segunda-feira, 12 de novembro de 2012


Enclave terrorista de Israel ataca a Síria após 40 anos da rapina de Golã. Enquanto isto, no Brasil, PSTU promove jornada de debates com militante “rebelde” pró-sionista!
O exército nazi-sionista disparou vários mísseis contra a Síria neste final de semana logo depois que tropas do governo de Bashar Al Assad atacaram os mercenários “rebeldes” entrincheirados em áreas próximas das Colinas de Golã, território originalmente sírio rapinado por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967. Pela primeira vez em quase 40 anos, desde a Guerra do Yom Kipur, em 1973, Israel lançou mísseis antitanques, o altamente destrutivo modelo Tamuz, contra solo sírio. O ataque foi seguido de uma ameaça por parte do ministro de Defesa israelense, Ehud Barak: “Eu espero que isto não continue, e que os rebeldes vençam na Síria, que Assad caia e que, finalmente, uma nova etapa na vida da Síria comece” (Reuters, 09/11). As palavras e os atos de Israel mostram claramente o apoio da máquina de guerra sionista aos “rebeldes” pró-imperialistas, colocando os revisionistas do trotskismo, como a LIT, no mesmo campo político e militar dos carniceiros nazi-sionistas Netanyahu e Ehud Barak! Não por acaso, enquanto Israel ataca a Síria, o PSTU promove no Brasil uma “jornada de debates” com a militante “rebelde” pró-sionista Sara Al Suri, que defende junto com Israel e os (muy) “amigos da Síria” patrocinados pela víbora madame Clinton, a queda da “ditadura sanguinária” de Bashar Al Assad!

O ataque de Israel ocorreu justamente quando o exército sírio estava retomando as cidades de Kuneitra e Bir Adjam, a poucos quilômetros da fronteira imposta pela ocupação israelense, e não por acaso, controladas atualmente pelos “rebeldes”, próximas da chamada “zona desmilitarizada” estabelecida pela ONU em 1974 em apoio à rapina sionista. O exército sionista enviou uma queixa formal às Forças Observadoras de Separação da ONU (UNDOF), afirmando que “o fogo que chega a Israel a partir da Síria não vai ser tolerado e poderá ser respondido com severidade”, buscando assim reforçar a necessidade de uma futura intervenção militar aprovada pela ONU e operada pela OTAN. Paralelamente, os militares sionistas dispararam o míssil Tamuz, teleguiado, alvejando uma área síria. Como se vê, trata-se de uma ofensiva orquestrada em apoio aos “rebeldes” por parte de Israel e da ONU, os mesmos mercenários que contam com o apoio entusiasta dos revisionistas da LIT. Tanto que o vídeo da “rebelde” trazida pelo PSTU ao Brasil mostra claramente que esta repete à exaustão mesma cantilena montada pela mídia murdochiana contra o governo sírio, acusando-o de bárbaras torturas contra seu próprio povo, enquanto não faz uma única crítica a Israel, a verdadeira cabeça de ponte do imperialismo na região, responsável pelo massacre dos palestinos como em Sabra e Chatila, já que o ELS recebe armas e munições do enclave sionista e informações do Mossad.
Estamos vendo a verdadeira aliança entre o PSTU e o enclave sionista, tanto que no artigo “Quem defende Assad?” (09/11), a LIT ataca violentamente o Hezbollah ao dizer que "No Líbano, o Hezbollah, que ganhou um grande prestígio por haver infligido uma derrota militar e política a Israel em 2006, agora sai em defesa de Assad". O que Israel deseja (e a LIT também!) é o fim do regime Assad e a ascensão de um governo títere das potências capitalistas aberto aos investimentos imperialistas (principalmente no setor de gás e minerais), que encerre a querela militar com o gendarme sionista. Isto significaria reconhecer a invasão israelense das Colinas de Golã como um fato histórico irreversível e abrir mão definitivamente da influência política síria sobre o Líbano. A anulação da Síria como “potência” militar regional, pela via da ascensão de um novo governo neoliberal, manietado diretamente pelos centros imperialistas, deixaria completamente isolados a Palestina e o Irã, parada final da ofensiva imperial sobre os povos árabes, ironicamente batizada pela Casa Branca e os revisionistas de “revolução árabe”.

Em oposição à política vergonhosa da canalha revisionista sob o comando da LIT defendemos incondicionalmente o direito da Síria a utilizar todos seus recursos militares (convencionais ou não) contra a agressão imperialista à soberania de seu território e responder imediatamente os ataques sionistas, chamando a solidariedade internacional dos povos do Oriente Médio a luta contra o enclave de Israel. Denunciamos vigorosamente a demagogia “humanitária” dos carniceiros sionistas, como Netanyahu e Ehud Barak e seus novos “companheiros” da esquerda revisionista, que possuindo o maior arsenal atômico clandestino do planeta, “gritam” como hienas assassinas contra as armas da Síria, país que não se ajoelhou diante dos amos imperiais. Tendo total independência diante do regime burguês de Assad, pois sabemos que os governos burgueses “nacionalistas”, como o da Síria, são impotentes em enfrentar consequentemente as potências capitalistas por suas próprias características de classe, os marxistas revolucionários tem como centro programático o combate mortal ao imperialismo, postando-se sem vacilações na trincheira oposta a do pior inimigo dos povos e pela destruição de seu enclave assassino no Oriente Médio!


sábado, 10 de novembro de 2012


O PSB continuará seguindo o PT em 2014 ou se abrigará no ninho Tucano?

As recentes eleições municipais revelaram uma tendência política já demonstrada em 2010 e consolidada neste pleito, o forte crescimento do PSB no mesmo nicho geopolítico do eleitorado petista, ou seja, a região nordeste. Mas o que era apenas a configuração de uma parceria dos petistas, encastelados no “poder” do Planalto, com setores da grotesca oligarquia dominante nordestina travestida de “socialista”, agora em 2012 se transformou em uma disputa aberta com hora e local para ocorrer: a sucessão presidencial de 2014. O PSB que praticamente estava à beira da insolvência quando da primeira eleição de Lula em 2002, foi soerguido pelo próprio PT com o objetivo de transformar-se em uma legenda da base fiel da frente popular, assim como ocorreu com o PCdoB. Lula pessoalmente bancou a candidatura de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco em 2006, quando o PT estava mais forte no estado, tendo o controle da prefeitura de Recife. Lula também afiançou politicamente a transferência do então ministro Ciro Gomes do PPS para o PSB, forçando o PT cearense a apoiar a candidatura do inexpressivo Cid Gomes (irmão de Ciro) ao governo Alencarino em 2006 e, por último, no Piauí em 2010 o PT que já governava o estado passou a “caneta” para um “socialista” amigo do partido. Dos quatro governos estaduais administrados atualmente pelo PSB pelo menos três foram uma “cortesia” petista, isto sem falar da prefeitura de BH repassada de bandeja em 2008 a um “socialista” Aéciano. Mas, parece que a manobra de ressuscitar a oligarquia “socialista” como aliada política ameaça naufragar e no momento é o PSB que vem retribuindo os “favores” petistas derrotando o PT em seus próprios redutos eleitorais. O caso mais emblemático aconteceu na última disputa em Fortaleza, onde a anturragem da prefeita Luizianne Lins (DS) não aceita de forma alguma a derrota para a família Gomes, recorrendo até a justiça eleitoral e defendendo ruptura da aliança com os coronéis “socialistas” em nível estadual e nacional.

Parece que as derrotas municipais em BH e Recife já foram digeridas pelo PT na base da lei das compensações da burguesia (síncope política de Serra), apesar dos traumas causados, mas o imbróglio de Fortaleza fomenta uma crise nacional entre os chamados petistas históricos e o PSB. A denúncia de irregularidades nas eleições de Fortaleza feita pelo PT municipal carece de maior impacto político pelo simples fato de não poder abordar o fulcro da questão, ou seja, a fraude eletrônica. Como o próprio PT é signatário do “pacto de sangue” que deu origem ao nascimento da urna roubôtronica, a prefeita Luizianne fica limitada a fazer denúncias superficiais (compra de votos e utilização de camisas padronizadas), omitindo o ponto central da derrota de seu candidato, ou seja, foram fraudados os verdadeiros resultados eleitorais nos “laboratórios” do TRE controlado pelas oligarquias Jereissati e Gomes. Por outro lado, a ala mais fisiológica do PT, ligada à presidenta Dilma, já tratou de apaziguar a crise defendendo a manutenção do acordo com o PSB, incluindo a permanência dos secretários petistas no governo estadual. Lula fica mais uma vez em uma situação delicada, pois tem que assistir passivo a derrota fraudulenta de um candidato vitorioso no voto, bancado por sua iniciativa política. Dilma não se fez de rogada e em uma cerimônia no palácio do Planalto esta semana tratou de prestigiar o governador Cid, para desespero de Luizianne.

Para além das fissuras municipais, a burguesia e sua mídia “murdochiana” vem tratando de “botar lenha na fogueira” da disputa pelo botim estatal entre PSB e PT, lançando “incondicionalmente” o nome do governador Eduardo Campos à presidência da República em 2014. O quadro interno dos “socialistas” de cartucheira também não é homogêneo, no sudeste (MG e SP) estão “infiltrados” pelos tucanos e no nordeste estão divididos entre as oligarquias Campos e Gomes. O ex-ministro Ciro Gomes, o primeiro a ter pretensões nacionais, está atualmente comprimido pelo prestígio político do “colega” Eduardo Campos a frente do “exitoso” governo pernambucano. Como não são nada bobos, Cid Gomes já lançou o nome de Campos para... vice de Dilma em 2014, talvez pensando em ele mesmo abocanhar o cargo diante da recusa óbvia do neto de Arraes. Os “socialistas” de Pernambuco não querem nem ouvir falar de vice e articulam com um setor dos tucanos a cabeça da chapa à presidência para Campos. O prefeito eleito de Manaus, o tucano Artur Virgílio, abraçou a “tese” de ceder a cabeça da chapa para o PSB, sendo imediatamente desautorizado pelo senador Aécio Neves que já está em campanha pela presidência da República. Como não há consenso no plano do próprio PSB é muito pouco provável que consiga decolar uma candidatura própria ao Planalto em 2014, sem o apoio do PSDB. A tendência da conjuntura política (estabilidade social e crescimento econômico relativo) ainda aponta para a manutenção da frente popular no “modelo” que foi vitorioso em 2010, ficando a cargo da presidenta Dilma a escolha de um vice entre as camarilhas burguesas do PMDB ou PSB.

