segunda-feira, 13 de agosto de 2012


Mitt Romney escolhe seu vice: o Tea Party entra na disputa derrotado e pela porta dos fundos

No início do ano passado o Tea Party, um braço do neofascismo ianque abrigado temporariamente no interior do Partido Republicano, estava bem cotado para derrotar Obama na disputa das eleições presidenciais de outubro de 2012. O cenário político dos EUA em 2011 apontava para uma fragorosa derrota dos Democratas em função do profundo desgaste do governo Obama, incapaz de reverter o quadro da crise econômica doméstica instalada no principal centro do imperialismo. Em franca ascensão política, o recém-fundado movimento reacionário denominado de Tea Party (uma alusão à festa nacionalista comemorada contra a ocupação britânica) lançava o nome da ex-governadora do Alaska, Sarah Palin, como favorita na batalha pelo controle da Casa Branca. Mas, a brutal ofensiva política e militar do governo Obama contra os povos árabes e regimes nacionalistas da região, detonada nos primeiros meses de 2011, conseguiu reverter o adverso quadro eleitoral dos Democratas, forçando o Tea Party a retirar a candidatura de Palin e acenar com um apoio envergonhado a Mitt Romney, escolhido previamente pelo Partido Republicano para ser derrotado nas próximas eleições. A ofensiva contrarrevolucionária imperialista no Oriente Médio, batizada pelo Departamento de Estado como “Revolução Árabe”, credenciou politicamente Obama junto à burguesia ianque, até então considerado um “banana”. Mesmo não revertendo os drásticos índices econômicos nacionais, produto da crise estrutural do capitalismo, a ofensiva imperial contra regimes considerados “inimigos”, pavimentou bilionários negócios para as transnacionais ianques, catapultando a figura de Obama como um “neofalcão”, merecedor de um segundo mandato presidencial.

Vitorioso no processo das prévias republicanas, Romney agora indicou seu vice, o legislador congressual Paul Ryan pelo estado do Wisconsin. Como um veterano parlamentar ultraconservador, Ryan reúne o apoio do Tea Party, em função de suas posições abertas em favor das elites dominantes, como a defesa do fim dos subsídios estatais aos planos sociais do “Welfare State”. O Tea Party abdicou de sua candidatura própria, o que resultaria inclusive em sua formação partidária, porque não obteve o sinal verde dos tradicionais “falcões” do Pentágono, empolgados com os “êxitos” das pilhagens operadas pela dupla Obama/Clinton. Na iminência de um ataque ao Irã e em meio da guerra civil na Síria, que não consegue ser vencida pelos mercenários armados pela OTAN, o centro imperialista decidiu seguir com Obama por mais quatro anos. A permanência do ex-banana na Casa Branca e o recuo “tático” do Tea Party de forma alguma significam um retrocesso nas poderosas tendências latentes do neofascismo ianque, pelo contrário, apenas preparam o terreno para um período histórico de grandes ataques ao proletariado mundial e povos oprimidos.

A sequência dos recentes atentados nazistas ocorridos nos EUA revela o crescimento das correntes reacionárias no interior das classes médias urbanas, mais além da potencialidade militar da “KKK” no meio rural. A esquerda “marxista” no interior dos EUA tem se mostrado impotente para combater, do angulo político da classe operária, a ofensiva contrarrevolucionária imperial. Ao contrário, o campo revisionista tem se mostrado “sócio” dos ataques militares da OTAN, considerados por esta esquerda reformista como a expressão da “primavera árabe”. Os movimentos como o “Occupy” que permeou as principais cidades dos EUA, carece de um programa anti-imperialista, voltando seu foco político contra a especulação financeira, como se esta não fosse inerente à acumulação capitalista. As principais direções sindicais norte-americanas seguem atreladas como uma “pata esquerda” do Partido Democrata, nutrindo esperanças em um inexistente “giro à esquerda” do gabinete Obama.

Neste marco de profundo retrocesso ideológico da mais importante classe operária do planeta, perdendo lentamente suas características anti-imperialistas, amplamente demonstradas nas manifestações contra a guerra do Vietnã nos anos 70, a corrente “Spartacist”, representante do trotsquismo menos corrompido e não-integrado ao Estado ianque, atravessa uma profunda crise política. A ausência de uma clarificação programática em relação aos países semicoloniais, vem paralisando o grupo dirigido por Robertson que se absteve totalmente diante dos grandes conflitos internacionais dos últimos dez anos, como a ocupação do Afeganistão, Iraque e atualmente Líbia e Síria. As recentes cisões do “Spartacist”, que concentram suas críticas nas “futricas” intestinas do grupo, são ainda mais prostradas e inoperantes do que a “matriz”. O genuíno trotsquismo que teve uma importante tradição histórica no interior do proletariado dos EUA está ameaçado de “sumir do mapa” do cenário político do monstro imperialista, caso não tenha uma política clara de apoio aos levantes anti-imperialistas dos povos imperializados. Ao mesmo tempo, ainda se faz necessário lançar uma candidatura revolucionária à presidência, pelas “brechas” que a legislação ianque permite, como um meio publicitário de demarcação ideológica com movimentos pequeno-burgueses do tipo “Occupy” ou mesmo o reformismo de “pressão” sobre os Democratas. Esta importante tarefa recai concretamente sobre os ombros do “Spartacist”, ainda que limitado pelos seus graves desvios programáticos.

domingo, 12 de agosto de 2012


“Madame” Clinton vai a Turquia preparar o terreno para a guerra de rapina diante da derrota dos “rebeldes” em Aleppo, na Síria

Neste sábado, 11 de julho, em meio aos intensos combates em Aleppo (onde os “rebeldes” mercenários sofreram importante derrota) e Damasco, a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, reuniu-se com o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, em Ankara com a finalidade de preparar a intervenção militar contra o regime de Bashar Al Assad. Na pauta, como ponto principal, a criação de uma “zona de exclusão aérea”, similar àquela que antecedeu aos bombardeios da OTAN sobre a Líbia no ano passado, abrindo caminho para os “rebeldes” tomarem Trípoli e que culminou no assassinato do coronel Kadaffi. A “madame” Clinton trata de articular “ajudas” mais concretas dos “muy” amigos da Síria, como a Turquia, isto é, fornecer um maior contingente de mercenários, que a esquerda revisionista os caracteriza como “rebeldes”, para compor o ELS: “Agora Washington e Ankara tem que discutir ‘detalhes reais sobre a planificação das operações’” (Actualidad, 11/8) para, segundo a víbora ianque “acelerar o fim do banho de sangue e do regime Assad”. No bojo das discussões, não poderia deixara a questão curda. O PKK (Partido Trabalhista do Curdistão) está organizando bases militantes no norte da Síria, o que impede as ações de sabotagem dos mercenários nas fronteiras com a Síria e também o uso do território turco nesta região do país para o lançamento de drones (aviões não-tripulados) como o objetivo de bombardear as principais cidades sírias como já vem ocorrendo.

Trata-se, na verdade, de aprofundar as ações terroristas do império contra o regime de Assad, se valendo dos países títeres como a própria Turquia (membro da OTAN), Qatar e Arábia Saudita. Como parte do acordo estabelecido com o regime turco, Washington “fecharia os olhos” perante ações turcas que violassem o território sírio em perseguição aos militantes do PKK, ou seja, Ankara teria a liberdade de persegui-los para além das suas fronteiras. Enquanto isto, o imperialismo europeu também mexe suas peças no tabuleiro da guerra. O governo britânico anunciou que enviará uma “ajuda” de 7,5 milhões de euros para os “rebeldes” mercenários, os quais já receberam do império ianque uma quantia nada modesta de 50 milhões de dólares, perfazendo um total desde o início do conflito, segundo o jornal Washington Post, 82 milhões de dólares. Mesmo com todo este aporte, a escória “insurgente”, apesar das suas constantes ações internas terroristas, não consegue avançar contra a oligarquia Assad, sendo inclusive expulsa pelas milícias populares apoiadoras do atual regime sírio na segunda maior cidade do país, Aleppo.

Os objetivos da estratégia da Casa Branca passam por isolar cada vez mais o clã da oligarquia Assad dentro do chamado “mundo árabe”, e assim minar seu governo e instaurar à força um regime neoliberal. “Seguimos aumentando a pressão externa. Anunciamos ontem em Washington sanções destinadas a expor e a romper os vínculos entre Irã, Hezbollah e Síria, que prolongam a vida do regime de Assad”, afirmou a “madame” Clinton em entrevista ao jornal Daily Telegraph (11/8). Desta forma, um país “aberto” aos investimentos imperialistas com o fim das hostilidades contra o gendarme nazi-sionista de Israel e o aceleramento dos planos de guerra são metas a serem atingidas por Washington a curto prazo, já que um governo capacho em Damasco imporia isolamento tanto a Palestina como ao Líbano (Hezbollah) e Irã. A paz dos cemitérios estaria assim imposta na região e a Turquia servil seria uma importante base de apoio ao planos neocolonialistas!

