domingo, 15 de julho de 2012

Família “Murdoch” Marinho (TV Globo) versus Igreja Universal (TV Record): a Olimpíada mercantilizada é a “vítima” desta disputa comercial

Terá inicio no próximo dia 27 de julho, na cidade de Londres, a XXX edição dos Jogos Olímpicos da era moderna. O maior evento esportivo do planeta contará com a participação de 11.025 atletas das delegações oriundas de 193 países e 11 territórios. Estes números e, sobretudo, as cifras multimilionárias que envolvem sua realização, conferem às olimpíadas o status de símbolo mais expressivo do fenômeno esportivo capitalista, ou seja, um megaespetáculo que trás consigo um grande valor de mercado. Tal condição transformou os Jogos Olímpicos de uma mera competição entre atletas amadores numa voraz disputa entre países (governos) para sediar o evento, empresas multinacionais patrocinadoras e os grupos de comunicação, em particular os conglomerados de redes de televisão tanto as de sinal aberto como as por assinatura, afinal são milhões de telespectadores “prontos para consumir” em todo o mundo.

A respeito da cobertura televisiva das Olimpíadas de Londres, com a rede Record do bispo Edir Macedo detendo o direito exclusivo de transmissão, tem chamado a atenção o completo boicote do principal canal de TV aberto do país, a Rede Globo. Na sua grade de programação está vetado, mesmo nos programas esportivos, qualquer tipo de divulgação (notícia, reportagem, comentários etc.) das Olimpíadas. A ordem na emissora, que mantém a liderança esmagadora de audiência, é ignorar e esconder a existência dos jogos do telespectador. Em que pese estar havendo a cobertura e transmissão das olimpíadas pelos canais das TVs por assinatura (inclusive os das organizações Globo), segmento que hoje penetra em 17% das residências do país, o boicote da Rede Globo como consequência direta das pugnas entre os mafiosos grupos de comunicações significa objetivamente negar informações sobre as olimpíadas a maioria da população brasileira. Apesar de evidentemente não ser oficial, a posição da emissora de esconder as Olimpíadas, de tão notória já foi defendida por suas celebridades do jornalismo esportivo, como o apresentador Tiago Leifert como declarou a revista GQ: “Na hora de conversar sobre direitos esportivos a gente tem que perder o romantismo... Existe uma ideia errada de que a Globo tem que falar de tudo porque o cara quer ver tudo na Globo. Meu amigo, muda de canal pra ver a sua notícia! Não tem Fórmula Indy na Globo, não vai ter Panamericano na Globo, não vai ter Olimpíada na Globo! Essa cobrança é puro romantismo! A gente tem que perder essa mania de achar que tudo é uma força do mal. Não é isso, é negócio”.

Essa situação adversa para as organizações Globo, império da família Marinho construído à margem de qualquer controle e através das suculentas benesses do Estado burguês desde ditadura militar, tem relação direta com o escanteamento da máfia comandada por João Havelange e seu genro Ricardo Teixeira na Fifa e CBF. Agentes dos altos conglomerados capitalistas estão envolvidos em inúmeros escândalos de corrupção, como por exemplo o recebimento de milionárias propinas da empresa de marketing esportivo ISL. Para “limpar a cara” desta genuína multinacional corrupta que é a Fifa a dupla de parasitas foi rifada por uma disputa entre as quadrilhas encasteladas nesta entidade, a fim de deixar tudo como está. Sem a influência da família Havelange (representante histórico dos interesses das organizações Globo) dentro da Fifa e por consequência do COI, o monopólio do direito de transmissão exclusiva dos grandes eventos esportivos da Rede Globo foi quebrado. Sem a “mãozinha leve” de Havelange e Teixeira, a Globo tem travado um duro leilão com outras emissoras, em particular com a Rede Record que parece estar abarrotada de dinheiro dos dízimos dos fieis da Igreja Universal, para deter esses direitos igualmente monopolistas. Foi assim que a Record conseguiu a transmissão exclusiva dos jogos Panamericanos de Guadalajara realizados ano passado, também boicotado pela Globo e agora as Olimpíadas de Londres.

Trata-se de uma clara disputa comercial entre distintos bandos capitalistas que almejam deter para si o monopólio das comunicações, uma vez que o esporte de autorrendimento, profissional, transformado pela mídia “murdochiana” em espetáculo através de todo um arsenal propagandístico e da tecnologia áudio-visual, desperta um grande interesse da população mundial (onde hoje predomina o culto à imagem, ao imediato), por isso incute um ímpeto consumista cada vez mais intenso nos telespectadores. Neste sentido, o esporte é utilizado como instrumento ideológico-político para incrementar os lucros das transnacionais, tais como as ligadas aos grandes conglomerados financeiros, a indústria automobilística, operadoras de telefonia, as grifes do esporte (Nike, Adidas) etc.. Nos marcos do regime da propriedade privada dos meios de produção não há espaço para o esporte como sinônimo de bem-estar, de entretenimento ou de paixão popular genuína de raízes. Aqui, a “vítima” é a Olimpíada mercantilizada voltada apenas a um público consumidor idiotizado. Portanto, a expressão da cultura corporal dos povos, da mesma maneira como o conjunto das manifestações artísticas, só pode ter lugar e praticada pela humanidade de forma plena (livre, criativa e prazerosa) a partir da abolição do modo de produção capitalista e o fim da sociedade de classes, tarefa que só pode ser alcançada pela revolução socialista.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O que está por trás das especulações acerca do crescimento do PIB de 2012?

A imprensa “murdochiana” nunca especulou tanto sobre a expectativa do crescimento do PIB Brasileiro para 2012, chega a fazer mais prognósticos do que as inúmeras previsões acerca do time ganhador do campeonato brasileiro deste ano. Mas, como sempre, a mídia capitalista nunca é neutra ou imparcial e neste caso replica sordidamente as próprias especulações do mercado financeiro e suas inocentes “agências de consultoria” muito “preocupadas” com a evolução do PIB nacional. O IBGE, órgão estatal, não emitiu uma única projeção para a variação anual do PIB, até porque ainda está aferindo os dados colhidos do crescimento econômico do mês de maio, ou seja, seria uma completa irresponsabilidade fazer “previsões” antes mesmo do início do segundo semestre, onde tradicionalmente a economia tem seu melhor desempenho. O governo Dilma, através da equipe do ministro Mantega, anunciou no começo do ano que esperava um crescimento econômico na ordem de 3,5%, mas depois dos efeitos do crash financeiro europeu afirmou que ficaria satisfeito com “alguma coisa acima de 2011”, leia-se acima do tímido resultado de 2,7% obtido pelo PIB do ano passado. Os únicos dados oficiais fornecidos pelo IBGE, que ainda conta com alguma credibilidade técnica, revelam que até maio o PIB teve uma elevação de 0,85% em comparação com o mesmo período do ano anterior, apesar do recuo de 0,02% no mês de maio. Por sua vez, o “deus” mercado (com a devida ajuda do próprio BC) não para de, a cada dia, projetar um recuo cada vez maior do PIB para o ano corrente. As temerárias “agências de classificação de risco”, todas com sede em Wall Street e que acuaram até Obama, já “prevêem” um crescimento do PIB brasileiro na ordem de apenas 1% para 2012. Mas, afinal qual é a razão de tamanho interesse dos rentistas internacionais acerca da “catástrofe” projetada pelas baixas taxas de crescimento da economia nacional?

Em primeiro lugar, seria bom esclarecer para os incautos (papagaios da mídia “murdochiana”) que desconhecem a dinâmica do mercado financeiro, no aspecto que tange ao lucrativo mercado futuro de derivativos. Em outras palavras, fugindo do “economês”, o mercado financeiro criou um cassino para “investidores” onde se aposta em quase tudo. Os rentistas podem “apostar” no pregão de títulos da bolsa de New York na cotação futura do dólar, na taxa de juros, no preço das principais commodities e inclusive na variação do PIB das economias mais importantes do planeta. Estas “apostas”, em forma de promessas de compra de títulos futuros são protegidas por um mecanismo chamado pelos agiotas de “hedge”, onde quase sempre os perdedores representam instituições monetárias estatais. Portanto, o interesse do mercado de capitais em se passar como “analista científico” da economia brasileira não passa de uma burla vulgar, com pesados interesses de lucro fácil, que apenas pode enganar os apedeutas da esquerda revisionista, interessados na chegada da “catástrofe” para colherem alguns votinhos na vã esperança de eleger algum parlamentar.

O segundo e mais importante elemento da “indústria da catástrofe”, para além da especulação financeira, é o da pressão exercida pela burguesia nativa e imperialista para que o estado “afrouxe” suas reservas fiscais no sentido da “indução” do crescimento econômico. Nesta decisão política do Estado burguês, são beneficiados os grandes grupos capitalistas, seja pela via da renúncia de impostos ou pela aquisição direta de bens, créditos públicos a fundo perdido ou simplesmente serviços. Quem não se lembra da “choradeira” da GM norte-americana em 2008, anunciado sua iminente falência, para logo depois abocanhar do governo ianque um valor de mais de um trilhão de Dólares a fundo perdido. Pois bem, hoje esta mesma GM é uma das empresas mais lucrativas do planeta no triênio 2009/2011, lançando um novo modelo de carro praticamente a cada dois meses. No Brasil, a dinâmica da chantagem sobre o Estado é a mesma, sob a ameaça da retração do PIB o governo Dilma já isentou o IPI da indústria automobilística, anunciou a compra estatal de cerca de dez bilhões de reais em equipamentos e insumos, liberou vinte bilhões para obras públicas nos estados e flexibilizou mais de cinquenta bilhões em compulsórios para os bancos “encharcarem” o mercado de crédito, além é claro de atender a demanda do agronegócio em bancar (pelas mãos do BC) a valorização do Dólar.

