quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014


Movimento “Não vai ter copa”: Lutar por um programa revolucionário ou se abster de intervir deixando-o sob a influência da direita e do PIG?

A LBI vem intervindo nos chamados “Comitês populares da Copa do Mundo” e impulsionando no seu interior uma orientação classista e revolucionária. Trataremos de dar este combate nas manifestações marcadas para este 22 de fevereiro em todo país contra a mafiosa Fifa e seu meganegócio capitalista. No curso desta luta política nos delimitamos tanto com o PSTU/PSOL que defendem uma “Copa Popular” como com os setores da direita que estão presentes neste movimento. Além disso, denunciamos a política abstencionista do PCO, que se nega a dar a batalha política no interior destes fóruns. Sintomático neste debate é que foi divulgado no sitio de Causa Operária na internet, uma palestra de Rui Pimenta, presidente desta seita revisionista, onde este ataca ferozmente os Comitês populares contra a Copa do mundo da FIFA no Brasil, nos "mostrando" entre outras coisas que estes fazem o "jogo" da direita, em um discurso muito próximo do PT/PCdoB e da frente popular. Em seu site acrescenta mais: “o ‘Não vai ter Copa’ servirá para que a direita faça sua propaganda. Desta forma, manifestantes (na sua maioria jovens) viram meras peça neste jogo eleitoral entre a direita e o PT. Pior, servindo justamente ao setor mais reacionário.” (site PCO, 17/02). A base dos ataques de Rui a estes Comitês se dá no sentido de que segundo ele, “não há objetivos e nem reivindicações concretas” destes, que esses espaços se resumem a “propaganda e conversa” composto por “coxinhas”, como afirma também neste mesmo artigo. As posições de Causa Operária sobre estes Comitês é de que, pelo vazio de uma política de enfrentamento claro contra a burguesia, resulta inevitavelmente em uma articulação da direita e do imperialismo, visando desgastar o provável crédito eleitoral do PT capitalizado com o mundial de futebol. Desta forma, o PCO defende na prática o abstencionismo que favorece o PT e a própria direita.

É interessante notar que, apesar da fraseologia “esquerdista”, o PCO reconhece que motivos para a luta dos trabalhadores e da juventude tendo como eixo as questões relacionadas à Copa não faltam: “A revolta contra a Copa tem motivos? Sem dúvida. Este jornal já denunciou em inúmeras oportunidades a política do PT e de seus aliados que, usando a Copa do Mundo como pretexto, promoveu remoções, ampliou as UPPs, aprovou leis repressivas, beneficiou setores empresariais etc” e que grandes eventos como a Copa são na realidade (...) “grandes instrumentos de propaganda para a classe operária. Foi usado por Mussolini na Itália e Videla na Argentina. O PT, copiando um esquema antigo da direita, trouxe os megaeventos para o Brasil para fazer propaganda” (site do PCO, 17/02). Neste sentido, embora concordamos que há um aprofundamento do recrudescimento do regime político burguês no país – que acompanha a tendência mundial – e que os setores da direita recalcitrante mais próximos ao imperialismo vem se articulando com o intuito de se recuperarem eleitoralmente, fortalecendo uma agenda ultradireitista apertando a faca contra a goela dos burocratas petistas, não isenta de forma alguma a política covarde e capituladora do PCO à frente popular.

Pelo contrário, a obrigação de uma organização que se diz marxista e revolucionária é justamente atuar nestes movimentos demarcando uma posição comunista contra as tentativas da burguesia de pauta-los como ocorreu com as manifestações multitudinárias de junho passado, onde pela falta de uma política correta e centralizada dos revolucionários, o PIG influenciou diretamente os rumos do movimento. Como vimos defendendo em nossa intervenção nos comitês de São Paulo e Fortaleza, os revolucionários devem atuar nestas organizações populares dotando-as de um programa revolucionário, denunciando a farsa da democracia dos ricos e propagandeando o socialismo, permitindo um avanço no nível de consciência política das massas num período de profundo retrocesso ideológico entre a classe, marcado por um anticomunismo característico do processo de auge da contrarrevolução mundial em que vivemos, aberto qualitativamente com o fim da URSS defendido vergonhosamente pelo PCO. O engraçado é que enquanto abre mão de disputar a consciência da classe contra a pequena burguesia e a direita nestes comitês populares, CO rompeu com todo critério de classe para apoiar os “rebeldes” da CIA na Líbia e Síria no início da chamada “Primavera Árabe”, caracterizando estes como revolucionários quando defendiam abertamente a contrarrevolução imperialista e a recolonização do Oriente Médio e do Norte da África. Ou quando de forma totalmente oportunista fora do tempo e do espaço defendeu de forma ridícula recentemente uma nova constituição burguesa com um viés extremamente reformista. Dessa forma, todo o catastrofismo dessa gente vai ao ar quando se necessita de sua atuação política prática, saindo do mundo das fantasias.

Abandonar as massas trabalhadoras que estão sendo despejadas em massa de seu local de moradia pela especulação imobiliária potencializada com o evento da FIFA e a juventude pobre e negra que serão as maiores vítimas do incremento da máquina repressiva do Estado burguês decorrente diretamente do mundial de futebol, deixando-os sob a influência do PIG com a desculpa de não haver “ação concreta” é a pior das traições, um rompimento com toda a tradição bolchevique. De nossa parte, não esquecemos o conselho de Lenin quando nos diz: “Para saber ajudar a ‘massa’ e conquistar sua simpatia, adesão e apoio é preciso não temer as dificuldades, mesquinharias, armadilhas, insultos e perseguição dos ‘chefes’ (que, sendo oportunistas e social-chauvinistas, estão, na maioria das vezes, relacionados direta ou indiretamente com a burguesia e a polícia). Além disso, deve-se trabalhar obrigatoriamente onde estejam as massas. É necessário saber fazer todas as espécies de sacrifícios e transpor os maiores obstáculos para realizar uma propaganda e uma agitação sistemática, pertinaz, perseverante e paciente exatamente nas instituições, associações e sindicatos, por mais reacionários que sejam, onde haja massas proletárias ou semiproletárias.” (Lenin, “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”). Em resumo, diante da ofensiva da direita e da frente popular, os leninistas devem intervir no movimento “Não vai ter copa” para denunciar o conjunto da democracia dos ricos e não agir como avestruz, em um abstencionismo covarde como prega o PCO. Os recentes ataques desde a esquerda e do PIG contra as manifestações populares, com sua uníssona Lei Antiterror, só reafirmam a necessidade desta dura batalha!