sexta-feira, 21 de novembro de 2014


Há um ano atrás ocorria o início da “revolução made in CIA” na Ucrânia colocando o país como ponta de lança da OTAN nas provocações contra a Rússia. Como na Líbia e Síria a LBI esteve na vanguarda da denúncia das ações imperialistas mascaradas de “rebeliões populares”

Há exatamente um ano, em 21 de novembro de 2013, a Ucrânia era palco de manifestações – conhecidas como Euromaidan - que exigiam o acordo com a União Europeia para submeter o país ao FMI e integrá-lo a OTAN, tratado que incluía o rebaixamento de salários e congelamento de pensões, aumento do preço do gás, fim dos investimentos no setor agrícola e de energia. Em Kiev as estátuas de Lenin eram derrubadas, bandeiras vermelhas queimadas e os protestos exigiam a renúncia do então presidente Viktor Yanukovych, homem próximo a Vladimir Putin. Como a LBI declarou no artigo a época “Ucrânia: Uma nova ‘revolução laranja’ made in CIA a serviço de acomodar os interesses capitalistas na antiga república soviética?” (Blog da LBI, 02.12.2013) diante do silêncio de toda a esquerda e particularmente do revisionismo trotskista “Está colocado para o proletariado mundial e, particularmente, para os trabalhadores das ex-repúblicas soviéticas rechaçarem as investidas da UE, dos EUA e de seus agentes da Ucrânia. Apesar de não depositarmos qualquer confiança no governo burguês ucraniano de Viktor Yanukovych e do ex-burocrata Putin-Medvedev, cuja conduta está voltada a defender os interesses da nascente burguesia russa, as fricções com a Casa Branca objetivamente representam um obstáculo à expansão guerreirista da OTAN na região. Nesse sentido, os revolucionários devem denunciar as manifestações dos grupos pró-imperialistas e seu caráter contrarrevolucionário, voltado a fazer na Ucrânia e na própria Rússia uma ‘transição democrática’ conservadora aos moldes da que vem sendo operada no Oriente Médio”. Hoje, o que vemos é a divisão do país a serviço do imperialismo com ataques com as chamadas “repúblicas populares” que desejam seguir o caminho da Criméia e se unificar com a Rússia. O objetivo desse processo é armar uma provocação permanente contra a Rússia para fragilizar o bloco militar que pode se contrapor ao poderio bélico ianque. O balanço a ser feito é que os protestos que adquiriram contornos fascistas e chegaram a perseguir o PC e assassinar seus militantes é a imposição de um enorme retrocesso para o país, que se tornou totalmente dependente dos monopólios capitalistas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


O significado das "comissões" no formato do moderno Estado burguês e sua função no processo de acumulação capitalista

Ganhou manchete na mídia desta quarta-feira (19/11) a afirmação do lobista Fernando Baiano, preso pela PF sob a acusação de operar a intermediação de comissões pagas para políticos do PMDB em várias empresas estatais, de que: "Não se faz obra pública no Brasil sem 'acerto'... Pode pegar qualquer empreteirinha de qualquer prefeitura do interior. Sem acerto, não tem paralelepípedo no chão". O debate sobre a corrupção existente na Petrobras promete ocupar a agenda política do início da nova gerência petista, podendo até ganhar contornos de uma crise de governabilidade. Logo a blogosfera "chapa branca" atualizou a frase do velho Ademar de Barros, "Rouba mas faz" para "Não rouba não faz", tentando legitimar a conduta dos dirigentes políticos da chamada "base aliada". A questão de fundo não é só constatar a existência da prática "semi-institucional" da cobrança generalizada de comissões em cada obra executada ou serviço prestado ao estado nacional (no sentido mais amplo do termo) por empresas capitalistas, o fulcro do debate deve estar focado na evolução da formatação do moderno Estado burguês e do papel das comissões pagas aos "gestores públicos" no processo de acumulação capitalista. Até meados dos anos 60 no Brasil a "metodologia" de apropriação de recursos estatais por parte da elite política dominante ocorria em grande medida sob o sistema de desvio direto das verbas públicas, ou seja, havia a transferência de valores do orçamento estatal diretamente para o patrimônio privado da camarilha política hegemônica. Tratava-se de um "assalto" direto dos cofres públicos por parte de gestores estatais, porém com o surgimento do monitoramento das contas estatais por parte de organismos financeiros internacionais, produto do grande volume de empréstimos contraídos pelo Brasil após o golpe militar de 1964, começou a inviabilizar esta "tradição secular" nacional. Com a rígida "supervisão" do FMI e do Banco Mundial nos organismos fazendários nacionais, condição imposta para a entrada do país no roteiro do fluxo do capital financeiro mundial, a "governança" burguesa brasileira foi forçada a buscar outra "via" para exercer sua política de patrimonialismo às custas do estado nacional, deixando para trás os velhos tempos da transferência direta das reservas monetárias do tesouro para suas contas bancárias pessoais. Neste período, começo dos anos 70, inicia-se um ciclo econômico de larga expansão no Brasil com o desenvolvimento de grandes projetos de infra-estrutura e integração nacional. Surge com força neste momento as "gigantes" do concreto, empreiteiras nacionais que deram conta de impulsionar o chamado "milagre econômico" do regime militar. O "Ovo da Serpente" tinha parido um sofisticado sistema de pagamento para os dirigentes estatais, na maioria dos casos militares de alta patente, de volumosas comissões por cada obra ou serviço contratado. O que era apenas um "pequeno embrião" no governo JK com a construção de Brasília tornou-se o método recorrente para formação de fortunas dos gestores estatais, quase sempre enviadas ao exterior. Por outro lado a existência das generosas "comissões” incentivavam a elite política dominante para o lançamento de novos projetos de "desenvolvimento" econômico, criando uma cadeia de acumulação capitalista que logo catapultou o Brasil entre os dez maiores mercados do mundo no final dos anos 70. Parecia enfim que tudo havia se harmonizado no país, as oligarquias políticas não precisavam mais roubar descaradamente do caixa estatal, pois recebiam diretamente das corporações capitalistas, por outro lado tinham suas contas aprovadas pelos organismos multilaterais que continuavam a liberar o crédito financeiro internacional.... Só não contavam com a crise capitalista mundial que jogou o Brasil em plena recessão no início dos anos 80, obrigando uma mudança no regime político vigente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014


"Petrolão": A "descoberta da roda" pelos vestais tucanos ou uma manobra para paralisar o refino do petróleo nacional?