Fica evidente para qualquer observador atento, mesmo leigo em assuntos econômicos, que o governo da frente popular tem lastro financeiro para impulsionar um crescimento mediano do PIB em 2012, pelo menos para escapar da insolvência europeia, apesar de caminhar na vereda das medidas neoliberais e de subordinação aos ditames de Washington. Muito além das “manchetes da crise”, o governo possui cerca de quinhentos bilhões de dólares em reservas cambiais (um recorde histórico), mantém uma inflação relativamente controlada, apesar da pressão da alta do Dólar, e o mais importante para aferir o grau de estabilidade econômica de um país é a manutenção de níveis de elevação na captação da poupança interna nacional. É bem verdade que a política neoliberal de comprimir salários e incentivar o crédito ilimitado da população é uma verdadeira bola de neve contra o governo, que tenta compensar seu viés monetarista com o incentivo ao “microempreendedorismo”, urbano e rural, através das verbas do BNDES. Os investimentos internacionais diretos no Brasil sofreram uma redução neste primeiro semestre, cravando a marca de cerca de quarenta bilhões de Dólares, um valor que ainda coloca o país na rota dos principais destinos do capital globalizado, sempre a procura de um regime de estabilidade e poucos conflitos sociais, “itens” oferecidos pela política de colaboração de classes do governo petista.

A face real do “neodesenvolvimentismo”, alcunha dada pelos intelectuais “chapa branca” à política neoliberal dos governos da frente popular, aponta na direção de apenas contornar a crise capitalista estrutural (não surgiu em 2008 como pensam os estúpidos revisionistas), tentando ancorar o país no cinturão econômico do bloco “Briciano”. Este bloco que tem na cabeça os ex-Estados operários da Rússia e China, não se converteu em alternativa econômica à hegemonia do imperialismo, como publicitam alguns estalinistas “reciclados”, apenas se configura como uma “nova fronteira” explorada e dominada pelos EUA. A frágil “pujança” econômica brasileira caminha na mesma direção dos BRICS, ou seja, a desnacionalização e dependência associada ao capital financeiro internacional. Para superar efetivamente (do ângulo das massas proletárias) e de forma soberana a crise capitalista mundial, somente a revolução socialista (que não guarda nenhuma semelhança com a “catástrofe” apregoada por uma esquerda sem princípios leninistas) será capaz de apresentar um novo rumo progressivo para a humanidade.

quinta-feira, 12 de julho de 2012


Mineiros marcham sobre Madri para enfrentar a ofensiva reacionária do franquista Rajoy!

Nesta quarta-feira, 11 de julho, no mesmo dia em que o governo do franquista Rajoy anunciou as regras draconianas impostas pela Troika (UE, FMI e BCE) para salvar os bancos da Espanha impondo arrocho salarial, privatizações e aumento de impostos em troca da primeira parcela de 30 bilhões de euros do plano de ajuste, milhares de mineiros originários das Astúrias, León e Palencia (províncias do norte do país) marcharam sobre Madri depois de caminharam mais de 400 quilômetros, durante 19 dias. Eles protestam especialmente contra os cortes nos subsídios à mineração do carvão em 63%, que vai gerar desemprego em massa, algo estimado em cerca de 5 mil trabalhadores. Os mineiros ocuparam o coração financeiro da capital da Espanha após quase 50 dias de greve e chegaram até o Ministério da Indústria, recebendo a solidariedade de outras categorias em luta e dos explorados em geral. Foi quando a “Marcha Negra” como ficou conhecida foi atacada pela Polícia Nacional a serviço do governo do PP que reprimiu os manifestantes usando blindados, bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha, deixando dezenas de trabalhadores feridos e vários presos. Os mineiros estão resistindo à ofensiva reacionária ditada pelo franquista Rajoy, colocando na ordem do dia a necessidade da convocação de uma greve geral do conjunto da classe trabalhadora para barrar os ataques da Troika, os mesmos que arrasaram a Grécia. Esta luta não deve se limitar ao caráter corporativista e economicista que impõem as direções sindicais das centrais UGT e CCOO ligadas ao PSOE, que fazem da luta mineira uma forma de pressão em defesa dos interesses patronais. O combate de classe em curso precisa ter como eixo político a derrubada do governo do PP por meio da ação direta e revolucionária dos trabalhadores e a construção de uma alternativa de poder proletário, horando as tradições dos mineiros, que com suas dinamites foram vanguarda revolucionária da luta contra Franco nos anos 30. Por isso, a burguesia ficou em polvorosa com uma das palavras-de-ordem da manifestação em Madri: “Amanhã voltaremos, e na próxima visita traremos dinamite”!

Antes da marcha chegar a Madri, houve diversos enfrentamentos com a Polícia Nacional. Os mineiros ergueram barricas em várias localidades e receberam o apoio das populações locais. Foram bloqueadas as principais estradas e ferrovias nas regiões de mineração. A resposta novamente foi a repressão brutal. A greve geral nas áreas de mineração foi deflagrada em 18 de junho e no mesmo dia foram realizados bloqueios e manifestações de solidariedade em toda a Espanha. Unidades especiais das forças de choque da Guarda Civil e a odiada Polícia Nacional têm sido usadas. Isso só serviu para enfurecer ainda mais os mineiros e suas famílias. Elas são das comunidades que dependem inteiramente da mineração e estão lutando para defender seus meios de subsistência, em última análise, a sua vida.

Tamanha resistência e envergadura das tarefas colocadas tem sua razão! Rajoy está implementando um ataque histórico a classe trabalhadora e a juventude espanhola. Nada menos que 32 condições exigidas por Bruxelas para garantir o resgate do sistema financeiro, tais como privatizar todo o setor estatal, aumentar as horas de trabalho, colocar fim a conquistas trabalhistas, aumentar o imposto sob os artigos de consumo e demitir os setores do funcionalismo público. Nesse contexto extremamente polarizado, o governo da Espanha aprofundou as medidas de austeridade com cortes orçamentários e aumento de impostos no valor total de 65 bilhões de euros até 2014. O imposto sobre o consumo dos países europeus será reajustado de 18% para 21%. Além disso, anunciou a redução do seguro-desemprego. A Espanha enfrenta o maior desemprego da Europa, de quase 25%. Também as despesas públicas serão afetadas, com uma nova reforma da administração, destinada a economizar 3,5 bilhões de euros. Entre as ações previstas está o corte de 600 milhões de euros no custeio dos ministérios, o fim do 14.º salário do funcionalismo (ou 7% da renda anual).

No caso dos mineiros, década após década, as bacias mineiras têm sido devastadas, espremidas entre as multinacionais da energia como Endesa ou Iberdrola, a superexploração do trabalho nas mãos dos minifundiários e empresários da mineração e os sucessivos governos do PSOE e do PP que condenam milhares de famílias de mineradores à miséria e desgraça, sobretudo com demissões e aposentadorias precoces forçadas, o que tem gerado paralizações em massas que se instalam nessas regiões de forma estrutural há anos. Porém, se por várias vezes os capitalistas e seus governos descarregaram suas crises sobre os ombros das famílias trabalhadoras, desta vez é qualitativamente diferente. Querem que os mineiros sofram as consequências de cortes de 63% da ajuda à indústria do carvão – que o último governo do PSOE tentou retirar durante 2011 – junto a um acúmulo de aposentadorias precoces forçadas que já estão sofrendo os trabalhadores em diversas bacias mineiras. Inicialmente a própria patronal do setor estimulou o movimento grevista para fechar um acordo com o governo Rajoy. Tanto que a manifestação de Madrid de 31 de maio era “encabeçada por empresários e sindicalistas unidos atrás de uma faixa com o escrito “Pelo futuro do carvão nativo e a reativação dos municípios mineiros. Pelo emprego’” (Jornal La Nueva España, 31/05) e terminou no Ministério da Indústria para exigir ao governo o cumprimento do Plano Nacional do Carvão. Mas diante da radicalização da luta e dos métodos diretos de combate, logo a patronal se somou a repressão estatal, ameaçando demitir os mineiros em luta!

A vanguarda classista da luta mineira deve compreender que somente com o controle da produção em suas mãos é que se pode garantir seus empregos e suas vidas, abrindo caminho através da construção da greve geral de todos os trabalhadores. Nesse sentido, devem romper com a política de colaboração de classes de suas direções sindicais, que desejam fazer das suas reivindicações um elemento de pressão pelas demandas patronais, os mesmos que ameaçam a categoria com a demissão em massa, como afirma a federação patronal: “Propomos aos trabalhadores uma redução nos salários proporcional à redução das ajudas às empresas definidas pelo governo, por volta de 70%.”(Jornal La Nueva España, 11/05). Uma importante lição deve ser tirada neste momento: as direções sindicais da UGT e CCOO são porta-vozes desta chantagem patronal, atrelando a sorte dos trabalhadores ao destino dos próprios empresários mineiros e levando os mineiros a um beco sem saída. Essas centrais sindicais são ligadas ao PSOE de Zapatero, o mesmo que pavimentou, com a adoção de uma série de medidas antioperárias, a vitória do PP de Rajoy, que está dando sequência ao trabalho “sujo” deixado pelos “socialistas”, atacando violentamente os trabalhadores sem a menor resistência por parte das burocracias sindicais. O retorno do franquismo à chefia do governo espanhol significa o triunfo da direita fascista na Espanha, que usa métodos de guerra civil contra os explorados, justamente em um período de profunda crise capitalista como a que atravessamos neste momento histórico de brutal ofensiva imperialista... Tudo o contrário do que diziam aos catastrofistas de plantão que vendiam a crise como a “ante-sala” da revolução, apresentando inofensivos movimentos pequeno-burgueses como o “indignados” do 15-M como uma alternativa política "revolucionária" a barbárie capitalista!

