segunda-feira, 30 de maio de 2016

MAIO FRANCÊS “ONTEM E HOJE”: ABSTRAIR AS LIÇÕES DE 68 PARA TRANSFORMAR AS ATUAIS LUTAS ECONÔMICAS DEFENSIVAS EM AÇÕES POLÍTICAS REVOLUCIONÁRIAS DE MASSA PARA DERROTAR O ESTADO DE EXCEÇÃO E O GOVERNO “SOCIALISTA” NEOLIBERAL DE HOLLANDE


Uma onda de greves e mobilizações tomou conta da França neste mês de Maio. São paralisações e bloqueios contra a reforma trabalhista do neoliberal “socialista” Francois Hollande. Essa lei precariza as condições de trabalho com o aumento da jornada de trabalho e amplia as atividades laborais flexibilizadas, o que facilita demissões e elimina a negociação coletiva. O rechaço à medida levou o governo a recorrer ao artigo 49.3 que permitiu implantar a reforma sem contar com os votos necessários da Assembleia Nacional, passando assim também por cima da não só vontade de 70% da população, que se manifestou contra a proposta mas da própria legislação ordinária. A dura repressão gerou uma grande indignação pela violento política antidistúrbios da polícia, especialmente à juventude, um dos principais motores da primeira fase da mobilização. As cenas de violência e repressão contra os estudantes secundaristas e universitários são cotidianas, como também a utilização massiva de gás lacrimogêneo durante as mobilizações. Ocorreram mais de 1300 detenções desde o início das manifestações. O fato novo é que na última semana, foram bloqueadas refinarias, portos e vias ferroviárias na zona industrial de Marsella, Touluse, Rennes e Nantes. Controladores e técnicos foram obrigados a cancelar 15% dos voos do Aeroporto Paris-Orly. Em Le Havre, milhares de trabalhadores e ativistas fecharam os ingressos à zona portuária e industrial. Metade dos trens de média e larga distância foram paralisados. Esta ofensiva patronal ocorre pouco mais de 06 meses depois dos atentados a Boate Bataclan, que abriu caminho para o governo francês impor o Estado de Exceção. Apesar das lutas em curso serem radicalizadas e importantes elas são ações defensivas da classe contra o corte de direitos, tem um caráter abertamente economicistas, mas não são lutas para derrubar o poder político da burguesia como era o Maio de 1968. Em 68, o ímpeto revolucionário da juventude esteve intimamente conectado com a ascensão do movimento operário que, desde o ano anterior, vinha produzindo uma intensa onda de greves por toda a França, refletindo a resistência da classe operária às medidas que atacavam os salários, geravam desemprego e atentavam contra as conquistas sociais do proletariado, tais como a previdência social e o direito de greve, política adotada pelo governo do general Charles De Gaulle diante da crise decorrente do esgotamento da relativa prosperidade econômica do breve período do pós-guerra, caracterizado pela reorganização da indústria francesa destruída durante a guerra. A fusão das lutas estudantis com as greves espontâneas, com piquetes e ocupações de fábricas, transformou a revolta estudantil numa insurreição de massas, levando 10 milhões de trabalhadores a se colocarem em greve em todo o país, rompendo com a política de colaboração de classes das direções sindicais controladas pelo stalinismo. As principais fábricas e os setores estratégicos da economia foram colocados sob o controle operário através dos Comitês de Greve, que organizavam a autodefesa dos manifestantes, controlavam a produção, preparavam as barricadas e abasteciam de alimentos os operários das fábricas em greve. Estabeleceu-se uma dualidade de poderes que colocou em xeque o domínio da burguesia. O grande diferencial entre o “ontem e o hoje” é que em 1968, desde o início o movimento assumiu uma clara perspectiva revolucionária, com manifestações que exigiam a derrubada do governo De Gaulle e questionavam os valores e a moral da sociedade burguesa. A consciência revolucionária, expressa nas manifestações da juventude francesa, refletia uma etapa de ascenso revolucionário mundial, marcada pela vitória da Revolução Cubana em 1959, as greves operárias que sacudiam toda a Europa, a descolonização da África e a bem sucedida ofensiva norte-vietnamita do TET, prenúncio da derrota e expulsão do exército ianque do Vietnã. O estado de espírito da juventude e dos trabalhadores no Maio Francês era também excitado pela existência da URSS e dos Estados operários do Leste europeu que, apesar da degeneração burocrática stalinista, exerciam uma forte referência ideológica sobre o proletariado mundial. A existência dos Estados operários significava que a burguesia havia sido expropriada em quase 1/3 do planeta e, em conseqüência, os trabalhadores nessa parte do mundo haviam realizado conquistas históricas jamais alcançadas pelo proletariado em qualquer país capitalista. As conquistas sociais do proletariado nos Estados operários (pleno emprego, habitação, saúde e educação gratuitas, erradicação do analfabetismo, elevação do nível cultural das massas) obrigavam a burguesia nos países capitalistas, temendo ser expropriada pela revolução proletária, a fazer significativas concessões aos trabalhadores. Já as manifestações atuais, ocorrem em um quadro de ofensiva burguesa depois dos ataques terroristas de 2015 e em uma etapa de profundo retrocesso ideológico, aberta a partir da queda dos Estados operários do Leste e da URSS. Apesar da magnitude e radicalização das manifestações do Maio atual, não há no horizonte ideológico a luta pelo comunismo e pela destruição do capitalismo. Por esta razão, a resposta do governo Hollande tem sido aumentar a escala repressiva e a extensão do “Estado de Exceção”, medida aprovada na Assembleia Nacional: “Permanecerei firme porque é uma boa reforma”, disse o calhorda no que foi acompanhado pelo primeiro-ministro, Manuel Valls “Um texto foi discutido, gerou compromissos com as partes sociais, foi adotado pela Assembleia Nacional, considero que minha responsabilidade é ir até o fim”. Se a intensa onda revolucionária que sacudiu a França em Maio de 68 não pôde conduzir à vitória da revolução proletária, abortada pela política de traição das direções stalinistas, diante da ausência do partido da vanguarda do proletariado, isso significa que hoje, numa etapa histórica de reação e retrocesso ideológico, é necessário mais do que nunca que a vanguarda consciente do proletariado redobre seus esforços para construir um autêntico partido revolucionário internacionalista no país, único instrumento capaz de levar a classe operária a desfechar um golpe mortal contra os capitalistas, com a destruição do Estado burguês imperialista, abrindo caminho para uma nova etapa revolucionária mundial.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

ONDA DOS VAZAMENTOS JÁ AFUNDARAM TEMER E SUA ANTURRAGEM PEMEDEBISTA: PAVIMENTADO O CAMINHO PARA A ENTRADA EM CENA DE UM OUTRO GOVERNO BONAPARTISTA DA “CASTA PURA”...

O prazo de validade do governo Temer já está prestes a vencer, antes mesmo de ser efetivado com a conclusão do processo de impeachment pelo Senado Federal. A onda midiática de vazamento das gravações que já derrubaram o ex-ministro Jucá agora avança como um tsunami atingindo o “senhor dos anéis”, Renan Calheiros, e o chefe absoluto da máfia pemedebista: Michel Temer. É óbvio que a potencialidade da nova crise política dos "diálogos gravados" está sendo produzida por encomenda, e não tem por objetivo reverter o golpe institucional sofrido pelo governo da Frente Popular. A dinâmica desta nova etapa da operação de retirada da presidente Dilma do Planalto, coordenada pela Casa Branca, foi caracterizada em seu conjunto pela LBI que apontou desde sua gênese seu norte: Empoderar no Estado Nacional o justiceiro Sérgio Moro e sua "casta pura" da famigerada "Lava Jato"! A desmoralização precoce do governo interino segue este cronograma, Temer permanecerá na presidência somente na medida de finalizar o ajuste neoliberal das contrarreformas, que Dilma não concluiu em função da apetite voraz dos seus "aliados fiéis". Temer será expulso do Planalto assim que o Congresso Nacional aprovar as primeiras medidas que o "Deus Mercado" exige, e nem precisamos de "adivinhação" para saber porque método será "flagrado" em crime. O esgotamento prematuro do "golpe" tem alimentado ilusões na Frente Popular de que ainda é possível reverter o quadro do impeachment no marco do Senado Federal, afinal são necessários apenas obter três votos no campo dos que apoiaram a admissibilidade do "crime de responsabilidade" da presidenta. O PT e seus acólitos de segunda linha, como o PCdoB e o PCO, afirmam que é possível uma vitória no Senado, enquanto desmontam a possibilidade de uma mobilização de massas contra o golpe institucional. Os reformistas caudatários da Frente Popular não conseguem compreender a essência política da conjuntura que atravessa o país, ou seja, o curso imposto pelo imperialismo forçando a burguesia nacional para que estabeleça um governo de características bonapartistas no Brasil. Neste quadro não devem sobreviver os velhos aliados fisiológicos e corruptos (PMDB, PP, PR etc..) da Frente Popular no interior do novo regime, apenas os "puros togados" serão aceitos para gerenciar o aparelho de Estado, em tímida aliança com os tucanos de "alta plumagem", o que também descarta figuras "queimadas" como Aécio Neves. O PT não tem como ser eliminado por completo deste novo cenário que está prestes a emergir no país, controla a maioria das entidades sindicais e populares da nação, porém lideranças históricas como Lula, serão desmoralizadas à exaustão pelos farsantes da "Lava Jato", Dilma deverá ser resguardada pelos "serviços prestados". A equação política da crise tende a ser resolvida, do ângulo da burguesia nacional, com a convocação de novas eleições gerais e a provável eleição de um Moro...que a frente do governo levará a cabo todo o programa econômico da Lava Jato, que só para os tolos se resume ao "combate à corrupção da Petrobras". Desgraçadamente a plataforma estratégica da "Lava Jato" que consiste na desnacionalização completa da economia brasileira também é apoiada por amplos setores da esquerda social-democrata, por esta razão a Frente Popular se mostra impotente para combater o golpe institucional em pleno curso e que terá como desaguadouro o surgimento político do "Bonaparte Tupiniquim", teleguiado por Washington! O movimento social deve elevar a mira do seu rifle político, preparando desde já a resistência direta não somente para abater o bandido Temer, mas contra o bonapartismo togado que está sendo gestado em plena luz do dia, digo da mídia...