O que realmente é muito pouco abordado no meio dos debates políticos da esquerda é o futuro desenho do PT, com a prisão de Dirceu e Genuíno e a sedimentação da liderança dos neopetistas, comandados por Dilma. A figura de Lula resguardada pela burguesia com a vitória de Haddad, e de sua não inclusão na Ação Penal 479 (processo do “mensalão”), não terá maior peso nas decisões sobre as articulações políticas a próxima sucessão presidencial. Talvez uma saída “honrosa” para Lula seria a disputa do governo de São Paulo, isto é claro sempre levando em conta o imponderável quadro de seu estado de saúde. A ofensiva burguesa segue seu curso sobre um movimento de massas atomizado e sem uma alternativa revolucionária, neste marco as fissuras surgidas no seio das classes dominantes e de suas agremiações políticas não poderão ser utilizadas pelo proletariado, desprovido de seu próprio projeto de poder estatal.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


Direitona argentina leva meio milhão de pessoas às ruas contra CFK, revisionismo pede seu ingresso neste bloco reacionário!

A Argentina voltou a ser palco neste dia 08 de novembro de manifestações contra o governo de Cristina Fernandez Kirchner (CFK), impulsionadas por setores de direita com o apoio de parte dos meios de comunicação como o arquirreacionário Clarín e La Nación. Os protestos foram maiores que os “cacerolazos” de 13 de setembro, o que demonstra que está avançando a campanha pelo desgaste do governo que se diz “nacional e popular”, acusado de copiar medidas “autoritárias” adotadas pelo chavismo na Venezuela. Os revisionistas do trotskismo mais descarados, como a Izquierda Socialista, participaram entusiasticamente do protesto enquanto seus sócios na FIT (PO e PTS) chamaram um apoio envergonhado ao “cacerolazo” que tomou às ruas de Buenos Aires e outras cidades do país, buscando um passaporte com coloração mais “à esquerda” para ingressar neste bloco reacionário. Os eixos políticos da manifestação foram uma clara resposta da direita à aprovação da “Ley de Medios” marcada para entrar em vigor em 7 de dezembro. Tanto que entre os cartazes erguidos por alinhadas senhoras portenhas podia-se ler “liberdade”, “imprensa livre”, “respeito”, “não à corrupção”, “Cristina renuncie já”, “Abaixo a ditadura K”, ou seja, demandas políticas próprias da alta classe média insuflada por setores burgueses que não estão satisfeitos com o governo de Cristina e suas iniciativas populistas, principalmente devido às medidas como a estatização da YPF, um maior controle institucional dos meios de comunicação, o controle do câmbio e a aprovação da revisão constitucional que permitiu o voto opcional aos dezesseis anos. A demonstração de força da direita, que colocou meio milhão nas ruas e agrupou um amplo espectro político (Macri e sua coalizão direitista - PRO, De la Sota, De Narváez, ou mesmo a UCR, grupos neonazistas, Igreja conservadora, “sojeros” da Sociedade Rural e da Federação Agrária...) em muito se assemelha às “marchas da família com Deus pela liberdade” ocorridas no Brasil contra o governo de João Goulart em 1964... Qualquer semelhança não é mera coincidência!

O fato de a manifestação ser encabeçada por políticos opositores de direita, como Macri e De Narváez, não intimidou os revisionistas, afinal de contas estão acostumados a fazer alianças “táticas” com a reação, vide a unidade com os mercenários rebeldes pró-OTAN no Oriente Médio. A Izquierda Socialista (CST/PSOL no Brasil) logo aderiu à iniciativa: “Como em setembro, milhares estão usando o 8N para expressar sua revolta contra o governo. Será certamente outra expressão importante da classe média, junto com os setores populares contra a inflação e manipulação marca Indek, a corrupção, a impunidade, a insegurança, o abuso da propaganda oficial. O governo, diante da nova expressão nas ruas, através de Anibal Fernandez, disse: ‘O 8N é uma invenção de uma facção de extrema direita paga’. Tudo para desacreditar as justas exigências, tentando criar confusão, impedindo que milhares de novo se mobilizem contra as suas políticas” (El Socialista, 07/11). O que este canalhas não dizem é que as “exigências” dos que impulsionam os protestos são, na verdade, uma cruzada reacionária pelas supostas “liberdades” ainda maiores para os grandes grupos capitalistas e que agora contam desgraçadamente com o suporte político de uma esquerda revisionista absolutamente degenerada e corrompida ideologicamente! Já a CS argentina (associada ao MR no Brasil) nos deseja fazer crer que “mais além da participação política da oposição de direita, o protesto não expressa um ‘giro reacionário’ como caracterizam os bajuladores do governo, que o associam a Macri, Alfonsín, De Narvaez, Cecilia Pando, Sociedade Rural e os nazistas de Biondini. Portanto, a caracterização de ‘conspiração gorila’ é uma manobra para camuflar o governo como progressista ...! Como fosse progressiva alterar a já funesta lei de ART ou ‘re-nacionalizar’ parte da YPF”. A CS defende fortalecer o campo político dos privatizadores para criticar os limites da “estatização” da YPF, da mesma forma que se posta ao lado dos “amigos da Síria” auspiciados pela Madame Clinton para derrubar o regime “totalitário” de Assad! Apesar de não nutrirmos a menor simpatia política pelo governo burguês de CFK, ainda mais no momento em que este comprime os salários da classe trabalhadora através de um pacote de novos impostos, jamais nos uniremos à escória direitista como Macri, De Narvaez ou o grupo Clarín para “derrubar os K”, com métodos típicos do fascismo clerical, em sua cruzada contra o “comunismo e por liberdade”. Na verdade, ao se postaram até mesmo à direita de um governo burguês como o de Cristina Kirchner, os revisionistas mostram que perderam completamente qualquer noção de classe, repetindo a mesma “santa” aliança imperialista realizada na Líbia e na Síria contra governos nacionalistas burgueses. O combate aos ataques de Cristina ao movimento operário e sua política de colaboração de classes não se dará no terreno do apoio às iniciativas da direita, abdicando da completa independência política dos trabalhadores, mas denunciando justamente que estes “cacerolazos” patrocinados por setores de alta classe média, os “sojeros” da classe dominante rural e Clarín não são uma alternativa ao populismo de Cristina. Combatendo a direita reacionária estaremos forjando as condições para superar os “nac e pop” do kirchnerismo!

O mais tragicômico do que vem ocorrendo na Argentina é a posição do grupo El Militante ligado a Alan Woods (Esquerda Marxista/PT no Brasil) que na Líbia foi vanguarda no apoio aos “rebeldes” pró-OTAN e que agora ensaia uma “mea culpa” na Síria por pressão de sua relação corrupta com o chavismo. Já que chamou o voto em Cristina nas eleições presidenciais critica a conduta da esquerda em geral e dos outros membros da família revisionista em particular que tem a mesma posição na Argentina que a adotada pela própria CMI no Oriente Médio de aliar-se ao imperialismo contra regimes nacionalistas. Nos alerta El Militante sobre “O papel vergonhoso da oposição de ‘esquerda’: nos parece lamentável a posição de alguns setores da esquerda e do movimento sindical que parecem confusos e entrelaçados com os piores inimigos da classe trabalhadora, para sua maior vergonha e desgraça, quando colocam o governo como principal inimigo, enquanto permanecem em silêncio diante dos empresários e da oposição de direita. Tal é a política ‘operária’, ‘progressista’ ou de ‘esquerda’ de gente como Moyano e Micheli, do FAP de Binner e De Gennaro, do Projeto Sur de Pino Solanas, ou da FIT do PO e PTS. Quase todos eles, junto com o MST, o PCR e setores da FIT como a Izquierda Socialista, chegaram tão longe em sua degeneração política em apoiar os cacelorazos e mobilizações reacionárias impulsionadas pela direita e setores pró-golpistas. O mesmo papel pernicioso jogaram muitos deles no ‘conflito do campo’, onde se alinharam com os latifundiários da Sociedade Rural. E estas senhoras e senhores têm o descaramento de se indignar quando acusados de serem funcionais à direita...”. O “detalhe” é que El Militante aplicou na Líbia a mesma política que agora corretamente critica na Argentina! De fato, a manifestação foi gigantesca, levando meio milhão de pessoas às ruas, tanto que arrastou consigo vários setores que se dizem de esquerda e não por acaso quase todo o espectro daqueles grupos pseudotrotskistas que na Líbia e na Síria se postaram ao lado dos “rebeldes” contra as “ditaduras sanguinárias” de Kadaffi e agora Assad. O móvel político é o mesmo que o pregado na fantasiosa “revolução árabe”: aliar-se a setores sociais ligados ao imperialismo para desestabilizar governos burgueses que tenham algum grau de fricção com o amo do norte. Por mais incrível que pareça, os grupos revisionistas chegaram a esse ponto, em uma expressão política do grau de retrocesso ideológico que impera entre essas correntes após 20 anos da derrota histórica sofrida na URSS, não por acaso também saudada como um acontecimento revolucionário por estas mesmas organizações políticas que hoje veneram a democracia burguesa!