Múltiplos ângulos tem sido abordados no atual escândalo de corrupção da Petrobras, desde a esquerda "socialista" até a direita pró-ianque tem se levantado propostas para "moralizar" a estatal, porém até o momento absolutamente nenhuma corrente de pensamento apontou o fulcro da questão, que vai bem mais além da disputa eleitoral ainda em curso. Trata-se de uma questão estratégica para a soberania país que vem passando "desapercebida" por todas as análises da grave crise que sem sombra de dúvida ameaça inclusive a governabilidade do quarto mandato da Frente Popular. Estamos falando da capacidade do Brasil em processar industrialmente seu próprio petróleo, produzindo os combustíveis refinados que movimentam a economia do país. Pois bem a enxurrada de denúncias surgida contra os dirigentes da Petrobras, todas bem reais produto da cobrança das comissões praticadas em todas as esferas desta república capitalista, atingem em cheio a área da construção de novas refinarias, um setor onde as empreiteiras estão diretamente relacionadas.

Final turbulento do primeiro governo Dilma aponta para uma crise política na quarta “gerência” petista

Falta pouco mais de um mês para o final do primeiro mandato da presidente Dilma e o horizonte para sua próxima “gerência” indica dias difíceis e turbulentos, refletindo o quadro político de uma vitória apertada da Frente Popular nas urnas em 26 de Outubro. As manchetes da mídia burguesa, particularmente do núcleo duro do PIG, como o Estadão, Veja, Globo e seus colunistas-escribas já começam a propalar quais seriam os desdobramentos do chamado “Petrolão” investigado pela Operação Lava Jato no apagar de 2014: desaprovação das contas da campanha eleitoral de Dilma pelo mafioso Gilmar Mendes no STF, sangria já no início do “novo” governo do PT para torná-lo muito frágil, reforma política para reduzir o número de partidos com a imposição da cláusula de desempenho para estes terem direito ao tempo de TV e, se a crise política se aprofundar... até mesmo impeachment de Dilma. Esta é a pauta dos sonhos do PSDB e da direita burguesa mas não necessariamente será a realidade dos próximos dois meses. Isto porque Dilma acabou de ser reeleita e o grosso da burguesia (que financiou sua campanha) sabe que esta realidade traria enormes prejuízos políticos e econômicos para seus negócios além de abrir um quadro de profunda desestabilização no país. O que estamos vendo nos noticiários da TV e nos jornalões é uma ofensiva política contra o governo do PT, para que o novo ministério seja totalmente controlado pelos setores mais conservadores da classe dominante, com a nova “gerência” petista se comprometendo a seguir à risca os planos de ajuste fiscal (corte nos orçamentos para programas sociais) e ataques as conquistas rumo a uma transição acordada para o tucanato assumir o Planalto em 2018. A situação vem se polarizando rapidamente via o incremento da “grande” mídia porém o PSDB e a direita golpista não tem força social para impor medidas drásticas como impeachment ou um golpe parlamentar como o paraguaio. O que se deve ter como “saldo” do chamado “Petrolão” é a paralisia das obras de construção das refinarias (o que atende aos interesses do imperialismo ianque), a maior fragilização da Petrobras e uma “reforma política” que ataque ainda mais as liberdades democráticas, com a imposição de cláusulas de barreiras para que os pequenos partidos tenham acesso ao horário eleitoral gratuito. Quanto ao futuro governo Dilma o certo é que será uma gerência de profunda crise, refém dos acordos com as oligarquias reacionárias e incapaz de tomar qualquer medida, mesmo que limitadamente, progressista.

domingo, 16 de novembro de 2014


Operação “Lava Jato” atinge diretamente o PT “limpando” o terreno para Dilma montar seu ministério ainda mais à direita como exigem os rentistas e as oligarquias reacionárias

Os respingos da “Operação Lava-Jato” após as eleições presidenciais caíram em cheio no esquema que o PT tinha dentro da Petrobras com as prisões do ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque e dos executivos das grandes empreiteiras (Camargo Corrêa, Mendes Junior, OAS, UTC...) que financiaram as campanha eleitorais de Lula, Dilma assim como de todos os partidos burgueses. Segundo as denúncias, Duque (indicado pelo PT em 2004 ainda no primeiro governo Lula) recebeu de apenas uma empreiteira 60 milhões de dólares em contas no exterior. A versão espalhada pela blogosfera “chapa branca” de que os delegados da PF que levaram a cabo as prisões são tucanos e junto com o juiz Sérgio Moro fazem o jogo do PSDB para desgastar o governo Dilma e incentivar o clima de polarização política que favorece a direita derrotada nas urnas é muito simplória, ainda que seja parcialmente crível. O que parece de fato está em curso é uma operação (avalizada forçosamente pelo Planalto) para limpar o terreno a fim de que a própria presidente possa montar seu ministério com o “escândalo da Petrobras” já esgotado em seu arco de prisões e indiciados até antes da posse. Não por acaso, já se sabe que mais de 70 parlamentares estão envolvidos diretamente nas negociatas envolvendo a estatal, não só do PT mas também do PMDB, PP e demais partidos da base aliada. Com esta “lista” em mãos (que será alvo de análise no STF), Dilma pretende moldar não só a escolha de seu futuro gabinete, diminuindo o espaço do próprio PT, mas também aprimorar o modus operandi dos esquemas futuros de saque ao botim estatal.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária nº 287, 1ª Quinzena de Novembro/2014


EDITORIAL
Perigo de um golpe da direita ou uma manobra para respaldar o governo da Frente Popular?

DILMA REELEITA
Quarta "gerência" estatal consecutiva revela plena confiança da burguesia nacional no PT

APÓS AS ELEIÇÕES...
Receita neoliberal petista para fazer inveja a tucanalha derrotada nas urnas

AUMENTO DOS JUROS E TRABUCO NO NOVO MINISTÉRIO
Dilma agradece aos rentistas sua reeleição

“3º TURNO DILMISTA”
Depois do sepultamento dos “Conselhos Populares”, foi a vez do Plebiscito da Reforma Política sucumbir à chantagem do PMDB

O FEITIÇO CONTRA O FEITIÇEIRO
Porque só agora os Tucanos "descobriram" que sua própria criatura, a urna eletrônica, é "bastarda"?

UNIDADE REACIONÁRIA
Dilma e Aécio juntos no "repúdio veemente" ao direito da livre manifestação da militância contra a imundice da VEJA

PIG EM AÇÃO
Tentativa de golpe eleitoral da VEJA não colou em função do suporte de Dilma nas frações mais expressivas da burguesia nacional

APOIO ENVERGONHADO A FRENTE POPULAR
Borón, o apoio muitíssimo “crítico” ao PT e seu “sonho” do capitalismo finlandês

HÁ 45 ANOS TOMBAVA O COMANDANTE MARIGHELLA PELAS MÃOS DO FACÍNORA FLEURY
Nossa modesta homenagem a esse herói da luta contra a ditadura militar!