Equivocam-se os incautos que pensam ser a "Lava Jato" apenas uma operação jurídico e policial contra o PT, sua "engenharia" representa bem mais do que simplesmente sua sanha reacionária. A "República de Curitiba", assim como foi nos anos 50 a do "Galeão", foi engendrada como um novo embrião de poder, que diante da fragilidade de um Temer golpista já apressa-se para debutar como um novo governo bonapartista de força. É verdade que os planos de "sangramento" do governo Dilma tiveram que ser encurtados, gerando um abominável mostrengo de vida curta. Era bem mais interessante para o imperialismo que o desgaste da Frente Popular atingisse seu ponto máximo de ebulição, para neste momento ser "decapitado", porém a tibieza de Dilma em concluir o ajuste iniciado pela equipe de Levy causou um impasse (uma espécie de vácuo político) logo aproveitado pelas ratazanas do PMDB. A alternativa Temer, mesmo que temporária, foi a pior saída que a burguesia tinha para lançar mão no centro da crise econômica e política. Diante de um governo tão frágil e repugnante socialmente é óbvio que o PT tem condições de reconstruir parcialmente seu prestígio eleitoral. Por esta soma de elementos contraditórios será necessário para as classes dominantes agilizar a gestação de uma via estável e estratégica para dar início a  um novo ciclo histórico de poder estatal, em uma etapa mundial de retrocesso das forças produtivas do capital.

Se foi esgotado o "time" da Frente Popular no gerenciamento do Estado Burguês, durando mais de uma década no lastro da "bolha de crédito e consumo", o que esperar de um governo de chacais e hienas da política mais corrupta deste exaurido regime, pouquíssimo fôlego! O neobanapartismo emerge como uma necessidade diante da falência das opções de governo para substituir a Frente Popular. Não se trata de um golpe militar para impor um regime dos quartéis, mas de um manobra institucional para remodelar o regime democratizante, dotando-o de características de força e exceção sob o manto da legitimidade de um judiciário seduzido pelas benesses de assumir poder.  É o que Marx definiu como um "governo da burguesia aparentemente agindo contra os burgueses". Isto inclui prender e humilhar líderes empresariais e dirigentes políticos que sempre serviram as classes dominantes, este é exatamente apenas o "start" da Lava Jato.

O governo Temer foi concebido desde sua gênese como uma transição, uma "ponte" denominada assim mesmo pelo "autor" plagista de uma plataforma neoliberal em plena execução. O que a burguesia não teve a capacidade de aferir foi o momento exato em que esta "ponte" começaria a "cobrar pedágio". Com a extrema precipitação dos acontecimentos Temer assume no golpe palaciano "temporão", com a ajuda da escória parlamentar que ceiava na véspera com Dilma. Neste contexto de profunda crise do regime o governo "golpista" se sustenta exclusivamente pelo suporte dos rentistas e parcialmente da mídia, que só o apoia na execução do "ajuste" inconcluso, pela via do "primeiro ministro" Henrique Meirelles. A "corte" parlamentar de Temer reúne o pior esgoto da política nacional e por isso mesmo não pode ser tolerada por muito tempo pelos estrategistas de Washington, devendo ser sistematicamente enxovalhada pela mídia "murdochiana", este é o "segredo" da tempestade de vazamentos contra os principais caciques do PMDB.

Ainda é cedo para precisar se a "República de Curitiba" toma de assalto o Planalto por meio de eleições diretas ou indiretas (Congresso Nacional), a variante está condicionada a evolução da recessão capitalista e o cumprimento da missão "temerária", ou seja, aprovação das contrarreformas pelo parlamento. Também falta definir no útero da "Lava Jato" se o "salvador da pátria" será mesmo Moro ou se o jovem procurador Dallagnol aglutina condições para cumprir a "tarefa". O importante mesmo para os Marxistas é projetar o cenário que se avizinha, organizando a classe operária para uma etapa histórica muito parecida com o final do "Estado Novo" (guardado as proporções), onde Getulio atuou não mais como um simples ditador reacionário e sim como um Bonaparte contra as todos seus velhos "aliados de classe", em favor dos interesses ianques no país. Porém o futuro governo Moro não terá um único aspecto progressista, a estagnação capitalista não permite mais a burguesia brasileira inflexões nacionalistas, devemos nos preparar então para uma tática de vigorosa resistência a subtração das liberdades democrática e acúmulo de forças do proletariado para derrotar o bonapartismo emergente.
OBAMA EM HIROSHIMA: CINISMO PACIFISTA DO IMPERIALISMO GENOCIDA IANQUE A SERVIÇO DE UMA NOVA OFENSIVA MILITAR CONTRA A CHINA COM A AJUDA DO SUBMISSO JAPÃO


Barack Obama, em visita a cidade japonesa de Hiroshima nesta sexta-feira (27.05), cinicamente afirmou “Há 71 anos a morte caiu do céu, e o mundo mudou. Não somos obrigados a repetir os erros do passado”. Como “lobo na pele de cordeiro”, ele depositou uma coroa de flores no local onde foi jogada a primeira bomba atômica do mundo em agosto de 1945. Mesmo fazendo demagogia e declarando-se contra o uso de armas nucleares, Obama sequer fez um pedido oficial de desculpas ao povo japonês. Demagogia a parte, a visita de Obama ao Japão tem objetivo militar preciso: estreitar os laços com os países do sudeste asiático como parte da sua “doutrina” voltada para cercar a China. Japão e Filipinas reivindicam para si, entenda-se para os EUA, o domínio colonial das centenas de ilhotas no Mar da China, desabitadas, porém ricas em jazidas de petróleo e gás natural. A estratégia de defesa do Pentágono tem a China como alvo e por isso intensifica suas manobras políticas e militares no Oceano Pacífico. Evidentemente que as “intenções” ianques não se resumem à questão meramente petrolífera. Trata-se da expansão de seu domínio geopolítico e militar na região em litígio, ou seja, visa não só minar a influência chinesa nesta parte do globo, como principalmente “ganhar terreno” em direção a Coreia do Norte a fim de enfraquecer a todo custo o Estado operário. De quebra, pressiona militarmente a China visando neutralizá-la diante da futura agressão imperialista ao Irã. Como se observa nada tem de pacifista a ronda que Obama foi fazer no Japão, a pauta da reunião do G7 e a retomada das relações políticas e diplomáticas com o Vietnã, onde ele anunciou que “Os Estados Unidos encerram a proibição da venda de equipamentos militares ao Vietnã, em vigor há quase 50 anos”. Toda a movimentação do imperialismo na região tem como o objetivo estratégico a guerra de rapina e não o contrário. Por esta razão, os revolucionários denunciam as “lágrimas de crocodilo” de Obama e recordam que os mesmos interesses colonialistas que levaram os EUA a lançarem as bombas em Hiroshima e Nagasaki estão agora voltados contra a China, contando com o submisso Japão para esta nova investida belicista da Casa Branca.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

“TOMANDO EMPRESTADO” O AJUSTE NEOLIBERAL DE DILMA: QUADRILHA COMANDADA POR TEMER ANUNCIA DURO ATAQUE AOS SALÁRIOS, SAÚDE E EDUCAÇÃO, DESMANTELO DA PETROBRAS ALÉM DA RAPINA NO BNDES E BB PARA ALIMENTAR ORGIA DOS RENTISTAS

A quadrilha golpista comandada por Temer, cujo “homem forte” é Henrique Meirelles, anunciou as primeiras medidas de ataque aos trabalhadores e ao patrimônio nacional tendo como lema o “corte de gastos públicos”, receita que já vinha sendo aplicada por Dilma e agora está sendo aprofundada. A mais importante é o teto para os gastos públicos, proposta semelhante à que vinha sendo estudada pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff em seu “ajuste fiscal”. Com isso, o limite do crescimento do gasto público seria equivalente à inflação do ano anterior, o que significa cortes de despesas em educação, saúde e arrocho nos salários do funcionalismo: “É parte fundamental e componente estrutural dessa PEC que as despesas de saúde e educação sejam parte desse mesmo processo de mudança das regras de crescimento das despesas públicas no Brasil. É uma medida muito forte que sinaliza um programa de controle de despesa para os próximos anos. Ela é abrangente, forte e que tem efeito continuado” declarou o Ministro da Fazenda. A equipe de ladrões de colarinho branco também anunciou que irá agilizar a abertura da exploração do Pré-Sal para empresas estrangeiras, apoiando na Câmara o projeto aprovado no Senado em fevereiro com o aval da gerente petista, na época denunciado pela LBI como um conchavo imundo celebrado entre Serra e Dilma para entregar nosso petróleo ao imperialismo e apunhalando a combalida Petrobras. O projeto retira da Petrobras a exclusividade das atividades no Pré-sal e acaba com a obrigação de a estatal a participar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração da camada. Foi anunciada a devolução pelo BNDES ao Tesouro Nacional de pelo menos R$ 100 bilhões para pagar os juros da dívida pública, ou seja, engordar os bolsos dos rentistas e tirar os subsídios da chamada “indústria nacional” como vinha fazendo a Frente Popular. Além disso, será extinto o chamado “Fundo Soberano” criado no marco da política dos BRICS para ser usado em “situações de emergência”. Seus 2 bilhões serão sacados do BB para saciar os “credores privados”,  o que já vinha sendo feito a conta-gotas pela gestão da Frente Popular que no final de 2015 tinha feito o saque de R$ 855 milhões.  Por fim, a Reforma da Previdência será anunciada nos próximos dias. O objetivo da gang neoliberal é apresentar uma proposta de mudança nos critérios para se requerer o benefício da aposentadoria e a idade mínima de 65 anos até meados de junho, tendo para isso o apoio das centrais sindicais alinhadas com os golpistas (UGT, Força). Em resumo, “mais do mesmo” da plataforma neoliberal comum às duas gestões palacianas, tanto que com a queda de Jucá foi mantido provisoriamente no Ministério do Planejamento Dyogo Oliveira. Ele era secretário-executivo do ministro anterior, Nelson Barbosa. Quando houve a troca na gestão Dilma (Barbosa foi para a Fazenda) Dyogo foi junto, na mesma função. Agora tinha voltada à secretaria-executiva do Planejamento com a chegada de Jucá no governo Temer. Como dissemos, essa “interseção” demonstra que a quadrilha de Temer só irá aprofundar o ajuste neoliberal levado a cabo pela gerentona petista. Cabe aos trabalhadores participar dos atos pelo “Fora Temer” com um programa de luta que denuncie essa transição acordada, para derrotar os golpistas nas ruas sem ficar refém do programa de colaboração de classes da Frente Popular, nem das alternativas democratizantes e institucionais das correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT) ou mesmo do “Plebiscito por Diretas já” (PCdoB, Insurgência). Embora todas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista!