Cabe alertar que o PO e o PTS prestaram um apoio envergonhado ao “cacerolazo”, limitando-se a lamentar a ausência de uma intervenção “classista” estratégica dos setores que se reclamam de esquerda ao governo CFK e, mais precisamente, da própria FIT de conjunto. Desta forma, PO e PTS, pedem seu ingresso neste bloco reacionário já integrado pela IS ao pintar o “cacerolazo” como algo progressivo ainda que limitado: “A véspera do 8N transcorreu em meio a um completo silêncio das centrais operárias de oposição. O anúncio iminente de uma greve para a terceira semana deste mês, se ocorrer ficará para depois do cacerolazo. É evidente que Micheli e Moyano deixaram que o 8N - e os blocos políticos que o impulsionam – estabeleçam o marco político de uma futura greve geral e não vice-versa. O cacerolazo de quinta-feira ganhará massividade porque está montado em um conjunto de queixas populares, incluindo aquelas que afetam a classe operária como o imposto sobre o salário ou a redução dos abonos de famíliares. Mas não repudiou aos Macri, não De la Sota ou Binner que atacam a maioria do povo tal como o Kirchenerismo... A Frente de Esquerda tem a responsabilidade de postular-se como alternativa de conjunto, introduzir uma delimitação política em torno dos interesses históricos dos trabalhadores - em vez das exigidas pela agenda dos capitalistas” (site PO, Às vésperas do cacerolazo, 8/11). PO defende a piada que a FIT intervenha em um movimento de direita e o transforme em uma “revolta popular” ou um “argentinazo” quando, na verdade, o que vemos é justamente a direita e os setores econômicos a ela associados avançarem para impor ao governo o retrocesso em medidas que limitadamente afetam seus interesses em benefício de grupos burgueses aliados de CFK. Daí seu apoio “crítico” ao movimento da direitona. Já o PTS, sempre mais escorregadio, lançou justamente em 8 de novembro o artigo “Nem com Cristina, nem com a oposição patronal” aparentemente tentando manter certa distância dos “eixos” do cacerolazo da direita. Porém, quem se der ao trabalhado de ler atentamente ao artigo verá que adota a mesma linha de conselheiro como fez o PO ao declarar: “A convocatória do 8N não suscita qualquer demanda sentida pelos trabalhadores e setores populares (embora alguns indivíduos isolados falem de 82% móvel). Embora criticando o governo, nada se diz da oposição tão antitrabalhadora e antipovo como o Kirchnerismo... Queremos que a classe trabalhadora e o povo pobre pensem na vida nacional com suas próprias demandas. Desde a esquerda classista lutamos para que a saída seja dada pelos trabalhadores” (site PTS, 8/11). Em resumo, trocam-se as palavras, mas se adota a mesma política de intervir para que os “rebeldes” da direita argentina empunhem as demandas dos trabalhadores!

O movimento operário classista argentino deve compreender toda a complexidade da conjuntura aberta com o fato da direitona ter levado meio milhão de pessoas às ruas contra CFK e vergonhosamente o revisionismo trotskista em sua maioria esmagadora saudar entusiasticamente o “cacerolazo” da direita (IS, CS) ou pedir seu ingresso nesta cruzada reacionária (PO e PTS) propondo-lhe um suposto “programa revolucionário”! Os genuínos revolucionários declaram abertamente que não será entrando pelas portas dos fundos destas mobilizações direitistas de “massas” que os trabalhadores construirão uma alternativa política classista e revolucionária a CFK, sua política de colaboração de classes e o seu populismo. A tarefa de construção de um genuíno partido operário revolucionário se coloca na ordem do dia, diante do recrudescimento da ofensiva da direita na Argentina, Honduras, Paraguai e mesmo na Venezuela, sanha apoiada diretamente na atual ofensiva imperialista sobre os povos do planeta e mais particularmente no Oriente Médio e no norte da África, uma cruzada nefasta para os interesses imediatos e históricos do proletariado que desgraçadamente é apoiada pela mesma canalha revisionista que na Argentina saúda as marchas reacionárias da direita.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012


99 anos do nascimento do “Poetinha”

“Era ele que erguia casas/Onde antes só havia chão./Como um pássaro sem asas/Ele subia com as casas/Que lhe brotavam da mão./Mas tudo desconhecia/De sua grande missão:/Não sabia, por exemplo/Que a casa de um homem é um templo/Um templo sem religião/Como tampouco sabia/Que a casa que ele fazia/Sendo a sua liberdade/Era a sua escravidão.” (O Operário Em Construção)

Nascido no seio de uma família de músicos do bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, Vinícius de Moraes, o “Poetinha”, assim carinhosamente chamado por seus amigos, completaria 99 anos em 19 de outubro passado. Inveterado boêmio, foi na noite que conheceu seus principais parceiros de música, de copo, teatro, paixões, amores e onde aperfeiçoou seus dotes poéticos mais líricos. Desde criança demonstrou grande habilidade para as letras e a música, tanto que aos dez anos já participava do coral da escola e começa a montar pequenos escretes teatrais. Em 1930 ingressa na Faculdade de Direito do Catete, para a qual dizia não ter a menor vocação, porém teve a oportunidade de conhecer o escritor Otavio Faria que lhe formou para o mundo das artes literárias e travou conhecimento com os “modernistas” Manuel Bandeira, Mário e Oswald de Andrade e até Plínio Salgado que também fazia parte do movimento. Neste ínterim, atuou como censor cinematográfico, crítico de cinema sob a companhia de Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Afonso Arinos de Melo Franco. Em 1943 foi aprovado em concurso para o Ministério das Relações Exteriores, sendo empossado embaixador em Los Angeles, onde exerceu o cargo por quatro anos. Pouco depois foi deslocado para Paris, período mais profícuo para desenvolver o trabalho de... poeta! Os anos 50 marcaram o “debut” de sua veia musical mais aprofundada ao conhecer um jovem pianista em suas “andanças” pelos cabarés e noites cariocas, Tom Jobim. Na década seguinte, sua singeleza musical chamou a atenção de gênios do quilate de Baden Powell, Carlos Lyra, Francis Hime... No entanto, após o golpe militar contrarrevolucionário de 1964 foi afastado do cargo com a criação do AI-5 sob o estapafúrdio argumento de que sua “vida boêmia era incompatível com a carreira diplomática”, o que na verdade implicava a deculturação do país imposta a ferro e fogo pelo regime gorila. A trajetória de vida de Vinícius de Morais marcou o auge da produção artística no Brasil, dos anos 50 aos 80, mas após a queda do Muro de Berlim e da URSS, o imperialismo e sua mídia venal trataram logo de esmagar as tradições culturais de raiz, impondo não só a barbárie no campo social como no âmbito das artes em todo o planeta.

Importante destacar foi a evolução estético-política do “Poetinha” em sua trajetória de vida. De simpatizante do integralismo e com uma obra eminentemente cristã na juventude, o convívio direto e aberto com a nata da intelectualidade boêmia abriu-lhe os olhos para amadurecer em todos os aspectos. Seu primeiro livro publicado, “Forma e Exegese” (1935) e “O Caminho para a Distância” refletem bem o início místico-religioso de sua carreira, porém não demora a romper com o arcaísmo quando em 1936 publica os versos profanos e sensuais de “Ariana, a mulher” desaguando em uma elaboração de forte conteúdo popular. Em uma turnê pelo nordeste do Brasil, em 1942, ao lado do escritor americano Waldo Frank muda radicalmente seus conceitos políticos, tornando-se um antifascista, sentimento este aprofundado ao conhecer Pablo Neruda em 1945 de quem foi grande amigo. Colaborador do quinzenário “Para Todos”, de Jorge Amado, publica aí o poema “O Operário em construção” no ano 1956 como desfecho desta nova visão de mundo e inaugura a parceria com Tom Jobim, escalado para compor a música da peça teatral “Orfeu da Conceição” e quase concomitante, com João Gilberto junto a quem daria início a chamada “Bossa Nova”.

A bossa nova surgiu precisamente junto com o processo de urbanização e industrialização das grandes cidades brasileiras, respondendo às especificidades ideológicas e objetivas da época, tanto é verdade que jovens de classe média emergente do pós-guerra foram seus proponentes e refletia suas aspirações espirituais e humores. Vinícius, com João Gilberto, lança o LP “Canção do amor demais” em 1958, mostrando ao mundo a batida ritmada e inovadora da “bossa”, acompanhada da cantora Elizeth Cardoso, disco chave para se compreender a estética refinada do movimento. Um ano depois lança outro LP, “Por toda a minha vida” com letras suas e Tom Jobim. No início da década de 60 começa a compor com Carlos Lyra e Pixinguinha, em uma fase que dá os primeiros passos para a superação da “bossa nova”, cujo desenvolvimento aconteceu quando se aproximou de Baden Powell, dando origem aos “afro-sambas” (“Berimbau”, “Canto de Ossanha”, “Samba da Bênção”...). Em 1962 compõe com Carlos Lyra a peça “Pobre menina rica” lançando Nara Leão como cantora, já rompendo com os dramas da classe média. Em 1966 lançou o LP “Os afro-sambas”, evidenciando uma clara ruptura com a estética e os lamentos pequeno-burguês da bossa nova. A parceria com Toquinho iniciou-se dois anos depois de ser afastado do cargo de embaixador, em 1970, e com quem grava vários discos na Itália, Paris (1972-77) e no Brasil. No final dos anos 70, com o esgotamento político do regime militar, chegou a declamar poemas no sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo dos Campos a convite do então presidente da entidade Luis Inácio da Silva. Várias músicas de sua autoria foram censuradas pelos militares, como “Paiol de Pólvora”, “Valsa do Bordel” (nos shows dizia ser a “Valsa da Puta”) por “afrontarem e desrespeitarem o regime político” vigente diziam os autos do processo contra o Poetinha.

No dia 9 de julho de 1980 o coração do Poetinha parou de bater, após um derrame cerebral ocorrido três meses antes, cujas sequelas provocaram um edema pulmonar, deixando inconclusas e perdidas as obras “Roteiro lírico e sentimental da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro” e “O dever e o haver”. Seu último poema soa como uma balada triste, uma despedida: “Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente./E posso te dizer que o grande afeto que te deixo/Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas/Nem as misteriosas palavras dos véus da alma.../É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias/E só te pede que te repouses quieta, muito quieta/E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora” (Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa). O rumo tomado por Vinícius de Moraes comprova mais do que nunca a máxima programática do trotsquismo, segundo a qual a arte deve estar fortemente enraizada no popular e voltada para a vida, caso contrário tende a definhar gradativamente ou para o campo da reação ou para a extinção pura e simples. Vinícius foi um dos poucos intelectuais que viveu verdadeiramente como poeta, para a arte, a liberdade de criação, muito embora em sua obra não estive presente o elemento da atuação do artista como vanguarda na preparação da revolução, porém estava engajado em seu próprio tempo. São as sábias palavras do velho bolchevique Trotsky que enfatiza o papel do artista dentro do capitalismo e a luta pelo socialismo: “(...) ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita ‘pura’ (...). Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior” (Manifesto por uma Arte Revolucionária Independente, 25/7/1938). E nesta época de profundo retrocesso ideológico imposto pelo imperialismo, a arte revolucionária deve unir-se à luta pela emancipação da classe operária e proclamar bem alto seu apelo à resistência cultural contra a banalização e a idiotização das massas trabalhadoras, padrões de comportamento e de estética empurrados goela abaixo pela mídia “murdochiana” e seus amos do norte.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


Prognóstico da LBI confirmou-se plenamente: “Capitão do Mato” Obama é reeleito para massacrar os povos oprimidos do planeta

Leia os artigos publicados em nosso Blog no dia 12/01 e 13/08 de 2012, projetando a vitória do candidato democrata à Casa Branca

Burguesia ianque já “elegeu” Mitt Romney para ser derrotado por Obama, ex-“banana”!

O Partido Republicano recém iniciou seu processo interno (conhecido como prévias) para indicação de seu candidato presidencial, mas já definiu o escolhido. Apenas com os triunfos das prévias realizadas em Iowa e New Hampshire o ex-governador de Massachussetts, Mitt Romney, parece já ter conseguido a indicação do Partido Republicano. O motivo da definição política antecipada dos chacais republicanos não está relacionado ao peso dos dois estados onde se realizaram as prévias, relativamente insignificantes eleitoralmente, mas a própria conjuntura nacional norte-americana que aponta na direção da reeleição de Obama.

Os “adversários” republicanos em potencial do mórmon Romney começaram a desistir bem antes do início das próprias prévias partidárias. A principal deserção foi a da representante da fração do Tea Party no interior do covil republicano, Sarah Palin, ex-governadora do Alaska e vice na chapa de John MacCain em 2008. Sarah era a principal “esperança” da direita fascista ianque derrotar Obama nas eleições presidenciais deste ano, expressando o próprio crescimento político do reacionário Tea Party no seio dos setores da classe média americana, “amedrontada” com a profunda crise econômica por que passa o país. O Tea Party renunciou previamente à disputa pela Casa Branca em função do papel histórico assumido por Obama, através de sua ofensiva guerreirista sobre os povos do mundo árabe.

O ex-“banana” Obama, agora travestido de neofalcão, chamou para si a responsabilidade de defenestrar os regimes burgueses nacionalistas, adversários de Washington no Oriente Médio e Norte da África. O bombardeio criminoso sobre o povo líbio, as provocações terroristas contra o governo Assad e o anúncio da guerra nuclear contra o Irã, conferiram a Obama o posto de carniceiro imperial, pronto a “combater” pela manutenção da hegemonia militar ianque, desestimulando as pretensões dos fascistas do Tea Party comandarem o Pentágono. Os atuais “competidores” de Romney nas prévias republicanas (Rick Santorum, Ron Paul, Newt Gingrich etc.) são apenas figurantes derrotados, úteis para legitimar a farsa eleitoral de uma democracia dos ricos, baseada no partido único de duas alas que se alternam no “poder” segundo os interesses do imperialismo.

O milionário mórmon Mitt Romney disputa pela segunda vez a indicação republicana à Casa Branca. Desta vez ganha em “casa” e perde “lá fora”, faz parte do script previamente acordado entre os diversos trustes e os rentistas de Wall Street. O momento é de potenciar os abalados lucros capitalistas com a indústria da guerra, agora rebatizada de cruzada humanitária  ou de “revolução árabe”, operação política planejada pelo Pentágono e avalizada pelos cretinos da esquerda revisionista, que comemoraram junto a Obama e a senhora Clinton o assassinato de Kadaffi e neste momento salivam por um mesmo fim para Assad e Mahmoud Ahmadinejad. A classe operária norte-americana, através de sua vanguarda trotsquista, deve aliar-se aos povos semicoloniais em luta visceral contra o imperialismo, independente do caráter burguês de suas direções nacionalistas. Somente estabelecendo uma frente única incondicional para a derrota militar do “monstro” imperialista, mantendo sua independência de classe, a vanguarda do proletariado mundial poderá credenciar seu projeto histórico socialista, diante do conjunto dos povos oprimidos e da própria humanidade.

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Mitt Romney escolhe seu vice: o Tea Party entra na disputa derrotado e pela porta dos fundos

No início do ano passado o Tea Party, um braço do neofascismo ianque abrigado temporariamente no interior do Partido Republicano, estava bem cotado para derrotar Obama na disputa das eleições presidenciais de outubro de 2012. O cenário político dos EUA em 2011 apontava para uma fragorosa derrota dos Democratas em função do profundo desgaste do governo Obama, incapaz de reverter o quadro da crise econômica doméstica instalada no principal centro do imperialismo. Em franca ascensão política, o recém-fundado movimento reacionário denominado de Tea Party (uma alusão à festa nacionalista comemorada contra a ocupação britânica) lançava o nome da ex-governadora do Alaska, Sarah Palin, como favorita na batalha pelo controle da Casa Branca. Mas, a brutal ofensiva política e militar do governo Obama contra os povos árabes e regimes nacionalistas da região, detonada nos primeiros meses de 2011, conseguiu reverter o adverso quadro eleitoral dos Democratas, forçando o Tea Party a retirar a candidatura de Palin e acenar com um apoio envergonhado a Mitt Romney, escolhido previamente pelo Partido Republicano para ser derrotado nas próximas eleições. A ofensiva contrarrevolucionária imperialista no Oriente Médio, batizada pelo Departamento de Estado como “Revolução Árabe”, credenciou politicamente Obama junto à burguesia ianque, até então considerado um “banana”. Mesmo não revertendo os drásticos índices econômicos nacionais, produto da crise estrutural do capitalismo, a ofensiva imperial contra regimes considerados “inimigos”, pavimentou bilionários negócios para as transnacionais ianques, catapultando a figura de Obama como um “neofalcão”, merecedor de um segundo mandato presidencial.

Vitorioso no processo das prévias republicanas, Romney agora indicou seu vice, o legislador congressual Paul Ryan pelo estado do Wisconsin. Como um veterano parlamentar ultraconservador, Ryan reúne o apoio do Tea Party, em função de suas posições abertas em favor das elites dominantes, como a defesa do fim dos subsídios estatais aos planos sociais do “Welfare State”. O Tea Party abdicou de sua candidatura própria, o que resultaria inclusive em sua formação partidária, porque não obteve o sinal verde dos tradicionais “falcões” do Pentágono, empolgados com os “êxitos” das pilhagens operadas pela dupla Obama/Clinton. Na iminência de um ataque ao Irã e em meio da guerra civil na Síria, que não consegue ser vencida pelos mercenários armados pela OTAN, o centro imperialista decidiu seguir com Obama por mais quatro anos. A permanência do ex-banana na Casa Branca e o recuo “tático” do Tea Party de forma alguma significam um retrocesso nas poderosas tendências latentes do neofascismo ianque, pelo contrário, apenas preparam o terreno para um período histórico de grandes ataques ao proletariado mundial e povos oprimidos.

A sequência dos recentes atentados nazistas ocorridos nos EUA revela o crescimento das correntes reacionárias no interior das classes médias urbanas, mais além da potencialidade militar da “KKK” no meio rural. A esquerda “marxista” no interior dos EUA tem se mostrado impotente para combater, do angulo político da classe operária, a ofensiva contrarrevolucionária imperial. Ao contrário, o campo revisionista tem se mostrado “sócio” dos ataques militares da OTAN, considerados por esta esquerda reformista como a expressão da “primavera árabe”. Os movimentos como o “Occupy” que permeou as principais cidades dos EUA, carece de um programa anti-imperialista, voltando seu foco político contra a especulação financeira, como se esta não fosse inerente à acumulação capitalista. As principais direções sindicais norte-americanas seguem atreladas como uma “pata esquerda” do Partido Democrata, nutrindo esperanças em um inexistente “giro à esquerda” do gabinete Obama.

Neste marco de profundo retrocesso ideológico da mais importante classe operária do planeta, perdendo lentamente suas características anti-imperialistas, amplamente demonstradas nas manifestações contra a guerra do Vietnã nos anos 70, a corrente “Spartacist”, representante do trotsquismo menos corrompido e não-integrado ao Estado ianque, atravessa uma profunda crise política. A ausência de uma clarificação programática em relação aos países semicoloniais, vem paralisando o grupo dirigido por Robertson que se absteve totalmente diante dos grandes conflitos internacionais dos últimos dez anos, como a ocupação do Afeganistão, Iraque e atualmente Líbia e Síria. As recentes cisões do “Spartacist”, que concentram suas críticas nas “futricas” intestinas do grupo, são ainda mais prostradas e inoperantes do que a “matriz”. O genuíno trotsquismo que teve uma importante tradição histórica no interior do proletariado dos EUA está ameaçado de “sumir do mapa” do cenário político do monstro imperialista, caso não tenha uma política clara de apoio aos levantes anti-imperialistas dos povos imperializados. Ao mesmo tempo, ainda se faz necessário lançar uma candidatura revolucionária à presidência, pelas “brechas” que a legislação ianque permite, como um meio publicitário de demarcação ideológica com movimentos pequeno-burgueses do tipo “Occupy” ou mesmo o reformismo de “pressão” sobre os Democratas. Esta importante tarefa recai concretamente sobre os ombros do “Spartacist”, ainda que limitado pelos seus graves desvios programáticos.
 
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terça-feira, 6 de novembro de 2012


Passado o circo eleitoral... PT e PSDB, agora unidos, usam como pretexto o “combate ao crime organizado” para aprofundar a repressão ao povo pobre e negro

Os governos Dilma (PT) e Alckmin (PSDB) decidiram pela criação de uma agência integrada de inteligência para supostamente combater a violência no estado de São Paulo. A decisão foi tomada em reunião na tarde desta terça-feira, 06/11, entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o governador paulista no Palácio dos Bandeirantes. A medida foi tomada após 90 policiais terem sido mortos somente este ano em São Paulo, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. O que estes “dados” não dizem é que esse verdadeiro acerto de contas entre a máfia policial e o crime organizado se deu justamente porque está em curso uma reorganização no controle do território paulista pelas quadrilhas associadas ao aparato policial. Os conflitos mais evidentes são nas favelas e bairros da periferia, mas as decisões ocorrem bem distante dali, onde moram os políticos burgueses e empresários que junto de seus esquadrões da morte controlam as áreas da metrópole paulista. A mídia murdochiana, sob o comando da Rede Globo, aproveita para impor um clima de terror a fim de justamente legitimar a ofensiva policial, ditando um verdadeiro toque de recolher na cidade. Em “resposta” as queimas de arquivo em curso, a PM paulista tratou de fazer um massacre sobre a população pobre. Só no primeiro semestre de 2012 foram mortas 229 pessoas. Diante da crescente barbárie social e da desagregação imposta pelo capitalismo, criando um Estado cada vez mais militarizado, a resposta do governo do PT e do PSDB foi aprofundar a repressão ao povo pobre, enquanto “por cima” faz as negociatas com chefões do tráfico de drogas e armas. São os primeiros desdobramentos da recente reunião que o prefeito eleito de São Paulo, Haddad teve com o governador Alckmin!

Segundo o ministro da Justiça, “A agência vai fazer com que as ações policiais sejam integradas, especialmente na área de inteligência que é de grande importância. Não se combate o crime organizado sem um serviço de inteligência eficiente. E, somando esforços da inteligência da área federal com serviço de inteligência da área estadual, teremos relatórios precisos que orientarão as ações das nossas polícias. Um dos objetivos da agência será o de conter o fluxo financeiro das organizações criminosas. Os relatórios de inteligência vão nos permitir fazer o asfixiamento financeiro de organizações criminosas que estejam atuando no estado. Esse asfixiamento é fundamental para se enfraquecer as organizações criminosas” (O Estado de S.Paulo, 06/11). É sabido que o tráfico de drogas e armas tem a participação direta da burguesia que consome cocaína de alta qualidade em abundância, importa carregamentos bélicos para alimentar o crime organizado e comanda sua distribuição em associação com os políticos burgueses e policiais que controlam o Estado e o aparelho de repressão (alfândega, monitoramento de fronteiras, entrada e saída de cargas em portos e aeroportos, etc...). A cruzada do PT e do PSDB contra o tráfico de drogas e o controle do PCC sobre o crime organizado esta voltada não a combater o uso de drogas, mas apenas montada para mudar ou chegar a um acordo com o comando do tráfico em busca de preservas as vidas dos seus policiais, deixando como rastro de sangue moradores inocentes mortos, em sua maioria pobres e negros. Um negócio bilionário como o comércio de drogas e armas só pode ser gerido por peixes graúdos do sistema, onde os maltrapilhos traficantes são meros “corretores” da valiosa “mercadoria”. Na verdade, as palavras de José Eduardo Cardozo não passam de uma farsa completa e sinaliza politicamente que o governo do PT usará a crise para tirar futuros dividendos eleitorais, se passando como aquele que “deu a mão” a Alckmin para depois dar-lhe um “abraço de urso”, já que em 2014 disputará o governo paulista com grandes possibilidades de vitória, pois o PT venceu na capital, grande São Paulo (Guarulhos) e na maioria do ABCD.

Além da criação da agência, o fascistóide governador de São Paulo citou outras cinco ações que serão desenvolvidas em parceria com o governo Dilma para o “combate à violência” no estado: a contenção nas fronteiras do país, com fiscalização reforçada nos aeroportos, portos e rodovias; ações de enfrentamento e combate ao crack, que podem incluir vídeo-monitoramento e bases móveis comunitárias como as UPP cariocas; ações penitenciárias com possibilidade de transferência de presos responsáveis por assassinatos de policiais e de agentes penitenciários; a criação de um centro de controle de comando integrado e a criação e fortalecimento de um centro pericial, integrando as polícias científicas. Segundo ele “É fundamental nós trabalharmos unidos para pensar na questão da segurança pública. Foi uma reunião proveitosa, bastante objetiva e com metas e datas para podermos avançar nesse trabalho”. Como se vê, trata-se de todo um plano que usa como pretexto o combate ao crime organizado para aprofundar a repressão ao povo pobre. Nesse cenário, a população trabalhadora é o verdadeiro alvo desta ofensiva belicosa! A criação da agência e as medidas anunciadas conjuntamente pelos governos do PT e PSDB devem ser repudiadas pelo conjunto do movimento operário como mais uma ação voltada a criminalizar o povo trabalhador que vive nessas comunidades completamente desassistidas, sem saúde e educação dignas, enquanto os barões capitalistas da “high society” e sua mídia “ética” fazem todo tipo de negócios e depois buscam “laranjas” nos para encobrir seus crimes.

Os revolucionários não seguem a opinião pública burguesa que se apóia nos últimos acontecimentos para aumentar a repressão sobre o conjunto da população miserável de fora e de dentro dos presídios. A polarização entre a miséria crescente das massas e a acumulação capitalista, a desigualdade econômica é uma decorrência da divisão da sociedade em classes e pré-requisito do Estado, do Direito e do crime organizado, barbarizando as relações sociais e o próprio ser humano. Só o desaparecimento do sistema de classes e da desigualdade econômica é que fará com que tudo isso – incluindo a criminalidade – desapareça. É a anarquia da produção capitalista e a alienação social/cultural que gera instabilidade na existência dos seres humanos, provocando os crimes mais bárbaros possíveis e o avanço das drogas, um lucrativo negócio gerenciado diretamente pela burguesia por meios legais e ilegais . Frente esta dramática realidade, os marxistas defendemos a destruição de todo o aparato repressivo do Estado capitalista, o combate à escalada fascistóide preventiva da burguesia e seus partidos contra as massas exploradas, convocando a que estas se organizem com seus próprios métodos de greves, ocupações de terra, construção de comitês de autodefesa tendo como estratégia a revolução social e não para servir como massa de manobra para o aprofundamento da barbárie social como desejam os governos do PT e PSDB!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012


A “greve geral europeia” e a ausência de uma perspectiva revolucionária de poder dos trabalhadores

A semana começa “quente” na Europa. Angela Merkel acaba de fazer um pronunciamento anunciando mais cinco anos de austeridade aos trabalhadores do velho mundo, já bastante castigado pela crise econômica. O continente se prepara para mais dias de convulsão. Neste começo de semana o parlamento grego estará votando mais uma fatia (13,5 bilhões de euros) do pacote de cortes imposto ao país pela Troika para que este continue a receber a “ajuda” da UE, cujo destino é os grandes bancos, credores internacionais do falido Estado burguês grego. Já a partir desta segunda, 05/11, greves tomarão conta do país, a começar pelo setor de transportes (metrô) e pelo de energia elétrica, o que deve provocar apagões na capital a partir de hoje. A expectativa do governo direitista de Samaras (ND) é de uma vitória no Parlamento. A situação alemã está se deteriorando, embora num ritmo muito mais lento do que em países como Grécia e Espanha. Dados estatísticos disponíveis revelaram que outubro fechou com 20 mil desempregados a mais do que começou no país. Na zona do euro como um todo, essa taxa atingiu 11,6%, 18,5 milhões de desempregados. Entre os mais jovens a taxa geral subiu para 23,3%. Para a semana que vem há a expectativa de uma greve geral nos países mais atingidos pela crise (Grécia, Espanha e Portugal) com a possibilidade de adesão dos trabalhadores na Itália, Inglaterra e Bélgica. A questão colocada é quais são as perspectivas destas lutas e principalmente da jornada internacional do dia 14 de novembro, apresentada pela esquerda como o embrião da "greve geral europeia", já que está sendo organizada pelas direções sindicais ligadas a social-democracia (a Confederação Europeia dos Sindicatos - CES) que até pouco tempo gerenciava a crise nestes países e está profundamente desgastada aos olhos dos trabalhadores? Estamos vendo se formarem as bases do neofascismo na Europa?

O elemento comum que marca a convocatória da “greve geral europeia” é que ela tem um caráter claramente defensivo e foi adiada o quando as direções puderam, cujo eixo não consegue sequer defender a reposição das perdas salariais e barrar os ataques as suas conquistas sociais. Estas lutas defensivas ocorrem no marco de uma nova investida capitalista 20 anos depois da derrota histórica que o proletariado sofreu com a restauração capitalista da URSS e a queda contrarrevolucionária do Muro de Berlim, acontecimentos que abriram uma etapa de profunda ofensiva econômica, política e ideológica do capital contra os trabalhadores. O crash de 2008 veio a acentuar essa tendência. Pela ausência de um programa classista, estas paralisações massivas tragicamente não avançam um milímetro sequer do ponto de vista de suas reivindicações econômicas e, muito menos, conseguem impor uma conquista política, como a queda de um governo “neoliberal” de esquerda ou direita pela via das mobilizações populares. Pelo contrário, a burguesia tem substituído seus governos desgastados por “tecnocratas” ainda mais aliados aos mandos da troika (BCE, FMI e UE).

A política de obrigar as massas a pagarem a conta da crise financeira estimula protestos contra governos burgueses. Por sua vez, a traição das direções (CES) e, principalmente, a falta de alternativa revolucionária à esquerda pavimenta o retrocesso ideológico e o caminho da reação. O racismo e a xenofobia não estão restritos às ações da extrema-direita, são reforçadas entre as massas por suas direções que apoiam as medidas burguesas de restrições ao acesso ao emprego e à educação, principalmente contra ciganos e negros, mas também contra estrangeiros em geral. Neste marco, em meio a um processo de convulsão social, com o aprofundamento do desemprego e o recrudescimento da crise capitalista no Velho Mundo, a direta avança assumindo os governos até então sob a gerência da social-democracia e dos partidos ditos “socialistas”. A direita recrudescida como o PSD em Portugal, PP na Espanha e a ND na Grécia, volta aos governos para desferir novos ataques e impor novas derrotas. Essa tarefa é facilitada pela falta de uma perspectiva política classista por parte das direções que encabeçaram o movimento para além as reivindicações econômicas, um norte estratégico que aponte para a superação da decadente ordem burguesa que impõe a retirada de direitos e conquistas operárias. Insistimos na lição de que não haverá mobilizações, por mais multitudinárias e heroicas que sejam, como a prevista para a Jornada Internacional do dia 14/11, capazes de derrotar a burguesia e seus governos de plantão sem a adoção de uma estratégia revolucionária de luta pelo poder. Sob a direção de um programa revolucionário e de um partido bolchevique forjado no calor do combate das ruas poderemos marchar em toda a Europa para a “hora da verdade” no confronto de classe com a burguesia e vencer, caso contrário não romperemos com a onda de derrotas que estão sendo impostas aos trabalhadores.

Não foi à toa que os partidos de centro-direita ganharam terreno nas eleições para o Parlamento da União Europeia (UE) nos últimos anos, quando as legendas de centro-esquerda perderam quase um quarto de suas cadeiras no Parlamento europeu e também avançam a frente do controle dos governos centrais. Esta nova ofensiva imperialista está acentuando a recolonização dos países mais pobres pelas potências dominantes do continente, como a Alemanha e pelos EUA, catapultada com a restauração capitalista da URSS e do Leste europeu, quando se apropriando da força de trabalho e das riquezas dos antigos Estados operários burocratizados do leste, os capitalistas também impuseram derrotas históricas aos trabalhadores do oeste. Também vem se recrudescendo a perseguição xenófoba militarizada e internacional contra os imigrantes que são os setores mais explorados e oprimidos do proletariado europeu. Como parte dessa perspectiva, o chamado movimento dos cidadãos “indignados” que ainda tem algum fôlego na Espanha é dotado de eixos democratizantes e reacionários como “esquerda fora”, “partidos fora”, “sindicatos fora”. Essa plataforma anticomunista é a base social e política que pode permitir o crescimento de grupos fascistas e suas milícias armadas, como foi no passado na Espanha, Itália e Alemanha. Daí para atentados como os ocorridos em Oslo tragicamente se encurtam as distâncias.

Mais uma vez insistimos que durante o ápice do crash capitalista mundial de setembro de 2008, quando o conjunto da esquerda revisionista alardeava que o “fim do capitalismo” estava próximo, alertamos justamente o contrário, ou seja, que devido à ausência de direção revolucionária com peso de massas e o quadro de ofensiva ideológica imposto pelo grande capital desde a queda da URSS, a tendência era não só que a burguesia utilizasse a crise econômica para incrementar sua investida contra as conquistas operárias em todo o planeta, mas que esta situação abriria uma etapa política de ascensão de governos de direita ou extrema-direita nos países mais castigados pela débâcle financeira, como o crescimento de grupos fascistas e neonazistas. Completamente desnorteada em seu “mundo de fantasia” que alardeava em passado recente que a crise econômica capitalista gerada pelo crash financeiro de 2008 era parteira “natural da revolução” iminente, a esquerda revisionista (CIT, CMR, LIT, UIT...) está sendo obrigada pelos próprios acontecimentos, como a derrota das massas gregas, a fazer todo tipo de malabarismo político para disfarçar sua completa desmoralização “teórica”. Aos genuínos marxistas cabe a tarefa de intervir ativa e pacientemente sobre estas lutas para elevar o nível de consciência dos setores mais radicalizados, a fim de fazê-la avançar da resistência defensiva atual para a disputa pela conquista do poder político contra seus algozes, superando a criminosa influência política que a centro-esquerda reformista e seus satélites revisionistas exercem sobre o proletariado. Este combate deve estar presente ativamente na “greve geral europeia” do dia 14 de novembro. A materialização deste longo processo de evolução da consciência dos trabalhadores é a construção de um partido internacionalista e revolucionário que lute por derrotar a União Europeia imperialista, sob a qual a vida das massas converte-se em uma bárbara escravidão, para edificar em seu lugar uma Federação das Repúblicas Socialistas da Europa, apontando a única saída verdadeiramente progressista para o velho continente.

domingo, 4 de novembro de 2012


Como o “fim do mundo” não ocorreu Obama será reeleito por acordo da elite ianque

Em meados de 2008 em pleno ápice da crise financeira norte-americana, com a falência do Lehman Brothers e o estouro da bolha imobiliária, um importante debate veio à tona nas fileiras da esquerda mundial. A esmagadora maioria das correntes políticas que reivindicavam o marxismo, e em particular com mais ênfase as revisionistas, afirmaram que a economia capitalista sucumbiria em poucos meses em função do fulminante esgotamento do imperialismo ianque. Naquela ocasião se desenhava um horizonte de falência de grandes corporações transnacionais, com destaque na gigante automobilística General Motors. Formava-se um “caldo de cultura” bastante fecundo para o surgimento das teorias marxianas “catastrofistas”, embaladas pelo espetáculo da mídia “murdochiana” que não inocentemente espalhava o pânico do “armagedon” com objetivo de uma intervenção estatal do tipo keynesiana. Nós da LBI sustentamos, muito isolados no interior da esquerda, a impossibilidade de um autocolapso do modo de produção capitalista por piores que fossem os níveis da crise econômica planetária e, na contramão da correnteza “catastrofista”, prognosticamos que na ausência da revolução socialista o império norte-americano iria lentamente se recuperar do crash financeiro, injetando uma enorme massa de capital estatal para alavancar os setores privados que amargaram enormes perdas no cassino de Wall Street. Os leninistas estávamos nos baseando na teoria científica das “ondas largas” de crescimento econômico capitalista (muito bem detalhada na obra de Ernest Mandel), que são entrecortadas por crises cíclicas de retração do mercado consumidor de mercadorias. Como Marx já havia apontado há mais de um século só existe uma única maneira do rompimento desta lógica de “pressurização” da economia capitalista, é a ação independente da classe operária apresentando um novo projeto histórico de sociedade. Desgraçadamente, a esquerda revisionista estava muito longe de apostar na ação revolucionária do proletariado, optando por profecias ufanistas do “fim do mundo” (onde previam o crescimento exponencial de suas organizações que nunca ocorreu) deixando a burguesia imperialista de “mãos livres” para operar de forma lenta e segura a recuperação econômica no “coração do monstro”.

As eleições presidenciais norte-americanas da próxima terça-feira ocorrem neste cenário pós-crash financeiro, onde todos os índices econômicos apontam uma pequena, mas consistente recuperação econômica. A taxa de desemprego passou de quase 13% em 2009 aos atuais 7,9%, um patamar ainda muito alto para os padrões ianques, mas apontando um viés de queda. O “melhor” desempenho da recuperação imperial encontra-se na variação do PIB que saiu de uma retração no terceiro trimestre de -9% para um crescimento de 2% no mesmo período deste ano. As gigantes montadoras como GM e Chrysler à beira da falência em 2008 já registram fortes lucros nominais em seus balancetes e o sistema bancário não corre risco de “contaminação” com a instabilidade das bolsas europeias. A receita do “milagre” de conta-gotas foi bem simples, o governo Obama irrigou com cerca de um trilhão de dólares as empresas capitalistas “deficitárias”, aumentando com esta iniciativa o déficit estatal orçamentário norte-americano que já ultrapassa a casa dos quinze trilhões de dólares. É importante registrar que mesmo no “olho do furacão” da crise internacional o Dólar nunca apresentou uma forte tendência de queda e os títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano continuaram a ser o “porto seguro” dos rentistas (além dos principais bancos centrais de todo o mundo) que provocaram o “crash”, mas que nunca acreditaram na teoria do “colapso final”. Com a política de criar o “tsunami” monetário ianque, o FED recuperou a força do Dólar fazendo recuar seus principais concorrentes comerciais, como os BRICs, por exemplo.

A crise de 2008 serviu, na verdade, mais além de suas implicações econômicas cíclicas, para o imperialismo desatar uma enorme ofensiva global contra os povos oprimidos e o proletariado mundial, através da subtração de suas conquistas históricas. Neste contexto, o governo Obama foi um excelente “fiel depositário” das ações políticas e militares da burguesia imperialista ianque, merecendo, portanto, o prêmio de sua reeleição, apesar da renhida disputa com o candidato republicano Mitt Romney. Os “falcões republicanos” já tinham aberto mão da disputa real da Casa Branca quando deixaram de indicar um nome de sua fração mais belicosa, o Tea Party, no início deste ano. Com a capacidade demonstrada por Obama de levar a frente a chamada “revolução árabe”, uma operação da CIA e OTAN para derrubar governos nacionalistas burgueses da região, os comandantes do Pentágono resolveram reconduzir o partido Democrata por mais uma gestão, a espera da consolidação de uma nova liderança política neofascista no final desta década. As pesquisas dos “institutos” midiáticos, que apontam um “empate técnico” entre Obama e Romney na preferência popular (na realidade as eleições são indiretas em um colégio eleitoral de delegados) são apenas a cobertura de um regime bipartidário totalmente antidemocrático, onde o “eleito” já foi escolhido por um acordo da elite ianque.

