS LIGADAS A MONARQUIA PARA IMPOR O CONTROLE DO ESTADO PELA BURGUESIA QUE AGORA “ENTRONOU” O NEOFASCISTA BOLSONARO COMO SEU GERENTE 


A “Proclamação da República” celebrada nesse 15 de novembro foi na verdade o primeiro golpe militar no Brasil. Desde a sua origem, a classe dominante brasileira sempre procurou controlar o essencial do poder regional e viver em situação subordinada com as elites estrangeiras, desconsiderando as necessidades essenciais da população pobre e dos trabalhadores. No período da monarquia, eclodiram movimentos liberais, federalistas e separatistas (Balaiada; Cabanagem; Revolta Farroupilha, etc.). Esses movimentos foram traídos no seu nascedouro pelas elites regionais, temendo a adesão dos explorados e dos trabalhadores escravizados. As oligarquias regionais semi-feudais sempre preferiram a subordinação imperial a pôr em perigo a ordem escravista, que foi um dos pilares da unidade territorial brasileira. Em 1880, o movimento abolicionista exigia o fim imediato da escravidão, sem indenização. A luta pela abolição transformou-se no primeiro grande movimento democrático nacional, com organização de fugas de escravos, onde homens livres e trabalhadores escravizados uniam suas forças. A reforma eleitoral; a universalização do ensino; a democratização da propriedade da terra eram propostas discutidas pelos abolicionistas. A partir de 1887, aumentaram as fugas organizadas para as cidades. Logo, o movimento assumiu um caráter massivo. Com as fazendas desertadas, vendo o fim inevitável da escravidão, os cafeicultores paulistas aderiram à defesa da imigração. A abolição da escravatura saiu vitoriosa e obrigou a elite a reconhecer sua derrota, com a Lei Áurea. O Brasil estava em permanente ebulição social desde 13 de maio de 1888 com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. A Questão Militar que vinha se arrastando desde 1883, com o debate em torno da doutrina do soldado-cidadão, que defendia a participação dos oficiais nas questões políticas e sociais do país, teve uma conclusão repentina, com o golpe militar republicano de 15 de novembro de 1889. A derrubada da Monarquia, que de imediato foi sem derramamento de sangue, terminou por provocar reações anti-republicanas. Assim, em 15 de novembro de 1889, alguns soldados comandados pelo marechal Deodoro da Fonseca tomaram o Ministério da Guerra e depuseram o ministro e o presidente, o visconde de Ouro Preto. O imperador Dom Pedro II estava em Petrópolis com a família quando foi chamado com urgência à corte: o ministério Visconde de Ouro Preto tinha se exonerado. O governo tinha caído. Só quando chegou ao Palácio Imperial ficou sabendo que monarquia tinha caído.  A exoneração do ministério foi exigida pelo marechal Manuel Deodoro da Fonseca, no comando de vários batalhões de oficiais e de soldados. Assim que a exoneração foi entregue a Deodoro ele se proclamou chefe do governo provisório e fechou a Câmara dos Deputados, para ninguém ter dúvida acerca de quem estava mandando. Estava consumado o primeiro golpe militar da história do Brasil. A monarquia caiu sem ter ninguém a defendê-la.
PCO ESTÁ 100% COM LULA SEM AUTOCRÍTICA: DEFENDE COM O NOSSO EX-PRESIDENTE METALÚRGICO AS ALIANÇAS COM MALUF, SARNEY, COLLOR, KASSAB, CABRAL, CRIVELLA E UMA IMENSA LISTA DAS OLIGARQUIAS BURGUESAS...


O PT realizou em Salvador nesta quinta-feira (13/11) a primeira reunião de sua direção nacional após a libertação de Lula, contando inclusive com a presença de seu presidente de honra no evento. Como não poderia deixar de ser o PCO acompanhou a reunião, agora na condição de tendência externa do PT e já convertido na corrente política que afirma ser “100% Lula”. Pois bem, nesta reunião o PCO registrou com muito júbilo em sua imprensa digital que Lula “Manda indireta para Boulos”, referindo-se ao debate em pleno curso no interior de toda esquerda (e não só nos foros internos do petismo) sobre os “erros” políticos cometidos pelo PT e seus governos de colaboração de classes. O PCO, uma organização que se corrompeu materialmente com as “generosas” verbas da Frente Popular, reproduz e defende cegamente a fala de Lula na reunião da direção do PT: “Lula disse que o partido não precisa fazer nenhuma autocrítica e não nasceu para ser coadjuvante.” (site do PCO, 14/11/19). Realmente as resoluções aprovadas na reunião da Direção do PT não apontam para qualquer balanço autocrítico na trajetória recente do partido, pelo contrário, reafirmam como correta a política de alianças burguesas realizadas ao longo de treze anos de governos petistas (Lula e Dilma). Não se trata apenas de um debate sobre fatos do passado, para Lula, agora na condição de principal líder da “oposição” ao governo neofascista, o partido deve “amadurecer” mais e buscar um arco de alianças ainda mais amplo do que o realizado anteriormente. A cínica apologia dos acordos que Lula costurou pessoalmente com Sarney, Collor, Maluf, Cabral, Kassab, Crivella e uma imensa lista de políticos das oligarquias burguesas mais reacionárias e corruptas do país, é o sintoma mais agudo da completa degeneração moral e programática do PCO. Os Marxistas Leninistas da LBI não se incluem na lista de correntes que implora para Lula fazer “uma autocrítica”, não concebemos a estratégia de governo do PT como simplesmente um “erro” , a ampla base de sustentação dos governos petistas incluía partidos políticos da direita burguesa até a esquerda reformista, porém esta é a própria natureza de classe do PT, um partido que “evoluiu” da pequena burguesia radicalizada dos anos 80, até tornar-se uma agremiação Social Democrata burguesa de esquerda, pautada pela defesa do modo de produção capitalista com uma “dose” de “proteção social” para a população menos favorecida. Partidos como o PP, PR,PRB, PTB, PMDB, PSD, PSB, etc... possuem o mesmo “corte” de classe do PT, as diferenças estão no campo da graduação política com que se situam no contexto da conjuntura nacional, ou seja, ora mais a esquerda, ora mais a direita atuando como golpistas do antigo aliado. O fato de existirem partidos que se reivindicam “comunistas” e que ingressaram nesta lista de integração à Frente Popular, como é o caso do PCdoB e PCO, não altera a caracterização global do PT, só revela o nível acentuado de decomposição ideológica destes pseudos “comunistas”. Seguindo na reunião do PT, Lula também reafirmou neste encontro que a “foco central não deve ser Bolsonaro”, um “acidente” que logo será descartado pela elite dominante, segundo o líder petista. Para o ex-presidente Metalúrgico, o centro político do PT deve ser as eleições de 2020 e 2022, onde demonstrarão ao país que o partido agora na oposição está pronto para voltar ao governo, com muito mais “maturidade”... Enquanto o PCO tenta enganar tolos e ingênuos com suas polêmicas distracionistas contra o eleitoralismo do PSOL, ou o reformismo do insignificante MRT, engole goela abaixo, sem soltar um pio sequer, toda a podridão política do Lulismo. Talvez as “gorjetas” recebidas pelo PCO para defender a imundície da colaboração de classes da Frente Popular sejam bem “gratificantes” para a sustentação material da família Pimenta, afinal de contas o PT receberá do Fundo Partidário a “bagatela” de 1 bilhão de Reais, a maior cota entre todos os partidos por ter elegido a maior bancada de deputados na Câmara Federal. Desgraçadamente estes elementos do PCO ainda falam que representam a “esquerda Trotskista”, enlameando com sua profunda corrupção programática a bandeira da IV Internacional.