terça-feira, 24 de maio de 2016

AVANÇA A ORQUESTRAÇÃO DO GOLPE DE ESTADO NA VENEZUELA: MADURO SINALIZA COM A DISSOLUÇÃO DO PARLAMENTO BURGUÊS REACIONÁRIO, BRAVATA DO NACIONALISMO CHAVISTA OU TAREFA HISTÓRICA QUE SÓ O PROLETARIADO PODE ASSUMIR?


Nas últimas semanas o quadro de crise política e econômica aprofundou-se na Venezuela. A oposição de direita capitaneada pelo MUD colheu assinaturas além das necessárias para exigir do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a convocação de um referendo revogatório para retirar Nicolás Maduro da Presidência da República ainda este ano, mas que não foram conferidas em sua autenticidade pelo órgão. Em caso de uma eventual consulta, a revogação do mandato precisaria ser aprovada por número de eleitores maior do que os 7,5 milhões de votos obtidos por Maduro em 2013. O mandato chavista vai até janeiro de 2019. Caso ele seja afastado até o começo de 2017, haveria uma nova eleição, do contrário, o vice-presidente assumiria até o final do exercício. A cúpula do MUD é diretamente ligada à Casa Branca e aos grandes grupos capitalistas que controlam a economia do país. Como resposta a pressão da direita, Maduro lançou mão nesta semana do Estado de Exceção e Emergência Econômica no país e colocou as FFAA de prontidão, com exercícios militares tendo inicio nesta sexta-feira, 20 de Maio. A medida também adia a possível convocação do referendo revogatório por 60 dias e dá poderes adicionais a presidência sem consultar o parlamento controlado pela direita. Além disso, sinaliza com a dissolução do parlamento burguês. O pano de fundo desta aguda polarização política está não somente na crise econômica que assola o país com a queda sistemático do preço do barril de petróleo (que representa mais de 95% das receitas do Tesouro) mas do próprio quadro de esgotamento dos governos da centro-esquerda burguesa no continente, como vimos na Argentina com a vitória de Macri e com o impeachment de Dilma no Brasil. O isolamento de Maduro facilita as investidas da direita. Com a fragilização de sua base social e política o chavismo recorre cada vez mais as FFAA, que podem de fato assumir o controle político do país. Maduro ordenou à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) que se mobilize para responder a eventuais agressões externas, em meio a um aumento dos conflitos sociais e das tentativas da oposição conservador de tirá-lo do governo central através do referendo revogatório: “Este referendo é para gerar as condições para esquentar as ruas e justificar um golpe de Estado ou uma intervenção estrangeira, para isso estão tentando ativá-lo, com muito pouco apoio”, afirmou em um ato do PSUV. De fato, desde março de 2015 Barack Obama declarou a Venezuela como uma “ameaça” à segurança dos Estados e não está descartado um golpe de estado orquestrado pela direita com o apoio do imperialismo ianque, o que deve colocar o país em uma guerra civil. O próprio Henrique Capriles, porta-voz do MUD e da direita declarou “Não quero dizer se tem alta ou pouca possibilidade. Mas está no ambiente. As Forças Armadas são a garantia da Constituição. Nesse cenário, elas têm que decidir: estão com a Constituição ou com Maduro. Se Maduro ordenar a tomada de uma fábrica à força [prevista no estado de exceção], as Forças Armadas terão que tomar uma decisão se seguem Maduro ou se dizem: ‘Nós não vamos acatar ordens que estejam à margem da Constituição’”. Por enquanto o MUD usa o referendo para mobilizar contra o governo do PSUV e construir as condições para um golpe de estado de direita: “Temos que obrigar essas instituições [CNE e Tribunal Supremo de Justiça] a respeitar a Constituição. Há alguns meses o referendo tinha 40% de apoio [popular]. Agora tem 70%. Se o governo tranca a via democrática com esse controle institucional, o que vai acontecer? Parece um cenário de violência. Trancar a via democrática é jogar gasolina no fogo”. Neste contexto, o Secretário-Geral da Organização dos Estado Americanos (OEA), Luis Almagro, reuniu-se com parlamentares da oposição venezuelana admitindo a aplicação da Carta Democrática Inter-americana contra o país, seguindo assim o script de desestabilização montado pela Casa Branca para possibilitar uma intervenção militar no país. O quadro social, político e econômico reflete a investida do imperialismo e da direita golpista contra o governo Maduro. Frente a esta situação defendemos a unidade de ação com o “chavismo” para derrotar a reação burguesa pró-imperialista, forjando uma alternativa de direção revolucionária para os trabalhadores! Por esta razão reafirmamos que é preciso derrotar com os métodos de luta da classe operária a direita golpista sem capitular ao “chavismo” e seu projeto nacionalista burguês!  Os Marxistas Revolucionários não nutrem ilusões na capacidade revolucionária do Chavismo ultrapassar suas limitações históricas de um movimento radicalizado da burguesia nacionalista, combatemos na mesma trincheira antiimperialista porém somos conscientes de sua incapacidade programática de romper seus vínculos materiais com o capitalismo. Devemos acompanhar a própria experiência das massas e da vanguarda classista com o Chavismo, sem a cooptação das benesses estatais do regime e apontando sempre o caminho do enfrentamento revolucionário com a burguesia nativa e subordinada aos interesses do “grande Amo do Norte”. O fundamental é que o proletariado venezuelano possa construir sua própria independência de classe, erguendo no curso da luta política sua genuína bandeira socialista. As bravatas de dissolução da reacionária Assembleia Nacional feitas por Maduro não passam de uma barganha com a direita golpista, ligada diretamente a Casa Branca. O Chavismo como uma expressão radicalizada do nacionalismo burguês, historicamente é incapaz de levar adiante a tarefa de construção dos conselhos operários de poder, os Soviets. A demagogia Chavista da formação dos conselhos populares e do armamento da população para enfrentar a ofensiva imperialista se mostrou como mais uma falácia da burguesia “bolivariana”, agora diante do aprofundamento da crise social Maduro se apoia exclusivamente nos militares “fiéis”. Porém a história mundial da luta de classes já demonstrou que a “traição” é o principal motor dos golpes de Estado patrocinados pelo “Tio Sam”. A tarefa prioritária da classe operária venezuelana nesta conjuntura de gestação da guerra civil, passa necessariamente pela construção do seu próprio poder estatal (com todas suas instituições embrionárias) para derrotar tanto a direita golpista como a iminente capitulação do Chavismo frente a reação. 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

DIÁLOGOS ENTRE JUCÁ E MACHADO APONTAM: OPERAÇÃO LAVA JATO É O CAMINHO PARA MORO (NOVA “CASTA PURA”) ASSUMIR O PLANALTO NA CONDIÇÃO DE BONAPARTE COMO PLANO ESTRATÉGICO DA BURGUESIA DIANTE DA CRISE


