sábado, 8 de dezembro de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 248, 1ª Quinzena de Dezembro/2012
 
 
 
EDITORIAL
Rentistas internacionais atacam pela retração do PIB, exigindo o retorno dos juros altos
 
 
PARA TER A BENÇÃO DA BURGUESIA EM 2014...
Dilma “rifa” Lula e o PT com a Operação “Porto Seguro”
 
 
“OPERAÇÃO PORTO SEGURO”
Dilma aciona PF para perseguir “affair” de Lula como parte da “faxina” contra o núcleo histórico do PT
 
 
A MONTANHA PARIU UM RATO
Por que o PT “amarelou” na CPI pizza do bicheiro Cachoeira?
 
 
POSSE NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
Burguesia promove megafesta para seu pop star Joaquim, o novo “homem do povo”
 
 
O MARACANÃ É “DELES”
Sérgio “Caveirão” anuncia doação do estádio a Eike Batista, o novo barão capitalista aliado da frente popular
 
 
NOVO ESCÂNDALO DE CORRUPÇÃO DO PT
“Operação Águas Claras” respinga lama no Deputado José Guimarães, o “Capitão Cueca”, alvo de chantagem da oligarquia “socialista” dos Ferreira Gomes
 
 
MÍDIA MURDOCHIANA À CAÇA DE BELCHIOR
Agora a boa música brasileira é tratada como caso de polícia
 
 
OSCAR NIEMEYER
Morre o último “amigo” do velho “Partidão”
 
 
SINDICALISMO “CHAPA BRANCA”
A cumplicidade e o silêncio da direção do Sindiágua diante das denúncias de fraude no contrato da Cagece com a Allsan
 
 
PERSEGUIÇÃO AOS LUTADORES CLASSISTAS
Governo da oligarquia “socialista” dos Ferreira Gomes ameaça demitir o companheiro Antonio Luiz, dirigente da Oposição do Sindiágua
 
 
A “PAZ” DOS CEMITÉRIOS NA COLÔMBIA
Mais 20 guerrilheiros mortos pelo exército depois que as FARC anunciaram um “cessar fogo” unilateral
 
 
7D
Adiamento da aplicação da “Ley de Medios” demonstra a impotência de CFK diante de sua “fritura” pela burguesia
 
 
20N
Um “paro nacional” que consolida a ampla aliança entre a direita argentina, a burocracia sindical mafiosa e os revisionistas do trotskismo
 
 
MAIS UMA FARSA NA ONU
Abbas e uma ala do Hamas abrem mão da defesa do Estado palestino, suplicando que este covil imperialista aprove “status” de bantustão cercado pelo enclave sionista
 
 
RESISTÊNCIA PALESTINA EM XEQUE
O verdadeiro significado da “trégua” entre o Hamas e Israel negociada pelo Egito
 
 
IRMANDADE MUÇULMANA A SERVIÇO DO IMPERIALISMO
Governo do Egito impõe que o Hamas decrete “cessar fogo” unilateral para preservar o enclave terrorista de Israel
 
 
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL PALESTINA LIVRE - I
Delegação do Comitê Central da LBI chega a Porto Alegre para defender a luta por uma Palestina Soviética
 
 
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL PALESTINA LIVRE - II
O combate dos bolcheviques para destruir o enclave sionista
 
 
FÓRUM SOCIAL MUNDIAL PALESTINA LIVRE - III
Folheto “A Primavera Árabe contra a Intifada Palestina” desperta grande interesse
 
 
LANÇADA NOVA PUBLICAÇÃO DA LBI
A “Primavera Árabe” contra a Intifada Palestina
 
 
LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


7D: Adiamento da aplicação da “Ley de Medios” demonstra a impotência de CFK diante de sua “fritura” pela burguesia

Nesta quinta-feira, 06 de dezembro e, portanto, na véspera do chamado 7D, data em que entraria em vigor integralmente a “Ley de Medios” na Argentina, os juízes Francisco de las Carreras e María Susana Najurieta, da Câmara Civil e Comercial Federal, decidiram prorrogar a medida cautelar que beneficia o Grupo Clarín, mantendo suspenso o Artigo 161 da lei “até que se dite uma sentença definitiva”. O artigo em questão determina que as empresas com número de licenças superiores ao permitido pela nova regulação vendam o excedente para se adequar. A lei define que uma empresa pode ter no máximo 35% do mercado em nível nacional e 24 licenças (atualmente, o grupo monopolista detém 240), sendo dono de 41% do mercado de rádio, 38% da TV aberta e 59% da TV a cabo. A decisão tomada pelos juízes é muito mais profunda que as denúncias de que estes haviam viajado para Miami inteiramente bancados pelo Clarín, que agora se utiliza dos seus préstimos. Trata-se de um processo de claro isolamento do governo de CFK, que se encontra debilitado depois do 8S, 20N e do “paro nacional” que uniu desde a arquirreacionária Sociedade Rural até os revisionistas do trotskismo. O adiamento da aplicação da “Ley dos Medios” ocorre no marco dos protestos organizados pela extrema direita “sojera” em aliança com a reação portenha, a burocracia sindical mafiosa e a “esquerda” pseudotrotskista (PTS, PO, IS...). Estas “mobilizações” tiveram como eixo o descontentamento da alta classe média com as recentes iniciativas da presidenta Cristina Fernandez Kirchner, ainda mais neste momento em que enfrenta uma verdadeira guerra dos barões da mídia no curso de medidas como a estatização da YPF e de um maior controle institucional dos meios de comunicação. Incomodada com a possibilidade de uma mudança na legislação eleitoral que permita um quarto mandato para os “K”, a reação argentina resolveu incrementar sua ofensiva, no que está sendo plenamente vitoriosa.

Sem dúvida, a “Ley dos Medios” é uma medida que apenas passa o controle de parte dos meios de comunicação para outros grupos midiáticos alinhados com o governo de CFK, o que de fato não significa a “democratização” da mídia, já que ela permanece sob o controle das frações burguesas. Porém, até mesmo esta medida não pode ser levada adiante porque o kirchnerismo vem perdendo espaço político junto à burguesia que deseja uma renovação de seu eixo político para forças mais à direita. Em meio a uma sórdida campanha movida pela reação, se levantaram cinicamente as vozes mais sinistras e conservadoras em defesa do direito a liberdade de imprensa. Perfilaram-se nesta santa cruzada todos os oligopólios de comunicação do planeta, justamente os que fazem, sob o capitalismo, deste direito democrático, apenas uma peça de ficção para o proletariado e demais setores explorados da sociedade. Neste cenário de profunda polarização política, Cristina sofreu mais uma derrota, já que o adiamento da aplicação da “Ley dos Medios” fortalece os setores abertamente pró-imperialistas da burguesia que almejam substituir a gestão nacional populista dos K por uma administração ainda mais alinhada a Casa Branca, em uma disputa que já começa nas eleições regionais e parlamentares de 2013.

Por outro lado, é preciso ter claro que a defesa de um marco regulatório da mídia, apresentado pelos setores políticos que apoiam o governo CFK, como via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos de jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas” que apoiam incondicionalmente o governo de Cristina. É impossível existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como faz corriqueiramente o Clarín e o La Nación, assim como os aliados de CFK, a exemplo do Página 12.

A mídia capitalista funciona como um verdadeiro aparelho ideológico do Estado, independente da coloração política do governo (gerente) de plantão. Em uma etapa histórica onde a ausência de referências socialistas, que foi agravada com a destruição contrarrevolucionária da União Soviética, a formação de uma “opinião pública” alienada e banal pela mídia capitalista passou a ser sua função estratégica para sedimentar a dominação de classe. Por isto, a guerra entre os barões da mídia e o governo CFK não é pela “liberdade de expressão” e sim pelo controle da informação e dos negócios. A “informação” dada pela grande imprensa, longe de ser imparcial, não passa de um cardápio ideológico burguês, preparado segundo as “melhores” receitas da elite mais reacionária. A única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através de seu “quarto poder” aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta. Para lutar consequentemente contra a investida da direita deve-se agir de forma oposta do que pregam os revisionistas do trotskismo, que se aliam a reação contra o governo CFK. É necessário dirigir-se à classe operária, aos camponeses e à juventude oprimida para que protagonizem de forma independente o combate social contra os ataques do governo e por suas reivindicações históricas mais sentidas na atual conjuntura, inclusive a defesa da mais irrestrita e completa liberdade de expressão e organização atualmente ameaçadas pelo recrudescimento do regime burguês.



