GEORGE ABDALLAH: “O CAPITAL NÃO PODE PERMANECER ONDE EXISTE UM CONFLITO ARMADO ABERTO”
Transcrevemos no Blog da LBI as palavras do dirigente das Frações Armadas Revolucionárias Libanesas (FARL) e ex-preso político do imperialismo francês, Georges Abdallah. A intervenção de Georges foi traduzida do árabe, e realizada no final do ano 2025, em Beirute, pelo jornalista argentino Lisandro Brusco e agora também publicada por nosso portal político na internet. O valor da publicação reside não só na admirável firmeza que Abdallah demonstra após 41 anos de cárcere na França, mas também nos elementos programáticos que ele fornece para o exame da situação palestina, árabe e mundial.
Parece particularmente valiosa sua análise sobre a importância de um polo militar/tecnológico recentemente construído para o expansionismo sionista e a inviabilização de seu funcionamento (portanto, também do projeto do Grande Israel) pela grande operação militar de 7 de Outubro de 2023, dirigida pelo Hamas, e respectivos desdobramentos.
A sobrevivência moral e intelectual de Abdallah foi possível, em grande medida, porque, como ele mesmo relata, um esforço de solidariedade militante combinado com várias forças marxistas. cabe acrescentar a um contexto político propício que lhe assegurou acesso a um intenso fluxo de leitura e informação durante esses 41 anos. Isso mostra a importância de garantir aos revolucionários presos tal direito, hoje sob forte ameaça consubstanciada em regimes carcerários considerados “democráticos”.
Em outro prisma, a origem desse polo militar/tecnológico estratégico para o sionismo é também explicada por ele e reside em outro fato histórico, quase sempre ignorado por aqui: A gigantesca imigração, na década de 1980, da então União Soviética para a Palestina ocupada.
Passo a passo à incorporação dos judeus asquenazes à elite imperialista do Atlântico Norte, o sionismo, durante todo o século XX e particularmente em sua segunda metade, realizou – inclusive pelos meios que começam a vir à luz no caso Epstein – um eficiente trabalho de infiltração em todas as instâncias de poder, influência e riqueza dos EUA e da Europa. Esse esforço sionista ameaça perder toda utilidade com a irreversível decadência desses “impérios”.
A única chance que o enclave artificial de Israel tem, ou acredita ter, de não ser tragado pela Resistência Armada Palestina e a perda de poder dos EUA, reside na influência que ainda pode exercer na Rússia, elo fraco do novo “polo de poder” nacionalista burguês que se ergue na Eurásia.