Durante o ápice do crash capitalista mundial de setembro de 2008, quando o conjunto da esquerda revisionista como PSTU-LIT, CST-UIT, LER-QI ou Causa Operária alardeavam que o “fim do capitalismo” estava próximo, alertamos justamente o contrário, ou seja, que devido à ausência de direção revolucionária com peso de massas e o quadro de ofensiva ideológica imposto pelo grande capital desde a queda da URSS, a tendência era não só que a burguesia utilizasse a crise econômica para incrementar sua investida contra as conquistas operárias em todo o planeta, mas que esta situação abriria uma etapa política de ascensão de governos de direita ou extrema-direita nos países mais castigados pela débâcle financeira, como o crescimento de grupos fascistas e neonazistas. A verdadeira intervenção da Troika na economia espanhola e os ataques do governo franquista de Rajoy contra os trabalhadores apontam nesta trágica direção, colocando ainda mais na ordem do dia a construção de uma verdadeira resistência operária e revolucionária através da ação direta da classe ao governo do PP, o que passa bem longe da plataforma do movimento dos “indignados” apoiado pelos revisionistas de todos os matizes, mas já em franco retrocesso, que não faz mais que repetir como uma roupagem “modernosa” as velhas fórmulas sociais-democratas como “regular os mercados”, “taxar os investidores” e clamar por “justiça social”.

A luta dos mineiros reafirma a classe operária como vanguarda do combate de classse contra o franquista Rajoy e eles já avisaram sua perspectiva: “Amanhã voltaremos, e na próxima visita traremos dinamite”. Para hornar essas palavras, a única garantia de que as indústrias mineiras sobrevivam, permitindo a utilização de seus recursos à serviço dos trabalhadores será conquistada na medida em que os estes conseguirem impor o controle operário sobre sua gestão, produção e sobre o uso dos subsídios do Estado central por meio da expropriação sem indenização de todas as minas e sua imediata nacionalização, demandas que no atual estágio da luta de classes na Europa só poderão ser plenamente atendidas por meio do combate pela revolução proletária e o socialismo.

quarta-feira, 11 de julho de 2012


Matilha de bandidos cassa Demóstenes, o senador representante da “ética” republicana

Com uma votação relativamente tranquila, o Senado homologou o que já era esperado e decidido previamente nos bastidores da política burguesa, a cassação daquele que foi considerado o “xerife” da casa, Demóstenes Torres. Pego na “malha fina” do escândalo “Cachoeira”, Demóstenes teria que ser “sacrificado”, junto com o próprio bicheiro amigo e compadre, para que o esquema das grandes empreiteiras que controlam o Estado patrimonialista brasileiro não viesse a ser “maculado”. É claro que a construtora Delta, operadora da máfia de políticos de grosso calibre que empreendem vultosas obras públicas, também deve sair de cena por algum tempo, talvez apenas trocando de CNPJ. Com a degola do ex-paladino da ética republicana no Senado, que teve o grande mérito de revelar o nível da hipocrisia dos vestais deste parlamento corrupto, a própria “CPI do Cachoeira” deve finalizar seus trabalhos sem grandes sobressaltos, aguardando apenas o depoimento de “peixes pequenos”, para acalmar a mídia “murdochiana”. A farsa da moralidade pública, que agora a quadrilha do Senado tenta protagonizar, só não pode ser completa em função do caráter do próprio suplente que assume a vaga deixada por Demóstenes, ou seja, será empossado outro “Cachoerista”, ainda mais próximo do “bicheiro paraestatal”, nada menos que o ex-marido de sua “musa”, comprada como mercadoria feminina a “peso de ouro”.

Mas, é óbvio que não faltaram os pilantras “bons companheiros” de Demóstenes no senado, para tirar uma “casquinha” com o “sangramento” do colega. O relator do processo de cassação, o “carrasco” Humberto Costa, foi logo denunciado por Demóstenes na tribuna do senado como operador da quadrilha das ambulâncias, quando ocupou a pasta de ministro da saúde. Depois foi a vez do tucanato da “privataria” estatal na gerência FHC, pedir a cabeça do ex-colega do DEM. Logo em seguida veio o senador psolista Randolfe Rodrigues, ligado politicamente à oligarquia Sarney no Amapá, falar da necessidade da ética e moralidade no ritual da vida parlamentar, esquecendo-se, é claro, que seu partido está atolado até a medula no estado de Goiás em negócios com Cachoeira. Nada menos que o presidente do PSOL no estado, Martiniano Cavalcante, é sócio de “laranjas” de Cachoeira em uma empresa de construção civil.

Mesmo sem representação no congresso, o PSTU se manifestou não só pela cassação de Demóstenes, mas também pela prisão e confisco dos bens do ex-senador, medidas “radicais” é claro que estes revisionistas apontam para o próprio Estado burguês efetivar algum dia... Mas o “curioso” mesmo é o absoluto silêncio do PSTU acerca do envolvimento do vereador do PSOL em Goiânia, Eliaz Vaz, no esquema Cachoeira. Quem sabe que o silêncio do PSTU não é produto de suas coligações eleitorais com o corrupto PSOL, seu companheiro pouco fiel de “oposição de esquerda”. A “amnésia” política do PSTU é tão profunda que esquecem até do balanço que fizeram da gestão neoliberal de Edmilson Rodrigues em Belém, para agora o apresentarem como “Prefeito dos trabalhadores”, em companhia do PCdoB.

O circo sórdido da democracia burguesa, com seu arco de cínicos atores incluindo desde o pseudotrotsquista PSTU até os tucanos do PSDB, acaba de virar mais uma página da ficção política deste regime bastardo com a cassação do paladino dos “bons costumes” no congresso nacional. Amputa-se o “dedo mindinho” do parlamento, para logo em seguida comemorar o triunfo “corregedor” das instituições republicanas do Estado burguês. Somente a construção de tribunais populares, sob a orientação dos conselhos de operários e camponeses, poderá castigar realmente esta elite corrupta e criminosa que infesta o país. Mas a existência da dualidade de poderes e seus organismos de decisão e justiça proletárias só são possíveis em uma etapa revolucionária, bem distante da atual conjuntura de derrotas políticas da classe operária e brutal ofensiva imperialista que atravessamos no atual momento desfavorável de correlação de forças da luta de classes.

terça-feira, 10 de julho de 2012



A descoberta da “Partícula de Deus”: “última fronteira da ciência” a serviço da reação contrarrevolucionária e ideológica do imperialismo

Um tema vem agitando o mundo científico e ocupando as principais manchetes da mídia mundial, a confirmação da suposta existência do chamado “Bóson de Higgs”. No dia 4 de julho, o Centro Europeu de Física Nuclear (CERN) colocou a público a possibilidade da existência da partícula que poderia ser qualificada como a “essência do Universo”, estudada há mais de 50 anos pelo físico Peter Higgs, mas nunca comprovada até então. Eis que a cem metros de profundidade em um imenso túnel circular de 27 km, aos pés dos Alpes suíços, cientistas “trazem à superfície” o debate que há anos os intrigara sobre esta partícula subatômica que seria responsável por dar massa a todas as demais partículas. No entanto, mais além desta “descoberta” (ou fraude como muitos atestam), o que está por trás desta celeuma são importantes elucubrações ideológicas difundidas pela mídia murdochiana acerca da origem das coisas e, claro, da vida. Logo os grandes meios de comunicação apelidaram o “Bóson de Higgs” como “Partícula de Deus”. Contra esta perspectiva obscurantista é que o marxismo revolucionário deve partir para analisar à luz da luta de classes fenômenos científicos que abarcam a física quântica até os da relatividade einsteniana, o “Bóson de Higgs” e o “Big Bang”, como parte do cabedal ideológico burguês recrudescido na atual época de ofensiva imperialista.

O ponto de partida desta discussão para o marxismo não se inicia no mundo metafísico, ela se dá no âmbito essencialmente material, no político-ideológico, terreno pelo qual os revolucionários se valem para combater os “teóricos” do capitalismo. Sem se perder nos infindáveis jargões técnicos, é necessário que compreendamos o princípio básico da teoria que envolve o chamado “Bóson de Higgs”. É o elemento (campo invisível) que une todas as partículas e garante por assim dizer o “funcionamento” dos átomos e do Universo, ou seja, traduz a partícula elementar para a existência da matéria. Por ser infinitamente pequena em sua forma e durabilidade (se transforma em outras partículas em um tempo infinitesimal) é quase uma impossibilidade ser detectada empiricamente. Trata-se de se explorar o interior do átomo, de postular como as partículas se mantém juntas, dando consistência à matéria, como as partículas são, em termos populares, “coladas” umas às outras. Envolve, neste sentido, a criação de tudo no Universo, as estrelas, os planetas, as galáxias etc., a origem da massa ao período posterior do evento singular chamado “Big Bang”, cuja responsável por isso seria a “matéria escura” composta pelo “Bóson de Higgs, segundo a qual também poderia conferir a existência de outras dimensões além das conhecidas terceira (comprimento, ou profundidade, largura e altura) e quarta (dimensão temporal).

Por sua importância não só acadêmica, não por acaso despertou tanta atenção da “opinião pública mundial”, na qual a mídia apelidou de forma completamente errada como “partícula de Deus”. A denominação foi criada em 1993 quando o Nobel da física de 88, Leon Lederman, publicou seu livro “The God Particule” explicando o fundamento da teoria do “Bóson de Higgs”. Porém, foram os donos da editora que cunharam título, sob protestos do autor que originalmente havia intitulado como “Goddamn Particule”, ou “Partícula maldita” por seu extremo grau de dificuldade para ser observada. De nada adiantou, a partir daí prevaleceu a versão murdochiana, distorcendo completamente aquilo que poderíamos dizer a busca científica do princípio material elementar da vida. Essa caracterização reacionária nasceu precisamente no período posterior à queda do Muro de Berlim e da destruição da URSS, revelando todo o conteúdo ideológico destas postulações, apesar do caráter insipiente dos estudos teóricos. Mesmo porque, isolado o “Bóson de Higgs” não tem função, ele atua junto a outros elementos como o glúon, o Z, W e o fóton, cada um cumprindo seu papel nas definições das propriedades da matéria.