O Maracanã é “deles”: Sérgio “Caveirão” anuncia doação do estádio a Eike Batista, o novo barão capitalista aliado da frente popular
 
O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral “Caveirão” (PMDB), anunciou recentemente o projeto de privatização branca do Maracanã através da concessão do estádio à iniciativa privada por um período de 35 anos. Na transação o valor estabelecido para o arremate do novo Maracanã é uma verdadeira pechincha, R$ 231 milhões dividido em 33 parcelas anuais de R$ 7 milhões. Para se ter uma dimensão desta verdadeira mamata, só com as reformas do Maracanã de 1999 até hoje, incluído a que está em andamento para a Copa do Mundo, já foram gastos cerca de R$ 1,5 bilhão dos cofres (público) do estado. O felizardo para receber a doação, garantida pela famigerada PPP (Parceria Público-Privada), está praticamente definido, nada mais nada menos do que o novo barão da burguesia no país, Eike Batista, avalizado plenamente pelos seus parceiros Sérgio Cabral e Dilma Rousseff. Ainda como parte do projeto de privatização do Maracanã está previsto a demolição de dois históricos equipamentos esportivos, o Parque Aquático Júlio de Lamare e o estádio de Atletismo Célio de Barros. Estão condenados ao mesmo fim uma escola municipal e o prédio do antigo Museu do Índio, hoje moradia de comunidade indígena.
 
Conhecido popularmente como Maracanã, palavra de origem tupi, nome de uma ave e de um rio que cruzava a Tijuca e São Cristovão, o estádio Mario Filho, jornalista irmão do dramaturgo Nelson Rodrigues, construído para a Copa do Mundo de 1950, foi por muito tempo o maior estádio do mundo, um verdadeiro templo do futebol por onde jogaram craques do quilate de Mané Garrincha. A grandiosidade do Maracanã era a marca emblemática do apogeu da massificação do futebol no Brasil, fenômeno incentivado politicamente pela burguesia, utilizando-se para isso do papal decisivo da mídia (inicialmente o rádio e depois a TV), para construção da identidade nacional da cultura do mono-esporte, importante instrumento ideológico de dominação dos explorados. Todos os estádios que estão sendo construídos ou reformados para a Copa do Mundo seguem o modelo padrão de PPP adotado no Rio de Janeiro. Enquanto os estados e a união garantem o banquete alocando os recursos para custear a execução das obras através de orçamento próprio ou financiamento via BNDES, o setor privado se locupleta desde as grandes empreiteiras com o superfaturamento das obras e até os grupos empresariais que recebem de mão-beijada a concessão para administrar os estádios. Nessa verdadeira farra do boi os capitalistas ganham a posse dos estádios participando financeiramente em média nas PPPs com menos de 30% do valor total das obras, a exemplo do Maracanã (RJ), Fonte Nova (BA), Castelão (CE), Arena das Dunas (RN) entre outros. Vale salientar que no caso do “Itaquerão”, estádio construído como propriedade privada do Corinthians, o clube paulista não entrou com um centavo, sendo custeado integralmente desde o terreno até a execução da obra pelo dinheiro público através das fartas tetas do BNDES e da prefeitura de São Paulo. Neste caso funcionou a parceria entre as máfias da CBF, através de Andrés Sanches, e do Palácio do Planalto comandado pelo então presidente Lula, torcedor declarado do Corinthians.
 
A chamada modernização dos estádios de futebol bancada com o dinheiro estatal é um grande negócio para a burguesia em todos os aspectos, inclusive na valorização do futebol, enquanto mercadoria, quer seja pelo aumento exorbitante preço dos ingressos, quer pelo crescimento da venda dos pacotes “Pay-per-view” dos canais fechados e da audiência das TVs abertas. Este vai ser mais um dos legados da Copa que a burguesia vai saborear, restando ao conjunto dos explorados o ônus de pagar a conta da orgia capitalista através do arrocho salarial, destruição das conquistas trabalhistas e cortes dos recursos públicos para as já precárias áreas sociais como a saúde e a educação. A doação do Maracanã a Eike é mais um capítulo deste engodo. Ele acumulou rapidamente um patrimônio pessoal de mais de cinquenta bilhões de reais à custa da “generosidade patrimonialista” do Estado brasileiro. Foi na gestão da frente popular que Eike deu um salto em seus negócios, tornando-se o empresário mais rico do país. Lula tinha um projeto de “criar” uma nova burguesia brasileira, escapando das chantagens da decadente elite dominante da FIESP tucanada. O “casamento” dos interesses de Lula e Eike resultou em uma parceria para desenvolver megaprojetos bancados pelo BNDES, buscando aproveitar o excesso de liquidez do mercado financeiro internacional. Com o BNDES na função de seu avalista privado, Eike desenvolveu um verdadeiro império econômico no Rio de Janeiro (estaleiros, refinarias, siderúrgicas, indústria de motores, entretenimento etc.) que, todavia, ainda não está em pleno funcionamento. Como contrapartida a “ajudazinha” estatal, Eike se compromete com a fidelidade política e financeira ao PT e seus aliados mais próximos, este é o caso do governador carioca Sergio “Caveirão”.
 
Diante desse quadro, é tarefa do movimento operário entrar em cena com uma política de independência de classe frente aos governos burgueses de plantão e organizar a luta para barrar não só as privatizações dos estádios como o Maracanã, mas realizar uma crítica mordaz ao futebol-mercadoria a fim de fazer avançar o processo de educação da consciência dos trabalhadores, rechaçando todo o engodo que representa a Copa do Mundo de 2014. A submissão de uma nação que se diz soberana a um clube de mafiosos formado por Cabral, Eike, Aldo e Blatter, sob o pretexto de não prejudicar a “paixão nacional” pelo futebol, é apenas um dos elementos que marcam o caráter dependente ao imperialismo, dos governos do PT e seus aliados “socialistas”. A privatização do Maracanã prova que nosso futebol não resiste sequer à ingerência do país por uma quadrilha comandada por Blatter, Marín, Cabral e seus acólitos de menor quilate. Por sua vez, os comitês populares que vem se formando contra os desmandos da FIFA e da CBF, carecem de uma clareza programática e permanecem reivindicando a realização de uma “outra copa”, como se fosse possível conciliar a atual estrutura mercantil dos esportes com o entretenimento popular do futebol. Por este motivo os marxistas revolucionários devem declarar, sem medo da opinião pública, que nesta copa do futebol mercenário “torceremos” pela derrota de todas as seleções (incluindo a “canarinha”), aliando a denúncia ativa de massas das negociatas estatais da Copa do Mundo, que só levarão mais pobreza e infelicidade ao nosso povo.
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012


Oscar Niemeyer: morre o último “amigo” do velho “Partidão”

Morreu ontem, 5/11, o arquiteto Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade, vítima de complicações renais e desidratação aguda após 34 dias de internação em hospital no Rio de Janeiro. “Comunista” desde 1945, quando conheceu Luis Carlos Prestes e ingressou nas fileiras do PCB, na esteira da derrota nazista pelo Exército Vermelho na URSS e na tomada de Berlim, junto com uma cepa de intelectuais pequeno-burgueses. Mesmo assim, a mídia “murdochiana” elevou-o à condição de um dos maiores gênios criadores no Brasil e tem estampado em todos os seus jornalões a história de sua vida e obra. Foi, de fato, o arquiteto que obteve mais projeção no cenário mundial e que exerceu profunda influência na arquitetura moderna com seu pioneirismo da técnica do concreto armado, as curvas e os traços rápidos e simples desde a década de 40 do século passado, visão sintetizada neste breve pensamento: “Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein” (Almanaque Brasil). Adotou o curvilíneo como contestação às formas monótonas e repetitivas impostas pelo capitalismo segundo acreditava. Representante da antiga geração que simpatizava com a revolução bolchevique de 1917, foi um dos últimos amigos do velho Partido Comunista, a ele fiel até sua morte. Porém, como pequeno-burguês típico defendia a burguesia como possível agente do progresso, ao lado de Jorge Amado, Mario Lago, Dias Gomes... O lado progressista de Niemeyer veio à tona ao ter apoiado politicamente a URSS e a revolução cubana, estabelecendo laços de amizade com os Estados operários mesmo durante os ásperos anos da guerra fria.