“Eles querem pegar todos os políticos. Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura”. Esse trecho do diálogo travado entre Romero Jucá (agora ex-Ministro do Planejamento do governo Temer) e Sérgio Machado, ex-presidente na Transpetro nas gestões Lula-Dilma revelam os planos estratégicos da burguesia: fazer uma “limpa” nos políticos burgueses tradicionais para impor no Planalto um nome “puro” para usar as palavras dos dois calhordas, um neobonarparte na Presidência do país. O escolhido pela Rede Globo para a função é o juiz Sérgio Moro. Temer faria o trabalho sujo para depois ser descartado, abrindo caminho para o chefe da “República de Curitiba”. Por isso a conclusão dos dois caciques do PMDB, “Todo mundo na bandeja para ser comido”, a começar pelo PT, mas podendo chegar ao PSDB de Aécio e ao PMDB de Temer, Renan e Cunha. As gravações reforçam a caracterização elaborada pela LBI de que a burguesia e o imperialismo desejam estabelecer um novo governo bonapartista para “reger” sua democracia em nosso país. Como já dissemos anteriormente, o impeachment de Dilma, colocando no Planalto um governo Temer/Tucano passa bem longe de qualquer planejamento mais “sério” da burguesia nacional, é apenas uma frágil medida temporária que a classe dominante foi forçada a aceitar contra a Frente Popular, mas já o está desgastando porque é formado por setores lúmpens-burgueses que estão nestas duas semanas do Golpe Institucional fazendo “lambança” via uma farra estatal. Por isso o rato canalha interino Temer tem poucas chances de sobrevivência política por um período estável para completar a transição de “poder” ganhando até reforço entre a chamada “opinião pública” a possível volta de Dilma na nova votação no Senado que deve ocorrer nos próximos meses. Já se fala no parlamento da possibilidade de uma renúncia coletiva Dilma-Temer para se convocar eleições presidenciais em outubro próximo. O grau de desmoralização da gestão golpista em curso tende a colocar o país em uma etapa de profunda instabilidade institucional. A alternativa que melhor se coaduna para um futuro próximo para preservar os interesses do capital seria a convocação de uma nova eleição, empossando um outro governo, em uma composição de forças políticas não identificadas com as velhas estruturas tradicionais do establishment, como chegam a conclusão Machado e Jucá, velhas raposas políticas. Neste cenário emerge a figura de um Bonaparte, que venha para livrar o país da “sujeira da corrupção”, tendo coragem suficiente para colocar na cadeia grandes burgueses nacionais. É óbvio que todo este embuste, que nasceu com a justificativa de “limpar a Petrobras” tem como pano de fundo a quebra das principais empresas capitalistas que ainda detém maioria de controle acionário nacional, como as empreiteiras e a própria Petrobras. Por esta razão o motor que alimentou a destituição de Dilma não foram as fictícias “pedaladas fiscais” e sim a famigerada “Lava Jato” e suas “revelações” produzidas nos estúdios da Rede Globo de modo a entronar o bonaparte Moro. Entretanto, como revelam as gravações, os abutres do PMDB que agora rapinam a carcaça do Estado burguês profundamente debilitado pela recessão econômica, resistem em dar espaço para a aventura bonapartista inspirada pelo roteiro da Famiglia Marinho. As falas de Jucá e Machado são claras nesse caminho de obstáculo aos planos globais: “É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Com tudo, aí parava tudo. É. Delimitava onde está, pronto”. Desgraçadamente as forças da esquerda (PSTU, PSOL e até o PT) não percebem o que está em curso no país e majoritariamente chancelam as bases programáticas da Lava Jato (mais além de críticas pontuais aos seus “exageros”), desta forma pavimentam politicamente o caminho para o surgimento do neobanapartismo no Brasil, este sim um viés muito mais nocivo aos interesses históricos dos trabalhadores do que o Golpe Institucional ou a permanência do governo Dilma. Como nos definiu brilhantemente o velho Marx, o bonapartismo emerge no impasse das classes dominantes, uma espécie de empate na correlação de forças sociais, catapultando um governo “acima” da disputa entre as frações burguesas. Em nosso caso concreto o bonapartismo “Moriano” terá a “missão” de eliminar todas as barreiras legais para a penetração do capital internacional nos negócios e obras públicas do Estado Nacional, serão eliminadas todas as reservas de mercado para a atuação das transnacionais no país. Quanto as reformas previdenciárias e trabalhistas que já tramitam no Congresso deverá se manter a mesma linha fiscal definida pelo governo Dilma-Temer, caso este não tenha mais tempo de concluir seu projeto neoliberal. Como feras que provaram o gosto de sangue na boca, a matilha do justiceiro não irá recuar, exigem a rendição total da Frente Popular, que pode incluir a prisão de Lula. Nesta conjuntura de aguda crise, o bando bonapartista com o apoio da Rede Globo deve avançar rumo ao Planalto em 2018. Como disse Jucá “Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não”. Como ficou evidente, as manifestações reacionárias “verde-amarelas” de apoio ao impeachment não deixaram margem de manobra para os políticos tradicionais da oposição burguesa, a única alternativa que poderá liquidar Lula e o PT nas próximas eleições chama-se Sérgio Moro. Esta opção “Moro” das classes dominantes mais vinculadas ao imperialismo ianque vem sendo pacientemente costurada desde a gênese da Lava Jato. Até agora, o melhor caminho avaliado seria derrotar Lula em um processo eleitoral, nesta vereda a única certeza de vitória é a “lenda” Sérgio Moro. Para a elite capitalista o momento é muito delicado, pois o governo Temer é bastante frágil como vemos na atual crise envolvendo Jucá. Precisa fazer essa transição para o chefe da Lava Jato, apoiando as medidas ultraneoliberais de Meirelles e queimando os odiados líderes do PMDB como Temer, Jucá, Cunha e Renan para dar passagem aos “puros”. Moro e seu entorno oficial (MP e PF) estão ancorados em uma determinação do Departamento de Estado, chefiado por John Kerry em Washington. O “USDS” traçou uma estratégia de “inteligência” em 2013 para todo o Cone Sul, onde operações no Brasil e Argentina seriam coordenadas por agentes públicos locais, o objetivo seria o de desgastar ao máximo os vínculos comerciais e políticos dos países do Mercosul com a Rússia e China. Debilitar os BRICS foi considerada uma missão da mais alta relevância para os planos internacionais dos "falcões" da Casa Branca. Moro é apenas um “peão” à serviço da geopolítica mundial de Obama, que agora partiu com força no “desenho” de uma nova América Latina sem a presença de "governos de esquerda". Para os Marxistas Revolucionários só há uma maneira de parar a escalada fascista chefiada por Moro e seus “compadres” da Famiglia Marinho que já começam a desgastar o governo do capacho Temer como vemos com a queda de Romero Jucá: colocar a classe operária em movimento lutando como o ajuste neoliberal que Temer agora comanda, mas que foi iniciado por Dilma. Entretanto Lula, o PT e a CUT só admitem salvar seus próprios “espaços” eleitorais fomentando o movimento pelo “volta Dilma”, estão muito distantes de protagonizarem o bom combate das massas contra a ofensiva da reação imperialista. É tarefa da vanguarda classista superar esta política de colaboração de classe da Frente Popular, apontando em cada luta em curso contra os ataques do rato canalha Temer que o movimento de massas deve se organizar para combater pelo seu próprio poder estatal, conquistado na via revolucionária da ação direta da classe operária.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

DIRCEU CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA, VACCARI A 9 ANOS... O PRÓXIMO SERÁ LULA: A FAMIGERADA OPERAÇÃO LAVA JATO AVANÇA CONTRA LIDERANÇAS HISTÓRICAS DO PT MIRANDO NO CONJUNTO DA ESQUERDA, PORÉM PSTU E MES SEGUEM APOIANDO MORO


O Juiz “Nacional” Sérgio Moro acaba de condenar José Dirceu a 23 anos de prisão, maior pena da Operação Lava Jato, uma verdadeira prisão perpétua dada à avançada idade do dirigente petista. Também foi sentenciado o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a 9 anos de detenção. Dirceu está preso em Curitiba desde agosto de 2015. Antes ele cumpria prisão em regime domiciliar, decorrente da pena do chamado “mensalão”, quando foi detido novamente pela Polícia Federal acusado de envolvimento no caso Petrobrás, criando então a esdrúxula situação da “reprisão”, ou seja, encarcerar alguém que já se encontra sob o regime da prisão domiciliar. A famigerada Lava Jato agora condena ao cárcere duas lideranças históricas do PT. A pena de Dirceu foi baseada nas “delações premiadas contra o PT”, apontando a empresa de consultoria do ex-ministro de Lula como beneficiária de “comissões” pagas por empreiteiras. O “curioso” na sentença de Moro é a alegação que Dirceu teria recebido as tais propinas quando já cassado pelo Congresso e processado pelo “Mensalão”, ou seja, mesmo excluído do governo e preso Dirceu teria a capacidade de operar o chamado “Petrolão”. O Juiz chega ao absurdo de acusar Dirceu de ter iniciado o processo de corrupção no interior da Petrobras. Sabemos muito bem que a corrupção (cobrança de comissões para cada transação comercial) nas empresas estatais e demais instituições republicanas não são criação dos governos da Frente Popular, são um produto sistêmico do modo de produção capitalista, embora o PT tenha dado continuidade a este mecanismo alimentado pelo mercado e a chamada “iniciativa privada”. Não nos parece justo atribuir exclusivamente as gerências petistas as atuais dificuldades da Petrobras (produto da queda artificial da cotação internacional do óleo cru) foi a na era da privataria tucana que a estatal acumulou suas piores perdas, incluindo a perda do monopólio na exploração do óleo em território nacional. Se Moro pretendesse realmente apurar a origem da relação promíscua entre as empreiteiras e a estatal deveria começar por investigar a fundo o período do regime militar, passando por Sarney e tendo como ápice o governo FHC. A tucanalha embolsou bilhões de dólares das multinacionais do petróleo para quebrar o monopólio que fazem das eventuais “propinas” pagas ao PT um “cofrinho infantil de moedas”. Entretanto a questão de fundo não é “monetária” e sim política! A Lava Jato tem um objetivo determinado de criminalizar as lideranças de esquerda, particularmente o PT, impulsionando uma histeria reacionária no país que já provocou o impeachment de Dilma. O mais trágico é que a defesa de Dirceu chegou a elogiar a Operação Lava Jato na véspera de sua condenação: “Não se pode negar a importância da Operação Lava Jato no cotidiano do nosso país. Um juiz de primeiro grau praticamente isolado, com a parca estrutura que tem o Judiciário como um todo, conseguiu, em razão de seu trabalho, de sua seriedade, de sua convicção e de seus ideais, prosseguir com uma operação que praticamente atinge todo o país, envolvendo inúmeros políticos e grandes empresas nacionais”, escreveram os advogados. Não sabemos se em um ato de desespero ou subserviência, eles evocaram a postura do juiz para, em seguida, pedirem a absolvição tanto de José Dirceu, quanto do irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que também é réu na mesma ação penal. Ledo engano, neste “cabo de guerra” de completa fragilização do PT, não há recuo das forças da direita que agora preparam uma manobra mais ousada, a prisão do ex-presidente Lula pelas mãos da Lava Jato. Este arriscado passo começa a ter fundamentação jurídica com a denúncia do Procurador Rodrigo Janot. Nesse caminho, a Rede Globo divulgou neste 18 de Maio (mesmo dia em que foi anunciada a condenação de Dirceu e Vaccari) que a Procuradoria Geral da República (PGR) fez a denúncia contra o ex-presidente Lula, acusado de obstrução à Justiça no caso da Operação Lava Jato que envolve o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Também se especula a prisão futura de lideranças sindicais ligadas à CUT e ao PT, já citadas na Lava Jato como a dos diretores do Sindicato dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC. Sem avalizar por um só momento a política desastrosa do PT, o movimento de massas deve ganhar as ruas para combater a escalada da direita e do fascismo, que mais cedo do que tarde se voltará contra o conjunto da vanguarda operária em nosso país. Entendemos que a defesa política, e não meramente jurídica, de Vaccari, Dirceu, e possivelmente amanhã a de Lula, se mantém necessária diante da ofensiva direitista contra o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. Nós da LBI não nutrimos nenhuma afinidade programática ou política com Dirceu, Vaccari, Lula e muito menos com os dirigentes do conjunto da Frente Popular que promoveu ataques aos direitos e conquistas dos trabalhadores à serviço do capital financeiro. Entretanto os Bolcheviques sabemos muito bem distinguir o fascismo da Frente Popular, o primeiro embrulhado no discurso da moralização e ética da coisa pública e o segundo atolado e refém da sua própria política de colaboração de classes. A defesa política de Dirceu e Vaccari, condenados como em uma vitrine midiática, para dar uma “lição” desmoralizante em qualquer esquerdista que se meta em “negócios” com a burguesia, é um ato de enfrentamento com a brutal ofensiva ideológica da direita e não pode ser confundido com o apoio ou solidariedade ao programa burguês da colaboração de classes levado a cabo pelo PT. A covardia do diretório nacional do PT que não emitiu sequer uma nota contra a condenação de Dirceu e Vaccari semeia ainda mais o terreno fértil para a histeria direitista que cruza o país e logo baterá na porta de Lula e depois nas lideranças classistas do movimento de massas. Cúmplices diretos da “Lava Jato” PSTU e o MES (corrente interna do PSOL) apostam no prestígio midiático do fascista Moro para tentarem obter algum dividendo eleitoral na velha “caça às bruxas” da direita tupiniquim. Nesta conjuntura de ofensiva reacionária em toda a linha, a tarefa dos Leninistas é denunciar vigorosamente a prisão política de Dirceu e Vaccari assim como a estratégia de colaboração de classes que levou o PT a completa subserviência diante da burguesia mesmo quando seus quadros históricos são perseguidos e presos, tendo o encarceramento de Lula no horizonte próximo como parte da sanha reacionária em curso no país. É necessário defender publicamente nas ruas e nas lutas a liberdade imediata de Dirceu e Vaccari neste momento contra a trama da direita reacionária que deseja entregar a economia nacional ao completo domínio dos monopólios imperialistas. Esta tarefa necessariamente precisa estar combinada com o chamado à mobilização direta dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal que antes era levado a cabo por Dilma e agora está sendo aprofundado por seu vice golpista, o rato Temer.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

