segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

APRESENTAÇÃO DO LIVRO “A VERDADE SOBRE A VENEZEULA: TRAIÇÃO AO CHAVISMO, ARMAÇÃO DE MADURO COM TRUMP OU UM ATAQUE IMPERIALISTA?”

A resposta a estas três perguntas bem diretas, poderá ser respondida com uma única assertiva: As três hipóteses são todas verdadeiras! Logicamente combinadas em um cenário real da luta de classes e com proporções políticas distintas entre as três possibilidades. É um fato concreto irrefutável que ocorreu um ataque militar aéreo das forças armadas do Pentágono sobre a Venezuela no último dia 03 de Janeiro. Esse bombardeio ianque não foi letal e tampouco atingiu os “centros nevrálgicos” do Exército Bolivariano, como já tínhamos noticiado no Blog da LBI no próprio dia do ataque. As versões fantasiosas de um “super-ataque”, onde foi relatado “cegueira” dos radares venezuelanos, corte em todas as comunicações (TV e rádio) de Caracas, bloqueio dos sinais de internet e celulares, nunca existiu! Até mesmo chegou a disseminar que os agentes norte-americanos da “Força Delta”, que supostamente sequestraram Maduro, usavam roupas que os deixavam invisíveis, além de portarem armas cibernéticas que eliminaram de uma “só tacada” toda a segurança pessoal do presidente Maduro, sem precisar entrar em nenhum tipo de combate… Como pode ser inquirido a qualquer cidadão venezuelano que mora nos arredores do Forte Tiuana, onde estava Maduro, nenhum celular “ficou mudo” e nem mesmo alguma emissora de TV ou rádio saiu do ar naquelas horas do ataque. Também nenhuma frota de helicópteros Black Hawk foi ouvida ou avistada sobrevoando a região do conurbano de Caracas. Os bombardeios ianques aconteceram a cerca de 20 mil metros do solo, por caças F-22, onde nem mesmo os modernos sistemas de defesa russo S-300 podem alcançá-los. Maduro foi entregue aos militares do Pentágono por altos oficiais corrompidos das próprias forças Bolivarianas! Os seguranças cubanos do presidente foram todos executados, sem marcas de luta ou ferimentos de combate, como “queima de arquivo”! É evidente que uma operação deste porte envolve à cúpula superior do Chavismo, desde a então vice presidente, até mesmo o próprio Maduro. Sigamos as “pegadas do dinheiro”, que agora está entrando em milhões de dólares para o governo interino, via entrega do petróleo venezuelano para as multinacionais imperialistas, que vamos compreender toda a nova situação histórica aberta após o 3 de Janeiro.

A segunda resposta ao que nos propomos a investigar cientificamente neste livro, não confundir com uma trama policial, é sobre a questão da “Armação de Maduro com Trump”. Com a avaliação marxista da própria evolução dinâmica da conjuntura mundial, que incide diretamente sobre a Venezuela pós ataque imperialista, podemos responder hoje que sim, houve de fato algum grau de envolvimento político do próprio presidente Maduro em sua detenção ilegal pelas forças norte-americanas. Embora seja impossível, e até mesmo irresponsável, afirmar em que nível de responsabilidade direta, esteve ligado Nicolas Maduro em seu sequestro. Poderia ter sido sobre uma pressão direta de seus próprios camaradas bolivarianos, como o Ministro Diosdato Cabello e sua vice Delcy, no sentido de “oxigenar” a economia capitalista venezuelana, asfixiada pelas sanções impostas pela Casa Branca. Ou mesmo diante de uma ameaça mais letal a segurança de seus familiares, como a “Primeira Combatente”, Cilia Flores, claramente golpeada na operação de resgate e entrega do casal para um porta-aviões ianque, ancorado bem próximo do litoral venezuelano. A “alegria esfuziante” de Maduro ao chegar no presídio em Nova York, contrastava nitidamente com o rosto abatido e machucado de Cilia Flores, assim como as declarações posteriores de Maduro já no cárcere(total apoio a Delcy), são elementos objetivos que podem nos fornecer os indícios concretos no comprometimento do presidente Chavista na correlação de forças inaugurada com sua evacuação forçada da Venezuela.

A terceira pergunta, acerca da traição ao Chavismo, talvez seja a mais complexa e não está relacionada simplesmente aos graves acontecimentos em torno do presidente Maduro. Os Marxistas Leninistas têm definições teóricas bem rígidas, que sistematicamente não são compreendidas no chamado “senso comum” da esquerda. Nós temos uma caracterização conceitual bem precisa do regime político Bolivariano, que vai muito mais além do que as próprias autodefinições dadas por Hugo Chavez, Maduro ou pela esquerda reformista do mundo inteiro. Não compartilhamos das “teses” do “Socialismo do Século XXI”, usada por Chavez no antigo Fórum Social Mundial, porque trabalhamos com as categorias programáticas do Trotskysmo, como a dos regimes nacionalistas burgueses, que em alguma medida do seu curso histórico, se chocam com as determinações políticas e econômicas do imperialismo sobre suas semi-colônias. Este foi o caso do México durante o exílio do “Velho Leon” em meados dos anos 30 do século passado. Como definiu brilhantemente nos seus escritos sobre a revolução permanente mundial, a burguesia nacional é uma classe dominante impotente de levar até as últimas consequências seu enfrentamento com o imperialismo. Porém, Trotsky defendia vigorosamente, marchar criticamente com essa mesma burguesia impotente até o último momento, em suas fricções com o imperialismo, no sentido de mostrar ao proletariado que esta classe dominante sempre capitula no momento final da luta. Este é dramaticamente o caso contemporâneo do chamado Bolivarianismo na Venezuela, assim se sucedeu com o General Lázaro Cárdenas, há quase um século atrás quando estatizou a extração de petróleo no México. A traição ao Chavismo, diante da cristalina capitulação (em toda linha) ao imperialismo ianque, não é uma questão de poder pessoal, corresponde a uma dinâmica de mudança do próprio caráter do regime político venezuelano, que nunca foi socialista, entretanto inicialmente carregava traços fortes de nacionalismo burguês.

Os Editores

Janeiro/2026