sexta-feira, 16 de abril de 2021

“EPIDEMIA” DE ATAQUES DOMÉSTICOS NOS EUA: MAIS UM “EFEITO COLATERAL” DO TERROR SANITÁRIO EM UMA SOCIEDADE DOENTE SUBMERSA NA BARBÁRIE CAPITALISTA

Um homem matou 8 pessoas e tirou a própria vida em Indianápolis em ataque a um prédio da FedEx na noite desta quinta-feira, 15.04. É o 7º “ataque doméstico” nos EUA em apenas 1 mês, em uma onda de violência que já deixou mais de 40 mortos e dezenas de feridos. O confinamento social imposto devido a pandemia de Covid-19 multiplicou os feminicídios, suicídios, a depressão, o vício em bebidas e drogas e, com ele, as overdoses, as mortes e assassinatos, enfim o avanço da barbárie social como vimos em Indianápolis.  Há uma “epidemia” de ataques domésticos nos EUA, trata-se de mais um “efeito colateral” do terror sanitário em uma sociedade doente submersa na barbárie capitalista no coração do monstro imperialista.

Na semana passada, Biden anunciou medidas para tentar controlar o que chamou de "epidemia de violência com armas de fogo" no país. O presidente americano quer dificultar o acesso às "armas fantasmas", que podem ser montadas em casa e não têm número de rastreio. “A violência com armas de fogo neste país é uma epidemia. E é uma vergonha internacional", afirmou o presidente americano. 

O controle das armas de fogo nos EUA é um tema que divide o país, ainda que há décadas os americanos convivam com massacres em escolas e espaços públicos. Muitos dos defensores do porte de arma recorrem à Segunda Emenda da Constituição americana, que garante o direito de se ter uma arma. Sempre que o governo tenta controlar o acesso a armamentos, lobistas recorrem à Justiça para derrubar a decisão. 

O presidente americano insistiu que as medidas apresentadas na quinta-feira (8), dia dos ataques na Carolina do Sul e no Texas, não infringem a Constituição americana. "Nenhuma emenda da Constituição é absoluta", afirmou Biden.

Após novo massacre em Indianápolis, o carniceiro "Democrata" Biden defendeu proibição de armas de assalto. A Casa Branca cogita recorrer a medida executiva. 'Não preciso esperar um minuto a mais, imagine uma hora, para tomar decisões de bom senso que vão salvar vidas no futuro. Podemos proibir os fuzis de assalto', disse um dia depois de homem abrir fogo em um supermercado no Colorado e deixar dez mortos. Ele defendeu a proibição de fuzis de assalto e solicitou ao Congresso que aumente o controle da posse de armas.

Uma sociedade que envia mercenários ao mundo inteiro para matar, em nome dos negócios, não pode espantar-se com os massacres de seus adolescentes e suas crianças por seus próprios compatriotas. 

Depois do massacre, o ritual de cinismo se repete: os políticos burgueses ianques, como Biden falam em Deus, família e mandam hastear bandeiras a meio mastro. Vigílias à luz de velas se multiplicam e a indústria de entretenimento cancela eventos, enquanto os jornais e as TVs exploram o ocorrido.

Psicólogos e sociólogos pequeno-burgueses são convocados para examinar o perfil do assassino, quase sempre um solitário homem branco, um jovem “desequilibrado” ou um velho conservador como foi o caso em questão. O que eles não dizem é que a principal responsável pelo massacre no Colorado assim como todos os outros é a cultura belicista ianque, potenciada pela direita norte-americana e que tem o apoio social de um amplo setor da classe média.

Em Washington, a esmagadora maioria dos deputados que ocupa o Congresso tem suas campanhas bancadas pelas doações das empresas de armas, como parte do seu poderoso lobby. Os EUA têm tantos habitantes quanto armas de fogo em circulação – mais de 300 milhões. Essa realidade não faz nos opormos ao direito democrático de autodefesa diante do Estado burguês (a segunda emenda da Constituição norte-americana garante “o direito das pessoas manterem e carregarem armas”) e muito menos defender o monopólio das armas pela burguesia. 

Ao contrário, alertamos justamente que em uma sociedade capitalista decadente, alienada e agressiva como os EUA, os “efeitos” colaterais dessa bárbara realidade mostram justamente a necessidade de por um fim ao capitalismo pela via da violência revolucionária e da expropriação da burguesia de conjunto.