25 ANOS DA DERRUBADA DO MURO DE BERLIM
O início da contrarrevolução capitalista aberta comemorada como uma “vitória” pelos revisionistas do trotskismo!

97 ANOS DA TOMADA DO PODER PELOS BOLCHEVIQUES
A vitória da Revolução de Outubro e os desafios do leninismo para enfrentar a etapa da contrarrevolução em pleno Século XXI

ELEIÇÃO NO URUGUAY
Um polarizado segundo turno seguindo a "receita" de estabilidade social que a burguesia encaminhou no Brasil

DISPUTA NOS EUA
Republicanos avançam nas legislativas rumo ao controle da Casa Branca

MÉXICO EM LUTA
Mobilizações contra o terrorismo de Estado exigem a renúncia do fascistóide Peña Nieto


Mobilizações sacodem o México contra o terrorismo de Estado exigindo a renúncia do fascistóide Peña Nieto. A tarefa dos Comunistas é estabelecer a ponte entre a barbárie cometida e o conjunto do regime burguês!

O México está sendo palco de manifestações massivas desde o assassinato dos 43 estudantes da cidade de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, ocorrido em 26 de setembro. Eles foram presos pela polícia quando retornavam de um ato público e, em seguida, foram entregues a integrantes do cartel Guerreros Unidos, grupo narcotraficante ligado ao prefeito local, do PRD. Os estudantes foram torturados, seus corpos trucidados, queimados e ao final jogados no rio Cocula. Mais de 100 escolas estão em greve e milhares de mexicanos saem às ruas diariamente exigindo a renúncia imediata do presidente Enrique Peña Nieto (PRI), já que a mobilização que os estudantes mortos fizeram antes de serem assassinados eram contra os ataques promovidos por seu governo em conluio com o PDR. O repúdio ao ataque aos “43”, como são agora conhecidos, capitalizou o ódio popular contra o conjunto dos partidos burgueses (PRI-PAN-PRD) e as instituições do regime. Desgraçadamente, a “esquerda” mexicana está atrelada ao nacionalismo burguês hoje agrupado no partido Morena de Lopez Obrador, que rompeu com o PRD para se alçar como uma alternativa burguesa ao desgaste dos partidos tradicionais. Os principais sindicatos do país que apoiam as mobilizações se limitam a protestar contra o assassinato dos estudantes sem apontar a deflagração imediata da greve geral. Neste momento é necessário estabelecer a unidade operário-camponesa-estudantil para passar a ofensiva contra a classe dominante e seu governo lacaio, que encontra-se blindado pelo imperialismo ianque. Para vingar a morte dos estudantes mexicanos é preciso cobrir a luta em curso no país de ampla solidariedade de classe internacional e apontar uma perspectiva revolucionária para a crise do falido regime burguês. A fraude eleitoral que levou Peña Nieto ao governo barrando a ascensão de Obrador confirmou o que agora se vê em toda a plenitude: o avanço das máfias e do narcotráfico no México em conluio com os políticos burgueses de todos os partidos revela que a burguesia e o imperialismo impuseram um regime ainda mais recrudescido e policialesco contra o movimento operário e as massas que somente pode ser derrotado pela ação direta dos trabalhadores e sem nenhuma confiança nas instituições apodrecidas da “República”, colocando inclusive na ordem do dia a destruição do assassino aparato de repressão estatal! Os reformistas de plantão tentam limitar as mobilizações contra a barbárie cometida pela máfia dominante nos limites da democracia burguesa, exigindo a “depuração ética” do Estado capitalista, para os comunistas leninistas a tarefa é colocar na ordem do dia a questão do poder proletário pela via da revolução socialista.

sábado, 8 de novembro de 2014


97 anos da tomada do poder pelos Bolcheviques: A vitória da Revolução de Outubro e os desafios do leninismo para enfrentar a etapa da contrarrevolução em pleno Século XXI

Há 97 anos, no dia 07 de novembro de 1917 (segundo o calendário gregoriano) o Partido Bolchevique tomava o poder de estado, com a vitória da Revolução de Outubro sob o comando dos dirigentes Lênin e Trotsky. A melhor homenagem que podemos render ao maior triunfo histórico do proletariado mundial, quase um século depois de ocorrido e quando a própria URSS já não existe mais, é fazer um balanço das lições programáticas que levaram a destruição do Estado Operário soviético pelas mãos dos bandos restauracionistas apoiados pelo imperialismo. Desde já, podemos afirmar que as mesmas forças políticas e sociais que festejaram a queda da pátria política de Lênin, seja no campo burguês ou no terreno do revisionismo trotskista, são as que hoje estão unidas para, em nome da “defesa de democracia”, colaborarem para contrarrevolução na Ucrânia levada por fascistas financiados pelas mesmas potências capitalistas que apoiaram o mafioso Yelstin em 1991 como alternativa “democrática” à “ditadura stalinista”. A história do século XX não pode ser compreendida sem se ter em conta a enorme influência da revolução socialista de Outubro de 1917 na luta dos trabalhadores e dos povos oprimidos de todo o mundo contra a exploração e opressão imperialistas. Falem o que quiserem falar os “historiadores” e “jornalistas” detratores da revolução a soldo do capital e todos os renegados “comunistas” e revisionistas do Leninismo arrependidos que, em nome de “lançar um novo olhar crítico” sobre os fatos, os deformam grotescamente, não há como ocultar que os principais acontecimentos que marcaram o último século estão de alguma maneira relacionados à perspectiva histórica da revolução socialista mundial que se abriu com a vitória bolchevique. De forma inédita, ocorreu uma experiência genuinamente proletária de expropriação da propriedade privada que, em uma vasta extensão territorial, assumiu uma dimensão e duração infinitamente maior que a Comuna de Paris. Até então, a primeira tentativa de “assalto ao céu”, como afirmou Marx na época, e instauração de um governo proletário, durou apenas 72 dias. Por sua vez, os sovietes, os órgãos de democracia operária criados sobre a base de estruturas piramidais de conselhos populares nascidos em meio ao “ensaio geral” de 1905, apresentaram um formato bem mais aprimorado de Estado operário. E, o que assumiu uma importância decisiva: também pela primeira vez na história da humanidade, a classe operária, através de sua vanguarda de quadros comunistas forjados sob as experiências das revoluções de 1905 e de fevereiro de 1917, converteu-se em classe para si e organizou conscientemente a tomada do poder. Assim, por maior que sejam os esforços em contrário de todos os seus inimigos nestes 97 anos, as lições da primeira revolução proletária da etapa imperialista do capitalismo não podem ser esquecidas pelas novas gerações de revolucionários. Na academia, na mídia e nos partidos da esquerda revisionista reina neste momento uma verdadeira cruzada antibolchevique por exterminar ou pelo menos demonizar todas as referências do grande triunfo proletário de 1917, para confundir os lutadores de hoje e impedi-los de organizar uma saída revolucionária diante das explosivas contradições da dominação imperialista. Não por acaso os charlatães do Marxismo tentam “vender” o novo conceito de uma suposta revolução como sendo levantes “democráticos” organizados pelo imperialismo contra “ditaduras” militares ou até mesmo nacionalistas burguesas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014


