sábado, 20 de julho de 2019

ATAQUE XENÓFOBO DO NEOFASCISTA: UMA INGRATIDÃO POLÍTICA DE BOLSONARO COM OS GOVERNADORES “DE PARAÍBA” QUE APOIARAM O FIM DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA 


Parece que a “ingratidão” política vem se tornando a marca da conjuntura nacional, primeiro foi a prisão política do ex-presidente Lula, que não se cansou de afirmar que nunca entendera a “ingratidão” sofrida por ele por parte da burguesia financeira que tanto se beneficiou na década dos governos de Frente Popular. A “ingratidão” desta vez partiu do neofascista Bolsonaro, que em um verdadeiro ataque reacionário de xenofobia, deixou-se ser gravado em áudio, vomitando preconceitos contra o povo nordestino. Se dirigindo ao seu capataz Onix Lorenzoni, Bolsonaro ordenou que: “Dos governadores de ‘Paraíba’, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara". Uma indicação “seletiva” sobre as distribuições de verbas estatais comandada pela Casa Civil. Mais além de utilizar o orçamento público para discriminar os gestores da oposição burguesa, Bolsonaro vociferou seu racismo contra os governadores do Nordeste que tanto lhe ajudaram na Câmara para a aprovação da famigerada (contra)reforma da Previdência. Inclusive o próprio “comunista” Flávio Dino, atacado por Bolsonaro “como o pior”, foi um dos governadores que mais forneceu votos para o fim da Previdência, da bancada maranhense de 18 deputados federais 14 votaram pela aprovação da (contra)reforma. É a demonstração clara da indigência política a que pode chegar este governo neofascista. Em resposta as barbaridades de Bolsonaro, os governadores do Nordeste logo emitiram uma tênue nota, onde se esquivam de lançar um combate frontal a este vil ataque xenófobo contra a sua própria população, afirma o comunicado: “Nós governadores do Nordeste, em respeito à Constituição e à democracia, sempre buscamos manter produtiva relação institucional com o Governo Federal. Independentemente de normais diferenças políticas... Recebemos com espanto e profunda indignação a declaração do presidente da República transmitindo orientações de retaliação a governos estaduais, durante encontro com a imprensa internacional. Aguardamos esclarecimentos por parte da presidência da República e reiteramos nossa defesa da Federação e da democracia”. Não há uma única frase dos governadores para combater o racismo fascista deste governo, somente preocupação com uma possível “retaliação” financeira por parte do regime golpista. Como Marxistas Revolucionários sabemos que o racismo e xenofobia são elementos intrínsecos das classes dominantes, independente da região que habitam, por isso não nos estranha esta covarde reação da oposição burguesa, incapaz de colocar-se como uma alternativa revolucionária diante da ofensiva fascista em pleno curso no país. Somente a luta do proletariado e seus aliados históricos de todas as regiões e etnias poderão pôr um fim à barbárie capitalista que hoje ameaça todos os povos do planeta.


LEIA A MAIS RECENTE EDIÇÃO DO JORNAL LUTA OPERÁRIA Nº 337, 2ª QUINZENA DE JULHO/2019


EDITORIAL
Ataques neoliberais de Bolsonaro em toda linha e paralisia imposta pela Frente Popular... Trabalhadores precisam romper esse “pacto” de colaboração de classes!

A FARSA DA “LAVA JATO”
A República de Curitiba e seus “procuradores” de capital

BOLSONARO INDICA FILHO PARA EMBAIXADA NOS EUA
Mais que simples nepotismo, é uma tentativa de articular a “Internacional Fascista” na América Latina

“FUTURE-SE” DE WEINTRAUB É AMPLIAÇÃO PARA O ENSINO PUBLICO SUPERIOR DO MODELO PRIVATISTA DA EBSERH CRIADA POR LULA
Nossa resposta deve ser a convocação da greve geral em agosto, rompendo com a paralisia da UNE/CUT!

APÓS A “RESSACA” DA DERROTA
Oposição burguesa ainda tem a “cara de pau” de comemorar a destruição da previdência...

CÂMARA APROVA DESTRUIÇÃO DA PREVIDÊNCIA
Frenesi do mercado e rentistas, Frente Popular fez seu teatro de oposição “azeitando” a máquina neofascista do capital...

CRETINA POLÍTICA DE ACREDITAR NAS INSTITUIÇÕES GOLPISTAS
PT, PSOL e PCdoB pretendem derrotar na câmara dos deputados o fim da previdência pública

FRENTE POPULAR
Uma estratégia de derrotas anunciadas diante das (contra)reformas neoliberais...

FUSÃO COM O PPL
PCdoB pagou mas não “recebeu a encomenda”... ex-MR8 continua defendendo a prisão de Lula e seu único deputado votou com Bolsonaro na (contra)reforma da destruição da previdência pública

PCDOB
Ex-Stalinistas que se converteram em legenda de aluguel da burguesia... hoje abrigam oligarcas e até estupradores

MANIFESTO AO 57º CONGRESSO DA UNE
Por uma greve nacional da educação para derrotar os ataques do fascista Bolsonaro contra os direitos dos trabalhadores e da juventude! Romper com a paralisia imposta pela frente popular (PT, PCdoB e PSOL)! Em defesa da revolução socialista para acabar com toda forma de exploração e opressão de classe e gênero!

TRIUNFO NA COPA AMÉRICA
O escrete canarinho da escória

HÁ 39 ANOS NOS DEIXAVA VINICIUS DE MORAES
O poeta que transitou da abstração estética do belo para uma arte comprometida com a transformação social

12 DE JULHO DE 1904, NASCIA PABLO NERUDA
A trajetória do genial poeta chileno que apesar de toda sua radicalidade artística não conseguiu romper com a política de colaboração de classes do stalinismo

MORRE JOÃO GILBERTO
O mestre da música “vazia” da classe média urbana carioca que encantou o mundo...

25 ANOS DO ATENTADO A AMIA NA ARGENTINA
Partido Obrero, dirigido na época por Jorge Altamira, convocou a solidariedade com os sionistas apresentando o gendarme assassino de Israel como uma semicolônia ianque

HÁ 40 ANOS DA REVOLUÇÃO SANDINISTA
Encerrado o ciclo histórico da tomada do poder pelos reformistas armados na América Latina

ELEIÇÕES NA GRÉCIA
Syriza, o “farol” programático do PSOL... pavimentou o retorno da direita ao aplicar no governo o ajuste neoliberal exigido pela troika imperialista

“COLETES NEGROS” OCUPAM PARIS...
Enquanto os “Amarelos” deixam a cena política após terem votado massivamente na direita fascista de marine Le Pen

8 ANOS DO BLOG DA LBI
A principal referência jornalística da esquerda Marxista no Brasil com análises diárias dos principais fatos da luta de classes

sexta-feira, 19 de julho de 2019

HÁ 40 ANOS DA REVOLUÇÃO SANDINISTA: ENCERRADO O CICLO HISTÓRICO DA TOMADA DO PODER PELOS REFORMISTAS ARMADOS NA AMÉRICA LATINA


40 anos após o triunfo da Revolução Sandinista, vemos encerrado o ciclo da tomada do poder pelas guerrilhas reformistas da América Latina. Essa realidade comprova que somente a construção de um autêntico partido Marxista-Leninista de massas guiado por um programa comunista pode ser uma alternativa revolucionária concreta à ofensiva neoliberal contra o proletariado do continente nos dias atuais. Comprou-se política e historicamente o ocaso das guerrilhas reformistas, com a FSLN, que há exatos 40 anos, em 19 de julho de 1979, entrou com suas colunas em Manágua, consolidando a vitória da revolução popular sandinista sob o comando de Daniel Ortega, na época um movimento insurrecional responsável por quebrar a espinha dorsal do Estado burguês, derrotando e destruindo o exército nacional bancado pelos EUA. Dias antes, vendo que a derrota era inevitável, o ditador Somoza fugiu para Miami, tendo o abrigo do imperialismo ianque então sob a gestão “democrática” do presidente Cárter. Em comemoração a esta data histórica analisamos neste artigo minuciosamente tanto a vitória da revolução naqueles memoráveis dias como sua derrota pela via eleitoral quase duas décadas depois devido a política democratizante de sua direção pequeno-burguesa. A Revolução Sandinista foi a última insurreição popular armada vitoriosa a derrotar um governo títere do imperialismo, mas a política da direção reformista estrangulou todas as perspectivas de construir um Governo Operário e Camponês e tornar a Nicarágua um Estado operário em extensão para toda a América Central. Atualmente convertida a um partido da centro-esquerda burguesa e paladina do já falido “Socialismo do Século XXI”, a FSLN voltou a governar o país de pela via eleitoral e de forma completamente adaptada a democracia burguesa, sem grandes conflitos com o imperialismo ianque. Abstrair as lições programáticas dessa derrota em nossos dias é fundamental para a vanguarda militante combater a lógica reformista aplicada na Nicarágua já no final dos anos 80, onde o Sandinismo entregou a revolução em uma eleição burguesa em que previamente estava derrotado pela direita pró-ianque. Após vários anos dessa entrega sem luta, o Sandinismo retornou ao governo nacional pela via eleitoral, porém o regime da Nicarágua já não tem nenhum traço das conquistas revolucionárias de 1979. A melhor forma de comemorar o triunfo revolucionário de julho de 1979 é combater vigorosamente o imperialismo sem abrir mão da ácida crítica programática marxista a esquerda reformista como a FSLN. Este arco político defensor da colaboração de classes ressalta a democracia como valor universal e apresenta o respeito às urnas como “sagrado”, utilizando inclusive esse móvel programático para defender, por exemplo, a política de colaboração de classes da Frente Popular (PT) e aconselhar o PSUV de Maduro na Venezuela a seguir a mesma trajetória de capitulação da FSLN na Nicarágua. Para entender esse rico processo vamos abordar desde a gênese do Sandinismo, seu ascenso e derrota até o atual retorno de Daniel Ortega a presidência do país sem representar qualquer ameaça ao domínio da Casa Branca no continente centro-americano.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

