CUBA NA ENCRUZILHADA COMEMORA OS 100 ANOS DE FIDEL: PARA DEFENDER O ESTADO OPERÁRIO DA OFENSIVA IMPERIALISTA É NECESSÁRIO SUPERAR A BUROCRACIA CASTRISTA PELA VIA DA REVOLUÇÃO POLÍTICA!
Hoje, 13 de agosto de 2026, comemora-se os 100 anos de Fidel
Castro, dirigente máximo da revolução social Cubana. Uma história de combate
anticapitalista marca a vida do velho comandante, que já não está fisicamente
entre nós, mas que aos 32 anos dirigiu ao lado de Che Guevara e outros
guerrilheiros a Revolução Cubana vitoriosa em 1959. Compreendemos que a melhor
forma de defender as conquistas da revolução cubana neste momento de ofensiva
da Casa Branca sob a gerência de Trump contra a “Ilha Operária” é reforçando o
chamado a derrotar o imperialismo em nível mundial e não a estabelecer como
propõe a Social Democracia, a esquerda reformista e a Igreja Católica uma
política de “coexistência pacífica” e parcerias com a Governança Global do
capital financeiro como vem operando a Burocracia Castrista.
Reconhecemos que tenha havido conflitos pontuais importantes de Fidel com a burocracia soviética, mas nunca uma ruptura com sua orientação, ao contrário, nas questões fundamentais Castro esteve ao lado de Moscou e inclusive atacou o Trotskismo e seu camarada de trincheira, Che Guevara.
A Direção Nacional da LBI aproveita as reflexões em torno dos 100 anos do comandante Fidel Castro para reafirmar a defesa incondicional da Ilha Operária e de suas conquistas históricas rechaçando a ofensiva imperialista através do bloqueio econômico e, ao mesmo tempo, polemiza com a orientação programática adotada pela burocracia castrista, em que ataca uma série de direitos históricos dos trabalhadores com o objetivo de avançar o processo de restauração capitalista. Mantemos a vigência programática da revolução política em Cuba para que o proletariado possa efetivamente ingressar na etapa histórica do genuíno socialismo.
Orgulhamo-nos de em meio à ofensiva mundial do imperialismo
contra Cuba e outros regimes políticos que são alvo da sanha guerreirista da
Casa Branca, como o Irã, estarmos na linha de frente do combate
internacionalista para derrotar as grandes potências capitalistas, inclusive em
unidade de ação com o PC cubano diante dos ataques do pior inimigo dos povos, o
imperialismo. Desde a trincheira de luta da defesa do Estado operário cubano e
das nações oprimidas, fazemos o combate programático e político pela construção
nestes países de uma autêntica direção revolucionária para o proletariado.
Não vamos aqui escrever, mesmo que criticamente, a “biografia” de Fidel, apenas pontuar questões que consideramos fundamentais nas tarefas que Cuba enfrenta neste século XXI para sobreviver ainda que seja na condição de um Estado Operário burocratizado e isolado. Deixamos para os stalinistas “Amigos de Cuba” as homenagens acríticas a Fidel. Aliás, apesar de gerações de cubanos cresceram com a imagem e presença próxima de Fidel, o mesmo pregou a rejeição ao “culto à personalidade”: “Sou hostil com tudo o que possa parecer um culto a pessoas (...) e não há uma só escola, fábrica, hospital ou edifício que leve meu nome. Não há estátuas, nem praticamente retratos meus”.
O fundamental é que como Marxistas-Leninistas compreendemos a importância histórica de defender o Estado operário cubano das investidas do imperialismo. Saudamos a revolução vitoriosa dirigida por Fidel e Che que arrancou a pequena ilha das garras dos grandes monopólios ianques, transformando um país que era literalmente um prostíbulo da burguesia norte-americana em uma nação que anos depois rompeu com o jugo da dominação da cadeia de espoliação capitalista, garantindo a seu povo conquistas históricas como educação pública, gratuita e um dos sistemas de saúde mais avançados do planeta.
Nem os mais de 50 anos de criminoso bloqueio econômico fizeram ruir essas conquistas que permanecem socialmente vigentes para o proletariado, apesar das imensas dificuldades que impõe a Cuba até hoje. Sabemos perfeitamente que Cuba atravessa um momento extremamente difícil em sua existência, cedendo cada vez mais as imposições da Nova Ordem Mundial.
