sexta-feira, 19 de dezembro de 2014


Porque Obama busca a restauração capitalista em Cuba no momento do maior impasse da ofensiva imperialista?
O anúncio da retomada das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA, além da possibilidade futura do fim do bloqueio comercial que já dura quase 53 anos, colocou o debate sobre a restauração capitalista na Ilha operária no centro da pauta política da esquerda "socialista" mundial. De imediato podemos afirmar como defensistas incondicionais do Estado Operário Cubano que a iniciativa da Casa Branca está inserida neste momento no contexto da própria crise que atravessa a ofensiva imperialista contra os povos, em particular no impasse militar no "Mundo Árabe" após o êxito inicial contra o regime Kadafista na Líbia. O empatanamento da invasão contra a Síria e as dificuldades de iniciar a estratégica operação contra o Irã, sem falar na impossibilidade de "dobrar" a influência militar da Rússia na região, obrigaram o Império a voltar o "foco" do Departamento de Estado para Cuba. Na arena diplomática os gestos de "boa vontade" do governo Obama servem como uma luva para tentar aplacar sua própria crise interna, desatada a partir de gigantescas mobilizações que tomaram conta dos EUA contra o massacre do povo negro e oprimido pelo terrorismo racista do Estado policial que vigora no país das supostas "liberdades individuais". Hoje a "mão estendida" de Obama para o regime Castrista tem por objetivo liberar as forças até então represadas de uma restauração capitalista no mesmo modelo da chamada "via chinesa". Como declarou Obama no discurso que anunciou sua decisão “Vamos discutir as diferenças diretamente - como vamos continuar a fazer sobre as questões relacionadas com a democracia e os direitos humanos em Cuba. Mas eu acredito que podemos fazer mais para apoiar o povo cubano e promover os nossos valores por meio do engajamento. Afinal de contas, estes 50 anos têm demonstrado que o isolamento não tem funcionado. É hora de uma nova abordagem. Eu acredito que as empresas americanas não devem ser colocadas em desvantagem, e que o aumento do comércio é bom para os americanos e para os cubanos. Então, vamos facilitar as transações autorizadas entre os Estados Unidos e Cuba. Instituições financeiras dos EUA serão autorizados a abrir contas em instituições financeiras cubanas. E vai ser mais fácil para os exportadores dos EUA para vender bens em Cuba”. O porto de Mariel em Cuba, construído pela empreiteira Odebrecht e financiado pelo governo Dilma via empréstimo de 800 milhões do BNDES, tem um papel importante na abertura da Ilha para produtos do EUA. A principal agenda do governo brasileiro em Cuba é aprofundar as relações econômicas tendo por base o processo de restauração capitalista em curso promovido pela burocracia castrista, principalmente após o último congresso do PCC, em que copia parcialmente a chamada “via chinesa”. Trata-se da entrega de setores da economia para o controle de grupos capitalistas, estreitando cada vez mais os vínculos da casta dirigente com grandes empresas estrangeiras que investem no país, ao mesmo em tempo que se fragiliza e ataca conquistas históricas da revolução. Na atual conjuntura internacional o principal ponto de "travamento" da ofensiva imperial encontra-se no receio de um enfrentamento direto com o poderio militar russo, herdado do antigo Exército Vermelho. Putin pretendia estender a influência militar russa para Cuba, com a instalação de uma moderna base naval no Caribe, seria um duro golpe para o Pentágono e a OTAN que hoje sequer conseguem impor um recuo de seus adversários no leste europeu. Com uma possível "cooptação" de Cuba os EUA de uma só tacada podem conseguir neutralizar a Venezuela e impedir a entrada da Rússia na geopolítica latino-americana. No mesmo compasso Obama tentará contornar a iminência de uma derrota do partido Democrata nas eleições presidenciais de 2016, já que os Clinton apoiam integralmente a "jogada" de aproximação com Cuba, o que não pode ser dito da política para o Oriente Médio onde Hillary defende uma imediata e agressiva ação militar contra Assad. Como Trotsquistas não podemos rejeitar possíveis manobras diplomáticas de um Estado Operário no contexto de um mundo hegemonizado pelo capital financeiro, reconhecemos o direito de Cuba exigir o fim do criminoso bloqueio comercial, porém não somos "ingênuos" ao ponto de desconsiderar os objetivos estratégicos do imperialismo ianque. Como nos ensinou Lenin que pessoalmente em sua época celebrou vários acordos comerciais com o imperialismo europeu, é necessário aproveitar as fissuras da crise imperialista sem "baixar a guarda" de uma política que convoque permanentemente a mobilização do proletariado mundial contra a atual ofensiva neoliberal contra os povos. Nesta perspectiva revolucionária não podemos confiar plenamente na burocracia Castrista, que busca conservar o atual regime estatal cada vez mais sob as bases de concessões econômicas e políticas. Frente a esta disjuntiva histórica, está colocado a construção do genuíno Partido Operário Revolucionário na Ilha com o objetivo de avançar nas conquistas sociais e do chamado a expropriação da burguesia mundial, se opondo a política de colaboração de classes das direções reformistas, rompendo desta forma o isolamento de Cuba por meio da vitória da revolução proletária em outros recantos do planeta!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014


Grande vitória do proletariado mundial: Os Cinco heroicos dirigentes do PC Cubano estão em liberdade produto da intensa campanha internacionalista!

No dia 5 de julho de 2011 o Blog da LBI debutava na "rede" somando forças na campanha internacionalista em favor da liberdade dos cinco militantes cubanos presos pelo imperialismo em 1998 sob a acusação fraudulenta de terrorismo: "Neste dia 5 de julho foi escolhido pela campanha mundial 'pela libertação dos cincos heróis cubanos' como uma data para a intensificação das manifestações e protestos pela exigência da liberdade imediata dos militantes cubanos que cumpriam uma função de defesa da segurança do Estado operário cubano no território norte-americano. Nós da LBI nos somamos incondicionalmente a esta campanha mundial, apesar de nossas diferenças programáticas com o Partido Comunista de Cuba, alertando que o método da ação direta e mobilização permanente da classe operária mundial é o caminho correto para apontar na libertação destes que foram alvo da 'injustiça' do verdadeiro império do terror internacional. Intensificar esta campanha neste momento é parte integrante da denúncia revolucionária do criminoso bloqueio a Cuba, assim como da sanha guerreirista do imperialismo contra o conjunto dos povos oprimidos que ousam desafiar o chamado 'Consenso de Washington'"(Primeira postagem do Blog da LBI - 05/07/2011). Em fevereiro deste 2014, voltamos a reforçar a campanha reproduzindo a entrevista de René González, primeiro dos cinco a serem libertados. Na introdução a entrevista afirmamos: "o exemplo de dedicação e abnegação militante de René (arriscando a sua própria vida), deve se constituir como uma importante referência para as novas gerações de combatentes anti-imperialistas. Em uma etapa histórica de completa degeneração material dos 'quadros socialistas' cooptados pelas benesses do Estado burguês, e onde a maioria da atual 'militância' é composta por verdadeiros mercenários políticos, o sacrifício revolucionário dos cinco heróis cubanos em prol de um ideal comunista entrará na história da luta de classes do proletariado mundial". A corajosa e heroica ação dos cinco dirigentes do PC Cubano evitou que a máfia contrarrevolucionária cubana encastelada em Miami nos EUA concluísse um operativo de sabotagem contra as vidas de Fidel e Raul Castro. Não conseguiram sair a tempo do território inimigo e foram presos em um cerco militar montado pela CIA. Os cinco dirigentes comunistas aceitaram a difícil tarefa de infiltração na reacionária seita "anticastrista" conscientes do alto risco que corriam suas vidas, não vacilaram por um minuto sequer! Saíram de Cuba sem que ao menos seus familiares mais próximos soubessem da missão a que estavam empenhados, portanto tiveram que ser expostos em sua própria pátria operária como "fugitivos", tudo para assegurar o êxito da corajosa operação secreta revolucionária. Seus exemplos de militância e abnegação pela causa proletária devem nortear as novas gerações de combatentes comunistas! Hoje é sem dúvida alguma um dia de festa na pequena e corajosa Ilha operária, porém a mídia corporativa internacional tenta atribuir a libertação dos "Cinco Heróis" a generosidade de figuras do carniceiro Obama ou mesmo do conservador Papa Francisco. Olvidam da vitoriosa campanha internacionalista que pressionou a Casa Branca desde as próprias entranhas da "opinião pública" ianque. Agora o imperialismo tenta cooptar Cuba com a "promessa" de massivos investimentos comerciais e financeiros na economia do Estado Operário, uma armadilha da qual a classe operária cubana não pode cair, sob o risco de reproduzir a desastrosa "via chinesa". O momento da vitória com a liberdade dos "Cinco" é fecundo para flexionar no sentido político oposto ao da restauração capitalista, empurrando o "monstro" imperialista para o isolamento mundial, exatamente neste período onde promove chacinas do povo negro e oprimido.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária nº 288, Dezembro/2014



