GOVERNO CASTRISTA ENFRENTA O CERCO ECONÔMICO IMPOSTO PELO BLOQUEIO IMPERIALISTA: DESCARREGANDO A CRISE NAS COSTAS DA POPULAÇÃO
Em uma mudança em relação ao paradigma socialista de distribuição vigente desde o início da revolução cubana na década de 1960, o atual governo castrista implementará um novo sistema de caráter neoliberal para a distribuição da cesta básica racionada a partir do próximo mês de abril. Essa draconiana medida, delineada há algum tempo pela burocracia do Estado Operário como parte de seu novo programa econômico "para corrigir distorções", foi confirmada em uma reunião do governo em Havana, conforme noticiado pela imprensa local.
A reforma neoliberal visa subsidiar diretamente as pessoas,
em vez de produtos, em um contexto agravado pelo embargo de petróleo dos EUA e
pela crescente escassez de combustível e outros bens básicos que afetam
drasticamente o cotidiano na Ilha.
O chamado “livro de racionamento“ foi instituído em 1962
pelo então governo revolucionário em resposta à escassez de alimentos e bens
básicos. O sistema, que vem sendo enfraquecido até hoje, estabelecia cotas
mensais de produtos essenciais — como arroz, açúcar, óleo, carne e grãos — que
cada família podia comprar em lojas estatais a preços subsidiados.
A correta medida econômica inicialmente concebida como
temporária, tornou-se um mecanismo permanente de distribuição e controle
social, garantindo o acesso básico a alimentos em meio às tensões econômicas e
políticas decorrentes do embargo imperialista dos EUA. No entanto, o mecanismo
vem sendo “bombardeado” e perdendo força de forma constante há vários anos, em
favor de um programa supostamente “assistencialista”, mas que na verdade é de
“ajuste monetário”.
O novo sistema de distribuição, que entrará em vigor em
abril, estipula que certos produtos básicos, atualmente incluídos na cesta
regulamentada com preços subsidiados, serão vendidos em um mercado livre e com
preços diferenciados.
Enquanto a imprensa oficial cubana insiste que 2026 é o
"século de Fidel", referindo-se ao centenário do nascimento de Fidel
Castro em 13 de agosto, o Estado Operário está na verdade, vivenciando uma
grande crise política, que levará a um cenário de restauração capitalista ainda
imprevisível. Chegou o momento da classe trabalhadora cubana se organizar por
fora das instituições castristas, controladas pela burocracia que nunca sequer
cogitou em estender a revolução para o continente latino-americano, estando
preparada para defender seus direitos históricos contra um provável ataque da
restauração capitalista neoliberal.