Formou-se engenheiro-arquiteto em 1934 pela Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, passou logo em seguida a trabalhar como estagiário no escritório de Lucio Costa e Carlos Leão, ajudando-os a projetar dois anos depois o prédio do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, baseado nos conceitos do arquiteto francês Le Corbusier (o pilotis, a planta livre, a fachada livre). A primeira obra com sua marca pessoal foi o Complexo da Pampulha em Belo Horizonte, a convite do então prefeito da capital mineira Juscelino Kubitschek, inaugurando com força a técnica do concreto armado para dar luz às suas curvas até então na esfera das pranchetas. A partir daí não haveria freios à sua imaginação criativa. Já com fama internacional, fora convidado em 1947 a projetar a sede da ONU em Nova Iorque. Depois o Parque Ibirapuera, o Edifício Copan no centro da capital paulista (1951), prédios públicos da futura Brasília, Centro Cultural Le Havre na França (1982), Memorial da América Latina (1989) e toda uma vasta obra espalhada pelo Brasil e o mundo.

Contudo, não é preciso ser um “expert” em arquitetura para se constatar que a produção niemeyeriana encerra em si mesma uma visão pequeno-burguesa bastante clara: sua obra tem a finalidade de ser contemplada, não usufruída, ou seja, não serve para habitação, por exemplo. Vive sob o conflito entre a beleza e a funcionalidade, cuja maior preocupação é com a forma, deixando para trás o espaço interno, o elemento do conforto humano entra “de passagem”. Em outras palavras, suas construções não cumprem com o fundamental, que é a necessidade de moradia e bem-estar para a maioria dos trabalhadores. Em museus, igrejas, prédios públicos, as pessoas apenas transitam e “contemplam”, enfim, o homem é, nesta ótica, reduzido a um simples “adorno” que complementa a obra de arte. “Não sei por que minha arquitetura esteve sempre na área dos grandes edifícios públicos. E, como eles nem sempre correspondem a razões sociais justas, tento fazê-los belos, espetaculares. Com isso os mais pobres param ao vê-los, com espanto e entusiasmo. É o que, como arquiteto, lhes posso oferecer” (As Curvas do Tempo - Memórias, 1999).

Por outro lado, Niemeyer e seus companheiros de viagem, os intelectuais amigos do “Partidão”, atuam através de sua arte para difundir o programa que sempre defendeu o velho PCB, a da conciliação de classes e a crença na progressividade da burguesia brasileira. Dizia sem constrangimento que “Não me sinto importante. Arquitetura é meu jeito de expressar meus ideais: ser simples, criar um mundo igualitário para todos, olhar as pessoas com otimismo. Eu não quero nada além da felicidade geral” (site Revista da Semana). A política de “união nacional” do PCB nos anos 50 (na ilegalidade desde 1947) levou-o a defender o desenvolvimento do capitalismo no Brasil, e o apoio a JK nas eleições de 1955 foi um atalho neste sentido. Mais tarde, junto com Lúcio Costa (projeto urbanístico) iria colocar em prática a construção da nova capital federal em 1956, respaldando o programa desenvolvimentista do então presidente Juscelino. Novamente introduzem os princípios modernistas de Corbusier: prioridade para o automóvel (indústria automobilística em plena ascensão), a circulação de pessoas sob colunas de prédios, prédios iguais uns aos outros etc.

O caráter pequeno-burguês de Niemeyer ficou evidente após a chamada “Revolta dos Candangos” à época da construção de Brasília, quando centenas de operários se rebelaram contra as condições de trabalho subumanas. Operários da construção civil jogam a comida estragada no pátio do alojamento, iniciando a rebelião contra as péssimas condições de trabalho, muito próximas à escravidão. Policiais do governo, recrutados entre os mais grotescos e violentos homens da região, chegam ao alojamento atirando de maneira covarde e brutal. Vários foram mortos em acidentes de trabalho e, depois, centenas de revoltosos massacrados pela selvagem repressão policial. Foram “enterrados” sob as curvas de concreto armado que hoje formam o “Eixo Monumental” ou jogados no Lago Paranoá. Como pequeno-burgueses típicos, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa conscientemente não quiseram se comprometer, negando tudo ao serem questionados no excelente e raríssimo documentário “Conterrâneos velhos de guerra”, de Vladimir Carvalho (1991). Niemeyer afirma que não soube de nenhum massacre de operários nas obras de Brasília: “Eu não sei e não posso opinar sobre isso (sic!)... Eu não sei o que houve, como posso tomar posição... Para, desliga esta merda [a câmera que registrava a entrevista]”. Negaram com veemência o fato, apesar ter sido anunciado em todos os jornais do país à época.

Apesar da grandiosidade estética da obra de Niemeyer, os marxistas não podem ser abduzidos acriticamente pela mídia murdochiana que acalanta inúmeros elogios ao renomado arquiteto, mas execra ao mesmo tempo nomes “indesejáveis” e emblemáticos como Lenin, Marighella, Lamarca, Gregório Bezerra... Niemeyer morre deixando como legado a sua defesa inquebrantável do “Partidão” e dos Estados operários. Sendo, todavia, sua arte notadamente pequeno-burguesa em essência, viveu sob o paradoxo de jamais ter questionado diretamente a institucionalidade do regime capitalista, ou atuado militantemente organizado em defesa da revolução socialista violenta conduzida pelo proletariado. Por isso é benquisto e admirado pelo establishment nos dias atuais, marcados pelo profundo retrocesso ideológico das massas e ofensiva do imperialismo em todo o mundo.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


Por que o PT “amarelou” na CPI pizza do bicheiro Cachoeira?

A montanha pariu um rato, nunca o verbete do pensador romano Horácio se aplicou com tanta exatidão como na “defuntéria” CPI do bicheiro Carlinhos Cachoeira, o rei do cerrado. Quando da instalação da CPI os petistas anunciaram que estariam com “a faca e o queijo na mão”, portanto, a prisão do megainvestidor Cachoeira, conhecido pela sua atividade originária do jogo do bicho, colocaria na defensiva as mais importantes figuras da república, entranhadas na vasta rede de negócios do bicheiro. Na versão fantasiosa, disseminada na blogosfera da esquerda “chapa branca”, nomes como o ministro Gilmar Mendes, o procurador geral Roberto Gurgel entre outras “personalidades” seriam facilmente chantageadas pelos parlamentares petistas no comando da CPI “bomba”... que depois virou um traque. Mas a vida não seguiu a ficção petista, e foram estes que se colocaram em completa defensiva diante dos tubarões do “PIG” e seus nobres representantes na institucionalidade republicana. O deputado petista Odair Cunha, relator da CPI, acabou por retirar do texto final o indiciamento do procurador Roberto Gurgel e do próprio editor da revista “Veja” em Brasília, Policarpo Jr. Outros nomes de “peso” nem chegaram a ser cogitados no relatório final da CPI, que em seu fim melancólico assiste a libertação judicial do bicheiro Cachoeira e a iminência da prisão dos dirigentes históricos do PT. Os parlamentares petistas, com o mineiro Odair a frente da panaceia, que prometeram “blindar” os “mensaleiros” do seu partido da ira do PIG, só puderam mesmo livrar a cara do governador Sérgio Cabral, sócio de Cavendish dono da empreiteira Delta, prestando um grande favor a ala do PMDB do vice Temer.