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A PRÓXIMA VÍTIMA DOS NEOLIBERAIS CRIMINOSOS: GOVERNO BOLSONARO QUER PRIVATIZAR OS CORREIOS COLOCANDO 100 MIL TRABALHADORES NO “OLHO DA RUA”


O governo neofascista Bolsonaro incluiu oficialmente os Correios no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) dando mais um passo no sentido de privatizar( leia-se uma doação ao capital financeiro) a empresa estatal que mais possui funcionários no Brasil. Para os criminosos neoliberais do governo a empresa pública que nasceu como serviço postal em 1663 e tornou-se a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) em 1969, sendo, desde então, uma empresa lucrativa e uma das empresas em que mais a população confia, por sua pontualidade e eficiência, tem que ser “vendida a preço de banana”para a chamada iniciativa privada. Quase nenhum país capitalista do mundo cometeu a irresponsabilidade de entregar o controle estatal de sua empresa de correios a grupos privados, como querem a quadrilha de Bolsonaro, Guedes e Mattar. Nem mesmo os Estados Unidos, o país imperialista dos carteis e dos monopólios privados, abriu mão do caráter público de seus Correios. Lá como aqui, há monopólio apenas da área postal, sendo livremente permitida a presença de empresas privadas no setor de entrega de encomendas. Com a cantilena que a ECT apresentou prejuízos em alguns anos atrás, a equipe de econômica de Guedes e seu estafeta Salim Mattar (dono da Localiza) já iniciaram o desmonte da estatal com uma desastrosa gestão. A lucratividade dos Correios é inequívoca, como demonstram os seus balanços financeiros dos últimos vinte anos, a empresa teve um lucro de 15,8 bilhões de reais, em valores atualizados pelo IPC. E, apenas num lapso de tempo curto, teve contas no vermelho (2013, 2015 e 2016), tendo em 2014 obtido um resultado praticamente estável. Foram cerca de 30 anos em que a empresa estatal vem obtendo lucros, num período que vai de 1969, data da fundação da ECT, até 1999. Durante todos esse tempo os Correios repassou no mínimo 25% de seus lucros para o Tesouro Nacional, como determina seu estatuto social. Existem no Brasil empresas privadas que já atuam com a entrega de encomendas no território nacional, mas não superam os Correios porque não investem os montantes financeiros que são demandados para que o serviço seja feito de forma ampla e adequada. Estas empresas privadas são “pequenas” comercialmente porque visam apenas as áreas consideradas como “filé mignon”. Querem obter lucros exorbitantes em detrimento de prestar um bom serviço para toda a população, principalmente a de baixa renda. Por conta de não fazerem os investimentos necessários, as empresas privadas se utilizam, inclusive, muitas vezes, da estrutura dos Correios para conseguir prestar os serviços de entrega das encomendas em regiões de difícil acesso no país, este verdadeiro “furto” da estatal vem sendo tolerado pela gestão neoliberal da estatal há muito tempo. Os Correios revelam a sua eficiência e o seu caráter estratégico para o país ao cobrir todo o território nacional e fazer isso com qualidade, pontualidade e, mesmo assim, ser uma empresa lucrativa para as contas do Tesouro Nacional. Porém por não estar sob o controle dos trabalhadores, a ECT vem servindo de barganha e “carta de troca” para os governos burgueses ao longo da história, incluindo as gestões da Frente Popular que entregaram a estatal na mãos de verdadeiros bandidos das oligarguias políticas mais corruptas. Com o golpe parlamentar de 2016, a ECT entrou definitivamente na “lista negra” para o seu sucateamento e posterior privatização, que será realizada por Bolsonaro e Guedes caso os trabalhadores da empresa não iniciem uma vigorosa ação de resistência a este verdadeiro “crime de lesa pátria”. Desgraçadamente as direções sindicais burocráticas vem sabotando a luta contra o desmonte e privatização dos Correios, como ficou demonstrado na última greve geral da categoria ecetista. Para derrotar a sanha privatista dos criminosos Bolsonaro, Guedes e Mattar, colocando os Correios sob o controle dos trabalhadores, é necessário construir uma nova direção classista e combativa, rompendo com os pelegos imobilistas da CUT, CTB e seus apêndices menores como LPS.
20 ANOS SEM O MESTRE ZÉ KETI: A VOZ DO MORRO COM O "SHOW OPINIÃO" QUE POLITIZOU O SAMBA BRASILEIRO

"Podem me prender
 Podem me bater
 Podem até deixar-me sem comer
 Que eu não mudo de opinião.
 Aqui do morro eu não saio não
 Aqui do morro eu não saio não!"
(Samba “Opinião”, 1964)