Escandalosamente, esta escalada militar é tratada pela esquerda revisionista como um novo capítulo da “revolução árabe” que se encaminha para derrubar mais um “ditador sanguinário” no Oriente Médio. Como tivemos a oportunidade de ver, isso não corresponde à realidade, porque a queda do regime nacionalista burguês de Assad representaria um duro revés não só para os povos oprimidos do Oriente Médio, como também para os lutadores anti-imperialistas de todo o mundo. O principal inimigo dos povos, portanto, não é o regime sírio, como querem fazer crer os estrategistas do Pentágono e seus agentes travestidos de “esquerda”, mas sim o imperialismo, o mais cruel inimigo a ser combatido. Este deve ser vencido pelos genuínos revolucionários que neste momento devem se postar em frente única com as forças populares e anti-imperialistas que desejam barrar a sanha macabra auspiciada por Obama e a “madame” Clinton.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


100 anos do nascimento de Jorge Amado: Os “Subterrâneos” de um renegado

Quase todo militante da esquerda brasileira, em seu mais variado espectro político, já leu no mínimo algum livro da vasta obra literária de Jorge Amado. Ele definitivamente desperta paixões e ódios... Até porque, enquanto esmiuçava os dramas das bárbaras desigualdades do Brasil e edificava na literatura “heróis revolucionários” como Luís Carlos Prestes, fazia aberta campanha em defesa dos expurgos stalinistas, atacando política e moralmente vários dirigentes que rompiam com as diretrizes centrais do PCUS. O exemplo mais célebre foi sua campanha contra Hermínio Sacchetta, dirigente do Comitê Regional do PCB de São Paulo na imperdível trilogia “Os Subterrâneos da Liberdade”. Na obra, Amado retratou Sacchetta na figura do renegado e traidor policial Abelardo Saquila, porque na vida real este era acusado no interior do partido de ter cometido o crime político de demonstrar alguma simpatia pelo “trotskismo”. Sacchetta acabou expulso do PCB com a ajuda da pena servil, eficiente e respeitada do escritor baiano. Jorge Amado, que hoje, 10 de agosto de 2012, completaria 100 anos de nascimento e tem nestes dias exibido na tela global uma nova adaptação (mal) inspirada em seu romance “Gabriela Cravo e Canela”, foi elevado pela mídia capitalista ao panteão de um dos mais importantes escritores brasileiros não “simplesmente” por suas inegáveis qualidades literárias; ao contrário, recebeu esse prêmio justamente porque rompeu com o comunismo ainda em vida, usando todo seu prestígio para atacá-lo violentamente do ponto de vista político e ideológico. Com esse passaporte chegou a ser um dos maiores “apoiadores culturais” do coronel baiano ACM, homem forte da ditadura militar no estado, que consolidou ainda mais seu poder em plena “Nova República” de Sarney, figura asquerosa que parece mais uma cópia dos arquirreacionários políticos tradicionais tão denunciados nas magistrais obras do próprio Amado. Os “subterrâneos” da trajetória de Jorge Amado, que chegou a ser deputado federal pelo PCB em 1945, conformando a histórica bancada do “Partidão” ao lado de quadros como Marighella, Amazonas e Prestes, mas acabou nos braços da burguesia revelam a involução política e cultural de um homem que deixou de servir ao stalinismo para prestar seus serviços diretamente ao capital.

Jorge Amado iniciou sua obra literária com “O país do Carnaval” em que retrata os problemas sociais de sua geração e ao mesmo tempo se torna membro do PCB nos anos 30. A partir dessa época começa um período de longa e tenaz produção literária em que aborda os dramas do Brasil e tramas políticas dos coronéis do Norte e Nordeste, jogando luz nos preconceitos sociais contra mulatos, negros, mestiços, da poderosa força religiosa dos cultos afro-brasileiros e das gritantes diferenças de classe nos seus romances, como “Cacau”, “Suor”, “Jubiabá”, “Mar Morto”, “Capitães da areia”, “A estrada do mar”, “Terras do Sem-Fim”, “São Jorge dos Ilhéus”, “Bahia de Todos os Santos”, “Seara vermelha” entre outros. Por outro lado, aprofunda-se o realismo socialista em obras como “O Cavaleiro da Esperança”, “O Mundo da Paz” e a trilogia “Os subterrâneos da liberdade” (“Os ásperos tempos”, “Agonia da noite” e “A luz no túnel”), em que defende a política de coexistência pacífica do stalinismo, sendo serviçal inconteste das ordens de Moscou, tanto que recebeu o Prêmio Stálin Internacional da Paz em 1951 pelo conjunto de sua obra.

Alcançando tanto prestígio político e cultural foi eleito para a bancada constituinte do PCB em 1945 e assume o mandato no ano seguinte. Mas, já em 1948 a legalidade do partido é cassada e Jorge Amado vai para um “auto-exílio” na Europa e depois conhece a URSS, quando escreve o livro “O mundo de Paz” e logo em seguida a trilogia “Os subterrâneos da Liberdade”. Com o PCB na clandestinidade, exilou-se por vontade própria em Paris e também morou em Praga. Já no Brasil, o antes servil homem de propaganda do stalinismo, rompe em 1955 com o PCB declarando que “Cumpri minha tarefa como comunista e abandonei o partido em 1955 porque não queria mais receber ordens” em uma clara diabrite pequeno-burguesa anticomunista, própria dos intelectuais que se acham acima da luta de classes. Saiu do Partidão dizendo que já sabia desde 1954 das atrocidades de Stalin, denunciadas publicamente em 1956 no XX Congresso do PCUS por Kruchov: “Mas na realidade deixei de militar politicamente porque esse engajamento estava me impedindo de ser escritor”. Já em 1956, depois de ganhar bastante dinheiro com a quinta edição de “O Mundo da Paz” o escritor proíbe reedições da obra, por agora perceber que o livro “trazia uma visão desatualizada da realidade dos países socialistas”. Na verdade, estava em curso um processo de profunda ruptura política e ideológica com o comunismo e de adaptação à democracia burguesa, tanto que ele declara: “A esquerda em geral não é democrata. Posso dizer porque fui comunista. Lutávamos confessadamente pela ditadura do proletariado, que resultou em ditaduras pessoais e violentas. Democracia não tem nada a ver com ideologia. Ou se é ou não é” e por fim proclama: “Atrevo-me a dizer que as ditaduras de esquerda são piores, pois contra as de direita pode-se lutar de peito aberto: quem o fizer contra as de esquerdas acaba acusado de reacionário, vendido, traidor”. Apesar de todo esse acometimento de “criticidade” ao stalinismo, nenhuma palavra sobre os ataques que ele próprio fez a Sacchetta, já que aí entra a vaidade do “deus” Jorge Amado e muito menos qualquer dedicação para colocar seu prestígio a serviço de uma construção partidária alternativa e a esquerda do PCB como fez Sacchetta que foi um dos fundadores do Partido Socialista Revolucionário (PSR), ligado a Quarta Internacional nos anos 40. Em 1957, em uma nota incluída em seu livro de memórias “Navegação de cabotagem” Jorge Amado escreveu: “A campanha de desestalinização come solta da União Soviética, não vai durar por muito tempo, a memória dos tiranos encontra sempre fanáticos a sustentá-la”. Na verdade, usando sua capacidade literária, um Jorge Amado completamente quebrado e corrompido ao capital estava se protegendo das críticas futuras quando iria se aproximar de políticos ligados à ditadura militar como Sarney e ACM.

Já em 1958 escreve “Gabriela, cravo e canela” claramente ainda difundindo o esquema herdado do stalinismo da ascensão da burguesia liberal contra os oligarcas mais retrógrados. Celebrado na vida real pela chamada “burguesia progressista” em plena ascensão do janguismo, Amado é eleito por unanimidade em 1961 para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. Com o advento do golpe militar de 1964 aprofunda sua condição de “escritor” não mais vinculado ao PCB, estabelecendo uma política de relativa boas relações com o regime dos gorilas que não o incomodaram, já que no máximo participa de alguns movimentos contra a censura prévia de livros ao lado do “liberal” Érico Veríssimo. Por isso pode livremente transitar entre o Brasil, a Argentina e a Europa, enquanto os militantes de esquerda eram mortos, torturados e perseguidos, sob o silêncio de gente como Jorge Amado!