Com a tragédia em Indianápolis, a campanha pelo fim da venda de todos os tipos de armas a civis ganha novamente força nos EUA, sendo apoiada por setores de “esquerda”. Mas o que está por trás desse “debate” não é nenhuma preocupação real como as verdadeiras raízes dos seguidos massacres em escolas, ou seja, a fascistização da sociedade ianque, que se apoia em setores da classe média que apoia a perseguição a imigrantes e negros.

O que um setor da burguesia norte-americana deseja é reforçar o seu controle sobre o comércio de armas e aumentar o aparato repressor sobre as massas proletárias. Os únicos beneficiados do “fim da venda de armas de fogo” em geral serão uma minoria da classe dominante que organiza exércitos paramilitares e os setores da classe média alta que usam as licenças de “clubes de tiro” para atacar os pobres nas ruas das metrópoles e assim como os grandes capitalistas que já contam com milícias privadas, através de empresas de segurança.

A farsa em torno da tese de “desarmar a população para acabar com a violência” está voltada a garantir que o Estado burguês tenha para si o monopólio das armas para resguardar a propriedade privada dos meios de produção, enquanto a maioria da população estaria proibida de possuir armas e autodefender-se. Hoje, a defesa do direito democrático da autodefesa deve ser empunhada como uma bandeira central do proletariado, inclusive com a expropriação dos depósitos de armas das FFAA em um período revolucionário e de ascenso de massas, chamando a ruptura da hierarquia militar em favor dos explorados e o armamento popular contra os bandos fascistas que pululam entre a pequena-burguesia ianque. Só neste sentido este direito tem um caráter progressivo.

Nos EUA, nas últimas décadas, têm sido comum as matanças coletivas em escolas e em lugares públicos perpetrados por jovens oriundos da classe média, cujas mais conhecidas foram a de Columbine em 1999, quando dois estudantes mataram a tiros 12 colegas e uma professora. Ou ainda em abril de 2007, outro jovem atira e mata 32 pessoas e fere 15 em uma universidade na Virgínia. Os exemplos podem chegar a 60...  Mas basta citarmos estes apenas para se ter uma ideia acerca das razões político-sociais que levam a estes massacres. No caso de Columbine, não por coincidência, a OTAN a serviço do Pentágono bombardeava a Iugoslávia durante a Guerra do Kosovo exterminando milhares de vidas. Em 2007 a corrida guerreirista de Bush manchava de sangue as ruas de Gaza, Bagdá, Afeganistão, perseguia as Farc etc. Agora estamos no meio das ameaças de Biden à Rússia ou o apoio a intervenção militar a Venezuela. Os ataques de claro conteúdo fascista estão em consonância com a época de ofensividade bélica e de reação ideológica preconizada pelo imperialismo norte-americano.

O massacre em Indianápolis do é a expressão mais acabada do estancamento das forças produtivas impostas pelo capitalismo. Como não há um contraponto revolucionário a esta degradação, a humanidade tende a caminhar para a barbárie imposta pelo império decadente. Desgraçadamente, se não houver uma direção política que aponte uma saída comunista para os trabalhadores de todo o planeta, carnificinas neonazistas e guerras genocidas acontecerão como norma de sobrevivência do regime capitalista senil. 

Sem a intervenção do proletariado nesta conjuntura fascistizante, ao contrário do que asseveram os “catastrofistas” do revisionismo trotskista, o capitalismo não se extinguirá, nem cairá de podre, ao contrário, arrastará a humanidade para a barbárie.

Estamos vendo a volta com força do neonazismo ianque em escala interna e planetária. Para se opor a essa escalada arquirreacionária deve-se ter claro que ela é uma expressão da dura etapa de contrarrevolução e profunda ofensiva imperialista em curso, onde ao lado dos mortos do Colorado estão os cadáveres de mais de 200 mil líbios trucidados pelos bombardeios da OTAN ou as vítimas dos mercenários “rebeldes” na Síria, ao melhor estilo dos jogos de guerra vendidos às crianças norte-americanas.

Para que não se repitam novas cenas sanguinárias dentro e fora dos EUA, somente a ação revolucionária do proletariado mundial poderá reverter estas tendências nefastas, se valendo da luta pela liquidação do modo de produção capitalista e tendo como estratégia a imposição de seu próprio projeto de poder socialista.