Receita neoliberal petista para fazer inveja a tucanalha derrotada nas urnas

Para quem esperava uma guinada à "esquerda" do governo após a vitória eleitoral petista, diante da polarização política estabelecida com o PSDB, deve estar se sentindo "traído". Como já tínhamos alertado o programa de governo da Frente Popular representava uma versão neoliberal da mesma cartilha seguida pelos tucanos. Porém agora veio a confirmação oficial do rumo que o PT pretende imprimir no segundo mandato da gerência Dilma, e pela boca do ministro demissionário Mantega: "Nós temos agora que fazer uma redução importante das despesas que estão crescendo, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio doença". Não se trata de uma mera "carta de intenções", mas de um ataque as conquistas operárias já posto em marcha pelo governo Dilma, como o congelamento dos salários do funcionalismo público e a redução das verbas estatais para os setores de saúde e educação. O "couvert" do segundo mandato petista já subiu a taxa de juros e liberou a flutuação do câmbio para a farra dos rentistas. Para finalizar a semana a equipe econômica palaciana decretou um aumento do preço dos combustíveis, que embora menor do que exigido pelo "mercado" deverá desencadear uma forte cadeia inflacionária na cesta básica alimentar. Depois de todo este estelionato político ainda existem aqueles que afirmam que o grande "perigo" para a classe operária vem da parte de meia dúzia de fascistóides drogados que costumam desfilar pela Av. Paulista. Mais uma vez denunciamos o caráter estatal da ofensiva patronal em curso e responsabilizamos diretamente o PT pelo ataque aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. A "direita" burguesa assiste passivamente a ala "esquerda" das classes dominantes (com o suporte do Estado) descarregar no país os "ajustes" que o capital financeiro exige para aumentar sua rentabilidade em períodos de crise. Quanto a possibilidade de um golpe da direita contra Dilma, só mesmo na mente de vigaristas políticos que pretendem traficar sua política burguesa de colaboração de classes no movimento de massas como sendo a melhor "expressão da esquerda" brasileira.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014


Republicanos avançam nas legislativas rumo ao controle da Casa Branca, abrindo mais espaço para a ofensiva neofascista contra os povos

O Partido Republicano terá durante o fim do mandato de Barack Obama o controle das duas casas legislativas. Trata-se da “transição” para um futuro governo mais conservador na Casa Branca em 2016. Os Republicanos, que já possuíam a maioria dos parlamentares na Câmera de Representantes dos Estados Unidos (equivalente a Câmera dos Deputados no Brasil), mantiveram este status e ainda conseguiram obter a liderança do Senado, até então controlado pelo Democratas. Essas eleições eram destinadas a renovar os 435 assentos da Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Esta é a primeira vez, desde 2006, que os republicanos controlam as duas câmaras do Congresso. Este resultado demonstra que o imperialismo ianque se prepara internamente para um período de aprofundamento de sua ofensiva belicista no planeta, que tem como alvos a China, Rússia, Irã e os grupos fundamentalistas islâmicos que saíram de seu controle, como o EI. A popularidade de Obama caiu e a paralisia de seu governo sob a ótica conservadora, já que recuou na Síria e Ucrânia, pavimentou o caminho para o crescimento dos Republicanos. Neste marco, o Tea Party, um braço do neofascismo ianque abrigado temporariamente no interior do Partido Republicano, tem ganhado muita força, deixando o Parlamento ianque ainda mais a direita com aberta influência de grupos neonazistas que desejam um ação militar planetária mais incisiva contra seus adversários. A expectativa é de que candidatos republicanos apoiados pelo Tea Party conquistem nestas eleições legislativas cerca de oito cadeiras na Câmara dos Representantes que atualmente estão nas mãos de republicanos tradicionais. Os próximos anos da "transição" serão dedicados a Obama dar curso aos seus limitados planos de guerra para posteriormente ceder o comando para os falcões na Casa Branca. Os "falcões" do Partido Republicano não deverão esperar até 2016 para impor uma guinada neofascista no regime Ianque, as corporações capitalistas que os financiam exigem a retomada da ofensiva imperialista neste momento, diante da necessidade de controlar mercados que vem sendo perdidos para os BRICS. Não está descartado inclusive que o Tea Party co-governe com a madame Clinton, caso os Democratas se mantenham no poder, já que Hilary é abertamente favorável ao recrudescimento do Estado guerreirista Norte-Americano. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014


Há 45 anos atrás tombava em combate o comandante Marighella pelas mãos do facínora Fleury! Nossa modesta homenagem a esse herói da luta contra a ditadura militar!

