domingo, 2 de agosto de 2026

O OPRÓBIO DE VALÉRIO ARCARY: UM PICARETA QUE TRANSITOU VELOZMENTE DO MORENISMO AO MARINISMO DA REDE/ITAÚ…

Valério Arcary, velho conhecido da exquerda trotskizante, como todos já estão cansados de saber, não se diz mais Morenista. Há quase uma década, o grupelho liderado por Arcary rompeu com o PSTU/LIT e se dissolveu organicamente no emaranhado do PSOL. Desde então Valério completamente corrompido moral e materialmente, encarnou o “personagem” canastrão do mais fervoroso lulopetista, tudo é claro com a desculpa de “combater a extrema direita bolsonarista”, até aí nenhuma novidade. Entretanto o que é realmente um “fato novo” na trajetória degradante do ex-Morenista, é que agora Arcary não somente um “fanzine” de Lula, mas também passou a fazer apologia eleitoral das “virtudes” da candidatura de Marina Silva (PSOL/REDE) para o senado por São Paulo. Como é de largo conhecimento público, Marina foi uma golpista contra o mandato de Dilma Rousseff, ex-apoiadora do tucano Aécio Neves à presidência da República em 2014, e principal liderança da REDE, a legenda fundada pela herdeira do Banco Itaú, Neca Setúbal, e financiada diretamente pela Coroa Britânica, a título de defesa da “ecologia brasileira”. Valério parece não ter nenhum limite em sua “derrapada“ ideológica ladeira abaixo, porém o mais “curioso“ é que seus antigos camaradas da LIT e agora do CIR, ainda mantém Arcary no mais alto patamar dos quadros políticos que um dia transitaram pelo Marxismo Revolucionário, um prenúncio da metamorfose que ocorrerá muito em breve para os dirigentes ainda Morenistas, Eduardo Almeida e Bernardo Cerdeira…

Nós da LBI já vínhamos caracterizando a “guinada” do grupo Valerista como um fenômeno primordialmente material e ideológico, e não simplesmente político partidário, como querem passar seus antigos camaradas do PSTU e MPR. Analisar a trajetória de Valério Arcary desde que rompeu com o PSTU em 2016, acusando a organização Morenista de perfilar com os golpistas, é uma tarefa nauseabunda, porém precisa ser realizada pelos Marxistas Revolucionários. 

Assim como toda a exquerda reformista que se corrompeu com a grana injetada pelo capital financeiro internacional para proclamar a “inviabilidade histórica” da revolução socialista e da Ditadura do Proletariado, Arcary agora defende que o passo principal é “derrotar a extrema direita” nas urnas, estabelecendo uma unidade orgânica mais sólida com o chamado “campo progressista”. 

Vejamos o que pontuou o Marxismo Revolucionário sobre a necessidade de “combater a direita”. Na Espanha Trotsky defendeu ampla unidade contra o franquismo, porém criticou duramente o POUM (organização trotskizante centrista) que votou a favor do governo Largo Caballero, derrubado posteriormente pela reação fascista...

O “velho” bolchevique escreveu no artigo “A traição do ‘Partido Operário de Unificação Marxista’ espanhol” em 1936: “Os jornais nos informam que na Espanha o conjunto dos partidos ‘de esquerda’, tanto burgueses como operários, constituíram um bloco eleitoral sobre a base de um programa comum, que, evidentemente, em nada se distingue do programa da ‘Frente Popular’ francesa nem de todos os outros programas charlatanescos do mesmo gênero. Ali encontramos ‘a reforma do tribunal de garantias constitucionais’, a manutenção rigorosa do 'princípio de autoridade' (!!), a 'libertação da justiça de todas as pressões de ordem política ou econômica' (A libertação da justiça capitalista da influência do capital!) e outras coisas do mesmo gênero. O programa constata a recusa, da parte dos republicanos burgueses que participam do bloco, de nacionalização da terra, porém, em 'em compensação', ao lado das habituais promessas baratas aos camponeses (créditos, revalorização dos produtos da terra etc.), ele proclama (como um dos seus objetivos) o saneamento (!!) da indústria', e a 'proteção da pequena indústria e do comércio' segue-se o inevitável 'controle sobre os bancos' no entanto, uma vez que os republicanos burgueses segundo o texto de este programa, rejeitam o controle operário, trata-se do controle sobre os bancos... pelos próprios banqueiros, por intermédio dos seus agentes parlamentares, do mesmo gênero de Azaña e de seus semelhantes. Enfim, a política exterior da Espanha deverá seguir 'os princípios e os métodos da Sociedade das Nações'. E que mais? Assinaram, ao pé deste documento vergonhoso, os representantes dos dois grandes partidos burgueses de esquerda, o Partido Socialista Operário Espanhol, a União Geral dos Trabalhadores, o Partido Comunista (evidentemente!), as Juventudes Socialistas - ai! -, o 'Partido Sindicalista' (Pestaña) e, por último, o 'Partido Operário de Unificação Marxista' (Juan Andrade). A maioria destes partidos esteve à cabeça da revolução espanhola durante os anos do seu ascenso e eles fizeram tudo ao seu alcance para esgotá-la. A novidade consiste na assinatura do partido de Maurín-Nin-Andrade. Os antigos 'comunistas de esquerda' se transformaram simplesmente no vagão a reboque da burguesia 'de esquerda'. É difícil conceber uma queda mais humilhante!”.

Aqui Trotsky literalmente repudia o apoio eleitoral a Social Democracia em nome de derrotar nas urnas a “ameaça fascista”, em uma realidade análoga a que passamos hoje no Brasil. Os Trotskistas estão pela unidade de ação contra o fascismo e não pela formação de um bloco político comum eleitoral com a Frente Popular de colaboração de classes , que desarma a resistência do proletariado a ascensão do verdadeiro fascismo, não essa frágil caricatura de fascismo institucional, conhecida como Bolsonarismo.