Os relatórios públicos acerca da descoberta ocultam dois pontos fundamentais, a de ser em primeiro lugar uma experiência empírica falha, uma vez que o colisor de hádrons se utiliza apenas de prótons e não de elétrons, tanto é verdade que vários países já estão desenvolvendo projetos para a construção de um túnel colisor bem maior do que o atual especializado em elétrons, o Colisor Linear Internacional (ILC). Em segundo lugar, o anúncio alardeado pelo mundo afora pode ser uma jogada de marketing deste verdadeiro consórcio capitalista nada democrático que é o túnel subterrâneo para que os subsídios bilionários ao projeto do Large Hadron Colider, ou “Grande Colisor de Hádrons” continuem afluindo em tempos de crise econômica europeia, afinal de contas as experiências lá efetuadas certamente não estão voltadas para o desenvolvimento do bem-estar da humanidade como a aplicação medicinal, por exemplo. Destina-se, como já foi vazado por vários cientistas a serviço das grandes potências capitalistas, a aplicar os conhecimentos científicos à indústria bélica (os novos propulsores a jato e em bombas baseado em uma tecnologia até então desconhecida). Evidentemente, que isto é encerrado na mais profunda redoma secreta do túnel colisor, a tecnologia a ser utilizada contra os oponentes da Casa Branca...

Assim, “Partícula de Deus” é hoje utilizado pela mídia para realmente desviar o foco daquilo que ela representa: a possibilidade da humanidade existir sem a necessidade de um “princípio” religioso que desse sustentabilidade ideológica e política à permanência do sistema capitalista como imutável e eterno (como Deus!). A idéia de que a matéria teria surgido “do nada” é incompatível com o regime político burguês que justifica até mesmo o “Big Bang” como o início de tudo (“então a luz se fez numa grande explosão”). Existia alguma coisa antes da singularidade do “Big Bang”? Esta resposta somente poderá ser dada quando a civilização humana estiver despida dos preconceitos religiosos e da exploração alienante do homem, possível com um novo modo de produção oriundo de uma revolução voltado para o desenvolvimento material e intelectual de toda a sociedade e não de alguns poucos ricos: a sociedade socialista.

segunda-feira, 9 de julho de 2012


OTAN “elege” coalizão comandada por Mahmoud Jibril, líder dos mercenários pró-imperialistas do CNT! LIT comemora “vitória da revolução democrática” na Líbia!

A gerência fantoche da Líbia controlada pelo CNT e instalada pela OTAN no ano passado após o brutal assassinato de Kadaffi realizou neste último sábado, 07 de julho, o que chamou de “eleições”. Tratou-se de um processo totalmente controlado e financiado pelas potências imperialistas para manter os mercenários “ex-rebeldes” a frente da frágil administração central do país, que se inspira no regime de Vichy, serviçal dos nazistas na França ocupada durante a II Guerra Mundial. A resistência nacional líbia chamou o boicote à farsa eleitoral, inclusive atacando cinco terminais petrolíferos, que foram obrigados a interromper o envio de óleo cru para as transnacionais. Apesar de toda campanha orquestra pelos meios de comunicação a soldo do imperialismo e pela OTAN para que houvesse um comparecimento em massa, segundo os próprios dados oficiais houve uma abstenção de mais de 40% dos eleitores inscritos para legitimar a “volta da democracia” na Líbia. Para os canalhas revisionistas do trotskismo (LIT, UIT...), a votação desse sábado seria a expressão concreta da vitória da primeira fase da “revolução democrática” depois da derrota do “regime ditatorial de Kadaffi”. Não por acaso, essa farsa eleitoral deu a maioria das cadeiras do futuro parlamento fantoche a coalizão “Aliança das Forças Nacionais” (AFN) que deve conquistar 60% dos assentos, alcançando sozinha a maioria absoluta. A AFN é uma frente política tutelada diretamente pela OTAN e dirigida por Mahmud Jibril, que esteve até pouco tempo no comando do CNT e “venceu as eleições” via imposição de uma fraude aberta para impedir a vitória eleitoral da Irmandade Mulçumana. Como parte do grande espetáculo montado, a votação foi considerada um sucesso por observadores internacionais da ONU, da UE e de ONGs: “Do ponto de vista da organização e da transparência, foi um grande sucesso”, disse Ian Martin, coordenador dos observadores da ONU (O Estado de S.Paulo, 09/07).

Segundo o próprio CNT, dos 4 milhões de habitantes apenas 2,8 milhões se credenciaram como eleitores e somente 60% destes votaram para escolher os 200 membros do Congresso Geral Nacional (CGN), uma assembleia que teoricamente irá formar um “novo” governo e escolher uma “comissão de juristas” para redigir um projeto de Constituição, tudo sob as vistas atentas do imperialismo ianque, em um processo que não passou de um teatro para fazer propaganda sobre a “volta da democracia” na Líbia em “eleições históricas”, onde compareceu a minoria da população. Para contemplar os diversos grupos mercenários que lutam pelo controle do botim estatal, o CNT decidiu impor cotas de assentos da Assembleia Constituinte para cada região, dividindo o país como se fazia sob o reinado do monarca Rei Idris I. Benghazi, berço das manifestações monarquistas e “pró-imperialistas”, ficou com a distribuição de 60 dos 200 assentos e a zona conhecida como Tripolitânia, com 100 postos, sendo o restante das cadeiras divididas entre regiões dominadas por pequenas tribos reacionárias alinhadas ao CNT. Seguindo as instruções dadas pelos patrocinadores da farsa eleitoral, o CNT não divulgou a data em que serão anunciados os resultados oficiais para melhor fechar um acordo com todos os grupos envolvidos no teatro eleitoral e promete dissolver-se após a primeira sessão da nova assembleia para fechar o novo gabinete de gestão dos negócios do imperialismo. Todos os candidatos tiveram de se submeter ao aval do CNT para poder “concorrer” às tais “eleições”.

A luta pelos assentos no CGN obedece ao interesse de ter maior incidência na redação da Constituição e na designação do premiê e seu gabinete, para substituir o CNT. A AFN disputou as “eleições” com o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (Al-Adala Wal-Bina), braço político da Irmandade Muçulmana e o Wattan (Nação), partido radical islâmico liderado pelo comandante “rebelde” Abdelhakim Belhadj. Essas foram as legendas apresentadas pela mídia murdochiana como “favoritas” e dividirão o controle do parlamento fantoche. Porém, quem controlará o governo por meio de uma fraude aberta será Jibril, homem alinhado diretamente ao imperialismo ianque e francês. A declaração do porta-voz da AFN é clara nesse sentido: “‘Nossas projeções indicam que vamos somar de 100 a 120 dos 200 assentos do Congresso Nacional. É um verdadeiro milagre’, disse ao Estado Mohamed Othman, um dos coordenadores da Aliança Nacional. ‘Estamos trilhando um caminho diferente da Tunísia e do Egito, que escolheram a Irmandade. Tínhamos fé na vitória, mas não esperávamos tamanho sucesso’. Em tom conciliador, Jibril convocou um ‘diálogo nacional’. Ex-líder da oposição no exílio, Jibril pode optar por não ser o primeiro-ministro, esperando as eleições presidenciais a serem realizadas em 18 meses. Em seu lugar, pode ser nomeado o diplomata Mohamed Shalgham, chefe da missão da Líbia na ONU em Nova York” (O Estado de S.Paulo, 09/07).

É importante ressaltar que os revisionistas do trotskismo alegam que a Líbia foi o país onde a “primavera árabe” chegou mais longe, pois derrubou pelas armas... da OTAN o suposto “ditador sanguinário” Kadaffi. De fato, depois da vitória da agressão imperialista apoiada taticamente por esses canalhas da LIT, UIT, LOI-DO, MR e CS argentina... o governo do CNT da Líbia é hoje o mais servil gerente dos interesses imperialistas da região e não por acaso as “eleições” deram a vitória aos mercenários “liberais” da AFN e não aos mercenários “islâmicos” da Irmandade Muçulmana, como ocorreu no Egito e na Turquia. Como se vê, a farsa eleitoral orquestrada pela OTAN “escolheu” a coalizão comandada por Mahmoud Jibril, líder dos mercenários do CNT e apesar disso os revisionistas da LIT saem a comemorar “vitória da revolução democrática” na Líbia!