Enquanto a ditadura militar tratou de aniquilar a esquerda que recorria à luta armada no fim dos anos 70, assassinado o ex-camarada de bancada parlamentar de Jorge Amado no PCB, Carlos Marighella dirigente da ALN, a TV Globo cooptou para seu núcleo cultural quadros quebrados ideologicamente ligados à esquerda domesticada como o Partidão (Mário Lago, Dias Gomes...). Não por acaso, em 1975 estreia o maior sucesso do escritor baiano na TV: a adaptação de Walter George Durst do romance “Gabriela, cravo e canela”, levada ao ar com direção de Walter Avancini, Sônia Braga no papel-título e Armando Bogus interpretando Nacib. Hoje, a burguesia e a Rede Globo em particular que acolheu o “novo” Jorge Amado ainda nos anos 70 se sente autorizada a “prostituir” totalmente sua obra na nova interpretação de “Gabriela” para TV, ao ponto de um prostíbulo do interior nordestino virar um verdadeiro “Moulin Rouge” parisiense. Também pudera, o escritor baiano que antes denunciava as oligarquias agora é homenageado pomposamente por elas!

Já no período da chamada “redemocratização”, a partir de 1985 o renegado Jorge Amado serviu figurativamente às oligarquias mais reacionárias e a transição conservadora que manteve a classe dominante que explora o povo pobre descrito em suas obras a frente da gerência do “novo governo civil”, papel que desempenhou até a sua morte em 2001, apesar de sempre proclamar que se mantinha totalmente afastado da “política”. Suas obras nesse último período (“Descoberta da América pelos Turcos”, “O Compadre de Ogum” ...) refletem um processo de alienação voltada para temas religiosos desvinculados de lutas sociais.

Neste exato momento, o presidente do Congresso Nacional, seu “amigo” José Sarney comanda no arquicorrupto e reacionário parlamento burguês as homenagens pelos 100 anos do nascimento de Jorge Amando e proclamou essas palavras lapidares “Jorge Amado é a mais forte presença de escritor na vida brasileira, não só por sua obra literária inigualável, mas por sua capacidade de agir para construir o bem”. A burguesia sabe homenagear aqueles que atacaram genuínos comunistas, serviram à política de colaboração de classes e colocaram sua genial capacidade artística e cultural a serviço de um “mundo de paz” para a classe dominante, enquanto povo pobre e os trabalhadores, assim como os marginalizados em geral, tão bem descritos nas obras de Jorge Amado povoam essas “terras do sem fim” vivendo miseravelmente em verdadeiros subterrâneos da barbárie capitalista!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Os que defenderam a frente única com Kadaffi para derrotar os “rebeldes” da OTAN na Líbia devem “votar em Chávez contra o imperialismo” na Venezuela?

As eleições presidenciais venezuelanas ocorrerão em 7 de outubro. Chávez está em plena campanha eleitoral contra o candidato apoiado diretamente pelo imperialismo, Henrique Capriles Radonski, herdeiro político dos golpistas de 2002 e, de fato, um dos que comandaram a tentativa de invasão da embaixada cubana em Caracas naqueles dias macabros. Esse quadro de profunda polarização política e ideológica ultrapassa as fronteiras da Venezuela e tem obrigado o conjunto da “esquerda” e os trotskistas revolucionários em particular a se posicionar, levando até mesmo setores críticos ao “Socialismo do Século XXI” a adotarem a posição de “votar em Chávez contra o imperialismo” porque, caso não a tomassem, estariam supostamente “fazendo o jogo da direita arquirreacionária”. Ainda que Chávez tenha grande vantagem sobre Capriles, segundo as últimas pesquisas eleitorais, chegando abrir 30% de dianteira, seu débil quadro de saúde, o fortalecimento da oposição de direita nas últimas eleições parlamentares e a própria campanha virulenta contra o “ditador venezuelano” promovida pela mídia “murdochiana” planetária, que copia o mesmo script golpista usado na farsesca “revolução árabe” contra Kadaffi e Assad, apontam para um futuro governo de crise e isolado internacionalmente. Esse quadro se agrava profundamente quando grande parte das ilusões das massas depois de 14 anos de mandato do caudilho bolivariano já se dissiparam, com os trabalhadores votando no “comandante” em grande medida como uma espécie de “mal menor” ante o retorno das oligarquias parasitárias direitistas ao Palácio Miraflores. Frente a essa complexa realidade, qual a posição dos revolucionários diante das eleições presidenciais venezuelanas? Os genuínos trotskistas, que ao contrário da canalha revisionista, defenderam o estabelecimento de uma frente única com o coronel Kadaffi para derrotar os “rebeldes” da OTAN na Líbia e combatem os mercenários do ELS na Síria que desejam por fim ao governo da oligarquia Assad para impor em Damasco um títere a serviço da Casa Branca, devem “votar em Chávez contra o imperialismo” nas eleições presidenciais de outubro?

Chávez adentrou ao Palácio Miraflores em 1998 como chefe de um governo capitalista e gerente dos negócios da burguesia à frente de seu Estado. Continua exercendo esse papel ainda que tenha entrado em choque com setores do empresariado que o apoiaram inicialmente e ter sofrido uma tentativa de golpe por parte do imperialismo ianque em 2002. Com a elevação do preço do barril, Chávez desenvolveu uma série de políticas compensatórias e de cooptação do movimento de massas que deram base social ao seu governo, ao mesmo tempo em que patrocinou um discurso nacional-populista. A ofensiva da oposição burguesa forçou Chávez em um primeiro momento a adotar uma fraseologia com traços cada vez mais anti-imperialistas, nacionalistas e populistas. Toda essa verborragia, porém, não se converteu em qualquer medida efetiva de expropriação das transnacionais e dos bancos, na negativa de pagar a dívida externa escorchante e na ruptura com o FMI.

Por outro lado, o presidente “bolivariano” vem entregando vários dirigentes militares das FARC para os cárceres fascistas colombianos. A colaboração entre os serviços de inteligência da Venezuela com o aparato repressivo da Colômbia, diretamente controlado pela CIA e que tem auxílio do Mossad, é responsável pelo sucesso de operações militares que levaram a morte de quadros das FARC, como recentemente a do comandante Afonso Cano e outros guerrilheiros. Alguma corrente política, ainda que tenha denunciado a conduta de Chávez, caracterizou que seu governo tenha se convertido em um peão do imperialismo na América Latina por conta desta colaboração vergonhosa com Santos e a CIA? Absolutamente! Muitos grupos apoiadores da farsesca “revolução árabe” como a CMI de Allan Woods que bradaram aos quatro cantos que Kadaffi era um “ditador sanguinário pró-imperialista” na Líbia sequer denunciam o apoio da Venezuela à perseguição as FARC e a prisão de vários de seus militantes pelo exército bolivariano! Para os revisionistas mais esquecidos, lembremos que o governo Chávez tem sido abertamente conivente com o assassinato de sindicalistas, principalmente aqueles que fazem oposição a seu governo, como foi o caso de três dirigentes operários da central venezuelana União Nacional dos Trabalhadores (UNT) que tiveram suas vidas ceifadas em 2008 ou os companheiros da Mitsubishi em 2009. A guarda nacional chavista reprime as greves e age em apoio aos grupos armados contratados pelos patrões para atacar os trabalhadores, principalmente nas greves que paralisam a produção de empresas transnacionais como Pepsi-Cola, Mitsubishi Motors Corporation... Se o critério “teórico” para definir o caráter do regime político como pró-imperialista for os contratos com as transnacionais do petróleo, então o governo Chávez seria por esta tese um dos mais fiéis aliados de Obama no continente! O governo da Venezuela, grande produtor de óleo, estabelece concessões muito maiores neste setor do que as praticadas na Líbia quando comandada por Kadaffi, inclusive com empresas norte-americanas como a Texaco, que mantém bases de extração e distribuição no país. Chávez nunca cortou o fornecimento de petróleo para os EUA. Existiria “prova” mais contundente do apoio de Chávez ao imperialismo ianque, que usa o petróleo venezuelano para manter suas guerras de rapina contra os povos? Para os marxistas revolucionários sempre esteve cristalino o caráter, alcances e limitações históricas de um regime nacionalista burguês, seja instaurado na África, Ásia ou América Latina. Chávez colabora com o imperialismo, assim como Kadaffi o fez, porque é da própria essência política do nacionalismo das classes dominantes estabelecer vínculos com o grande amo do Norte, mas a Venezuela mantém, como a Líbia mantinha, regimes de exploração de petróleo com uma grande reserva nacional, ou seja, do ponto de vista do Estado a participação da iniciativa privada é minoritária. Por esta razão se desenvolvem atritos permanentes com o imperialismo que considera estes países como “fechados e estatizantes”. A evolução (involução) do nacionalismo burguês do século XXI, no marco da etapa de profunda crise do modo de produção capitalista, o coloca cada vez mais próximo da estreita colaboração econômica e política com as metrópoles imperialistas, este frágil equilíbrio só se rompe quando o império decide atacar o país semicolonial no sentido de se apoderar do conjunto do botim, este foi o caso da guerra da Líbia e poderá ser amanhã o capítulo venezuelano.