Hoje fazem 20 anos que nos deixou o genial mestre do samba Zé Keti, no dia 14 de novembro de 1999. Esse é o apelido de José Flores de Jesus, um dos maiores sambistas cariocas de todos os tempos. Zé Quietinho ou Zé Quieto eram os seus apelidos de infância. Quieto virou Kéti porque a inicial K do nome artístico era a letra que na época era vista como de sorte, nomeava dirigentes políticos como Krushev, Kubitscheck e Kennedy. O próprio sambista divulgou a versão numa de suas falas do Show Opinião, estrelado por ele de 1964 a 1965 ao lado de Nara Leão e João do Vale em plena ditadura militar. Ao longo de 60 anos de carreira, foram mais de 200 composições, inúmeros prêmios, discos e homenagens recebidas, além da admiração dos melhores intérpretes da música popular brasileira. Ele foi também um dos principais responsáveis pela divulgação do samba, por ter trazido a música do morro para o asfalto, estabelecendo uma ligação direta entre dois universos do mundo carioca, o da Favela e o da Zona Sul. Foi graças a Zé Keti que intelectuais de esquerda, que resistiam à ditadura militar no início dos anos 60, começaram a gostar da música mais popular, que também virou instrumento de resistência as perseguições impostas pelo regime assassino. O auge dessa resistência musical foi o Show Opinião, quando Zé Keti percorreu o Brasil dividindo o palco com Nara Leão, João do Vale e, depois, Maria Bethânia. Cantou o samba, as favelas e suas dores mas também a malandragem e seus amores em meio a repressão imposta pela ditadura militar.


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

GOVERNO TÍTERE DOS EUA ENFRENTA RESISTÊNCIA OPERÁRIA E POPULAR. EVO DIZ QUE PODE VOLTAR PARA “PACIFICAR O PAÍS”... EXIGIMOS UMA POLÍTICA PARA DERROTAR JÁ OS GOLPISTAS!


A crise política intensifica-se na Bolívia, mesmo após o golpe de Estado que impôs a renúncia do presidente Evo Morales. A resistência operária, popular e camponesa contra a ofensiva da extrema direita, se espalhou pelo país, concentrando-se hoje na capital La Paz, sede do governo central. É por isso que o imperialismo e seus títeres fascistas “forçaram a mão” para empossar rapidamente a senadora, autoproclamada presidente, Jeanine Añez, uma personagem sem grande expressão ou força política própria, oriunda da região racista conhecida por “Meia Lua”, apoiada pelos bandos policiais, a cúpula do exército e as hordas da extrema direita. Em sua primeira apresentação, na varanda do palácio, o fanático reacionário Luis Fernando Camacho estava à sua direita com uma bíblia na mão, representando as seitas pentecostais que tiveram um papel determinante no golpe. Porém o governo “tampão” de Jeanine é um muito frágil politicamente, um títere bancado às pressas pela embaixada norte-americana, diante de uma disputa de poder entre as próprias frações golpistas que ameaçava a governabilidade golpista. Añez só conseguiu efetivar a manobra da autoproclamação porque a maioria dos parlamentares do MAS estava ausente da esvaziada sessão do Congresso, grande parte da bancada masista seguiu a covarde renúncia de Evo e Linera, deixando o caminho livre para esse curso golpista e antidemocrático. Observando que mesmo sem uma direção política que apontasse o caminho da resistência ao golpe, se avolumavam os protestos em La Paz e El Alto contra Jeanine, forçando a renunciante presidenta do Senado, Adriana Salvatierra, primeira na ordem sucessora na ausência do presidente e do vice, a decidir voltar atrás e assumir novamente seu posto, seguida de outros parlamentares do MAS, que com grande dificuldade por obstrução da polícia, conseguiram a pouco adentrar na Câmara dos Deputados. Os manifestantes de El Alto, no meio da desorientação provocada pela postura capituladora da direção do MAS, chegaram a levantar a bandeira de que o general Williams Kaliman, comandante das FFAA e o mesmo que exigiu a renúncia de Evo, assumisse a presidência da república. Talvez este fato tenha levado a golpista Jeanine a nomear outro comandante para as Forças Armadas, o general Orellana, elevando os atritos no interior do bloco golpista. Añez prometeu convocar eleições “democráticas” no tempo mais breve possível, mas não marcou sequer a data, muito provavelmente nem esteja mais no posto usurpado nas próximas semanas, na medida do agravamento da crise de governabilidade. A dupla de velhacos Trump e Bolsonaro quer mascarar o golpe policial&militar com uma fachada “constitucional”, sustentando a frágil senadora de “cabelos oxigenados” na cadeira presidencial por mais tempo possível, o que esbarra no voraz apetite do fascista Camacho, contido temporariamente diante do inimigo maior: o crescente da resistência operária, popular e camponesa aos planos golpistas. Porém sem um norte político e sem lideranças, a mobilização anti-golpe tende a se arrefecer, sendo derrotada com métodos violentos de uma guerra civil. Evo e seu grupo sinalizou do México que poderia voltar a Bolivia... "para pacificar o país". Obviamente com este aceno busca um acordo político com as oligarquias e os EUA no sentido de poder concorrer em novas eleições. O combativo movimento de massas que espontaneamente demonstrou muita coragem no enfrentamento com a reação golpista não pode esperar muito tempo, deve exigir o retorno imediato de todos os dirigentes do MAS, prefeitos, governadores, parlamentares que renunciaram covardemente e principalmente a volta de sua principal referência, o presidente Evo Morales. Mas não para pactuarem um “acordo nacional” no sentido de estancar a crise do regime burguês, e sim para derrotar os golpistas pela via da ação direta da classe operária. Obviamente como Marxistas conhecemos muito bem a impotência histórica do nacionalismo burguês em enfrentar a reação, Evo repetiu simetricamente a “saga” de Peron em 55, Jango em 64 e Allende em 73, este último pelo menos teve a “decência moral” do auto sacrifício. Porém é necessário acelerar dramaticamente a perda das ilusões do proletariado na camarilha dirigente do MAS, neste sentido de faz necessário, sem tergiversação alguma como faz o arco revisionista (PTS, PO, LIT, UIT etc..), o chamado a frente única com Evo, para combater o golpe de Estado patrocinado por Trump e Bolsonaro.
LIT/PSTU E SEU PECULIAR "COMBATE" AO GOLPE DE ESTADO NA BOLÍVIA: APÓS DEFENDER QUE AS MANIFESTAÇÕES CONVOCADAS PELA DIREITA ERAM “PROGRESSISTAS E DEMOCRÁTICAS” AGORA PEDE “ELEIÇÕES LIVRES”... TRUMP, OEA, MESA E CAMACHO AGRADECEM APOIO DOS MORENISTAS PARA LEGITIMAR O “PUTSCH” CONTRARREVOLUCIONÁRIO!