Nesse exato momento, junto com Obama e a mídia murdochiana, a LIT também torce para que esse mesmo desfecho macabro se imponha na Síria! Por isso declara “Nós da LIT sustentamos desde o começo que na Líbia o que se passava era uma revolução popular e antiimperialista, pois enfrentava a ditadura sanguinária de Kadafi, um dos principais agentes do imperialismo na região. Coerentemente com esta caracterização de onde estava a revolução e onde estava a contrarrevolução, nos colocamos ao lado das massas líbias e saudamos como uma tremenda conquista democrática a destruição do regime Kadafista e o justiciamento do ditador pelas mãos das milícias populares” (sítio LIT). Assim como os morenistas estiveram no campo militar da OTAN na queda do Muro de Berlim, na URSS e na Iugoslávia em meados dos anos 90, agora com sua teoria da “revolução made in USA” integram política e militarmente o bloco dos mercenários líbios e sírios para derrotar governos burgueses não-alinhados integralmente com a Casa Branca. Não por acaso, estão a comemorar a “vitória da democracia”, a mesma que impõe a barbárie capitalista na Líbia! Até os mais crédulos no conto da “revolução árabe” começam a enxergar que esta cantilena não passou de uma transição conservadora a serviço do imperialismo ianque e seus sócios como Israel! Só os “cegos” da LIT e seus satélites, por serem cúmplices desse verdadeiro crime político, não veem (ou não querem ver) esta triste realidade que ajudaram a construir! Ah! Íamos esquecendo, onde estão os “verdadeiros revolucionários” entre os “rebeldes” que a LIT dizia existirem na Líbia em luta contra o imperialismo? Estes fantasmas inventados pelo delírio morenista nem mesmo com “lupa” seriam encontrados em alguma parte do território arrasado pela OTAN e seus títeres.

domingo, 8 de julho de 2012


O artilheiro Doval, ídolo das duas torcidas

100 anos do maior clássico do futebol brasileiro: o Fla-Flu, uma invenção “genial” do reacionário Nelson Rodrigues

O mais importante dramaturgo brasileiro nasceu em Recife, 23 de agosto de 1912, pouco depois do primeiro clássico entre Flamengo e Fluminense (7 de julho), que acabou de completar 100 anos neste sábado. Estamos falando de ninguém mais do que Nelson Rodrigues, o “anjo pornográfico” como ele próprio se intitulava em razão de sua obra arrasadora, embora não-revolucionária, dos costumes da sociedade burguesa de sua época. Quando criança mudou-se para o Rio de Janeiro com a família. No bairro carioca de Aldeia Campista que Nelson Rodrigues começou a dar os primeiros passos em direção a consagração de suas geniais crônicas e peças teatrais que esmiuçavam acidamente a tradicional família de classe média das décadas iniciais do século XX. Como “escola” foi beber na fonte os dramas em seu bairro: as vizinhas alcoviteiras de janela, as solteironas ressentidas, as viúvas tristes, os ciúmes de seu pai com relação à sua mãe, as tragédias familiares, a vida nos prostíbulos, a morte etc., ou seja, versava por toda a “podridão” da classe média urbana. A paixão pelo futebol, o Fluminense, nasce já na infância. Escreveu textos memoráveis acerca da mística em torno do glorioso “Fla-Flu”, os quais foram a pedra de toque para popularizar a senda dos dois clubes rivais e a tensão do maior clássico do futebol brasileiro. Contudo, a obra deste grande personagem do século XX foi aquela que percorreu a crônica dos costumes e da moral vigente dentro da sociedade patriarcal-oligarca de tal forma que escandalizava todos os falsos moralistas de direita de plantão. Mas, quem foi este gênio conservador, em sua trajetória pessoal e familiar, que criticava os nacional-desenvolvimentistas e defendeu o golpe militar de 1964? Um reacionário como ele próprio se autodenominava!

Para compreendermos um pouco o dramaturgo e o cronista esportivo é necessário abordarmos alguns elementos de sua obra. Nelson Rodrigues soube como ninguém captar a profundidade do comportamento humano, suas paixões, traumas, moralidade. Isto porque a história da sua vida permitiu-lhe: fora repórter policial cuja formação serviu para melhor compreender as razões dos crimes passionais, os escândalos sexuais, o comportamento humano sob as diversas tensões que a vida nos irroga. Este foi, sem dúvida, seu convívio com os dramas da vida real que o moldou de forma indelével. Aos 17 anos presencia o assassinato de seu irmão, Roberto, alvejado por tiros desferidos por uma mulher tresloucada da “alta sociedade” que não aceitara ter seu nome publicado no jornal ultraconservador da família de Nelson acusada de trair o marido, trauma o que o marcou por toda a vida e essencial para entendermos o teatro e o pensamento de Nelson Rodrigues. Uma de suas peças mais conhecidas, “A mulher sem pecado” (1941), é um drama de irretocável caráter psicológico, cujos temas passam pelo ciúme doentio, a obsessão de um homem atormentado por seus sentimentos para com sua esposa. Fingimento e impotência (uma paralisia forjada do personagem principal) diante da desconfiança da traição da mulher com o irmão dela (o incesto está quase sempre presente nas obras). “Vestido de Noiva”, escrito dois anos depois, Nelson Rodrigues desenvolve mais a trama psicológica (a proximidade com o psicodrama faz de sua obra uma criação ímpar na dramaturgia brasileira), na qual descreve brigas familiares, adultérios, amores por prostitutas, o incesto e o estupro do pai sobre a filha. O falso moralismo e a crítica profunda ao moralismo pequeno-burguês são soberbamente expostos nas obras-primas “Os sete gatinhos” (1958), “Bonitinha mas ordinária” (1963) e “Toda nudez será castigada” (1965), muito embora o reacionarismo esteja presente nela, uma vez que a “transgressão” dos costumes será tragicamente punida com a morte e não entendida como um ato de libertação ou de ruptura com o próprio conservadorismo “pudico” da classe dominante.

Apenas um cronista que não vai além das consequências do papel, da critica social, não propugnava uma ruptura político-ideológica com o regime capitalista. Não era revolucionário de modo algum, ao contrário, um reacionário que em razão de suas experiências de vida gostava de chocar a moral dos “bons costumes” da classe média urbana de sua época, expondo toda a degradação e hipocrisia imperantes em seu seio. Só para se ter uma pequena noção, em sua crônica do jornal O Globo às vésperas do AI-5, chamava as manifestações estudantis contra a ditadura de “jovens canalhas”. Por ironia, teve seu filho, Nelsinho, dirigente do MR8 preso e torturado pelo regime militar. Em uma entrevista à Revista Manchete (agosto/77), quando do lançamento do seu livro “O Reacionário”, disseca sua posição anticomunista: “...o sujeito deve ler o meu livro para saber o que eu acho, para saber do meu anticomunismo, saber do meu horror a Marx... Porque no duro, no duro, eu não sou reacionário. A mais cruel forma de reacionarismo está nos países socialistas, na Rússia, em Cuba, na China, etc.”. Uma analogia importante deve ser feita. Balzac, no século XIX, era um romancista, novelista e contista de concepção abertamente burguesa. No entanto, sua obra, profundamente psicológica, refletia em todos os níveis o modo de vida da sociedade burguesa francesa da época, as contradições e os conflitos da mesma. Marx era um ávido admirador de Balzac e recomendava para que todos os comunistas a lessem com toda atenção para entender os meandros da mentalidade burguesa dominante à época.

O modo de “enxergar” o mundo através das paixões foi primorosamente aplicado ao futebol. Nelson Rodrigues, como salientam seus biógrafos, não se importava com os resultados, a bola era um “reles e ridículo detalhe” dizia. O que lhe apetecia era a dramaticidade, a tragédia, a paixão que o futebol exercia nas massas torcedoras e o exaltou em sua dimensão épica: “Uma torcida não vale a pena por sua expressão numérica. Ela vive e conflui no destino das batalhas pela força do sentimento. E a torcida tricolor leva um imperecível estandarte de paixão”. A “paixão” faz o imaginário do clássico Fla-Flu que completou 100 anos no dia 7 de julho. Foi Nelson e seu irmão Mário Filho (que deu o nome para o Maracanã) que atiçaram a rivalidade dos dois times cariocas, exaltando a mística em torno deste grande clássico do futebol brasileiro. Nelson Rodrigues gostava de provocar afirmando que o futebol do Flamengo (torcedor “povão”) nasceu de uma dissidência do Fluminense (time da classe média) em 1912, ano do primeiro Fla-Flu (vencido pelo Flu). Torcedor doente, afirmava sem papas na língua: “Tudo é Fla-Flu, o resto é paisagem”. Anos depois dizia irônica e aristocraticamente que “o Flamengo tem mais torcida, o Fluminense tem mais gente”! Em 1963, o Maracanã comportou um público de 194.603 mil para assistir o Fla-Flu, a maior multidão de todos os tempos em jogos de clubes, razão pela qual ganhou o nome de o “clássico das multidões” e a aura dos grandes craques que por ele passaram (“El Loco” Doval, Zizinho, Rivelino, Zico, Castilho, Telê Santana etc.). Wilson Gomes, o Samarone, imortalizado craque pelas palavras de Nelson Rodrigues “faz jogadas de um virtuosismo, de uma beleza, inexcedíveis”, foi o cérebro da equipe do Fluminense na década de 1960.

Os anos 40 e 50 do século passado permitia a criticidade entre a intelectualidade, fruto de uma sociedade que ia aos poucos rompendo com o agrarismo se deslocando para um pensamento urbano-industrial. A crítica ao modo de vida oligárquico ainda tinha assento nas crônicas jornalísticas e na literatura. Nos dias atuais, Nelson Rodrigues seria certamente banido da sociedade, porque hoje o que impera é o chamado “consenso” pasteurizado de opiniões. Expor a fundo as imensas contradições, os traumas, preconceitos e a hipocrisia de seus semelhantes é se colocar na marginalidade e ser execrado pela opinião pública do “politicamente correto” ditado pela ofensiva ideológica do imperialismo sobre todo o planeta, na qual a Casa Branca conferiu a democracia um valor universal utilizada como artifício para atacar militarmente países que não se alinham a sua política neocolonista. Logo, “questionar” não é considerado “democrático” pela mídia murdochiana. Neste sentido, temas como o incesto, crimes passionais, os suicídios, a loucura devem estar fora de qualquer discussão, pois o que importa hoje é o corpo “sarado”, a implantação de silicone nos seios, a lipoaspiração, quantos “amigos” serão acrescentados no “Facebook”, de quem vou falar mal agora, como fazer para me dar bem na vida... Mas o Fla-Flu conseguiu marcar historicamente a dicotomia do “Bem contra o Mal” que permeia o imaginário popular, que Nelson conseguiu imortalizar tão bem em sua obra “maldita”.

sexta-feira, 6 de julho de 2012


Enquanto Dilma presenteia as montadoras com redução do IPI e GM anuncia demissões, PSTU-Conlutas pede “contrapartida social” dos capitalistas e ajuda ao prefeito facistóide Eduardo Cury (PSDB)!

