quarta-feira, 19 de agosto de 2026

BANCÁRIOS: PREPARAR PELA BASE A GREVE NACIONAL PARA DERROTAR A INTRANSIGÊNCIA DA FENABAN/GOVERNO LULA!


A campanha salarial dos bancários de 2026 segue o script da política de conciliação de classes da Contraf-CUT, responsável por tantas derrotas anteriores. E sendo ano eleitoral, não podemos permitir que subordinem nossas reivindicações ao calendário das eleições. A burocracia impôs uma pauta rebaixada, esconde o governo Lula, patrão dos bancos públicos e gerente dos banqueiros, atrás da farsa da Mesa Única da Fenaban, realiza manifestações midiáticas e assembleias virtuais e burocráticas só para cumprir calendário, permite arrastar as negociações com a Fenaban até às vésperas da data-base só para chantagear a categoria com a ultratividade que é a garantia, recusada pela Fenaban, de que o acordo atual continue vigendo automaticamente até se fechar o novo acordo.

O resultado disso, depois de diversas negociações numa farsa de Mesa "Única" de Negociação, foi não só a intransigência do governo dos banqueiros de Lula, patrão dos bancos públicos, como a provocação da Fenaban, patrão dos bancos privados, em apresentarem propostas inaceitáveis como o escalonamento de reajuste por faixas salariais e o congelamento do piso da categoria. Esse "bode na sala" já foi rejeitado nas assembleias do 17/8, majoritariamente virtuais. E só aprovaram uma paralisação de 24h pra o dia 20/8 que precisa ser muito forte. Mas, isso é completamente insuficiente para derrotar os banqueiros e seu governo. É preciso preparar já e pela base uma poderosa greve nacional unitária e unificada com outras categorias em luta.


Como uma greve é sempre uma operação de combate com o objetivo de obrigar nosso adversário a ceder. Desse ponto de vista da luta de classes, nossos adversários são os banqueiros, o governo Lula e a própria burocracia governista que detêm o controle burocrático sobre os rumos da greve. Exigir assembleias unificadas e plenárias presenciais que constrangem e impedem, em certa medida, que a retaguarda da categoria (gerentes, lambe-botas, fura-greves) se façam presentes virtualmente pra defender os interesses dos banqueiros e da Contraf-CUT que manobra ao dividir as assembleias/votações por banco! A Contraf-CUT prefere esse calendário virtual porque subjuga a disposição de luta dos bancários, além de se protegerem da pressão das bases através de uma tela, transformando as assembleias em meras formalidades artificiais, simplesmente para cumprir o rito de uma caricatura de campanha salarial. Romper com essa lógica pelega é fundamental para a vitória de nossa campanha salarial.


Portanto, a unidade da categoria e não sua divisão por bancos ou mesas específicas é o caminho para obrigá-los a ceder. Afinal, a greve unitária da categoria deve se sobrepor às exigências particulares ou corporativistas por bancos. Não é à toa que as mesas específicas do BB, CEF, BASA, BNB ainda nada ofereceram, mas só o farão quando o índice final da Fenaban for costurado por trás da vontade das bases. Nesse sentido, defendemos acabar com o corporativismo reacionário que divide os trabalhadores por banco, em nome de especificidades que, embora reais, devem em época de campanha salarial estar subordinadas àquilo que nos une primeiramente: reajuste e reposição salarial, pisos dignos, fim das demissões, estabilidade, fim do assédio moral, isonomia, etc. 


A única saída para romper o impasse da greve é radicaliza-la, rompendo com a política de conciliação de classes da burocracia governista e reconstruindo nossa capacidade de luta, a partir de uma intervenção independente da base que resgate a mais ampla democracia operária, reivindicando comandos eleitos na base, assembleias unificadas e inter-categorias. É necessário também superar a dispersão das lutas, unificando-as e centralizando-as rumo a construção de um amplo movimento, capaz de derrotar a política de arrocho e privatizações do governo dos banqueiros


Portanto, nós do Movimento de Oposição Bancária (MOB) chamamos os lutadores a agruparem-se sob a bandeira da independência de classe e a travar uma clara delimitação política, canalizando a disposição de luta dos bancários para o fortalecimento dos piquetes e assembleias presenciais, e desse modo, retirar da burocracia os rumos da mobilização. Devemos vincular o problema da privatização às questões de classe, mais globais, como o parasitismo financeiro, a estatização do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores, a subserviência nacional, a unificação das lutas e a questão da conquista do poder operário.


O MOB (Movimento de Oposição Bancária) chama a vanguarda classista a exigir assembleias presenciais para debater e rejeitar qualquer acordo rebaixado da Fenaban, deflagrar greve nacional dos bancários e construir a unificação das lutas baseada numa política de independência de classes. Não é tarefa fácil romper a blindagem da burocracia de plantão, mas é fundamental uma delimitação classista para converter o potencial de luta dos trabalhadores em vitórias reais e permanentes. Assim, forja-se uma nova direção!

MOB - Movimento de Oposição Bancária