Precisamente na noite de 4 de novembro de 1969, há 45 anos atrás, Carlos Marighella foi assassinado por agentes de repressão da ditadura militar numa emboscada em São Paulo, chefiada pelo facínora Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS, órgão oficial dos ratos covardes torturadores. Marighella foi um dos principais líderes da luta armada durante o período da ditadura semifascista. Apesar das divergências com o programa defendido por Marighella tanto no PCB como na ALN, rendemos nossa homenagem a esse herói da luta contra o regime dos gorilas, que morreu em combate contra a dominação do país pelo imperialismo e seus títeres de farda. Nascido em 05 de dezembro de 1911, iniciou sua militância aos 18 anos, quando ingressou no PCB, em 1930, numa fase em que o partido comunista enfrentava profundas crises internas decorrentes de sua adaptação ao stalinismo. A onda de reação que se seguiu à aventura de 35, mais uma das fracassadas insurreições preparadas pelos agentes da III Internacional stalinista, vários militantes foram presos e barbaramente torturados pela polícia de Filinto Müller. Marighella foi detido em 1º de maio de 1936 e permaneceu encarcerado por um ano durante o governo Vargas. Elege-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas teve o mandato cassado em 1948, em virtude da nova proscrição do partido. Após o golpe militar de 1964, é baleado e preso por agentes do DOPS no Rio de Janeiro. Libertado em 1965, Marighella começa a divergir da política do PCB diante do regime militar. Criticando o imobilismo da direção, que ficava a espera de espaços para a atuação política dentro das regras e dos limites impostos pelo próprio regime ditatorial, solicitou seu desligamento da Comissão Executiva em dezembro de 1966, anunciando sua disposição de lutar revolucionariamente contra a ditadura. Em 1967, na Conferência Estadual de São Paulo, as posições de Marighella são esmagadoramente vitoriosas (33 a 3) sobre o restante do Comitê Central, mesmo tendo como opositor o próprio Luiz Carlos Prestes. Contrariando as ordens do CC, que o ameaça de expulsão, Marighella vai a Cuba para participar da conferência da OLAS. O passo seguinte foi sua ruptura com o Comitê Central e, como consequência, sua expulsão do PCB. Ao retornar ao Brasil, Marighella funda a Ação Libertadora Nacional (ALN) e inicia as ações armadas contra a ditadura militar. Desgraçadamente, uma característica fundamental da ALN foi a negação da teoria leninista sobre o papel do partido da vanguarda do proletariado no processo revolucionário. Sob a influência do guevarismo e da experiência da revolução cubana, adotou como lema “a ação faz a vanguarda”, partindo para a luta armada. A cisão de Carlos Marighella com o PCB não significou sua renúncia ao stalinismo. O norte estratégico da ALN, não por acaso quase o mesmo nome da organização de caráter frente populista criada em 1934, era a restauração da democracia burguesa e a criação de um governo que realizasse algumas reformas sociais, como a reforma agrária, e assumisse uma posição de independência frente ao imperialismo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014


25 anos da derrubada do Muro de Berlim: O início da contrarrevolução capitalista aberta comemorada como uma “vitória” pelos revisionistas do trotskismo!

Neste 09 de novembro completa-se os 25 anos da derrubada do Muro de Berlim, acontecimento que consistiu em um derrota histórica do proletariado responsável por abrir caminho para a ofensiva imperialista atual. Hoje, o imperialismo se vale desta data para comemorar com toda empáfia e cinismo o início da restauração capitalista do antigo Estado Operário alemão. A mídia burguesa aproveita para espalhar por todos os cantos do planeta que a Alemanha “unificada” depois de mais de duas décadas encontra-se livre do totalitarismo stalinista, mergulhada em uma espécie de paraíso das liberdades democráticas! A verdade é, no entanto, outra, completamente oposta. Os trabalhadores da antiga Alemanha Oriental estão pagando um alto preço social com o fim do Estado operário. Além disso, os países do Leste Europeu foram incorporados em sua maioria a OTAN e hoje servem como como aliados do imperialismo ianque e europeu em sua ofensiva contra a Rússia, como estamos vendo na Ucrânia. Coincidentemente aqueles grupos revisionistas que há 25 anos saudaram a queda do Muro de Berlim como um “acontecimento revolucionário” em sua maioria perfilam-se entre os que apresentam as “revoluções made in CIA” nas ex-repúblicas soviéticas como uma “vitória dos trabalhadores”. A queda do Muro de Berlim e a destruição do Estado operário alemão como produto da contrarrevolução, representaram uma profunda derrota para o proletariado mundial, exatamente porque a derrubada da burocracia foi obra do imperialismo e não parte da revolução política dirigida pelo proletariado. A derrubada do Muro de Berlim marcou, por sua vez, o fim do Pacto de Varsóvia, o que levou a termo a bipolarização política até então existente. O Muro, em outras palavras, era o contraponto militar ao avanço da OTAN rumo ao Leste. A partir da restauração capitalista da RDA e da URSS, o imperialismo teve a possibilidade de levar adiante a sua brutal ofensiva militar sobre toda uma série de países que até então estavam sob a influência soviética, o que abriu caminho para as atuais agressões da OTAN sobre o Iraque, Afeganistão, Líbia...

domingo, 2 de novembro de 2014


Porque só agora os Tucanos "descobriram" que sua própria criatura, a urna eletrônica, é "bastarda"? 

A cúpula do PSDB surpreendeu ao próprio meio político burguês quando requereu ao TSE uma auditoria para verificar os sistemas de votação da urna eletrônica. Para quem não recorda a urna eletrônica foi implantada no Brasil em 1996, sob os auspícios do governo FHC e celebrada pelos Tucanos como o "santo milagre" que iria sepultar definitivamente a fraude eleitoral no Brasil. Logo na eleição seguinte em 1998, onde se disputou a reeleição de FHC, a urna eletrônica teve um papel determinante para consagrar uma das maiores fraudes eleitorais da história republicana. Em pleno esgotamento da paridade cambial Dólar/Real, o governo Tucano em crise amargava os piores índices de aprovação popular, um segundo turno entre FHC e Lula era constatado em todas as pesquisas eleitorais inclusive o malfadado IBOPE da Rede Globo. Porém a urna eletrônica debuta "brilhantemente" em sua primeira participação na disputa pelo Planalto, FHC vence a eleição logo no primeiro turno a despeito de todas as evidências de fraude eleitoral. Na sequência em 2002 a mesma urna eletrônica ajuda o moribundo Serra a superar adversários fortes, como Garotinho e Ciro, levando o Tucano a disputar o segundo turno com Lula. Só que desta vez não deu para emplacar uma vitória ao PSDB, já que a diferença a favor do PT era desproporcional. Lembranças postas em dia voltemos a "decifrar" o mecanismo da urna roubotrônica, esta que é uma "criatura" singular em todo planeta, não existindo nada similar nos países pioneiros em informatização do sistema eleitoral como os EUA, Alemanha e Japão. A formatação da urna eletrônica brasileira é a única que não permite nenhum tipo de aferição física do voto do eleitor, deixando exclusivamente a cargo de um programa (software) a totalização do resultado final de cada seção eleitoral. Se em uma situação experimental reunirmos cem eleitores de uma urna eletrônica, sendo que 60 afirmem terem votado eletronicamente em Dilma e os outros 40 em Aécio, mas o resultado apontar exatamente o inverso seria somente a "palavra" dos eleitores contra o veredito do programa (software). No mecanismo da urna eletrônica não há a menor chance de contestação do resultado por parte do eleitor, já que seu voto é apenas virtual. Em outros sistemas eletrônicos de votação, cada registro do voto virtual deve necessariamente ter um correspondente físico discriminado o nome ou número do eleitor e sua cédula perfurada com a escolha de seus candidatos, feita a leitura eletrônica da cédula esta vai para um depósito lacrado que pode ser aferido e comprovado ao menor indício de fraude. No Brasil a suposta "modernidade" eleitoral está a serviço do controle da soberania popular por parte das oligarquias políticas dominantes, que detém o mando dos TRE's com a indicação de desembargadores de sua estreita confiança. É bem verdade que a fraude eleitoral em curso no país é um processo mais profundo do que apenas a urna roubotrônica, envolvendo o controle restrito da totalização regional/nacional de votos, os "institutos" de pesquisa e, por fim, o próprio financiamento bilhardário das principais campanhas, isto sem falar é claro da manipulação política exercida pelos monopólios da mídia corporativa. Agora que a "criatura" trocou de dono, servindo ao arco político burguês comandado pelo PT, os Tucanos "descobriram" que a urna eletrônica é falha no aspecto da aferição do voto... Porém seu "remédio" para o "mal" estimulado por eles mesmos parece estar bem longe de qualquer "lisura" do processo eleitoral... Passando não pela substituição da urna eletrônica mas pela troca dos ministros do TSE e STF...

