sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TENTATIVA DE “REVOLUÇÃO COLORIDA” NO IRÃ: PROTESTOS NAS RUAS… ENQUANTO EUA/ISRAEL PREPARAM ATAQUE CONTRA NAÇÃO PERSA

Ao que tudo indica começou mais uma tentativa de “revolução colorida” no Irã que tem como “estopim” o real aumento do custo de vida devido ao governo ter desvalorizado bruscamente a moeda nacional em função da grave crise econômica provocada pelo bloqueio comercial e as sanções dos EUA contra a economia persa. Pelo nível de organização e massividade dos protestos apoiados pelo consórcio da mídia corporativa e as ONG´s imperialistas as manifestações tiveram a “mão” da oposição de direita “made in CIA” patrocinada pelos EUA e Israel que vão atacar em breve o Irã como apontou o encontro no final do ano entre os chacais Trump e Netanyahu.

Nesse cenário Ali Larijani, conselheiro sênior do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou para ameaças de interferência dos EUA em meio a recentes protestos no país persa devido à tensa situação econômica e à desvalorização da moeda nacional. “Distinguimos a posição dos comerciantes que protestam da dos agentes disruptivos. Trump deveria saber que a interferência dos EUA nesta questão interna desestabilizaria toda a região e destruiria os interesses dos EUA”. O alto funcionário iraniano observou que, após as recentes posições assumidas por autoridades israelenses e pelo presidente dos EUA “fica claro o que vem acontecendo nos bastidores. O povo americano deve saber que Trump deu início a essa aventura. Devem estar atentos à segurança de seus soldados “, acrescentou.

Não por acaso, Reza Ciro Pahlavi classificou as recentes manifestações no Irã como a “chama de uma revolução nacional”. Essa foi a manifestação do reacionário membro da família do Xá (exilado nos EUA) derrubado pela Revolução Iraniana de 1979: “Apelo ao povo do Irã para que se junte às greves e protestos em todo o país: unam-se e juntem-se a este movimento nacional”, disse indicando que a tática do imperialismo ianque e do sionismo é desestabilizar o Irã enquanto preparam um ataque contra o regime nacionalista burguês que vem desenvolvendo sua indústria militar (com farto arsenal de mísseis balísticos e de cruzeiro) e por essa razão é um alvo preferencial dos EUA/Israel em 2026.

De acordo com estimativas de centros de estudos de defesa europeus, o Irã mantém entre 40% e 60% de sua capacidade de lançamento de mísseis balísticos de médio e longo alcance. Mais importante ainda, sua doutrina de dissuasão, baseada na saturação das defesas adversárias com ondas de projéteis relativamente baratos e nem todos interceptáveis, permanece intacta.

A mudança na retórica israelense, da ameaça de uma arma nuclear iminente para o perigo de um arsenal de mísseis avassalador, não é, portanto, um mero ajuste tático. Representa um reconhecimento implícito de uma falha estratégica em degradar o núcleo das defesas iranianas. O que Netanyahu busca agora não é impedir desenvolvimentos futuros, mas neutralizar uma capacidade existente que já comprovou sua eficácia em junho, quando dezenas de projéteis conseguiram penetrar o sistema defensivo israelense, causando danos materiais e, sobretudo, um impacto psicológico significativo. A guerra de junho não quebrou o Irã; ela confirmou a eficácia duradoura de sua principal ferramenta de dissuasão.

Nesse contexto, os protestos começaram esta semana entre o final de 2025 e início do 2026. “Alguns manifestantes começaram a lançar pedras contra prédios administrativos da cidade, entre eles o gabinete do governador, a mesquita, a Fundação dos Mártires, a prefeitura e vários bancos, antes de se dirigirem à sede do governo regional” na cidade de Lordegan, escreveu a agência Fars. A polícia usou gás lacrimogêneo contra eles, explicou. Lordegan, uma localidade com 40.000 habitantes, está situada a cerca de 650 quilômetros de Teerã. “Um membro do Basij [uma milícia paramilitar] da cidade de Kuhdasht, de 21 anos, foi morto esta noite por arruaceiros enquanto defendia a ordem pública”, declarou a televisão estatal, citando o vice-governador da província de Lorestão (oeste), Said Pourali.

Não é agitação local espontânea numa só cidade: claramente os movimentos são coordenados. Quando os trabalhadores estão em dificuldades, quaisquer poucos milhares de dólares bastam para criar multidões de ‘indignados’. Pequenos grupos especialistas causam agitação e tumultos que logo ganham destaque na mídia internacional. Jornalistas do establishment e a esquerda reformista apontaram como “teorias da conspiração” qualquer sugestão de que os protestos no Irã e em outros lugares do mundo imperializado não sejam de natureza genuinamente orgânica e popular. No entanto, abundam fartas evidências claras de direção política e patrocínio financeiro da CIA nas chamadas “revoluções coloridas”.

Como trotskistas sabemos muito bem que regimes nacionalistas burgueses não hesitam em atacar sua própria classe operária quando a questão em jogo é a eliminação socialista de seus privilégios de classe. Mas o que acontece agora no Irã não é a insurreição das massas contra um regime nacionalista e sim uma ofensiva imperialista contra as conquistas das massas oriundas de um regime nacionalista.

Por esta razão dizemos que cabe lutar em frente única com as forças do regime para derrotar o imperialismo e seus agentes internos, forjando nesta trincheira de luta as condições para construir um partido revolucionário e internacionalista capaz de agrupar o melhor da vanguarda para, depois de derrotada a ofensiva imperialista, marchar contra o regime burguês islâmico e reacionário que mantém intocável o modo de produção capitalista.

Seguindo o legado de Trotsky e particularmente seus ensinamentos quando esteve exilado no México no final dos anos 30 sob o governo de Cuauhtémoc Cárdenas, a LBI honra neste momento o “velho” que soube de forma principista “andar sob o fio da navalha” ao denunciar a ofensiva reacionária da direita e do imperialismo, chamando a derrotá-la enquanto se delimitava programaticamente com o nacionalismo burguês mexicano.

Trotsky presenciou diretamente nos últimos anos de sua vida várias manifestações “populares” reacionárias contra as nacionalizações feitas pelo governo burguês do general Cárdenas. Na época, a oposição pró-imperialista afirmava que Cárdenas era um “ditador”, a mesma cantilena que usaram contra Kadaffi, Maduro, Assad e mesmo os Aiatolás. Ainda assim o dirigente bolchevique se recusou a embarcar pela vereda fácil do falso radicalismo “ortodoxo”, sendo torpemente acusado de ter se “vendido” a Cárdenas, inclusive por dirigentes da própria Quarta Internacional. Fazendo um paralelo histórico, é a essa encruzilhada dramática que está submetido o Irã hoje.

Nesse combate, os trotskistas da LBI, sem alimentar falsas ilusões no regime dos Aiatolás, lutam em unidade de ação com as forças do regime, com total independência política, para derrotar a contrarrevolução travestida de “democrática”.

Os Marxistas Leninistas que não apoiam o governo burguês iraniano, se colocam integralmente no campo militar do regime nacionalista dos Aiatolás, em caso de qualquer confronto direto (ou via guerra híbrida) com o imperialismo ianque e seu enclave sionista.