PT ANUNCIA QUE É “OPOSIÇÃO” AO GOVERNO TEMER MAS... VAI APOIAR A CPMF, VOTAR PELA REFORMA DA PREVIDÊNCIA E ATÉ FAZER ALIANÇA COM O PMDB NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS


O Diretório Nacional (DN) do PT reuniu-se neste 17 de Maio. A resolução aprovada prima pelo cinismo, a demagogia e pela manutenção da política de garantir a estabilidade do regime político, aceitando inclusive apoiar medidas apresentadas pelo rato canalha que agora ocupa o Palácio do Planalto, como a CPMF e mesmo estabelecer alianças com partidos que apoiaram o impeachment nas eleições municipais de 2016. Depois de fazer obviamente a condenação do “golpe sem base legal”, o partido anuncia que tipo de oposição vai fazer a Temer: “Devemos combinar todos os tipos de ação massiva e combate parlamentar para inviabilizar suas medidas antipopulares, denunciar seu caráter ilegal e impedir sua consolidação no comando do Estado. Não reconhecemos o governo ilegítimo de Temer. Contra ele faremos total oposição e lutaremos até o fim nas ruas e nas instituições para derrotá-lo. Não há oposição moderada ou conciliação possível com um governo resultado de um golpe. As bancadas parlamentares do PT seguirão em combativa oposição a Temer no Congresso Nacional e ao seu programa neoliberal”. Nas entrelinhas pode-se ler que o PT vai fazer oposição parlamentar, usando sua força social para recompor sua base eleitoral fragilizada. Diz que não apoiará “medidas impopulares” mas dará suporte a plataforma neoliberal que já vinha aplicando ou tentando aprovar no Congresso, como a CPMF e a Reforma da Previdência. Essa posição já havia sido externada pelo então líder do governo Dilma no Senado, Humberto Costa: “Acho que a CPMF é uma contribuição que afeta menos os mais pobres. Pessoalmente acho que a gente pode discutir e aprovar” (FSP, 09.05). Com a recriação da CPMF, todos partidos burgueses, incluindo o PT, vão engordar o chamado “Caixa 3”, recebendo dinheiro vivo diretamente dos bancos como parte de sua “comissão” na aprovação desse novo imposto contra o povo trabalhador. No mais o PT vai estabelecer alianças eleitorais em 2016 com todos os partidos, inclusive os que apoiaram o impeachment, só não apoiando especificamente os candidatos que publicamente votaram pelo afastamento de Dilma: “Dado o conjunto de compromissos defendidos pelo PT ao longo de suas administrações públicas, é indispensável o esforço de diálogo com os partidos do campo democrático-popular e estendê-lo, caso a caso, a setores e partidos que, mesmo fora deste espectro, defendam conosco pontos programáticos para as eleições municipais. O PT não apoiará candidatos (as) que votaram e/ou apoiaram publicamente o impeachment”. Em resumo, além do PCdoB e PDT, analisará “caso a caso” as alianças municipais, de acordo com suas conveniências eleitorais, o que inclui apoiar candidatos do PMDB, PSD, PR...como afirmou Rui Falcão: “Vamos primeiro priorizar alianças com PCdoB e PDT. As outras nós vamos examinar caso a caso. Se alguém do PMDB quiser participar conosco numa chapa na eleição municipal, que não tenha apoiado o impeachment publicamente, e que adote programas que priorizem a área social, que faça orçamento participativo, que abra o debate, que tenha transparência, que não permita corrupção, não há nenhuma objeção”. Para os Marxistas Revolucionários da LBI não há nenhuma surpresa na resolução aprovada no DN do PT. A Frente Popular levou essa política durante a própria votação do impeachment, negociando acordos podres com essas legendas burguesas de “aluguel” que se mostraram um fiasco, enquanto sabotou a resistência da ação direta nas ruas. Agora declara de forma cifrada que vai aprovar a continuidade do ajuste neoliberal levada a cabo pela dupla Temer-Meirelles, obviamente fazendo demagogia com sua base social e eleitoral como prega a resolução “O centro tático para este novo período - sob a palavra de ordem 'Não ao golpe, fora Temer' -, deve ser a derrocada do governo ilegítimo que usurpou o poder e rompeu o pacto democrático da Constituição de 1988”. Como Comunistas militamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros, como revela o conteúdo do seu “Fora Temer”. Os Marxistas Revolucionários devem ter a nítida clareza do momento que atravessamos para combater o bando neoliberal de Temer sem jogar água no moinho da Frente Popular e sua cantilena em defesa da democracia burguesa que visa unicamente fortalecer a posição do PT e seus satélites no circo eleitoral. As alternativas democratizantes e institucionais que polemizam “intra corporis” as correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT), embora ambas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O movimento de massas deve se organizar para combater pelo seu próprio poder estatal, conquistado na via revolucionária da ação direta da classe operária. Portanto o eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista.

terça-feira, 17 de maio de 2016

SAI O BRADESCO “ALIADO” DA FRENTE POPULAR... ENTRA O ITAÚ: O GOLPISTA TEMER TROCA DE BANCO PARA APROFUNDAR A SUBMISSÃO AOS RENTISTAS!