Desde a queda da URSS e do Muro de Berlim, quando a restauração capitalista varreu o Leste Europeu e a União Soviética, em uma profunda derrota do proletariado mundial, a economia cubana perdeu grande parte dos seus parceiros comerciais impondo-se ainda mais a Ilha Operária o isolamento político e econômico. Foram tomadas várias medidas de mercado para tentar revitalizar sua economia. Não nos opomos por princípio à adoção dessas medidas, pois até Lenin e o Partido Bolchevique as tomaram na URSS por meio da NEP.
O legado teórico de Trotsky afirmava que era preciso defender incondicionalmente a URSS, apesar dos erros e traições de Stalin. Hoje, com Cuba os Marxistas Leninistas fazemos o mesmo. Ainda que tenhamos críticas à direção do PCC, jamais nos somamos ao imperialismo e sua corja arquirreacionária nos ataques ao Estado Operário. Pelo contrário! Sempre estivemos na linha de frente da sua defesa, não apenas como “amigos de Cuba”, mas acima de tudo como internacionalistas proletários e defensores do socialismo científico como alternativa à barbárie capitalista que ameaça a existência da própria humanidade. Acreditamos que somente a mobilização internacionalista da classe operária poderá fazer frente aos planos do império para aniquilar totalmente a enorme referência mundial da revolução cubana. Por isso não devemos depositar nenhuma confiança nos “acordos” amistosos com os chefes “Democratas” dos estados terroristas como os EUA, a França e Espanha.
A trágica lição abstraída da guerra da Líbia, onde Kadaffi “confiou” inicialmente nos abutres imperiais europeus que logo em seguida devastaram seu país, deve servir como um farol revolucionário para a vanguarda classista do proletariado mundial na defesa de Cuba.Tragicamente, diversas correntes que se reivindicam Trotskistas, rompendo com o mais elementar critério de classe, hoje atuam como verdadeiros agentes da contrarrevolução “democrática”. Já durante a chamada “crise dos balseiros” em 1994 esses senhores se postaram ao lado dos mafiosos gusanos e clamavam por “liberdade” em Cuba, quando esta campanha midiática não passava de uma trama do imperialismo para isolar a ilha e buscar a desestabilização do regime no lastro do fim da URSS. Essa conduta vergonhosa, que enlameia o nome do “trotskismo”, ganhou o justo ódio da classe operária cubana e da vanguarda internacionalista que defende o Estado Operário. Mas o genuíno Trotskismo, repetimos, não é partidário dessa cantilena montada nos gabinetes do Pentágono sobre o cínico pretexto da “defesa da democracia e dos direitos humanos”.
Da mesma forma que denunciamos a farsesca “Revolução Árabe”, voltada a atacar regimes políticos que são obstáculos aos planos neocolonialistas para o norte da África e Oriente Médio (primeiro Líbia, agora Síria e depois Irã), nos postamos contra tais “movimentos democráticos” made in CIA urdidos contra Cuba. Por isso alertamos, os próximos passos da Casa Branca estão bastante claros: primeiro a chantagem “democrática” utilizando a dissidência contrarrevolucionária como as “Damas de Branco” e afins.
A LBI não apenas denuncia publicamente esses canalhas que maculam a bandeira da IV Internacional como se posta incondicionalmente a lado do povo cubano e em frente única com o PCC na defesa da Ilha Operária.
Não por acaso, fizemos questão de lançar como artigo inicial de nosso blog político na internet, em julho de 2011, um texto somando-se à campanha pela libertação imediata dos cinco militantes cubanos encarcerados pelo império terrorista, alertando que o método da ação direta e mobilização permanente da classe operária mundial era o caminho correto para apontar na libertação dos companheiros Fernando González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández e René González, acusados farsescamente de terrorismo pelo então governo Clinton e que cumpriram severas penas desde 1998, mantidos encarcerados por um longo período pelo mesmo bando ianque “Democrata”, chefiado então pelo assassino Obama, cujo vice Biden assumiu a gerência da Casa Branca em 2021.
