A QUESTÃO NÃO É A SUPOSTA “NOVA ORDEM MUNDIAL” DE TRUMP: UMA CORTINA DE FUMAÇA PARA CAMUFLAR OS ATAQUES IMPERIALISTAS AO LONGO DA HISTÓRIA
Para “refrescar” a memória dos que ficam “escandalizados” com as ações militares de Trump, muito mais “bufônicas” do que efetivas, e chegam até a alardear o início de uma “Nova Ordem Mundial", vejamos algumas intervenções terroristas recentes do imperialismo ianque, somente neste século. O Afeganistão foi o primeiro país atacado pelos EUA no século XXI, após os atentados as Torres Gêmeas de 11 de setembro e a recusa do Talibã em entregar o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. Dezenas de milhares de pessoas morreram nesse conflito prolongado, enquanto os EUA perderam 2.200 militares e mais de 20.000 ficaram feridos. A retirada das tropas foi uma das principais promessas de campanha de Obama, que o Democrata não cumpriu.
Em outubro de 2002, 17 fuzileiros navais americanos foram mortos em um ataque suicida realizado pela Al-Qaeda contra o destróier USS Cole no porto de Aden. Dois anos depois, em 30 de setembro de 2002, os EUA lançaram ataques aéreos contra posições da Al-Qaeda no Iêmen, após receberem o consentimento do governo iemenita. Naquele dia, um drone da CIA matou o clérigo iemenita-americano Anwar al-Awlaki, suspeito de ser membro da Al-Qaeda, no que foi o primeiro ataque com drone dos EUA fora do Afeganistão. Poucos dias depois, Qaed Salim Sinan al-Harethi, considerado pelos EUA responsável pelo ataque ao USS Cole, foi morto da mesma maneira. Com a ascensão de Obama a Casa Branca, os ataques dos EUA no Iêmen se intensificaram, ceifando a vida de muitos civis. De acordo com um relatório da Human Rights Watch, um total de seis ataques com drones foram realizados a partir de 2009, resultando em 82 mortes (57 das quais civis).
Em fevereiro de 2003, o então Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, discursou na ONU, alegando que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa. Embora essa informação tenha sido posteriormente refutada, principalmente pelo próprio Powell, serviu de pretexto para a invasão do Iraque pelos EUA em março daquele ano, que levou à queda de Hussein três semanas depois. Além do enorme número de mortes causadas por essa intervenção, as consequências dessa guerra permanecem evidentes até hoje, como demonstrado pela ofensiva do Estado Islâmico, cujas raízes, em última análise, estão nessa invasão, que abriu caminho para o terrorismo sunita no Iraque. A partir deste verão, o governo Obama retomou os ataques aéreos contra o Iraque para combater o Estado Islâmico.
Os ataques com drones em território paquistanês começaram durante a presidência de George Bush, mas atingiram seu ápice sob o governo de Barack Obama. Segundo a ONG Bureau of Investigative Journalism, os EUA lançaram 390 ataques com drones no Paquistão a partir de 2004, 339 dos quais ocorreram após a posse de Obama. Esses ataques mataram 4.000 pessoas, das quais pelo menos 1.000 eram civis. “O uso de drones não é apenas um ato de violência contra a nossa integridade regional, mas também mina os nossos esforços para eliminar o terrorismo no nosso país”, enfatizou o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, durante o seu encontro com Obama em outubro de 2013.
Em janeiro de 2007, os EUA, apoiados pelo então presidente somali Abdullahi Yusuf Ahmed, lançaram ataques aéreos contra líderes da Al-Qaeda na Somália, que foram responsabilizados perante Washington pelos ataques às embaixadas americanas no Quénia e na Tanzânia, que causaram mais de 200 mortes. Ataques ocasionais continuam a ocorrer até hoje, embora não sejam frequentes.
O que aconteceu na Líbia? Embora a maioria dos bombardeios na Líbia contra Muammar Gaddafi tenha sido realizada por forças europeias e da OTAN, foram precisamente os EUA que os inspiraram e apoiaram, participando das operações militares iniciais. Em março de 2011, Obama, de fato, emitiu um ultimato a Kaddafi, obrigando-o a suspender o avanço de suas tropas, que lutavam contra os supostos “rebeldes”, e a restabelecer o fornecimento de água, gás e eletricidade em todo o país. "Se Kaddafi não cumprir essas condições, a comunidade internacional imporá consequências, e a resolução será executada por meio de ação militar", disse Obama. Segundo documentos vazados pelo The Wall Street Journal, a CIA participou ativamente da busca por Kaddafi após sua fuga. Três anos após a morte de Kaddafi, a situação na Líbia não só não se estabilizou, como o caos político continua a se agravar, praticamente destruindo o que outrora era o país mais próspero da região do Magreb.
Com aprovação do então presidente Biden, no começo de 2021, os EUA também bombardearam a Síria para destruir supostas bases militares do Hezbollah no país. Houve também feridos e mortos no ataque com mísseis, um militar do exército sírio e outros cinco empreiteiros de nacionalidade não identificada. Um aeroporto da cidade do leste da Síria também foi atingido no ataque imperialista.
E para finalizar, não podemos esquecer que foi o Democrata senil quem armou a Ucrânia “até os dentes”, pela via da OTAN, para iniciar uma ofensiva militar contra a Rússia, o que acabou resultando no atual conflito envolvendo os dois países e as Repúblicas independentes de Donetsk e Lugansk.