A esquerda trotsquista (defensista) norte-americana não conseguiu unificar uma plataforma mínima revolucionária para a apresentação de uma candidatura publicitária, o que seria importante para a evolução programática de um setor da vanguarda de esquerda, infelizmente predominou mais uma vez o espírito de seita que prioriza debater “intrigas”. A falência política do movimento pequeno-burguês “Occupy Wall Street” não deu lugar a nenhuma expressão independente da juventude mais combativa, agora dispersa no apoio crítico a Obama. A tendência posta nesta conjuntura indica que a recondução da dupla Obama & Madame Clinton levará a um brutal recrudescimento da ofensiva ianque, tanto no plano interno como externo, cuja “primeira parada” será o ataque à soberania territorial iraniana. O “clube dos amigos da Síria” que conta inclusive com a participação dos renegados da LIT/PSTU, agora será reforçado com a fundação dos “amigos da democracia no Irã” , que tem já como sócio fundador o nazi-sionista Bibi Netanyahu.

sábado, 3 de novembro de 2012


50 guerrilheiros assassinados nos últimos dois meses: o “processo de paz” a serviço da eliminação das FARC na Colômbia

As “negociações de paz” entre as FARC e o governo Manuel Santos, saudadas pela esquerda reformista nacional e internacional como um grande avanço, mostraram sua real face macabra desde que começaram, há dois meses: mais de 50 guerrilheiros mortos desde o início de setembro. Em menos de dois meses, as Forças Armadas do país também prenderam 90 guerrilheiros e outros 30 se desmobilizaram, segundo o ministro da Defesa, o chacal fascistóide Juan Carlos Pinzón. Em meio aos “diálogos” o governo anunciou novos investimentos no combate às FARC, tanto que a proposta de formalizar um cessar-fogo durante as “negociações” foi rechaçada pelo presidente colombiano, que rejeitou essa possibilidade veementemente. Como observamos, trata-se de uma farsa montada justamente para eliminar fisicamente a guerrilha, como a LBI já denunciava quase isoladamente na “esquerda” quando se anunciou o acordo costurado por Chávez e Fidel entre a guerrilha e o governo capacho do imperialismo ianque. O próprio Ministro da Defesa afirmou que “A ordem do presidente Santos foi clara: não podemos baixar a guarda em nenhum milímetro” e completou “Em 2013 teremos um aumento de 25 mil homens, 20 helicópteros, 10 aviões e mais sistemas de inteligência”, o que significa que na verdade está em curso uma ofensiva geral contra a guerrilha no lastro do recrudescimento global da ação do imperialismo contra os povos, nações e forças políticas que são obstáculos a seus ditames, como as FARC, a Síria e o Irã, alvos imediatos da sanha imperialista.

Apesar do verdadeiro massacre de seus membros, a direção das FARC anunciou neste dia 02 de novembro que ratifica a agenda para iniciar o “processo de paz”. Em um comunicado assinalou que “O Acordo, dado a conhecimento público formalmente a partir do anúncio da primeira semana de setembro, tem um conteúdo que pode ser reafirmado” em vários aspectos. Entre eles, diz a guerrilha no texto, “o diálogo parte de um Acordo Geral que tem o propósito de terminar o conflito que é armado, político e social para construir a paz estável e duradoura, que não pode ser outra cosa que a paz com justiça social”. O assassino governo da Colômbia e as FARC celebrarão na próxima terça-feira, 06 de novembro, em Havana o encontro preparatório do diálogo formal previsto para 15 de novembro na capital cubana, que conta também com o apoio da ONU, a mesma que promoveu a agressão imperialista à Líbia e está claramente a serviço dos EUA. A “agenda de diálogo” está voltada a desarmar as FARC, o que na prática significa um verdadeiro suicídio político e militar para a guerrilha e tem seis pontos básicos, porém, pela primeira vez se discute assuntos como a desmobilização de guerrilheiros, o fim das hostilidades e a entrega de armas, assuntos que segundo o governo Santos haviam “limitado” no passado as negociações. Como se vê, tal “diálogo” está voltado a por um fim nas FARC. Isolada pelo chavismo, que chegou a entregar vários de seus dirigentes ao próprio governo Santos e suas masmorras, a direção da guerrilha dá passos concretos para fechar um acordo com o governo lacaio dos EUA na América Latina.

As “negociações de paz” têm como consequência direta e prática não só o enfraquecimento político da guerrilha, mas a sua completa exterminação física, tendo em vista a experiência das próprias FARC, que na década de 80 deslocou parte de seus quadros para a constituição da Unidade Patriótica e impulsionou um partido político legal, tendo como resultado o assassinato de cerca 5 mil dirigentes pelas forças de repressão do Estado, pilar-mestre da democracia bastarda colombiana. Essa tragédia teve como base as mesmas ilusões reformistas hoje patrocinadas pela direção da guerrilha e o conjunto da esquerda. Ao narcotraficante regime burguês colombiano não interessa sequer a conversão da guerrilha em partido político desarmado, apenas sua extinção. Somando-se ao coro reacionário daqueles que responsabilizam os “métodos” das FARC pela ofensiva militar do governo Colombiano, ou seja, o uso da luta armada e da captura de prisioneiros de guerra, Chávez em plena campanha eleitoral instigou as FARC a “aprofundar as negociações de paz e deixar de lado as armas em nome da reconciliação nacional” (Folha On Line, 07/09). Anos antes, Fidel já havia aconselhado a guerrilha a libertar incondicionalmente os que continuavam retidos, decisão que as FARC adotaram para facilitar os “diálogos”: “Critiquei com energia e franqueza os métodos objetivamente cruéis do sequestro e a retenção de prisioneiros nas condições da selva. Mas não estou sugerindo a ninguém que deponha as armas, se nos últimos 50 anos os que o fizeram não sobreviveram à paz. Se algo me atrevo a sugerir aos guerrilheiros das FARC é simplesmente que declarem por qualquer meio a Cruz Vermelha Internacional a disposição de pôr em liberdade os sequestrados e prisioneiros que ainda estejam em seu poder, sem condição alguma” (Cubadebate, 05/07/08). Neste ano de 2012, o conselho de Fidel foi “atendido”. O Secretariado do Estado Maior Central das FARC anunciou em fevereiro a libertação unilateral de todos os prisioneiros políticos de guerra e decidiu pôr um fim à chamada política de “retenção” de adversários políticos para a obtenção de recursos financeiros. Ainda que consideremos justo que as FARC tomem medidas de autopreservação neste momento delicado do combate, pois a guerrilha tem todo direito de negociar a liberdade de seus presos políticos através da troca de reféns, definitivamente não é anunciando o fim das “retenções”, a libertação unilateral de todos os prisioneiros políticos de guerra e um “diálogo” que coloca em pauta seu desarmamento, o melhor caminho para se defender dos ataques do genocida regime colombiano, muito menos tendo ilusões de que este possa chegar a algum acordo com a guerrilha que não seja baseado na sua liquidação enquanto força política e militar. As “negociações de paz” com Santos e o conjunto das medidas anunciadas pelas FARC são apoiadas pelo conjunto da esquerda mundial e os governos “progressistas” da América Latina. Elas estão sendo tomadas no marco de uma enorme pressão “democrática” dos “aliados” da guerrilha, particularmente do governo Chávez e de Fidel Castro. Não por acaso, o mesmo Chávez que clama pela deposição das armas pelas FARC tem colaborado vergonhosamente com Santos na perseguição aos quadros políticos e militares da guerrilha, justamente porque o caudilho bolivariano deseja ter as FARC como moeda de troca em seus acordos com a Casa Branca, como se viu durante as eleições venezuelanas.

A morte de 50 guerrilheiros das FARC em apenas dois meses já sinalizam que a Casa Branca irá desferir uma ofensiva global contra as forças políticas e regimes que lhe são adversários logo após a reeleição de Obama no começo de novembro, ou seja, ainda em 2012. Os alvos imediatos são além das FARC, a Síria e o Irã. Esse plano montado pelo Pentágono está em curso e só aguarda o aval do presidente eleito para entrar em sua segunda fase, em uma escala global. Não por acaso, o facínora presidente Santos declarou “Que nos ouçam as FARC e o ELN: as instruções para nossas forças são claras e contundentes. Aqui [nos conflitos armados, na Colômbia] não existe nenhum tipo de benefício”, disse o chefe de Estado colombiano em declaração feita durante as comemorações de 121 anos da Polícia Nacional do país, que contou com a presença dos presidentes da Costa Rica, Laura Chinchilla, e Honduras, Porfirio Lobo. Diante do cerco crescente neste momento de maior fragilidade das FARC, os marxistas revolucionários declaram seu apoio incondicional à guerrilha diante de qualquer ataque militar do imperialismo e do aparato repressivo de Santos. Simultaneamente, apontamos como alternativa a superação programática da estratégia reformista da direção das FARC baseada na reconciliação nacional com a oposição burguesa e a unificação da luta armada com o movimento operário urbano sob a estratégia da revolução socialista para liquidar o regime facistóide e organizar a tomada do poder pelos explorados colombianos. Defendemos que uma política justa para o confronto entre a guerrilha e o Estado burguês passa por aplicar a unidade de ação contra Santos, com a mais absoluta independência política em relação ao programa reformista das FARC. Ao lado dos heróicos guerrilheiros das FARC e honrando o sangue derramado pelos comandantes Afonso Cano, Manuel Marulanda e Mono Jojoy, que morreram em combate, apontamos como alternativa programática a defesa da estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado, sem patrocinar nenhuma ilusão na possibilidade de construir uma “Nova Colômbia” sem liquidar o capitalismo e seus títeres.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012


Fora os latifundiários e o agronegócio, aliados do governo Dilma, dos territórios indígenas dos Guarani-Kaiowá!