Quando se completam os 100 anos de Fidel há um intenso e polêmico debate entre a vanguarda mundial de como se deve defender Cuba da atual ofensiva imperialista desatada por Trump. Os chamados “Amigos de Cuba” (reformistas, stalinistas e afins) defendem a Burocracia Castrista e sua política de “coexistência pacífica” com os EUA, apontam o caminho da “paz” e da “cooperação”, como vem ocorrendo por exemplo na Venezuela de Delcy Rodríguez após o sequestro de Maduro. Desde a LBI afirmamos que a melhor forma de defender hoje o Estado Operário Cubano, deformado desde a sua gênese (por conta da direção política que dirigiu a revolução de 1959 e de seu programa stalinista) é lutar pela revolução política como nos ensinou Leon Trotsky.
O “Defensismo Revolucionário” em Cuba nos dias atuais representa organizar os trabalhadores e sua vanguarda classista para superar a Burocracia Castrista pela via da Revolução Política, preservando as bases sociais do Estado Operário, reorganizando a economia e as diretivas políticas com a democracia proletária dos conselhos operários e populares sob o comando de um genuíno Partido Comunista e, paralelamente, fazendo um chamado a solidariedade internacional para enfrentar o cerco imperialista de Trump através da expansão da revolução socialista mundial!
Desgraçadamente a política de “Socialismo em um só país” (ou
melhor dizendo... “em uma só ilha”!) levada a cabo pela Burocracia Castrista
sob pressão do embargo econômico imperialista levou ao estágio atual de crise
econômica e social. O cerco imperialista foi “respondido” por concessões atrás
de concessões, girando a economia cubana para o mercado mundial capitalista
principalmente após a queda da URSS. O investimento estatal no setor hoteleiro
em parceria com o capital internacional (redes espanholas e canadenses), tendo
o turismo internacional como principal atividade para arrecadar divisas, já
apontava o caminho de tornar a “Ilha” um território pacífico e seguro que não
ameaçasse os EUA e a ordem capitalista internacional.
Esse programa de sabotar a revolução em escala mundial vem
de décadas e, particularmente mostrou toda sua amplitude após a vitória da
Revolução na Nicarágua em 1979 quando Fidel orientou a Frente Sandinista a “Não
fazer da Nicarágua uma nova Cuba”, ou seja, não avançar de um Estado capitalista
para um Estado Operário com a expropriação da burguesa, nacionalização do solo,
dos meios de produção, dos transportes e de troca e também o monopólio do
comércio exterior.
Nas palavras do próprio Fidel Castro: “Por isso às
afirmações ou aos temores expressos por algumas pessoas com essas intenções, de
que se a Nicarágua iria se converter em uma nova Cuba, os nicaraguenses deram
uma magnífica resposta: não, a Nicarágua vai se converter em uma nova
Nicarágua! que é uma coisa muito diferente. (…) Não há duas revoluções iguais.
(…) no nosso caso não houve esta frente de que falava anteriormente, inclusive
o imperialismo começou imediatamente com suas campanhas, suas agressões; o
imperialismo sabia menos, porque o imperialismo aprendeu algo também. (…) São marcantes
algumas características que observamos nos companheiros revolucionários
nicaraguenses (…) Souberam combater heroicamente, mas também souberam ser
flexíveis, e quando foi necessário de certa forma para evitar os riscos de uma
intervenção, não tiveram medo de negociar. (…) Inclusive naquela fase final em
que o regime somozista já agonizava, discutiram alguma forma de como seria o
trânsito final, ou seja, como seria a despedida do duelo, ou digamos, o enterro
de Somoza. E nessas negociações participaram diferentes países, o Governo de
Reconstrução Nacional participou, a direção sandinista participou, inclusive os
Estados Unidos participaram. (…) Os sandinistas fizeram algumas concessões e
foi sábio fazê-las (…) É por isso – e isto explico ao nosso povo -, que as
circunstâncias em que ocorre a vitória nicaraguense determinam que as formas
que eles adotem sejam formas diferentes das nossas. Além disso, o fato de que
hoje por hoje o país esteja em ruínas, o país esteja totalmente destruído,
requer um programa de reconstrução nacional com a participação de todos os
setores da sociedade nicaraguense”. (Discurso de Fidel Castro, no ato central
pelo XXVI aniversário do assalto ao quartel Moncada, em 26 de julho de 1979).
