quarta-feira, 24 de junho de 2026

GOVERNANÇA GLOBAL DO CAPITAL FINANCEIRO QUER TRANSFORMAR A GUERRA NO IRÃ EM UM “BIG BUSINESS”: GRANDES CORPORAÇÕES E O RENTISMO TRASNACIONAL VÃO “AJUDAR” A RECONSTRUIR A NAÇÃO PERSA?

O Regime nacionalista burguês dos Aiatolás celebrou um “Memorando de Entendimento” com Trump onde um fundo privado de US$ 300 bilhões, cujo valor será aportado por grandes corporações transnacionais e megarentistas, financiaria projetos de “investimentos” nos setores como energia, logística, manufatura e transporte na nação persa. O chamado “Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento” prevê a participação de grandes empresas, fundos de investimentos e bancos globais que forneceriam garantias de empréstimos, abertura de linhas de crédito ou financiamento direto de obras em locais danificados pelo conflito. Entre os alvos potenciais de reconstrução estariam instalações industriais, refinarias, aeroportos e infraestrutura afetada pela guerra. Entre os exemplos, o complexo siderúrgico Mobarakeh Steel, um dos principais ativos industriais do país. Como vemos a guerra no Irã virou um “Big Business” porque as grandes corporações e fundos abutres rentistas como o Black Rock que têm “ativos” na região agora buscam gerar mais lucros para o grande capital a partir da exploração das reservas petrolíferas e das obras de infraestrutura na nação persa. 

É a Governança Global do Capital Financeiro ditando seus interesses acima dos governos burgueses nacionais, neste caso com a concordância dos gerentes iranianos e norte-americanos mas que não atendem os interesses dos trabalhadores iranianos que lutaram pela derrotar do imperialismo ianque e de Israel! Os interesses do capital financeiro estão acima da guerra dos EUA e Israel contra a nação persa e, em um conceito mais amplo, acima até mesmo dos interesses do próprio imperialismo ianque e dos Estados nacionais como o Irã, forçando as gerências nacionais (inclusive a dos EUA) a se dobrarem as suas necessidades políticas e econômicas estratégicas.

O Irã possui a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo. A economia iraniana tem potencial em áreas como petroquímica, mineração, turismo, agricultura e infraestrutura. O novo “Fundo” busca justamente transformar esse potencial em projetos concretos que gerem receita para a burguesia nativa e para o capital internacional. Como o sistema capitalista global está baseado na exploração de mão de obra do planeta e na espoliação das nações semicoloniais fica evidente que o conteúdo desse acordo não serve aos interesses nacionais iranianos como denunciaram vários grupos como a Frente de Resistência (JEBHE-YE PAYDARI)!

O “Fundo” não começará ser operado antes da assinatura de um acordo final que prevê o fim do programa nuclear iraniano e o compromisso de não adquirir armas nucleares. Essa “cláusula” foi costurada com a mediação da China, ou seja, foi a base das negociações como o Blog da LBI denunciou! Não esqueçamos que em maio, logo após Trump iniciar sua viagem de retorno aos EUA da China, a mídia corporativa internacional noticiou que o reacionário presidente norte-americano e seu “parceiro comunista” chinês haviam chegado a um importante acordo sobre a conjuntura mundial, e não se tratava de nenhuma questão comercial, mas sim acerca do Irã. Trump e Xi Jinping decidiram que o país persa e sua Guarda Revolucionária jamais poderia possuir um artefato bélico nuclear, ou seja, a bomba atômica. Desta forma, o objetivo declarado da reunião de cúpula foi plenamente alcançado: estabilizar as relações bilaterais entre as duas potências imperialistas.

Um exemplo de como atua a Governança Global do Rentismo foi sua intervenção para proteger “South Pars” no curso da guerra, uma estrutura que explora a maior reserva de gás natural do mundo. O campo, no total, cobre cerca de 9.700 km² no Golfo Pérsico e é compartilhado entre o Irã e o Qatar. Israel atingiu “South Pars” e Trump garantiu que os EUA “não sabiam de nada” logo depois desautorizando Netanyahu a continuar os ataques… no que foi prontamente atendido. Tanques de gás e partes da refinaria foram destruídos. Esse recuo foi imposto pelo rentismo internacional que investiu na planta, via a China, país que assinou um acordo com o Irã para a cooperação de 25 anos (em 2021), prevendo um volume total de investimentos transnacionais de até US$ 400 bilhões, incluindo energia e infraestrutura envolvendo o setor de hidrocarbonetos. O objetivo planejado é produzir 50 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia com desenvolvimento da fase 11 do campo, o que a Governança deseja que se concretiza apesar da guerra.

Não por acaso, o “Memorando de Entendimento” organizou o processo de negociação durante um período de 60 dias. Ao longo desse período os “administradores do fundo” deverão trabalhar com autoridades iranianas e investidores para planejar os projetos e definir o escopo das iniciativas. JD Vance afirmou a CBS que o Irã poderia ter acesso ao “Fundo” se cumprisse o acordo com a Casa Branca. Segundo ele as condições envolveriam o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a eliminação do estoque de material enriquecido e a aceitação de um regime rigoroso de inspeção e fiscalização.

Como vemos, a base do acordo foi uma capitulação do Regime dos Aiatolás no terreno de seu programa de desenvolvimento nuclear em troca de “investimentos internacionais” porque a Governança Global dos Capital Financeiro quer transformar a guerra no Irã em um “Big Business”. A criação do fundo representa formalmente o acesso do governo iraniano e sua burguesia nativa ao capital internacional que obviamente tem o interesse de explorar seus recursos e subjugar seu povo! Ele funciona como um instrumento permanente de pressão para condicionar investimentos ao cumprimento de compromissos políticos, nucleares e de segurança que asseguram os interesses da Governança Global do Capital Financeiro.