sexta-feira, 31 de outubro de 2014


“3º turno Dilmista”: Depois do sepultamento dos “Conselhos Populares”, foi a vez do Plebiscito da Reforma Política sucumbir à chantagem do PMDB

Logo após a “base aliada”, sob o comando do PMDB, derrotar na Câmara dos Deputados o projeto dos chamados “Conselhos Populares”, foi a vez de Renan Calheiros, presidente do Senado (cujo filho foi eleito governador de Alagoas apoiado por Dilma e Lula) declarar que não há acordo para que seja convocado um “Plebiscito da Reforma Política”, como defendeu a presidente reeleita em seu discurso no ato da vitória na noite de 26 de Outubro. Renan afirmou “Defendo a superação das divergências e também reitero minha defesa pela reforma política como o fiz desde sempre e, em especial, em 2013, após as manifestações cívicas. Entendo, entretanto, que o melhor caminho é o Congresso Nacional aprovar a reforma - caso contrário poderá pagar caro pela omissão – e submetê-la a um referendo popular, como fizemos na proibição de venda de armas e munições” (G1, 27.10). Diante da “resistência” dos aliados burgueses, que são a base de sustentação do governo da frente popular no parlamento, a CUT saiu em defesa da proposta e convocou um ato político em São Paulo “Por uma reforma política com participação do povo” onde afirma “Movimentos vão às ruas no dia 4 de novembro para cobrar do Congresso um plebiscito oficial para convocar a Constituinte Exclusiva e mudar o sistema político”. Como se observa, a “disputa” se dá no marco de escaramuças de como funcionará o regime político burguês e não se vê no horizonte nenhuma medida popular que possa de fato mobilizar os trabalhadores contra o avanço da reação burguesa e os ataques as conquistas operárias, já em curso com o aumento dos combustíveis prevista para os próximos dias! Pelo contrário, Dilma já aceitou a “sugestão” de Renan de que a discussão seja feita via referendo (para que Congresso controle totalmente qualquer mudança cosmética) e se dedica ao que de fato importa as classes dominantes: a escolha de um ministério que contemple as exigências dos rentistas e grandes empresários! O que estamos presenciando é o total “enquadramento” da Frente Popular pelos setores mais conservadores da burguesia, colocando por terra qualquer ilusão disseminada durante as eleições de que o governo do PT pudesse empalmar um mínimo contraponto a reação burguesa!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014


Aumento dos juros e Trabuco no novo ministério, Dilma agradece aos rentistas sua reeleição 

Não se passaram nem 72 horas de sua recondução ao Planalto e Dilma já sinaliza claramente o que pretende dar continuidade em sua nova gerência do Estado burguês: a política de subordinação do país diante do capital financeiro! Logo na reta final do segundo turno, a semelhança do que havia ocorrido no primeiro, a equipe econômica palaciana decide ceder a chantagem do mercado cambial e ordena uma forte compra de Dólares pelo Banco Central, fazendo com que a moeda norte-americana atinja a maior cotação dos últimos cinco anos. Na sequência após a vitória eleitoral sobre o Tucanato, o COPOM determina a elevação da taxa de juros, retomando a escalada ascendente da SELIC. Para acalmar o "mercado" que anda muito "nervosinho" com o triunfo do PT, Dilma manda seus marqueteiros boatarem a nomeação do presidente do BRADESCO, Luiz Trabuco, para seu novo ministério. Os incautos que apoiaram "criticamente" Dilma para evitar a hegemonia dos "duros neoliberais" no Brasil, agora devem responder a seguinte questão: votar no PT impede ou avança a ofensiva do capital financeiro sobre as conquistas operárias da população? Em que medida traficar a ilusão no movimento de massas de que a direita prepara um golpe contra um governo tão alinhado aos rentistas internacionais eleva a capacidade de resistência do proletariado contra a burguesia? Deixemos que o arco reformista "crítico" ao governo Dilma mas que atenderam ao apelo eleitoral do PT supostamente contra a ameaça da direita, como o PSOL, Prestistas, PCR etc.., respondam esta questão (talvez pensassem que o drogado Lobão e os "sertanojos" pudessem encabeçar o putsch fascista). Quanto a genuína vanguarda classista, que não se deixou seduzir pelo engodo do voto útil, o momento é de organizar a ação direta contra as duas alas do neoliberalismo e que após o circo eleitoral agora estão bem unidas no ataque dos capitalistas aos trabalhadores. Ao que parece o "golpe" da direita veio mesmo pelas mãos da "esquerda", porém não se trata de um golpe de estado e sim de um verdadeiro estelionato eleitoral!

terça-feira, 28 de outubro de 2014


Eleição no Uruguay vai para um polarizado segundo turno, mas seguindo a "receita" de estabilidade social que a burguesia encaminhou no Brasil

As eleições presidenciais no Uruguay serão decididas em um acirrado segundo turno em 30 de novembro, com o candidato da Frente Ampla (FA) Tabaré Vázquez disputando a vaga de gerente dos negócios da burguesia com Luis Lacalle Pou, do direitista Partido Nacional. O 3º colocado no pleito deste domingo, 26 de Outubro, Pedro Bordaberry, acaba de declarar apoio a Lacalle, ou seja, a “oposição conservadora” está unida contra a “esquerda”. As pesquisas após o primeiro turno indicam Tabaré com até 46% de vantagem contra a “direita”. Como se observa no Uruguay, não apenas a data da disputa foi a mesma das eleições no Brasil, mas também a burguesia e o imperialismo estão impondo idêntica receita política que ditou na reeleição de Dilma Rousseff. Como no país vizinho não há a possibilidade da reeleição, a FA trocará o governo do social-populista Mujica pelo neoliberal de esquerda Tabaré, muito mais afinado com os “ajustes” que exigem a classe dominante nativa e os rentistas. Como a LBI alertou previamente, o ciclo de governos da “centro-esquerda” burguesa está em estágio de extrema fadiga na América Latina e a vitória apertada tanto de Dilma como a previsível recondução da FA ao governo central por uma pequena margem de votos são a antessala de futuras gestões de corte mais conservador no continente.  Assim como aqui, não há no Uruguay nenhum perigo de “golpe da direita” ou “ameaça fascista” como advogam alguns impressionistas no arco da frente popular nos dois países, porque tanto Dilma como Tabaré são gestores testados pela burguesia na aplicação da receita neoliberal no comando do Estado burguês. 