Com vendas recorde no mês de junho, embaladas pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a indústria automobilística conseguiu reduzir drasticamente seus estoques de carros novos. Foram vendidos no mês passado 353,2 mil veículos, 22,9% mais que em maio e 16,1% que em junho de 2011. Desse total, 340,6 mil são automóveis e comerciais leves, alvos do benefício fiscal. A média diária de vendas de carros subiu de 12,4 mil em maio para 17 mil no mês passado e vem mantendo esse ritmo nos primeiros dias de julho. No semestre, as vendas das montadoras somaram 1,72 milhão de unidades. Como resposta ao presente que o governo Dilma deu às montadoras, reduzindo o IPI de 21 de maio e com previsão de acabar em 31 de agosto, GM e Volks anunciaram programas de demissões voluntárias! Só na GM foram dois programas de demissão voluntária em menos de um mês. O último PDV se encerrou nesse 2 de julho com a adesão de 356 operários. Ainda assim, como forma de chantagem, a empresa instalada em São José dos Campos, anunciou sua intenção de demitir mais 1.500 trabalhadores do setor de Montagem de Veículos Automotores (MVA). Querem mais subsídios! Lembremos que além da redução do IPI, o governo ainda adotou outras medidas favoráveis às multinacionais. No final de maio, o BNDES diminuiu os juros na sua linha de financiamento para a aquisição de máquinas e equipamentos, já o Banco Central liberou R$ 18 bilhões em depósitos compulsórios de bancos para o financiamento de veículos.

Apesar das vendas recordes, GM e Volks alegam cinicamente que a redução dos estoques ainda não se refletiu na produção. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes e Veículos Automotores (Anfavea) houve recuo de 2,6% em relação a maio e de 7,6% na comparação com um ano atrás, com 273,6 mil unidades fabricadas. Mas a própria Anfavea declara que “aposta em reversão do quadro nos próximos meses” (O Estado de S.Paulo, 06/07). Várias empresas que operavam com jornada reduzida retomaram as atividades e estão impondo ritmos de produção mais acelerados! Fiat e Volkswagen, por exemplo, voltaram a fazer hora extra em fins de semana. “A tendência é de aumento de produção. A redução do IPI foi uma medida acertada por parte do governo, as montadoras reduziram os seus estoques e, agora, há aumento de produção e emprego” declarou o presidente da Anfavea, Cledorvino Belini (Idem). Como se vê, trata-se de um movimento operado planejadamente pelas montadoras para forçar a isenção do IPI e desovar os seus estoques ao mesmo tempo em que em as transnacionais impõe demissões, terceirizações e incremento dos ritmos de produção!

Na verdade, GM e Volks estão “aproveitando” o momento de redução dos estoques para fazer suas “reestruturações” e seus “planos de ajuste”, leia-se reduzir a mão de obra direta da fábrica e apostar na contratação de terceirizados, processo já realizado por outras montadoras. Segundo dados da própria Anfavea, a indústria automotiva contratou 1,9 mil funcionários em junho. A maioria é de pessoal terceirizado que passou a fazer parte da folha de pagamento da Fiat, em Betim (MG). Toyota e Hyundai também estão contratando com baixos salários para iniciar operações nas fábricas de Sorocaba e Piracicaba. Em resumo, as poderosas multinacionais auferem lucros astronômicos no Brasil, saqueiam os cofres públicos e remetem bilhões para suas matrizes que ainda estão se recuperando da crise econômica nos EUA e na Alemanha. Nos últimos três anos as montadoras enviaram US$ 14,6 bilhões ao exterior (O Estado de S.Paulo, 06/07).

A “reação” do PSTU, que dirige o Sindicato dos Metalúrgicos de SJC, foi pedir ao governo Dilma que impeça as demissões, exigindo uma “contrapartida social” dos capitalistas, já que o Planalto reduziu o IPI das montadoras! Segundo o presidente do sindicato filiado a CSP-Conlutas, Antônio Ferreira, o Macapá, “A partir de agora, vamos intensificar as mobilizações e resistir contra esse grave ataque da GM. Vamos buscar apoio de toda a sociedade, dos parlamentares e dos governos e realizar protestos de rua, caravana a Brasília e um ato nacional unitário com as outras centrais”. Na verdade tais “protestos” não passam de encenação contra a ofensiva da GM e somente foram convocados após o encerramento do prazo do último PDV. O PSTU não fez nada contra o PDV, porque acreditava que as “demissões voluntárias” resolveriam a redução de mão de obra exigida pela transnacional, mas a GM anunciou que deseja um corte ainda maior! Só aí o “combativo” sindicato teatralizou uma manifestação em frente à porta da fábrica pedindo “contrapartida social” da mesma forma como faz a CUT, FS e CTB! As palavras de Macapá revelam bem a política do PSTU. Depois de uma reunião entre a prefeitura de SJC e o Sindicato, a mesma que impôs a desocupação do Pinheirinho via a ação brutal da PM, o dirigente do PSTU e da CSP-Conlutas declarou: “Queremos uma posição firme por parte da Prefeitura, Câmara de Vereadores, governos estadual e federal em defesa da manutenção dos postos de trabalho e contra o fechamento do MVA” (Sítio PSTU, 02/07). Obviamente, não se fala greve e muito menos em ocupação de fábrica! Lembremos que as centrais sindicais governistas CUT, FS e CTB se desmancharam em elogios para a falsa “guinada” nacionalista de Dilma quando a presidente elevou o IPI dos carros importados favorecendo as quatro grandes montadoras transnacionais (WW, Ford, GM e Fiat). Na época, a burocracia sindical governista ignorou inclusive as intenções de demissão do “bando das quatro” em suas fábricas no Brasil, em função das facilidades dadas para a importação mexicana e argentina. A Conlutas foi politicamente a reboque da empresa na bajulação ao governo da frente popular aplaudindo a medida. Agora vieram os anúncios das demissões e nenhuma reação à altura, como já havia ocorrido na Embraer na mesma São José dos Campos!

Para a classe operária, a luta consequente pela defesa do emprego e reposição salarial não passa por reivindicar um “compromisso social” dos capitalistas e do governo burguês da frente popular, mas de lutar por meio de uma mobilização permanente, independente do governo e dos patrões, para infringir uma derrota real nos planos de arrocho e desemprego levados a cabo pelo governo pró-imperialista do PT. Para isso é preciso organizar nacionalmente uma campanha contra as demissões sem nenhuma ilusão nos inócuos apelos a Dilma sob o eixo da ocupação das empresas que demitirem, assembleias intersindicais unificadas, paralisações de verdade e a construção da greve geral da categoria. É fundamental para enfrentar a ofensiva dos patrões a retomada dos métodos de luta e ação direta, com assembleias massivas democráticas e greves unificadas para arrancar verdadeiros aumentos salariais e fazer avançar a consciência política da classe, a fim de aumentar o potencial de combate contra os seus inimigos de classe que têm imputado derrotas econômicas, sociais e políticas aos trabalhadores. Está colocado para os setores mais avançados da classe operária romper com a camisa-de-força imposta pela CUT, UNE e MST, política trágica que tem o aval da PSTU-Conlutas e a PSOL-Intersindical, aproveitando as campanhas salariais para responder à ofensiva capitalista com mobilizações que não se limitem apenas à luta econômica, mas que coloquem em xeque o próprio governo Dilma e as instituições corruptas que o sustentam, buscando superar no curso desse combate as direções que conciliam com a burguesia em nome da estabilidade do regime político.


Blog da LBI completa um ano como um instrumento vivo e militante na defesa programática do marxismo revolucionário!

Neste 5 de julho o BLOG político da LBI está completando um ano de existência, uma curta vida de intensa elaboração política acompanhando diariamente os principais acontecimentos da luta de classes em nível nacional e internacional com artigos programáticos, abstraindo as principais lições políticas do marxismo-leninismo. Cerca de 50 mil acessos verídicos (aferidos por um contador independente) em apenas doze meses, atestam a importância e a necessidade de um contraponto programático não só à mídia murdochiana, mas principalmente às capitulações e integração da esquerda revisionista ao regime político, o que fez do Blog uma grande referência política entre a vanguarda de esquerda classista. Em seu breve período de existência, o Blog da LBI converteu-se em um importante instrumento de luta política-programática em defesa dos princípios do marxismo revolucionário. Debutamos encampando a campanha internacional em defesa da libertação dos cinco militantes cubanos encarcerados desde 1998 pelo governo Clinton que estavam defendendo o Estado operário cubano dentro do coração do monstro imperialista ianque. Acompanhamos “pari passu” a cobertura da guerra imperialista contra a Líbia demonstrando que se tratava de uma guerra de rapina para saquear as riquezas deste país semicolonial e eliminar qualquer resquício de oposição às garras do império, ocasião que o Blog da LBI demarcou profundamente posição com o revisionismo canalha que apoiou de modo vergonhoso as investidas genocidas das grandes potências capitalistas em nome da farsante “revolução árabe”. Agora, estamos acompanhando os desdobramentos do “golpe institucional” no Paraguai, a vitória da Irmandade Mulçumana no Egito e da “Nova Democracia” na Grécia, assim como o retorno do PRI a presidência mexicana, apontando justamente que estes acontecimentos são sinais da ofensiva contrarevolucionária mundial que se aprofundou desde a intervenção militar da OTAN na Líbia, sanha que a Casa Branca tenta repetir na Síria!

