BUROCRACIA CASTRISTA COSTURA UM ACORDO COM TRUMP “A LA DELCY RODRÍGUEZ”: DEFENDER O ESTADO OPERÁRIO CUBANO DA OFENSIVA IMPERIALISTA SIGNIFICA LUTAR PELA REVOLUÇÃO POLÍTICA!
O Estado Operário Deformado Cubano, dirigido pela burocracia Castrista, está enfrentando nesses dias graves consequências econômicas e sociais que se aprofundaram desde o sequestro de Maduro na Venezuela e devido as posteriores medidas draconianas anunciadas por Trump (concentradas em uma ordem executiva) que impõem tarifas adicionais aos países que fornecerem petróleo à Ilha. O governo interino de Delcy Rodríguez na Venezuela, seguindo as ordens de Washington a título de “cooperação para a paz e o reestabelecimento das relações com os EUA”, não vem remetendo mais petróleo para Cuba, o que está provocando apagões elétricos e reduzindo drasticamente a já debilitada capacidade produtiva do país. Esse quadro gera grave descontentamento social internamente. Diante da ofensiva imperialista em curso, a burocracia Castrista vem costurando um acordo “a la Delcy Rodríguez” com a Casa Branca em nome da “coexistência pacífica”, o que passa por fazer enormes concessões políticas e econômicas às exigências de Trump para se preservar como casta burocrática dirigente.
Em um primeiro momento, Miguel Díaz Canel reagiu à ordem
executiva de Trump afirmando: “Sob um pretexto mentiroso e infundado, o
presidente Trump pretende estrangular a economia cubana impondo tarifas a
países que comercializam petróleo com Cuba de forma soberana”. Nesse quadro, a
produção industrial de Cuba vem caindo sistematicamente segundo os dados
governamentais mais recentes. O turismo internacional (uma importante fonte de
divisas) encerrou 2025 com menos de 2 milhões de visitantes, o pior número em
mais de 20 anos, excluindo a pandemia.
Na sequência Canel afirmou que “Nós somos um país pacífico. Mesmo em meio a toda essa agressão e ao bloqueio que já dura anos, afirmamos que temos a capacidade e a vontade de dialogar com o governo dos Estados Unidos. O problema é que o diálogo não pode ocorrer sob pressão. O diálogo deve ser conduzido em igualdade de condições, com respeito e sem pré-condições.” (Granma, 30/01). Por fim, o CC do Partido Comunista Cubano reproduziu a declaração do Ministério de Relações Exteriores de Cuba em busca de um acordo: “Cuba está preparada para reativar e expandir a cooperação bilateral com os Estados Unidos para enfrentar ameaças transnacionais comuns, sem jamais renunciar à sua soberania e independência. Cuba propõe renovar a cooperação técnica com os Estados Unidos em áreas como o combate ao terrorismo, a prevenção da lavagem de dinheiro, o combate ao narcotráfico, a segurança cibernética, o tráfico de pessoas e os crimes financeiros, e continuará a fortalecer seu arcabouço jurídico para apoiar esses esforços, reconhecendo que, quando há vontade de ambas as partes, progressos são alcançados nessas áreas. Os povos cubano e americano se beneficiam de um engajamento construtivo, da cooperação dentro dos limites da lei e da coexistência pacífica. Cuba reafirma sua disposição de manter um diálogo respeitoso e recíproco, orientado para resultados concretos, com o governo dos Estados Unidos, baseado no interesse mútuo e no direito internacional”. (Granma, 01/02)
Como Trotskystas somos defensores incondicionais do Estado Operário cubano frente a ofensiva imperialista, o que significa nesse quadro concreto rechaçar as medidas de Trump contra Cuba em frente única de ação anti-imperialista mas também lutamos pela revolução política para superar a orientação da burocracia Castrista que busca um acordo submisso com o atual gerente da Casa Branca a exemplo do pacto-vassalo celebrado pelo governo “neochavista” na Venezuela.
Essas tarefas táticas e estratégicas se entrelaçam dialeticamente porque a direção do PCC é incapaz por sua estratégia de “coexistência pacífica” e na condição de castra burocrática privilegiada de levar a cabo a luta contra o imperialismo para defender o Estado Operário de forma consequente por desejar conciliar com a Casa Branca.