A teoria da Revolução Permanente, ao contrário do que
professou Fidel, sustenta que nos países atrasados a burguesia local é incapaz
de avançar rumo à resolução das tarefas democráticas e toda conquista
democrática faz parte da luta anticapitalista, que tem de ser levada a cabo
pelo proletariado através de sua vanguarda consciente, o partido marxista
revolucionário, contra os capitalistas nativos. Trotsky nos ensinou que “para
os países de desenvolvimento atrasado, e em particular, para os países
coloniais e semicoloniais, a teoria da revolução permanente significa que a
verdadeira e completa solução das tarefas democráticas e de libertação
nacional, não pode ser outra que não seja a ditadura do proletariado, que se
coloca à cabeça da nação oprimida, e em primeiro lugar, das suas massas
camponesas” (Tese 2 da Revolução Permanente, 1930).
Não foi só para a Nicarágua que a Burocracia Castrista
operou essa política de coexistência pacífica. No discurso apresentado na ONU
em 12 de dezembro de 1979, Fidel afirmou: “Me dirijo às nações ricas para que
contribuam. Me dirijo aos países pobres para que distribuam. Não vim aqui como
profeta da revolução; não vim pedir ou desejar que o mundo convulsione
violentamente. Viemos falar de paz e colaboração entre os povos, e viemos
advertir que se não resolvermos pacífica e sabiamente as injustiças e
desigualdade atuais, o futuro será apocalíptico. Digamos adeus às armas e
consagremos civilizadamente aos problemas mais avassaladores da nossa era. Essa
é a responsabilidade e o dever mais sagrado de todos os estadistas do mundo.
Essa é, além disso, a premissa indispensável da sobrevivência humana!”.
No sentido oposto declaramos que apesar dos primeiros
objetivos da revolução socialista serem os democráticos em países atrasados ou
governados sob o fascismo, o proletariado tem que estar à cabeça dessa luta
para superar o próprio regime burguês e só dessa forma estará trabalhando pela
vitória da Revolução de Outubro. Trotsky não defendia que a luta democrática
estivesse dissociada da tarefa do proletariado em instaurar seu próprio poder e
sim “que a vitória da revolução democrática só é concebível por meio da
ditadura do proletariado, que se apoia na sua aliança com o campesinato e que,
em primeiro lugar, decide as tarefas da revolução democrática” (Tese 4 da
Revolução Permanente, 1930)
Por fim é conhecido o apoio dado pela direção cubana ao
governo de Salvador Allende no Chile e sua “via pacífica para o socialismo” e,
em 2003, felicitou o povo argentino por ter votado em Néstor Kirchner alegando
que nem todos os países precisavam de uma revolução: “Não recomendamos fórmulas
dogmáticas, não recomendamos que tenham tal e qual sistema social. Conheço
países com tantos recursos, que com o uso adequado dos recursos não teriam nem
necessidade, vejam, de fazer uma mudança revolucionária com relação à economia,
de tipo radical, como a que nosso país fez. (Discurso de Fidel na Faculdade de
Direito, Buenos Aires 26 de maio de 2003, ante a vitória eleitoral de Néstor
Kirchner).
Essas palavras são a expressão cristalina da política da Burocracia
Castrista e da orientação geral do Stalinismo a nível mundial enquanto existiu
a URSS burocratizada, após a morte de Lenin e com derrota de Trotsky no combate
interno que levou inclusive ao seu assassinato no México em 1940.
Em seu livro “Stalin, o grande organizador de derrotas”, o
fundador do Exército Vermelho traçou alguns prognósticos para o caso a
Internacional Comunista, sob a orientação de Stalin, continuasse sua política
de equívocos na condução das forças do proletariado revolucionário. Assegurava
que se a Internacional seguisse com sua nefasta política, o resultado
inevitável seria sua liquidação e posterior extinção da URSS. Isto, por sua
vez, provocaria “um dano infinito ao proletariado mundial”. Stálin pois fim a
própria Internacional Comunista (IC)!