A inoperância do PT nos últimos acontecimentos da conjuntura nacional salta aos olhos mesmo do mais inocente observador da política brasileira. Primeiro foi o julgamento do chamado “mensalão”, onde o governo Dilma municiava seus ministros do Supremo contra Dirceu e Genoino, depois a operação policial “Porto Seguro” com objetivo de enquadrar a punguista Rosemary Noronha, caso amoroso de Lula e por último o “presente” dado a Gurgel e Plicarpo pelo relator “amarelão” petista da CPI. A atual vertente "suicida" do PT só tem explicação na própria luta autofágica que o partido atravessa às vésperas da definição de seu candidato ao palácio do Planalto em 2014. A presidente “poste” deve seu cargo inteiramente a indicação que Lula fez ao partido em 2010, na ocasião Dilma afirmou que devolveria o posto a seu “padrinho” em 2014. Mas, a sedução pelo poder parece que mudou os planos iniciais de Dilma, que se aproveitando do debilitamento da saúde de Lula desencadeou uma operação de “caças às bruxas” ao núcleo dirigente petista, conhecido como “Articulação”.

A presidente Dilma buscou um distanciamento “seguro” e discreto dos velhos quadros petistas simpáticos à tese do retorno de Lula ao Planalto. Para “calçar” este movimento, Dilma procurou em outros partidos da “base aliada” do governo seu próprio alicerce político da reeleição. O PSB e o PMDB foram escolhidos pela presidente como interlocutores privilegiados em vários investimentos estatais de grande porte. Neste ponto, a parceria com o governador “Cabralzinho” foi estratégica, principalmente pelas suas estreitas ligações com o megaempreiteiro Fernando Cavendish. A construtora Delta passou a ser a principal operadora do PAC, criando uma rede de subsidiárias para a “lavagem” das comissões estabelecidas pelos políticos . Por razões óbvias, não seria o governo do PT que vai “atirar a primeira pedra” contra Cabral e seu sócio Cavendish, portanto, o “amarelamento” do deputado Odair Cunha tem sua explicação nos próprios bastidores do Planalto.

Como marxistas revolucionários sempre denunciamos os mecanismos das CPIs do Congresso Nacional como mais um instrumento de distracionismo político. Nesta CPI do Cachoeira, onde todo o arco político da burguesia estava envolvido, desde o PSOL até o DEM, ficou cristalino que a soma dos vetores políticos seria igual a zero! O movimento de massas que assiste atônito a espetacular ofensiva da reação midiática contra a esquerda e, no passo seguinte, contra as suas próprias conquistas sociais, não pode esperar do covarde PT nenhuma atitude de resistência a esta ofensiva da direita “golpista”. Também a chamada “oposição de esquerda”, PSOL e PSTU, são inteiramente cúmplices desta macabra operação política na medida que avalizaram os fascistas ministros do Supremo como “heróis nacionais”. A tarefa que se coloca para o movimento operário diante da ofensiva do capital e seus “togados” representantes é o da reorganização classista de sua vanguarda, através das comissões de base nas fábricas, empresas e escolas. Nenhuma confiança nas velhas direções políticas da esquerda reformista, comprometidas até a medula com as instituições apodrecidas deste regime da democracia dos ricos!
 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


Para ter a benção da burguesia em 2014, Dilma “rifa” Lula e o PT com a Operação “Porto Seguro”

Estamos vendo diariamente na mídia murdochiana uma ofensiva orquestrada contra o PT e Lula. Os jornalões, a Veja e a Rede Globo vêm preservando Dilma justamente porque querem abrir ainda mais o fosso entre a “gerentona” servil e seu doente padrinho político, um líder popular ainda forte no imaginário dos trabalhadores. Está cada vez mais claro que a estratégia é minar a imagem de Lula, “impor” ao PT a candidatura de Dilma em 2014 e preparar a transição para um outro eixo de poder político, ligado a oposição conservadora, em 2018. O fato do PSDB lançar Aécio Neves como candidato a presidente na mesma semana que estourou o escândalo envolvendo o “affair” de Lula (Rose) através da “Operação Porto Seguro” obviamente não é um acaso. A burguesia brasileira e seus barões já estão movendo as peças no jogo de xadrez da sucessão presidencial, tendo um amplo leque de opções que inclui também Eduardo Campos, Joaquim Barbosa e Marina Silva. Desejam reeleger uma Dilma completamente servil e cada vez mais frágil para assegurar esta transição “lenta, gradual e segura”, inexorável na medida em que os capitalistas pretendem desferir ataques de maior envergadura contra os trabalhadores e precisam de um governo mais à direita alinhado automaticamente com este objetivo, uma gerência que supere o acordo personificado por Lula em que a burocracia sindical cutista (e seus satélites) é intermediária do pacto de estabilidade do regime via a cooptação material e política. Este “modelo” deu certo até agora, mas a crise econômica mundial exige que o Brasil dê uma parcela maior de contribuição ao plano de ajuste e austeridade ditado pelo imperialismo, o que significa uma ofensiva mais profunda sobre direitos e conquistas dos trabalhadores.

É sintomático que já a mais de uma semana tenha estourado a “Operação Porto Seguro” e a esquerda mantenha um silêncio sepulcral. Obviamente não estamos falando do PT e PCdoB, que timidamente saíram em defesa de Lula. O PT inclusive fez uma reunião este final de semana “criticando a mídia”, mas simplesmente para marcar posição. Anunciou a eleição de sua direção nacional para 2013 e um “congresso programático” para início de 2014, onde deve selar a candidatura de Dilma a presidente, desfazendo-se dos planos iniciais de Lula voltar ao Planalto, justamente porque o ex-metalúrgico já jogou a toalha frente a última investida da PF e da Globo/Veja contra ele e seu “affair”. Estamos nos referindo a chamada “oposição de esquerda” encabeçada pelo PSOL e ladeada pelo PSTU e PCB. Ao que parece, estes partidos que apresentaram o STF como um tribunal “ético” acima das classes sociais e saudaram o julgamento do chamado “mensalão” que condenou Dirceu e Genoíno como um “marco histórico” (reclamando apenas que este também puna o PSDB o que será feito condenando possivelmente Eduardo Azeredo), esperam a mídia “fritar” ainda mais Lula e seu séquito corrupto para se somar a sanha da “oposição conservadora” (PSDB, DEM, PPS) e pedir a “cabeça” do ex-presidente, rifado por Dilma. Como desejam tirar algum dividendo eleitoral em 2014, querem ver o circo eleitoral pegar fogo para dentro das regras da democracia burguesa conseguir alguns postos parlamentares valendo-se de uma crise que esperam atinjam a popularidade do PT e o governo Dilma.

De nossa parte, os marxistas revolucionários que fazemos desde o início da gestão da frente popular, há mais de 10 anos, uma oposição de classe, operária e revolucionário aos governos Lula-Dilma, declaramos que os trabalhadores não têm nada a ganhar com esta ofensiva da mídia contra o PT. Ainda que caracterizemos que se trata de uma guerra de quadrilhas burguesas, sabemos perfeitamente que a ofensiva em curso visa estrategicamente atacar os direitos democráticos dos trabalhadores e suas parcas conquistas sociais. O engodo da “luta contra a corrupção e a moralidade pública” não passa de uma farsa para enganar ingênuos e atrair a classe média, ávida por ver alguém ser jogado na fogueira. Longe de uma “superação à esquerda” do PT como vende o PSTU ou o PSOL, a tendência na conjuntura nacional é que se fortaleçam alternativas à direita, que usando o discurso da ética na política, agrupem os setores mais reacionários, hoje debilitados no campo eleitoral.

