quinta-feira, 18 de outubro de 2012



Grécia: Direita se fortalece enquanto Syrizia se prepara para comandar um “governo de esquerda” seguindo o “modelo” petista de colaboração de classes

A Grécia é palco de uma nova greve geral nesta quinta-feira, 18 de outubro, convocada pela Confederação dos Funcionários Públicos e a Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos. Os trabalhadores paralisaram as atividades com o objetivo de protestar contra os dirigentes da União Europeia reunidos em Bruxelas que discutem uma nova onda de cortes nos salários e aposentadorias. Mais de 20.000 manifestantes reuniram-se no centro de Atenas, à medida que a maioria das empresas e o setor público interromperam as atividades para uma greve de 24 horas. Os serviços públicos e os transportes, como o metrô, trens e os táxis, foram fortemente afetados. Diversos vôos foram cancelados. A polícia reprimiu duramente os manifestantes e usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes do lado de fora do Parlamento. A Grécia vive a pior recessão desde a 2a Guerra Mundial e deve cortar pelo menos mais 11,5 bilhões de euros para atender as demandas da “troika” (UE, BCE e FMI) a fim do governo da Nova Democracia assegurar a próxima parcela do resgate de 130 bilhões de euros. O primeiro-ministro conservador Antonis Samaras acerta os últimos detalhes do programa de ajuste econômico, que visa aprofundar os ataques aos trabalhadores. Enquanto isso, a resposta das direções sindicais segue o roteiro de inóquas greves de 24 horas, enquanto há uma clara polarização política e social, com o crescimento da extrema-direita por um lado (Aurora Dourada) e o fortalecimento da Syrizia, “coalizão da Esquerda Radical”, que foi nas eleições passadas apoiada pela maioria do arco revisionista do trotskismo.

Militantes gregos foram presos quando se manifestavam em Atenas contra o partido fascista Aurora Dourada. Foram torturados na Direção Geral de Polícia, em Atenas, sofrendo sevícias. As denúncias foram feitas em Atenas pelos advogados e pelas próprias vítimas. As vítimas exibiram as provas das violências sobre elas cometidas pelos agentes da Diretoria Geral de Polícia (GADA) em Ática, na capital grega. As sevícias incidiram sobre cerca de 40 pessoas, 15 presas inicialmente durante a manifestação contra o grupo nazista, que terminou em confrontos. O jornal britânico Guardian revelou casos em que a polícia aconselha pessoas a procurarem auxílio suplementar junto do Aurora Dourada, sobretudo quando se trata de “questões com imigrantes”, em troca de contribuições para os neonazistas. Esse processo indica o claro crescimento do grupo Aurora Dourada, que inclusive se fortaleceu nas eleições passadas!

Em meio a greve geral, Alexis Tsipras, dirigente do Syriza, tendo o apoio de vários “sindicatos independentes”, declarou que “pretendo liderar uma força antiausteridade de oposição no Parlamento”, mantendo o jogo de cena da democracia dos ricos e tentar estabilizar o regime político pela via de suas instituições apodrecidas, através de seus postos parlamentares. A Syriza é o “Plano B” da burguesia que está se credenciando para assumir o governo em uma crise futura. No momento está atuando na oposição parlamentar eleitoralista como um dique de contenção para a radicalização das lutas do proletariado grego. Esse é seu principal papel hoje: sustentáculo fundamental do regime político. Nesta tarefa, conta com o apoio dos revisionistas (LIT, PO, MAS, UIT...) que clamaram por um “governo de esquerda” ao moldes da gerência do PT do Brasil para fazer uma política abertamente frente populista. Se tivesse ganho as eleições seu objetivo era compor um gabinete com uma roupagem renovada para gerir a crise do regime grego questionando limitadamente os termos estabelecidos pela troika em seu “plano de ajuste” que impõe mais miséria e desemprego aos trabalhadores. Por isso, a Syriza não defende sequer a saída da União Europeia (UE) e sim a revisão do chamado “memorando” sob o slogan “Euro sem austeridade”. Como o imperialismo não a escolheu para a tarefa de gerenciar diretamente o governo, faz oposição parlamentar de fachada para legitimar o circo eleitoral e se apresentar como “alternativa” eleitoral frente às massas descontentes. Enquanto isso a extrema-direita cresce nas ruas, aliada a polícia, como se viu nesta quinta-feira!