Ao denunciar essas características do governo nacionalista burguês de Chávez, os genuínos trotskistas se delimitam dos revisionistas canalhas da UIT, representados no Brasil pela CST (PSOL), que lançaram a candidatura de Orlando Chirino à presidência pelo PSL (Partido Socialismo e Liberdade). Estes atacam Chávez pela ótica do imperialismo, chegando a afirmar que este “se auto titula um governo de esquerda, popular e democrático, mas se nega a apoiar as revoluções dos povos árabes contra seus ditadores. Chegando ao cumulo de defender os ditadores genocidas como Kadaffi, da Líbia, ou Bashar Al Assad da Síria, qualificando-os de ‘governos anti-imperialistas’” (sítio UIT, 07/08). Segundo a UIT, “Chirino, junto ao PSL, levantou valentemente o apoio à revolução dos povos árabes e denuncia os massacres perpetrados pelo ditador sírio Al Assad, enquanto o governo venezuelano o respalda”. Ao contrário desses revisionistas a soldo da Casa Branca, Chávez deve ser criticado justamente por só prestar apoio formal e demagógico à luta contra agressão imperialista da OTAN na Líbia e agora contra os “rebeldes” mercenários na Líbia, sem enviar armas, homens e apoio militar a esses países. Por ironia, os revisionistas que defendem o “Socialismo do Século XXI” como a CMI de Alan Woods, ou mesmo defenderam em um passado recente (LIT), são os mesmos que apoiam a tal “revolução árabe”, ou melhor dizendo, a contrarrevolução dos “rebeldes” comandados militarmente pela OTAN e politicamente por Barack Obama. Chávez sabe que a direita golpista está ávida para desferir um golpe letal contra seu governo. Esta manobra pode assumir a feição de uma falsa “mobilização democrática” tramada com a ajuda da CIA. O apoio do imperialismo aos “insurretos” monárquicos na Líbia “vendidos” ao mundo como “amantes da democracia” é o modus operandi que a Casa Branca pretende usar na Venezuela para colocar em marcha a contrarrevolução. Apoiar os supostos “rebeldes”, antes na Líbia e agora na Síria como faz a esquerda revisionista, seria o mesmo que se somar às orquestrações dos golpistas venezuelanos que também se dizem “inimigos da ditadura”, já que tanto na Líbia como na Venezuela essas forças políticas e sociais representam a contrarrevolução, assumindo o objetivo de liquidar conquistas históricas do proletariado.

Como nunca alimentamos falsas expectativas na farsa da “revolução bolivariana” não estamos “decepcionados” com a conduta do governo Chávez em seus 14 anos de mandato. Como nos ensinou Trotsky, devemos chamar as coisas pelo seu devido nome e falar a verdade às massas por mais amarga que seja. Isto nos exige a vigorosa denúncia de Chávez. O proletariado deve ter uma política absolutamente independente do nacionalismo burguês, estabelecendo unidades táticas e pontuais em casos concretos, como nos golpes fascistas e guerras de rapina imperialista, estabelecendo uma profunda demarcação de campos com a reação pró-imperialista que jamais deve ser confundida com o “movimento de massas”. Foi assim que os genuínos trotskistas fizeram estabelecendo uma frente única com Kadaffi na Líbia e assim o fazem na Síria hoje, o que nada tem a ver com prestar apoio político a esses governos burgueses de corte nacionalista e muito menos apoiá-los eleitoralmente. Os leninistas reafirmam a incapacidade da burguesia nacional em travar uma luta consequente contra o imperialismo e a reação doméstica pró-imperialista. Por esta razão, não criamos a menor ilusão em Kadaffi e seu covarde sfaff político-militar, como não fizemos com Chávez quando do golpe militar de 2002, apesar de lutar pela derrota da ação tramada por setores da FFAA e o imperialismo na Venezuela, inclusive em frente única de ação com os apoiadores do bolivarianismo, ainda que com total independência política frente a este movimento burguês.

Para os trabalhadores venezuelanos e latino-americanos, que acompanham atentamente a realidade venezuelana e buscam intervir de forma independente no desenrolar dos acontecimentos, deve-se abstrair a lição de que é preciso, desde já, preparar uma alternativa política dos explorados tanto ao chavismo decadente como à direita reacionária. É necessário preparar o terreno para a construção de um genuíno partido revolucionário capaz de enfrentar a onda de reação “democrática” ou mesmo a direita fascista no caso de um novo golpe “cívico-militar”, fazendo um combate programático completamente oposto à cantilena pregada por toda sorte de revisionistas de que está em curso uma “revolução” na Venezuela, cabendo agora mais do que nunca segundo estes senhores, com a doença do “comandante”, cerrar fileiras em apoio eleitoral ao governo burguês centro-esquerdista de Chávez. Como marxistas revolucionários alertamos que este é o caminho da derrota sangrenta nas mãos da direita reacionária. Longe dessa senda suicida, cabe aos trabalhadores defenderem pela via da ação direta suas conquistas e forjar um programa comunista proletário para a conquista do poder político sobre os escombros do Estado capitalista.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



Afundando a todo vapor, Haddad e outros companheiros petistas esperam por “boletins médicos” para se manterem vivos na corrida eleitoral às principais prefeituras do país

As primeiras pesquisas eleitorais em São Paulo vem revelando uma tendência já apontada pela LBI há pelo menos dois meses, ou seja, as candidaturas a prefeito do PT ligadas ao grupo de Lula e Dirceu foram abandonadas pelo anturragem política que circula em torno da presidente Dilma Rousseff. Em particular a candidatura de Haddad, bancada pessoalmente pelo líder maior do PT, vem sendo torpedeada abertamente pelo Palácio do Planalto, desde a renúncia induzida da deputada Erundina que postulava a vice na chapa de Haddad. Serra que conta com o apoio do “dilmista” Kassab, vem se mantendo discreto na luta fratricida que corrói as entranhas do PT. Agora, o novo lance do Planalto consiste em inflar a candidatura de Celso Russomanno pelo PRB, partido aliado da Igreja Universal e do falecido vice-presidente José Alencar. O PT paulistano espera ansioso a entrada de Lula na campanha de Haddad, mas esbarra com as restrições médicas impostas a saúde do ex-presidente. Novamente internado na última segunda-feira (06/08), a assessoria de Lula logo se apressou para divulgar um boletim médico liberando a presença do caudilho petista na campanha de seu afilhado político, mas o certo mesmo é que somente a gravação dos programas televisivos de Haddad contarão com a figura de Lula. A saúde debilitada do ex-presidente metalúrgico o impede de integrar o dia a dia político das campanhas petistas nas principais cidades do país, deixando a anturragem de Dilma livre para promover candidatos dos partidos da base aliada, principalmente PSB, PMDB e PRB. O quadro político do PT se complica ainda mais neste momento de ofensiva reacionária em torno do espetaculoso julgamento do chamado esquema do “mensalão”, pelo STF, onde o Planalto joga silenciosamente pela eliminação definitiva do “capo” José Dirceu, desafeto político da ex-“poste” Dilma.

O cálculo da “gerentona” neopetista é bem pragmático, quanto mais fraco estiver o PT em 2014, mais difícil será tentar barrar suas pretensões declaradas a uma reeleição, somado obviamente o elemento da própria fragilidade da saúde pessoal de Lula. Em uma conjuntura onde a burguesia nacional apóia a continuidade do projeto de colaboração de classe, gerando grande estabilidade social ao regime político, Dilma reúne todos os ingredientes políticos para postular seu segundo mandato, ancorada no alargamento do mercado de consumo e na ampliação da poupança interna. Como a nova “cadelinha” de Obama, Dilma vem alinhando a diplomacia do Brasil em uníssono com a ofensiva imperialista dos EUA contra os povos, o que a credencia muito mais que Lula junto a Casa Branca. Contando com o apoio frontal das classes dominantes nativas e do grande amo do norte, Dilma se considera suficientemente fortalecida para minar as bases sociais do PT, como vem demonstrando no ataque virulento às greves do funcionalismo federal, e buscar recompor um arco eleitoral com os partidos burgueses “tradicionais” que integram a frente popular.

A “oposição de esquerda” já saliva desesperadamente poder tirar algum proveito eleitoral da feroz disputa umbilical do campo petista. Com candidaturas burguesas bem colocadas em Belém e no Rio de Janeiro, o PSOL espera pelo menos se manter como um partido viável, no mapa das elites capitalistas deste país. Tanto Edmilson e Freixo não se descolam muito do velho “cardápio” das promessas de moralidade financeira e competência administrativa, que tanto agradam os ouvidos da opinião pública pequeno-burguesa, sem falar é claro do empresariado municipal. O tão “requintado” socialismo com liberdade destes senhores não passa da defesa das surradas reformas sustentáveis, no marco de uma estrutura capitalista em franca decadência histórica. Assim como as candidaturas do PT, PSOL e PSTU (na oposição parlamentar a Dilma) não ultrapassam o rubicão de classe, convocando a população explorada das periferias urbanas a romper a lógica do capital e da propriedade privada. No limite máximo de sua “plataforma eleitoral” burguesa os cretinos da oposição de esquerda orientam a população a um “repensar crítico do modelo”, sem ousar confrontar com as oligarquias dominantes que financiam suas campanhas “socialistas”. Triste e deplorável o papel cumprido pelo PSTU, um auxiliar desfigurado da política policlassista do PSOL, sempre a procura de uma vaguinha em alguma Câmara de Vereadores...