No cenário da luta de classes nacional esteve a serviço de denunciar os inúmeros escândalos de corrupção oriundos do governo Dilma e suas “bases” políticas, forjadas através do pacto oligárquico formalizado desde o governo Lula. Mas, como o Planalto conseguiu passar incólume por todos os escândalos? A estabilidade do governo Dilma é fruto da mais profunda colaboração de classes levada a cabo pelas centrais “chapa branca” e pela incapacidade da chamada “oposição de esquerda” (PSTU/PSOL) em se colocar como alternativa às traições da CUT/CTB devido à sua completa integração ao regime político vigente expressa no eleitoralismo mais vulgar como é o caso da participação da frente popular na cidade de Belém com o PCdoB. A LBI em seu Blog foi a primeira organização política a denunciar a aliança entre o PSTU, PSOL e o governista PCdoB (além de partidos burgueses de aluguel) na capital paraense em busca de um assento na cadeira do Parlamento burguês.

A elaboração político-ideológica da LBI diante de cada complexo fenômeno da luta de classes vem acidamente confirmando seus prognósticos como, por exemplo, a situação política no Egito e no conjunto dos países europeus (Grécia, Espanha, França, Portugal), além das escaramuças de guerra que a Casa Branca vem armando contra a Síria e Irã. Enquanto a esquerda mundial encontrava-se em júbilo com o triunfo da “revolução democrática” no Egito com a queda de Mubarak, alertávamos que apesar do justo ódio da população egípcia ao regime senil, todo o processo de transição para um “novo” regime fora conduzido pelas FFAA – controlando com tanques até mesmo a ocupação da Praça Tahrir – apoiadas pelo imperialismo ianque em seu bojo. No final, a “revolução democrática” decantou para a assunção da ultrarreacionária Irmandade Muçulmana, um verdadeiro “choque” de realidade para o arco pró-imperialista da esquerda mundial (LIT, UIT, PTS, Alan Woods etc.). Processo semelhante, como apontávamos desde o Blog, iria ocorrer no conjunto dos países europeus imersos na crise econômica, para os quais a esquerda catastrofista previa o “fim” do capitalismo e o triunfo da farsa do “socialismo democrático”. Evidentemente, nada disso aconteceu, precisamente pela falta de uma direção revolucionária comunista que conduzisse as diversas manifestações de resistência das massas à vitória – o capitalismo não cai de podre, é necessária uma ação consciente do proletariado mundial –, tendo como resultado a ascensão da direita na Espanha, Portugal, Grécia, ou seja, o continente europeu tende à fascistização de seus regimes políticos. Da mesma forma que os revisionistas do trotskismo encamparam a “luta contra o ditador sanguinário” Kadaffi na Líbia, no momento atual colocam neste mesmo patamar Bashar al-Assad, repetindo a aliança com o Pentágono nesta nova guerra colonialista contra a Síria.

Assim, a incapacidade da “oposição de esquerda” em se colocar como alternativa a frente popular e suas centrais “chapa branca” deriva de sua completa capitulação ao imperialismo em nível internacional ao aplaudir de pé os criminosos bombardeios da OTAN sobre a indefesa população líbia e hoje sobre a Síria. Ou seja, uma esquerda integrada ao regime político tem em seu horizonte apenas um frágil eleitoralismo diante do circo eleitoral programado para o triunfo dos partidos burgueses. São estes os cretinos que maculam o nome da Quarta Internacional fundada pelo velho dirigente bolchevique Leon Trotsky, enquanto nós da LBI fazemos de nosso modesto Blog e de nossa intervenção na luta de classes, nas greves e sindicatos, uma trincheira de luta programática pela construção do partido revolucionário mundial.

Com este pequeno balanço político-ideológico, nós que formamos a equipe editorial do Blog, neste primeiro ano de intensa elaboração, orgulhamo-nos de através deste instrumento militante ser o fio de continuidade do genuíno trotskismo, apesar de nossas modestas forças, quando praticamente todas as organizações políticas vem sucumbindo pusilanimemente às pressões da opinião pública mundial pequeno-burguesa, produto da mais nefasta ofensiva contrarrevolucionária do imperialismo, seja no âmbito militar, cultural, ideológico, ou dos costumes etc.. Por isso, o fortalecimento da imprensa operária e suas posições políticas principistas, a ação consciente das massas dirigida por um partido revolucionário, são os elementos-chaves para a liquidação do Estado burguês e a exploração capitalista, de cujas cinzas erguer-se-á a sociedade socialista. Balizados por estas perspectivas, fica o convite para que você visite o Blog da LBI diariamente para que ele tenha uma longa vida pela frente!

Artigo extraído do site da LBI

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Editorial do Jornal Luta Operária nº 238, 2ª Quinzena de Junho/2012
O golpe de estado no Paraguai e a vitória da Irmandade Muçulmana no Egito, dois sinais da ofensiva contrarrevolucionária mundial 

Na entrada do ano de 2012, ainda no curso do que foi denominado de a “primavera árabe”, a esquerda revisionista anunciava a chegada do “ano das revoluções”. Acorrentado a uma caracterização completamente equivocada (catastrofista e antimarxista) da crise financeira deflagrada em 2008, o arco político revisionista ainda anda a procura da sua pseudo “revolução” que, segundo seus cálculos “teóricos” já deveria ter acontecido em 2009 ou pelo menos em 2010. Mas, se a tal “revolução” não veio, os revisionistas resolveram mesmo foi abraçar fervorosamente a ofensiva contrarrevolucionária do imperialismo, desatada originalmente em 1989 com a queda do Muro de Berlim, e maquiá-la de “revolução democrática”. Este foi o caso da guerra civil na Líbia, onde a tal “revolução” dirigida militarmente pela OTAN, com a ajuda de “rebeldes” monarquistas, derrubou um governo burguês nacionalista e colocou em seu lugar um regime abertamente entreguista e fiel aliado de Washington. Mas, sem sombra de dúvidas foi no Egito onde a “teoria” revisionista da “revolução democrática” foi mais longe, baseada no fato da queda do odiado ditador Mubarak, homem de confiança do imperialismo ianque. Os arautos revisionistas “compraram” a versão, made in Casa Branca, de que a saída de cena de Mubarak teria sido produto de uma “revolução”, não por coincidência saudada entusiasticamente pelo chacal Obama e a CIA. Agora, quando já atravessamos a metade do ano em curso vai ficando absolutamente cristalino, até para aqueles que honestamente acreditaram na “primavera árabe”, que a ofensiva imperialista vai recrudescendo cada vez mais sua escalada, com a finalização da reacionária transição política no Egito e, de quebra, nos “brinda” com um golpe de estado das oligarquias “sojeras” no Paraguai.
A vitória do candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, nas fraudulentas eleições presidenciais do Egito, encerra a primeira etapa do processo de transição política do regime militar, anteriormente comandado pelo carniceiro Mubarak. Isto não significa que os militares abandonaram o cenário político do milenar país dos faraós, ao contrário, estarão de “plantão” tutelando a bastarda “democracia” debutante. Para o imperialismo ianque, “padrinho” da suposta “revolução”, com o novo governo de Morsi ficam mantidas as salvaguardas políticas e militares necessárias para a preservação do gendarme terrorista de Israel, agora com a legitimação de um governo “democrático”, bem superior ao decrépito e desgastado Mubarak. Os manifestantes “revolucionários” que lotaram a Praça Tahrir por vários dias exigindo a posse de Morsi representam exatamente a “massa de manobra” desta operação de transição do regime, que em nada pode se assemelhar a uma verdadeira revolução socialista (surgimento de conselhos operários e armamento da população) e sequer democrática com móveis políticos anti-imperialistas. A iniciativa da gestão Obama/Clinton em promover a chamada “primavera árabe”, desde o início esteve colada aos interesses mais sinistros do imperialismo, tendo como ponto final a invasão militar do Irã, mas também passando pela demolição dos “adversários regionais” Kadaffi e Assad.
Neste momento exato, a ofensiva imperial concentra suas forças na Síria, tentando forçar com provocações terroristas a renúncia de Bashar al-Assad. Assim como na Líbia e Egito as cacatuas do imperialismo, LIT, PTS e a grande família revisionista, afirma que ocorre uma “revolução” contra o regime burguês do clã Assad, utilizam inclusive farta munição da mídia “murdochiana” para provar assassinatos de civis e crianças. Longe de representar os interesses do proletariado árabe, o regime Assad hoje é um obstáculo aos planos de invasão do Irã, e por isso deve ser removido sob patrocínio do imperialismo ianque. Sua derrubada serve também aos interesses de Israel, que pretende derrotar o Hezbollah (aliado incondicional do governo Sírio) e reocupar o Líbano, portanto, os marxistas revolucionários, que não nutrem a menor simpatia política pelo regime Assad, devem saber identificar muito bem o foco da reação imperialista e entrincheirar-se no campo oposto, com absoluta autonomia das direções burguesas. Os revisionistas que demagogicamente afirmam estar do lado da luta do povo palestino, deveriam se envergonhar de aliar- se às forças sionistas, em nome da “revolução” made in CIA”, que pretende substituir Assad por um títere da Casa Branca, repetindo a verdadeira hecatombe social ocorrida na Líbia.
Mas os signos da etapa contrarrevolucionária não se restringem ao Oriente médio, no velho continente castigado pela crise capitalista a classe operária acumula várias derrotas e não consegue reverter a subtração de suas conquistas pela brutal ofensiva neoliberal dos rentistas do mercado financeiro. Na Grécia, onde as consequências da especulação financeira ameaçam devastar o país, o proletariado não consegue construir uma alternativa revolucionária de conjunto, apesar das inúmeras greves de caráter defensivo que ocorreram ao longo dos últimos quatro anos. Com o desgaste da velha social democracia governante, PASOK, submissa aos “barões” de Munique, surgiu uma nova social democracia de “esquerda”, o SYRIZA, que se postula contra o protocolo de “ajuste” imposto pelo FMI, mas faz a defesa intransigente da zona do Euro e sua moeda única. Para os revisionistas que não se cansam de prever o “armagedon” do capitalismo a cada oscilação da bolsa de valores, a “revolução grega” seria a vitória eleitoral de um governo do SYRIZA, com o apoio dos “comunistas” do KKE. Como o imperialismo ainda prefere governar a Grécia com seus partidos mais tradicionais, a “revolução do Euro” liderada pelo SYRIZA ainda deve aguardar mais um pouco, enquanto o KKE protagoniza suas greves economicistas que não colocam em jogo a questão do poder político. Neste compasso, a tragédia capitalista grega deve arrastar-se por muito tempo, até a construção de autêntico partido comunista revolucionário que confronte o poder de estado da burguesia.
E para aqueles que pensavam que o cinturão de governos da centro-esquerda burguesa na América Latina poderia eliminar a influência da ofensiva imperialista na região, o golpe de estado “institucional” do Paraguai veio desmontar esta “ilusão”. Apesar da gerência do “progressista” Fernando Lugo se colocar na linha de frente na repressão feroz do movimento camponês, o latifúndio “sojero” não hesitou em derrubá-lo, com apoio unificado das forças armadas. Logo não faltaram as vozes em apoio a democracia no Paraguai, este mesmo regime que assassinou os “sem terra” e permitiu o avanço das oligarquias pró-imperialistas. O golpe reacionário desencadeado no Paraguai, sob a impotência dos governos frentepopulistas da UNASUL, significa apenas um “balão de ensaio” para a ofensiva imperialista que mira a Venezuela como alvo prioritário. O chamado “socialismo do século XXI” encerra as mesmas contradições do governo Lugo, só que em escala bem maior. A covardia das burguesias nacionais em enfrentar o imperialismo não pode ser considerada propriamente uma novidade, é parte integrante de sua associação econômica (dependência) estrutural ao capital financeiro.
Portanto, somente o proletariado mundial carrega a capacidade histórica de combater a reação imperialista em pleno ápice, espraiada em toda linha do conhecimento humano. As “teses” catastrofistas da esquerda revisionista, apesar da moldura “radical” são apenas uma cobertura das variantes “democráticas” do imperialismo e nem de longe ameaçam a reprodução do capital e suas ditaduras de classe. A ausência de um partido mundial da revolução, por um período histórico prolongado (mais de seis décadas), gerou um enorme retrocesso na consciência da classe operária, tendo como ponto de inflexão a destruição contrarrevolucionária das conquistas sociais da ex-URSS, no início dos anos 90. Derrotado o principal inimigo da “guerra fria”, a ofensiva imperialista agora concentra-se na eliminação dos regimes adversários, nacionalistas burgueses e rescaldos do Estalinismo como a Coreia do Norte. Neste quadro, o proletariado mundial ainda não forjou na prática um terceiro “front”, exigindo dos comunistas no momento aplicar a máxima leninista de estabelecer a unidade de ação com os “adversários de nosso principal inimigo, o imperialismo”. Mas, a tática circunstancial bolchevique, diante de uma conjuntura de profundas derrotas do proletariado, não pode negar jamais a estratégia revolucionária de tomada de poder e instauração da ditadura do proletariado. A única “catástrofe” realmente temida pelo capitalismo não são as “perdas” financeiras no mercado bursátil, mas a entrada novamente da revolução socialista no horizonte das lutas proletárias.
 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Ontem na Líbia, hoje na Síria: mais uma vez a ONG “democrática” Human Rights Watch a serviço do imperialismo ianque