Nessa vereda, Miguel Díaz Canel, presidente do Conselho de Estado de Cuba, se “inspira” na própria conduta de Delcy Rodríguez na Venezuela. Ela se move claramente no sentido do desmonte do regime nacionalista burguês que embora possa conservar seu título Bolivariano e também seu staff dirigente já não corresponde ao que os Marxistas caracterizam como “nacionalismo”.
Como Cuba é um Estado Operário Deformado esse processo de “transição” é muito mais complexo e difícil (como nos ensinou Trotsky) podendo descambar em uma guerra civil a partir de manifestações patrocinadas pela CIA, um choque entre frações da burocracia estatal ou mesmo em um enfrentamento militar com o imperialismo ianque. Nesse quadro nos colocamos pela frente única de unidade de ação anti-imperialista com todos os setores do povo trabalhador e dos militantes do PCC que se coloquem em defesa das conquistas sociais e do Estado Operário para nessa trincheira de luta derrotar o imperialismo ianque a fim de posteriormente avançar no rumo da revolução política e no renascimento da democracia operária dos conselhos em Cuba com o objetivo de superar a própria casta burocrática, como nos ensinou Trotsky!
O que fica evidente, entretanto, é que nesse momento o grosso da burocracia castrista almeja costurar um acordo com Trump no sentido de transitar para um regime político mais palatável (em todos os sentidos) aos olhos da Casa Branca.
Desde a revolução em 1959 Cuba avançou na expropriação do capital e apesar das deformações burocráticas ainda mantém sua estrutura de poder estatal lastreada em conselhos populares e não na formalidade da democracia burguesa e do sufrágio universal, este elemento fundamental obriga o imperialismo a readequar sua estratégia para levar adiante sua ofensiva contra as conquistas sociais da revolução cubana.
Não por acaso, “neonero” Donald Trump, disse nesse domingo (01/02) que seu governo está em negociações com Cuba e acredita que um acordo será alcançado com a nação caribenha: “Estamos conversando com pessoas em Cuba, com as mais altas autoridades cubanas, para ver o que acontece”, acrescentando: “Acho que vamos chegar a um acordo com Cuba”.
O instrumento de pressão para forçar a burocracia Castrista a operar esse acordo é o aumento do certo econômico onde também Delcy desempenha um papel de “Cavalo de Troia”. Estima-se que Cuba necessita de cerca de 110 mil barris de petróleo por dia e produz aproximadamente 40 mil, o que a torna altamente dependente de importações. No início dos anos 2000, a ilha recebia cerca de 100 mil barris por dia da Venezuela. Em 2025, a Venezuela era o maior fornecedor de petróleo de Cuba, atendendo a grande parte das necessidades diárias da ilha. O fornecimento da Venezuela findou após o bloqueio dos EUA e o sequestro de Maduro.
Segundo dados publicados no Financial Times, até o momento, em 2026, Cuba recebeu apenas um carregamento, do México, de 84 mil barris de petróleo (o equivalente a menos de 3.000 barris por dia), que também está ameaçado cessar por pressão dos EUA. A escassez foi agravada, naturalmente, pelo fato de que, após a intervenção de Trump no mercado petrolífero venezuelano feita com a cooperação de Delcy, a ilha deixou de receber remessas da Venezuela. É justamente nesse marco que Trump afirmou: “Acho que vamos chegar a um acordo com Cuba. O país está em uma situação difícil. Cuba tem um problema humanitário”.
Na condição de representante da burocracia Castrista, Miguel Diaz vem dando desde 2018 continuidade na economia cubana a introdução de mecanismos mercantis de dependência financeira com países capitalistas (centrais e periféricos), tornado o Estado Operário cada vez mais refém do fluxo mundial de capitais (grandes investidores globais). A fidelidade “canina” de Diaz Canel as linhas estratégicas da burocracia castrista, decorre do simples fato de Miguel representar um setor mais tecnocrático e “sem luz própria” da própria burocracia cubana, diretamente vinculada aos “negócios de estado” e com pouca relação com a política mais geral socialista. Essa trajetória pavimenta o caminho de um possível acordo “a la Delcy Rodríguez” com Trump porém alertamos que com o atual quadro de descontentamento social provocado pelo cerco imperialista esse caminho de concessões políticas e econômicas poderá colocar em risco a existência do próprio Estado Operário.