Os marxistas revolucionários não podem em hipótese alguma, mesmo que extremamente minoritários, serem confundidos com os “grilos conselheiros” do PSTU. Uma política classista para as eleições burguesas nada tem a ver com a defesa do “apoio crítico” a projetos de mini-frente popular, como fazem os Morenistas entusiastas apologistas da intervenção da OTAN nas guerras civis da Líbia e Síria. No atual quadro eleitoral posto no cenário nacional “emprestar” um voto político sequer no PSTU, significa chancelar todo o programa das “reformas possíveis” levantadas pelo PSOL. É bem verdade que alguns charlatães do “trotsquismo fictício”, que tentam em vão piratear o genuíno programa leninista, já falam em apoiar “criticamente” o PSTU, na medida em que este se apresente sem as coligações com o PSOL e PCdoB, como se pudessem assim “purificar” as traições do revisionismo.

Para os Bolcheviques que não puderam se apresentar institucionalmente nestas eleições, por conta de uma legislação draconiana, a política que melhor expressa a publicidade pela revolução socialista e a auto-organização do proletariado é a defesa do voto nulo ou de boicote ativo eleitoral, dependendo das circunstâncias concretas de cada município. A agitação pelo voto nulo em nenhuma medida deve ser confundida com a política anarquista, contra a utilização da tribuna eleitoral para a propaganda revolucionaria. Devemos aproveitar o debate eleitoral nas escolas, ruas e bairros proletários para demonstrar a nulidade destas eleições como via para obter a menor conquista social e denunciar o caráter fraudulento desta democracia dos ricos, onde a verdadeira soberania popular há muito foi “sequestrada” por um seleto clube de “eleitores” empreiteiros, industriais e latifundiários.

Convocamos, desde as modestas forças políticas da LBI, a todos os coletivos classistas e ativistas combativos do movimento de massas a desenvolverem em frente única conosco, uma campanha nacional e ativa pelo voto nulo e em defesa da revolução socialista mundial. Neste sentido, chamamos a organização de um encontro nacional antes do primeiro turno (possivelmente na cidade de São Paulo), para que possamos potenciar coletivamente o processo de agitação e denúncia deste regime democratizante e suas eleições fraudulentas. O voto nulo passivo, sem a demarcação programática vigorosa e necessária com as variantes da política burguesa e reformista, só reforça as tendências de despolitização das massas e sua inação diante de nossos inimigos de classe.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Massacre no templo sikh, mais uma expressão da onda neonazista que assola os EUA sob os auspícios do “falcão negro” Obama

No domingo (5/7) um homem invadiu o templo sikh na cidade de Oak Creek (Winsconsin) nos EUA e atirou na multidão que assistia a um culto religioso, causando a morte de seis pessoas e dezenas de feridos. Logo em seguida foi morto em tiroteio com a polícia. Trata-se de mais outro massacre em menos de duas semanas, quando no dia 20 de julho passado 12 pessoas foram mortas dentro de um cinema no subúrbio de Denver, também nos Estados Unidos. No entanto, um elemento chama a atenção, ambos atiradores representam uma tendência latente dentro do regime político ianque: a da expansão política do neonazismo como produto de uma época de barbárie e de guerras de rapina colonial perpetradas pelo império, um caldo de cultura propício para o crescimento e fortalecimento da ultradireita em todo o planeta, ao contrário do que apontam os “catastrofistas” do trotsquismo que dizem que o mundo atravessa uma “onda revolucionária”. No caso da matança dos sikh, trata-se de uma clara perseguição racial-política, uma vez que o agressor assassinou-os porque se parecem física e culturalmente com fundamentalistas islâmicos (turbante e barbas longas), os quais encarnariam o “eixo do mal” como definiu o carniceiro George Bush filho ao desencadear a sua cruzada anti-islâmica em 2001, após os ataques às Torres Gêmeas, sanha hoje aprofundada pelo “falcão negro” Obama.

Wade Michael Page, quem atirou contra os sikh, foi membro do Exército americano, um veterano especializado em operações psicológicas, as quais consistiam em influenciar/convencer pessoas a defender os interesses ianques, o que por si só já dá uma dimensão da doutrina e dos valores ideológicos que imperam entre os neofalcões da Casa Branca. Frustrado com o fim da carreira militar, tratou de se vincular a grupos “supremacistas” brancos e a fim de difundir sua doutrina se valeu de bandas punks racistas, afirmando que “o valor da vida humana tinha se degradado”. Cada vez mais o próprio capitalismo cria fenômenos deste ripo face à ausência do ascenso operário no cenário político em todo o mundo. Uma classe média decadente e descontente com os rumos da crise estrutural do capitalismo são as raízes das profundas tendências à fascistização dos regimes políticos (Portugal, Espanha, Grécia...) e com isto dá vazão a crimes de cunho neonazistas, particularmente nos EUA, o coração do mostro imperialista. Portanto, ataques como o que aconteceu contra o templo sikh, não são algo isolado, mas o resultado de uma época de ofensiva bélica e ideológica contra quem se coloque no caminho da sanha colonialista do império ianque.

A tendência guerreirista do imperialismo é uma necessidade da dinâmica da acumulação capitalista, onde um Estado forte e belicoso é expressão mais cabal das atuais forças destrutivas da humanidade. Assim, cotidianamente, através dos meios de comunicação, somos bombardeados com a ideologia de que todos devem ser belicosos, individualistas e adeptos da superficialidade das “redes sociais”. Não há mais espaço para a coletividade dentro da atual conjuntura marcada pela subserviência ao “deus mercado”. A primazia do capital financeiro sobre a real produção é a essência da chamada crise econômica mundial. E toda a desorganização social que daí deriva está umbilicalmente ligada à indústria armamentista, para a qual os “barões” de Wall Street concentram todos seus “investimentos” culminando, não obstante, na “cultura” da belicosidade, o que torna os ataques de Columbine, Denver e agora ao templo sikh cada vez mais frequentes, uma vez que a violência e ódio de classe tem espaço em todas as pautas da imprensa “murdochiana” (OTAN massacra Líbia, mercenários “rebeldes” atacam a Síria...).

Somente a entrada em cena da classe operária, com uma direção revolucionária genuinamente comunista, poderá reverter esta “linha evolutiva” do capitalismo rumo à barbárie cultural e social. Neste momento, trata-se de resistir política e ideologicamente à onda neonazista que assola o planeta, inclusive superando as atuais direções políticas conciliadoras, completamente integradas ao establishment burguês e aos governos de plantão, as mesmas que bradam estar em curso uma “revolução” no Oriente Médio. A matança dos sikh, que em nome da supremacia racial branca, são identificados como adversários da cultura ocidental ianque é a expressão nua e crua dessa realidade!

Mercenários “rebeldes” a serviço da OTAN sequestram militantes iranianos
na Síria


Um grupo de 48 iranianos foi sequestrado a caminho do aeroporto de Damasco. Os responsáveis pela ação, os mercenários da Brigada al-Bara bin Malek, que faz parte do Exército Sírio Livre (ESL), os acusam de pertencer à Guarda Revolucionária iraniana e que estão na Síria para lutar ao lado do exército nacional. O governo do Irã logo desmentiu a informação acusando de tratar-se de uma clara armação para provocar ainda mais tensão com o país. Nesta terça-feira, 07/08, o Irã lançou um comunicado oficial afirmando que os Estados Unidos são responsáveis pela vida dos sequestrados, após os “rebeldes” mercenários sírios terem anunciado a morte de três deles. “A nota afirma que, levando em consideração o flagrante apoio dos Estados Unidos aos grupos terroristas e o envio de armas à Síria, o governo dos Estados Unidos é responsável pela vida dos 48 peregrinos sequestrados em Damasco”, afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdollahian. O fato é que os grupos armados apoiados pelas potências imperialistas e seus aliados regionais sequestraram iranianos e vem torturando e assassinando todos aqueles que simpatizam com o governo Assad. Frente a essa realidade está mais do que na hora dos países que se opõem em palavras à agressão neocolonialista contra a Síria (Irã, Rússia, China e Venezuela) forneçam armas e enviem brigadas anti-imperialistas ao país, assim como o Hezbollah e a resistência palestina ataquem Israel, que patrocina os mercenários do ELS.