domingo, 26 de outubro de 2014


Quarta "gerência" estatal consecutiva revela plena confiança da burguesia nacional no PT

Acaba de sair o resultado oficial das eleições presidenciais dando a vitória para a candidata do PT, Dilma Rousseff. Como a LBI já havia prognosticado com bastante antecedência, a comandante da Frente Popular foi eleita em uma acirrada disputa com o PSDB neste segundo turno, dividindo politicamente o país entre apoiadores de "esquerda versus direita". Porém os que acreditaram que esta polarização poderia conter algum conteúdo de classe ou pelo menos uma substantiva diferenciação programática, devem ter se decepcionado logo no primeiro pronunciamento da presidente reeleita, quando fez absoluta questão de reafirmar que não possuía divergências de fundo com seu adversário Tucano, conclamando a reconciliação do Brasil. O triunfo consecutivo de Dilma se deveu fundamentalmente ao apoio que setores de peso da burguesia nacional (empreiteiras, agronegócio, JBS, Bradesco...) optaram por "depositar" no PT, tendo como fiança a aprovada gerência neoliberal do Estado capitalista. Nossa caracterização se confirmou plenamente não como uma mera “aposta” aleatória mas como parte de uma fina análise marxista de realidade nacional apontando que os grandes grupos econômicos estavam pela continuidade do PT no comando do governo central como parte da política de garantir os lucros dos capitalistas em um ambiente de relativa estabilidade política imposto pelo pacto social implícito construído pela Frente Popular. Logo depois da realização do primeiro turno, em artigo elaborado em 06 de outubro, já no título reafirmávamos nossa projeção “Fraude eletrônica leva Aécio ao segundo turno para retardar vitória do PT”. Nele declaramos “Apesar de mantermos a caracterização que a frente popular deve ganhar esta apertada disputa, desde já alertamos que será uma ‘guerra’ intestina renhida porque a burguesia e o imperialismo querem um mandato frágil do PT para fazer sua transição segura a um eixo conservador sólido em 2018”. Enquanto grupos revisionistas apontavam cada vez mais o perigo do “golpe da direita” para advogar o “voto crítico” em Dilma, a LBI pontuava durante a campanha do segundo turno justamente o contrário. Em artigo de 15 de outubro denunciamos que “Apesar da ofensiva da 'nova' direita (PSDB, PSB e REDE) contra o PT, Dilma ainda mantém o apoio da maioria da burguesia nacional”. Por fim, na véspera do returno, quando publicação imunda da Veja tentava jogar sua última cartada para impedir a vitória petista, nossa corrente trotskista foi categórica em mostrar a inviabilidade da manobra. Em artigo intitulado “Tentativa de golpe eleitoral da VEJA não colou em função do suporte de Dilma nas frações mais expressivas da burguesia nacional” (25/10) alertamos que os Civitas estavam isolados em sua sanha golpista porque o grosso da burguesia se perfilava em torno da “gerente” e, inclusive, prognosticamos a própria diferença de votos entre a candidata do PT e do PSDB: “Como um prognóstico eleitoral para este domingo, crivamos uma diferença de 1 ou 2% em favor de Dilma, provavelmente no resultado mais apertado de toda a história republicana. A campanha petista cresceu neste segundo turno entre os setores mais explorados da população diante da ofensiva reacionária e xenófoba dos Tucanos. Porém o PT está muito distante de representar minimamente os interesses sociais dos oprimidos, os vínculos programáticos estabelecidos com a burguesia neste últimos quinze anos são bastante sólidos e vão além de qualquer período eleitoral”. Os resultados oficiais divulgados a poucos minutos pelo TSE (51,62% x 48,38%) crava justamente esta diferença, cuja previsão não foi produto de nenhum exercício de “futurologia” mas da caracterização marxista de que a burguesia e o imperialismo necessitavam desta disputa acirrada com o PSDB para manter o PT ainda mais refém de suas ordens. Toda nossa análise se pautou também na leitura de que qualquer apoio por mais “crítico” a Dilma significava o fortalecimento de um bloco político e social policlassista que se sustenta na política de colaboração de classes, que não esteve ameaçada de uma investida fascista porque não havia nenhum ascenso revolucionário que obrigasse setores da classe dominante a lançar mão desta medida. A aceitação passiva da derrota por parte de Aécio Neves e do PSDB, apesar da pequena margem de votos que levou a sua derrota, é mais uma prova concreta do que afirmamos. Agora a “valente Dilma” da campanha eleitoral dará lugar a uma gerente reacionária que levará a cabo os “ajustes” e ataques tão exigidos pela burguesia e o imperialismo, não dando qualquer guinada “a esquerda” como demagogicamente apregoam setores da Frente Popular e seus apoiadores de última hora, dentro e fora do PSOL.

sábado, 25 de outubro de 2014



Dilma e Aécio juntos no "repúdio veemente" ao direito da livre manifestação da militância contra a imundice da VEJA