EDITORIAL
Balanço e perspectiva para a luta de classes em 2015

O “DIA D” NO TSE
Até o golpista Gilmar Mendes aprova as contas da campanha de Dilma! PT e Tucanos atolados até o pescoço no financiamento milionário das empreiteiras e bancos

MARCHA DA DIREITA SE ROMPEU EM SP
Há mesmo base social para um golpe ou o que assistimos é a “inércia” do movimento de massas diante da ofensiva neoliberal?

CONGRESSO NACIONAL DOS PICARETAS DÁ UM VERDADEIRO “GOLPE” GOVERNISTA
Remendada a meta fiscal ultra monetarista do próprio PT

ESCÂNDALO” NA PETROBRAS
A “descoberta da roda” pelos vestais tucanos ou uma manobra para paralisar o refino do petróleo nacional?

COBRANÇA DE “COMISSÕES” EM TODAS AS ESFERAS DA REPÚBLICA
Globo “descobre” que a Terra não é plana e surpreendida quer jogar o PT na “fogueira da inquisição”

 AS ENGRENAGENS DO “MODERNO” ESTADO BURGUÊS
 O significado das “comissões” e sua função no processo de acumulação capitalista

 OPERAÇÃO “LAVA JATO” ATINGE DIRETAMENTE O PT
“Limpando” o terreno para Dilma montar seu ministério ainda mais à direita como exigem os rentistas e as oligarquias reacionárias

PETROLÃO
O verdadeiro caráter da crise da Petrobras, uma polêmica com os revisionistas da LER e afins

JOAQUIM LEVY NO MINISTÉRIO
Qual o significado do Bradesco ocupar a Fazenda em um momento de esgotamento do “modelo” econômico petista?

 APÓS AS PROVÁVEIS NOMEAÇÕES DE KATIA E LEVY OS FALSOS “TOLINHOS” DA “ESQUERDA MARXISTA” PERGUNTAM
 Que governo é esse?

 QUARTA “GERÊNCIA” PETISTA
 Final turbulento do primeiro governo Dilma aponta para uma crise política

ENQUANTO A DIREITA CONVOCA HORDAS FASCISTAS PARA OCUPAR O CONGRESSO...
Justiça de Pezão e Dilma manda novamente prender ativistas do “Não vai ter Copa”. Liberdade imediata para Igor, Sininho e Karlaine!

DO FANTASMA GOLPISTA AO GOVERNISMO ENVERGONHADO
Os passos do PCO em seu apoio “crítico” a Frente Popular

PROFESSORES-CEARÁ
Organizar uma chapa classista para arrancar a APEOC das mãos da burocracia sindical lacaia da oligarquia Ferreira Gomes

HÁ UM ANO DO INÍCIO DA “REVOLUÇÃO MADE IN CIA” NA UCRÂNIA
Como na Líbia e Síria, LBI esteve na vanguarda da denúncia das ações imperialistas mascaradas de “rebeliões populares”

FARC LIBERTA GENERAL
Concessão imposta na armadilha montada pelo chacal Santos via negociações da “paz dos cemitérios”

FERGUSON (EUA) SE LEVANTA OUTRA VEZ
O caminho para derrotar o racismo e a violência policial é a liquidação revolucionária do monstro imperialista pelos trabalhadores e o povo pobre!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014


Professores-Ceará: Organizar uma chapa classista para arrancar a APEOC das mãos da burocracia sindical lacaia da oligarquia Ferreira Gomes

Ocorreu neste sábado, 13.12, a plenária unificada da oposição à diretoria da APEOC, sindicato que representa os professores do estado do Ceará. A atividade foi impulsionada pela LBI em conjunto com outras correntes políticas como o PSTU, PSOL, PCB, TPOR, Consulta Popular e independentes classistas. Como destacou a intervenção do camarada Antônio Sombra (em pé, na foto), dirigente do núcleo dos professores da TRS, esta frente única deve discutir um programa para conformar uma chapa classista para tirar a APEOC das mãos da burocracia sindical lacaia da Oligarquia Ferreira Gomes, que acaba de emplacar no governo um laranja, Camilo Santana, do PT, homem que seguirá fielmente as ordens dos irmãos Gomes no ataque as conquistas do trabalhadores em educação. Atualmente o sindicato é controlado pela Articulação (CUT) e as eleições estão previstas para ocorrer na segunda quinzena de fevereiro de 2015, sendo um grande desafio a conformação em si da chapa, já que as barreiras burocráticas antidemocráticas impostas no estatuto são enormes! Na fala do companheiro Sombra, o porta-voz da LBI pontuou as diferenças programáticas que nossa corrente tem particularmente com o PSTU-PSOL no terreno nacional e internacional e alertou que a unidade em torno da conformação da chapa não impedia a delimitação política com estes partidos, reivindicando inclusive um amplo debate sobre o programa da chapa nas próximas plenárias. O desafio para os setores classistas que atuam na oposição é justamente impulsionar uma plataforma de luta para expressar o ódio de classe dos trabalhadores contra o governo estadual, apontando uma perspectiva revolucionária para este combate além do economicismo vulgar próprio do sindicalismo! A serviço desta tarefa a LBI coloca sua militância na luta por construir esta frente única para derrotar os pelegos da CUT, cúmplices dos ataques da Oligarquia Ferreira Gomes contra os trabalhadores! 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014


O “Dia D” no TSE: Até o golpista Gilmar Mendes aprova as contas da campanha de Dilma! PT e Tucanos atolados até o pescoço no financiamento milionário das empreiteiras e bancos