As milícias populares que apoiam o governo Assad ou se colocam contra a agressão ao país devem exigir por sua vez que o governo sírio abra os depósitos de armas e munição para os militantes nacionalistas. Uma posição revolucionária neste exato momento passa por estabelecer uma frente única militar com as forças que estejam dispostas a lutar na defesa do atual regime, contra os rebelados da reação imperialista, com absoluta independência de classe do governo nacionalista burguês. Como vimos com a renúncia de Annan como “mediador” do plano de paz da ONU, que deixou o cargo exigindo a saída de Assad, o único caminho para derrotar a ofensiva contra a Síria é chamando a unidade anti-impetialista em nível mundial. As manobras diplomáticas da China e da Rússia para protelar a ação da OTAN estão, na verdade, servindo para que os EUA incrementem via Turquia, Catar e Arábia Saudita o envio de armas, homens e munições para os mercenários!

A agressão contra a Síria atravessa um momento muito peculiar, onde apesar das deserções no alto escalão do governo Assad como foi a fuga do primeiro-ministro Riad Hijab, que deixou o país em busca de exílio na Jordânia, os “rebeldes” não conseguem avançar sob Damasco e Aleppo exatamente pela absoluta carência de base social de apoio. Nesse sentido, o desenvolvimento de atividades internacionalistas que possam galvanizar a vanguarda de massas em apoio à vitória militar do exército nacional sírio sobre os “insurgentes”, apoiados logisticamente pela da OTAN, se impõe como uma tarefa prioritária para os bolcheviques leninistas.

Como trotskistas, defendemos incondicionalmente o direito da Síria a utilizar todos seus recursos militares (convencionais ou não) contra a agressão imperialista à soberania de seu território. Ao mesmo tempo, lançamos um chamado a todas as correntes se reivindicam anti-imperialistas sobre a necessidade da conformação de uma frente única de ação contra o imperialismo, mesmo delimitando as profundas divergências dos revolucionários com o governo burguês da oligarquia Assad ou com o regime nacionalista dos Aiatolás no Irã. O combate, como dizia Lênin, ao principal inimigo dos povos, o imperialismo, coloca como tarefa central dos genuínos revolucionários a derrota das tropas da OTAN e de seus “rebeldes” made in CIA que são apoiados por várias correntes revisionistas, como a LIT-PSTU. O estabelecimento de uma Frente anti-imperialista é concebida pelos revolucionários como uma frente única de ação com objetivos anti-imperialistas bem delimitados, sem a constituição de um bloco de apoio político comum com setores da burguesia nacional, como prega o stalinismo. Na mesma trincheira de luta anti-imperialista forjamos as condições para construir uma alternativa de direção revolucionária, independente das direções burguesas nacionalistas, que leve a cabo o combate consequente ao principal inimigo dos povos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Editorial do Jornal Luta Operária nº 240, 2ª Quinzena de Julho/2012

Julgamento do “Mensalão”: Reação pede a cabeça de Dirceu enquanto celebra pacto de não-agressão a Dilma

Desta vez a burguesia nacional caminha unificada em plena consonância com os objetivos políticos do atual governo da frente popular, estamos nos referindo ao julgamento, pelo STF, do escândalo batizado de “Mensalão”. Desde a eclosão das denúncias levantadas em 2005, duas eleições presidenciais ocorreram, com duas vitórias do PT, mais além de todos os prognósticos eleitorais apontarem uma inexorável terceira gestão petista a partir de 2014. Mas, ao contrário do que tudo indicava, ou seja, um arquivamento temporal do caso, o Procurador Geral da República, nomeado pela própria presidente Dilma, insistiu em apresentar a denúncia ao Supremo, exigindo a prisão de 36 réus, dos 38 acusados na participação do esquema do “Mensalão”. O “espetaculoso” julgamento do “Mensalão”, regido pela figura asquerosa do procurador Roberto Gurgel contrariava todas as tendências da conjuntura política abertas em 2010, com a derrota tucana, mas invertidas no final do ano passado com a súbita doença da liderança maior do PT, Lula. Em pleno início da gerência “poste” (2011), os protagonistas do chamado “Mensalão” estavam quase todos plenamente reabilitados. José Genuíno ganhava um alto cargo no Ministério da Defesa, Delúbio direito à refiliação ao PT com “festa” inclusa no pacote e José Dirceu retornava ao posto de “capo” da corrente petista “Articulação” (hoje “Campo Majoritário”) comandando parte dos “negócios” estatais assim como em 2003. O tucanato, posto na defensiva, não ameaçava ousar recolocar na pauta política do país das "maravilhas", o escândalo do “Mensalão”, um “brinquedo de criança” diante da privataria da Era FHC. Mas, o agravamento do quadro de saúde de Lula colocou na ordem do dia a rediscussão do caráter do “mandato poste” e em consequência a própria liderança do PT em um “cenário pós-Lula”. Dilma, a ex-“poste”, passa a travar o combate pelo seu segundo mandato, apoiada no bom desempenho da economia capitalista nativa (até o momento imune à crise financeira europeia) e na impossibilidade física do ex-presidente “metalúrgico”. Para isso, a anturragem do Planalto deveria se livrar de toda a influência política do grupo de Dirceu, primeiro minando seus “prefeituráveis” mais próximos e depois fornecendo todo o combustível estatal para o “termidor” Gurgel liquidar definitivamente as aspirações do “capo” Dirceu.

A determinação de Dilma em levar até as últimas consequências o linchamento público da direção petista, teve como ponto limite a isenção da figura de Lula em todo o processo judicial do “Mensalão”. A “revelação” de um esquema de corrupção estatal que deixa de fora o principal “gestor” do “Mensalão”, já demonstra o caráter completamente fraudulento deste processo. A tentativa do ex-deputado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, de incluir a participação dirigente de Lula no esquema de compra da base parlamentar “aliada”, foi rechaçada unanimemente pela burguesia e seus organismos de difusão. Lula deveria ser preservado, como foi de fato em 2006, ao contrário das figuras emblemáticas que simbolizavam o controle do aparelho petista. Partindo deste patamar de “acordo”, o governo Dilma liberou as hienas raivosas da mídia “murdochiana” para exorcizarem os fantasmas de um passado recente do país da emergência social.

Nos bastidores da política burguesa, o PT “sangra” com as denúncias do “Mensalão”, reclamam da “vendetta” da reação, ainda inconformada com a derrota em 2002. Na verdade, a “grita” dos dirigentes petistas tem uma forte razão de existir, afinal estabelecer um percentual na relação dos negócios de Estado, seja como uma parte financeira de contratos firmados com empresas privadas ou mesmo como desvio “maquiado” das empresas estatais, é uma prática secular não só do Brasil, mas em todos os países capitalistas do mundo. Nos anos 50, considerados os anos “dourados” do império ianque o governo republicano chegou a estabelecer institucionalmente taxas que os grupos econômicos teriam que pagar aos partidos políticos pela obtenção de contratos estatais. No Brasil “maravilha” do PT, as “taxas” cobradas pelos “capos” petistas eram as menores de toda a história recente da República. Os quadros “lumpens” do PT, como Silvio Pereira e Delúbio, chegaram a aceitar “espelhos e miçangas” na forma atual de “Land Rover” em troca de contratos obtidos junto às empresas estatais, uma migalha se comparada às comissões recebidas pelo tucanato de “alta plumagem”. Já a “compra” dos parlamentares com dinheiro operado pelo publicitário Marcos Valério sempre foi acertada pelo menor valor do “mercado”, gerando inúmeras queixas no Congresso Nacional. Depois de “economizar” milhões de reais do Tesouro Nacional, o PT sofreu uma verdadeira “traição” da burguesia, que mesmo beneficiada com um governo dos “incentivos fiscais e empréstimo a fundo perdido”, resolveu acusar o PT de corrupção de “galinhas”.

A “oposição de esquerda”, que reúne fundamentalmente o PSOL e o PSTU, vem por mais uma vez tentar capitalizar o escândalo do “Mensalão” do ângulo das próximas eleições, ou seja, da defesa estratégica da democracia burguesa e sua inexistente “ética” política. Para o PSOL o esquema do “Mensalão” resume-se a tradicional operação de sobra de caixa das campanhas eleitorais, o famoso “caixa dois”. Estes arautos da “probidade” desejam uma “condenação geral” a todos os partidos que utilizam a prática do “caixa dois”, inocentando o próprio Lula de comandar pessoalmente uma rede política para dar suporte estatal a um seleto núcleo da burguesia monopolista. Um pouco mais “radical”, o PSTU caracteriza o “Mensalão” como uma manobra de “desvio de recursos públicos”, chegando a aferir em “101 milhões” o tamanho do “esquema de corrupção”. Como marxistas, sabemos que o caráter das finanças do Estado burguês nunca foi ou será “público”, o Estado capitalista e sua gerência política, denominada de governo, não pertencem ao “povo”, nem diretamente e muito menos através de suas instituições representativas como o Parlamento. Como um verdadeiro comitê gestor dos negócios capitalistas, o Estado burguês acumula recursos financeiros para induzir e potenciar a economia de mercado, mesmo que em alguns casos atue pela via de empresas estatais. Portanto, os “recursos” do Estado, longe de serem “públicos” pertencem de fato a elite capitalista, que os utiliza como uma espécie de “fundo de reserva”. Apesar de pagar pesados impostos, tanto no consumo como nos salários, a população trabalhadora não tem o menor controle das “verbas públicas”, que de “públicas” não tem nada! O esquema do “Mensalão” continua vigente como método inerente de todo o Estado burguês, independente da alcunha recebida neste ou naquele momento político. Trata-se de “comissões” pagas pelos trustes econômicos a políticos, partidos e governos em troca de  contratos celebrados com o Estado. Neste aspecto, o PT “não inventou a roda”, apenas a azeitou com a sua política de colaboração de classes e pacto social implícito. José Dirceu não é “melhor nem pior” do que o outro José do PSDB, derrotado em 2002 e em 2010, apenas um “semelhante”  no universo da política burguesa.