O PT e a frente popular, até porque se converteram em sustentáculo do regime político burguês, são incapazes de enfrentar esta ofensiva. A “fuga” de Lula para a Europa, seu silêncio vergonhoso e as declarações ultra-defensivas de Gilberto de Carvalho e do Ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, ambos afirmando que o governo Dilma e sua PF “cortam na própria carne” demostram que nunca romperão o pacto de governabilidade pontificado com a burguesia e seus barões, preferindo serem rifados a entrar em confronto com seus amos capitalistas. É tarefa dos revolucionários fazer desde já a leitura que estamos vendo por em marcha os primeiros passos da transição de um governo de frente popular para uma coalizão de centro-direita não mais sob o comando do PT em 2018. O mais importante, porém, não é “apenas” saber que a burguesia irá trocar seus gerentes como parte de um plano estratégico mais global, mas que ela prepara um ataque profundo aos trabalhadores a ser desferido já no segundo mandato de Dilma, como parte da estratégia da classe dominante do continente, que deseja ver nos próximos anos, a começar pela Argentina, ascenderem governos alinhados com esta perspectiva. O 20-N, que teve o apoio dos revisionistas do trotskismo na Argentina, reflete bem esta trágica “aliança”. O silêncio da “esquerda” que não está no governo da frente popular se deve justamente porque ela, completamente sem rumo e norte de classe, espera passiva para ver se pode entrar de carona nos planos da burguesia. O PSOL, que já ofereceu legenda a Marina Silva e “namora” com Joaquim Barbosa, é um dos candidatos reais a tentar ser escalado para esta empreitada futura. Amapá e a vitória de sua ala fisiológica que teve o apoio do DEM e do PSDB mostrou o caminho. Nossa tarefa é justamente denunciar este engodo e forjar uma alternativa revolucionária dos trabalhadores, não visando uma perspectiva eleitoral, mas como um embrião da resistência direta e classista das massas frente ao horizonte sombrio que se prenuncia!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


A “paz” dos cemitérios na Colômbia: mais 20 guerrilheiros mortos pelo exército depois que as FARC anunciaram um “cessar fogo” unilateral

Pelo menos 20 guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) foram mortos durante um ataque do Exército colombiano neste final de semana a um dos acampamentos do grupo, na região de Nariño. A ofensiva militar ocorreu no município de Ricaurte, perto da fronteira com o Equador, no Sudoeste da Colômbia. Entre os mortos está um importante dirigente da guerrilha, Guillermo Pequeño. Foi a maior operação militar contra as FARC desde que as chamadas “negociações de paz” começaram em outubro. A Força Aérea bombardeou três acampamentos da guerrilha e atacou sua coluna móvel de combate. O chacal Manoel Santos ordenou o assassinato dos guerrilheiros após a direção das FARC anunciar em meados de novembro um “cessar fogo” unilateral até janeiro como um gesto de “boa vontade” para alcançar a “paz”. Tal ato foi apoiado por Fidel, Chávez e a maioria da esquerda mundial. Desde a LBI denunciamos que esta política de concessões vergonhosas está servindo para debilitar a guerrilha política e militarmente. Fica cada vez mais claro que a única “paz” que sairá destas negociações é a dos cemitérios, já que desgraçadamente as vidas dos heroicos combatentes das FARC estão sendo sacrificadas em nome de uma política que em nada serve para a luta revolucionária e, muito menos, para libertar a Colômbia do domínio da burguesia e do imperialismo.

No domingo, 02 de dezembro, Manuel Santos anunciou que as negociações dos primeiros acordos com as FARC deverão ser concluídas apenas em novembro de 2013. Ou seja, o chacal deseja mais tempo para ir eliminando a guerrilha, enquanto finge negociar, ou melhor, negocia na verdade a rendição das FARC. Não por acaso, os representantes do governo declararam que até agora as negociações foram “positivas”. Também pudera. Enquanto a direção da guerrilha declarou um cessar fogo unilateral, deixando seus homens como alvos fáceis do exército colombiano por vários meses, Santos ordena ataques aos acampamentos da guerrilha. Já foram mais de 100 mortos nos três meses de negociações. Segundo anunciou a direção da guerrilha em 19 de novembro: “O Secretariado das Farc, acolhendo o imenso clamor de paz dos mais diversos setores do povo colombiano, ordena que unidades da guerrilha em todo o país cessem todas as operações militares ofensivas contra forças oficiais, e também os atos de sabotagem contra a infraestrutura pública e privada, durante o período de 20 de novembro de 2012 a 20 de janeiro de 2013. Iván Márquez, chefe da delegação das FARC, declarou que “a decisão busca fortalecer o clima de entendimento necessário para que as partes possam negociar e alcançar o objetivo desejado por todos os colombianos”.

Não há dúvida de que estamos presenciando, com o aval vergonhoso da esquerda mundial, uma farsa montada justamente para eliminar fisicamente a guerrilha. As “negociações de paz” têm como consequência direta e prática não só o enfraquecimento político da guerrilha, mas a sua completa exterminação física, tendo em vista a experiência das próprias FARC, que na década de 80 deslocou parte de seus quadros para a constituição da Unidade Patriótica e impulsionou um partido político legal, tendo como resultado o assassinato de cerca 5 mil dirigentes pelas forças de repressão do Estado, pilar-mestre da democracia bastarda colombiana. Essa tragédia teve como base as mesmas ilusões reformistas hoje patrocinadas pela direção da guerrilha e o conjunto da esquerda. Ao narcotraficante regime burguês colombiano não interessa sequer a conversão da guerrilha em partido político desarmado, apenas sua extinção.

Ainda que consideremos justo que as FARC tomem medidas de autopreservação neste momento delicado do combate, pois a guerrilha tem todo direito de negociar a liberdade de seus presos políticos através da troca de reféns, definitivamente não é anunciando um “cessar fogo” unilateral o melhor caminho para se defender dos ataques do genocida regime colombiano, muito menos tendo ilusões de que este possa chegar a algum acordo com a guerrilha que não seja baseado na sua liquidação enquanto força política e militar. As “negociações de paz” com Santos e o conjunto das medidas anunciadas pelas FARC são apoiadas pelo conjunto da esquerda mundial e os governos “progressistas” da América Latina. Elas estão sendo tomadas no marco de uma enorme pressão “democrática” dos “aliados” da guerrilha, particularmente do governo Chávez e de Fidel Castro. Não por acaso, o mesmo Chávez que clama pela deposição das armas pelas FARC tem colaborado vergonhosamente com Santos na perseguição aos quadros políticos e militares da guerrilha, justamente porque o caudilho bolivariano deseja ter as FARC como moeda de troca em seus acordos com a Casa Branca, como se viu durante as eleições venezuelanas.

A morte de 100 guerrilheiros das FARC em apenas três meses já demonstra que a Casa Branca e seus títeres como Santos vem desferindo uma ofensiva global contra as forças políticas e regimes que lhe são adversários após a reeleição de Obama. Não por acaso, ocorreram os ataques ao Hamas na Palestina pelo enclave sionista. Os alvos imediatos são, além das FARC e do Hamas, a Síria e o Irã. Esse plano montado pelo Pentágono está em curso em uma escala global. Diante do cerco crescente neste momento de maior fragilidade das FARC, os marxistas revolucionários declaram seu apoio incondicional à guerrilha diante de qualquer ataque militar do imperialismo e do aparato repressivo de Santos. Simultaneamente, apontamos como alternativa a superação programática da estratégia reformista da direção das FARC baseada na reconciliação nacional com a oposição burguesa e a unificação da luta armada com o movimento operário urbano sob a estratégia da revolução socialista para liquidar o regime facistóide e organizar a tomada do poder pelos explorados colombianos. Defendemos que uma política justa para o confronto entre a guerrilha e o Estado burguês passa por aplicar a unidade de ação contra Santos, com a mais absoluta independência política em relação ao programa reformista das FARC. Ao lado dos heroicos guerrilheiros das FARC e honrando o sangue derramado pelos comandantes Afonso Cano, Manuel Marulanda, Mono Jojoy e agora Guillermo Pequeño, que morreram em combate, apontamos como alternativa programática a defesa da estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado, sem patrocinar nenhuma ilusão na possibilidade de construir uma “Nova Colômbia” sem liquidar o capitalismo e seus títeres.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Lançamento do folheto da LBI “A Primavera Árabe contra a Intifada Palestina” desperta grande interesse no Fórum Social - Palestina Livre

Ocorreu na manhã desta sexta-feira, 30 de novembro, o lançamento do folheto “A Primavera Árabe contra a Intifada Palestina”. Centenas de ativistas presentes no Fórum Social Mundial Palestina Livre adquiriram a mais nova publicação da LBI dedicada a analisar os efeitos da “Primavera Árabe” sobre a heroica luta do povo palestino. O Editor-Geral das Publicações LBI, André Fava, expôs a polêmica que se trava no interior da esquerda e dos próprios grupos palestinos sobre a ofensiva imperialista que se utilizou das revoltas populares no Egito e na Tunísia para operar uma transição conservadora controlada pela Casa Branca, uma grande operação que abrange desde o Magreb até a Síria. Logo após conseguir tirar de cena seus títeres desgastados nestes países, o imperialismo tratou de ter como alvo os governos que de alguma maneira não estavam sob suas ordens diretas. Primeiro agrediu militarmente a Líbia via OTAN, agora busca desestabilizar o regime sírio e se prepara para atacar o Irã. Não por acaso, esses regimes são aliados na luta do povo palestino contra o enclave nazi-sionista.