O golpista Temer acaba de indicar Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central (BC). Até então, Goldfajn era economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, que disputa com o Bradesco a hegemonia do setor financeiro nacional. Com esta mudança, o rato interino “muda de banco” para gerenciar o Tesouro Nacional. Até o governo da Frente Popular quem dominava o Ministério da Fazenda e o BC era o Bradesco... agora é o Itaú. Na transição entre os rentistas, mesmo com o “golpe”, foi mantido temporariamente o então presidente do BC no governo Dilma, Alexandre Tombini, em uma prova de que o PT atuou como cúmplice impotente de seu próprio achacamento político, admitindo até indicar nomes de “confiança” para o novo ministério golpista, como Henrique Meirelles muito próximo as ideias de Lula para a economia nacional. Como dissemos no caso da indicação de Henrique Meirelles para a Fazenda, essa “interseção” demonstra que a quadrilha de Temer só irá aprofundar o ajuste neoliberal levado a cabo pela gerentona petista. Tanto que Tombini elogiou a escolha! Em nota declarou para desmoralização da esquerda Dilmista o “fio de continuidade” entre os dois governos: “Ilan Goldfajn é profissional reconhecido, com larga experiência no setor financeiro brasileiro, ampla visão da economia nacional e internacional, além de já ter passagem pela diretoria colegiada dessa instituição. Suas qualidades e sua formação o credenciam a uma bem sucedida gestão frente à autoridade monetária brasileira” (G1, 17.05). O novo presidente do BC já havia sido diretor de Política Econômica do próprio BC com FHC e no início do governo Lula, ou seja, esteve no cargo entre 2000 e 2003. Como prova adicional dessa sintonia, Henrique Meirelles disse que após deixar a presidência do BC, Alexandre Tombini continuará “integrando a alta administração federal em outra função” (Idem). Com a mudança de banco uma coisa é certa: o Itaú não vai pagar os 18,7 bilhões que deve aos caixas do Tesouro! O volumoso montante que a Receita Federal teria que receber da família Setúbal diz respeito a impostos não pagos referentes ao processo de fusão entre o UNIBANCO e o ITAÚ finalizado em 2008, resultando na formação do maior conglomerado financeiro da América Latina. Com a posse de seu homem de confiança no BC, a direção do ITAÚ está tranquila, o processo vai continuar “estacionado” na primeira instância da Receita da mesma forma como o da Rede Globo. Por sua vez, como a família Setúbal que sempre demonstrou antipatia pelo governo da presidenta Dilma e apoiou o impeachment, agora não vai poder reclamar (como fez na época das gestões da Frente Popular) do favorecimento estatal ao seu principal concorrente, o Bradesco, apoiador fiel dos governo Lula-Dilma, tanto que seu presidente Trabuco “cedeu” Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda no início do segundo mandato de Dilma. Com o anúncio Temer dá um sinal claro ao mercado financeiro no sentido de apontar o banco privado preferencialmente “parceiro” comercial do governo. Do ponto de vista político Temer se aproxima da tradicional família Setúbal no setor financeiro, até então patrocinadores junto aos banqueiros da candidatura de Marina Silva da Rede, tanto que a única filha do falecido patriarca Olavo Setúbal (ex-prefeito biônico de São Paulo e ministro do Sarney), Neca chegou a tornou-se da “noite para o dia” amiga íntima da acreana Marina, passando a assinar “generosamente” os cheques para as despesas organizativas do REDE. Roberto Setúbal, “CEO” do ITAÚ agora é junto com Meirelles o “gerente” de fato do Ministério da Fazenda. No terreno mais estratégico a “mudança” sinaliza para os rentistas nacionais e internacionais uma realocação da economia brasileira em direção aos EUA, que apresenta leves sinais de recuperação do crash financeiro sofrido em 2008 em contraponto aos BRICs, opondo-se a política econômica dos governos da Frente Popular “linkou” as exportações do país ao bloco comercial liderado pela China. Com o Itáu assumindo as “contas” do governo solidifica-se a receita prescrita por Washington ao Brasil: fica estabelecido que a política de “responsabilidade fiscal” é “sagrada”, assim como a manutenção das altas taxas de juros para o pagamento da dívida interna é intocável. Em resumo, a plataforma política de Temer assim como o programa gerencial defendido pelos rentistas e o imperialismo ianque são idênticos! Não custa lembrar que a Frente Popular até antes do impeachment e da Operação Lava Jato tinha como aliados de “peso” o Bradesco e as maiores empreiteiras do país (Odebrechet), sem falar no agronegócio e a quase totalidade das oligarquias corruptas regionais. Essa “lua de mel” acabou com o acirramento da disputa interburguesa que levou a ascensão de Temer via um Golpe Institucional. Nesse cenário a classe operária deve tirar as lições de que transição semi-acordada revela que o programa neoliberal anunciado por Temer (Reformas Previdenciária e Trabalhista), Parcerias Público-Privadas (PPP´s), privatizações como a da Caixa e do BB, além da redução de gastos públicos será uma continuidade aprofundada da política de ajuste que vinha desenvolvendo o governo da ex-presidente Dilma. Como revolucionários nos postávamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros. Vale a pena destacar que a escolha de Meirelles como "homem fiador" do novo governo segue a linha de Lula, que apostou no ex-banqueiro do Boston para substituir Levy do Bradesco. Meirelles defende a volta da CPMF, em total acordo com os economistas do PT, porém esta reivindicação dos rentistas enfrenta resistências da FIESP e da grande burguesia nacional que prestou apoio integral ao Golpe Institucional. Temer não vacilou e apesar das críticas concedeu "carta branca" para Meirelles voltar a introduzir o famigerado imposto, contando desde já com o apoio da bancada petista no Senado Federal.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CAMALEÕES DO PCO – PARTE II


Vejamos o que falavam os camaleões do Partido da Causa Operária há poucos anos atrás sobre Lula, o PT e Frente Popular, hoje apresentados pelo PCO como vítimas de um Golpe de Estado orquestrado pela direita e o imperialismo por serem de esquerda, nacionalistas e defensores dos trabalhadores, que devem ser defendidos incondicionalmente apesar das gestões petistas aplicarem um severo ajuste neoliberal contra os trabalhadores. O PCO, que atacava duramente a Frente Popular, porém com a formalidade de um vazio programático, qualificando-a como agente da burguesia e do imperialismo assim como responsável por ressuscitar a direita e o PMDB de Temer no país, passou a defendê-la, chegando mesmo a integrá-la organicamente na companhia do PDT da oligarquia Gomes, subscrevendo seu programa reformista neoliberal em defesa da democracia burguesa. Nos trechos que reproduzimos abaixo, vemos as posições do PCO de 2002 a 2010, declarações que hoje seriam denunciadas violentamente pelo Sr. Rui Pimenta como ataques furibundos da “esquerda pequeno-burguesa cúmplice do golpe” contra o PT, Lula e o governo Dilma, uma política que estaria a serviço da direita. Acompanhe mais esse capítulo dos passos dos camaleões oportunistas do PCO, agora sobre a conjuntura nacional e veja o processo de corrupção política de material dessa corrente revisionista completamente degenerada!

1 - “LULA É UM DIREITISTA, ALIADO DA BURGUESIA, SEMPRE FOI
(Rui Costa Pimennta, vídeo UOL, 19.08.2010)

2 - “O BRASIL, COM FHC E LULA, VIAJOU NO TEMPO PARA O PASSADO”
(Rui Costa Pimenta, 25 dezembro de 2010) 

“Os partidários do PT procuram mostrar que o governo Lula foi um governo social, um governo de esquerda, democrático. Isso, logicamente, só é possível se reduzirmos de maneira absurda os problemas nacionais, das massas e políticos a uma escala infinitesimal, que é a escala da mentalidade da classe média direitista que domina o aparelho do PT e que é a parte mais ativa do seu apoio.... O governo Lula é um gigantesco fracasso do ponto de vista das expectativas que ele criou. Ele nada fez, senão servir como uma fachada para uma política imutável determinada pelos bancos. Para entender isso, é preciso sair da escala infinitesimal e encarar os problemas de grande porte, por exemplo, o caráter e a função do Estado brasileiro na atual situação. O Estado brasileiro é um gigantesco mecanismo de transferência de dinheiro dos 200 milhões de brasileiros para um punhado de bancos e especuladores. Neste último ano de governo, Lula transferiu, só para os bancos, para pagamento dos juros da dívida pública, mais de 300 bilhões. Na escala da política burguesia este problema não existe, está dado, como um dogma religioso e se alguém falar em modificar esta situação, ameaçam o mundo inteiro com desastres apocalípticos. Governar seria administrar as sobras que caem no chão deste faustoso banquete dos banqueiros. Nessas condições, todos os arroubos reformistas do PT só podem ter um caráter medíocre com pouco paralelo histórico e de uma caricatura ridícula, uma política de repartição de sobras. Mesmo estas sobras, as mais aproveitáveis vão para a burguesia e nada para as massas. Lula nesse sentido, foi o administrador da máquina de transferir dinheiro dos pobres para os ricos. Isso só não parece ridículo pela diminuição da escala dos problemas. Nesse particular, sua função foi extraordinariamente importante, nenhum partido, nenhum governante, nas condições de falência do governo neoliberal teria conseguido manter esta máquina monstruosa de roubo permanente da população”.

3 - “OS OITO ANOS DO GOVERNO DE LULA: O PT RESSUSCITA O PMDB”
(Rui Costa Pimenta, 22 de dezembro de 2010)

“O segundo governo de Lula mostrou claramente o sentido da politica do PT: recuperar, por meio da participação no orçamento do Estado, o partido da repressão e da corrupção que é o PMDB, uma das alas direitas da política nacional, uma vez que boa parte dos direitistas da ditadura migraram para este partido em função do colapso do DEM. Toda a evolução da situação revela claramente que o conjunto do regime político apóia-se fundamentalmente no PT como única forma de sustentação diante das massas. Se a burguesia consegue fazer funcionar o regime, apesar da crise gigantesca dos seus partidos e das suas instituições, deve-se fundamentalmente à política do PT e o governo dos últimos oito anos foi fundamental nesse sentido. É sobre isso que se apóia hoje a direita para atacar a classe operária, o trabalhador do campo e os direitos democráticos de toda a população.”

domingo, 15 de maio de 2016

O "13 DE MAIO" OU OS ALICERCES DA COLONIZAÇÃO MERCANTILISTA DO BRASIL: A ESCRAVIDÃO COMO ELEMENTO CENTRAL DA GÊNESE DA ACUMULAÇÃO CAPITALISTA SEMICOLONIAL


Os primeiros escravos começaram a chegar no Brasil a partir de 1530, e eles iriam viabilizar a implantação da empresa açucareira, estabelecida pelos portugueses como modelo para a colonização do Brasil, associada ao monopólio português do tráfico negreiro que impunha seu contrato de exclusividade na utilização de mão-de-obra negra. Os principais fatores que contribuíram para a utilização da mão-de-obra negra foram econômicos já vinculados ao estabelecimento de monopólios capitalistas e não étnicos. O papel do Vaticano, instituição internacional sócia das metrópoles européias, foi muito importante na construção da imagem do negro, como um ser sem alma. A bula papal Romanus Pontifex, assinada por Nicolau V, outorgava poderes de captura dos negros aos navegantes portugueses. A "santíssima" Igreja Católica autorizou a tratá-lo como mera mercadoria. O tráfico negreiro instaurou decisivamente na história o racismo negro que se expandiu continuamente durante as primeiras décadas da colonização, englobando negros de diversas nações africanas, que passaram a ser comercializados já no cais do porto. A colonização do Brasil se deu no início da expansão comercial na Europa. Criou-se o sistema de plantations, voltado para o comércio exterior, tornando-se uma forma permanente de exploração do trabalho escravo. Sequestrado para o Brasil pela grande indústria do tráfico de escravos, passando pelas piores torturas nos navios negreiros, os africanos começaram as revoltas de maior proporção quando se encontraram reunidos coletivamente sob o tacão do trabalho escravo. A revolta se expressou inicialmente pela sabotagem da produção, depois, vieram as fugas e com elas a criação dos quilombos. Os quilombos se constituíram não somente como forma de luta contra o sistema escravista, mas também como propostas de uma nova sociedade, onde não havia divisões de classe. Eles abrigavam não somente negros, mas também brancos marginalizados, mestiços e indígenas.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ASSUME A QUADRILHA TEMER: MEIRELLES, EX-MINISTRO E HOMEM DE CONFIANÇA DE LULA, ESTÁ NA LINHA DE FRENTE DO GABINETE “GOLPISTA” PARA APROFUNDAR A RECEITA NEOLIBERAL QUE DILMA FOI INCAPAZ DE FINALIZAR 


