“LÁGRIMAS DE CROCODILO”: GRUPO “MAIS”, PCO E MRT “DENUNCIAM”
A VOLTA DA ESCRAVIDÃO NA LÍBIA MAS “ESQUECEM” QUE APOIARAM A FALSA “REVOLUÇÃO
ÁRABE”, RESPONSÁVEL PELA ATUAL BARBÁRIE CAPITALISTA
Nos últimos dias vimos fotos de escravos sendo vendidos na
Líbia, homens negros amontoados e amarrados em mercados a céu aberto no país em
que há 6 anos quase toda a esquerda euforicamente anunciava ser palco da
“Revolução Árabe”. O PCO, MRT (antiga LER), o PSTU e o seu racha MAIS (que até
hoje reivindica a posição de apoio aos “rebeldes da OTAN”), festejaram a morte
do “ditador Kadaffi” apresentando a ofensiva imperialista como um levante
revolucionário que deveria ser apoiado. A LIT em particular pediu na época que
Obama e todos os países imperialistas fornecessem armas para os “soldados da
liberdade” na Líbia. Agora que a barbárie capitalista se impôs no país
norte-africano, esses canalhas derramam “lágrimas de crocodilo” lamentando a
volta da escravidão na Líbia. Estampa o Esquerda Diário do MRT (25/11): “Negros
vendidos como escravos na Líbia: fotos do horror que o imperialismo produz”.
Causa Operária denuncia que “Na Líbia destruída pelo imperialismo, refugiados
negros são leiloados como escravos” (30/11), afirmando que “A derrubada de
Kadafi provocou uma crise humanitária na Líbia e deixou o país destruído e sem
unidade. Mesmo destino que a Síria teria tido se Bashar Al Assad não tivesse
resistido, com ajuda do Irã e da Rússia”. O MAIS balbucia sobre “A quase
inexistência de um estado consolidado na Líbia, que hoje é arena de conflitos
entre tribos que estavam em relativa paz há décadas” (Esquerda OnLine, 05.02).
Em resumo, 6 anos após apoiarem a “revolução” made in CIA e a derrubada de
Kadaffi pelos “rebeldes” da OTAN, “lamentam” que a Líbia está sendo destruída
pelos agentes do imperialismo. Sério? Descobriram somente agora? Antes de
qualquer coisa é preciso registrar que grande parte da família revisionista
alardeava que a intervenção militar da OTAN era uma invenção para fazer “eco às
afirmações do próprio Kadafi”. Longe de rechaçarem a então possível ação
militar, os morenistas, por exemplo, escreveram um artigo atacando Fidel Castro
e todos aqueles que denunciavam que a intervenção estava em marcha, afirmando
literalmente que “Em outras palavras, com a justificativa de um suposto perigo
de uma iminente invasão da OTAN, Castro apóia o ditador Kadafi que está
massacrando seu próprio povo” (Sítio PSTU, 24/02/2011). O PTS argentino, na
mesma tonada, declarou que o imperialismo não iria intervir na Líbia porque
Kadaffi já estava fazendo o trabalho de “atacar a revolução”. Às vésperas do
Conselho de Segurança da ONU aprovar a chamada "zona de exclusão
aérea", o patético PTS afirmava: “Dificilmente o Conselho de Segurança das
Nações Unidas, que se reunirá nestes dias para discutir que política ter ante a
situação na Líbia, logre superar suas diferenças, ainda que não se pode
descartar que logo que Kadafi faça parte do trabalho sujo, liquidando as forças
do levantamento, Estados Unidos e outras potências terminem atuando para
definir a seu favor o futuro regime da Líbia” (Sítio PTS, 17/03). Para não
pairar dúvidas, lembremos o que Causa Operária falava em fevereiro de 2011: “A
crise na Líbia, governada pelo ditador Muamar Khadafi, se agrava mais a cada
dia que passa. As manifestações estão crescendo e a repressão está sendo
extremamente violenta contra os manifestantes. Somente nas manifestações que
estão ocorrendo nesta sexta-feira (18/02) foram mortos 27 pessoas, sendo 20 em
Benghazi e 7 em Derna. As manifestações, assim como ocorreu no Egito, pode
(sic) derrubar o Khadafi e sua política de apoio ao imperialismo” (sítio PCO,
18/02/2011). Em resumo, o PCO e o MRT assim como toda a canalha revisionista do
trotskismo comandada pela LIT, corrente morenista hoje tão criticada por Causa
Operária e o PTS, estavam unidos e de mãos dadas com os “rebeldes” contra o
“ditador” Kadaffi que diziam ser aliado do imperialismo, usando inclusive a
mesma linguagem para definir o decadente regime nacionalista burguês líbio.
Como se observa, o PCO, MRT, MAIS estavam no campo político e militar dos
“rebeldes” na Líbia, posição que equivale a postar hoje junto dos neonazistas
na Ucrânia, da direita golpista no Brasil ou
MUD financiado pela CIA na Venezuela! Os genuínos trotskistas não
tiveram dúvidas de que lado ficar na guerra civil na Líbia e diante dos
bombardeiros da OTAN. Alertamos naqueles dias que estávamos literalmente em
meio a uma guerra onde a CIA e o Pentágono armaram os mercenários “rebeldes” e
com a ajuda da ONU e da OTAN derrubaram o governo nacionalista decadente para
converter o país novamente, como na época da monarquia, em seu quintal
exportador de petróleo barato, como estamos vendo nos dias atuais! Os
revolucionários da LBI se postaram pela defesa incondicional da nação oprimida
e por sua vitória militar contra o imperialismo, como nos recomendou Trotsky,
sem deixar de criticar o regime de Kadaffi desde a mestra trincheira de luta
antiimperialista! Já o PCO, MRT... comemoraram junto com a canalha
revisinionista comandada pela LIT a queda do regime de Kadaffi e hoje
cinicamente apenas derramam "lágrimas de crocodilo" ao lamentar a
volta da escravidão na Líbia mergulhada na barbárie capitalista impostas após a
a falsa "Revolução Árabe". Não nos enganam com seu teatro
humanitário!