Somos contra o programa da “restauração democrática”, da legalização de partidos burgueses e Ongs capitalistas e do fim do controle da economia pelo Estado, como vem aconselhando Delcy Rodriguez a burocracia castrista a operar em Cuba na busca de um acordo com Trump. Ela mesmo vem libertando os presos contrarrevolucionários na Venezuela, recebendo os chefes da CIA no país e submetendo a economia venezuelana as ordens da Casa Branca, como vimos no caso da aprovação de nova lei neoliberal de Hidrocarbonetos que abre as portas para a exploração o petróleo pelas transacionais diretamente sem a participação sequer da PDVSA. O texto inclui a implementação dos chamados Contratos de Participação Produtiva (CPP), nos quais empresas estatais e suas subsidiárias podem firmar acordos para o desenvolvimento de atividades primárias (exploração, extração, coleta, transporte, armazenamento, processamento, beneficiamento, refino, industrialização e comercialização) com empresas privadas do país, que assumem a gestão integral da operação.
Desde a LBI denunciamos essas novas medidas anunciadas por Delcy Rodríguez como parte de um amplo processo de submissão políticas, econômica e comercial do país as ordens do imperialismo ianque, com ela começando a operar a transição de um regime nacionalista burguês para um de caráter neoliberal e pró-imperialista na Venezuela. Ela “aconselha” que Cuba politicamente transite no mesmo rumo de “cooperação”!
A principal agenda do governo cubano hoje é aprofundar as relações econômicas tendo por base o processo de restauração capitalista em curso, principalmente após o último congresso do PCC, em que copia parcialmente a chamada “via chinesa”. Trata-se da entrega de setores da economia para o controle de grupos capitalistas, estreitando cada vez mais os vínculos da casta dirigente com grandes empresas estrangeiras que investem no país, ao mesmo em tempo que se fragiliza e ataca conquistas históricas da revolução.
O bloqueio econômico é usado como fonte de forte pressão para impor dificuldades econômicas ao povo cubano e, ao mesmo tempo, serve de chantagem para o incremento da abertura gradual capitalista por parte da atual direção do PCC pela via da “coexistência pacífica”, com o grosso da burocracia Castrista sendo uma opositora frontal do programa trotskista da revolução permanente em escala mundial.
Longe de seguir esse caminho suicida, caracterizamos que a melhor forma de responder as investidas do imperialismo ianque é chamando a classe operária em nível mundial a derrotar o imperialismo e não apoiando a política de “coexistência pacífica” com a Casa Branca.
Como Trotskistas não podemos rejeitar possíveis manobras diplomáticas de um Estado Operário no contexto de um mundo hegemonizado pelo capital financeiro, reconhecemos o direito de Cuba exigir o fim do criminoso bloqueio comercial, porém não somos “ingênuos” ao ponto de desconsiderar os objetivos estratégicos do imperialismo ianque. Como nos ensinou Lenin que pessoalmente em sua época celebrou vários acordos comerciais com o imperialismo europeu, é necessário aproveitar as fissuras da crise imperialista sem “baixar a guarda” de uma política que convoque permanentemente a mobilização do proletariado mundial contra a atual ofensiva neoliberal contra os povos.
Nesta perspectiva revolucionária não podemos confiar na burocracia Castrista, que busca conservar o atual regime estatal cada vez mais sob as bases de concessões econômicas e políticas. Frente a esta disjuntiva histórica, está colocado a construção do genuíno Partido Operário Revolucionário na Ilha com o objetivo de avançar nas conquistas sociais e do chamado a expropriação da burguesia mundial, se opondo a política de colaboração de classes das direções reformistas, rompendo desta forma o isolamento de Cuba por meio da vitória da revolução proletária em outros recantos do planeta!
Defendemos o programa da revolução política proletária, que passa pela defesa incondicional de Cuba e das conquistas da revolução! A tarefa revolucionária de construção de um verdadeiro Partido Marxista Leninista e da revolução política em Cuba se mantém mais vigente do que nunca na “Ilha Socialista”!