O cenário embrulhou o estômago. Cercado de gangesteris de colarinho branco, Temer “tomou posse” como presidente interino ladeado de ex-ministros do governo Lula e Dilma que agora assumem vários postos centrais no gabinete da quadrilha golpista. Henrique Meirelles, Kassab, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Eduardo Henrique Alves, Helder Barbalho, Sarney Filho... O “novo” ministério tem seis partidos que governaram com Dilma: PMDB, PP, PR, PRB, PSD e PTB. Da oposição conservadora nomes como Serra (PSDB), Jungmann (PPS) e Mendonça Filho (DEM). Porém o homem forte do gabinete “golpista” de rapineiros é Henrique Meirelles, nome do círculo político de confiança íntima de Lula e indicado pelo ex-presidente operário para substituir o estafeta Levy quando da saída deste da equipe econômica Dilmista. Essa interseção política revela que o programa neoliberal anunciado por Temer (Reformas Previdenciária e Trabalhista), Parcerias Público-Privadas (PPP´s), privartizações e redução de gastos públicos será uma continuidade aprofundada da política de ajuste que vinha desenvolvendo o governo da ex-presidente Dilma. Não por acaso, o então líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picianni, “aliado” de ocasião contra o impeachment e que praticamente só “garantiu” seu voto na bancada foi premido pelo trabalho de sabotagem com o cobiçado Ministério dos Esportes, gordo de verbas na véspera das Olimpíadas que serão abocanhadas pela gang de Cabral, Pezão e Paes. Como avaliamos anteriormente, a tendência hegemônica da etapa política apontava para o “debut” do governo Temer/PSDB, com o PT atuando como cúmplice impotente de seu próprio achacamento político, admitindo até indicar nomes de “confiança” para o novo ministério golpista, como Henrique Meirelles muito próximo as ideias de Lula para a economia nacional. Diante da paralisia imposta na véspera da votação do impeachment no Senado tudo leva a crer que o PT optou por sustentar indiretamente Temer (sabendo de seu inevitável desgaste com o ápice da recessão) e aguardar que Lula vença o pleito natural de 2018. Alertamos que o sonho de Lula voltar ao Planalto em 2018 talvez se transforme no pesadelo de sua prisão após o impeachment, mas desgraçadamente a esquerda reformista continua apoiando a “Lava Jato”, enquanto denúncia um Golpe de Estado inexistente. Cabe à vanguarda classista tirar as lições dessa transição semi-acordada, lembrando que nas eleições municipais deste ano, o PT até então havia liberado seus diretórios para fazer alianças com o “golpista” PMDB. O certo é que os ataques neoliberais contra os trabalhadores continuarão, as contrarreformas serão retomadas e a criminalização do movimento de massas ganhará um recrudescimento com o controle da pasta da justiça por Alexandre de Morais (PSDB), ex-secretário de segurança pública de São Paulo e afilhado político do fascista Alckmin. Como revolucionários nos postávamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros. Os Marxistas Revolucionários devem ter a nítida clareza do momento que atravessamos para combater o bando neoliberal de Temer sem jogar água no moinho da Frente Popular e sua cantilena em defesa da democracia burguesa que visa unicamente fortalecer a posição do PT e seus satélites no circo eleitoral do capital financeiro que sempre visa submeter o movimento operário, suas lutas e reivindicações aos “sagrados” resultados de suas urnas! 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PSTU COMEMORA AFASTAMENTO DE DILMA COMO UMA VITÓRIA DA ESQUERDA RUMO AO “FORA TODOS”: MAIS UMA VEZ DE MÃOS DADAS COM A DIREITA E O IMPERIALISMO!


Em tom de festa o PSTU afirma “Senado aprova o afastamento de Dilma: Fora Temer, Fora Dilma, Fora todos!” (site PSTU, 12.05). Como parte da comemoração elogia a decisão da Câmara e do Senado: “A votação do impeachment, tanto na Câmara quanto no Senado, se dá no lastro do repúdio cada vez maior da população a esse governo” (Idem). Segundo o delírio morenista estamos avançando rumo a um governo socialista dos trabalhadores! O Golpe Institucional em curso seria por esta tese estúpida uma vitória das massas!!! O PSTU só não explica porque diante de tantos “avanços” não consegue agrupar mais de mil pessoas em seus atos nacionais pelo “Fora Todos” e vem sofrendo rachas questionando sua política de aproximação com a direita. Não importa a realidade, o PSTU nos ensina que o próximo ato da “revolução democrática” seria a convocação de eleições gerias: “Só conseguiremos de fato mudar esse país e impor as conquistas que precisamos através um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares construídos nas lutas. Enquanto não temos esses conselhos, exigimos eleições gerais já, para todos os cargos”. Como se observa, os estúpidos caracterizam que estamos dando passos sempre à esquerda, falta apenas ajustar detalhes no caminho da revolução! Nesse roteiro tragicômico, o PSTU chega a aplaudir a decisão golpista na Câmara dos Deputados sob o comando de Eduardo Cunha e do Senado de Renan Calheiros junto com a reação burguesa. Mas não "só" isso, diz que agora com o PT completamente fragilizado pelo impeachment orquestrado pela oposição demo-tucana junto com os ex-aliados da Frente Popular devemos convocar imediatamente eleições! Segundo esses revisionistas “Defendemos eleições gerais já, não só para presidente, mas para todo mundo. Novas eleições em que esses corruptos envolvidos na Lava Jato ou em outros escândalos de corrupção, incluindo Aécio, não possam participar” (site PSTU, 04.03). A “lista” da operação Lava Jato elaborada pelo Juiz Moro é referência para o PSTU dizer quem poderia ou não participar dessas eleições gerais! Como se observa é a justiça burguesa, uma das mais reacionárias instituições do regime político, quem de fato definiria as regras do “Fora Todos”. Não por acaso o PSTU vem aplaudindo as decisões do STF, a prisão de Lula e dos dirigentes petistas pela PF! A linha em defesa do “Fora Todos”, apesar de floreada com frases “combativas” em nome da “Greve Geral” para enganar tolos, vai ficando cada vez mais clara: o próprio parlamento burguês deve cassar Dilma, Temer e Cunha e convocar eleições gerais, para isso deve-se pressioná-lo com mobilizações e apoiar a Operação Lava Jato! Nesse cenário, Moro e Marina estariam livres para assumir o Planalto em eleições antecipadas! Com todos os envolvidos na Lava Jato impedidos de participar das eleições, inclusive Lula, sobrariam os dois como os candidatos de peso da burguesia e alinhados diretamente com a Casa Branca, já que o PSTU não os cita em seu rol de “corruptos”. Ao lado deles (mas obviamente sem chances eleitorais) “disputariam” Zé Maria e Luciana Genro (PSOL-MES). Luciana, aliás, com seu lema “Cadeia para todos!”, também é apoiadora entusiasta da Operação Lava Jato e aplaude as ações da PF contra o PT em nome do “combate a corrupção”. Para esses revisionistas, o objetivo estratégico é convocar eleições que supostamente seria uma saída “democrática” mesmo que vença a direita alinhada com a Casa Branca! Ao festejar o afastamento de Dilma pelas mãos da direita, o PSTU acrescenta o Brasil na longa lista de países em que sua corrente internacional, a LIT, estabeleceu no último período unidade política com o imperialismo e a reação burguesa contra governos frente populistas, reformistas e nacionalistas. Líbia, Síria, Ucrânia, Egito e agora o Brasil segundo as alucinações do PSTU-LIT deram passos importantes rumo ao socialismo! Não importa que esse caminho tenha sido aberto pelas bombas da OTAN para assassinar Kadaffi, pelas mãos dos rebeldes terroristas financiados pela CIA contra Assad, pelos fascistas em Kiev, os generais golpistas assassinos que derrubaram o governo da Irmandade Muçulmana e aqui pelos coxinhas “verde-amarelos” anticomunistas apoiados pela FIESP e a Rede Globo. Afinal de contas “a revolução está na esquina” para esses revisionistas vulgares que maculam o nome do trotskismo!
GRUPO PARLAMENTAR DO “ALIADO” COLLOR É O ÚLTIMO A TRAIR: O DESTINO DE DILMA JÁ FOI SELADO DEFINITIVAMENTE!


