A DISPUTA PELA GROENLÂNDIA NÃO É ENTRE IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO VERSUS EUROPEU: A CONTENDA PELO CONTROLE DA ILHA GELADA ENVOLVE OS SOBERANISTAS IANQUES CONTRA O DEEP STATE GLOBAL
As discussões em torno do controle da Groenlândia, a maior ilha do planeta, são frutos do passado colonial, que desde o século XIII, a ilha foi em essência, uma colônia da Noruega, e depois, no século XIX e princípios do século XX, foi uma colônia da Dinamarca. Somente a meados do século passado foi firmado um acordo sobre o que passou a formar parte do território nacional da Dinamarca. Para os Marxistas Leninistas a Groenlândia não é uma parte “natural” da Dinamarca e tampouco da União Europeia capitalista. Seus poucos habitantes (etnia Inuit), cerca de apenas 60 mil, foram “disciplinados” historicamente com a dominação estrangeira e agora se sentem “passivos” diante da disputa do controle da ilha por outros países, ao não levantarem a reivindicação da soberania e independência nacional de seu território(somente 20% da ilha é habitável).
Entretanto apesar da escassa população(a menor densidade populacional do mundo), e terras inóspitas para a atividade econômica da agropecuária, a Groenlândia possui depósitos significativos de níquel, lítio, cobre, grafite e terras raras (como neodímio e disprósio), vitais para baterias de veículos elétricos e turbinas eólicas. Além disso, existem grandes reservas de hidrocarbonetos (petróleo e gás) e abundância de água doce no gelo.
Mais além da importância dos recursos naturais da grande ilha, a atual disputa pelo controle da Groenlândia insere-se no contexto mais amplo da crescente militarização da rota marítima do Ártico e da reorganização do poder militar internacional no interior da contenda entre as entre os EUA e a Rússia, as duas maiores potências bélicas do planeta.
Nesse quadro, a Groenlândia ocupa uma posição estratégica, localizada no eixo mais curto entre a América do Norte e a Eurásia e no centro do chamado GIUK Gap (corredor Groenlândia–Islândia–Reino Unido), a ilha desempenha papel decisivo na vigilância das rotas transpolares, no controle do Atlântico Norte e na detecção antecipada de ameaças aéreas, navais e balísticas oriundas do espaço euroasiático.
As recentes declarações de Donald Trump sobre a anexação da Groenlândia pela via militar, não podem ser reduzidas a bravatas pessoais do ultra reacionário presidente Republicano. Refletem as aspirações da burguesia industrial ianque, em tentar se soerguer após mais de 40 anos de “desinvestimentos” do capital financeiro global no território norte-americano. Os sobenanistas ianques, agora representados politicamente na Casa Branca pelo bufão neofascista, pretendem “dar o troco” aos globalistas do Deep State, que investiram trilhões de dólares no desenvolvimento capitalista da China, tornando-a uma potência proto-imperialista.
Agora desprovidos do assento estatal dos EUA, os globalistas do rentismo financeiro se reorganizaram no comando da trincheira militar da União Europeia, sendo a nazinistra Ursula von der Leyen sua porta-voz política oficial. E não por coincidência até mesmo a OTAN, com sede em Bruxelas, uma malévola criatura histórica do imperialismo ianque para combater a antiga URSS, se coloca frontalmente contra as atuais aspirações de seu “mestre fundador”, o Pentágono.
A razão do inédito conflito de interesses entre o governo dos EUA e seus antigos aliados europeus(incluindo até a OTAN), não reside em nenhum “choque de imperialismos”, como vem sendo apresentado pela medíocre exquerda reformista. Afinal de contas tanto a OTAN como os EUA já tem bases militares instaladas na Groenlândia. Representa sim a disputa pela hegemonia internacional entre a decadente burguesia ianque e a ascendente classe dominante global do capital financeiro.
Neste cenário, o Kremlin se manifesta “neutro”, enquanto os capitalistas chineses e seu governo supostamente “comunista”, estão integralmente no campo militar dos globalistas do Fórum de Davos…