Como revela o folheto lançado pela LBI, a recente trégua entre o Hamas e Israel, negociada pelo governo do Egito parido na (mal)chamada “Primavera Árabe” após os bombardeios sobre a Faixa de Gaza, se enquadra justamente nos planos do imperialismo de domesticar as direções palestinas e, mais particularmente, o Hamas. Usando o novo governo da Irmandade Muçulmana encabeçado por Morsi para cooptar uma parcela da resistência palestina, a Casa Branca conseguiu dividir o Hamas e colocar uma facção do grupo muito próxima da Fatah de Abbas, este completamente servil aos interesses do imperialismo e de Israel como vimos agora na ONU.

Muitos ativistas presentes assinalaram que concordavam com nossa análise, inclusive salientando que enquanto os militantes palestinos praticamente não tinham armas para lutar contra Israel, os supostos “rebeldes”, primeiro na Líbia e depois na Síria, estavam armados até os dentes pelas potências capitalistas em sua sanha contra Kadaffi e agora Assad. As discussões travadas durante o lançamento do folheto demonstram a importância de abrir este debate em pleno Fórum sobre a Palestina, na medida em que a “Primavera Árabe” longe de fortalecer a Intifada a debilita em sua espinha dorsal, como vimos agora durante a operação sionista “Pilar Defensivo”.

Com o lançamento do folheto “A Primavera Árabe contra a Intifada Palestina” assim como através da intervenção de nossos militantes nos debates, buscamos forjar uma orientação revolucionária para a luta do povo palestino, o que passa por levantar sem vacilo a bandeira da destruição do enclave sionista, hoje ávido para que os aliados da causa palestina se enfraqueçam justamente para Israel poder manter-se como uma intocável máquina de guerra a serviço do imperialismo ianque na região.

 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Delegação do Comitê Central da LBI chega ao Fórum Social Mundial (Porto Alegre) para defender a luta por uma Palestina Soviética

Teve início neste dia 28 de novembro, em Porto Alegre (RS), o Fórum Social Mundial Palestina Livre. Uma delegação do Comitê Central da LBI se faz presente na atividade, que se encerrará no dia 1º de Dezembro, com a assembleia dos movimentos sociais responsável por deliberar uma série de iniciativas políticas em solidariedade ao povo palestino. Os camaradas Candido Alvarez, André Fava e Marco Queiroz irão defender durante os debates que ocorrerão no Fórum a luta por uma Palestina Soviética, em todo o seu território histórico, baseada em conselhos de operários e camponeses palestinos e judeus. Esta posição se contrapõe à política dos “dois estados” defendida pela ANP e sua representação no Brasil, orientação que na verdade é incapaz de garantir a própria existência de um verdadeiro Estado nacional palestino, como demonstrou a conduta da ANP na ONU ao recuar até mesmo desta reivindicação em busca de chegar a um acordo vergonhoso com Israel e o imperialismo ianque.

Ao centro, André Fava, editor geral das Publicações LBI

A delegação do CC da LBI foi recebida no Fórum pela representante da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Michele Mustafá. Ela nos informou da programação oficial assim como das atividades alternativas, onde temas como a Intifada, o bloqueio de mercadorias produzidas em Israel e a organização da resistência serão debatidos. Apesar das divergências entre a LBI e a FEPAL, ficou acertado que faremos o lançamento do folheto “A Primavera Árabe contra a Intifada Palestina” durante o curso das atividades do Fórum. A publicação da LBI polemiza com as posições do revisionismo do trotskismo e de uma ala do Hamas, ligada ao governo do Egito e que vem se aproximando do Al Fatah dirigido por Abbas. Esta divergência central existe justamente porque a LBI entende a chamada “Primavera Árabe” como um processo que debilita a luta contra o enclave sionista e não o contrário. Não por acaso, as declarações de Netanyahu e Edmund Barak são simpáticas aos “rebeldes” na Síria, que também tem apoio do Qatar, aliado dos EUA.

Marco Queiróz, porta-voz da LBI, Michele Mustafá da FEPAL
e Candido Alvarez, editor chefe do JLO

De nossa parte compreendemos a defesa da causa palestina como integrante da luta contra o imperialismo e pela destruição do enclave sionista de Israel, o que neste momento significa cerrar fileiras em defesa da Síria, do Irã e do Hezbollah, aliados da resistência palestina. Apesar do Fórum Social Mundial Palestina Livre ser homogeneizado pelas posições reformistas, utilizaremos os debates justamente para defender a frente única com todas as forças políticas e regimes políticos que lutam para derrotar as investidas de Israel contra a Palestina. Ao mesmo tempo, denunciamos que a política do governo Dilma e do PT, longe de fortalecer esse combate está a serviço de domesticar a resistência a fim de que se chegue a um “acordo de paz” que não representa os interesses do povo palestino na medida em que preserva a existência do enclave sionista e não permite a edificação de um verdadeiro estado nacional palestino. Não por acaso, o governo brasileiro tem vários acordos comerciais e militares com Israel. Em 2008, Lula assinou o acordo de livre comércio entre Israel e o Mercosul. Este acordo transformou o Brasil em um dos principais parceiros da indústria militar israelense e porta de entrada dessa indústria na América Latina.

A presença da LBI no Fórum Social Mundial Palestina Livre está a serviço de agrupar um pólo internacionalista e anti-imperialista que não se subordine nem à orientação de sua direção reformista e combata os revisionistas do trotskismo, como o PSTU/LIT. Estes dizem defender a Intifada Palestina, mas na verdade apoiam a (mal) chamada “Primavera Árabe”, dando uma cobertura de “esquerda” à sanha neocolonialista na região, como vimos através da brutal intervenção militar da OTAN na Líbia. Desde já nos somamos à campanha pela liberdade imediata dos presos políticos palestinos das masmorras de Israel, como o companheiro Ahmad Sa'adat e declaramos que a genuína vitória do povo palestino somente é possível sobre os escombros do enclave terrorista de Israel!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012


Abbas e uma ala do Hamas abrem mão da defesa do Estado palestino na ONU, suplicando que este covil imperialista aprove “status” de bantustão cercado pelo enclave sionista

Nesta quinta-feira, dia 29 de novembro, haverá a votação na Assembleia Geral da ONU para decidir se a Palestina assume o “status” de estado-observador nas Nações Unidas. Atualmente, a Autoridade Nacional Palestina (ANP) é considerada apenas uma “entidade” com direito a voz. Ao mesmo tempo, ocorrerá na mesma data a abertura do Fórum Social Mundial Palestina Livre em Porto Alegre (RS). Para ascender a esta “nova” posição, a iniciativa Palestina encabeçada por Mahmoud Abbas e avalizada pela ala Hamas ligada ao governo do Egito necessita ser apoiada pela maioria dos 193 países-membros. Países imperialistas como a França e a Espanha já anunciaram apoio à medida, enquanto os EUA, Alemanha e Israel se opõem. O Brasil e o conjunto dos BRICs apoiam a mudança de “status”. O que está por trás dessa “disputa” no covil de abutres da ONU não é a defesa da causa nacional palestina, da volta dos refugiados e da existência de um Estado palestino em seu território histórico, o que representaria contestar a própria existência do enclave terrorista de Israel. Na verdade, estamos vendo um embate por quem mantêm a influência política e econômica sobre a região, no marco que repartição das riquezas no Oriente Médio pelas metrópoles imperialistas. Neste contexto, a luta do povo palestino é parte da moeda de troca entre os bandos imperialistas, mas que entre si tem um acordo inquebrantável: impedir o nascimento de um Estado palestino pela via da destruição do enclave sionista. Não por acaso, acionaram o governo do Egito parido da (mal) chamada “Primavera Árabe” com o objetivo de negociar uma trégua entre o Hamas e Israel depois de mais de uma semana de bombardeios sobre a Faixa de Gaza, que deixou mais de 140 palestinos mortos, temendo justamente a mobilização revolucionária das massas árabes e muçulmanas que colocaria a região em luta, fortalecendo assim a posição do Irã e da Síria, alvo da investida neocolonialista!

Lembremos que em setembro de 2011, durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU e em meio a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Mahmoud Abbas, presidente da ultracorrompida e desmoralizada Autoridade Nacional Palestina (Al Fatah), solicitou reconhecimento da ANP como Estado de “pleno direito” com assento nas Nações Unidas, sendo sua reivindicação negada. Agora, a proposta é ainda mais recuada, já que reivindica apenas ser estado-observador da ONU. O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, anunciou seu apoio à tentativa de Mahmud Abbas de obter o status de Estado observador para a Palestina na ONU. “Khaled Meshaal transmitiu em conversa telefônica com o presidente Abbas o apoio do Hamas ao processo na ONU para obter o status de Estado observador”, destaca um comunicado. Ele enfatizou “a necessidade dessa iniciativa de se enquadrar na visão e estratégia nacional para preservar os direitos da nação, com base nos bens do povo palestino, a começar pela resistência”. Ao contrário do escritório político exilado hoje localizado no Qatar depois da saída de Damasco, dirigentes do Hamas dentro da Faixa de Gaza criticaram a iniciativa de Abbas na ONU, denunciando a falta de consulta aos movimentos palestinos. O porta-voz do chefe do governo do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, desmentiu em 22 de novembro ter aprovado o projeto de Abbas após conversa telefônica, como havia anunciado a agência oficial WAFA. Em compensação, em 17 de novembro, o número dois do Hamas, Moussa Abou Marzouk, exilado no Cairo, havia incitado Mahmoud Abbas a “não desistir de ir à ONU”, estimando que a ofensiva israelense em Gaza era “um aviso” israelense para desencorajar a iniciativa diplomática.

Longe de ter qualquer caráter progressista, a proposta de Abbas representava o prolongamento dos Acordos de Oslo, acrescido desta vez, com a participação de parte da direção política do Hamas para este projeto de formalização do “bantustão” palestino. Al Fatah e o setor do Hamas ligado ao governo do Cairo querem, na realidade, pressionar possíveis “aliados” internos em Israel, como o trabalhismo e a suposta “esquerda sionista” assim como a União Europeia para que tomem posição em defesa de um acordo com as direções palestinas em torno da tese dos “dois Estados”. Fazem este pedido uma vez que Netanyahu vem ampliando selvagem e violentamente à ponta de baioneta os assentamentos de colonos israelenses sobre o território da Cisjordânia, desferindo inclusive a operação “Pilar Defensivo”, o que fez as “negociações de paz” emperrarem completamente, já que a ANP “exigia” o reconhecimento de um “Estado palestino” restrito à Faixa de Gaza e à Cisjordânia. Por esta “solução”, uma ficção de Estado palestino conviveria lado a lado com a máquina de guerra sionista. Esta é a mesma “autonomia” que uma galinha teria dentro de um viveiro de raposas!

Frente à “nova” proposta vergonhosa para a Palestina assumir o “status” de país-observador da ONU, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com o apoio do imperialismo ianque lançou a ameaça: “A ONU é como o governo das nações e estou convencido de que, como resultado da ação dos Estados Unidos em estreita colaboração com outros países, a tentativa fracassará” (G1, 25/11). Os EUA já declararam antecipadamente que está contra a medida. A Casa Branca afirma que o status do Estado palestino deve ser alcançado por meio de “negociação bilateral” e pede a volta das conversações de paz, interrompidas em 2010 em razão da expansão de assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada. Como se vê, o imperialismo e Israel tratam de levar a frente o plano estabelecido com o Egito via “trégua” decretada com o Hamas, porque trabalham estrategicamente com a possibilidade de uma agressão iminente ao Irã. Desejam desta forma deixar as direções palestinas presas a estre compromisso reacionário, não fazendo-lhe qualquer concessão, por mínima que seja. O Departamento do Estado ianque indicou que se a resolução for aceita não se deverá então contar com uma resposta favorável do Congresso sobre a libertação de 200 milhões de dólares de ajuda prometida por Washington à Autoridade Palestina, confrontada com a sua pior crise orçamentária desde sua criação em 1993. Já a Inglaterra afirmou que deve apoiar a proposta para que a Palestina vire um “estado observador não membro” das Nações Unidas se receber garantias de que Hamas e Fatah voltem às negociações de paz e não processem Israel no Tribunal Penal Internacional.

No Brasil, o governo da frente popular declarou seu apoio à proposta da ANP e o Fórum Social Mundial Palestina Livre irá fazer uma manifestação neste dia 29 pelas ruas de Porto Alegre (RS) em favor da reivindicação. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), anfitrião institucional do Fórum, já declarou que o evento seguirá a política oficial do governo brasileiro de apoio à “solução dois Estados” e pela “busca da paz”, não aceitando nenhuma manifestação fora desse eixo político depois da pressão que sofreu dos sionistas no Brasil. A esquerda reformista, dentro e fora do governo, caminha por esta mesma trilha. PT, PCdoB, PSOL, MST, CUT tem hoje como princípio a defesa entusiasta deste fictício Estado, tanto é verdade que marcaram a manifestação para demonstrar seu apoio à criação desta farsa de país “soberano”. A criação de um fictício Estado palestino, tal qual propugna a ANP, é em suma, uma traição histórica à causa palestina e uma impossibilidade política, pois estará restrito a pequenas faixas estéreis de seu território original, bantustões fragmentados e sem recursos econômicos e forças armadas, enquanto os nazi-sionistas continuariam com o filão, as terras férteis, o acesso à água, a passagem para o mar e prosseguiriam com os massacres e a rapina colonialista sob as bênçãos do imperialismo ianque. Já o PSTU, que se diz a favor da Intifada palestina, apoia vergonhosamente a investida neocolonialista na região, voltada a derrubar ou desestabilizar os regimes do Irã, da Síria e o Hezbollah, justamente os principais aliados do povo palestino na região, que provem armas e logística para a resistência ao enclave sionista!

Não será a ONU, um covil de abutres responsável por autorizar a agressão imperialista à Líbia e muito menos países como França e Espanha que, junto dos EUA, apoiam os “rebeldes” pró-OTAN na Síria, que terão a capacidade de “garantir” a existência de um “Estado nacional palestino” se este continua cercado e atacado por Israel, mas a luta de seu povo contra o imperialismo e o enclave sionista através da retomada dos territórios históricos pela resistência popular. Os revolucionários defendem a existência do estado nacional palestino e não uma mera ficção político-diplomática. Portanto, a única alternativa que poderá dar uma resolução cabal à legítima reivindicação nacional do povo palestino, assim como livrar as massas e trabalhadores da região de seus gigantescos sofrimentos há mais de um século, é a defesa de uma Palestina Soviética baseada em conselhos de operários e camponeses palestinos e judeus. A expropriação do grande capital sionista, alimentado em décadas pelo imperialismo ianque, impossível de ser conquistada sem a destruição revolucionária do Estado de Israel, garantirá a reconstrução da Palestina sobre novas bases socialistas, trazendo para seu povo o progresso e a paz tão almejada durante décadas de guerra de rapinagem imperialista nesta região onde historicamente vários povos já viveram com harmonia e solidariedade.


terça-feira, 27 de novembro de 2012


Operação Porto Seguro: Dilma aciona PF para perseguir “affair” de Lula como parte da “faxina” contra o núcleo histórico do PT

A Operação “Porto Seguro”, desferida pela PF sob o pretexto de prender membros do governo que liberavam pareceres técnicos para aprovação de obras em trocas de favores pessoais, na verdade teve um alvo certo e direto: o ex-presidente Lula. Agentes da PF apreenderam computadores e documentos no escritório da Presidência da República em São Paulo, cuja equipe é ligada a Lula e também na casa de Rosemary Nóvoa de Noronha, conhecida nas hostes petistas simplesmente como Rose. Escutas telefônicas registraram inúmeras ligações entre Rose e Lula nos últimos 19 meses, colocando o ex-presidente completamente refém do séquito dilmista instalado no Palácio do Planalto que comanda a PF. Apresentada pela mídia murdochiana como suposto “affair” de Lula, Rose acompanhava-o em todas as viagens internacionais (sem possuir a menor qualificação técnica para a “missão”). Esteve envolvida nos escândalos dos cartões corporativos ligados aos “gastos secretos” da presidência de Lula e havia indicado parentes para postos importantes nas agências reguladoras (ANA e ANAC), assim como na Infraero. A PF a acusa de montar uma rede de tráfico de influência baseada no seu “prestígio” pessoal junto a Lula, já que ela foi nomeada para o cargo em 2003 e mantida por Dilma a pedido do ex-presidente.

A primeira pergunta que vem a cabeça é: por que a PF controlada pelo governo Dilma desferiria um golpe tão letal contra Lula? Afora a cantilena vendida para ingênuos sobre o combate à corrupção, fica claro que o móvel da “faxina” foi detonar Lula como parte da ofensiva política contra o núcleo histórico do PT, em parte condenado no processo do chamado mensalão via prisão de Dirceu, Genoíno e Delúbio. Obviamente, uma operação desta envergadura teve o aval da ex-“poste” Dilma, que para ser cada vez mais aceita pela burguesia e o imperialismo deseja eliminar de vez a influência de Lula e do “velho” PT sobre seu governo, assim como no seu próximo mandato. Não por acaso, além de demitir imediatamente Rose, afastou os apadrinhados de Lula e Dirceu das agências reguladoras. De quebra, conseguiu eliminar de vez a possibilidade do atual Advogado Geral da União, Luís Inácio Adams, assumir uma vaga no STF, como era desejo do ex-presidente, já que seu substituto direto, José Weber Holanda Alves, também está envolvido no esquema.

Rosemary foi assessora de José Dirceu por 12 anos, estava na cota dos “gastos presidenciais secretos” durante as duas gestões de Lula e seu indiciamento pela PF mostra até que ponto a disputa intestina no PT pode chegar... Desde já está claro que Lula encontra-se totalmente fragilizado na guerra de quadrilhas instaladas no interior do PT e não tem força nem disposição para opor-se à reeleição de Dilma, que usa o STF e a PF para desferir sua ofensiva política sob a fachada da “moralidade pública”. Como prêmio de consolação, Lula já está sendo cotado para receber o Prêmio Nobel da Paz, o que significa sua aposentadoria na política doméstica nacional. Em outro balão de ensaio, fala-se ainda na possibilidade dele disputar o governo de São Paulo, uma aparente armadilha para debilitá-lo ainda mais, em uma perigosa disputa direta com Alckmin.

O mais emblemático é que em meio à divulgação midiática da Operação “Porto Seguro” ocorreu neste final de semana em São Paulo um “ato em defesa do PT” impulsionado pelo chamado “diálogo petista”, um movimento articulado pela corrente “O Trabalho” em aliança com personalidades “independentes” do partido. O móvel da atividade foi o repúdio à condenação de José Dirceu e Genoíno pelo STF, sendo que sua convocatória anunciava o objetivo de denunciar “o julgamento político do STF, a criminalização dos movimentos sociais e a judicialização da política”. Os dois dirigentes petistas condenados na ação penal 470, o chamado “mensalão”, compareceram ao evento e foram saudados como “heróis do povo brasileiro”, em uma atividade concorrida que contou ainda com a presença do presidente nacional da CUT, o arquipelego Wagner Freitas e outros poucos parlamentares como Eduardo Suplicy. Não por acaso, o ato foi convocado por OT e iniciativas idênticas estão sendo impulsionadas por outras correntes de “esquerda” do partido, sem o apoio oficial do PT. A direção nacional petista, ainda mais depois do silêncio covarde de Lula após a condenação de Dirceu pelo STF e agora com a ofensiva da Polícia Federal, não deseja de forma alguma se indispor com a “gerentona” Dilma. Esta já demonstrou que deseja ver Dirceu e o núcleo histórico do PT sem nenhuma influência em seu governo ou mesmo se possível atrás das grades, enquanto mantém uma relação de “paz e amor” com a mídia murdochiana, como a revista Veja e os setores mais reacionários da burguesia.

No ato em defesa do PT Dirceu declarou: “Como foram derrotados no campo político e social, e também no campo eleitoral, eles criaram outro campo, o da judicialização da política, com a instrumentalização da mídia” no que foi complementado por Marcos Sokol, dirigente de OT: “Os setores que se identificam com o PT têm que mostrar a cara. Depois do PT, irão contra a CUT e os movimentos sociais”. O que Dirceu e Sokol encobrem em suas falas é que a ofensiva contra os dirigentes históricos do PT, sem dúvidas envolvidos em negociatas e favores durante o governo Lula, porém, obviamente, não condenados em função disso, fato corriqueiro na república burguesa, só foram defenestrados porque o STF (que tem a maioria de juízes indicados nas três gestões da frente popular) está levando adiante a tarefa de “limpar” o partido do núcleo ligado a Lula por encomenda de Dilma justamente para impedir que o ex-metalúrgico possa ser candidato a presidente em 2014 como era seu plano original via mandato “tampão” da ex-poste. A operação “Porto Seguro” prova que quem patrocina veladamente esta investida é Dilma e sua entourage palaciana lastreada no apoio entusiasta da mídia murdochiana e da própria burguesia que deseja um novo governo da “gerentona” em 2014, muito mais à direita do que o atual e sem a influência de Lula. A burguesia tem como estratégia começar no fim do segundo mandato de uma Dilma completamente refém, a transição rumo a um outro eixo de poder em 2018, mais ligado a centro-direita (PSB, Marina, Joaquim Barbosa, Aécio...) e voltado a desferir uma brutal ofensiva contra o movimento de massas, rompendo com a política de colaboração de classes até então vigente nas gestões da frente popular.

Quando a esquerda petista promove um “ato em defesa do PT” ela trata de apresentar o partido como “adversário da burguesia” (O Trabalho) e chega as raias da loucura de bradar que “nenhum burguês deve estar em nenhum governo do PT” (Esquerda Marxista). Por isto, Sokol reclamou no ato que “Encerradas as eleições, segue a ofensiva do STF e a direção do PT, segue calada! É preciso defender o PT!”. Os pilantroskos fazem mais uma vez seu papel de patrocinar ilusões no PT e chegam ao ponto de engrossar o coro dos que cinicamente apresentam Dirceu como “herói do povo brasileiro”! O PT é hoje um pilar de sustentação do regime político burguês e de suas instituições reacionárias, tanto que Dilma e Gleisy Hofmann deram entrevistas declarando que as decisões do STF são para serem cumpridas, sem nunca defender Dirceu, Genoíno e Cia... O que está em curso via julgamento do STF e na própria operação “Porto Seguro” é a consolidação de um núcleo tecnocrata dentro do PT sem a influência de sua ala histórica composta por Lula e quadros que vieram da ALN e da luta armada, setor que a burguesia deseja tirar de cena depois que cumpriram seu papel de gestores úteis a seus interesses. Apesar de convertidos a gerentes dos negócios da burguesia, esta ala ainda encarna na militância do PT alguma resistência às chantagens da mídia murdochiana e da direita arquirreacionária.

Longe de “defender o PT das origens”, a tarefa colocada para os setores mais conscientes do ativismo brasileiro neste exato momento é declarar que são os trabalhadores e seus organismos de classe os únicos que podem fazer o “ajuste de contas” com os burocratas vendidos da “Articulação” no PT e na CUT e não o arquirreacionário STF ou a PF. Para tanto, é necessário construir um partido operário revolucionário para superar o PT e a frente popular, postando-se como uma alternativa revolucionária também a corrompida “oposição de esquerda” encabeçada pelo PSOL, que deseja ver Lula, Dirceu e Cia atrás das grades para tirar daí algum dividendo eleitoral, quando na verdade tal ato não faz mais do que reforçar as tendências fascistizantes do regime burguês contra os trabalhadores e suas conquistas democráticas e sociais.