A votação de hoje no Senado ainda foi pela admissibilidade do processo do impeachment, ou seja, um segundo estágio preliminar do golpe institucional contra o governo Dilma, porém o placar acachapante (55 a 22) selou definitivamente o destino político da presidente petista. A última esperança dos defensores do governo para postergar o impeachment residia na posição dos senadores liderados pelo ex-presidente Collor, um bloco parlamentar que aglutina algo em torno de 6 a 8 votos, número suficiente para impedir que a oposição atingisse os 2/3 na votação posterior do julgamento propriamente dito. Collor manteve o “suspense” quase até o final das intervenções no plenário do Senado, mas o ex-aliado “fiel” dos governos da Frente Popular protagonizou a última e talvez a mais letal traição dos setores burgueses a Dilma: seu grupo votou em peso pela continuidade do processo do impeachment, tornando o placar desta quinta-feira, 12 de Maio, como um golpe irreversível para o PT. O que poderia ser o prolongamento de uma agonia política para Dilma, caso a oposição de direita não atingisse pelo menos 51 votos no Senado, configurou-se o nascedouro de um novo governo de rapina nacional comandado provisoriamente pelo bandido Temer. Não há mais nenhuma instância do Estado burguês disposto a nutrir esperanças em uma sobrevida do governo Dilma, somente os reformistas do PT ainda disseminam ilusões na institucionalidade da república do capital! O mais hilário é que além de sabotar qualquer resistência nas ruas ao impeachment, o PT já se apresenta para a condição de comandante de uma oposição burguesa “responsável” ao governo Temer, em uma prova inconteste de que fora do Planalto vai seguir como um pilar de sustentação do regime político. Humberto Costa, o então líder de Dilma no Senado, afirmou em plena sessão de julgamento da ex-presidente “A nossa oposição será muito em cima de proposta. Não vamos fazer uma oposição em abstrato, como ‘ah, derruba o Temer’. Seremos o maior partido de oposição do Brasil. Mas não de oposição ao Brasil, como foi o PSDB”. É preciso abstrair as lições políticas e programáticas de todo esse processo que apeou a Frente Popular do governo central. De imediato os Marxistas Revolucionários alertam que a política de colaboração de classes do PT pavimentou o caminho do Golpe Institucional, este teve na votação concluída hoje no Senado seu 3º ato, tanto que o "dia nacional de paralisações” convocado para a véspera não ocorreu de fato, foi um fiasco completo. "Lambendo as feridas", Lula trabalha nos bastidores para a formação de uma “frente política” a fim de agrupar os cacos da então coalizão governista para fazer oposição no parlamento de olho nas eleições de 2018. Entretanto, basta um olhar mais apurado e realista para saber que as perspectivas não apontam nesse sentido, são nada alvissareiras para o PT e seus satélites. Estará no encalço dos dirigentes petistas e principalmente de Lula os desdobramentos criminais da Operação Lava Jato após o afastamento de Dilma, não sendo descartada até mesmo a prisão do ex-presidente. Além do mais, o previsível desastre nas eleições municipais de 2016 vai dispersar os aliados burgueses de ocasião do PT. Para o movimento de massas é preciso reorganizar suas forças para lutar contra o governo neoliberal de Temer sem ficar na condição de refém da oposição eleitoral petista e preso à política da burocracia sindical cutista, construindo nas lutas diretas uma alternativa de direção revolucionária para os trabalhadores! 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

PROFESSORES DE FORTALEZA NA LUTA CONTRA A OFENSIVA DA DIREITA E OS ATAQUES DE ROBERTO CLÁUDIO, “FILHOTE” DA OLIGARQUIA GOMES!

Ocorreu neste 10 de Maio o dia de luta dos professores de Fortaleza contra os ataques do prefeito Roberto Cláudio (PDT) aos servidores públicos, o PLC 257 que retira direitos do funcionalismo e a ofensiva da direita. Apesar da CUT não ter organizado nenhuma atividade de peso contra o impeachment do governo Dilma, milhares de trabalhadores concentraram-se em frente à Secretaria de Educação do município para protestar contra o Golpe Institucional. O importante desta mobilização é que ao entrar em choque com a reação burguesa, os trabalhadores necessariamente têm que enfrentar os aliados de Dilma, como a oligarquia Gomes (PDT) e seu filhote na Prefeitura, que inclusive pediu a ilegalidade da greve dos professores em fevereiro último, recorrendo aos métodos da direita mais reacionária. Roberto Cláudio também não liberou o recurso do FUNDEF para os trabalhadores em educação, ele quer surrupiar esse dinheiro para usar na sua reeleição e vem atacando várias conquistas da categoria para alcançar seu objetivo venal. Esta conduta prova a inutilidade da conduta da direção da CUT e do PT em apresentar esses canalhas burgueses como aliados da luta contra o chamado “golpe da direita” porque seu apoio a Frente Popular está movido apenas pelas negociatas que lhes beneficiam em torno da rapina do botim estatal enquanto atacam os trabalhadores onde governam. Os militantes da TRS/LBI que não se corromperam diante das verbas estatais e dos cargos comissionados distribuídos pela prefeitura convocaram o movimento de massas a se mobilizar contra o “golpe institucional” e o arrocho salarial promovido pelos governos da “esquerda” capitalista alinhados com a política de austeridade imposta pelos rentistas do mercado financeiro. Nossos camaradas da Oposição de Luta impulsionada pela TRS-LBI presentes na atividade alertaram que essa mobilização deve ser travada sem ter qualquer confiança na direção do SINDIUTE, ligada a Articulação (PT). Esta burocracia sindical "chapa branca" traiu a última greve dos professores, submetendo os interesses da categoria a aliança entre PT e PDT, que são aliados no Ceará e estão juntos sustentando os governos Dilma e Camilo! A única forma de barrar a ofensiva da direita é colocando o movimento de massas em ação contra a burguesia e seus partidos, porém esse combate não está focado na defesa em abstrato da “democracia” como alardeia a Frente Popular e sim para impor através dos métodos de luta dos trabalhadores as suas reivindicações imediatas e históricas, política que a CUT e a direção do SINDIUTE não adotaram neste dia 10 para não entrar em choque com seus aliados da Oligarquia Gomes no Ceará!

Lilian Caldas e Cida Albuquerque, militantes da Oposição de Luta TRS/LBI participaram do dia de luta neste 10 de Maio

terça-feira, 10 de maio de 2016

O “ALIADO ” RENAN TRAI MAIS UMA VEZ O AGONIZANTE GOVERNO DILMA: PRESIDENTE DO SENADO DÁ SEU AVAL AO IMPEACHMENT, MARANHÃO RECUA DA ÚLTIMA MANOBRA NA CÂMARA E A “GREVE GERAL” DA CUT NÃO PASSA DE UMA FARSA


Esta segunda-feira, 09 de maio, foi marcada pela derradeira tentativa do governo Dilma reverter o processo de impeachment no âmbito do parlamento. Todas as manobras fracassaram neste roteiro rocambolesco da disputa intra-burguesa. Primeiro, Waldir Maranhão (PP-MA), presidente interino da Câmara dos Deputados, anunciou que estava anulando a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment na Casa e solicitava que o Senado remetesse a decisão de volta para a Câmara. Aparentemente Maranhão estaria movido pela promessa de Flávio Dino (PCdoB-MA) lhe garantir o controle de postos importantes no secretariado do estado e a vaga de vice-governador em 2018. Dilma esperava com essa manobra de última-hora que o “aliado” Renan Calheiros paralisasse o andamento do impeachment na condição de presidente do Senado. O que se viu foi justamente o contrário: Renan celeremente e com mão de ferro, ao melhor estilo Eduardo Cunha, engavetou o pedido de Maranhão sob os aplausos da oposição demo-tucana e o protesto patético dos senadores governistas. No final do dia, para fechar a novela com um “gran finale” o próprio Maranhão anunciou que recuava de sua decisão. Em resumo, os “aliados” do governo “bateram mais um prego no caixão” do governo Dilma, que deve ser afastada por 180 dias no Senado no próximo 11 de Maio. Com o recuo de Maranhão, sequer o STF vai analisar a questão como desejava o governo em seu último ato de desespero, acreditando que as instituições do regime político poderiam reverter o Golpe Institucional em curso quando na verdade são de conjunto cúmplices e operadoras da trama. Com a decisão da dupla Renan-Maranhão restou a CUT, que não moveu um dedo em mobilizar para o seu “dia nacional de luta” neste 10 de Maio, porque todas as expectativas do governo da Frente Popular estavam focadas na consecução desta manobra parlamentar, declarar “CUT reafirma convocatória a todos os sindicatos, ramos, Estaduais e a todos aqueles que defendem a democracia. E é nas ruas que a gente vai impedir definitivamente este golpe”. Trata-se de mais uma piada sobre a “Greve Geral” que o PCO e a “esquerda do PT” apresentavam como medida de força para barrar o impeachment mas que na verdade não foi organizada, não passando de uma paródia, uma farsa completa onde não estava em pauta paralisar os transportes e a produção, sequer convocando assembleias de base de sindicatos importantes. O MRT (ex-LER), que vendeu o dia 10 como capaz de “barrar o golpe” e patrocinou ilusões na Frente Popular, demonstrou que mudou de lado mas continua com sua política oportunista de embelezar as direções burocráticas. No máximo estamos vendo fechamentos de avenidas, estradas e rodovias por parte do MST e MTST, além de estarem ocorrendo atos esvaziados pelo resto do país, a CUT e o PT não convocaram nada de peso nos dias que precedem a votação do dia 11. De nossa parte, como Marxistas Revolucionários, a LBI denunciou que a Frente Popular nunca iria colocar o movimento de massas em luta contra o Golpe Institucional porque está completamente comprometida com a estabilidade do regime político, mesmo que isso custe a perda da Presidência da República pela via do impeachment. Até porque o pauta neoliberal imposta pelo governo Dilma impede uma verdadeira mobilização operária contra o golpe, com os protestos concentrando-se em setores da pequena burguesia na defesa abstrata da “democracia”, eixo completamente limitado e que não serve como ponto de apoio para a luta direta pelas reivindicações operárias e populares. O fracasso das manobras parlamentares da Frente Popular na véspera da votação do afastamento por 180 dias de Dilma pelo Senado e o fiasco do “dia nacional de luta” da CUT revelam que a burguesia e o imperialismo, mesmo a contra-gosto, aposta no governo Temer como saída imediatada para a crise política, aguardando melhores condições para um desenlace mais estratégico e seguro, que passa por preferencialmente impor o neobonaparte Sergio Moro como Presidente da Republica ou mesmo como segunda opção uma alternativa fascistoide como Alckmin em 2018.