Enquanto Alexis Tsipras fala de um “governo de esquerda” como suposta alternativa concreta aos olhos dos trabalhadores a atual gestão abertamente submissa a troika, o KKE propõe vagamente um “poder popular dos trabalhadores”, mas não faz nada para concretizá-lo limitando-se a vergonhosos pedidos ao parlamento burguês porque para os stalinistas “as condições objetivas e a correlação de forças não estão maduras” para uma ruptura revolucionária! Uma grande delegação do CC do KKE, encabeçada por Aleka Papariga, secretária-geral do CC do KKE, participou na manifestação da PAME deste dia 18/10. A secretária-geral do CC fez a seguinte declaração: “O que é preciso é um novo começo no agrupamento de forças, de elevadas formas de luta e de reivindicações radicais para que as lutas sejam eficazes. O povo tem que acreditar que uma Grécia, desligada da UE, uma Grécia em que seja o povo a mandar, pode garantir a prosperidade social e evitar o pior” (resistir.info). Depois de negar-se a chamar a derrubada do governo burguês do Pasok, frente à gestão de unidade nacional controlada pela direita, o KKE apresenta como proposta a “retirada da UE”. Tal medida protecionista, que a frágil burguesia grega até poderia chegar a recorrer desesperadamente, tem a simpatia de setores da própria direita nacional. A entrada da Grécia na chamada zona do Euro a colocou em um colapso previamente anunciado. A única “saída possível” para a burguesia grega seria a renúncia ao Euro e o rompimento com o receituário draconiano da troika, mas isso é impossível no marco estatal de uma classe dominante associada às burguesias imperialistas europeias, em especial à alemã e francesa, que se beneficiam das exportações primárias da Grécia e principalmente da jogatina especulativa de que o país é refém. Em resumo, diante da covardia da burguesia nativa, o KKE assume a defesa da tarefa... dando-lhe uma maquiagem de esquerda, mas sem questionar em nenhum momento o próprio poder burguês.

É preciso alertar, preparar e organizar o proletariado e, particularmente, sua vanguarda mais combativa para um período de fascistização do regime político. Tragicamente, o conjunto da esquerda grega, desde o stalinismo até os revisionistas do trotskismo apresentam nada mais do que impotentes programas sindicalistas, opondo-se a armar de uma plataforma revolucionária a classe para os novos embates que emergem desta nova conjuntura dramática. Aos genuínos marxistas cabe a tarefa de intervir ativa e pacientemente sobre estas lutas para elevar o nível de consciência dos setores mais radicalizados, a fim de fazê-la avançar da resistência defensiva atual para a disputa pela conquista do poder político contra seus algozes, superando a criminosa influência política que a centro-esquerda reformista e seus satélites revisionistas exercem sobre o proletariado!

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Editorial do Jornal Luta Operária nº 245, 1ª Quinzena de Outubro/2012
PSOL: Que espécie de “partido socialista” celebra alianças com o DEM (ex-PFL), PTB (Collor), os Tucanos e o PT?