A LIT/PSTU “surpreendeu” desta vez na Bolívia. Depois de apoiar o golpe institucional contra Dilma em 2016 no Brasil ao comemorar o impeachment da petista como uma “grande vitória dos trabalhadores” e se unir à direita nas manifestações pelo “Fora Maduro” na Venezuela até recentemente, agora os Morenistas declaram “Abaixo o golpe na Bolívia! Organizar a resistência para derrotar o golpe! Por eleições livres!” (11.11). Olhando à primeira vista, tudo levaria a crer que a LIT/PSTU fizeram na Bolívia uma “autocrítica na prática” da vergonhosa conduta pró-imperialista que tiveram no Brasil e Venezuela, para não falar da Líbia e Síria onde se emblocaram com a OTAN e seus “rebeldes” para derrubar os governos nacionalistas burgueses de Kadaffi e Assad em nome do apoio a falsa “Revolução Árabe made in CIA”. Nada disso, ledo engano! Antes de mais nada é preciso lembrar que a LIT-PSTU continuam afirmando não ter havido golpe institucional no Brasil e seguem defendendo a derrubada de Maduro (que neste momento só pode vir pelas mãos da direita), vociferando que o presidente venezuelano é um “ditador sanguinário”. Na Bolívia, apesar de caracterizarem que “Foi consumado um golpe contrarrevolucionário na Bolívia, dirigido por Camacho, as Forças Armadas e a polícia, que manobraram e se utilizaram de uma mobilização popular, no início progressiva, contra a fraude eleitoral feita por Evo Morales” os Morenistas não abstraíram as conclusões políticas e tarefas necessárias para derrotar a reação neofascista em curso no país altiplano. Ao contrário, caracterizam que as mobilizações inicialmente tiveram um caráter “progressivo e democrático” contra a suposta fraude eleitoral organizada pelo MAS, protestos que deveriam ser apoiados mesmo que dirigidos pela direita. Nesse sentido a LIT declara “Todos os processos com esse grau de polarização têm elementos confusos e contraditórios. A mobilização contra a fraude eleitoral tinha em seu início um caráter progressivo, porque tinha um conteúdo democrático contra o governo burguês de Evo. Apesar de haver elementos reacionários com a presença de uma direção burguesa, como Mesa. Surgiram mobilizações no início de classe média, e depois começaram a abranger setores populares mais amplos”. Esse fictício cenário supostamente “confuso e contraditório” montado pelos Morenistas é o mesmo que eles criaram como justificativa para apoiar as manifestações reacionárias na URSS e nos Estados operários do Leste Europeu que desembocaram na restauração capitalista nos antigos estados operários ou, mais recentemente na Ucrânia, enquanto neofascistas encabeçavam uma “revolução” (segundo a LIT) e derrubavam as estátuas de Lênin. Assim também a LIT/PSTU atuou na Líbia chamando a “disputar” com os monarquistas seguidores do Rei Idris os protestos direitistas em Benzagi contra Kadaffi. Trata-se de uma farsa o que dizem ter ocorrido na Bolívia! Desde seu início, quando entrou em uma espécie de convulsão social devido a convocação de uma greve nacional e uma marcha para cercar La Paz, iniciativa dos governadores departamentais da oposição de direita (Santa Cruz e outros), com o apoio de Carlos Mesa e o aval da OEA, ficara evidente para os Marxistas Leninistas que estava em andamento na Bolívia um processo de desestabilização do governo Evo Morales rumo a um golpe de estado ou, no mínimo, para obrigar a convocação de novas eleições a fim de que a vitória nas urnas fosse de Mesa ou de um candidato ainda mais à direita. A famigerada OEA, que supervisionava todo o processo eleitoral, já havia “aconselhado” Morales a aceitar uma segunda volta, independente dos votos depositados nas urnas (soberania popular). Ocorreu que Carlos Mesa e o arco político da extrema direita comandado por Camacho intensificaram o cerco a Morales, com ações violentas e terroristas com incendiar as sedes de vários tribunais regionais eleitorais e locais partidários do MAS, acabando por ganhar o apoio da polícia, das FFAA e da Casa Branca, o que levou à renúncia de Morales e sua fuga covarde para o México. Registre-se que nesse contexto, em uma postura muito similar aos Morenistas da LIT, que se juntaram ao imperialismo na Líbia, Brasil e Venezuela para supostamente combater os governos nacional reformistas, o POR Lora somou suas forças (sindicais e partidárias) com a oposição de direita a Evo Morales em nome de “disputar as massas”. Como não havia nada de “progressivo” nos protestos, como alega a LIT/PSTU, alertamos como Marxistas Leninistas que estabeleceram a oposição operária e camponesa aos governos de Frente Popular, não admitir qualquer “unidade de ação” com a extrema direita para “derrubar os reformistas do poder”, como defendem os revisionistas do Trotskismo que desgraçadamente enxergam “revoluções” dirigidas pela CIA e a OTAN. Atuamos com esse princípio leninista mais uma vez na Bolívia, tudo o oposto do que fizeram os filisteus que maculam a bandeira da IV Internacional!
FORA OS NEOFASCISTAS A SERVIÇO DE GUAIDÓ DA EMBAIXADA VENEZUELANA! RESPONDER A PROVOCAÇÃO GOLPISTA COM A DEFESA MILITANTE DO CORPO DIPLOMÁTICO PARA RETOMAR A REPRESENTAÇÃO EM BRASÍLIA! 