A esquerda “chapa branca” e os blogs governistas passaram a semana anunciando que o julgamento das contas de Dilma no TSE nesta quarta-feira, 10.12, seria o “Dia D” para a presidenta. Segundo estes senhores haveria uma trama jurídica urdida para viabilizar a cassação do diploma eleitoral via a rejeição das contas da campanha presidencial da candidata petista, não se necessitando sequer recorrer a instrumentos como o impeachment e mesmo ao Congresso Nacional. O algoz seria Gilmar Mendes, indicado pelo presidente do TSE, Dias Toffoli, para fazer um relatório bombástico que inviabilizaria até mesmo a posse de Dilma. A montanha pariu um rato.... No tal “Dia D”, por unanimidade (7 a 0) o pleno do TSE aprovou as contas da campanha eleitoral da presidente Dilma. O “temido” relatório de Gilmar Mendes indicou que elas fossem aprovadas “com ressalvas” no que foi seguido por todos os ministros. Os setores da Frente Popular que até então alardeavam o julgamento como o “Dia D” de Dilma, referindo-se a possibilidade da não aprovação no TSE abrir caminho para um suposto “golpe”, fingindo surpresa agora comemoram: “Contas foram aprovadas de forma unânime, fim do golpismo?” e “Goleada de 7 a 0 no TSE foi vitória da Democracia” (Brasil 247). Mas, afinal de contas, porque Gilmar Mendes, inimigo confesso do PT, não votou contra Dilma no TSE? O golpista tucano e seus pares da “Justiça” sabem perfeitamente que as campanhas financeiras dos partidos burgueses são alimentadas por “doações” legais e ilegais das grandes empresas, empreiteiras e bancos. O mafioso de toga não ousou sequer indicar a desaprovação das contas no TSE porque tem plena noção que assim como Dilma, a campanha de Aécio (PSDB) foi irrigada pelos mesmos recursos milionários, desta forma funciona o mecanismo de financiamento das eleições burguesas que não pode ser questionado por nenhuma disputa política entre o PT e o PSDB. Ao TSE, a campanha do PT informou que a candidata arrecadou cerca de R$ 350 milhões. O valor arrecadado pelo segundo colocado na disputa presidencial, Aécio Neves foi cerca de R$ 229 milhões, ou seja, PT e Tucanos estão atolados até o pescoço no financiamento das empreiteiras e bancos. A fábula da possibilidade do “golpe” via o TSE foi patrocinada por aqueles que fingem não compreender que a mídia, o PIG e setores mais reacionários da burguesia apenas vem chantageando a futura quarta “gerência” petista para que esta siga a risca o programa econômico neoliberal ditado pelo imperialismo e não desejam neste momento “derrubar” o governo, até porque não há base social e política para tal aventura. Pelo contrário, nesta semana o Planalto venceu com folga a votação da meta fiscal no Congresso Nacional, viu aprovada suas contas no TSE, fez show demagógico com a Comissão da Verdade com direito a lágrimas de Dilma e agora se prepara para fazer uma grande festa de posse em 1 de Janeiro em Brasília, onde o PT vai demonstrar sua “força popular” para a classe dominante, buscando estabelecer um acordo para dar o máximo de estabilidade possível ao próximo mandato presidencial. O circo está montado para a “gerentona” petista levar a frente duros ataques contra os trabalhadores em 2015, o fantasma do “golpe iminente” como a LBI já alertou várias vezes não passa de um política distracionista para legitimar o governo da Frente Popular e aprisionar o movimento operário na camisa de força da colaboração de classes.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


Marcha da direita se rompeu: 1000 Tucanolites seguem com Serra para a “Consolação” e 500 fascistóides rumam para o Comando Militar. Há mesmo base social para um golpe ou o que assistimos é a “inércia” do movimento de massas diante da ofensiva neoliberal?

Neste último sábado, 06 de dezembro, ocorreu mais uma marcha da direita em São Paulo contra o governo Dilma. Apesar de ter sido convocada por Aécio Neves em vídeo na internet esta foi a menor manifestação desde que reacionário Lobão começou a patrociná-las, o próprio senador mineiro sequer apareceu, preferiu ir à praia em Santa Catarina. O ex-roqueiro logo reclamou “Cadê o Aécio? Tô pagando de otário.” No máximo 1500 “otários” apareceram no MASP e logo na concentração os anti-petistas se dividiram. Cerca de 1000 Tucanolites seguiram José Serra pela Av. Consolação enquanto 500 fascistóides rumaram para o Comando Militar do Leste, no Ibirapuera, para pedir a intervenção das FFAA. Esta enorme “demonstração de força” revela o tamanho do perigo do “golpe iminente” tão alardeado pela esquerda reformista da Frente Popular e seus satélites como o PCO para angariar apoio popular a quarta “gerência” petista neoliberal! Como os direitistas que acreditaram que Aécio iria para o MASP em dia de sol e não para praia, só mesmo os setores “chapa branca” mais empedernidos podem querer fazer crer que está em marcha um movimento para derrubar antes mesmo da posse em janeiro a presidente Dilma. A patética “marcha” paulista demonstrou que neste momento não há qualquer possibilidade desta perspectiva vingar, o programa neomonetarista adotado pelo novo governo Dilma é a maior segurança que o imperialismo e o grosso da burguesia vão manter o PT no Planalto para aplicar seu plano de guerra contra os trabalhadores, chantageando a Frente Popular com escândalos como o “Petrolão” para que o governo petista siga sempre frágil e dócil as suas ordens, mas de pé para servir aos interesses da classe dominante. O maior perigo contra os trabalhadores não vem dos poucos fascistas alucinados que mal conseguem se reunir na Av. Paulista mas da política de desmoralização imposta pelo PT ao movimento operário, preparando com Levy e Cia um ataque contra suas conquistas e um enorme ajuste fiscal que trará arrocho e demissões, um verdadeiro “golpe” contra os que votaram em Dilma para “derrotar a direita” e agora veem a “gerentona” aplicar à risca a receita ditada pelos rentistas, deixando desta forma Serra e Lobão completamente isolados, “pagando de otários”, já que a disciplina do PT em cumprir à risca a agenda neoliberal não deixa sequer espaço para estes senhores inconsoláveis! 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


Cobrança de "comissões" em todas as esferas da República: Globo "descobre" que a Terra não é plana e surpreendida quer jogar o PT na "fogueira da inquisição"

Parece mesmo que o cinismo da mídia "murdochiana" não tem limites na cobertura da operação "Lava Jato". Desta vez foi o juiz Tucano que comanda as "investigações" querer se passar por "sacro-vestal" e anunciar que "suspeita" que a cobrança de propinas (termo que a imprensa corporativa vem usando para não classificar as "comissões" como uma regra geral do Estado burguês) vai bem mais além da Petrobras. Segundo o juiz Sergio Moro foi apreendida uma planilha em posse do doleiro Youssef listando 750 obras em vários setores da economia estatal, com as devidas cotações de custos para execução. Não demorou muito para o JN da famiglia Marinho "denunciar" que a "corrupção pública" está espalhada para além das fronteiras da Petrobras. Uma estrondosa "descoberta" para a humanidade só comparada a da própria roda! O ventríloquo dos Marinho, William Bonner, anunciou na noite desta sexta-feira (05/12) com ares de estarrecimento: "Decisão do juiz Sérgio Moro aponta que planilha encontrada com o doleiro Alberto Youssef lista 750 obras públicas que somam quase R$ 12 bilhões... O documento pode representar indício de que crimes de corrupção e propina atingem outros setores e empresas públicas, além da Petrobras". Seria cômico se não fosse trágico, porém o cretinismo dos Marinho tem um objetivo bem preciso, acuar o governo do PT para obter mais vantagens tributárias para a empresa mafiosa, as "Organizações Globo". O juiz Moro não passa de um correspondente do JN "vazando" informações que deveriam ser confidenciais (correm sob a proteção de segredo de justiça). Por sua vez a oposição Demo-Tucana entra em cena como linha auxiliar da Globo, estabelecendo vínculos entre as comissões pagas a diretores da Petrobras e a campanha eleitoral do PT. Como já afirmamos exaustivamente neste Blog da LBI, o pagamento de "comissões" por parte das empresas capitalistas a gestores da máquina estatal ocorre, a grosso modo e como método institucionalizado, há mais de cinquenta anos no mínimo. As "comissões" são um produto inerente ao próprio funcionamento da economia capitalista, quando vende seus "produtos e serviços" ao estado burguês. Não são uma "invenção" dos governos petistas, muito pelo contrário praguejavam em enorme quantidade na chamada "era FHC", quando a tucanalha recebeu bilhões de Dólares em "comissões" para queimar quase todo o patrimônio estatal do país. Na longa sequência de governos do PSDB de São Paulo, só o valor das "comissões" pagas por conta das obras do Metrô supera em muito o "Mensalão e o Petrolão" juntos! Não há como "moralizar" o modo de produção capitalista, como pregam muitos charlatães políticos da "esquerda e direita". Somente a planificação socialista da economia, sob a direção de um governo revolucionário poderá eliminar cabalmente a relação promíscua e corrupta entre o estado nacional e os grandes grupos capitalistas. Os governos da Frente Popular não são “inocentes” diante da podridão que emerge deste regime da democracia dos ricos, apenas reproduziu uma “práxis” adotada no mercado a mais de 50 anos, desde o tempo em que os gestores estatais deixaram de acumular suas finanças subtraídas diretamente do caixa do Tesouro Nacional. Na chamada “modernidade” capitalista a corrupção estatal é induzida diretamente pela “iniciativa privada” e o único antídoto para extirpar este cancro burguês é a instauração da “iniciativa socialista”, ou seja, a Ditadura do Proletariado. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