Foi suspensa neste dia 30 de outubro, a liminar que determinava a retirada do acampamento dos índios Guarani-Kaiowá da Fazenda Cambará, em Mato Grosso do Sul. O anúncio foi feito pelo Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, durante reunião com líderes indígenas na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH). De acordo com a decisão da Justiça, os cerca de 170 índios que vivem no acampamento devem permanecer no local até que a demarcação de suas terras seja definida. Afora o jogo midiático montado pela frente popular, a sentença da justiça burguesa obviamente não altera o centro do problema, que é o extermínio sistemático dos índios pelos latifundiários e o agronegócio, aliados do governo Dilma/Lula. A dramática situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, e particularmente dos Guarani-kaiowá não é diferente do que se verifica em várias outras regiões do Brasil, como se viu no conflito entre produtores arrozeiros e a maioria indígena na reserva Raposa Serra do Sol, no estado de Roraima. Trata-se de um processo de expropriação territorial por parte dos grandes latifundiários e do chamado agronegócio com o objetivo de utilizar-se dos recursos naturais (terra, água, madeira, subsolo) e consequentes violações dos direitos mais básicos dessas populações originárias, como o acesso à alimentação, educação e saúde, ataques intensificados no último período na região depois que o governo Lula/Dilma estabeleceu um amplo acordo político e econômico com os representantes do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro. O que impressiona é o grau de acirramento dos conflitos. Em primeiro lugar, isso acontece porque no Mato Grosso do Sul se encontra a segunda maior população indígena do País, 73.295 pessoas, número somente superado pelo Amazonas (168.680), com a diferença que os índios do Centro-Oeste estão muito mais urbanizados e dependem diretamente da Funai para sobreviver, já que suas terras foram tomadas pelos grandes proprietários, isolando-os culturalmente e tirando-lhes os meios de sobrevivência natural. Juntos, os grupos de língua guarani falantes do dialeto kaiowá (autodenominados kaiowá) e os que falam nhandeva (autodesignados guarani) conformam hoje o maior grupo indígena do País, com cerca de 45 mil pessoas, distribuídas por mais de 30 terras indígenas e 31 acampamentos à beira de estradas ou em pequenas porções de terra dentro de imensos latifúndios, impondo-se de fato um lento extermínio desses povos.

O extermínio dos índios Guarani-kaiowá, que ganhou as manchetes nacionais e internacionais, deve-se ao enorme poder político do latifúndio associados às grandes companhias, uma vez que o chamado agronegócio se tornou um dos pilares do modelo econômico patrocinado pela frente popular, baseado em grande parte, na exportação de commodities primárias. De fato, é um mar de soja, cana-de-açúcar e pastagens para o gado bovino o que se vê, hoje, sobre as terras reivindicadas pelos Guarani-kaiowá, outrora uma região de grande biodiversidade, com matas ricas em madeiras nobres, como a peroba, o cedro e a aroeira. Se no resto do Brasil o latifúndio e empresários do agronegócio não costumam ser muito incomodados por seus aliados da classe dominante (gerências municipal, estadual e federal, parlamentares, juízes e outros), no MS a impunidade da violência cometida contra indígenas e camponeses pobres chega a ser escandalosa. O poder econômico e político dessa elite local, fortemente associada ao capital transnacional que financia o agronegócio com o apoio da frente popular, protelou ao máximo o processo de demarcação das terras indígenas na região.

Atualmente uma pequena porção desta terra está em litígio e, em dezembro de 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto homologando a demarcação da terra, porém a eficácia do decreto foi suspensa logo em seguida pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, em favor das fazendas Polegar, São Judas Tadeu, Porto Domingos e Potreiro-Corá. Tratou-se de um claro jogo de “empurra-empurra” onde o Planalto obviamente nunca desejou confrontar-se com seus aliados do latifúndio na região, como o senador Blairo Maggi, do PR e a senadora Kátia Abreu, do PSD. Nesse período, os assassinatos de lideranças, que já alcançavam repercussão internacional desde a morte de Marçal de Souza, em 1983, passaram a ser cada vez mais frequentes, sobretudo quando morre Marcos Verón, liderança de destaque no movimento Aty Guasu. Em 29 de setembro deste ano, a Justiça Federal de Naviraí em Mato Grosso do Sul decidiu pela expulsão definitiva da comunidade Guarani-Kaiowá e, diante da decisão, os indígenas lançaram uma carta afirmando a intenção de morrer juntos, lutando pelas terras e fazem o pedido para que todos sejam enterrados no território pleiteado. Segundo a legislação brasileira, o que está em jogo são as terras de “ocupação tradicional” do grupo (categoria definida pela Constituição de 1988, em seu artigo 231). Na cosmologia guarani-kaiowá, essas áreas são chamadas de tekoha (de teko – modo de ser – + ha – lugar, uma palavra que poderia ser traduzida como “lugar onde se pode viver do nosso próprio jeito”). Isso ajuda a entender a formação dos acampamentos – geralmente buscando as poucas áreas de mata que restam na região, na proximidade de onde se localizavam antigos assentamentos indígenas.

Durante a reunião que anunciou a decisão da justiça, José Eduardo Cardozo comunicou que já tomou várias medidas, entre elas destacou o reforço no contingente da Força Nacional e da Polícia Federal para garantir a segurança no local. Longe de proteger os índios, o aparato de repressão burguês estará a serviço de impor os interesses dos latifundiários. Não por acaso, a senadora Kátia Abreu (PSD), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e hoje aliada do governo Dilma, em artigo na Folha de São Paulo, afirmou “Se a Funai pensa, por exemplo, que são necessárias mais terras para os indígenas pela ocorrência da explosão demográfica em certa região, nada mais fácil do que comprar terras e distribuí-las” (26/10). Em resumo, mais um bom negócio para os aliados da frente popular que serão indenizados e negociarão com as terras que grilaram dos povos originários! No mesmo caminho, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), já candidato ao governo estadual em 2014 declarou: “Propomos a utilização, como instrumento legal para solucionar os conflitos, a compra de terras por intermédio da desapropriação segundo interesse social, o que atende ao disposto na Lei 4132 de 10/9/1962, acatada pela Constituição de 1988. O próprio ex-presidente Lula, em 7 de dezembro de 2006, declarou de interesse social para fins de desapropriação os imóveis rurais destinados a assentar o grupo indígena Kraô-Canela, no município Lagoa da Confusão, no estado do Tocantins. Falamos também da alternativa adotada no Rio Grande do Sul, que mereceu inclusive um projeto da Assembléia Legislativa gaúcha estabelecendo um fundo para atender ao pagamento das desapropriações. Em Mato Grosso do Sul essa alternativa também pode ser aplicada em função de Lei Estadual, de autoria do deputado Laerte Tetila, que cria um fundo com recursos específicos para financiar a compra de terras destinadas à expansão das aldeias.Em ambos os casos (TO e RS) os índios ganharam novas áreas e os produtores foram ou estão sendo ressarcidos integralmente, tanto pelas benfeitorias quanto pela terra nua, o que encerra definitivamente a disputa” (Dourados agora, 31/10).

Hoje, a situação enfrentada pelos jovens guarani-kaiowá nessas reservas lembra muito a que é vivida nas periferias das grandes metrópoles brasileiras. Os índios não são homens desprovidos de interesses na luta de classes. Alguns chefes, principalmente no norte do país, se tornam políticos burgueses, comerciantes, assumem postos em cargos de confiança na Funai e não vivem como a maioria dos índios, como camponeses pobres ou assalariados mal remunerados por comerciantes, pelas ONGs e mineradoras. Os marxistas revolucionários defendem que os seculares donos da terra expulsem de seu território tanto o latifundiários como as ONGs biopiratas e as mineradoras. A solução para o problema da demarcação das terras indígenas, assim como dos camponeses pobres e quilombolas, está na revolução agrária, na derrota do governo burguês latifundiário de plantão, Lula/Dilma, e no confisco dos bens e das tecnologias das transnacionais. Como nos ensinou o dirigente bolchevique Leon Trotsky, “A vitória da revolução é inconcebível sem o despertar das massas camponesas indígenas e lhes dará, por sua vez, o que tanto lhes falta hoje: a confiança em suas próprias forças, uma consciência maior de sua personalidade, o desenvolvimento de sua cultura... Nessas condições, nossa propaganda deve e pode, sobretudo, partir das palavras de ordem da revolução agrária, a fim de levar, passo a passo, sobre a base de sua experiência da luta, os camponeses às conclusões políticas e nacionais necessárias. Se estas considerações políticas são exatas, não se trata da questão do programa em si, mas a de saber por qual caminho fazer penetrar este programa na consciência das massas indígenas” (O problema nacional e as tarefas do partido proletário, 20/04/1935). Para isso faz-se necessário a ampla solidariedade a luta dos Guarani-Kaiowá, a denúncia do governo da frente popular, aliado dos latifundiários e o direito à autodefesa dos índios contra os pistoleiros! Para avançar a luta dos povos originários faz-se necessário que este combate aponte na perspectiva da revolução agrária com a expropriação do latifúndio produtivo sem indenizações aos latifundiários. Um verdadeiro controle da terra que atenda aos interesses dos índios, camponeses pobres e trabalhadores sem terra só pode ser realizada através da aliança com o proletariado do campo e da cidade, com a construção de comitês de autodefesa armados e não para servir de base eleitoral para qualquer projeto nacionalista burguês ou reformista com prega o MST, mas para impulsionar a revolução proletária e a construção do socialismo!