segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

UM “ESTRANHO” NA FESTA DOS 46 ANOS DA FUNDAÇÃO DO PT: DENUNCIAR A COLABORAÇÃO DE CLASSES E INTEGRAÇÃO AO CAPITAL FINANCEIRO INTERNACIONAL!* 

O PT acaba de completar 46 anos de existência política em meio a sua maior integração orgânica ao capital financeiro internacional, leia-se a própria Governança Global dos Rentistas, que controla os governos burgueses no planeta como marionetes mais ou menos “descartáveis”. Como fundador do partido, ex-membro de sua direção, e militante destacado de sua primeira campanha eleitoral em 1982, posso dar um testemunho vivo de toda sua trajetória de integração primeiro a burguesia nacional enquanto ainda havia resquícios de sua hegemonia no país), e posteriormente ao “Clube de Bilderberg” (classe dominante global). Participei nos primeiros embates programáticos do PT, desde o ácido debate político acerca de sua plataforma fundacional, passando pela disputa das primeiras eleições em 1982 e a vitória para uma prefeitura de uma capital em 1985 (Fortaleza), até o esgotamento do ciclo do gerenciamento estatal de colaboração de classes iniciado em 2003 (primeira gestão Lula).

A esquerda revisionista que acompanhou organicamente boa parte da história do PT(a grande maioria como tendências internas disciplinadas), ou mesmo a que agora retorna ao partido por outra “via financeira”, como é o caso do PCO, sempre apontou “romanticamente” que a "primeira etapa" da vida política petista teria sido “profundamente socialista". Esta caracterização sem qualquer conteúdo de classe significa um gravíssimo equívoco! O PT não se degenerou quando veio a ocupar a gerência do Planalto, apenas exerceu seu "direito” de um partido burguês, conquistado nas urnas, de operar como CEO os negócios do Estado capitalista.

Como uma organização partidária que jamais foi operária, revolucionária e nem mesmo socialista, a evolução política do PT ocorreu pela via programática de um partido originalmente pequeno burguês até se consolidar como mais uma legenda preferencial da classe dominante, com a peculiaridade de não ter em seus quadros nomes representativos oriundos da decadente burguesia nacional. Nesta trajetória de "transição", o PT conseguiu deletar a mínima referência classista dos primeiros anos de vida para abraçar o discurso da "cidadania plena", o que obviamente para sua liderança partidária representava o "direito de consumo e crédito" antes de mais nada.

A estruturação de um movimento de massas que viesse a romper os limites de um "capitalismo periférico” nunca nem passou "pelos pesadelos ou sonhos" de Lula, sua tarefa e de seu partido era radicalmente oposta: Fornecer sustentabilidade ao capital financeiro. Com uma plataforma de governo onde não existia sequer a execução de uma única reforma progressista, as variações do mercado internacional impuseram a pauta do "modelo de gestão petista".

Entretanto parece que pouco adianta Lula na festa dos 46 anos de seu “rebento” repetir a exaustão que é um liberal e nunca foi socialista, nem a esquerda revisionista e tampouco a direita reacionária quererem lhe dar ouvidos... O PT é um produto acumulado de seus próprios princípios originários ao longo de sua vida política, um partido que estampa no nome a independência de classe e ao mesmo tempo desde seu nascimento rejeita categoricamente os desafios programáticos do proletariado, como o socialismo e a luta revolucionária. Nesta senda a vitória presidencial de 2002 marcaria no Brasil o início de um governo central capitalista, lastreado na política de colaboração de classes. Mas por ironia da história, foi como oposição, no curto mandato do neofascista Bolsonaro, que o PT viria a receber as credenciais definitivas da Governança Global do Capital Financeiro para representá-la no país…

*Candido Alvarez