Congresso Nacional dos picaretas dá um verdadeiro "golpe" governista para remendar a meta fiscal ultra monetarista do próprio PT

Muito tem se falado na articulação de um golpe parlamentar (impeachment) contra o quarto mandato consecutivo do governo da Frente Popular, tal aspiração "putchiana" que de fato pulula o cérebro dos cachorros mais ferozes da oposição Demo-Tucana teria que passar necessariamente pelo crivo político majoritário do Congresso Nacional. Pelo menos nesta conjuntura atual não há quem vislumbre um golpe militar gestado nas casernas por generais fascistizantes, a não ser idiotas lúmpens (como Lobão e sua gang) que deliram sob efeito das drogas com uma quartelada ao estilo de 64. Mas se depender deste Congresso dos picaretas o golpe parlamentar poderá vir mesmo na direção contrária, ou seja, para "facilitar a vida" do governo Dilma em descarregar o ônus do "ajuste" fiscal nas costas dos trabalhadores. Foi o que assistimos ontem em Brasília na aprovação, por ampla maioria, da flexibilização da meta fiscal neomonetarista estabelecida anteriormente pela própria equipe econômica do governo petista. De um "compromisso" inicial com o capital financeiro de "poupar" 116 bilhões de Reais, Dilma só conseguiu mesmo "livrar" dez bilhões, alegando fundamentalmente que o "déficit" apresentado foi consequência das desonerações tributárias concedidas a grandes empresas. O arco político "chapa branca" comemorou sem parcimônia: "O governo da presidenta Dilma Rousseff conquistou uma grande vitória política com a decisão tomada em sessão conjunta do Congresso Nacional, na madrugada desta quinta-feira (4), de aprovar a nova meta fiscal para o ano de 2014. Foi uma batalha legislativa que, do ponto de vista da oposição neoliberal e conservadora liderada pelo candidato derrotado Aécio Neves, fez parte de uma estratégia golpista" (Editorial do sítio Vermelho/ PCdoB). Porém não se iludam os mais incautos, se o governo Dilma "afrouxou o cinto" fiscal em 2014 foi para ganhar as eleições, liberando verbas estatais para o cartel das empreiteiras e isentando de impostos federais grandes grupos econômicos. Para não deixar dúvida do que pretende para a próxima "gerência" Dilma convocou para seu gabinete a tropa de choque do neoliberalismo, prometendo aos rentistas um "choque" monetário muito mais duro do que já ocorreu em seu primeiro mandato. Para compensar os banqueiros "ressentidos" com a flexibilização fiscal aprovada no Congresso, o BC aumentou duas vezes a taxa SELIC em menos de 40 dias, chegando ao seu maior patamar dos últimos três anos. A esquerda reformista e afins que "temia" politicamente o golpe parlamentar da Tucanalha, deve uma explicação elementar ao movimento de massas, de onde virá mesmo o "golpe" para atacar as conquistas sociais dos trabalhadores? Se depender destes parlamentares da oligarquia corrupta e reacionária, maioria absoluta, o Congresso Nacional estará inteiramente perfilado e disciplinado sob as ordens do "ajuste" neoliberal comandado pela presidenta Dilma.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014


Enquanto a direita convoca hordas fascistas para ocupar o Congresso, justiça de Pezão e Dilma manda novamente prender ativistas do “Não vai ter Copa”. Liberdade imediata para Igor, Sininho e Karlaine!

Faltando 14 dias para o julgamento de 23 militantes processados criminalmente durante as manifestações contra a "Farra da FIFA", a justiça do Rio de Janeiro (costumeiramente serviçal de Pezão e Dilma) decretou a novamente a prisão os militantesSininho, Karlaine e Igor Mendes, este último já detido pela polícia e encaminhado ao presídio de Bangu. O ato de gravíssima arbitrariedade política e restrição das liberdades democráticas foi justificado pelo juiz Fábio Itabaiana pelo fato dos três ativistas terem participado de uma manifestação no último mês de outubro em frente à Câmara municipal do Rio, enquanto ainda aguardavam julgamento pelo processo anterior. Por este "entendimento" da justiça carioca fica vedada a qualquer cidadão que esteja sob judice (portanto inocente) o direito de expressão e manifestação política. Na verdade esta reacionária determinação da justiça tem por objetivo intimidar os movimentos sociais, particularmente no Rio, para que não protagonizem mobilizações de rua contra as Olimpíadas de 2016. O irônico é que enquanto Dilma e Pezão manipulam a justiça para levar a "ordem" aos jogos olímpicos, que terão os "holofotes" da mídia internacional, a direita tucana mobiliza hordas de fascistas para ocupar o Congresso Nacional em nome das "Jornadas de Junho". É o puro cretinismo das frações burguesas dominantes que hoje estão em "guerra" pelo controle do botim estatal. Com muita dificuldade o governo Dilma conseguiu aprovar no parlamento a "flexibilização" das metas fiscais de 2014, liberando "generosidades" para os deputados e senadores, enquanto anuncia para o próximo ano cortes profundos de gastos nas áreas sociais. Outra "ironia" política dos neoliberais palacianos abrigados na Frente Popular, para conseguir a aprovação do "ajuste" contra os trabalhadores e o povo pobre libera o "caixa da viúva" para as oligarquias corruptas. Todos estes elementos da conjuntura nacional são um prenúncio de que a repressão e a criminalização do movimento de massas serão uma forte "política de Estado" em 2015, a intensa polarização interburguesa em torno do quarto mandato presidencial consecutivo do PT tem como contraponto o avanço do terrorismo político da direita por um lado e na outra ponta o recrudescimento estatal das garantias de organização e manifestação democrática da classe operária. Várias entidades populares e organizações políticas, na qual a LBI se soma, estão convocando para esta quinta-feira (04/12) um ato de repúdio a prisão dos ativistas sociais (pejorativamente taxados de Black Blocs pela mídia patronal corporativa) em frente ao Tribunal de justiça do Rio. Toda a esquerda classista deve se colocar pela defesa incondicional dos três militantes perseguidos pelo Estado burguês, engrossando as fileiras deste ato político contra estas prisões ilegítimas!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014


Do fantasma golpista ao governismo envergonhado: Os passos do PCO em seu apoio “crítico” a Frente Popular

Caso algum desavisado se der ao trabalho de ler artigos do PCO nos últimos dias terá a plena certeza que estamos às vésperas de um golpe parlamentar da direita contra o governo Dilma Rousseff, do PT. Inúmeras manchetes no site de Causa Operária não deixam a menor sombra de dúvidas: “As engrenagens do golpe de estado estão sendo colocadas no lugar”, “A dosimetria do golpe”, “Justiça está cada vez mais perto do impeachment de Dilma”, “O golpe no julgamento das contas de campanha eleitoral do PT”, “Golpe de estado ou democracia: o que quer o imperialismo?”, “O segredo do golpe de Estado é que ele não se pareça com um” ... Saindo do mundo da fantasia virtual patrocinado por Causa Operária para legitimar seu apoio envergonhado ao governo da Frente Popular, a realidade é bastante diferente. Nos últimos dias, Dilma nomeou os ministros que o imperialismo exigia tendo o diretor do Bradesco Joaquim Levy à cabeça e atacou a ofensiva do tucanato e do PIG contra seu governo na recente reunião do Diretório Nacional do PT: “Esses golpistas de hoje têm essa característica, eles não nos perdoam por estar tanto tempo fora do poder. Temos que tratar isso com tranquilidade e serenidade, não podemos cair em nenhuma provocação e não faremos radicalismo gratuito, pois temos a responsabilidade de governar” (O Globo, 29.11). Em outras palavras, escolhendo um ministério alinhado com os rentistas e adotando um programa econômico como exige a Casa Branca, a quarta “gerência” petista se comprometeu em fazer o mandato mais “agressivo” do ponto de vista neoliberal entre todas as gestões estatais da Frente Popular, sem “radicalismo gratuito” e “com responsabilidade”, sendo esta fórmula de estabilização do regime burguês a maior “garantia” política do PT contra uma eventual tentativa de golpe institucional, como ilusoriamente teme o PCO. O impressionismo de Causa Operária, que no segundo turno das eleições presidenciais escondeu o tímido chamado ao voto nulo e optou por uma campanha agressiva contra o “perigo da direita”, proclamando de fato um voto “crítico” na candidata do PT, nada mais é que a continuidade de sua política vergonhosa de apoio a Copa do Mundo da FIFA no Brasil, quando chegou inclusive a atacar os protestos contra o mundial alegando literalmente que a “campanha ‘Não vai ter Copa’ só beneficia a direita”! Como se observa, estamos diante de uma corrente camaleônica! Depois de apoiar vários golpes contrarrevolucionários cujo alvo eram governos adversários do imperialismo (golpe de Yeltsin contra o PCUS em agosto de 1991 na URSS e, mais recentemente, o assassinato do coronel Kadaffi pela OTAN na Líbia) agora passou para o extremo oposto: acabou se tornando um agrupamento satélite da frente popular no Brasil e dos governos da centro-esquerda burguesa!

domingo, 30 de novembro de 2014


O verdadeiro caráter da crise da Petrobras, uma polêmica com os revisionistas da LER e afins

Os escândalos de corrupção envolvendo a diretoria da Petrobras e seus grandes fornecedores (principalmente as empreiteiras) vem ocupando o centro do cenário político nacional, uma crise política de grandes proporções que ameaça inclusive a própria governabilidade da recém eleita Dilma. A esquerda de uma forma geral vem tomando posições sobre a questão, no campo governista PT e PCdoB assumem a defesa dos atuais gestores da estatal tentando "focalizar" a crise em figuras corruptas (já presas ou investigas pela PF) ligados a escória dos partidos da "base aliada ". No terreno da "oposição de esquerda" ao governo petista, se destacam as demagógicas bandeiras de "moralização" da Petrobras e a defesa do caráter "100% estatal". Em particular agrupamentos como o PSTU e LER também tem levantado corretamente a necessidade da luta pelo controle operário da empresa, sem que no entanto definam o método revolucionário desta ação política. Porém nenhuma destas organizações aponta no fulcro da verdadeira crise a que está submetida a maior empresa, sob controle governamental da América Latina. Apesar da compra desastrosa da refinaria de Pasadena ou das vultuosas "comissões" recebidas por seus diretores para "tocar projetos superfaturados", a Petrobras vem apresentado balanços financeiros positivos (inclusive com valorização de seu patrimônio) e sinceramente não acreditamos que a empresa venha a falir por conta da "natureza estrutural" destes escândalos. Em artigo em recente na internet a LER apresentou "5 propostas para realmente defender a Petrobras", mas desgraçadamente apesar das "boas intenções" nenhuma delas abordou a imperiosa necessidade da estatal romper sua dinâmica de subordinação aos trustes imperialistas do petróleo, extraindo com alto custo de produção abundante óleo cru para vendê-lo no mercado internacional a menos de 70 Dólares o barril. Enquanto os oligopólios transnacionais do setor energético compram o barril abaixo da barreira simbólica de 70 Dólares (o preço exato variou na marca de $66), a Petrobras "recompra" o nafta ou derivados refinados na casa de 760 Dólares! Como hoje a cotação da commoditie petróleo cru vem caindo vertiginosamente no mercado mundial e o Brasil não consegue produzir a demanda de seus combustíveis (por insuficiência de refinarias) não precisa ser nenhum vidente para prognosticar que se avizinha uma grande crise na Petrobras. A dimensão econômica mundial da queda do preço do petróleo já forçou a Venezuela a efetuar cortes em seu orçamento, além da exigência que Maduro fez a OPEP para a redução internacional da produção. Porém os magnatas da OPEP à serviço dos trustes imperialistas não estão dispostos a ceder e anunciaram a manutenção da produção nos mesmos níveis atuais. Imaginem o grave efeito para a PDVSA se o barril chegar a casa dos 50 Dólares, isto quando o custo de extração industrial do petróleo venezuelano não ultrapassa US$ 5, agora pensem a mesma situação para a Petrobras, que tem um elevado custo de produção do petróleo profundo em alto mar na marca de quase 20 Dólares. Precisa ser politicamente muito ingênuo ou "inocente útil" para não pôr o "dedo na ferida", enquanto a Petrobras (e por consequência o país) mantiver seu atual formato de "fazendão" do óleo cru estará submetida a colonização dos trustes imperialistas! De nada adianta a LER exigir o "confisco dos bens dos diretores e gerentes envolvidos neste esquema" e silenciar o monumental confisco que a estatal sofre dos oligopólios internacionais. É necessário que a Petrobras reduza radicalmente seus investimentos em caríssimas plataformas do "pré-sal", e ainda por cima partilhando a extração com empresas estrangeiras, para voltar o caráter da estatal para o refino do petróleo e a produção de combustível e derivados finos, mantendo é claro a extração do óleo em bacias ou regiões de baixo custo. Para assumir esta nova política é necessário um novo controlador para a Petrobras, ou seja, as organizações independentes do proletariado rompendo frontalmente as "parcerias e associações" da estatal com o capital financeiro e suas subsidiárias do setor energético.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014


FARC promete libertar general: Mais uma concessão imposta na armadilha montada pelo chacal Santos via negociações da “paz dos cemitérios”

Os militantes revolucionários pelo mundo vem acompanhando com muita atenção os chamados “diálogos de paz” entre as FARC e o governo do facínora Santos. O mais recente episódio que ampliou ainda mais a polêmica em torno das negociações foi a suspensão unilateral das conversações em Havana por parte do governo colombiano até que as FARC libertem o general Rubén Alzate e dois soldados que lhe faziam segurança, tomados como prisioneiros de guerra em uma região controlada pela guerrilha no Departamento de Chocó, Oeste do país, quando estes espionavam acampamentos da insurgência. Diante da exigência de Santos, a direção das FARC resolveu que os militares serão libertados neste domingo, 30 de novembro. Depois de anunciar a decisão, do qual a LBI discorda frontalmente, Timoleón Jimenez, Comandante do Estado Maior Central das Farc-EP, lançou um comunicado traduzido pelo PCB para o português (partido que defende a política da guerrilha) intitulado “Sejamos sérios, Santos” em que reclama da forma como agiu o governo: “Colocar como condição para a retomada do processo suspenso arbitrariamente que a contraparte faça rápida entrega de seus prisioneiros de guerra equivale a um sequestro do processo de paz pelo Presidente. E responder, como fizeram seus críticos, que colocam em destaque a importância de acordar um cessar-fogo bilateral para evitar esse tipo de sobressalto, coloca em manifesto que o processo de paz não é mais que um simples instrumento em uma estratégia final de guerra” (site PCB, 27.11). Aqui, somos os trotskistas da LBI que questionamos: “Sejamos sérios, FARC”! Aceitar negociações de paz que sequer tem como pré-condição uma trégua bilateral, ter centenas de combatentes assassinatos pelo exército durante os dois anos de “diálogos” (e que diálogos!) e agora ceder à chantagem do chacal Santos para a libertação dos três militares não são condutas nada sérias e que servem desgraçadamente para demonstrar o que afirmamos desde o início do processo saldado pela esquerda como um "avanço": o governo Santos montou uma armadilha para as FARC que está sendo vítima da política de “paz dos cemitérios”.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014


Qual o significado do Bradesco ocupar a Fazenda em um momento de esgotamento do "modelo" econômico petista? 


A confirmação nesta quinta (27) do nome de Joaquim Levy para ocupar a pasta da Fazenda suscitou uma série de reações no chamado "mundo" político e financeiro nacional, desde os setores da esquerda do PT que se mostraram absolutamente "indignados" com a escolha, até os rentistas e a mídia corporativa que festejaram a nomeação, todos ressaltaram que a missão do agora ex-diretor de recursos financeiros do Bradesco será o de impor um duro ajuste fiscal nas contas públicas. Caminhando um pouco além da obviedade, que neste caso já se declarou em números (estabelecer a meta do superávit primário em1,2 % do PIB para o próximo ano), este artigo procurará abstrair da conjuntura econômica posta na atualidade a função "vital" que correspondeu um nome do Bradesco ocupar o principal posto do estado brasileiro depois da presidência da república. Em primeiro lugar é necessário repetir mais uma vez que Levy já ocupou, no governo Lula, a estratégica secretaria do Tesouro Nacional, portanto sua presença na segunda gerência Dilma não é tão "surpreendente" assim. É certo que depois de Lula o tecnocrata neoliberal Levy serviu a outros senhores, desde a arena pública a privada, sem no entanto galgar uma função tão central como a de ministro da Fazenda. O comando do Tesouro Nacional, terceiro posto na hierarquia da equipe econômica palaciana, deu a Levy as "credenciais" necessárias para depois solidificar seu prestígio junto a rentistas e banqueiros e que agora o conduziram de volta ao Planalto. Mas os que pensam que Levy será apenas o "homem da tesoura", diante de um cenário de relativo descontrole fiscal e monetário do governo Dilma estão bastante enganados. A função "vital" de Levy na quarta gestão estatal consecutiva da Frente Popular irá além de implantar um duro arrocho econômico, seja no campo das metas fiscais ou de cortes nos investimentos diretos da União, o que os rentistas esperam do seu estafeta no governo é o "desmanche" completo dos bancos estatais, incluindo neste nicho o estratégico BNDES. Se o cumprimento das esdrúxulas metas de superávit primário, que preveem um "esforço" fiscal de 2% do PIB para 2016 e 2017, são um "generoso" presente para a FEBRABAN, garantido um abatimento recorde em apenas dois anos da dívida interna controlada pelos parasitas do mercado financeiro, a "joia da coroa" é a inação dos bancos oficiais durante os próximos quatro anos. A declaração mais importante de Levy que parece passar desapercebida, foi a de que não permitirá mais que o Tesouro Nacional repasse recursos financeiros ao BNDES, sendo que a esmagadora maioria dos fundos do banco são (por exigência legal) captados no exterior pela Secretaria do Tesouro. Como hoje o tripé dos bancos estatais (BNDES, BB e Caixa) vem movimentando cerca de 80% dos créditos para aquecer a economia, a determinação de Levy é de transferir este papel para os bancos privados, com taxas de juros é claro bem acima dos praticados pelos bancos públicos. O novo "método" adotado pela equipe chefiada Levy não permitirá que se considere o déficit líquido da União, regra adotada hoje e que exclui os repasses aos bancos estatais, daqui para frente o déficit público será considerado bruto não podendo ser "alargado". Com esta manobra "técnica" está decretada a agonia mortal do BNDES e um forte definhamento progressivo do BB e Caixa. Vem à tona da realidade que estas medidas entrarão em vigor no momento do esgotamento do "modelo" econômico petista, baseado justamente no binômio crédito/consumo, somado ao déficit da balança comercial do país. Sem as divisas cambiais e sem crédito a economia do Brasil caminhará novamente para o "paraíso " do FMI e dos braços dos EUA, parece até mesmo que Levy será muito mais do que um simples " tecnocrata do ajuste"...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014


Ferguson (EUA) se levanta outra vez: O caminho para derrotar o racismo e a violência policial é a liquidação revolucionária do monstro imperialista pelos trabalhadores e o povo pobre!

Em várias cidades dos EUA explodiram manifestações nesta semana contra a decisão do tribunal de júri da cidade norte-americana de Ferguson, subúrbio de St. Louis, de absolver o policial Darren Wilson, responsável por assassinar a tiros o jovem negro Michael Brown de 18 anos em agosto passado. Os principais slogans dos manifestantes foram "Detenham e acusem o policial culpado do assassinato de Michael Brown", "Parem a ocupação dos policiais da cidade Ferguson", "Declarem anistia incondicional para aqueles que foram detidos desde 10 de agosto". A nova onda de protestos se iniciou na segunda-feira, dia 24, após a publicação da decisão absolutória do júri. O centro do levante é própria cidade de Ferguson, onde a polícia local com o apoio da Guarda Nacional enviada por Obama já prendeu dezenas de pessoas e atacou violentamente as marchas populares. Milhares de pessoas repudiam a decisão porque todos sabem que o assassinato do jovem negro ocorreu através de pelo menos seis tiros, todos disparados pela frente pelo policial (dois deles na cabeça), deixando Brown morto depois de perseguido, mesmo desarmado e de braços para alto, sob a falsa acusação de consumo de maconha e roubo. O aparato repressivo fortemente armado lançou granadas, bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes que responderam com coquetéis molotov. Este quadro expõe mais uma vez a divisão de classe e de cor no coração do monstro imperialista! Este cenário reafirma o estado de terror policial imposto contra o povo pobre enquanto o imperialismo ianque incrementa sua ofensiva belicista por todo o planeta. Para derrotar a ofensiva assassina do Estado capitalista e a bárbara ação policial deve-se construir comitês de autodefesa do povo pobre e dos trabalhadores, convocando uma paralisação geral nas principais cidades dos EUA! Os lutadores que estão nas ruas nos EUA não podem ter nenhuma ilusão na justiça capitalista e em seu Estado, são instrumentos de classe da burguesia contra os trabalhadores, como mostra a decisão de inocentar o policial assassino! Devem combater pela liquidação do imperialismo ianque unindo o povo pobre, negro com o conjunto da classe trabalhadora explorada contra o regime de opressão e espoliação capitalista mais forte do planeta!

terça-feira, 25 de novembro de 2014


Após as prováveis nomeações de Katia e Levy os falsos “tolinhos” da “Esquerda Marxista” perguntam: Que governo é esse?

A tendência interna petista “Esquerda Marxista”, uma ruptura política da corrente revisionista “O Trabalho”, recentemente estampou com bastante “indignação” em sua página na internet a seguinte manchete: “Que governo é esse? Um banqueiro no Ministério da Fazenda e uma latifundiária na Agricultura!?”. Para quem não conhece a trajetória dos oportunistas da “EM” poderia supor que este agrupamento político estivesse na linha de frente na denúncia eleitoral da candidatura Dilma, como sendo a representação de uma coligação burguesa, que desde sua gênese já abrigava figuras da oligarquia como Sarney, Collor, Barbalho e os Ferreira Gomes. Mas não só a elite corrupta estava no barco político do PT, também os grandes grupos capitalistas nacionais apoiaram a Frente Popular, como o Bradesco, Odebrecht, Sadia, Amaggi e Friboi só para resumir a lista... Porém para os desavisados é bom recordar que os falsos “tolinhos” surpresos da “EM” estiveram fielmente na barricada do PT desde o primeiro triunfo de Lula, assegurado naquela época com a “Carta aos Brasileiros” sob o compromisso de salvaguardar os interesses do capital financeiro. Por sinal os “desmemoriados” da “EM” devem ter esquecido que foi o próprio Lula quem nomeou Joaquim Levy para o cargo de secretário geral do Tesouro Nacional em seu primeiro governo. Também devem ter apagado da memória o fato de que foi Lula quem entregou os bancos públicos como o BEC e o BEM de “mãos beijadas” para o Bradesco, além de convidar o ex-presidente da Sociedade Rural e grande latifundiário Roberto Rodrigues para comandar o Ministério da Agricultura. Desde 2003 que os pilantroskos da “EM” vem exigindo que o governo da Frente Popular “rompa com a burguesia”, apesar do curso político do PT ser na direção frontalmente oposta, ou seja, a cada gerência estatal vem aprofundando os vínculos orgânicos com as classes dominantes. Agora Dilma resolveu retribuir o apoio político e material recebido pelo capital financeiro e o latifúndio, nada mais coerente para um governo burguês neoliberal do que ter em seu gabinete figuras como Levy e Katia, isto é só o começo... Incoerência cínica é a “EM” se fingir de “virgem donzela”, quando acompanharam calados desde as entranhas do PT todos os acordos podres firmados para garantir mais um mandato para Dilma. Tudo bem... Já sabemos que irão dizer que foi em nome da “derrota da direita” que votaram “aborrecidos” em Dilma e Temer... Mas perguntamos aos dirigentes da “EM”, quando é que deixarão de votar na centro-esquerda burguesa para enfraquecer a direita Tucana? Parece que nunca ... e a resposta está no próprio artigo “indignado”, onde afirmam: “A nossa opinião é simples, este é um governo burguês encabeçado por um partido operário burguês, o PT. Com uma presidente que pertence formalmente ao PT – mesmo que Dilma faça questão em uma entrevista de descomprometer-se com as resoluções do partido”. Para a “EM” enquanto o PT supostamente manter o seu caráter “operário-burguês” continuarão com sua política de “exigências” ao governo capitalista que pertence “formalmente” ao partido. Seria a mesma charlatanice teórica que manter a caracterização acerca do Partido Socialista francês continuar sendo “operário burguês”, após décadas de governos ultra-neoliberais! O pior mesmo é a receita política elaborada pela “EM” para enfrentar a ofensiva do governo Dilma contra as conquistas dos trabalhadores, formar: “Uma frente de esquerda para combatermos as medidas de retirada de direitos que este governo, este ministério, organizará”, o inacreditável é que na proposta da “EM” a “Frente de Esquerda” de esquerda classista não tem nada, pois a indicação é que seja encabeçada pelo PT, o próprio partido que no governo desfere os ataques do “ajuste” neoliberal contra a classe operária e o povo pobre.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014


Perigo de um golpe da direita ou uma manobra para respaldar o governo da Frente Popular?

Passado já algum tempo da vitória eleitoral da Frente Popular, as mesmas correntes políticas de “esquerda” que convocaram a votar “criticamente” em Dilma saíram a alertar sobre a possibilidade de um iminente “golpe parlamentar da direita” orquestrado pelo PIG, o tucanato e o imperialismo ianque. Segundo esses senhores, a futura quarta “gerência” consecutiva do PT à frente do Planalto seria alvo de uma ofensiva para até mesmo inviabilizar a posse da presidente reeleita pela via do instrumento do impeachment. Alguns mais alucinados, sempre usando como espantalho o perigo do fascismo, chegaram a convocar atos políticos para garantir a posse de Dilma. Ironicamente, em paralelo ao temor destes senhores, o comando petista costura a formação de um ministério alinhado ao Deus mercado (buscando emplacar um banqueiro na pasta da Fazenda), o BC anunciou logo após o segundo turno o aumento da taxa de juros e Guido Mantega comunicou o corte do orçamento para os chamados gastos sociais. Como se observa, o “golpe da direita” vem sendo aplicado pelo próprio PT contra os trabalhadores e o povo explorado! Aqueles que dizem o contrário não fazem mais que patrocinar, mais uma vez, uma manobra distracionista para respaldar o governo da Frente Popular. Isso não significa afirmar que a “direita” não fustigue o PT para capitalizar seu desgaste futuramente nas urnas e mesmo nas ruas, porém esse movimento faz parte de uma conduta natural após a derrota apertada do PSDB para Dilma mas que em nada foge do jogo de cena da “democracia dos ricos”. O atual centro político das disputas interburguesas, que assumiram grandes proporções nesta etapa pós-eleitoral, está mesmo concentrado no caráter do programa econômico que assumirá a quarta “gerência” petista. Pelas claras referências já dadas por Dilma, estaremos assistindo o mandato mais “agressivo” do ponto de vista neoliberal entre todas as gestões estatais da Frente Popular, sendo esta a “garantia” política do PT contra um eventual golpe institucional.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014


Há um ano atrás ocorria o início da “revolução made in CIA” na Ucrânia colocando o país como ponta de lança da OTAN nas provocações contra a Rússia. Como na Líbia e Síria a LBI esteve na vanguarda da denúncia das ações imperialistas mascaradas de “rebeliões populares”

Há exatamente um ano, em 21 de novembro de 2013, a Ucrânia era palco de manifestações – conhecidas como Euromaidan - que exigiam o acordo com a União Europeia para submeter o país ao FMI e integrá-lo a OTAN, tratado que incluía o rebaixamento de salários e congelamento de pensões, aumento do preço do gás, fim dos investimentos no setor agrícola e de energia. Em Kiev as estátuas de Lenin eram derrubadas, bandeiras vermelhas queimadas e os protestos exigiam a renúncia do então presidente Viktor Yanukovych, homem próximo a Vladimir Putin. Como a LBI declarou no artigo a época “Ucrânia: Uma nova ‘revolução laranja’ made in CIA a serviço de acomodar os interesses capitalistas na antiga república soviética?” (Blog da LBI, 02.12.2013) diante do silêncio de toda a esquerda e particularmente do revisionismo trotskista “Está colocado para o proletariado mundial e, particularmente, para os trabalhadores das ex-repúblicas soviéticas rechaçarem as investidas da UE, dos EUA e de seus agentes da Ucrânia. Apesar de não depositarmos qualquer confiança no governo burguês ucraniano de Viktor Yanukovych e do ex-burocrata Putin-Medvedev, cuja conduta está voltada a defender os interesses da nascente burguesia russa, as fricções com a Casa Branca objetivamente representam um obstáculo à expansão guerreirista da OTAN na região. Nesse sentido, os revolucionários devem denunciar as manifestações dos grupos pró-imperialistas e seu caráter contrarrevolucionário, voltado a fazer na Ucrânia e na própria Rússia uma ‘transição democrática’ conservadora aos moldes da que vem sendo operada no Oriente Médio”. Hoje, o que vemos é a divisão do país a serviço do imperialismo com ataques com as chamadas “repúblicas populares” que desejam seguir o caminho da Criméia e se unificar com a Rússia. O objetivo desse processo é armar uma provocação permanente contra a Rússia para fragilizar o bloco militar que pode se contrapor ao poderio bélico ianque. O balanço a ser feito é que os protestos que adquiriram contornos fascistas e chegaram a perseguir o PC e assassinar seus militantes é a imposição de um enorme retrocesso para o país, que se tornou totalmente dependente dos monopólios capitalistas.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014


O significado das "comissões" no formato do moderno Estado burguês e sua função no processo de acumulação capitalista

Ganhou manchete na mídia desta quarta-feira (19/11) a afirmação do lobista Fernando Baiano, preso pela PF sob a acusação de operar a intermediação de comissões pagas para políticos do PMDB em várias empresas estatais, de que: "Não se faz obra pública no Brasil sem 'acerto'... Pode pegar qualquer empreteirinha de qualquer prefeitura do interior. Sem acerto, não tem paralelepípedo no chão". O debate sobre a corrupção existente na Petrobras promete ocupar a agenda política do início da nova gerência petista, podendo até ganhar contornos de uma crise de governabilidade. Logo a blogosfera "chapa branca" atualizou a frase do velho Ademar de Barros, "Rouba mas faz" para "Não rouba não faz", tentando legitimar a conduta dos dirigentes políticos da chamada "base aliada". A questão de fundo não é só constatar a existência da prática "semi-institucional" da cobrança generalizada de comissões em cada obra executada ou serviço prestado ao estado nacional (no sentido mais amplo do termo) por empresas capitalistas, o fulcro do debate deve estar focado na evolução da formatação do moderno Estado burguês e do papel das comissões pagas aos "gestores públicos" no processo de acumulação capitalista. Até meados dos anos 60 no Brasil a "metodologia" de apropriação de recursos estatais por parte da elite política dominante ocorria em grande medida sob o sistema de desvio direto das verbas públicas, ou seja, havia a transferência de valores do orçamento estatal diretamente para o patrimônio privado da camarilha política hegemônica. Tratava-se de um "assalto" direto dos cofres públicos por parte de gestores estatais, porém com o surgimento do monitoramento das contas estatais por parte de organismos financeiros internacionais, produto do grande volume de empréstimos contraídos pelo Brasil após o golpe militar de 1964, começou a inviabilizar esta "tradição secular" nacional. Com a rígida "supervisão" do FMI e do Banco Mundial nos organismos fazendários nacionais, condição imposta para a entrada do país no roteiro do fluxo do capital financeiro mundial, a "governança" burguesa brasileira foi forçada a buscar outra "via" para exercer sua política de patrimonialismo às custas do estado nacional, deixando para trás os velhos tempos da transferência direta das reservas monetárias do tesouro para suas contas bancárias pessoais. Neste período, começo dos anos 70, inicia-se um ciclo econômico de larga expansão no Brasil com o desenvolvimento de grandes projetos de infra-estrutura e integração nacional. Surge com força neste momento as "gigantes" do concreto, empreiteiras nacionais que deram conta de impulsionar o chamado "milagre econômico" do regime militar. O "Ovo da Serpente" tinha parido um sofisticado sistema de pagamento para os dirigentes estatais, na maioria dos casos militares de alta patente, de volumosas comissões por cada obra ou serviço contratado. O que era apenas um "pequeno embrião" no governo JK com a construção de Brasília tornou-se o método recorrente para formação de fortunas dos gestores estatais, quase sempre enviadas ao exterior. Por outro lado a existência das generosas "comissões” incentivavam a elite política dominante para o lançamento de novos projetos de "desenvolvimento" econômico, criando uma cadeia de acumulação capitalista que logo catapultou o Brasil entre os dez maiores mercados do mundo no final dos anos 70. Parecia enfim que tudo havia se harmonizado no país, as oligarquias políticas não precisavam mais roubar descaradamente do caixa estatal, pois recebiam diretamente das corporações capitalistas, por outro lado tinham suas contas aprovadas pelos organismos multilaterais que continuavam a liberar o crédito financeiro internacional.... Só não contavam com a crise capitalista mundial que jogou o Brasil em plena recessão no início dos anos 80, obrigando uma mudança no regime político vigente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014


"Petrolão": A "descoberta da roda" pelos vestais tucanos ou uma manobra para paralisar o refino do petróleo nacional?

Múltiplos ângulos tem sido abordados no atual escândalo de corrupção da Petrobras, desde a esquerda "socialista" até a direita pró-ianque tem se levantado propostas para "moralizar" a estatal, porém até o momento absolutamente nenhuma corrente de pensamento apontou o fulcro da questão, que vai bem mais além da disputa eleitoral ainda em curso. Trata-se de uma questão estratégica para a soberania país que vem passando "desapercebida" por todas as análises da grave crise que sem sombra de dúvida ameaça inclusive a governabilidade do quarto mandato da Frente Popular. Estamos falando da capacidade do Brasil em processar industrialmente seu próprio petróleo, produzindo os combustíveis refinados que movimentam a economia do país. Pois bem a enxurrada de denúncias surgida contra os dirigentes da Petrobras, todas bem reais produto da cobrança das comissões praticadas em todas as esferas desta república capitalista, atingem em cheio a área da construção de novas refinarias, um setor onde as empreiteiras estão diretamente relacionadas.

Final turbulento do primeiro governo Dilma aponta para uma crise política na quarta “gerência” petista

Falta pouco mais de um mês para o final do primeiro mandato da presidente Dilma e o horizonte para sua próxima “gerência” indica dias difíceis e turbulentos, refletindo o quadro político de uma vitória apertada da Frente Popular nas urnas em 26 de Outubro. As manchetes da mídia burguesa, particularmente do núcleo duro do PIG, como o Estadão, Veja, Globo e seus colunistas-escribas já começam a propalar quais seriam os desdobramentos do chamado “Petrolão” investigado pela Operação Lava Jato no apagar de 2014: desaprovação das contas da campanha eleitoral de Dilma pelo mafioso Gilmar Mendes no STF, sangria já no início do “novo” governo do PT para torná-lo muito frágil, reforma política para reduzir o número de partidos com a imposição da cláusula de desempenho para estes terem direito ao tempo de TV e, se a crise política se aprofundar... até mesmo impeachment de Dilma. Esta é a pauta dos sonhos do PSDB e da direita burguesa mas não necessariamente será a realidade dos próximos dois meses. Isto porque Dilma acabou de ser reeleita e o grosso da burguesia (que financiou sua campanha) sabe que esta realidade traria enormes prejuízos políticos e econômicos para seus negócios além de abrir um quadro de profunda desestabilização no país. O que estamos vendo nos noticiários da TV e nos jornalões é uma ofensiva política contra o governo do PT, para que o novo ministério seja totalmente controlado pelos setores mais conservadores da classe dominante, com a nova “gerência” petista se comprometendo a seguir à risca os planos de ajuste fiscal (corte nos orçamentos para programas sociais) e ataques as conquistas rumo a uma transição acordada para o tucanato assumir o Planalto em 2018. A situação vem se polarizando rapidamente via o incremento da “grande” mídia porém o PSDB e a direita golpista não tem força social para impor medidas drásticas como impeachment ou um golpe parlamentar como o paraguaio. O que se deve ter como “saldo” do chamado “Petrolão” é a paralisia das obras de construção das refinarias (o que atende aos interesses do imperialismo ianque), a maior fragilização da Petrobras e uma “reforma política” que ataque ainda mais as liberdades democráticas, com a imposição de cláusulas de barreiras para que os pequenos partidos tenham acesso ao horário eleitoral gratuito. Quanto ao futuro governo Dilma o certo é que será uma gerência de profunda crise, refém dos acordos com as oligarquias reacionárias e incapaz de tomar qualquer medida, mesmo que limitadamente, progressista.