Neofascistas apoiadores dos canalhas Juan Guaidó forçaram a entrada na Embaixada da Venezuela em Brasília, na manhã desta quarta-feira (13). O atual responsável pela embaixada, Freddy Meregote, encarregado de negócios que foi nomeado pelo governo Maduro, denunciou que o imóvel foi invadido. As embaixadas são consideradas territórios autônomos vinculados ao país que representam diplomaticamente. Pelo menos 14 provocadores ultrapassaram os portões. Do lado de fora, cerca de 30 manifestantes demonstravam apoio ao atual corpo diplomático e reagiram a ação dos neofascistas, havendo confronto. Fica evidente que a ação servil a Guaidó ocorreu porque em janeiro deste ano, Bolsonaro reconheceu o capacho de Trump como presidente da Venezuela. Guaidó nomeou, então, María Teresa Belandria como suposta embaixadora do seu “governo” no Brasil. Ela vive em Brasília e improvisou um escritório em um hotel. A sede diplomática venezuelana em Brasília está sem embaixador desde 2016, quando Alberto Castellar foi chamado de volta ao país como resposta de Maduro ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Atualmente, o responsável pela representação é Freddy Meregote. Meregote denunciou que o local “foi invadido irresponsavelmente por um grupo delitivo, de pessoas uniformizadas e não reconhecidas”. Ele afirmou que a ação de apoiadores de Juan Guaidó "violenta a Convenção de Viena" e também falou em "violação dos direitos das famílias que moram na embaixada". O governo Maduro lançou um comunicado internacional que denunciar a invasão da embaixada: “Responsabilizamos o governo do Brasil pela segurança de nossa equipe e instalações. Exigimos respeito pela Convenção de Viena sobre relações diplomáticas”. O ataque ocorre no momento em que Brasília é sede da cúpula do Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Desde a LBI chamamos a forças antiimperialistas, democráticas e populares, os sindicatos e entidades a organizar uma brigada para defender o corpo diplomático venezuelano e expulsar os neofascistas do prédio da embaixada em Brasília!
NA PORTA DE SAÍDA DO PSL: BOLSONARO LANÇA PARTIDO FASCISTA “ALIANÇA PELO BRASIL”, TENDO MORO COMO VICE NA CHAPA DE 2022


A crise pelo controle das “generosas” verbas do Fundo Partidário entre a famiglia Bolsonaro e a quadrilha que controla a máquina partidária do PSL caminha para o desfecho final. O presidente neofascista acaba de anunciar sua saída do PSL e a criação de um novo partido político, a Aliança Pelo Brasil. No manifesto de fundação do partido bolsonarista encontramos claros traços da tentativa em alicerçar um partido de características programáticas fascistas no Brasil: “Aliança é união e é força. E a Aliança pelo Brasil é o caminho que escolhemos e queremos para o futuro e para o resgate de um país massacrado pela corrupção e pela degradação moral contra as boas práticas e os bons costumes”. O clã Bolsonaro projeta dar uma “continuidade histórica” aos elementos circunstanciais que os levaram a ocupar o Palácio do Planalto. Em outras palavras, o presidente neofascista quer dar longevidade ao golpe parlamentar que apeou a Frente Popular da gestão central do Estado Burguês. Neste sentido a estruturação de um núcleo partidário fascista, organizando institucionalmente setores sociais reacionários, como oficiais das FFAA, policiais militares, milicianos, o lúmpem (proletariado e pequeno burguês) e por fim o próprio baixo clero no Congresso Nacional, é um fato político de graves dimensões e não pode ser menosprezado pelos Marxistas Revolucionários. O Manifesto redigido pela escória fascista que acompanha Bolsonaro, afirma: “que um de seus objetivos é resgatar o Brasil do massacre que vem sofrendo pela degradação moral contra as boas práticas e os bons costumes", em uma nítida inspiração das cartas que Mussolini lançava em defesa da “moral e dos costumes tradicionais”. Na primeira reunião do novo agrupamento da extrema direita, realizado no gabinete do Planalto na noite desta terça-feira (12/11), Bolsonaro conseguiu reunir a maioria da bancada de deputados do PSL, indicando que a “caneta” do presidente já começou a agir, porém não é nada certo que consiga arrastar para a nova sigla o bilionário Fundo Partidário da antiga legenda presidida por Luciano Bivar. O botim de quase 1 bilhão de Reais, que tem direito o PSL só é menor do que o do PT, que possui a maior bancada da Câmara dos Deputados. No bojo do anúncio do novo partido, Bolsonaro também lançou sua chapa para as eleições presidenciais de 2022, tendo como vice a presença do Ministro Sérgio Moro, confirmando assim a caracterização da LBI de que o “justiceiro” é o grande fiador político deste regime de exceção. A saída de Lula do cárcere de Curitiba acelerou os planos da matilha fascista em se agrupar para a disputa eleitoral e social, porém a letargia do PT em mobilizar os trabalhadores pela via da ação direta contra a ofensiva neoliberal, ameaça a própria permanência em liberdade da maior liderança da Frente Popular. Não por coincidência já tramita rapidamente no Congresso Nacional propostas para uma revisão constitucional acerca da prisão após condenação em segunda instância. O movimento operário e popular deve estar atento a organização partidária dos fascistas no Brasil, sendo um erro fatal considerar este fenômeno apenas como uma “ameaça eleitoral” para a esquerda. Somente a construção de uma alternativa revolucionária de poder proletário poderá derrotar efetivamente a reação neofascista em pleno curso no Brasil e em todo continente americano.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

EVO ABANDONOU A RESISTÊNCIA AO GOLPE: CHEGA AO MÉXICO ENQUANTO SETORES CAMPONESES E OPERÁRIOS MARCHAM A LA PAZ SEM UMA DIREÇÃO QUE APONTE O CAMINHO DA LUTA


