sábado, 28 de fevereiro de 2015


Assassinato de Boris Nemtsov: 
Uma “armação” da CIA em conjunto 
com seus lacaios da Ucrânia para desestabilizar governo Putin

O assassinato de Boris Nemtsov na noite desta sexta-feira, 27, em pleno centro de Moscou, um dos principais opositores do governo russo e homem com fortes ligações com a Casa Branca desde a era Yeltsin, foi uma clara operação organizada pela CIA em conjunto com o serviço secreto do governo pró-imperialista da Ucrânia para desestabilizar a gestão de Putin a frente do Kremlin. Tão logo foi anunciada a morte a mídia murdochiana mundial deu grande destaque ao ocorrido, imputando a responsabilidade direta em Putin e nos rebeldes ucranianos, tratou de insuflar manifestações populares em solidariedade ao morto. Barack Obama condenou a “morte brutal” de Nemtsov, que foi vice-primeiro-ministro de Boris Yeltsin entre 1997 e 1998. A chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini e o Conselho Europeu declararam sua “indignação”. O presidente francês, François Hollande, denunciou um “assassinato odioso” e reivindicou a trajetória de Nemtsov um suposto “defensor valente da democracia”, na verdade um entreguista confesso do patrimônio russo aos trustes capitalistas. A chanceler Angela Merkel exigiu a investigação desta “morte vil. Por fim, reagiu o presidente golpista ucraniano, Petro Poroshenko: “Boris Nemtsov era uma ponte entre a Ucrânia e a Rússia, e esta ponte foi destruída (...). Penso que não ocorreu por acaso”. A opositora Liudmila Alexeieva declarou à agência RIA Novosti que “se trata de um assassinato político atroz”. Como se observa diante de tanta “dor” pelo falecimento de Nemtsov, assim como ocorreu recentemente na Argentina no caso do procurador Nismam, a direita e o imperialismo desejam desestabilizar os governos não alinhados com os planos neocolonialistas da Casa Branca, principalmente a Rússia, seu grande adversário político e militar na arena mundial. O local escolhido para o assassinato foi simbólico neste sentido: a Grande Ponte de Pedra, não muito distante dos muros do Kremlin. Uma hora antes de ser assassinado, Nemtsov havia feito um chamado aos russos para que se manifestassem neste domingo contra a “agressão de Vladimir Putin” na Ucrânia e pela interrupção do apoio russo aos Rebeldes de Donestk. Desde a LBI não temos a menor dúvida de que o assassinato de Nemtsov se trata de uma armação organizada pela CIA para desestabilizar o governo Putin, que não tinha o menor interesse em eliminá-lo ainda mais na véspera da marcha que ele convocou em Moscou. Lembremos que em junho do ano passado o governo pró-imperialista de Kiev e a CIA tentaram atingir o avião de Putin e acabaram matando centenas de civis, fato até hoje não esclarecido por interesse dos EUA. Frente ao fracasso da operação aérea decidiram fomentar a oposição interna para tentar uma “primavera russa” em Moscou, como fizeram na Líbia com Kadaffi. Diante dessa nova orquestração da Casa Branca em conluio com seus lacaios da Ucrânia, que estão diretamente envolvidos no assassinato de Nemtsov para responsabilizar Putin, devemos denunciar esta provocação e chamar o povo russo a rechaçar mais esta armadilha a serviço de colocar um novo fantoche como Yelstin à frente do governo do país.

Em vez da manifestação prevista contra o apoio de Putin aos rebeldes na Ucrânia, foi organizada uma marcha no domingo (1 de março) para prestar homenagem a Nemtsov. A rota da marcha, que pode reunir até 50.000 participantes segundo a mídia murdochiana, atravessará a Grande Ponte de Pedra, onde Nemtsov foi assassinado. Como se observa está literalmente em marcha uma tentativa de colocar o governo Putin na defensiva para que recue do seu tímido apoio as repúblicas populares na Ucrânia, como desejam as potências capitalistas ocidentais e a OTAN. Frente a esta artimanha “Putin declarou que este assassinato brutal leva as marcas de uma morte por encomenda e que tem todas as evidências de que é uma provocação", indicou seu porta-voz, Dmitri Peskov. O dirigente do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), Ivan Melnikov, considerou que se trata de uma “provocação destinada a potencializar a histeria antirrussa no exterior”. A morte de Boris Nemtsov tem por objetivo “a desestabilização da sociedade”, considerou um dirigente do partido pró-Kremlin Rússia Unida, Vladimir Vasiliev. É fundamental compreender que por trás do assassinato de Nemtsov, apoiador do governo Petro Poroshenko da Ucrânia no interior da Rússia, está o fato de que na crise da Ucrânia Putin colocou novamente o governo Obama em situação extremamente delicada e que está deixando às claras a covardia do império em enfrentar inimigos com pelo menos alguma capacidade de “resposta” militar. Primeiro foi o recuo na Síria, logo após a Casa Branca anunciar que iria atacar o país em poucos dias a Rússia anunciou que apoiaria Assad em caso de uma agressão externa, Obama vergonhosamente desistiu do bombardeio abrindo um precedente muito perigoso para a nação mais “poderosa do planeta”. Novamente as bravatas do imperialismo ameaçando Moscou no caso da “anexação” da Crimeia caíram como um castelo de cartas, deixando como opção “militar” para o Pentágono a humilhante via de armar bandos fascistas em Kiev, além de tentar organizar uma oposição fundamentalista islâmica entre o povo tártaro que habita a península do Mar Negro. Esta tem sido a “tática” preferencial do imperialismo ianque diante dos regimes nacionalistas burgueses que busca derrocar em todo mundo, ou seja, impulsionar hordas neofascistas e grupos muçulmanos raivosos contra o comunismo, que consideram como o satã na terra. Por mais inacreditável que possa parecer são estes setores alimentados pelos EUA, ultrarreacionários e de extrema-direita, os que são considerados como “revolucionários” pelos revisionistas da LIT/ PSTU.

O imperialismo ianque vem patrocinando a oposição conservadora na Rússia. Em 2012, Putin foi eleito novamente presidente do país pelos próximos seis anos, em um pleito em que os EUA acusaram a existência de fraudes. Tal pressão está focada no objetivo da Casa Branca enfraquecer Putin (se não o assassinar antes, como fez com Hugo Chávez) e nas próximas eleições (2017) “escolher” para o comando do Kremlin um homem de sua inteira confiança através do que chamam de uma “transição democrática”, alegando que ex-agente da KGB está se tornando um “ditador” que burla a “democracia” indicando fantoches para “mandatos tampões” no seu lugar, como foi o caso do atual primeiro-ministro Dmitry Medvedev. No plano mais estratégico está claro que essa ofensiva política contra Putin está voltada a neutralizar seu governo diante da investida futura da Casa Branca contra o Irã e a Síria, além de seu apoio aos rebeldes na Ucrânia. Ao pressionar Putin, via uma oposição interna, Obama deseja que a Rússia recue em seu apoio militar a esses dois países, medida fundamental para que o imperialismo possa impor seus interesses na região. A Rússia tem uma base militar na Síria, porta-aviões estacionados na costa do país além de ser parceira estratégica do programa nuclear iraniano. Ademais, se opõe parcialmente a criação do sistema de defesa antimíssil para Europa controlado pela OTAN, voltado justamente para neutralizar qualquer reação militar russa a uma possível agressão imperialista.

Os seguidos refugos da Casa Branca diante de Putin tem incrementado com muita força o retorno do nacionalismo russo, que neste momento tenta novamente delinear sua “zona de influência” como nos tempos soviéticos. Desde a destruição contra-revolucionária das conquistas operárias na antiga URSS, o bando restauracionista, inaugurado por Yeltsin, vinha desestimulando qualquer atrito político ou militar com o imperialismo europeu e ianque, neste sentido as parcas manifestações nacionalistas russa eram duramente reprimidas pelo Kremlin. Mas a chamada “revolução laranja” ocorrida em 2004 na Ucrânia ascendeu o “alerta vermelho” para os restauracionistas, era necessário parar de se “agachar” perante os EUA ou se transformariam em mais um “quintal” do imperialismo ianque. Neste período este setor estatal já convertido em burguesia russa (a restauração capitalista havia terminado por completo) era comandado por Putin, um ex-dirigente da KGB e simpatizante distante do velho stalinismo. Com o fortalecimento econômico da Rússia no final da década passada, produto das exportações de Gás e Petróleo para a Europa, os projetos da poderosa indústria bélica foram reiniciados, tendo como marco o lançamento do moderno caça Sukhoi, único supersônico do planeta com capacidade de enfrentar os F-18 norte-americanos. Ainda é muito cedo para fechar uma caracterização rigorosa sobre a dinâmica política que vem assumindo o “novo” nacionalismo russo, sob a égide de Putin, mas já podemos afirmar que se trata de um fenômeno radicalmente distinto do nacionalismo neofascista ucraniano, por exemplo. Também seria uma completa tolice para o marxismo caracterizar este vetor nacionalista como uma expressão do “neo-imperialismo russo”. A Rússia, desde sua “reconstrução” capitalista (favor não confundir com a destruição da URSS), vem se configurando como uma semicolônia do imperialismo europeu, fornecedora de commodities agrominerais de baixo valor agregado. Sua avançada indústria bélica (herança do Estado operário soviético) sofre um duro bloqueio comercial dos EUA, sendo que poucos países tem a “ousadia” para comprar as armas russas, Venezuela e Síria fazem parte deste “seleto” grupo. Como não pode se basear na venda de equipamentos bélicos para acumular divisas cambiais, a Rússia tem organizado sua economia em torno da Gazprom, principal empresa exportadora do país. Seria tão estúpido, do ângulo científico do Leninismo, considerar a Rússia imperialista tanto como qualificar politicamente seu atual curso nacionalista burguês de enfrentamento com o imperialismo como “reacionário”. A história mundial tem demonstrado que a movimentação social de setores das burguesias nacionais podem oscilar politicamente de acordo com a etapa da luta de classes. Podemos citar o exemplo do nacionalismo “getulista” no Brasil, que transitou da aberta simpatia do fascismo a um tímido anti-imperialismo latino americano, o que lhe custou o segundo governo e a própria vida.

Estrategicamente Obama deseja se livrar do staff de ex-burocratas restauracionistas que ajudaram a Casa Branca a liquidar as bases sociais do Estado operário soviético na década de 90 e colocar no comando da Rússia figuras de sua inteira confiança, que sequer esbocem resistência como Putin. Washington também deseja livrar-se de Putin e seu séquito estrategicamente para impor a sua semicolônia uma nova fase histórica, hoje travada pelo Kremlin, que utiliza do poderio militar russo para barganhar áreas de influência regional com o imperialismo ianque. A Casa Branca pretende fazer da Rússia um apêndice militar do Pentágono, já que do ponto de vista político desde a era Yeltsin o Kremlin vinha seguindo a Casa Branca em seus passos de rapinas imperiais no planeta. Não nutrimos a menor simpatia política pelos bandos mafiosos restauracionistas que se instalaram no poder na Rússia desde a contrarrevolução de agosto de 1991, ao contrário, nos postamos ao lado da ala da burocracia stalinista (Bando dos 8) que tentou barrar a seu modo torpe esse processo então comandado por Boris Yeltsin. Nesse sentido, não apoiamos qualquer “movimento” de fachada democrática patrocinado pelo Departamento de Estado ianque, como as marchas de solidariedade ao entreguista Nemtsov que tenha como objetivo preparar as condições para defenestrar Putin pelas mãos de uma ofensiva imperialista para impor um nome ainda mais alinhado com a Casa Branca.