segunda-feira, 5 de outubro de 2026

ABSTENÇÃO, VOTOS NULOS E BRANCOS SOMAM 40 MILHÕES: TRANSFORMAR O DESCONTENTAMENTO POPULAR AO CIRCO ELEITORAL DA DEMOCRACIA DOS RICOS EM RESISTÊNCIA DE LUTA DA CLASSE!


Muito tem se falado da polarização da atual eleição presidencial. De fato, as candidaturas que foram ao 2º turno expressam dois projetos políticos distintos apesar de representarem os interesses da mesma classe social, a burguesia e suas frações. Nessa disputa, os trabalhadores não devem apoiar nenhum de seus algozes, mas defender a luta direta revolucionária contra o plano de guerra que a burguesia pretende desatar contra os explorados. Nesse contexto devemos salientar que no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, as abstenções, os votos em branco e os votos nulos somaram 39.099,557 milhões de pessoas (ou cerca de 39,1 milhões), o que corresponde a 24,63% do eleitorado apto a votar. 


Em resumo, se somarmos as abstenções, os votos nulos e os votos em branco disseram um retundo NÃO às duas alternativas burguesas que polarizaram a eleição. É um número expressivo que os revolucionários devem ter em conta, sendo completamente “desprezado” pela esquerda domesticada que se tornou refém da democracia burguesa, deslubrada com os holofotes do circo fraudado. Isso significa que quase um em cada quatro eleitores aptos a votar não compareceu às urnas ou não destinou um “voto válido” a um candidato a presidente.


A taxa de abstenção, de 21,08%, é a maior registrada em um primeiro turno de eleição presidencial desde 1998, quando 21,49% dos eleitores não compareceram às urnas. O índice vem aumentando a cada disputa desde 2006: passou de 16,75% naquele ano para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022.


Os Leninistas devem aproveitar a ampla abstenção, os votos nulos e brancos para estimular a consciência de classe por fora das instituições do regime político. Mesmo tendo clareza absoluta das profundas limitações da política do boicote eleitoral na atual conjuntura do país, nós da LBI nos esforçamos ao máximo no marco de nossas pequenas forças, para dotar o eixo do “Voto Nulo” em uma referência ativa para as massas. De outra forma a defesa da abstenção eleitoral poderá ser confundida com uma despolitizada crítica aos “políticos” de uma forma geral. 


Por esta razão, insistimos no chamado a uma ação centralizada das correntes e do ativismo classista, através de uma plataforma programática mínima e principista, que desemboque na denúncia política viva deste regime fraudulento da democracia dos ricos. 


Devemos aproveitar o debate eleitoral nas escolas, ruas e bairros proletários para demonstrar a nulidade destas eleições como via para obter a menor conquista social e denunciar o caráter fraudulento desta democracia dos ricos, onde a verdadeira soberania popular há muito foi “sequestrada” por um seleto clube de “eleitores” empreiteiros, industriais e latifundiários, manipulada acima de tudo pelo sisteme eleitoral eletrônico fraudado!


Não avançar na constituição de uma campanha unitária em defesa do voto nulo programático representaria um sério equívoco político, ainda mais quando um contingente de quase 40 milhões dos eleitores que se absteviveram ou votou nulo-branco no primeiro turno, expressando sua frustração com as instituições do regime. 


A Liga Bolchevique Internacionalista conclama as correntes políticas que já se posicionaram em defesa do voto nulo ou do boicote ativo ao circo eleitoral neste segundo turno, os ativistas classistas independentes, a abraçarem a tarefa como um instrumento de independência política dos trabalhadores.