Após renunciar à presidência da Bolívia no último domingo (10/11), com o fracasso da vergonhosa manobra da convocação de novas eleições, Evo Morales chegou nesta terça-feira (12/11) ao México, onde foi recebido pelo chanceler, Marcelo Ebrard, que lhe concedeu asilo político em nome do governo de centro esquerda, encabeçado por Andrés Manuel Lopez Obrador. Evo já tinha se retirado da Capital La Paz, cercada por hordas fascistas lideradas pelo fanático Luis Fernando Camacho e outros similares de extrema direita. Evo tentou permanecer em um quarto mandato presidencial apoiando-se exclusivamente nas instituições do Estado Burguês, e na própria confiança do Departamento de Estado dos EUA que através da OEA sinalizou que aceitaria a decisão do MAS (partido de Morales) em concorrer novamente a presidência, apesar da decisão anterior contrária de um plebiscito nacional. Evo seguiu para as eleições de 20 de outubro convicto de que somente os “índices econômicos” positivos da Bolívia lhe garantiriam um estrondoso triunfo eleitoral. O governo do MAS afirmava que ao colocar mais de“três milhões de pessoas com acesso ao crédito e consumo” seria o suficiente para entrar para história como o presidente mais longevo da Bolívia, e num surto de ilusão com a “eterna gratidão” da burguesia por ter potenciado seus negócios e lucros com a expansão mercantil do país. Ledo engano reformista que custará muito sangue ao proletariado boliviano, “preço” muito menor que “pagará” o próprio Evo e seu grupo que está asilado em total segurança na capital mexicana. Desgraçadamente o MAS não soube abstrair as lições do golpe no Brasil, onde a burguesia rentista apesar de ter lucrado bilhões de dólares com os seguidos governos da Frente Popular, patrocinou uma trama golpista assim que os primeiros sinais da economia capitalista começaram a “patinar” como efeito da crise mundial. Ao elevar a condição de “prósperos consumidores” pesados contingentes das chamadas classes “C” e “D”, os governos da esquerda reformista pensavam contar com a “fidelidade política” destes setores sociais, outro grande equívoco letal...ter acesso ao consumo e elevar momentaneamente o padrão de vida não é o mesmo do que adquirir uma consciência de classe ou mesmo na pior das hipóteses “progressista de esquerda”, muito pelo contrário estes setores sociais ao verem ameaçador seus “novos hábitos” ao limiar de uma recessão econômica se voltam de forma violenta exatamente contra quem lhes promoveu o acesso ao consumo, no caso o governo da Frente Popular. Na Bolívia a história se repete como tragédia, o governo do MAS acreditou que não precisaria organizar os operários e camponeses de forma independente do Estado Burguês para defender um novo mandato para Evo, bastaria a “gratidão do mercado”, porém o golpe fascista veio a cavalo... e a classe operária estava mais uma vez completamente desarmada, política e belicamente falando. Evo foi “traído”, se é que possamos usar este termo nesta situação, por um motim policial generalizado que começou a receber ordens diretas dos “Comitês Cívicos” de Santa Cruz, logo na sequência o alto comando das Forças Armadas também comunicou ao governo do MAS que não estava sob sua disciplina. Esta mudança qualitativa na conjuntura, após quase um mês de conflitos e manifestações da oposição em todo o país, configurou o desfecho final do Golpe de Estado, com a bênção da OEA e da embaixada norte-americana, que postergaram até o último momento o “abandono aos leões fascistas” do presidente retirante. Sem a mínima disposição política de enfrentar o “golpe gorila” com os métodos de luta da classe operária, Evo faz um deplorável pronunciamento de renúncia, implorando aos chacais fascistas que respeitem a vida dos apoiadores do MAS, enquanto um setor das massas mais combativo e consciente estava disposto em iniciar a resistência. Fica claro que sem uma direção política que organize a luta consequente contra os golpistas, a resistência acabará sufocada, já no México Evo faz um demagógico chamado a um incerto “futuro eleitoral”, do qual estará vivo para participar... enquanto a esquerda Trotskista (POR) afirma cinicamente que “Camacho quer ocupar o vazio”, justamente cavalgando no mesmo movimento que derrubou o governo do MAS, apoiado pelos Loristas acriticamente. A tarefa imediata para as massas combativas do Altiplano é construir sua própria defesa militar, diante das atrocidades golpistas que já estão ocorrendo. Evo covarde e apologista da conciliação de classes, deve ser superado pela própria experiência dramática da classe operária boliviana. Fascistas não serão absolvidos no grande Tribunal da História revolucionária dos povos!
NOVA GREVE GERAL NO CHILE: PIÑERA PROPÕE REFORMA CONSTITUCIONAL "TRUCHA" ENQUANTO FRENTE POPULAR (PS, PC e CUT) DEFENDE ELEIÇÕES ANTECIPADAS PARA TIRAR DAS RUAS O CENTRO REBELDE DA CRISE POLÍTICA


Com barricadas incendiárias em várias partes do Chile, a Greve Geral começou nesta terça-feira (12). A convocação para paralisação ocorre quatro semanas após o início dos primeiros protestos sociais, com ataques a estações de metrô de Santiago, saques a lojas e a supermercados e enormes manifestações de rua. Trata-se de uma demonstração de força popular nas ruas de todo o país: uma greve geral que paralisou Santiago, as 15 capitais regionais e mais de 100 outras cidades do país, mobilizaram mais de um milhão de pessoas contra o atual governo e o modelo econômico neoliberal vigente no país. A paralisação foi convocada pela CUT. Na noite de domingo (10), Piñera anunciou que iniciaria nesta semana um processo de reforma constitucional que chamou de “congresso constituinte”, sem dar maiores detalhes sobre a fórmula, mas descartando que se tratasse de uma assembleia constituinte, como reivindica as direções reformistas (PS, PC, CUT). A massividade dos eventos desta terça deixa claro qual é a resposta das ruas a esta iniciativa. A proposta constitucional foi a terceira tentativa de Piñera de oferecer mudanças cosméticas em troca de um “acordo de união nacional”. A primeira foi no dia 28 de outubro, com uma reforma ministerial, e a segunda foi na semana passada, no dia 6 de novembro, quando lançou um projeto para estabelecer uma renda mínima. Ambos também tiveram, como resposta, marchas massivas que aconteceram dias depois. Nesta segunda-feira (11), o senador do PS, Alejandro Guillier, que foi o rival de Piñera no segundo turno em 2017, propôs que o presidente renunciasse, em conjunto com todos os senadores e deputados do país, e que fossem convocadas eleições gerais. “Para construir um novo Chile, você deve tomar a iniciativa de chamar a eleições antecipadas à Presidência da República e à totalidade do Congresso Nacional (…) nessas mesmas eleições gerais, os chilenos e as chilenas deverão poder decidir o mecanismo para a nova Constituição”, solicitou o senador, em mensagem por Twitter direcionada ao presidente. Frente ao ascenso em curso, a política do PS, PC e da CUT tem sido reivindicar eleições antecipadas ou mesmo a convocação de uma Assembleia Constituinte com Piñera, ou seja, um processo completamente controlado pelas cambaleantes instituições do regime político burguês. Esta orientação é uma completa traição a heroica luta dos trabalhadores e do povo oprimido que exige a derrubada do facínora e a superação do parlamento como “árbitro” da crise. O que está colocado é construir os cordões operários rumo a um governo revolucionário dos explorados! Nessa senda, a convocatória de uma Constituinte somente tem um caráter progressivo e de ruptura com a ordem burguesa se impulsionada por um novo poder operário na cabeça do novo Estado para elaborar uma Constituição Socialista que sente as bases políticas, econômicas e jurídicas de um novo regime sobre os escombros das velhas instituições capitalistas (justiça, FFAA, parlamento). A bandeira de “Constituinte” no abstrato está unindo toda a esquerda, desde o PC stalinista, passando por grupos mais à esquerda do Chile como o PC (AP) e o MIR chegando aos revisionistas do trotskismo como o PTS argentino até mesmo a tendência de Altamira no PO. Eles defendem a convocação de uma “Assembleia Constituinte” no Chile sem deixar claro que quem deve convocar a Constituinte é um novo governo revolucionário parido diretamente das manifestações em curso e não o moribundo Piñera, o que consistiria em uma manobra para recompor o regime burguês em crise e não para colocá-lo abaixo. Para vencer nesse momento crucial os setores mais conscientes da vanguarda devem avançar na construção de organismo de poder dos trabalhadores, com comitês de autodefesa armados que tenham como estratégia a revolução proletária que aniquile de forma revolucionária as instituições apodrecidas do regime político e particularmente as FFAA! Faz-se necessário, criar as condições para que os trabalhadores tomem o poder político e econômico, assim como os meios de comunicação e os bancos, tarefa que depende da construção dos cordões operários para edificarem um Governo Revolucionário, o que não passa pelo circo burguês das eleições antecipadas como apregoa a Frente Popular!