Quando se trata de reprimir as livres manifestações do movimento de massas contra as forças fascistizantes sempre encontramos bem unidos "progressistas e reacionários", defendendo  o "sagrado direito" de propriedade da burguesia. Este foi o caso de Aécio e Dilma diante da manifestação ocorrida na noite da última sexta-feira (24/10) em frente a sede da editora Abril em São Paulo. O ato político de repúdio a mais recente publicação da máfia dos Civitas foi convocado pela UJS, contando com a participação de vários militantes da juventude do PT, transcorreu pacificamente e foi finalizado com algumas pichações em via pública ou em placas da editora que se encontravam na parte externa da sede. Se no palco institucional a edição da VEJA ficou completamente isolada, sendo inclusive obrigada pelo TSE (por decisão unânime) a publicar em seu site um direito de resposta do PT, não ocorreu o mesmo em relação a justa manifestação da militância da UJS, taxada pela mídia corporativa de um "ataque bárbaro a liberdade de imprensa". Não demorou muito para que os noticiários da Rede Globo dessem ampla cobertura na cínica condenação ao "brutal vandalismo" organizado por "apoiadores da candidatura Dilma". Logo se formou uma cadeia de solidariedade aos "indefesos" Civitas, ameaçados pelos "perigosos" militantes que portavam alguns sprays de tinta. Como era de se esperar o candidato Tucano saiu com a seguinte pérola da reação: “Assistimos ontem e hoje a um atentado contra a democracia, contra a liberdade de expressão", porém Dilma não ficou muito atrás: "Isso é uma barbárie, não deve ocorrer. Deve ser proibido. Só podemos aceitar atos pacíficos. Não se faz um país civilizado dessa forma". A identidade dos dois candidatos só não é maior do que o cretinismo contido nas declarações, por acaso só as  empresas podem se manifestar através da força do seu capital, será que as manifestações do povo nas ruas devem ser consideradas como "atentado contra a democracia"... só se for a democracia dos ricos! Para nós não é surpresa alguma a conduta política similar do PT e PSDB no que tange a repressão aos movimentos sociais, não foi diferente no início "Jornadas de Junho" quando o MPL foi brutalmente atacado pela polícia tucana de São Paulo, recebendo o pleno aval do governo Dilma que ofereceu a PF para auxiliar o fascista Alckmin. Frente a detenção dos militantes da UJS e a sórdida campanha contra o direito de manifestação pública, exigimos a liberdade imediata dos "presos da Abril", assim como convocamos a o movimento de massas a protagonizar um amplo repúdio ao cartel da mídia "murdochiana". O que está em jogo neste momento ultrapassa o resultado eleitoral deste domingo, onde as duas alas da burguesia (ganhe Dilma ou Aécio) pretendem recrudescer ainda mais as parcas liberdades de organização e manifestação conquistadas na luta contra o regime militar.

Tentativa de golpe eleitoral da VEJA não colou em função do suporte de Dilma nas frações mais expressivas da burguesia nacional

O campo militante de apoio político mais ativo da candidatura Dilma esperava que nesta reta final de campanha se repetissem fatos semelhantes aos ocorridos em 89, quando a burguesia preparou uma sequência de armações pesadas contra Lula, incluindo até mesmo acusação de sequestro na véspera do dia da eleição. A publicação da última edição do esgoto VEJA, antecipada para circular nesta sexta (24/10), parecia indicar a repetição de um golpe eleitoral, semelhante ao acontecido 25 anos atrás. Esta edição "extra" da imunda VEJA traz uma suposta revelação do doleiro Beto Youssef onde acusa Dilma e Lula de estarem sabendo da atuação criminosa do ex-diretor da PETROBRAS Paulo Costa. A grande expectativa do campo de "esquerda" era que o Jornal Nacional desse enorme repercussão as "denúncias" da VEJA, aliás como sempre feito, não deixando tempo hábil para o PT articular uma resposta, já que horário eleitoral gratuito acabou na própria sexta. Acontece que apesar de algumas semelhanças com a polarizada campanha de 89, o PT não "assusta" mais a burguesia, muito pelo contrário, sua gerência a frente do Estado burguês potencializou enormes lucros e novos mercados para as classes dominantes, e desta vez a tentativa de terrorismo eleitoral da VEJA não recebeu a chancela nem mesmo da famiglia Marinho, que determinou aos seus editores do JN que desconhecessem as "denúncias". Esta conduta das Organizações Globo, que continua apoiando a candidatura Tucana, é coerente com a manipulação dos resultados apresentados pelos "institutos" de pesquisa, também controlados pelo clã Marinho. No último levantamento do IBOPE/ GLOBO Dilma aparece com uma vantagem de oito pontos sobre Aécio, o que nos parece ser uma determinação política mais geral da burguesia, para além dos interesses corporativos da GLOBO. Sem o respaldo do JN restou a Aécio inserir a sujeira da VEJA em seu programa eleitoral e no próprio debate ocorrido na noite de sexta, resultando em um verdadeiro tiro no seu próprio pé naquilo que poderia ser a "bala de prata" do Tucanato para derrotar o longo ciclo de "poder" do PT.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Dilma e Aécio, duas faces da ofensiva burguesa contra os trabalhadores!

A cada dia que se aproxima o 26 de Outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, novos aderentes ao “voto crítico” em Dilma aparecem. Desde os parlamentares do PSOL até grupos revisionistas que “juram” fidelidade ao trotskismo, passando por “intelectuais de esquerda” que esgrimam alarmados o perigo da “ameaça fascista”... todos em uníssono somam-se a cantilena de que para derrotar eleitoralmente o tucanalha Aécio é necessário estabelecer uma ampla frente política em defesa da reeleição da “gerentona” petista. Ao lado dessas “viúvas arrependidas”, temos em apoio a Dilma ninguém menos que os representantes das grandes empreiteiras do país, o presidente do maior banco privado nacional (Bradesco), o rei da soja “Maggi” e o principal investidor privado do Brasil, Abílio Diniz, além é claro das principais oligarquias arqui-reacionárias (Ferreira Gomes, os Sarney, Renan Calheiros, os Barbalho...). Estamos vendo a olhos vistos o fenômeno da “Frente Popular” ao vivo e a cores mostrar sua verdadeira face em nosso país! Em toda a sua amplitude conforma-se um arco político policlassista que advoga o “mal menor” para derrotar a direita. Enquanto isso, todas, literalmente todas as campanhas salariais do país são derrotadas uma a uma e mesmo abortadas em seu início (bancários, correios) para não polarizar “por baixo” o circo eleitoral da democracia dos ricos. Estranha “disputa com a direita” em que a classe operária e os “movimentos sociais” só se fazem presentes em passeatas eleitorais representadas por seus dirigentes sindicais liberados ou em eventos financiados pelas “doações” dos capitalistas onde comportadamente esta burocracia venal declara apoio a candidata do PT para derrotar o PSDB. Definitivamente, apesar de toda a pressão, a LBI não faz parte desta “grande família” reformista e denuncia que não há nenhum perigo de um golpe de estado iminente e, muito menos, de uma ação fascista contra a vanguarda operária que justifique qualquer apoio por mais “crítico” que seja ao PT, recursos usados por setores da burguesia para golpear o proletariado em época de ascenso revolucionário, o que não é o caso do que ocorre aqui no Brasil atualmente, como foi em 1964. Pelo contrário, tudo indica (até os “Institutos de Pesquisas”!), como a LBI prognosticou há vários meses atrás, que a burguesia nativa deixará que a gerência da Frente Popular se mantenha por mais quatro anos para fazer os “ajustes” necessários para a transição para um eixo político mais conservador em 2018 que tenha a cabeça o Opus Dei Alckmin.