FUSÃO COM O PPL: PCdoB PAGOU MAS NÃO “RECEBEU A ENCOMENDA”... EX-MR8 CONTINUA DEFENDENDO A PRISÃO DE LULA E SEU ÚNICO DEPUTADO VOTOU COM BOLSONARO NA (CONTRA)REFORMA DA DESTRUIÇÃO DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA


A já consumada “fusão” entre as organizações ex-stalinistas PCdoB e PPL (antigo MR8), deve entrar para a história da esquerda mundial como um dos fatos mais folclóricos de “picaretagem” política, protagonizado por dois partidos de trajetória guerrilheira mas que desgraçadamente se transformaram em “empresas” da política burguesa, com todo o “metiê” de como lucrar mais no marco das benesses do Estado capitalista. Com o escore de apenas nove deputados, o PCdoB sofreu um forte revés eleitoral em 2018, não passando pela cláusula de barreira, isto apesar de ter ocupado a vaga de vice de Fernando Haddad (PT) e de todas as alianças oportunistas que celebrou nos estados, inclusive com o PSDB para conseguir reeleger seu governador no Maranhão. Ameaçado de perder a milionária verba estatal do Fundo Partidário, que para ser justo não é só uma “prioridade máxima” dos ex-stalinistas mas também de toda a esquerda reformista integrada ao regime como o PSOL, PCO e até mesmo o PSTU, o PCdoB foi em busca de “alternativas” para escapar da “falência comercial”. Logo surgiu o aceno do PPL, que nas eleições passadas conseguiu a muito custo eleger um único deputado federal, e por isso mesmo com a nova legislação em vigor estava ameaçado de ver acontecer uma drástica redução de sua verba partidária. O único parlamentar do PPL que passou a valer “milhões” para o PCdoB, totalizaria uma bancada de dez deputados na Câmara, tornando assim cumprida a cláusula da barreira imposta pelo TSE. Registre-se o absurdo que para a Direção do PCdoB perder a verba do fundo partidário configuraria quase uma situação de volta “clandestinidade”, escandalosamente dito pela boca de um dos seus principais dirigentes: “Sem grande parte dos seus recursos financeiros e com menor possibilidade de comunicar-se com um amplo público, estaria condenado a permanecer nesse mesmo lugar, podendo mesmo cair numa situação de semilegalidade” (Augusto Buonicore, site Vermelho). Não tardou muito e o “acerto” com o PPL foi finalizado, o ex-MR8 ingressaria “organicamente” no PCdoB que dividiria proporcionalmente entre as duas organizações a grana obtida do Fundo Eleitoral. Anunciada a “fusão histórica”, não demorou muito para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia apoiado pelo PCdoB reconhecer a nova bancada e o próprio TSE legalizar a “incorporação” do PPL, retornando assim para as mãos do ex-stalinistas o milionário fluxo de caixa do Estado Burguês. Acontece que o MR8 , desde que renunciou ao Marxismo em 1982, jogando na lata do lixo uma das mais valentes histórias da esquerda guerrilheira internacional, para constituir-se como tendência interna do MDB, vem aprofundando sua linha programática no campo da reação, primeiro como tropa de choque do corrupto ex-governador Orestes Quércia e depois já na fase da nova legenda PPL, como ponta de lança da famigerada “Lava Jato” concedendo suporte político de “esquerda” para as ações reacionárias do justiceiro fascista Sérgio Moro. Já o PCdoB que tem em comum com PPL o abandono da teoria Leninista, apesar de ainda manter formalmente o símbolo comunista da “foice e martelo”, trilhou a vereda da Frente Popular de colaboração de classes desde que assumiu a defesa da candidatura de Lula em 1989. Nos últimos trinta anos o PCdoB seguiu nacionalmente a reboque da política PT, inclusive abraçando as teses da Social Democracia, desde a queda do Estado Operário da Albânia. Com a morte de João Amazonas no início de 2002, o PCdoB voltou a se alinhar com a China, antes caracterizada como centro revisionista do Social Imperialismo e agora em plena fase de restauração capitalista seu regime econômico é considerado como “um autêntico socialismo”, o que deve ter causado “tremores no túmulo” do velho dirigente. Porém para os objetivos “comerciais” da fusão, pouco importava se o PCdoB estava agitando o “Lula Livre!”, e o PPL fazendo a grotesca apologia do “Lula é ladrão, que apodreça na prisão!”, com promessas de “mediação” de ambos os lados o acordo foi facilmente firmado... Mas justamente a única questão que não podia “furar” no pacto entre os ex-stalinistas era a obtenção do piso necessário para o registro da bancada parlamentar, e foi neste ponto que o amálgama “azedou”. O deputado federal eleito pelo PPL da Bahia, Uldurico Júnior, não passou nem um mês no “PCdoB fusionado”, se transferiu de malas e bagagens para uma legenda de aluguel da direita, o PROS, e ainda por cima foi “ganhar o seu” no curral do governo Bolsonaro, votando na (contra)reforma da destruição da Previdência Pública. Para quem já conhecia Uldurico, nenhuma surpresa, um filhote de oligarca com passagens anteriores pelo PTC e PV. Mas a “quebra de contrato” não para por aí, o ex-MR8 continua a editar seu histórico jornal “Hora do Povo” (quem de esquerda não se lembra das “famosas” manchetes do HP), e que mesmo após as revelações da “Vaza Jato” mantém a defesa incondicional dos bandidos da “República de Curitiba” (ver fac-símile da recente capa do HP). Não sabemos ainda se o PCdoB irá pedir a “devolução” do que “pagou” ao PPL e não “recebeu”, a única certeza que temos é que este caso de “fusão ou incorporação” das duas correntes de origem stalinista entrará para a história da esquerda como o episódio do maior estelionato político ocorrido no século XXI.
25 ANOS DO ATENTADO A AMIA NA ARGENTINA: PARTIDO OBRERO, DIRIGIDO NA ÉPOCA POR JORGE ALTAMIRA, CONVOCOU A SOLIDARIEDADE COM OS SIONISTAS APRESENTANDO O GERDAME ASSASSINO DE ISRAEL COMO UMA SEMICOLÔNIA IANQUE


Hoje fazem 25 anos do atentado a AMIA (Associação de Ajuda Mútua aos Judeus) ocorrido na Argentina em 18 de julho de 1994. Esta data marca também a escandalosa política do Partido Obrero, na época dirigido por Jorge Altamira, de capitulação vergonhosa ao sionismo. Altamira, hoje afastado da direção do próprio partido que fundou por uma nova camarilha ultra-revisionista dirigida por Nestor Pitrola, Romina del Plá e Gabriel Solano, está apenas colhendo o que plantou com sua política que rompe com as tradições Trotskistas. O histórico do PO desde o atentado da AMIA vai desde a solidariedade com os sionistas na Argentina até a apresentação do gerdame assassino de Israel como uma merca colônia explorada pelos EUA. A LBI denunciou no artigo “A Questão Palestina a Queima Roupa” (Novembro de 1995), a posição pró-imperialista assumida pelo PO, neste texto pontuamos que após o atentado à AMIA em Buenos Aires no ano de 1994, o PO não só compareceu, como também convocou, entusiasticamente, em conjunto com a embaixada israelense e os sionistas portenhos, uma caminhada em apoio ao Estado de Israel, exigindo por parte do governo Menem medidas repressivas enérgicas contra os possíveis responsáveis pelo atentado, ou seja, ativistas vinculados de alguma forma a organizações que lutam contra o enclave terrorista de Israel. Longe de ser uma calúnia ou um exagero de nossa parte foi o próprio PO que reivindicou sua atitude a época “O Partido Obrero foi a única corrente de esquerda que não só participou do ato contra o atentado, mas também chamou a fazê-lo com antecipação.... No dia 20, garantimos a mobilização do nosso partido no ato, destacando a consigna: ‘a autêntica solidariedade é fazer justiça’, por sua relação com a consigna histórica ‘justiça e castigo para todos os culpados’” (Prensa Obrera, nº 424). Parece inacreditável, mas o PO e Altamira exigiram que Menem “fizesse justiça” e o criticam pela lentidão como agiu no caso. Seria possível acreditar que alguém que se diga “revolucionário” possa confiar ao Estado burguês e seus tribunais a tarefa de “fazer justiça” contra organizações ou militantes que se utilizam do método equivocado do terrorismo, como forma de luta política? A posição assumida pelo Partido Obrero no caso AMIA, gerou o repúdio da vanguarda de esquerda na Argentina, o que lhe obrigou a uma série de retificações teóricas em seu arsenal programático. Segundo Altamira, o Estado sionista de Israel não seria mais um enclave do imperialismo na região, passando agora à condição de semicolônia oprimida, da mesma forma que os outros países do Oriente Médio. Em polêmica com o MAS, vejamos qual é a afirmação do PO sobre o caráter do Estado de Israel: “Que Israel é um Estado terrorista como afirma o MAS, no Solidariedade Socialista nº 479, é uma afirmação justa, mas dentro de determinadas condições." (Prensa Obrera, nº 426) para depois concluir: "O Estado de Israel é uma nação artificialmente criada por um acordo internacional entre o imperialismo norte-americano e a burocracia russa, que nasceu como uma semicolônia ianque... É também o caso do Líbano que até 1975 foi uma colônia do imperialismo francês."(idem). É o caso mais espetacular de mudança de posição que se tem conhecimento no movimento trotskista. Israel passa a ser considerada como uma semicolônia do imperialismo ianque, igual ao Líbano ou outros países oprimidos. Desta forma, o conflito palestino versus Estado sionista torna-se um conflito de iguais. "Pena" que os palestinos não tenham recebido mais de 500 bilhões de dólares em ajuda financeira e militar do imperialismo ianque, sem falar das armas nucleares estacionadas em território israelense apontadas para as cabeças de todos os povos árabes. Quais seriam as "determinadas condições" que o Estado de Israel, após exterminar mais de cem mil palestinos e árabes em todas suas beligerâncias pela região, deixaria de ser terrorista? Cabe ao próprio PO responder aos combatentes palestinos e árabes, sendo que diferente de 1994 agora Altamira foi expulso do PO, cujos “discípulos” levaram até as últimas consequências as posições revisionistas do seu antigo “guru”, tendo aprofundado a aliança com o PTS, IS e até mesmo com o MST (ala mais à direita do revisionismo) na FIT-Unidad. Não por acaso, esses quatro agrupamentos homogeneizaram suas posições nos últimos anos em torno de uma política ultra-revisionista que em nome de uma suposta “revolução árabe” também apoiaram os “rebeldes” a serviço do sionismo na Síria, Irã e Líbano!

quarta-feira, 17 de julho de 2019

“FUTURE-SE” DE WEINTRAUB É AMPLIAÇÃO PARA O ENSINO PUBLICO SUPERIOR DO MODELO PRIVATISTA DA EBSERH CRIADA POR LULA: NOSSA RESPOSTA DEVE SER A CONVOCAÇÃO DA GREVE GERAL EM AGOSTO, ROMPENDO COM A PARALISIA DA UNE/CUT!


O governo Bolsonaro e seu capacho no MEC, Abraham Weintraub, lançou hoje mais um duro ataque contra a educação pública no Brasil. Trata-se de “consulta pública” sobre proposta de flexibilizar captação e gestão de recursos nas universidades, ou seja, privatizar as unidades de ensino superior via uma suposta “autonomia financeira”, que na verdade significa o corte de verbas e a busca de recursos no “mercado” através da chamadas “Organizações Sociais”, as famigeradas OS´s. Lembremos que esse modelo já vem sendo aplicado nos Hospitais Universitários desde o governo Lula (PT). As gestões da Frente Popular ampliaram a precarização no serviço público com a criação da EBSERH em 31 de dezembro de 2010, no último dia do governo Lula através da Medida Provisória nº 520. Essa OS é uma empresa público-privada que gerencia todos os Hospitais Universitários (HUs), onde se contrata funcionários regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e não servidores públicos, o que, em prática, ajuda a precarizar as relações de trabalho dentro dos HUs. Agora Bolsonaro e o MEC vão estender esse modelo herdado do PT para todas as universidades do país! MEC comunicou aos reitores que irá mudar as leis para permitir que as universidades possam usar “organizações sociais” para gerenciar serviços de manutenção e aplicar recursos de fundos com dinheiro privado e de receitas próprias hoje limitadas pela PEC dos tetos de gastos aprovada na gestão do golpista Temer. Ironicamente o programa neoliberal chama-se “Future-se” quando na verdade é um retrocesso para liquidar o ensino público nacional, aprofundando a dependência e colonialismo. Weintraub propõe a criação de um “Fundo do Conhecimento” que viria a ser comercializado na Bolsa de Valores, permitindo aportes de diversos tipos de investidores, ou seja, o rentismo controlaria os cursos de excelência e ganharia dinheiro com a cobrança de mensalidades, essa é o verdadeiro sentido do “investimento” proposto! Também planeja-se adotar o sistema denominado Empréstimos com amortizações condicionadas à renda futura (ECRs), nome pomposo, mas que significa a cobrança futura pelos estudos obtidos nas universidades públicas. O mecanismo funciona da seguinte maneira: a gratuidade na graduação é mantida. Contudo, após a conclusão do curso, haverá a cobrança de uma taxa por parte dos egressos que tiverem uma renda salarial acima de um patamar previamente estabelecido, funcionando como um imposto compulsório. Em uma só medida, o fascista pretende pôr fim à carreira pública de servidores federais da educação, estimulando a concorrência perversa com novos ingressos pelo sistema de contratação privada, sem qualquer garantia ou estabilidade de emprego e impor a redução drástica do financiamento da educação superior pública, aprofundando os cortes já iniciados, que alcançam não só a sustentabilidade da pesquisa e da assistência acadêmicas, mas também a infraestrutura dos serviços mais básicos e do funcionamento das instituições de educação! Frente a esse duro ataque fazemos um chamado à luta direta contra o fascista e seus cortes contra a educação pública, levando a cabo uma política independente da Frente Popular, da CUT e da UNE! Defendemos a organização em agosto de uma forte greve de todos os setores da educação que paralise as escolas e universidades de todo o país. Nessa luta não podemos nos subordinar a política de paralisia e lobby parlamentar da UNE e da UBES! Os grêmios, CAs e DCE´s além dos ativistas de base devem organizar assembleias nos locais de estudo tendo como eixo a convocação de Greve Geral por tempo indeterminado a partir de agosto! Esse é o caminho que nós defendemos na luta contra o governo Bolsonaro e sua corja de reacionários instalados no MEC que desejam destruir a educação pública em favor dos interesses do grande capital!

terça-feira, 16 de julho de 2019

PCDOB: EX-STALINISTAS QUE SE CONVERTERAM EM LEGENDA DE ALUGUEL DA BURGUESIA... HOJE ABRIGAM OLIGARCAS E ATÉ ESTUPRADORES


O escandaloso caso do prefeito filiado ao PCdoB, José Hilson de Paiva, médico da cidade de Uruburetama no interior do Ceará que estuprava e abusava sexualmente de mulheres atendidas em seu consultório é uma expressão bizarra e simbólica da completa degeneração de uma organização ex-stalinista que ao longo dos anos se converteu em uma legenda que abriga oligarcas reacionários e até mesmo políticos burgueses estupradores. Não por acaso, o fato noticiado amplamente na mídia ocorreu no Ceará onde o PCdoB é um partido controlado diretamente pela oligarquia Gomes, com seus dirigentes ocupando vários cargos e secretarias tanto no governo do Estado como na prefeitura como forma de pagamento pelos “serviços prestados” aos irmãos Ciro e Cid Gomes, hoje no PDT. Não se trata de um caso isolado em que PCdoB ganha notoriedade pelas relações podres e corruptas com a burguesia e seus políticos venais. Não é a primeira vez que a direção do PCdoB abre as portas do partido para figuras corruptas e criminosas da política burguesa, como foi o caso em 2007 da filiação do senador Leomar Quintanilha, grande latifundiário do estado de Tocantins e ex-membro da UDR. Mais recentemente, em 2014, o PCdoB ofereceu a vaga de vice-governador para o tucano Carlos Bradão (PSDB) na chapa do ex-deputado Flávio Dino no Maranhão, que foi eleito governador, em uma reunião que teve a presença como “padrinho” do acordo nada menos do que a figura do então presidenciável Aécio Neves, representante maior da escória burguesa em nosso país. A guinada socialdemocrata do PCdoB, ocorrida no início dos anos 90, o fez abandonar os pressupostos do Marxismo-Leninismo, formatando um partido de filiados sem o menor comprometimento ideológico e militante. Nesta inflexão de classe, o partido de João Amazonas passou a acolher personalidades políticas burguesas, com potencial eleitoral para “ajudar” os ex-estalinistas a ocuparem vagas no parlamento. A filiação de políticos de direita, como o prefeito estuprador José Hilson de Paiva que ingressou em 2015 ou anteriormente do pagodeiro Netinho em São Paulo que responde a várias acusações de espancamento de mulheres são exemplo da completa degeneração político-ideológica do PCdoB. Logo depois da queda do Muro de Berlim e da dissolução do Estado operário albanês no começo da década de 90, os stalinistas do PCdoB perderam completamente sua linha programática, elaborada pelo ex-maoista Enver Hoxha secretário geral do PTA. Para sobreviver em meio à crise da esquerda stalinista mundial, João Amazonas conduziu uma conversão ideológica do partido em direção à social democracia, passando o PCdoB a defender pontos que antes combatia ferozmente, como a aliança política com o PT e a entrada na CUT. Também na arena internacional houve profundas mudanças, como a defesa que o PCdoB estabeleceu em seu congresso acerca do Estado operário cubano, no sentido da apologia das “reformas de mercado”, anteriormente criticada como um prolongamento da “Glasnost” e “Perestroika” soviética. Não esqueçamos que o PCdoB foi no passado uma vertente do chamado “maoísmo de esquerda” que chegou a denunciar a URSS como “socialimperialista” e caracterizar Fidel Castro de contrarrevolucionário, para atualmente sem nenhum critério Marxista, apresentar Cuba como o novo “farol do socialismo”. O ocaso do PCdoB é, sem dúvida, produto da imensa ofensiva ideológica do imperialismo pós-queda do Muro de Berlim e destruição da URSS. Sem qualquer referência política no comunismo, sua atual direção integrou-se de mala e cuia à “democracia” capitalista, deixando de ser um partido estalinista para transformar-se numa legenda de aluguel disponível a qualquer burguês que se interessar em comprá-la. Nem mesmo o nome “comunismo” espanta a classe dominante, porque não há a menor relação ideológica entre este partido e um programa revolucionário. Os “comunistas” do PCdoB, não é de hoje, sempre estiveram a serviço da burguesia e das oligarquias regionais mais reacionárias, tanto que apoiaram Sarney, Tasso Jereissati, Collor, Jader Barbalho e Renan Calheiros já época da mal-chamada “Nova República”, o que se repete hoje sendo serviçais da Oligarquia Gomes. A política do PCdoB de aliar-se com as mais diversas frações da burguesia e a defesa das instituições do Estado capitalista não são nenhuma novidade e desnudam a total decomposição moral e política de um partido corrompido ideologicamente, plenamente adaptado ao projeto de colaboração de classes da Frente Popular. Como se vê, a legenda do PCdoB está pagando um alto preço por ser uma verdadeira “prostituta política” da burguesia. Os “Ziguezagues” programáticos do PCdoB ao longo de sua história o descredenciaram totalmente perante a vanguarda revolucionária, o respeito e admiração adquiridos com a morte heroica de seus militantes durante a Guerrilha do Araguaia e nos anos de “chumbo” da ditadura viraram pó quando o partido deliberou estabelecer as alianças conservadoras, abrigar neoliberais e filiar até mesmo oligarcas e estupradores, uma conduta podre e corrupta do ponto de vista político e ideológico que deve ser repudiada amplamente pela vanguarda classista! Tão escandaloso como o PCdoB abrigar estupradores é o silêncio completo da "esquerda" diante do fato. Grupos que se apresentam como defensores das mulheres e contra a opressão como a Resistência (PSOL), o PSTU ou mesmo o PCB que sempre polemiza com seu "rival" ex-stalinista não escreveram uma linha sobre o caso que vem sendo explorado pela mídia burguesa justamente porque envolve um partido que desgraçadamente ainda usa como símbolo a foice e martelo! 
  

segunda-feira, 15 de julho de 2019

A FARSA DA “LAVA JATO”: A REPÚBLICA DE CURITIBA E SEUS “PROCURADORES” DE CAPITAL


“Antes de darmos passos para abrir empresa, teríamos que ter um plano de negócios e ter claras as expectativas em relação a cada um. Para ter plano de negócios, seria bom ver os últimos eventos e preços”. Não é a afirmação de um comerciante que discute abrir seu próprio negócio, o que hoje o neoliberalismo qualifica como a “capacidade de empreender”. Trata-se de outro tipo Sui generis de “empreendimento”, o dos Procuradores Federais da “República de Curitiba” planejando faturar milhões de reais com as ações fraudulentas da Operação chefiada pelo ladrãozinho Sérgio Moro, batizada como “Lava Jato”.  São estarrecedores os diálogos que vieram à tona este final de semana, travados entre Deltan Dallagnol e seu colega do Ministério Público Roberson Pozzobon. Comprovam plenamente o que a LBI vinha caracterizando desde 2014, ou seja a famigerada “Lava Jato “ não passa de um movimento econômico e financeiro do imperialismo para quebrar a Petrobras e as grandes empreiteiras nacionais, com o objetivo de “abrir as reservas” do mercado brasileiro para os trustes norte-americanos. Neste sentido Deltan e sua trupe reacionária do MPF são apenas vigaristas de menor porte pretendendo amealhar fortuna pessoal com à farsa midiática promovida pela “Lava Jato”. Esta verdadeira “Quadrilha do Jabá” como já está sendo chamada a gang de Moro e Deltan, conta como o suporte  institucional do STF e também do Conselho Nacional do Ministério Público, corrompidos até à medula com dinheiro de transnacionais ianques interessadas em pilhar nosso Pré Sal e abocanhar o nincho das grandes obras estatais, hoje legalmente restritas de serem operadas somente por empresas nacionais. Estes últimos “vazamentos” revelados pelo Intercept em parceria com o jornal Folha de São Paulo, fazem parte da estratégia política do editor Glenn Greenwald(e seu entorno do PSOL) em “sangrar” lentamente a Lava Jato, porém preservando a estabilidade do regime bonapartista, para forçar uma negociação com os golpistas do STF em torno da libertação do ex-presidente Lula, preso político dos bandidos da República de Curitiba. Os Marxistas Revolucionários não comungamos da estratégia do PSOL, convertido em apêndice da política de colaboração de classes da Frente Popular, mas obviamente como pioneiros das denúncias contra a Lava Jato, defendemos incondicionalmente os editores do site Intercept diante das ameaças fascistas que estão sendo alvo, porém alertamos que a adoção da “tática do conta gotas” poderá levar ao desgate popular dos importantes “vazamentos”, com consequências políticas graves para a luta de massas contra a ofensiva do governo neofascista de Bolsonaro.

domingo, 14 de julho de 2019

“COLETES NEGROS” OCUPAM PARIS, ENQUANTO OS “AMARELOS” DEIXAM A CENA POLÍTICA APÓS TEREM VOTADO MASSIVAMENTE NA DIREITA FASCISTA DE MARINE LE PEN


A esquerda revisionista que estava “enebriada” com as manifestações reacionárias dos “Coletes Amarelos” (Gilet Jaunes) em Paris, não consegue disfarçar sua decepção política com este movimento que sufragou massivamente nas recentes eleições européias a direita fascista da Frente Nacional (partido que saiu vitorioso do pleito), impulsionando a candidatura de Marine Le Pen a presidência da França. Após ajudarem na vitória de Le Pen, os “Coletes Amarelos” simplesmente saíram da cena política nacional, talvez porque acharam que sua contribuição para a reação xenófoba da Frente Nacional (atualmente mudaram o nome para Reunião Nacional, Rassemblement National) já estava esgotada. O que a extrema direita francesa não esperava mesmo era o surgimento do movimento “Coletes Negros”, uma genuína manifestação de imigrantes “ilegais”, em sua grande maioria vindos da África e Ásia. Cerca de 1000 manifestantes sem documentos invadiram o Panteão em Paris, nesta última sexta-feira (12/07), trabalham em Paris, dormem nas ruas e são considerados oficialmente ilegais. Numa alusão aos Gilet Jaunes que surgiram há meses atrás, exigem melhores condições de vida e se autointitulam "Coletes Negros". Afirmam que querem “papéis” porque "trabalham em alojamentos precários”, ainda que existam 200 mil casas vazias em Paris. Os "Coletes Negros" saíram de forma pacífica nas ruas de Paris, mas prometem continuar com o insurgente protesto até ao Primeiro-Ministro francês dar uma resposta rápida aos problemas do coletivo que está apenas iniciando sua organização. Mesmo sem causar nenhum “transtorno” a população, as forças policiais do governo Macron intervieram violentamente para pôr fim à manifestação política dos “Coletes Negros” e o Panteão foi evacuado a força. Por sua vez, Marine Le Pen que apoiou com todo fervor os “Coletes Amarelos”, vociferou nas redes sociais todo seu ódio racista  contra os Coletes Negros: “Il est INADMISSIBLE de voir des clandestins”. A esquerda revisionista (SU, PTS, LIT) tão entusiasta dos “Amarelos” na expectativa que pudesse receber os votos deste movimento reacionário, não mostrou o mesmo interesse político pelos “Coletes Negros”, afinal os “ilegais” nem sequer podem votar e ainda por cima são capazes de expressar a violência revolucionária das massas realmente oprimidas pelo imperialismo “democrático” francês...algo inadmissível para uma esquerda degenerada que adota a “democracia como um valor universal”. Os Marxistas Leninistas apóiam incondicionalmente o movimento dos "Coletes Negros", lutando no seu interior para dotá-lo de uma perspectiva revolucionária e socialista!

sábado, 13 de julho de 2019

APÓS A “RESSACA” DA DERROTA: OPOSIÇÃO BURGUESA AINDA TEM A “CARA DE PAU” DE COMEMORAR A DESTRUIÇÃO DA PREVIDÊNCIA...


Após a “ressaca” da profunda derrota sofrida na Câmara dos Deputados no último dia 10/07, com consequências históricas graves para a vida de milhões de trabalhadores e suas famílias que começaram a perder (sim é só o começo do processo, a aposentadoria deixará de ser um direito constitucional) um mínimo de seguridade social ainda estabelecida pelo Estado capitalista, a “oposição burguesa” (dirigida pelo PT) tem a cara de vir a público “comemorar a vitória”, por conta de uma ou duas emendas aprovadas e que não mudam em nada a essência da destruição da Previdência Pública em nosso país. Não nos surpreende a postura da Frente Popular (PT, PSOL e PCdoB) que desde há muito tempo vem trabalhando nos bastidores do Congresso Nacional com uma política de “suavizar” o projeto neoliberal do fim da Previdência enviado à Câmara pela equipe econômica do rentista Paulo Guedes. Neste sentido após a aprovação da violenta e cruel (contra)reforma os parlamentares do Centrão e da “oposição burguesa” fizeram um pouco de demagogia com as mulheres e professores, votando emendas que não mudaram o conteúdo nefasto que vai fazer o proletariado viver na agonia da incerteza sobre o futuro de suas famílias. Para o PT e seus parceiros foi a consumação do “teatro da resistência”, que teve como protagonistas os governadores da oposição apoiando abertamente a selvageria da (contra)reforma e como coadjuvantes os burocratas sindicais sabotando a perspectiva da organização de uma verdadeira greve geral por tempo indeterminado. Ontem (12/07) o que seria mais um novo “dia nacional de luta” contra o governo neofascista e seu “ajuste”, se resumiu a uma manifestação estudantil de abertura do congresso da UNE em Brasília, e mesmo assim já após a estrondosa derrota sofrida. Concluído a votação do primeiro turno de aprovação na Câmara dos Deputados, a (contra)reforma irá ao segundo turno, por ainda se tratar de matéria constitucional, somente em agosto. O “general da reforma”, Rodrigo Maia não quis esgaçar sua base parlamentar nas vésperas do recesso do Congresso Nacional, mas já adiantou que no segundo semestre legislativo “o Centrão virá com tudo” pela finalização da (contra)reforma, avançando nas privatizações e toda a pauta neoliberal que o “mercado” exige do parlamento brasileiro. No Senado Federal o “pacote” dos rentistas deverá passar com uma margem até mais dilatada, restando finalmente ao governo neofascista vetar as “emendas progressistas” que ontem a oposição comemorou como uma “vitória”. Porém como segundo ato de sua “peça teatral de oposição a (contra)reforma, a Frente Popular e seus apêndices sindicais prometem um “dia de luta” em 13 de agosto, nos mesmos moldes do lobby parlamentar que exerceram até agora.  Não iremos cansar mais nossos leitores com o exaustivo prognóstico que fazemos desta política: A crônica de mais derrotas anunciadas!

sexta-feira, 12 de julho de 2019

12 DE JULHO DE 1904, NASCIA PABLO NERUDA: A TRAJETÓRIA DO GENIAL POETA CHILENO QUE APESAR DE TODA SUA RADICALIDADE ARTÍSTICA NÃO CONSEGUIU ROMPER COM A POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DO STALINISMO


Muitos militantes e ativistas de esquerda admiram a obra poética de Pablo Neruda. Seria “lugar comum” elogiá-la (ainda que criticamente) por suas denúncias das injustiças sociais e a beleza cortante de seus escritos. Como Trotskystas Revolucionários, amantes da arte e da literatura como nos ensinou o fundador da IV Internacional no livro “Literatura e Revolução”, desejamos aqui brevemente abordar no dia do nascimento de Neruda (12.07.1904), exatamente há 115 anos, a trajetória política do poeta chileno que foi militante do Partido Comunista, senador pelo Chile e chegou a ser indicado como pré-candidato a Presidente da República pelo PC, se caracterizando como um ardoroso stalinista em toda sua vida política e artística, tanto que fez um poema de ode a Stálin lamentando a morte do dirigente-maior da burocracia soviética em 1953, texto que reproduzimos abaixo. Esse lado da “obra” de Neruda em geral é “esquecido” ou “negligenciado” pela esquerda reformista, que apenas enaltece sua trajetória artística e seu dedicado apoio a Unidade Popular de Allende (PS). Em 1945, Neruda entrou para o Partido Comunista e foi eleito senador no Chile. Em 1948, perdeu seu mandato e passou à clandestinidade, devido às críticas que fazia ao presidente Gabriel González Videla. O escritor e poeta viajou por vários países, na maioria das vezes como exilado político. Em 1950, publicou Canto Geral, no México. É uma de suas obras mais importantes sobre os povos da América e suas lutas. Em 1953 recebeu o Prêmio Lênin da Paz da URSS stalinizida. No ano de 1971, Neruda ganhou o Prêmio Nobel de Literatura no lastro de sua figura que simbolizava a defesa da “Paz Mundial”, ou melhor, de coexistência pacífica com o imperialismo. Em 1970, sua imagem e participação política eram de tal importância, que foi indicado pelo Partido Comunista para a Presidência da República. Entretanto, renunciou, capitulando à candidatura frente-populista de Salvador Allende, que ganhou as eleições. Pablo apoiou o governo de Allende até o fim, mesmo quando esse se recusou a conclamar os trabalhadores a resistirem ao golpe militar promovido pelo chacal Pinochet. Em 1973, com o assassinato de Salvador Allende, Pinochet assumiu o poder instalando uma ditadura militar. Doze dias depois, morreu o poeta e político Pablo Neruda, sendo possivelmente envenenado pelos agentes da ditadura chilena, usando um método análogo ao que a GPU utilizou na França para assassinar o filho e dirigente da IV Internacional, Leon Sedov. Seu cortejo fúnebre foi o primeiro grande ato contra a ditadura Pinochet. No meio da multidão, as palavras de ordem políticas se somaram às lágrimas da perda. Embora tenha entrado no Partido Comunista Chileno apenas em 15 de julho 1945, a aproximação de Neruda ao PC iniciou-se durante a Guerra Civil Espanhola, a partir de seu posicionamento inicial, antifascista e republicano. Nessa época, Neruda era Cônsul na Espanha. Ele perdeu o cargo de Cônsul, devido a sua aberta participação política na Guerra Civil Espanhola. Nas palavras do próprio Neruda: “Embora eu tenha me tornado militante muito mais tarde no Chile, quando ingressei oficialmente no partido, creio ter-me definido como um comunista diante de mim mesmo durante a guerra da Espanha. Muitas coisas contribuíram para a minha profunda convicção”. A motivação inicial, ainda na Espanha, um misto de revolta pelo assassinato covarde do poeta Federico Garcia Lorca e de solidariedade com a luta do povo espanhol levaram a apoiar a política criminosa do PC na Espanha, de perseguição e eliminação física dos trotskistas, anarquistas e do POUM. Neruda, nem na época da Guerra Civil Espanhola, nem nunca em sua vida, avaliou as táticas equivocadas do PC stalinista e da Internacional Comunista como contribuições da derrota do proletariado local e mundial. Aderiu acriticamente ao stalinismo desde o primeiro momento e nunca aceitou de fato que houvesse uma degeneração do Estado Operário Soviético. Em suas memórias cita Stálin “Eu já tinha tido a minha dose de culto à personalidade no caso de Stalin. Mas naquele tempo Stalin nos aparecia como o vencedor avassalador dos exércitos de Hitler, como o salvador do humanismo mundial. A degeneração de sua personalidade foi um processo misterioso, até agora enigmático para muitos de nós”. A sua idolatria com Stalin como o herói que teria derrotado Hitler, oculta todos os expurgos do PC soviético e a eliminação física dos adversários, como nos processos de Moscou e nos assassinatos dos membros da Oposição de Esquerda do partido, na URSS e ao redor do mundo. Desses crimes, o assassinato de Trotsky no México foi um golpe tremendo no proletariado internacional e sua organização, principalmente na recém fundada IV Internacional. Embora não tenha participado nem do atentado comandado pelo pintor David Alfaro Siqueiros em maio de 1940 ou do assassinato em 20 de agosto do mesmo ano por Ramón Mercader, Neruda nunca condenou essas ações. Ao contrário usou sua condição de cônsul para conseguir asilo político em 1941 a Siqueiros no Chile, em um acordo com o governo mexicano e chegou a defender o assassinato publicamente como uma necessidade histórica. Em resumo, as qualidades poéticas de Neruda não encobrem sua trajetória política de agente “iluminado” do stalinismo, ainda que no final da vida ele tenha tenuemente esboçado uma crítica a apologia que ele mesmo fez do dirigente soviético sem, no entanto, se autocriticar de ter apoiado por toda vida a orientação criminosa de Stálin e muito menos de ter avalizado a política de colaboração de classes do PC no Chile que pavimentou o caminho para o golpe militar e a ditadura de Pinochet!
BOLSONARO INDICA FILHO PARA EMBAIXADA NOS EUA: MAIS QUE SIMPLES NEPOTISMO, É UMA TENTATIVA DE ARTICULAR A “INTERNACIONAL FASCISTA” NA AMÉRICA LATINA


A indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do presidente neofascista, está sendo analisada pela esquerda reformista como mais um “caso clássico de nepotismo”, um enorme equívoco somado a uma crônica “miopia” política como tantas cometidas pelos partidos da Frente Popular (PT, PSOL e PCdoB). A escolha do filho ultra reacionário do ex-capitão (expulso do Exército) para comandar o posto mais “avançado” da diplomacia brasileira no mundo, corresponde a uma estratégia traçada bem distante dos energúmenos que ocupam hoje o Palácio do Planalto. Trata-se de uma orientação vinda diretamente de Washington, para que a embaixada brasileira na capital imperialista converta-se em “Quartel-general” de uma articulação do fascismo na América Latina. Quem na verdade está nomeando “Bolsonaro Jr.” para a destacada função é Steve Bannon, o estrategista de campanha presidencial de Donald Trump e “agitador” de uma onda de movimentos nacionalistas de extrema direita, de caráter fascista, em todo continente. Bannon comemorou ao saber da decisão do presidente Bolsonaro de indicar Eduardo Bolsonaro ao posto de embaixador, “Eduardo pega o Trump e o movimento Trump”, afirmou hoje mesmo Bannon avaliando como um movimento “muito inteligente” de Bolsonaro a possibilidade de enviar o filho a Washington. “Ele vai chegar ao posto já sabendo os atores, as questões e as oportunidades”. O deputado Eduardo foi a principal “interface” do governo Bolsonaro com Steve Bannon, ele se reuniu com o estrategista da campanha de Trump ainda no período eleitoral nos EUA, e depois disso, teve uma série de encontros com o fascista ianque até ser designado o líder do “movimento” de Bannon na América do Sul. O tal “movimento” é considerado uma articulação de membros de governos de extrema direita e políticos burgueses fascistas pelo mundo. Bannon esteve por trás da eleição de Trump em 2016 e do site “Breibart”, de plataforma de ultra direta nacionalista, também foi conselheiro da Cambridge Analytica, consultoria acusada de fornecer dados de milhões de usuários do Facebook para prejudicar Hillary Clinton nas últimas eleições. A configuração da embaixada brasileira em Washington em uma espécie de “QG” para o arremedo de uma “Internacional Fascista”, é parte da estratégia da Casa Branca de conspirar e organizar golpes institucionais contra governos da centro esquerda burguesa na região. Porém com o acirramento das tensões militares entre Cuba, Venezuela e o Pentágono, não está descartado que a ida de “Bolsonaro Jr” para os EUA, seja parte de um plano para uma intervenção direta do imperialismo contra o Estado Operário caribenho. Mas para os burocratas dirigentes da Frente Popular a indicação do deputado Eduardo, deve ser encarada apenas como um “caso de nepotismo”, passível de “contestação jurídica no STF”. Enquanto aguardam que os ministros do Supremo tomem “providências”, PT, PSOL e PCdoB silenciam sobre o perigoso papel da “Internacional Fascista” na América Latina e que terá em breve como Sede Central a embaixada brasileira na capital do “monstro imperialista”. Somente uma grande mobilização popular, denunciando mais esta verdadeira provocação contra nossa soberania nacional, ao ter um embaixador “nomeado” pelo fascista ianque Steve Bannon, poderá derrotar a ofensiva neofascista em pleno curso contra nosso país e nossos irmãos latino-americanos.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

CÂMARA APROVA DESTRUIÇÃO DA PREVIDÊNCIA: FRENESI DO MERCADO E RENTISTAS, FRENTE POPULAR FEZ SEU TEATRO DE OPOSIÇÃO “AZEITANDO” A MÁQUINA NEOFASCISTA DO CAPITAL...


A Câmara dos Deputados, seguindo servilmente as ordens do mercado, aprovou na noite desta quarta-feira (10/07) em primeiro turno, por 379 votos a 131, o texto-base da proposta da (contra)reforma da Previdência, que destrói os pilares fundamentais das regras de aposentadoria dos trabalhadores brasileiros. Após a aprovação do texto-base, com uma acachapante vitória do “Centrão” e mas também com alguns votos da chamada oposição (PDT, PSB) os deputados votaram um único destaque, rejeitado. O destaque rejeitado pretendia mudar as regras previstas para  a aposentadoria dos professores, em seguida, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), apelidado de “general” da (contra)reforma encerrou a sessão da Câmara.O resultado da votação do texto-base superou todas as expectativas dos próprios governistas, que em seguida em uníssono com o mercado e rentistas encenaram em um frenesi neoliberal, diante do teatro da Frente Popular, que pousou de oposição mas na verdade tiveram a função de azeitar a máquina neofascista do capital. A enorme “faixa de gordura” esgrimida pela base parlamentar neogovernista, ao contrário do que alardeou a esquerda reformista, representou uma demonstração de força, não só para a aprovação do atual projeto de (contra)reforma, mas para dar seguimento ao “segundo tempo” da PEC, com a inclusão no segundo semestre do regime de capitalização e também da entrada dos estados e municípios na vala comum do fim da Previdência Pública. Como já declarou ontem o “exultante” ministro Onix Lorenzoni a esmagadora vitória governista abre caminho para avançar integralmente a pauta mais “agressiva” da ofensiva neoliberal, não só com a destruição final da Previdência, mas também o “pacote” das privatizações da Petrobras e Correios e possivelmente de alguns bancos públicos, como o BNB e CEF. Entretanto para a Frente Popular (PT, PSOL e PCdoB) o “trator” governista não poderia mesmo ser parado, já que para estes senhores “todo o possível foi feito para evitar o desastre”, como afirmou o ex-Morenista Valério Arcary, hoje dirigente do PSOL. O “problema” da vitória neofascista no Congresso residiria no “atraso das massas” que não estiveram “dispostas a lutar mais do que a greve geral do 14J”,segundo estes “teóricos” do reformismo desastroso. Se é um fato concreto de que a resistência dos trabalhadores foi insuficiente para barrar à sanha do ajuste neoliberal , a responsabilidade política da derrota histórica não cabe “ao atraso das massas”, mas sim a política criminosa de contenção das lutas levada a cabo pela Frente Popular. Mesmo que suas bancadas do PT, PSOL e PCdoB tenham votado homogeneamente contra a PEC, o que não ocorreu com seus os “aliados da oposição”, é de conhecimento público que a Frente Popular trabalhou nos bastidores junto com seus governadores pela aprovação da (contra)reforma da Previdência, tentando “melhorar o projeto” inicial do governo neofascista. A demagogia da esquerda reformista em sustentar, mesmo na véspera da votação da Câmara, que a PEC não passaria da forma original pretendida pelo ministro Paulo Guedes, se revelou um dos maiores “furos” políticos dos últimos tempos, com consequências trágicas para a vida do proletariado e suas famílias, isto sem falar no pior elemento desta conjuntura: um passo superior na sedimentação do atual regime bonapartista de exceção.



quarta-feira, 10 de julho de 2019

MANIFESTO AO 57º CONGRESSO DA UNE: POR UMA GREVE NACIONAL DA EDUCAÇÃO PARA DERROTAR OS ATAQUES DO FASCISTA BOLSONARO CONTRA OS DIREITOS DOS TRABALHADORES E DA JUVENTUDE! ROMPER COM A PARALISIA IMPOSTA PELA FRENTE POPULAR (PT, PCdoB e PSOL)! EM DEFESA DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA PARA ACABAR COM TODA FORMA DE EXPLORAÇÃO E OPRESSÃO DE CLASSE E GÊNERO!


Começa neste dia 10 o 57º Congresso da UNE. Milhares de estudantes estarão em Brasília que será palco também do “Dia Nacional de luta” em 12 de julho, quando o governo Bolsonaro e o parlamento burguês estão aprovando a Reforma Neoliberal da Previdência na Câmara dos Deputados. Nós, militantes da Juventude Bolchevique de várias universidades públicas e privadas do país que assinam esse Manifesto, nos dirigimos a todos os delegados e ativistas presentes fazendo um chamado à luta direta contra o fascista e seus cortes contra a educação pública, fazemos um convite em especial para discutir os rumos do Movimento Estudantil com uma política independente da Frente Popular, assim como a debater questões candentes da juventude plebeia, como as questões de gênero, da mulher e da opressão capitalista desde uma concepção marxista revolucionária! Defendemos que a principal tarefa desse Congresso é organizar uma forte greve de todos os setores da educação que paralise as escolas e universidades de todo o país. Nessa luta não podemos nos subordinar a política de paralisia e lobby parlamentar da UNE e da UBES! Os grêmios, CAs e DCE´s além dos ativistas de base devem organizar assembleias nos locais de estudo tendo como eixo a convocação de Greve Geral por tempo indeterminado! Esse é o caminho que nós defendemos na luta contra o governo Bolsonaro e sua corja de reacionários instalados no MEC que desejam destruir a educação pública em favor dos interesses do grande capital!


A política do PCdoB/PT é o oposta da necessidade da luta unificada dos trabalhadores e estudantes, porque o que pode derrotar o fascista Bolsonaro é a mobilização radicalizada dos estudantes em unidade com os trabalhadores do campo e da cidade para derrotar todos os ataques neoliberais, o que passar por uma greve por tempo indeterminado que ultrapasse os “dias de lutas de 24hs”, ordeiros e pacíficos voltados a desgastar pontualmente o governo visando negociar pequenos remendos no ajuste neoliberal via o lobby parlamentar no Congresso Nacional. Defendemos uma perspectiva alternativa e revolucionária: a ampliação das mobilizações, tomando as universidades e os IF’s, ocupando as reitorias greve por tempo indeterminado! Por sua vez, a CUT e as demais centrais sindicais não convocaram neste mês de julho nenhuma luta contra a reforma da previdência, apenas somaram-se ao ato dia 12 da UNE, um teatro de luta montado pela Frente Popular.

Alertamos que estas entidades deveriam abandonar a “trégua” concedida a Bolsonaro, assumindo a vanguarda por uma Greve Geral por tempo indeterminado de toda a educação brasileira em agosto! Para isso essas entidades precisam romper com a política de colaboração de classes voltada unicamente a desgastar o Planalto visando as eleições de 2020 e a disputa presidencial de 2022, limitando as mobilizações ao lobby parlamentar no corrupto Congresso Nacional.

Sobre as questões de gênero que serão amplamente debatidas neste Congresso da UNE, nós como Marxistas revolucionários não fazemos apologia da homossexualidade, nem apontamos qualquer caráter progressista em abstrato no fato de um indivíduo ser hetero ou homossexual, lutamos sim pelo amplo direito democrático da liberdade da opção sexual e combatemos implacavelmente qualquer forma de descriminação sexual, cultural e até mesmo religiosa, apesar de nossa defesa intransigente do materialismo histórico.

Com relação a opressão da mulher, devemos lutar pela superação do machismo que nasceu com a propriedade privada, do feminismo policlassista e da mercantilização das relações pessoais, que só será plenamente realizada com a abolição do modo de produção capitalista, por meio da revolução socialista, destruindo qualquer forma de opressão contra as mulheres trabalhadoras e a exploração de classe. A abolição da propriedade privada é o elemento sine qua non para a libertação da mulher e o combate de classe pelo comunismo, esmagando a burguesia. Toda saída para o problema da opressão feminina por dentro da democracia burguesa, como defendem o reformismo (PT, PCdoB e PSOL) e o revisionismo do trotskismo (PSTU), conduz à divisão do proletariado entre gêneros distintos, ao recrudescimento e ampliação do aparato repressivo estatal contra os trabalhadores. Em outras palavras, o feminismo burguês é contrarrevolucionário porque divide o proletariado, enfraquece sua luta e fortalece a repressão de seus inimigos de classe.

De nossa parte estamos defendendo que a unidade operária-camponesa-estudantil se faça ativa imediatamente para abolir a exploração e a opressão do homem sobre o homem! O momento dos explorados emparedarem o governo do fascista é agora que ele se encontra imerso em crise, não dando um minuto de trégua ao “idiota inútil” Bolsonaro! Mãos à Obra!

ASSINAM:

FERNANDA TAVARES – UFF

CARLA FERNANDES – UFC

ROBERTO MENDES – UNIFOR

ALMIR SÁVIO – UFRN

JOSÉ ROBERTO SILVA – UFBA

SILVIA HELENA BATISTA – UFMG

ANTONIO CARLOS – UECE

CLÁUDIA LINS – UFRGS

SILVIA ALBUQUERQUE – UFPE

JUVENTUDE BOLCHEVIQUE

É COM A CRETINA POLÍTICA DE ACREDITAR NAS INSTITUIÇÕES GOLPISTAS QUE O PT, PSOL E PCdoB PRETENDEM DERROTAR HOJE NA CÂMARA DOS DEPUTADOS O FIM DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA


Os partidos governistas favoráveis à (contra)reforma da Previdência conseguiram acelerar a análise do texto no plenário da Câmara dos Deputados na madrugada desta quarta-feira (10/07). A discussão da proposta aprovada na Comissão Especial começou logo depois da votação de um único requerimento de obstrução da oposição burguesa (PT, PSB, PDT, PCdoB) o de retirada de pauta da PEC. Outros requerimentos da Frente Popular, no sentido de tentar adiar a discussão por diferentes prazos, foram considerados prejudicados pela mesa, não foram sequer votados porque foram consideradas decididos quando o plenário derrubou a proposta de retirada de pauta. Estes requerimentos faziam parte do “kit obstrução” anunciado pelo PT e seus parceiros como um instrumento seguro para barrar a aprovação do draconiano “ajuste” do projeto dos rentistas da equipe do ministro Paulo Guedes, mas nem conseguiram atrasar o início da discussão da PEC do fim da Previdência Pública no país. O requerimento de suspensão da votação da PEC, transferindo desta madrugada para a manhã de quarta-feira, obteve 353 votos, uma demonstração de força dada pela base parlamentar bolsonarista. Paralelamente às manobras parlamentares já inúteis nesta altura do processo, a oposição burguesa anunciou publicamente, para os tolos que ainda seguem politicamente o PT, PSOL e PCdoB, que o STF poderia travar o curso da votação no plenário da Câmara, ou seja, espalharam a cretinice de que o golpismo Supremo se colocaria contra a (contra)reforma da Previdência, mesmo após Toffoli firmar o “pacto” com o governo neofascista de Bolsonaro. É quase inacreditável a que ponto pode chegar a plataforma de conciliação de classes da Frente Popular. Porém para os Marxistas Leninistas não é surpresa alguma o cinismo político da esquerda reformista, mesmo quando sua nefasta prática política ocorre às vésperas do movimento operário (e povo trabalhador de uma maneira geral) sofrer mais uma derrota histórica neste curto espaço de tempo da nossa conjuntura nacional. Se muito provavelmente hoje será um dia de “festa” para os parasitas do mercado financeiro, para o proletariado e sua vanguarda classista é o momento de abstrair as lições da derrota, com um rigoroso balanço do papel político “jogado” pelos traidores da Frente Popular. 

terça-feira, 9 de julho de 2019


FRENTE POPULAR: UMA ESTRATÉGIA DE DERROTAS ANUNCIADAS DIANTE DAS (CONTRA)REFORMAS NEOLIBERAIS...


Após um curto período de debates e vencidos os trâmites legislativos após ser aprovada por duas comissões da Câmara dos Deputados, a (contra)reforma da Previdência já está pronta para ser votada no plenário da Casa no curso desta segunda semana de julho. Nesta altura dos acontecimentos, tanto na correlação de forças no interior do parlamento como na própria dinâmica política da luta de classes, não há muitas dúvidas de que o ajuste neoliberal exigido pelo mercado terá sua aprovação, quase que integralmente fiel ao projeto original elaborado pela equipe do rentista Paulo Guedes, garantida no Congresso Nacional. A rapidez do andamento do processo e até mesmo a folgada margem de votos favoráveis nas comissões, apontava claramente que a chamada “resistência” contra a reforma da Previdência não era proporcional à vontade dos grandes capitalistas em aprová-la. Mas a “chave” para decifrar o porque desta grave derrota que o proletariado e o povo trabalhador irá sofrer, com praticamente eliminação da Previdência Pública no país, não poderá ser encontrada na arena da contenda institucional ou parlamentar. Quando da iniciativa do atual gerente neofascista em aprofundar e radicalizar as “mini” reformas(sem a necessidade do quórum constitucional) levadas a cabo pelos governos Dilma e Temer, o campo da esquerda reformista afirmou que seria impossível a proposta impopular de Bolsonaro obter os 308 votos necessários na Câmara dos Deputados. Porém a necessidade da Frente Popular, suas lideranças políticas e governadores, se mostrar como uma força gestora do Estado Burguês, assim como foi durante mais de uma década no Brasil, logo fez “arrefecer”os rompantes da burocracia sindical, que sempre trabalharam na perspectiva do lobby parlamentar para “melhorar” o projeto Guedes/Bolsonaro. Os governadores do PT, PSB e PCdoB nem sequer trataram de disfarçar o desejo de incluir seus estados na famigerada (contra)reforma da Previdência, o que até agora só não aconteceu por conta da oposição dos deputados da base do próprio governo, que pretendem barganhar a aprovação plena em dois momentos temporalmente distintos. As manifestações convocadas pela Une e entidades sindicais ligadas à educação não desaguaram sequer em greves setoriais, enquanto o arremedo de “Greve Geral” da CUT, CTB e CONLUTAS não passou de uma dia nacional de protestos, sem perspectiva alguma de desembocar em uma uma paralisação total dos trabalhadores por tempo indeterminado. O que prevaleceu mesmo foi a “presão” dos burocratas sindicais “liberados” no aeroporto de Brasília e nos corredores do Congresso Nacional. Foi com essa estratégia de derrotas da Frente Popular que chegamos na semana decisiva para a votação da (contra)reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, e que cinicamente os burocratas querem nos convencer que devemos insistir nesta senda política cretina do lobby parlamentar. As grandes “personalidades” do PT, como o senador Paulo Paim, dizem que no Senado Federal o “quadro é mais favorável” do que na Câmara, e que lá a (contra)reforma da Previdência não tem chance de passar, mais uma ilusória cantilena para imobilizar a ação direta e radicalizada das massas contra a ofensiva neoliberal. Por sua vez os sócios sindicais menores do PT e da CUT, como o PSOL e PSTU, continuam jogando na demagogia da colaboração de classes, “aconselhando” a Frente Popular a “repreender” seus governadores, como se estes não integrassem o mesmo bloco da esquerda reformista. A questão central colocada no momento para a vanguarda classista do movimento operário, não é nem fazer pressão parlamentar e muito menos se colocar como “grilo falante” das burocracias frente populistas, a delicada hora onde se anuncia uma derrota impõe a ruptura e denúncia dos traidores de nossa classe, convocando todas as bases proletárias para a luta direta no sentido de uma verdadeira greve geral por tempo indeterminado!
HÁ 39 ANOS NOS DEIXAVA VINICIUS DE MORAES: O POETA QUE TRANSITOU DA ABSTRAÇÃO ESTÉTICA DO BELO PARA UMA ARTE COMPROMETIDA COM A TRANSFORMAÇÃO SOCIAL


Em plena noite no dia 09 de julho de 1980 nos deixava Vinicius de Moraes, se vivo fosse o “poetinha” no próximo dia 19 de outubro completaria 106 anos. Na primeira década do século passado, Marcus Vinitius da Cruz de Melo Moraes, o nosso Vinicius, debutava em nosso mundo um pouco antes de “estourar” a Revolução Bolchevique. Nascido no seio de uma família de músicos do bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, Vinicius de Moraes, o “Poetinha”, assim carinhosamente chamado por seus amigos, ele merece ser homenageado como sinônimo de resistência cultural nestes tempos sombrios de retrocesso político e ideológico que se aprofunda com a “gerência” do neofascita Bolsonaro ao Planalto. Inveterado boêmio, foi na noite que conheceu seus principais parceiros de música, de copo, teatro, paixões, amores e onde aperfeiçoou seus dotes poéticos mais líricos. Desde criança demonstrou grande habilidade para as letras e a música, tanto que aos dez anos já participava do coral da escola e começa a montar pequenos escretes teatrais. Em 1930 ingressa na Faculdade de Direito do Catete, para a qual dizia não ter a menor vocação, porém teve a oportunidade de conhecer o escritor Otavio Faria que lhe formou para o mundo das artes literárias e travou conhecimento com os “modernistas” Manuel Bandeira, Mário e Oswald de Andrade e até Plínio Salgado que também fazia parte do movimento. Neste ínterim, atuou como censor cinematográfico, crítico de cinema sob a companhia de Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco. Em 1943 foi aprovado em concurso para o Ministério das Relações Exteriores, sendo empossado embaixador em Los Angeles, onde exerceu o cargo por quatro anos. Pouco depois foi deslocado para Paris, período mais profícuo para desenvolver o trabalho de... poeta! Os anos 50 marcaram o “debut” de sua veia musical mais aprofundada ao conhecer um jovem pianista em suas “andanças” pelos cabarés e noites cariocas, Tom Jobim. Na década seguinte, sua singeleza musical chamou a atenção de gênios da música do quilate de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Baden Powell, ... No entanto, após o golpe militar contrarrevolucionário de 1964 foi afastado do Itamaraty com a criação do AI-5 sob o estapafúrdio argumento de que sua “vida boêmia era incompatível com a carreira diplomática”, o que na verdade implicava a deculturação do país imposta a ferro e fogo pelo regime gorila. A trajetória de vida de Vinicius de Morais marcou o auge da produção artística no Brasil, dos anos 50 aos 80, mas após a queda do Muro de Berlim e da URSS, o imperialismo e sua mídia venal trataram logo de esmagar as tradições culturais das raizes culturais mais profundas, impondo não só a barbárie no campo social como no âmbito das artes em todo o planeta.

Vinicius em encontro histórico com o
 poeta comunista chileno Pablo Neruda

segunda-feira, 8 de julho de 2019

ELEIÇÕES NA GRÉCIA: SYRIZA, O “FAROL” PROGRAMÁTICO DO PSOL... PAVIMENTOU O RETORNO DA DIREITA AO APLICAR NO GOVERNO O AJUSTE NEOLIBERAL EXIGIDO PELA TROIKA IMPERIALISTA


Kyriakos Mitsotakis do direitista Nova Democracia (ND) e magnata de família tradicional burguesa tomou posse como primeiro-ministro da Grécia hoje, 08.07. Como determina a tradição burguesa no país onde não existe a divisão entre Igreja e Estado, Mitsotakis, prestou juramento sobre uma Bíblia. Trata-se de um mais um gerente de extrema direita, que se alinha internacionalmente com Trump e Bolsonaro. Ele foi o principal adversário de Alexis Tsipras, do Syriza, que estava no governo aplicando o ajuste neoliberal exigido pelo Troika desde 2015. Tsipras convocou eleições antecipadas que ocorreram neste domingo e o Syriza sofreu uma rotunda derrota por ter aplicado os duríssimos planos de ajuste contra os trabalhadores gregos, com 31,54% dos votos e 86 cadeiras enquanto a ND conquistou 39,85% com158 parlamentares. O Partido Comunista da Grécia (KKE) conseguiu obter cerca de 300 mil votos e 5,3%, reelegendo 15 deputados no parlamento grego. Os restantes dos votos ficaram com partidos de direita, o que reflete uma onda conservadora crescente diante da desmoralização imposta pelo Syriza, o “PSOL grego”. Os 4 anos de governo do Syriza foi a confirmação da gerência estatal neoliberal pelas mãos de um partido “alma gêmea” programática do PSOL brasileiro. Como dissemos em 2015, enquanto a esquerda festejava a vitória do partido de Alexis Tsipras, ele seria timoneiro de mais uma gerência socialdemocrata de “esquerda” à serviço da Troika! Na época convocamos o KKE, principal referência da esquerda classista, a encabeçar uma Oposição Operária e de massas ao governo Tsipras, o que apesar das limitações do partido stalinista acabou ocorrendo! A justa posição assumida pelo KKE em 2015 foi um ponto de apoio para a vanguarda classista grega fazer oposição operária ao governo Tsipras, sem conciliação de classes com o novo gerente de “esquerda” e sim pelo seu combate revolucionário nas ruas, fabricas e escolas para operar a ruptura radical com o capital financeiro e não simplesmente com a “Zona do Euro”. O governo do Syriza não passou de uma frente popular que desejava estabilizar o regime político burguês em colapso, pela via da demagogia de “esquerda” e que esteve até a medula comprometido com o imperialismo europeu, já que manteve o país na OTAN. A tarefa dos Marxistas-Leninistas neste momento crucial da luta de classe na Grécia é organizar desde as bases operárias e populares a luta direta contra a política do direitista ND, não capitulando ao reformismo que agora ficará na oposição parlamentar, como desgraçadamente fazem os integrantes da "família" revisionista pelo mundo.  A tarefa central que se mantêm neste cenário é apontar que o caminho dos trabalhadores e do povo grego para barrar os ataques impostos pela Troika não são as eleições e sim a mobilização direta, suas greves e lutas pela nacionalização dos bancos, indústrias, portos e aeroportos sob o controle dos trabalhadores e de conselhos operários para lançar as bases para a construção de um poder de novo tipo, um Estado Operário, forjando uma alternativa revolucionária trabalhadores da cidade e do campo.