Lamentavelmente não foi a revolução mundial que derrubou o
stalinismo, mas sim a contrarrevolução imperialista, naquela parte do planeta
onde os trabalhadores já haviam expropriado os capitalistas (URSS e Leste
Europeu). Bandos políticos abertamente burgueses, agentes diretos do
imperialismo tomaram o poder e deram início à maior pilhagem das condições de
vida que os trabalhadores daqueles países já viram, arrancaram seus direitos de
pleno emprego, a saúde, moradia e educação gratuitas, converteram a segunda
maior potência do planeta numa semicolônia escravizada pelo imperialismo. O
remédio (a restauração burguesa) foi pior do que a enfermidade (a burocracia
stalinista) e matou o doente (Estado operário degenerado). Lutamos à época
contra esse desfecho e agora não podemos permitir que o mesmo ocorra em Cuba,
que encontra-se nessa encruzilhada histórica!
Trotsky faz uma analogia no livro “Em defesa do Marxismo”,
comparando a defesa da URSS em escala mundial com a defesa da democracia em
escala nacional. Em ambos os casos, assinala que é preciso combinar a tática da
frente única (não descartando a possibilidade de fazer uma frente militar com a
burocracia stalinista diante dos agentes restauracionistas internos ou
externos) com a revolução proletária (no caso da URSS e agora de Cuba,
revolução política). É o que denominamos de “Defensismo Revolucionário” hoje.
Diante de um Estado operário burocratizado, como Cuba, os
Marxistas Revolucionários não defendem retroceder em direção à democracia
burguesa, ou seja, não acreditam que em face à burocratização da ditadura do
proletariado a saída esteja em retomar a ditadura da burguesia. Defendem sim o
avanço em direção à democracia dos conselhos revolucionários. Por esta razão o
Programa de Transição não defende a volta à democracia burguesa e a legalização
de todos os partidos de uma maneira geral, mas unicamente defende a democracia
soviética, a legalização dos partidos soviéticos e o conjunto das liberdades
que os conselhos populares decidirem. “A Plataforma da Oposição de Esquerda não
contempla, naturalmente, uma democracia absoluta e auto-suficiente, acima da realidade
política e social. Necessitamos da democracia para a ditadura do proletariado e
dentro dos marcos desta ditadura” (Es necesario concertar un acuerdo
intrapartidario honesto, 30/3/1933). Assim, até o fim da URSS em 1991
continuaram vigentes as advertências de Trotsky contra os perigos de confundir
o programa da luta pela democracia soviética com o da democracia burguesa. O
mesmo vale para Cuba hoje.
Para eximir-se da tarefa de montar um núcleo trotskista
defensista e organizador da revolução política na Ilha, os revisionistas (PSTU,
CST e afins...) já jogaram foram a criança com a água da bacia decretando que a
restauração capitalista já se completou e que nada mais há que defender como
conquista operária.
Com seus distintos matizes, as conclusões sobre o caráter de
classe do Estado cubano variam, mas nenhuma destas escapa de lançar suas
aspirações “democratizantes” para pôr fim ao “regime totalitário”.
Objetivamente, levantam contra o proletariado cubano e mundial as bandeiras de
seus inimigos de classe gusanos de Miami, Rubio e Trumo em favor da
implementação da democracia burguesa na ilha, ou seja, o retorno à ditadura do
capital.
A burocracia castrista tenta aparentemente copiar
parcialmente a “via chinesa” de restauração capitalista, em um processo
ordenado e centralizado de medidas que, levadas a frente sob seu controle
político, avançam o ritmo da restauração capitalista o que tem gerado grande
descontentamento popular ainda mais com o cerco imperialista atual imposto por
Trump.
Não é a adoção de medidas de mercado em si pela burocracia
que colocam em decomposição o Estado Operário e o fazem retornar gradualmente
ao capitalismo. Se fosse assim, Lenin e Trotsky seriam os ideólogos da
restauração capitalista ao defenderem em 1921 a NEP, uma política de concessões
às empresas capitalistas para investirem na URSS. Na verdade, qualquer Estado
Operário, para não se “decompor” em uma economia mundial capitalista, terá que
adotar, em função do cerco econômico internacional, determinadas medidas de
mercado para garantir sua sobrevivência.