A ONG Human Rights Watch (HRW) divulgou nesta terça-feira, 03 de julho, um relatório acusando o governo Assad de manter 27 centros de tortura na Síria, onde os detidos seriam supostamente “espancados com bastões e cabos, queimados com ácido, além de sofrerem agressões sexuais entre outras violências”. Logo a mídia murdochiana repicou por todo planeta tal informação fantasiosa. A ONG, baseada em Nova York, acusa tais centros de serem usados pelas agências de inteligência do governo sírio desde o início das “manifestações” pró-imperialistas organizadas contra Bashar al Assad em março de 2011, apresentado como um “ditador sanguinário” assim como o faz a esquerda revisionista do trotskismo e a Casa Branca. Segundo a HRW, “dezenas de milhares foram detidos pelo Departamento de Inteligência Militar, o Diretório de Segurança Política, o Diretório de Inteligência Geral e o Diretório de Inteligência da Força Aérea o que significa claramente a existência de um Estado policial baseado na tortura e em maus-tratos, o que constitui um crime contra a humanidade” (Reuters, 03/07). Lembremos que a mesma ONG defensora dos “direitos humanos” foi a que apoiou a campanha contra o governo de Kadaffi, impulsionada pela oposição de direita pró-imperialista em fevereiro de 2011 que desejava por um fim ao controle do país pelo regime nacionalista burguês. Na época, segundo a HWR, a mesma ONG supostamente “democrática” que também em nome da defesa dos “direitos humanos” ataca sistematicamente Cuba, já seriam mais de 200 mortos na Líbia, reprimidos de forma brutal pretensamente pelas forças de segurança de Kadaffi com facas, rifles, armas de fogo pesadas, franco-atiradores e até helicópteros. Hoje essa fábula é repetida à exaustão por todas as redes de TV e cadeias de imprensa ligadas ao imperialismo. O script é o mesmo e o objetivo similar: criar um clima de comoção internacional para favorecer a intervenção militar da OTAN!

Não bastasse montar essa farsa em favor da agressão imperialista, a HRW criticou a postura adotada pela China e Rússia, que como membros permanentes e com direito a veto do Conselho de Segurança, “bloquearam qualquer esforço para pressionar a Síria por suas responsabilidades” (Idem). Não por acaso, a ONG apoia o envio de observadores da ONU para monitorar a situação nos centros de detenção na Síria e também defende que a questão seja submetida ao Tribunal Penal Internacional (TPI) para que os “responsáveis sejam punidos”. Como a Síria não ratificou o estatuto do tribunal, o TPI só poderia julgar os integrantes do governo Sírio com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, onde o tema é barrado por Rússia e China. Mais claro impossível! Os agentes “humanitários” do imperialismo querem fazer na Síria uma nova Líbia, usando a suposta defesa dos “direitos humanos” para legitimar a ação dos mercenários “rebeldes”, da ONU e da OTAN! Ao lado da HRW, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) anunciou também nesta terça-feira, 3/07, que “mais de 16.500 pessoas perderam a vida em episódios de violência na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad, em março de 2011”. Toda esta orquestração está voltada a debilitar o regime sírio no lastro do “efeito do dominó” desencadeado pela suposta “revolução árabe”, tudo ao melhor estilo das manipulações midiáticas feitas contra Chávez na Venezuela quando da época do golpe de abril de 2002 desferido em nome da “democracia” e “contra o autoritarismo”.

Apesar de não depositarmos qualquer confiança no regime da oligarquia Assad denunciamos que os facínoras atuais paladinos da democracia querem impor um outro regime político, alinhado com a Casa Branca. Não por coincidência, Obama estimulou inicialmente os “protestos” na Líbia, alinhando-se com a oposição reacionária e depois armou os “rebeldes” que mais tarde serviram de força terrestre auxiliar da OTAN. Agora, o Pentágono está fazendo o mesmo na Síria, com a ajuda da HRW e outras ONGs que estão em sua folha de pagamento. Os meios de propaganda do império e suas ONGs transformaram as manifestações anti-Assad organizada pelos mercenários do ELS e CNS financiados pela CIA, Mossad, a Turquia e a Arábia Saudita em uma “insurreição de massas” contra um “déspota sanguinário”, assim como fizeram antes e durante o 12 de abril na Venezuela, quando prepararam e apoiaram o golpe militar contra Chávez!

Neste exato momento também estamos vendo o arco revisionista (LIT, UIT, CMI de Allan Woods e afins...) vibrar com “as mobilizações contra a ditadura” na Síria como fizeram ontem na Líbia e antes em Cuba na crise dos balseiros, chegando a torcer para que a “revolução democrática” e os “ventos da primavera árabe” cheguem à ilha operária. Não por acaso, a mesma HRW condenou o Estado operário cubano por perseguição política aos dissidentes e ataque aos “direitos humanos”!

Ao contrário desses revisionistas do trotskismo, denunciamos que os verdadeiros objetivos da “revolução árabe” saudada por Obama são: dominar o Oriente Médio, debilitar ao máximo ou derrubar os regimes que tem fortes fricções com Washington e controlar os povos que lutam contra o imperialismo. Por esta razão, correntes como a LIT que defendem histericamente o “Fora Assad” fingirem ser contra a intervenção imperialista na Síria, enquanto apoiam de fato, como fizeram na Líbia, os “rebeldes” made in CIA no interior destes países. Nesse sentido, mal conseguem esconder seus verdadeiros desejos de verem o imperialismo agredir a Síria! Está colocado frente a escalada política e militar do imperialismo combater para que a luta dos povos do Oriente Médio não sirva para o imperialismo debilitar os regimes que têm fricções com a Casa Branca (Irã e Síria), ou mesmo como cínico pretexto para justificar intervenções militares “humanitárias” como a que ocorreu na Líbia. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, inclusive em frente única com os governos atacados pelas tropas da OTAN, combater os planos de agressão das potências capitalistas, suas ONGs e a mídia murdochiana sobre as nações semicoloniais da região!