ESCRETE CANARINHO DEBUTARÁ HOJE NA COPA DA “MAFIFA”: ENFRENTANDO A SELEÇÃO DO PAÍS MAIOR EXPORTADOR DE CANNABIS DO PLANETA
Marrocos é hoje o principal fornecedor da “erva ilegal” para toda a Europa, e muito provavelmente também do planeta, porém suas redes de tráfico há muito se expandiram para além da exportação da cannabis. Com 50.000 hectares no Vale do Rif e uma produção anual de mais de 3.000 toneladas, Marrocos é o maior produtor e exportador mundial de cannabis.
A maior parte da cannabis marroquina destinada à Europa é enviada primeiro para a Espanha, o principal país de origem, antes de ser distribuída para outros países europeus. O relatório "Mercado de Drogas da União Europeia 2025" indica a apreensão de 551 toneladas de resina de cannabis nos últimos anos em mais de 265.000 operações, sendo a cannabis marroquina responsável pela maioria das drogas interceptadas.
O que mudou foi a escala e a natureza do tráfico. As redes de haxixe do Rif serviram de base para a diversificação para a cocaína latino-americana. As redes de tráfico intercontinental desenvolveram um sistema de troca direta: um quilo de haxixe por um quilo de cocaína, um acordo considerado mais vantajoso do que pagamentos em dinheiro, o que aumenta significativamente o poder de compra das organizações criminosas. O tráfico de haxixe gradualmente se estendeu à cocaína, mais lucrativa. As redes, surgidas desse comércio na década de 1990, operam principalmente na Bélgica e na Holanda e hoje controlam um terço do mercado europeu de cocaína.
O porto de Tânger desempenha um papel central nessas redes: com mais de 10 milhões de contêineres movimentados em 2024, um aumento de quase 20% em um ano, tornou-se o principal porto do Mediterrâneo, à frente de Algeciras. Sua posição no Estreito de Gibraltar permite receber fluxos de mercadorias de todas as regiões do mundo, que são então distribuídas em fluxos secundários, difíceis de rastrear. Um paraíso logístico para os cartéis.
O que distingue Marrocos de outros países produtores ou fornecedores de entorpecentes é a cumplicidade institucional do Estado capitalista. Membros da Marinha marroquina colaboram com narcotraficantes para contrabandear fardos de haxixe para a Espanha, com uma lancha da Marinha Real Britânica servindo como navio-mãe para as lanchas rápidas envolvidas no tráfico.
O Índice Global de Criminalidade de 2025 indica que as falanges estão ganhando terreno no Marrocos, com um aumento particular nas atividades de tráfico de drogas, cujo impacto se estende muito além das fronteiras marroquinas. Resta saber qual será a influência deste elemento social no desempenho da seleção marroquina na Copa do Mundo da “MAFIFA”(Máfia da FIFA). Em particular os brasileiros aguardam ansiosos o resultado do jogo de hoje(13/06), onde o “escrete canarinho” debutará enfrentando a seleção do Marrocos.
