quarta-feira, 30 de maio de 2012

“Eu sou apenas um carola” afirma Demóstenes na comissão de ética do Senado, para desespero de Dirceu

Com um roteiro de autoflagelação previamente traçado, o senador Demóstenes Torres declarou nesta última terça feira (29/05) à Comissão de Ética do senado que: “vive o pior momento de sua vida”. Tentando atrair um sentimento de piedade dos seus pares, afirmou que é “apenas um carola”, desconhecendo portanto o “lado da contravenção” do amigo bicheiro Carlinhos Cachoeira. O Vestal do “pau oco” jurou que jamais intercedeu em favor da empreiteira Delta e que apenas aceitou alguns “presentinhos insignificantes” de Cachoeira. Que Demóstenes atravessa seu “inferno astral” não temos a menor dúvida, o que não estava “previsto” nesta verdadeira “novela” da vida política real era o fato da operação Vegas deflagrada pela PF para acuar a entourage de Gilmar, VEJA e Cachoeira, acabar decretando a morte política de José Dirceu e seus “bons companheiros”. Uma CPI que deveria fazer um “ajuste de contas” com os “denuncistas” do mensalão, liquidando de uma vez por todas com a rede de arapongas da oposição Demo-Tucana, acaba “emperrada” com a entrada em cena da megaempreiteira Delta e parece que irá finalizar seus trabalhos levando indiretamente (pelos desdobramentos extra-congresso) o ex-capo petista direto para o presídio da Papuda. A turma do mensalão já sentiu o golpe e desconfia até se a “estúpida ingenuidade” de Lula não tem o dedo da ex-presidenta poste Dilma Rousseff com o objetivo de defenestrar seu arqui-inimigo Dirceu.

A completa inação de Lula em meio a vigorosa ofensiva midiática de Gilmar e Demóstenes nos faz pensar que ele próprio pode ser cúmplice da bandidagem que tem como objetivo sentenciar, antes mesmo do veredito do STF, a condenação exemplar de todos os petistas indiciados como réus no processo do mensalão. Ainda não está absolutamente claro em que time está jogando atualmente o ex-presidente operário, se na defesa de Dirceu ou na oferta da cabeça dos dirigentes petistas em troca de uma reeleição tranquila de Dilma, caso se impossibilite fisicamente da disputa em 2014. O certo é que não estamos tratando com “amadores”, nem Lula e sua experiente secretária Clara Ant (ex-LIBELU), nem a dupla Gilmar/Jobim. O suposto “trunfo” de Lula para intimidar Gilmar na CPI, ou seja, a viagem regional em um bimotor velho pago por Cachoeira, não assustaria a um estafeta de segundo escalão, imaginem a um ministro com cargo vitalício (até os 70) no Supremo. Se Lula realmente pretendesse “emparedar” o gangster Gilmar o ameaçaria com provas que vão da tentativa de assassinato até venda bilionária de sentenças para grandes empresas.

Há um elemento realmente nebuloso em todo este imbróglio, trata-se do real quadro de saúde de Lula, mais além das simplórias versões de que seu câncer estaria definitivamente curado. O semblante “abobalhado” da raposa mais arguta da política burguesa brasileira dos últimos quarenta anos, chega a gerar dúvidas de sua plena sanidade mental. De qualquer maneira, Lula nunca está só, sempre muito bem assessorado pelos mais capazes quadros do PT, nos fazem crer que seria impossível cometer tolices primárias, como comparecer a uma reunião fechada em um lugar impróprio (escritório de Jobim em Brasília) com um mafioso do quilate de Mendes. Tudo leva a crer que a repentina ofensiva política da quadrilha de Cachoeira (estavam há pouco completamente nocauteados) tem aval do Palácio do Planalto, que já fala em evitar uma crise institucional entre os poderes da república.

A tentativa da blogosfera em desatar uma contraofensiva para denunciar o que seria uma grotesca armação de Gilmar contra Lula, carece até o momento de respaldo político do próprio PT e também do seu presidente de honra. Até o exato momento, assistimos a pronunciamentos “protocolares” das lideranças petistas contra as acusações de Gilmar, que já tomaram a forma judicial pelas mãos do Procurador-Geral Roberto Gurgel. Por outro lado até o momento os ministros “lulistas” do STF, estranhamente permaneceram calados, como é o caso de Joaquim Barbosa que por muito menos em casos anteriores já “partiu para cima” do desafeto Gilmar. Mas o determinante para o desenlace desta nova crise surgida nas entranhas do Estado burguês e suas instituições apodrecidas como a suprema corte, é a entrada em cena da classe operária, com seu próprio projeto de poder revolucionário.

terça-feira, 29 de maio de 2012



Por que Lula, Gilmar Mendes e Jobim se encontraram em Brasília?