A tentativa de considerar os “mensaleiros” como vítimas inocentes do PIG (Partido da Imprensa Golpista) não poderá convencer as “almas” mais ingênuas da nação. Se é verdade que a reação exige a cabeça da antiga cúpula do PT e seu “capo” maior, também é absolutamente correto afirmar que nesta pseudo “faxina” a presidente Dilma está envolvida até a medula. Trata-se da luta intestina no próprio campo da frente popular, utilizando-se de “amigos” para fazer o “trabalho sujo”. A vanguarda classista deve abstrair todas as lições programáticas deste episódio e jamais empunhar a bandeira da “ética e moralidade pública” como fazem os cretinos revisionistas do PSOL e PSTU. Como afirmou Lenin, o Estado burguês não pode ser “democratizado” ou tornar-se “público”, deve ser demolido pela ação violenta e revolucionária da classe operária. A corrupção não é um fenômeno episódico no regime capitalista, faz parte dos seus próprios mecanismos de acumulação privada de mais-valor. Somente a imposição de outra ditadura de classe, desta vez de caráter proletário, será capaz de iniciar a construção de uma nova sociedade com valores socialistas e fraternos.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Agentes da Polícia Federal anunciam greve... Qual deve ser a posição dos revolucionários?

O Conselho de Representantes da Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) na quarta-feira (1/7) indicou para que a greve nacional da Polícia Federal comece no dia 7 de agosto, cujos agentes reivindicam uma “reestruturação salarial” em equiparação ao que ganham os delegados. Assembleias realizadas em todo país até o momento, 13 das 27 entidades sindicais haviam decidido pela paralisação no dia 7. A Fenapef leva adiante a sua campanha em defesa dos agentes da repressão: “fortalecer a Polícia Federal é valorizar os que atuam na linha de frente contra o crime”. A PF, sob a égide do governo da frente popular, tem um papel bastante peculiar dentro do Estado burguês na condição de ser o seu braço armado que disciplina a feroz luta entre as diversas frações mafiosas burguesas que disputam o botim do Estado, como vimos na Operação Monte Carlo que prendeu Carlinhos Cachoeira. Assim, as reivindicações de aumento salarial e melhores condições de trabalho para os policiais federais estão voltadas para recrudescer ainda mais o regime político atual. Frente a essa realidade, os revolucionários devem apoiar a greve dos agentes da PF? O PSTU, por exemplo, afirma que sim, porque os consideram “trabalhadores fardados”, na verdade uma cortina de fumaça para encobrir sua capitulação ao regime. Como dizia Lenin, policiais não fazem parte da classe operária, são “um destacamento ideologicamente preparado para servir a burguesia em seu ódio de classe contra a população pobre”. As polícias, como um todo (PM, Polícia Civil, PF), apesar das suas diferentes atribuições, cumprem o papel de guardiãs da propriedade privada e da manutenção do regime político através da repressão sistemática ao movimento operário a serviço dos grandes capitalistas. No caso específico da PF esta ainda serve, ao lado da ABIN, como agente de repressão política as organizações de esquerda, função herdada da ditadura militar em plena atividade na “democracia” dos ricos.

A Polícia Federal, controlada diretamente pelo Planalto e apresentada como uma das mais importantes “instituições republicanas”, é composta por um seleto grupo de agentes que formam a elite da repressão nacional, sendo o corpo policial mais bem treinado e municiado do país, recebendo não só treinamento militar, como também uma severa doutrinação ideológica para a manutenção da ordem burguesa, sendo responsável pelo monitoramento e perseguição aos movimentos sociais. Nesta “república” dos barões da indústria e do capital financeiro gerenciada pela frente popular, realmente a Polícia Federal é uma “instituição” que serve aos interesses destes senhores. Por outro lado, o serviço de inteligência e de pressão da Polícia Federal, longe de voltar-se para combater somente a “criminalidade” e a “segurança pública”, como também acredita e apregoa a esquerda reformista, mantém a mesma estrutura de polícia política dos tempos da ditadura militar. Desta forma, o aumento dos soldos e a contratação de mais agentes fortalece e amplia a elite do aparato policial burguês.

Há, no arco da esquerda, quem defenda a “moralização” e aperfeiçoamento da polícia, como é o caso do deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL-RJ, defensor do BOPE e almeja “UPPs para todos”, o equivalente a reivindicar a repressão ao povo pobre desferida pelas “tropas de elite”. Nesta mesma trilha, segue o revisionismo trotskista (PSTU, CST, TPOR, EM, MR, OT...) o qual defende incondicionalmente as greves policiais por “melhores condições de trabalho e salários”. Neste sentido, é necessário denunciar que os morenistas do PSTU apóiam, por uma questão de princípio, a reacionária greve da PF, como salientam explicitamente em seu site: “Queremos, com esta nota, expressar nosso apoio aos policiais federais em greve. Nos dirigimos, ao expressar nossa solidariedade aos grevistas, aos seus sindicatos e à sua federação nacional. Mas nos dirigimos também a toda sociedade brasileira conclamando-a a apoiar decididamente esta luta” (site do PSTU), não importando que mais tarde estes “homens de farda” se voltarão contra o movimento operário. Embora não apóiem a reacionária greve da PF, que tem como reivindicação a melhoria das condições para que os “carrascos” reprimam melhor a classe trabalhadora e suas organizações, os revolucionários marxistas se opõem a qualquer medida punitiva contra os grevistas, uma vez que o estabelecimento de um clima de “caça as bruxas” pavimenta o caminho dos ataques contra a classe trabalhadora como a proibição do direito de greve dos servidores públicos.

Levando às últimas consequências este programa, a democracia dos ricos dispõe a seu serviço uma polícia mais “satisfeita e pronta para trabalhar com eficácia” se valendo de armas novas, munições, coletes, viaturas, na repressão contra o movimento operário e a população pobre. A política da chamada “oposição de esquerda”, neste sentido, só serve para legitimar o recrudescimento do aparato repressivo do Estado burguês, jogando areia nos olhos do proletariado em sua consciência de classe e, portanto, configura-se numa tremenda desmoralização ideológica destas correntes. Os cretinos do PSTU, por exemplo, chegaram inclusive a se perfilar ao lado dos nossos inimigos de classe ao chamar a solidariedade à greve (policial) dos estupradores e assassinos que massacraram a ocupação no Pinheirinho! Aliás, desgraçadamente nos dias atuais, não é de se espantar que todo um campo da chamada esquerda se poste ao lado da reação, como foi no caso dos bombardeios da OTAN à Líbia e o iminente ataque militar ianque à Síria...

Os revisionistas do trotskismo encaram aos agentes da PF, este braço policial da inteligência do Estado burguês como se fossem trabalhadores, mostrando que não seguem o mínimo critério de classe. Ao apoiar uma greve da Polícia Federal, o principal aparato repressivo de inteligência ligado diretamente ao governo federal, responsável pela infiltração, monitoramento, perseguição e repressão aos movimentos sociais no país, estes adotam uma política criminosa para a luta política dos trabalhadores, de colaboração com o controle do Estado capitalista sobre as organizações do movimento de massas, que deve ser rechaçada pelo ativismo classista. Os revolucionários defendem a destruição de todo o aparato repressivo das polícias através da ação consciente do proletariado e não a sua “dissolução” através da “moralização ética”. Defender qualquer reivindicação, greve ou fortalecimento desta máquina programada para matar significa romper a barreira de classe e, consequentemente, aliar-se com os assassinos do nosso povo explorado e oprimido. A “vitória” dos policiais inelutável e fatalmente culminará no fortalecimento dos organismos de repressão. Somente o armamento dos explorados e a democratização da instrução militar com a formação de milícias operárias voltadas para desarmar e expropriar os capitalistas pode destruir o Estado burguês e seu aparato repressivo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Kofi Annan, o “lobo em pele de cordeiro”,  abandona o posto de mediador do “plano de paz” da ONU na Síria e defende renúncia de Assad!