O que os Trotskistas combatem a fundo é a estratégia da
burocracia stalinista que, enquanto faz essas concessões, aniquila a existência
dos sovietes e da democracia proletária, instrumentos que colocariam essas
medidas sob controle operário e segue com sua política de “socialismo em um só
país” e de colaboração de classes em escala mundial, sabotando a revolução.
Esse caminho gerou frustração nas massas que agora protestam nas ruas de Havana
e principais cidades da Ilha contra os apagões, falta de comida e energia. O
que fazer para não deixar o povo cubano ser manipulado em meio a essa crise
aguda pelas forças pró-imperialistas internas (Igreja Católica, Damas de
Branco....)?
Como Trotskistas lutamos por uma revolução política na Ilha
para que os trabalhadores controlem verdadeiramente o poder e os meios de
produção, acabando com os privilégios da casta burocrática castrista que
governa o Estado operário segundo seus interesses de camarilha. Nessa batalha
somos conscientes que o inimigo maior de Cuba e suas imensas conquistas sociais
é o imperialismo ianque e europeu.
Por esta razão, defendemos incondicionalmente a Ilha
operária e nos postamos em frente única com aquelas forças anti-imperialistas
que rechaçam o cerco imperialista e lutam pela extensão da revolução mundial.
Temos que recordar que para os Marxistas Leninistas Cuba
nunca foi após janeiro de 1959 ou é atualmente um “Estado Socialista”. Para a
Teoria Marxista há uma grande diferença conceitual entre “revolução social” e
“revolução socialista”, uma questão que ultrapassa a gramática. Em 1959 na ilha
de Cuba, a revolução foi encabeçada por uma organização política que não era
comunista e nem sequer socialista, o Movimento 26 de julho era originalmente um
agrupamento de jovens guerrilheiros que lutavam para derrubar uma ditadura
corrupta e decadente e instaurar um regime democrático burguês. Entretanto a
lógica de ferro da luta de classes imprimiu uma outra dinâmica que aqueles
jovens combatentes do Movimento 26 de Julho não poderiam imaginar. A violenta
queda de Fulgêncio Batista na festa de réveillon naquela histórica entrada do
ano de 1959, deu lugar a um novo governo liderado por Fidel Castro e que
contava com um amplo arco de forças políticas, a exceção do Partido Comunista
de Cuba, fiel ao ditador Batista até o último minuto. Fidel e seus camaradas
como Che, Raul, Camilo Cienfuegos etc, esperavam contar no primeiro momento com
um apoio considerável do governo dos EUA, porém então o presidente Eisenhower
tratou de frustrar rapidamente estas expectativas.
A política econômica do governo castrista (especialmente a
nacionalização de empresas estrangeiras) deixou tão alarmados os Estados Unidos
que forçou o imperialismo ianque a romper relações diplomáticas com o país.
Cuba, então, estabelece relações abertas com a União Soviética e só aí inicia o
processo da “revolução social”, ou seja, expropriações e planificação central
de sua economia. Fidel Castro resgata o banido Partido Comunista e promove a
integração do Movimento 26 de Julho a nova organização reabilitada.
Cuba, ao contrário da velha Rússia, não atravessou uma
revolução pelas mãos de um partido comunista ou mesmo anticapitalista, sua
revolução nunca foi conscientemente socialista (dirigida por um partido revolucionário)
e sim social, já que socializou os meios de produção findando assim com o “Deus
Mercado” na Ilha caribenha e inaugurando a era do primeiro Estado Operário da
América Latina.
Por sua vez o Governo Castrista não é uma direção política
socialista que defende a revolução proletária mundial. Ao contrário, o
Castrismo vem historicamente sabotando revoluções em outros país e levando a
ilha no caminho da restauração capitalista.
Entendemos que a única possibilidade de um Estado Operário,
instaurado pela via revolucionária, conseguir manter as bases de sua economia
socializada e romper o cerco do mercado mundial capitalista, é desenvolvendo o
internacionalismo revolucionário, ampliando desta forma alianças com regimes
que possuam o mesmo conteúdo social e convocando a luta revolucionária
planetária para derrotar Trump.