O encontro entre Lula e Gilmar Mendes obviamente não foi um acaso. Ele ocorreu por pedido do ex-presidente da república, que usou como interlocutor Nelson Jobim, para sondar Gilmar Mendes sobre a possibilidade de um acordo envolvendo a votação no STF do caso do mensalão, particularmente com relação à delicada situação de José Dirceu. A reunião foi agendada com antecedência de três dias por Clara Ant, secretária de Lula e realizada no escritório de Jobim como parte da tentativa do ex-presidente livrar Dirceu da prisão ou mesmo tentar adiar o julgamento do caso para 2013, em um ano não eleitoral e, portanto, com menos holofotes, já que tudo indica que a maioria dos juízes do “Supremo” vai seguir a recomendação do Procurador-Geral da República, Roberto Gurguel, de punir exemplarmente o ex-chefe da Casa Civil de Lula, como desejam setores do próprio governo Dilma e a oposição demo-tucana. O encontro tratou-se de uma negociação entre as quadrilhas burguesas que controlam os poderes da república e rapinam o botim estatal. O que Gilmar levaria em troca para “aliviar” a barra de Dirceu? A continuidade de suas negociatas milionárias na condição de membro do STF através de vendas de sentenças e pareceres, já que no interior deste covil de bandidos de toga a maioria dos juízes (6 dos 11) foi indicada por Lula e estes poderiam “dificultar” a vida de Mendes no tribunal. Para se ter uma pequena ideia do grau de corrupção em que os juízes do STF estão envolvidos, basta saber que no dia da prisão de Cachoeira, 29 de fevereiro, o próprio Gilmar Mendes iria dar um parecer no STF sobre a legalidade ou não de um decreto do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), sobre a liberação do jogo de caça-níqueis em bares e casas de show. Com o escândalo, a decisão foi adiada...

Só ingênuos ou membros da imprensa “chapa branca” podem acreditar e difundir a versão de que Lula foi alvo de uma “armadilha” montada por Jobim e Gilmar, dois expoentes da “direita arquirreacionária”, como “vendem” alguns blogs e publicações de “esquerda” a soldo da frente popular. Na verdade, Jobim cumpriu no encontro com Gilmar Mendes a mesma função que tinha no governo Lula e até pouco tempo exercia na gestão de Dilma: ser uma “ponte” entre o núcleo duro petista com setores da oposição demo-tucana e do judiciário mais refratários ao lulismo. Não por acaso, o ex-ministro da defesa foi mantido no gabinete de Lula e depois reconduzido ao governo Dilma, mesmo após anunciar que votaria em Serra nas eleições presidenciais de 2010. Jobim, como membro do PMDB, próximo a FHC e ao PSDB, além de ter livre acesso a Lula, foi e continua sendo uma peça chave nas relações interpartidárias burguesas que sustentam o governo da frente popular e garantem sua estabilidade política. Nada mais “normal”, até porque foi ex-ministro da Justiça no governo do PSDB, presidente do STF e indicado por FHC para o “Supremo”, de ser utilizado por Lula para buscar um acordo ou no mínimo uma sondagem com Gilmar Mendes, também indicado pelo tucano para o STF, um facínora conhecido por sua truculência de corte fascistizante.

O “vazamento” da conversa pela revista Veja, cujo teor foi integralmente confirmado por Gilmar Mendes, ocorreu justamente porque não se chegou a um acordo em um primeiro momento, já que Mendes sabe que setores de peso do próprio PT e mais particularmente do núcleo próximo a presidente Dilma querem ver Dirceu punido, principalmente após ser público que o ex-capo petista ter provocado a queda de Antônio Palocci. As disputas internas no interior da quadrilha petista na verdade refletem as articulações internas para a eleição presidencial de 2014, já que Dirceu, Rui Falcão e os nomes mais chegados a Lula estão extremamente preocupados diante da possibilidade do ex-presidente não poder concorrer em função de seu debilitado estado de saúde. Neste caso, a certa reeleição de Dilma significa o enfraquecimento do chamado “campo majoritário” dentro do PT, deslocando o máximo de poder para o staff político sob controle direto da atual presidente. Não por acaso, enquanto a Revista Veja ataca virulentamente Dirceu, Lula e os setores “radicais” do PT, elogia rasgadamente Dilma em seus editoriais, pois a oposição burguesa sem chance de vitória eleitoral em 2014 visa fragilizar o lulismo, mais particularmente o núcleo histórico do petismo de São Paulo e manter boas relações com a ex-poste e seu séquito tecnocrata ascendente. No meio dessa “guerra de foice” petista, nada melhor para Dilma rifar desde logo Dirceu através de uma decisão do STF que retiraria definidamente o ex-chefe do esquema do mensalão de seu caminho.

Em mais um lance revelador das escaramuças palacianas, a imprensa noticiou que o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, o mesmo que estava sendo pressionado pelos aliados de Dirceu para que depusesse na CPMI de Cachoeira visando fazê-lo recuar no pedido de prisão do petista devido ao esquema do mensalão, agora vai encaminhar para a primeira instância a representação que pede uma investigação contra o ex-presidente Lula. Nada como um dia depois do outro... Ontem mesmo, partidos da oposição protocolaram o pedido contra o ex-presidente por causa da reunião com Mendes, alegando que ele teria cometido crime por pedir o “adiamento do julgamento do processo do mensalão”. Como não poderia deixar de ser, DEM, PSDB e PPS tendo ao seu lado o PSOL, acionaram a PGR afirmando que Lula cometeu três crimes: tráfico de influência, corrupção ativa e coação no curso do processo judicial. O PSOL, como paladino da “ética na política”, considera a conduta de Lula como um “ataque as instituições republicanas e a independência entre os poderes”, atuando junto com a oposição conservadora na farsa que serve para encobrir dos trabalhadores o fato de que Lula não fez mais do que atuar nos bastidores tal como agem todos os representantes do Estado burguês, que fazem suas negociatas em torno do assalto ao botim estatal.

Todas essas “revelações” só comprovam o que já afirmava Marx no Manifesto do Partido Comunista: o Estado burguês é um comitê executivo dos negócios dos capitalistas, sendo os governos seus gerentes de plantão. A partir dessa compreensão, não há qualquer surpresa no fato de Lula, Jobim e Mendes terem se encontrado em Brasília no último dia 26 de abril para seguir mantendo o pacto das elites parasitárias contra o povo trabalhador, voltado sempre a livrar os políticos burgueses de qualquer punição, enquanto mantém na cadeia milhares de trabalhadores atrás das grades. Nesse conluio não existem “anjos ou demônios”, mas sim inimigos de classe dos trabalhadores, sejam eles ligados ao PT, PSDB ou PMDB. Como todos são faces da mesma moeda, os trabalhadores devem compreender que essas escaramuças fazem parte da disputa entre os partidos burgueses e suas próprias máfias internas. Denunciar o conjunto do regime político e suas instituições é fundamental para romper as ilusões na democracia dos ricos visando forjar uma alternativa revolucionária própria de poder dos explorados.

O veto parcial do governo ao Código Florestal e a campanha “veta tudo Dilma!”

O governo Dilma acaba de anunciar que vetará parcialmente o novo Código Florestal recentemente aprovado por ampla maioria na Câmara dos Deputados. No bojo da medida provisória (MP) enviada ao Congresso, o governo promoverá 12 vetos e 32 modificações no Projeto de Lei que altera o Código Florestal. O anúncio foi feito pelos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB), do meio ambiente, Izabella Teixeira (sem partido) e do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT), na tarde desta sexta-feira (25). Segundo o governo, os vetos e modificações trarão de volta as regras para recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs) de margens de rios – que variam de 5 a 100 metros de acordo com o tamanho da propriedade e da largura do rio. Já para os ambientalistas, ligados às ONGs do “capital verde”, que defendiam o veto integral ao texto aprovado na Câmara dos Deputados, a conduta do governo foi decepcionante: “No geral continua sendo um texto que beneficia muito mais quem desmatou, não trazendo nenhum incentivo ou reconhecimento para quem conservou. Boa parte das anistias se mantém intocadas. Anistia quem desmatou topo ou encosta de morro. Quem desmatou reserva legal até 2008 em propriedade de até quatro módulos não vai ter que recuperar. Isso significa mais de 90% dos imóveis no Brasil e ainda há uma possibilidade de fraude gigantesca”.

O governo da frente popular que havia sofrido uma humilhante derrota no interior de sua própria base aliada com a rejeição do projeto do novo Código Florestal vindo do Senado Federal, busca com a MP uma saída de “compromisso” entre os ambientalistas “progressistas” e a bancada do agronegócio do Congresso. Mas, o risco político de uma nova humilhação no Parlamento é bastante alto, a MP tem que ser referendada pelo congresso, e Dilma já trabalha para cooptar parte da bancada ruralista na Câmara, agindo com os mesmos métodos fisiológicos que obtiveram algum resultado no Senado Federal. Em meio à manobra mal-sucedida de instalar a CPI do Cachoeira como elemento distracionista da corrupção sistêmica nacional para as massas, um novo desastre no Parlamento poderá precipitar uma crise institucional às vésperas das eleições municipais.

O bloco político que impulsionou a campanha do “Veta tudo Dilma” era integrado desde o próprio campo governista, passando pela oposição conservadora com o PPS e PV, até a chamada oposição de “esquerda” do PSOL e PSTU. O empresário Ricardo Young, ex-candidato a senador pelo PV paulista, uma das lideranças do movimento “Veta tudo Dilma!” define os objetivos da campanha: “Com um veto esperamos reiniciar um processo de diálogo. Chamar os setores mais avançados da agricultura – porque eles têm lideranças, ruralistas, que entendem a tese da sustentabilidade –, chamar as lideranças do movimento ambientalista e o campesinato para iniciar uma discussão de médio prazo de um outro projeto que haja consenso na sociedade” (site Carta Maior, 24/05). Para outra liderança do bloco, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP): “O veto é fundamental para segurar um processo deletério para o interesse nacional” (idem). Como se pode aferir, pela composição política deste bloco, a preocupação destes senhores passa bem distante dos interesses do campesinato e do proletariado agrário, que com o “novo ou velho” Código Florestal, continuará a ver a mão do latifúndio avançar na espoliação das terras griladas de nossos povos originários.