Depois de cinco meses implementando o suposto “plano de paz” da ONU para a Síria, que permitiu aos inspetores-espiões das Nações Unidas informarem com detalhes o Pentágono sobre o poder de defesa do exército nacional sírio e criar as condições políticas para apresentar o governo de Assad como suposto responsável pelo massacre de seu próprio povo, como por diversas vezes declarou o chefe da missão de “paz” no país, o ex-Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, anunciou nesta quinta-feira, 2 de agosto, que estava deixando o cargo de enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria. Durante a conferência de imprensa em Genebra onde anunciou que não era mais “mediador” da ONU para o conflito, Annan afirmou que “transição política significa que Assad deve partir mais tarde ou mais cedo” (Jornal de Notícias, 02/08). Não por acaso, a saída de Annan ocorreu às vésperas da votação de uma resolução na Assembleia-Geral da ONU que impõe novas e duras sanções a Síria, o que de fato significa um “sinal verde” para uma futura agressão direta da OTAN ao país, que já é alvo de ataques militares apoiados pelas potências imperialistas e seus aliados regionais (Turquia, Catar, Arábia Saudita...) através do envio de mercenários, armas e munições para derrubar o regime da oligarquia Assad e impor um títere em Damasco alinhado diretamente a Casa Branca e a União Europeia, como ocorreu na Líbia.

É preciso lembrar que o governo de Bassar Al-Assad assinou em abril um acordo com a ONU autorizando o envio de seus observadores-espiões à Síria sob a justificativa de supervisionar o cessar-fogo no país. O acordo foi mediado por Kofi Annan, representando a ONU e a Liga Árabe com o apoio da China e da Rússia, sendo aprovado por unanimidade pelo Conselho do Segurança (CS) das Nações Unidas. Mais de 300 observadores compuseram a missão. Como alertamos anteriormente, esta missão tinha como verdadeiro objetivo “monitorar” o governo sírio enquanto a debilitada oposição financiada pelo imperialismo se recompunha na fronteira do país com a Turquia, onde a OTAN montou uma base de apoio ao chamado ELS (Exército Livre da Síria), mercenários a serviço das potências abutres imperialistas. O acordo foi assinado pelo governo sírio, sob forte pressão da China e da Rússia, depois que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ventríloquo da Casa Branca, declarou em carta ao CS que a Síria não cumpriu suas obrigações determinadas por um “plano de paz” mediado por Annan que previa a retirada de tropas e armamentos pesados de áreas urbanas.

Segundo Kofi Annan, um lobo em pele de cordeiro, “Aceitei o risco porque acreditava ser meu dever fazer o máximo para ajudar os sírios a encontrar uma solução pacífica para o conflito sangrento. Mas, sem uma séria e unificada pressão da comunidade internacional, tornou-se impossível para mim convencer o governo sírio e a oposição a dar os passos necessários para iniciar o processo político. A transição política significa que Assad deve partir mais tarde ou mais cedo” (Jornal de Notícias, 02/08). Na verdade, enquanto Annan encenava seus “esforços de paz”, o cenário na Síria foi de avanço dos “rebeldes” pró-imperialistas, que fizeram vários atentados e foram armados até os dentes, como o apoio dos observadores-espiões da ONU. Quanto o drone da OTAN, avião não tripulado, lançou um míssil que matou o alto escalão militar do governo Assad, a ONU apenas lamentou o ocorrido e seus países membros aproveitaram o ataque para incrementar a ofensiva sobre o regime da oligarquia Assad. Neste momento, Annan mais uma vez fez o jogo do império, lavando a cara dos verdadeiros responsáveis pelo banho de sangue imposto no país a serviço da sanha colonialista das grandes potências.

Ao anunciar sua saída do cargo de “mediador” da ONU, Annan escreveu um artigo no jornal Financial Times defendendo que Assad deve deixar o governo em nome da “paz” e de uma “transição democrática”. Segundo ele “os países precisam se comprometer com uma solução política - Rússia, China e Irã de um lado e Estados Unidos, Reino Unido, França, Turquia, Arábia Saudita e Catar do outro, visando um governo de união nacional após a saída de Assad”. Agora a tendência é que os 150 observadores-espiões da ONU se retirem da Síria até o final de agosto, pois já cumpriram sua missão de facilitar o trabalho dos mercenários e as investidas dos “rebeldes” pró-imperialistas se intensifiquem, com mais ataques como vem ocorrendo em Damasco e Aleppo. Neste cenário, a pressão da Rússia e da China sobre Assad por uma “transição política” que tenha como condição sua renúncia também irá aumentar seriamente. Até o momento Rússia e China vetavam uma agressão militar direta usando como pretexto a aplicação do “plano de paz” da Annan. Agora, sem poder utilizar esse recurso político diplomático, Pequim e Moscou tentarão fechar um acordo com Washington que permita a renúncia de Assad sem a necessidade de uma intervenção militar direta da OTAN, visando assim preservar seus interesses econômicos no país. Ainda há resistência do grosso da burguesia síria e de sua base social, incluindo o Hezbollah e a resistência palestina, a essa “saída de consenso”, que abre o caminho para novas investidas do imperialismo cujo alvo principal é o Irã. Justamente por isso, a Rússia acaba de enviar mais navios de guerra para sua base militar em Tartus, na Síria, visando barganhar um acordo com a Casa Branca em melhores condições. Vale lembrar que a Síria é a principal posição para a presença russa no Oriente Médio e Damasco comprou no ano passado o equivalente a 1 bilhão de dólares em armas da Rússia ou 8 por cento do total das exportações bélicas de Moscou. Por isso, a Rússia lamentou a saída de Annan: “Ele é um mediador honesto, mas há os que o desejam tirar do jogo para desatarem suas mãos para o uso da força. Isso já está claro”, disse o vice-chanceler Gennady Gatilov.

Diferente do que apresentam a Rússia e a China e mesmo aqueles que se dizem “defensores da soberania da Síria frente à ingerência do imperialismo”, Annan nunca foi um aliado contra as investidas dos EUA e da União Europeia. Ao contrário, em nome de um fracassado “plano de paz” permitiu o incremento bélico dos “rebeldes” pró-imperialistas. Para derrotar a ofensiva política e militar das potências abutres e de seus aliados internos é preciso que o proletariado sírio em aliança com seus irmãos de classe do Oriente Médio se levante em luta contra a investida imperialista na região, travestida pela retórica de defesa dos “direitos humanos e democracia”. Neste momento é fundamental estabelecer uma clara frente única anti-imperialista com as forças populares que apoiam o regime nacionalista burguês sírio assim como com o Hezbollah para derrotar a ofensiva da OTAN e da ONU sobre o país. Combatendo nesta trincheira de luta comum, os revolucionários têm autoridade política para rechaçar inclusive as concessões feitas pelo governo de Bashar Al-Assad a esses organismos imperialistas que pretendem subjugar o país, forjando no calor do combate as condições para a construção de uma genuína alternativa revolucionária as atuais direções burguesas que via de regra tendem a buscar acordos vergonhosos com a Casa Branca.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 240, 2ª Quinzena de Julho/2012


EDITORIAL
Julgamento do “Mensalão”: Reação pede a cabeça de Dirceu enquanto celebra pacto de não-agressão a Dilma


PARA OS CAPITALISTAS TUDO...
Dilma anuncia “pacote de bondades” para os empresários enquanto impõe arrocho salarial!


CARLINHOS CACHOEIRA E A FRENTE DE ESQUERDA
Os falsos vestais do PSTU “desconfiam” da honestidade do “vereador socialista Elias Vaz”


NO MUNDO UMA REVOLUÇÃO “EM CADA ESQUINA”...
No Brasil, Conlutas-PSTU se nega a convocar greve com ocupação de fábrica para barrar as demissões na GM!


QUASE TRÊS MESES DE PARALISAÇÃO NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS...
Romper com a política do ANDES de greve ordeira e pacífica para derrotar o arrocho salarial imposto por Dilma!


URBANITÁRIOS - CEARÁ
Chega da dominação por 30 anos do grupo de Sérgio Novais (PSB) à frente do Sindiágua! É hora da mudança!


PENTÁGONO EM VISITA MACABRA
Leon Panetta vai à Tunísia e ao Egito saudar a vitória da “revolução” made in USA


OBAMA CELEBRA UM NOVO ACORDO MILITAR COM O GENDARME DE ISRAEL
O segundo passo da escalada imperialista contra a Síria e Irã


REAÇÃO ANTI-IMPERIALISTA
Armas químicas do arsenal militar da Síria devem apontar contra Israel e os saqueadores da OTAN


VIOLENTA GUERRA CIVIL NA SÍRIA
Em que trincheira do combate os trotskistas devem estar?


DE VOLTA O NEONAZISMO IANQUE
Os ecos de Columbine


RAJOY APROVA “PLANO DE AJUSTE” NA ESPANHA
Manifestações carecem de uma perspectiva classista e revolucionária!


IMPRENSA REVOLUCIONÁRIA
LBI participa da reunião anual da SBPC realizando uma importante campanha de assinaturas do Jornal Luta Operária


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA