sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


Todo apoio à prisão dos golpistas pró-ianques na Venezuela! O reacionário prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, deve responder diante de um Tribunal Popular por seus vínculos com a CIA e a Casa Branca!

O Serviço Bolivariano de Inteligência, SEBIN, deteve ontem (19/02) o prefeito (alcaide) metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, sob a acusação de conspiração golpista contra o governo constitucional de Nicolás Maduro. Ledezma é dirigente do partido ultradireitista Alianza Bravo Povo (ABP) e conjuntamente com Henrique Capriles e Leopoldo Lopez (preso a mais de um ano) coordenam as ações de sabotagem ao governo nacionalista burguês do PSUV. Porém o prefeito de Caracas talvez incentivado pela crise econômica de desabastecimento que assola a Venezuela tenha pretendido um dar um passo mais "ousado": planejar o assassinato do próprio presidente Nicolás Maduro. Para os conservadores que afirmam se tratar de mais um "delírio" da " teoria da conspiração", não custa lembrar que a prematura morte do coronel Hugo Chavez foi produto direto de uma intoxicação radioativa que acelerou um tumor cancerígeno já existente. Para os "experts" da CIA trata-se de uma operação bastante elementar e diversas vezes já realizada contra os adversários do "American Way of Life". A Venezuela vive uma conjuntura bastante polarizada politicamente, em particular após a morte de seu "Comandante Bolivariano", onde por um lado o presidente Maduro não avança em nenhuma medida de expropriação dos grandes grupos econômicos e na outra ponta a burguesia nativa segue boicotando as tímidas iniciativas de confronto do governo com o imperialismo e seus representantes caninos na Venezuela. Com uma inflação alta e salários corroídos fica muito difícil ao frágil governo Maduro recompor a base social do Chavismo no interior do movimento operário organizado. Maduro se apoia fundamentalmente nos setores populares e periféricos que diante das medidas sociais do governo nacionalista burguês obtiveram conquistas importantes no seu nível de vida. Mas a debilidade da economia capitalista venezuelana, monoprodutora e dependente das exportações de petróleo para os EUA, impede um avanço histórico mais significativo para os trabalhadores sob o marco de um regime burguês da propriedade privada dos meios de produção. Sob o "fogo cruzado" das duas trincheiras de classe, Maduro tenta se equilibrar com uma política "centrista de esquerda" e que obviamente não é aceita pelo imperialismo. Neste quadro o bloco conservador de oposição, concentrando desde forças fascistas até liberais de direita, tenta voltar ao controle do Estado burguês seja pela via institucional ou golpista. Na primeira hipótese o caminho parece estar obstruído para a oposição já que o Chavismo assegurou a hegemonia no campo do judiciário federal e fundamentalmente no seio das Forças Armadas. Uma conduta acertada e totalmente distinta da realizada pelo PT no Brasil ou a FpV (Kirchnerista) na Argentina. Com a trilha institucional obstruída a oposição direitista prioriza mesmo as alternativas de sabotagem, golpismo e assassinatos, criando um clima de terror no país. A prisão de duas lideranças da oposição (Leopoldo e agora Ledezma) deve "atiçar fogo" na conjuntura, desatando novamente as multitudinárias marchas da classe média contra o governo Bolivariano. Como Marxistas Revolucionários não compartimos da "tese" acerca do caráter socialista do Estado na Venezuela, seguimos caracterizando os governos Bolivarianos como uma expressão radicalizada do nacionalismo burguês. Contudo não somos "derrotistas" entre o confronto real travado entre o Chavismo e o bloco conservador pró-imperialista. Os Trotsquistas não podem ser neutros na luta política ou militar contra os interesses rapineiros do Império em nosso continente ou no planeta. A prisão de Ledezma acendeu o "sinal vermelho" para o Departamento de Estado dos EUA, que logo acionou seus "meios de comunicação" para denunciar mais uma vez os atos "autoritários e antidemocráticos" do governo Maduro. Parece uma piada de muito mau gosto que a "imprensa livre" defenda uma figura sinistra como Ledezma um dos signatários do "Acordo Nacional para a Transição", publicado no último 11 de fevereiro, um documento fascista que seria o ponto de partida para o desenvolvimento de um plano de golpe que incluiria até mesmo um bombardeio aéreo (com apoio logístico da CIA) ao Palácio Miraflores. Apoiamos incondicionalmente as prisões dos elementos abertamente golpistas e ligados a Casa Branca (centro mundial do terrorismo de estado) na Venezuela, porém apontamos a necessidade de ir além dos estreitos limites do regime burguês vigente. É necessário convocar o proletariado venezuelano para julgar e condenar os golpistas da direita, através da construção de seus próprios organismos de poder. Neste sentido a organização de tribunais populares, democraticamente constituídos de forma independente pelo movimento de massas, será um primeiro passo decisivo para derrotar a ofensiva golpista e os planos da pirataria imperialista para subjugar a Venezuela.

O pesado cerco ao governo do PSUV não se resume as tentativas de sabotagem da CIA e tampouco as marchas fascistas convocadas pela oposição pró-ianque. Os EUA pretendem quebrar a "coluna vertebral" da economia venezuelana, estamos falando da PDVSA. A ofensiva neoliberal contra governos considerados "nacionalistas" forçou a queda internacional do preço do petróleo, ameaçando a existência de gigantes estatais como a PDVSA, PETROBRAS e GAZPROM. Como estas empresas têm em comum a exportação do óleo cru para os centros imperialistas, enquanto a cotação da commoditie mineral despenca no mercado mundial o preço dos combustíveis refinados dispara. Não precisa lembrar que são os trustes imperialistas que fabricam os combustíveis fósseis e os vendem aos países produtores de petróleo, o resultado desta "equação " é óbvio: a semi-falência das estatais nacionalizadas do petróleo provocando um enorme déficit monetário no caixa estatal dos governos "populares".

Como a PDVSA responde pela maior parte do PIB da economia venezuelana, cerca de 90%, podemos compreender a delicada situação em que se encontra o governo Maduro com a crise de sua estatal. Com a drástica redução na receita das divisas internacionais se instalou rapidamente uma crise de desabastecimento (na maioria produtos importados) e fechamento de fábricas e grandes empresas. Este quadro de instabilidade "animou" setores da extrema direita que não pretendem esperar as próximas eleições presidenciais. Não se pode descartar que os EUA trabalhe nas duas "frentes" contra a Venezuela, o cerco econômico internacional e a conspiração política com golpistas locais.

Os trabalhadores já sentem na "carne" os efeitos da crise econômica com o aumento do desemprego e cortes salariais. O governo Maduro vacila em expropriar os burgueses sabotadores, atacadistas e grandes comerciantes, mas atua com "mão de ferro" contra os certos opositores radicalizados para manter intacto o controle do regime institucional, fundamentalmente o parlamento e o sistema judiciário. A classe operária não deve rebaixar suas reivindicações históricas e imediatas diante da política reformista do Chavismo, muito distante do socialismo revolucionário. Porém sem perder o norte estratégico do combate frontal ao imperialismo e seus reacionários lacaios regionais.