Os revisionistas do PSTU que não se envergonharam em nada de seus “bons companheiros” do PV e PPS, além do Greenpeace na campanha do “Veta tudo Dilma!”, abominam a defesa da revolução agrária em nome das “reformas” que a burguesia venha a oferecer pela via estatal da frente popular. Por isso, atuaram mais uma vez como grupo de pressão sobre o governo, no papel de conselheiros de esquerda de Dilma. Não por coincidência, estão agora próximos a ONGs manipuladas pelo imperialismo ianque, para se passarem como “baluarte das florestas brasileiras”. O combate efetivo em defesa de nossas reservas naturais, jamais poderá ser realizado em aliança política com empresários e setores ligados ao imperialismo e seu projeto de “capital verde”. Somente o proletariado, urbano e rural, e seus aliados históricos como o campesinato pobre, será capaz de travar uma luta consequente para expropriar o latifúndio industrial produtivo, que ameaça a existência, não só do meio ambiente, mas do conjunto do povo oprimido e explorado pelo capitalismo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Hienas imperialistas e camundongos revisionistas salivam pela intervenção da OTAN na Síria

Nos últimos dias houve um salto de qualidade na verdadeira cruzada diplomática, militar e midiática para justificar uma intervenção militar da OTAN na Síria. O massacre de Houla, ocorrido na sexta-feira, 25/05, está sendo usado justamente para alcançar esse objetivo através da armação de uma farsa montada para responsabilizar o governo Assad. Nessa sórdida campanha o imperialismo conta com a ajuda dos revisionistas do trotskismo para passar a versão mentirosa de que mais de uma centena de pessoas foram mortas por uma “ditadura sanguinária” que atacou com tanques de guerra seu próprio povo para por fim a uma “revolução”. O tom charlatanesco deste script hollywoodiano é evidente. O covarde assassinato de 108 pessoas, entre eles várias crianças, ocorrido na localidade de Houla, na Síria, foi responsabilidade direta de grupos mercenários de terroristas islâmicos oriundos da Líbia, hoje uma verdadeira base militar das potências imperialistas na região. Seu objetivo, assim como os atentados anteriores em Damasco no início de maio praticados com o auxílio da CIA e do Mossad, é provocar a desestabilização do país e fragilizar o governo de Bassar al Assad, justificando em nome da cínica defesa dos “direitos humanos” e da fantasiosa “revolução árabe”, a intervenção militar da OTAN através de uma decisão do covil de bandidos instalados na ONU. Não por acaso, os ataques ocorreram na véspera da chegada de Koffi Annan a Damasco e os observadores da Nação Unidos se apressaram em declarar que o governo sírio era o responsável pelo massacre, quando está mais do que claro que se tratou de uma macabra operação militar orquestrada para reforçar a ofensiva imperialista sobre o país.

Em carta ao Conselho de Segurança da ONU, a chancelaria síria afirmou que as forças do exército nacional perseguiram centenas de homens armados que teriam cometido o massacre: “Nem um só tanque entrou na região. O Exército sírio estava em estado de autodefesa, usando o máximo grau de autocontrole e uma resposta apropriada, e qualquer outra coisa senão isso é pura mentira. Os grupos armados entraram com o propósito de matar e a melhor prova disso é o assassinato com facas, o que é uma assinatura de grupos terroristas que massacram segundo a forma islâmica” (Actualidad, 28/05). Apesar disso, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os observadores das Nações Unidas visitaram o local depois do massacre e “viram cápsulas de artilharia e de tanques e também marcas recentes de tanques” (Idem). Essas palavras compravam que a investida imperialista ganhou impulso e colocou em frenesi tanto as potências capitalistas como os grupos revisionistas que estão unidos pela vitória da “insurreição” made in CIA.

É preciso lembrar que o governo de Bassar Al-Assad assinou em abril um acordo com a ONU autorizando o envio de seus observadores-espiões à Síria sob a justificativa de supervisionar o cessar-fogo no país. O acordo foi mediado por Kofi Annan, representando a ONU e a Liga Árabe com o apoio da China e da Rússia, sendo aprovado por unanimidade pelo Conselho do Segurança (CS) das Nações Unidas. Mais de 300 observadores compõem a missão. Como alertamos anteriormente, esta missão tem como verdadeiro objetivo “monitorar” o governo sírio enquanto a debilitada oposição financiada pelo imperialismo se recompõe na fronteira do país com a Turquia, onde a OTAN montou uma base de apoio ao chamado ELS (Exército Livre da Síria), mercenários a serviço das potências abutres imperialistas. O acordo foi assinado pelo governo sírio, sob forte pressão da China e da Rússia, depois que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ventríloquo da Casa Branca, declarou em carta ao CS que a Síria não cumpriu suas obrigações determinadas por um “plano de paz” que previa a retirada de tropas e armamentos pesados de áreas urbanas. Nesta mesma carta, Ban Ki-moon defendeu que sejam fornecidos aviões e helicópteros aos “observadores”, já pedidos à União Europeia, leia-se OTAN, para que seja montada uma base militar das forças da ONU dentro da Síria! Agora, depois do teatro montado pelos observadores-espiões e dos atentados de Houla, Kofi Annan acabou de desembarcar na Síria para pressionar ainda mais o governo Assad e deve declarar que o seu “plano de paz” fracassou, o que significa dar carta branca para uma intervenção da OTAN sobre o país, como já salivam as hienas imperialistas. 

Por sua vez, os mercenários do “Exército Livre da Síria” aproveitaram o ataque terrorista que seus próprios homens perpetraram em Houla para “exigir” da ONU que atue contra o governo Assad, inclusive que se organizem ataques aéreos contra as forças militares sírias: “Declaramos que até que o Conselho de Segurança da ONU tome uma decisão urgente para proteger os civis que o plano de Annan está morto. O ELS não vai seguir mais o plano de Annan até que a ONU proteja os cidadãos da violência por parte do Exército governamental e da polícia síria” (AFP, 28/05). No mesmo sentido, os governos imperialistas da França e Inglaterra já convocaram uma reunião de emergência dos “(muy) amigos da Síria” em defesa de uma “forte resposta internacional”. Nas cínicas palavras do ministro britânico de Assuntos Exteriores, William Hague: “Estamos consultando urgentemente com nossos aliados para dar uma forte resposta internacional, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, a União Europeia e os organismos de direitos humanos da ONU” (Idem).

Como parte dessa farsa, os ventríloquos da esquerda revisionista do trotskismo se valem da ofensiva política e militar dos abutres capitalistas na Síria para avançar em sua campanha contra a “ditadura sanguinária de Asssad”, fazendo assim claramente o jogo da Casa Branca e da farsesca “revolução árabe” que Obama patrocina. No Brasil, os verdadeiros agentes do imperialismo no interior da esquerda, como o PSTU-LIT, agiram rápido e convocaram um “protesto em frente ao consulado da Síria na Avenida Paulista” para esta terça-feira, 29/05, esclarecendo que “desde o início da revolução, o comitê de apoio à revolução do povo sírio já promoveu 15 manifestações em São Paulo exigindo a queda do ditador Bashar El Assad e seu regime assassino”. “Manifestações” desse tipo são apoiadas em todo mundo pelo Departamento de Estado ianque justamente para cobrir de legitimidade sua investida neocolonialista e não por acaso a LIT, que aplaudiu entusiasticamente os “rebeldes” mercenários na Líbia contra Kadaffi, segue fazendo o mesmo na Síria. Esses ratos revisionistas também salivam para que Assad seja derrubado com a “ajudinha” da OTAN. Para esses camundongos revisionistas está mais do que na hora de fazer da Síria uma nova Líbia! Como parceiro da LIT nesta empreitada contrarrevolucionária na Síria agora está o ECLA (Espaço Cultural Latino-Americano), que já havia abrigado anteriormente as atividades do mal-chamado Comitê Anti-imperialista, que chegou a realizar um ato em apoio aos “rebeldes” líbios, um verdadeiro balaio de gatos integrado inclusive pelos ratos da CST-UIT e do OT, também ardorosos defensores da OTAN e de seus “revolucionários”, inclusive reivindicando “armas para os insurgentes”! Como a LBI já havia alertado no caso da Líbia, a LIT, o ECLA e toda essa corja de falsos “anti-imperialistas” não passam de apêndices da Casa Branca que sob a fachada de se opor à “agressão imperialista” visam melhor encobrir sua cínica política de apoio à reação democrática.

Mais uma vez, as hienas imperialistas e os camundongos revisionistas se unem e salivam pela intervenção da OTAN na Síria. O covarde massacre na cidade de Houla por mercenários demonstra que está se cumprindo contra a Síria o mesmo script político montado pelo imperialismo ianque contra a Líbia, que sempre conta com a ajuda dessa “esquerda” convertida em porta-voz da OTAN. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, postarem-se em frente única com os governos das nações atacados ou ameaçados pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre os países semicoloniais da região, desmascarando vigorosamente aqueles que se fingindo de “esquerda” como a LIT e seus satélites avalizam a sanha neocolonialista de Obama e seus sócios.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Poeta Thiago de Mello e militantes internacionalistas demonstram grande interesse pelo folheto “Os genuínos trotskistas e a questão cubana” lançado durante a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

Teve início da noite deste dia 24.05, quinta-feira, a XX Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba em Salvador-Bahia. Mais de 500 militantes e ativistas de todo o país compareceram a cerimônia de abertura. A LBI aproveitou a atividade para lançar o folheto “Os genuínos trotskistas e a questão cubana”, em que reafirma a defesa incondicional da ilha operária e de suas conquistas históricas rechaçando a ofensiva imperialista através do bloqueio econômico, ao mesmo tempo em que polemiza com a orientação programática adotada pela burocracia castrista, particularmente no VI congresso do PC cubano, realizado no mês de abril de 2011, em que esta ataca uma série de direitos históricos dos trabalhadores com o objetivo de avançar o processo de restauração capitalista. Além da LBI se fizeram presentes na Convenção o PCdoB, PCB, PCR, PCML-Jornal Inverta e o PT, estando vergonhosamente ausente da atividade todo arco pseudotrotskista, que já não defende o Estado operário cubano e junto com a Casa Branca e os gusanos se soma à sórdida campanha pela “derrubada da ditadura dos irmãos Castro”.

Grande afluxo de militantes na banca da LBI durante
a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba

O grande interesse pelo folheto “Os genuínos trotskistas e a questão Cubana”, já que foram vendidos só no primeiro dia da Convenção dezenas de exemplares, demonstra que nossa defesa incondicional de Cuba, apesar das profundas diferenças programáticas com a direção do PC cubano, gerou o respeito de um amplo setor da vanguarda, principalmente de vários ativistas não ligados a frente popular presentes na atividade. Estes camaradas compreendem, assim como a LBI, que a melhor forma de responder as investidas do imperialismo ianque é chamando a classe operária em nível mundial a derrotar o imperialismo e não apoiando a política de “coexistência pacífica” com a Casa Branca e a Igreja Católica. Nesse mesmo sentido, vários companheiros que visitaram nossa banca e adquiriram o folheto também fizeram críticas ao “reordenamento trabalhista e tributário” aprovado no VI Congresso do PC cubano que prevê a demissão de 500 mil trabalhadores da área estatal “remanejando-os” para serviços individuais, os famosos contapropistas.

A autoridade política da LBI, que hoje é praticamente a única corrente trotskista em nível nacional a defender incondicionalmente Cuba e suas conquistas sociais vigentes apesar de mais de 50 anos de criminoso bloqueio econômico, inclusive polemizando com a linha adotada pela direção castrista em uma atividade controlada pelos próprios “amigos de Cuba”, foi reafirmada quando o poeta Thiago de Mello recebeu das mãos do dirigente nacional de nossa corrente política, Marco Queiroz, um exemplar do folheto "Os genuínos trotskistas e a questão cubana”, inclusive declarando publicamente a importância dos trotskistas defenderem Cuba neste momento extremamente difícil para a ilha operária. Thiago de Mello é conhecido mundialmente pela sua denúncia da barbárie capitalista através de versos e do combate a destruição da floresta amazônica pelas trasnacionais, luta imortalizada em seu famoso “Estatutos do Homem” publicado no ano de 1973 em plena ditadura militar e também quando denunciou os crimes dos generais genocidas através do célebre poema transformado posteriormente em música “Faz escuro mais eu canto”. Na conversa que teve com o ilustre poeta, o dirigente nacional da LBI reafirmou a Thiago de Mello que nossa organização política estava na trincheira de luta em defesa do Estado operário apesar das divergências com o governo da ilha.

Poeta Thiago de Mello recebe do dirigente nacional da LBI,
Marco Queiroz, um exemplar de “Os genuínos trotskistas e a questão Cubana”

Orgulhamo-nos de em meio à ofensiva mundial do imperialismo contra Cuba e outros regimes políticos que são alvo da sanha guerreirista da Casa Branca, como a Síria e o Irã através da farsesca “revolução árabe”, estarmos na linha de frente do combate internacionalista para derrotar as grandes potências capitalistas, inclusive em unidade de ação com o PC cubano, Assad e Ahmadinejad diante dos ataques do pior inimigo dos povos, o imperialismo. Desde a trincheira de luta da defesa do Estado operário cubano e das nações oprimidas atacadas pela OTAN, fazemos o combate programático e político pela construção nestes países de uma autêntica direção revolucionária para o proletariado. Nossa intervenção na XX Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba e o lançamento de “Os genuínos trotskistas e a questão cubana” fazem parte desse combate programático que honra o legado de Leon Trotsky, tão enlameado pelos revisionistas do trotskismo neste momento crucial da luta de classes mundial.


quinta-feira, 24 de maio de 2012

O crash financeiro global e o capitalismo grego

A queda dos índices das principais bolsas de valores do mundo nas últimas semanas voltou a colocar nas manchetes da mídia o “fantasma” do crash financeiro global. Desta vez o detonador não veio das “subprimes” (títulos podres) norte-americanas, mas sim das “calendas” gregas que atemoriza o mundo com a possibilidade do país sair da zona do Euro e retomar a velha moeda nacional, o Dracma. As eleições parlamentares do começo de maio não conseguiram formar um governo (o regime grego é parlamentarista) em função do débâcle dos dois partidos (Pasok e Nova Democracia) que apoiavam as medidas recessivas impostas pela Troika monetarista ao país. Novas eleições estão marcadas para meados de junho e o partido favorito para ganhar o pleito é o Syriza, que se opõe ao protocolo draconiano do BCE, leia-se rentistas europeus, firmado anteriormente pelo governo de “unidade nacional” derrotado nas urnas. O Syriza, uma organização de tipo “frente popular”, já deixou bem claro que não deseja romper com o Euro tampouco com a comunidade financeira europeeia, só não aceita o “pacote” da Troika que estabelece o arrocho e demissões para cumprir as metas do calendário de amortizações da gigantesca dívida grega. O principal dirigente do Syriza, Alex Tsipras, em recente jornada pela França e Alemanha declarou abertamente: “Se sairmos da zona do Euro haverá danos inevitáveis para todos e não queremos isso, mas ficar tem um preço reverter a danosa política de austeridade em favor de uma política de desenvolvimento e recuperação” (Carta Maior, 22/05). O “ultimato” dado por Tsipras a Merkel e Hollande, que se recusaram a recebê-lo, foi bem nítido, o Syriza caso venha a ser governo não destruirá por completo a burguesia grega para alimentar os dividendos dos agiotas europeus e caso sejam “acuados” pela Troika retornarão ao Dracma para recuperar a economia nacional. Mas, afinal porque tanto “alvoroço” bursátil mundial por causa do inofensivo (apesar do título de esquerda radical) Syriza e da pequenina Grécia?

A economia da Grécia representa menos de 2% do PIB europeu (zona euro), mas está sendo acusada por “inocentes úteis” de levar o colapso do capitalismo, não só europeu mas global. A questão a ser indagada é como um pequeno país pouco industrializado, que sobrevive do turismo (70% da economia) e da exportação de seus produtos agrícolas como o azeite e vinho, pôde contrair uma gigantesca dívida que ameaça “quebrar” os mercados financeiros internacionais. Hoje a dívida internacional estimada da Grécia é de cerca de 170% de todo o seu PIB, ou seja, mais de meio trilhão de Euros, em viés de alta! Teriam que vender todo o país duas vezes para pagar os parasitas que corromperam o staff político para contrair títulos financeiros a taxas de juros simplesmente impagáveis. A cada Dólar que os rentistas “emprestavam” a Grécia, os “estadistas” assinavam uma promissória de 12 Euros, qualquer criança que sabe fazer contas saberia que esta “dívida” logo se transformaria em uma bola de neve que sufocaria o país. Agora, diante do impasse político e da ausência de um governo nacional, as sinistras “agencias de risco”, as mesmas que chantagearam Obama, não param de rebaixar os títulos da dívida grega, levando pânico, para obter ganhos em outras praças, já que a economia helênica está completamente exaurida. Setores cada vez mais significativos da burguesia grega, mas também francesa e alemã, começam a trabalhar a possibilidade da saída grega da eurozona, para oxigenar sua economia, principalmente o setor do turismo que ficou muito caro internamente em função da valorização do Euro. Somente a esquerda catastrofista e os agiotas de plantão em Berlim (e sua mídia “murdochiana”) tem interesse em disseminar a iminência do armagedon capitalista caso a Grécia abandone o padrão monetário que somente parte da Europa adotou.

O Syriza, assim como o partido de esquerda de Melechon na França (também considerado de ultraesquerda) representam politicamente setores da burguesia escorchados pelos barões do cassino financeiro. A possibilidade cada vez mais concreta do Syriza assumir o controle do governo parlamentar grego não tira o sono do imperialismo e tampouco de nenhum grande truste europeu. Os canalhas do revisionismo trotsquista, agentes do imperialismo na Líbia e na Síria, como a LIT e Altamira do PO, agora advogam um “governo de esquerda” para a Grécia, como um suposto duro golpe contra os rentistas e a “Europa do capital”. Criticam duramente o KKE, por se recusar a integrar um bloco de governo do Syriza e similares menores. Os stalinistas gregos, em que pese sua estratégia de contenção da radicalidade da ação direta do movimento de massas, corretamente decidiram não ingressar em nenhum governo que reconheça como legitima a fraudulenta divida grega, como faz o Syriza que defende sua renegociação, com prazos de pagamento elastecidos. Os “stalinofóbicos” como Altamira e sua entourage estão muito à direita do KKE, fazendo apologia da colaboração de classes e da alternativa de um governo burguês à esquerda da velha social democracia europeia.

Em períodos de franca ofensiva contrarrevolucionária mundial, como a que atravessamos neste momento, as superestruturas políticas giram todas à direita, o revisionismo não pode escapar desta regra histórica. É sintomático o fato da confluência entre os rentistas e suas “agências de risco” e a esquerda catastrofista, que oscila entre defender opções reformistas como Mélenchon e o Syriza e premunir o fim súbito do capitalismo, tomando como “subsidio” teórico as quedas das bolsas de valores. Os marxistas leninistas afirmam rotundamente, mais uma vez, que somente a revolução socialista pode dar cabo definitivo ao modo de produção capitalista. Por mais que uma provável saída da Grécia da zona do Euro venha a “agitar” os mercados financeiros, “contaminando” inclusive outras economias frágeis como a Espanha e Portugal, o capitalismo continuará incólume e seguindo em sua ofensiva contra as conquistas operárias. Repetimos, só a ação consciente da vanguarda do proletariado mundial, pela via revolucionária, deterá os planos de “ajuste” e confisco dos povos praticados aceleradamente pelo capital financeiro internacional.


quarta-feira, 23 de maio de 2012


Cachoeira fica de bico calado, restando a CPI convocar Xuxa para “soltar o verbo”

O depoimento monocórdio do bicheiro Carlinhos Cachoeira dado ontem (22/05) a CPI do Congresso Nacional só veio a confirmar nossa caracterização acerca desta panacéia distracionista, montada pelo Parlamento sob orientação direta do Palácio do Planalto. Com a assessoria do ex-ministro da justiça, Márcio Tomaz Bastos, petista histórico da mais alta confiança pessoal de Lula, Cachoeira seguiu o script previamente acertado com o governo Dilma e afirmou que só falaria em juízo. Alguns “revoltados” congressistas que esperavam um verdadeiro show midiático, obviamente para a própria promoção eleitoral e não para qualquer apuração rigorosa da rede de tráfico de influência da empreitera Delta, pediram então a suspensão da sessão plenária da CPI o que equivaleu na prática a seu próprio “enterro” político. Diante da frustração da população que esperava ao menos ouvir as justificativas do bicheiro para a explicar como montou sua teia de corrupção estatal, ou com muita sorte até uma breve “lavagem de roupa suja” sob os holofotes da mídia, o congresso para “alimentar” o circo resolveu então convocar a apresentadora global Xuxa Meneguel para depor na CPI da exploração sexual de crianças. As revelações de Xuxa que “soltou o verbo” no programa “Fantástico” alavancaram em muito o combalido IBOPE da Rede Globo, fazendo crer a base dos parlamentares governistas que poderia produzir o mesmo resultado para o ultradesmoralizado Congresso Nacional.

Com a falência prematura da CPI, que na semana passada já tinha aberto mão da convocação dos principais protagonistas do “escândalo” Cachoeira, como governadores e a Delta, resta ao governo concluir o processo de transição da venda da empreiteira Delta ao poderoso grupo econômico JBS-Friboi e manter os “consorciados” estaduais da megaconstrutora em total sigilo. Quanto ao pivô da “crise”, senador Demóstenes Torres, que depõe esta semana no Conselho de Ética do Senado, tudo indica que deverá ser “degolado” pelos seus pares para fechar definitivamente mais este capítulo do “romance” das relações estruturalmente prostituídas entre a burguesia e o estado nacional. As eleições municipais de outubro se aproximam e o congresso quer limpar a pauta política do semestre, para liberar as frações das oligarquias dominantes de suas “árduas” tarefas legislativas.

Mas a questão de fundo que fez eclodir a céu aberto o “fenômeno” empresarial do bicheiro goiano permanece aberta. Estamos falando do processo do Mensalão, que está em vias de ser julgado no STF. Neste caso as forças sociais que se enfrentam são muito mais poderosas do que o escândalo Cachoeira, que não por acaso foi peça decisiva para “detonar” o capo petista José Dirceu. O julgamento dos “mensaleiros” petistas é capaz até mesmo de provocar uma grave fissura entre a ex-presidente poste e seu padrinho político Lula. Dilma está empenhada em se livrar de Dirceu e sua entourage do chamado “campo majoritário” do PT. Lula ao contrário sabe que necessita da liderança de Dirceu para manter o PT unido, inclusive na hipótese de seu falecimento físico. A burguesia nacional e a oposição Demo-Tucana está comprometida com Dilma em sua cruzada anti-Dirceu, já o PT tentou utilizar a manobra da CPI para neutralizar os futuros “algozes” dos mensaleiros, o tiro saiu pela culatra em conjunto com a próprio esgotamento precoce da CPI. A tendência dominante agora é o STF venha a banir da vida política Dirceu e seu grupo, enfraquecendo substancialmente a autoridade de Lula sobre os rumos do governo Dilma.

O movimento de massas permanece atomizado diante das lutas intestinas das classes dominantes. As greves em curso, como das universidades federais, carecem de uma perspectiva classista de combate mais abrangente ao regime político, limitando-se a reivindicações econômicas rebaixadas e um “cardápio” corporativista. É necessário lutar no seio da classe trabalhadora por outra orientação programática, capaz de colocar o movimento de massas no centro da cena política nacional. Para esta tarefa a vanguarda mais combativa do proletariado deve somar forças com o embrião do partido revolucionário, forjando a construção de uma nova direção política para a classe. As manobras distracionistas da burguesia, como as CPIs e as próximas eleições municipais devem ser totalmente secundarizadas em função da estratégia de uma alternativa de poder para as massas exploradas.