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

TPOR AVALIZA CONDUTA REACIONÁRIA DO PARTIDO LORISTA: AFIRMAR QUE MANIFESTAÇÕES DIRIGIDAS PELO FASCISTA CAMACHO SÃO UMA “AÇÃO DIRETA DAS MASSAS” É UMA TRAIÇÃO HISTÓRICA AO PROLETARIADO BOLIVIANO


A TPOR (Tendência por um Partido Operário Revolucionário) brasileira, após um longo silêncio sobre os graves acontecimentos da Bolívia, acaba de reproduzir uma declaração do POR boliviano onde chancela sua conduta reacionária e golpista diante da deposição do governo Morales, pela via de um golpe de Estado comandado por forças policiais e militares, atendendo ordens do líder fascista Luis Fernando Camacho, expoente da extrema direita de Santa Cruz. O principal líder das "revoltas populares", também conhecido como Macho Camacho, tem sempre um exemplar da Bíblia a tiracolo abusando da retórica fascista, é seguidor do fanático  Steve Bannon, articulador de uma suposta “internacional” golpista no continente. Mas para o delírio oportunista do POR boliviano, manifestações dirigidas por esta escória humana contra o governo Evo, poderiam instaurar a Ditadura do Proletariado no Altiplano Andino. O POR está jogando toda sua longa trajetória de lutas ao lado do proletariado boliviano na lata do lixo da história, ao igualar suas posições a correntes revisionistas degeneradas do Trotskismo, como o Morenismo da LIT que esteve ao lado do imperialismo desde a destruição da RDA e de todos os Estados Operários do Leste europeu, passando pela tentativa de invasão da OTAN na Síria, até chegar a saudar entusiasticamente o golpe parlamentar contra o governo da Frente Popular no Brasil. Desgraçadamente para os adeptos de Guilherme Lora, um motim policial, desatado a partir de uma orientação política do conluio entre as forças neoliberais da direita (Mesa) e o fascismo religioso de Camacho, pode ser caracterizada como “uma revolução”. É pura verdade que o governo de Frente Popular (MAS) confiou sua sustentabilidade até o último momento, nestas mesmas forças golpistas (inclusive a própria OEA) que acabaram por depor Evo, porém este fato não pode servir de justificativa para os Marxistas se aliarem aos levantes racistas da oposição burguesa de extrema direita. Nós Leninistas da LBI asseveramos desde o primeiro momento, logo após as questionadas eleições de 20 de outubro, que a estratégia de colaboração de classes de Evo Morales levaria inexoravelmente a sua própria queda. Apontamos que somente a organização independente do proletariado e campesinato poderia derrotar a ofensiva “popular” da direita. Evo buscou sua permanência no poder, justamente com as forças mais reacionárias do Estado capitalista: polícia e exército, incentivando que o aparato oficial da repressão burguesa acabasse com as manifestações contra seu governo. O resultado não poderia ser outro, Evo acabou refém dos seus algozes, alimentando um crescente de ódio das massas contra sua postura covarde e vacilante. Quando a base política de apoio do governo Evo foi se esfumaçando rapidamente, diante da inércia do MAS em organizar uma efetiva defesa operária, mineira e camponesa, os chacais policiais que antes “juravam” fidelidade ao governo foram “trocando de lado”, passando a atuar sob o comando das hordas fascistas, desenvolveram ações terroristas como sequestros, incêndios e saques em locais onde estavam os apoiadores de Morales e Linera. Com a consumação do golpe de estado, e o vazio de poder instalado na Bolívia, o fascismo começa seu frenesi assassino contra a esquerda reformista. A luta aberta agora na Bolívia está sendo entre a direita neoliberal e o extremismo fascista, para saber quem assumirá o controle do Estado Burguês. Afirmar que uma conjuntura reacionária, como ocorre hoje nas principais cidades bolivianas, pode desembocar em uma revolução é charlatanismo puro, e o POR Lora está assinando sua sentença de morte como um partido revolucionário. Esperamos sinceramente que a militância porista mais honesta rompa com esta tática de seguir como “ala esquerda” do golpismo, assumindo o combate direto contra as ações criminosas fascistas que cruzam neste momento todo o território boliviano.


PCB COSTURA ALIANÇA ELEITORAL COM PDT NO RIO DE JANEIRO: A PIADA DE MAU GOSTO DE INTEGRAR SUPOSTAMENTE UMA “FRENTE DE RESISTÊNCIA” COM O PARTIDO DO OLIGARCA CIRO GOMES E UM PARTIDO BURGUÊS COMO O PSB, ENCABEÇADA POR UMA DELEGADA DE POLÍCIA


Diante do fato de Marcelo Freixo (PSOL) ter fechado uma frente eleitoral com o PT para disputar a prefeitura do Rio de Janeiro, a direção do PCB logo saiu em busca de outros parceiros eleitorais burgueses e costura uma aliança com ninguém menos com o PDT do oligarca reacionário Ciro Gomes. De olho nas eleições municipais de 2020, PSB, PCB, PCdoB e PDT realizaram uma atividade conjunta na sexta-feira passada (08.11) ensaiando a unidade em torno da deputada estadual e delegada de polícia Martha Rocha (PDT-RJ) para a disputa da prefeitura. Além de Marta Rocha e o PCB, representado por dirigentes do partido como Eduardo Serra, estiveram presentes no Seminário “Um Programa para o Rio”, Alessandro Molon (PSB) e Brizola Neto (PCdoB) com o objetivo de elaborar a plataforma eleitoral de colaboração de classes da almejada “frente ampla de resistência”... nas urnas. Tanto que Molon declarou “este encontro reforça a importância de uma unidade política para venceremos a eleição e segurarmos a caneta em 2021. Quem está mais perto do segundo turno, não necessariamente tem a chance de vencê-lo. É preciso trazer as outras esquerdas para cá, e também o centro”. Também o pré-candidato Brizola Neto, do PCdoB, afirmou: “temos uma abundância de nomes, mas a unidade é que vence eleição”. Como podemos ver, o PCB que tanto apregoa de boca a luta por uma “Frente de resistência” está costurando na verdade uma ampla frente burguesa com golpistas, o PDT do neocoronel Ciro Gomes e o desmoralizado PCdoB de Jandira Fegalli, ou seja, com a ala direita da Frente Popular que não deseja aderir à candidatura de Freixo, que anunciou após o encontro com Lula que tinha o apoio do PT para disputar a prefeitura do Rio. O mais cínico é que no site do partido há um artigo “O PCB RJ e as Eleições de 2020” (04.11) em que por trás de generalidades distracionistas para enganar bobos e ingênuos afirma: “O PCB ainda não possui candidato(a) a prefeito do Rio de Janeiro. Queremos discutir programa, não apenas para construções políticas futuras, mas também para evitar equívocos cometidos pelo chamado campo progressista no passado recente, em que a matemática eleitoral se sobrepôs às discussões programáticas”. Obviamente essa crítica está direcionada a Freixo e ao PSOL que no meio da campanha eleitoral de 2018 fez a dobradinha com o PT para o Senado (Lindberg Farias e Chico Alencar), relegando ao “esquecimento” a candidata Marta Barçante (PCB). Ocorre que longe de tirar as lições da política oportunista do PSOL...o PCB tratou de dar uma guinada ainda mais à direita, sinalizando que pode se abrigar na frente burguesa com PSB, PDT e PCdoB encabeçada por uma delegada de polícia!
15 ANOS DO ENVENENAMENTO DE YASSER ARAFAT PELO MOSSAD/CIA: UM ASASSINATO ORQUESTRADO PELO ENCLAVE SIONISTA CUJO MÉTODO COPIOU DO IMPERIALISMO IANQUE PARA ELIMINAR SEUS ADVERSÁRIOS POLÍTICOS


Há exatos 15 anos, em 11 de novembro de 2004, o líder palestino Yasser Arafat morria aos 75 anos, na cidade de Clamart, na França. O assassinato de Arafat foi abafado e contou com a ajuda da tradição muçulmana, que não procede a autópsia de seus mortos. Mas a disposição de sua viúva Suha e uma criteriosa investigação da TV Al-Jazeera levaram à descoberta do assassinato e a um pedido formal da Autoridade Nacional Palestina para que um comitê patrocinado pela ONU proceda o desdobramento da investigação feita por médicos suíços, que já levou à exumação do corpo do líder palestino. Um trabalho meticuloso dos especialistas suíços e exame de roupas e objetos que Arafat usou nos dias que antecederam sua morte – roupa, escova de dente e até seu icônico kefiyeh que não tirava da cabeça – revelaram uma quantidade anormal de polonium, um elemento radioativo raro ao qual poucos países têm acesso. Apenas os do restrito clube atômico. Peritos forenses do Centro de Medicina Legal da Universidade de Lousane, Suíça, revelaram que o ex-dirigente máximo da OLP foi, na verdade, assassinado por envenenamento com o elemento radioativo polônio 210. Análises com amostras de seus restos mortais e objetos pessoais confirmaram a presença deste elemento altamente letal. Abu Yusef, um dos atuais dirigentes da OLP declarou que “os resultados demonstram que Arafat foi envenenado com polônio, uma substância que apenas Estados e não indivíduos a possuem, o que significa que o crime foi cometido por um Estado” (AFP, 6/11/2013). Sobre esta questão a BBC (7/11/2013) acrescenta: “Embora o polônio-210 seja encontrado na natureza, é preciso tecnologia e acesso a um reator nuclear para conseguir extrair a quantidade necessária para matar uma pessoa”, ou seja, papel que coube ao enclave terrorista de Israel e a Casa Branca. No entanto, muito além da “descoberta” deste envenenamento – o que há muito já era alvo de desconfiança entre os militantes palestinos – é a forma como os abutres da Casa Branca lidam com dirigentes e governos que se colocam como obstáculo a seus interesses neocolonialistas em todo o mundo. A opção de matar simples e puramente Arafat, apesar de sua integração aos ditames imperialistas, poderia acirrar ainda mais a revolta palestina contra o gendarme sionista. No entanto, para o imperialismo ianque era necessário elimina-lo porque ainda simbolizava a heroica luta de resistência do povo palestino e, em seu lugar o Pentágono colocaria uma figura mais alinhada e submissa a seus interesses, como foi o caso de Mahmoud Abbas. Algo similar foi feito em relação à forte liderança política e militar de Hugo Chávez que também foi envenenado através de algum artifício letal por agentes do imperialismo. O próprio Chávez costumava afirmar que outras lideranças nacionalistas latino-americanas teriam sido alvos de envenenamentos radioativos provocados pela CIA, a fim de debilita-los em sua saúde e, claro, na atuação política.