Estamos a menos de 15 dias do segundo turno das eleições municipais. O PSOL segue na disputa pelas prefeituras de Macapá e Belém. Já em 07 de outubro havia se coligado com diversos partidos burgueses na capital do Amapá. O arco de forças patronais incluía PPS, PRTB, PMN, PTC e PV, além do PCB. Agora declararam apoio ao candidato Clécio Vieira, do PSOL, ninguém menos que o DEM, PSDB e PTB. Ao discursar no ato de adesão do DEM/PTB/PSDB a sua candidatura, Clécio inclusive lançou a candidatura de Lucas Barreto (PTB) ao governo estadual em 2014, tendo a seu lado o articulador da aliança, o senador Randolfe, eleito em 2010 pelo PSOL sob as bênçãos de Sarney. Em Belém, o ex-prefeito petista Edmilson Rodrigues, tendo ao seu lado o PCdoB, PSTU e o apoio da “ecocapitalista” Marina Silva não venceu em primeiro turno como esperava e agora enfrenta o PSDB. Acabam de declarar apoio a Edmilson o PT, PV e PPL (ex-MR-8). Como observamos, este “partido socialista” celebra alianças escandalosas que vão desde o DEM (ex-PFL), passando pelo PTB de Collor e vai até o PSDB e o PT! Não resta a menor dúvida que o “critério” que leva o PSOL a se aliar a todo arco de políticos burgueses e suas legendas venais é a conquista a qualquer preço de postos no executivo e legislativo. Mas a questão é bem mais profunda. Na medida em que os principais partidos burgueses, sejam da base do governo Dilma ou da oposição conservadora, “elegem” o PSOL como aliado, sabem perfeitamente que este é confiável do ponto de vista da gerência dos negócios da classe dominante, ou seja, se vier a assumir alguma prefeitura vai atacar duramente os trabalhadores e suas conquistas. Obviamente, não estamos afirmando nenhuma novidade, mas sem dúvida houve um salto de qualidade nas relações do PSOL com os demais partidos do regime político. O mais revelador desse processo é que apesar de sua profunda integração à democracia dos ricos, os cretinos paladinos do “socialismo com liberdade” continuam a obter apoio entusiasmado dos agrupamentos que dentro do PSOL se dizem contra as alianças burguesas, com a CST e a LSR e mesmo do PSTU, que brada ser defensor da “independência política dos trabalhadores”.

Em primeiro lugar é preciso entender que o PSOL já nasceu como um partido pequeno-burguês de carreiristas profissionais de “esquerda” que perderam espaço dentro do PT e justamente por isto formaram a legenda. Suas críticas pontuais ao lulismo nunca tiveram nenhum corte de classe proletário e mais cedo do que tarde sabia-se que o PSOL iria ingressar de “corpo e alma” no jogo eleitoral burguês. Fundado em 2004, o PSOL saiu agora do 07 de Outubro com um considerável número de vereadores nas capitais e peso político para negociar com as demais legendas burguesas, já que mostrou ter viabilidade eleitoral via votação de Edmilson, Clécio e Marcelo Freixo (30%) além de outros nomes em várias cidades importantes como Fortaleza (12%) e Florianópolis (14%). Isto significa direito a ter “acesso” a financiamento dos grandes empresários e se cacifar para as eleições presidenciais de 2014, onde o PSOL deverá estar colado ao nome de Marina Silva e seu projeto político nacional de se alçar como a mais nova aposta do imperialismo para o Brasil. O anúncio feito recentemente por Heloísa Helena que sairá do PSOL no primeiro semestre de 2013 para ajudar Marina na criação de seu “novo partido” não está em contradição com os planos do PSOL. Ao contrário, Heloísa vai ser a ponte entre ambos os lados, tanto que Marina já agora apoiou diversos candidatos do PSOL pelo Brasil afora em uma articulação costurada diretamente pela vereadora alagoana e, não por acaso, prioritariamente Edmilson e Clécio já no primeiro turno. Marina, na verdade, está apoiando vários candidatos em diversas siglas, que vão do PDT ao PPS, passando pelo próprio PT, PV e PSOL justamente para depois “cobrar” a fatura.

O que chama a atenção é que grupos que se dizem “contra as alianças burguesas” dentro do PSOL estão absolutamente centralizados pela política de sua direção, hoje controlada por Ivan Valente, os parlamentares e todo um arco de “tendências” direitistas que vai da recém-dividida APS ao MTL, passando pelo MES e setores do Enlace. CST, LSR e grupos menores como o “Reage Socialista” (Rio de Janeiro), que elegeu Paulo Eduardo Gomes para vereador em Niterói, criticam apenas para consumo interno as coligações com os partidos burgueses, mas na verdade compartilham da mesma estratégia de colaboração de classes, tanto que quando podem acabam se beneficiando “por tabela” das alianças. Um exemplo disso foi o apoio entusiasta desses três grupos a campanha de Marcelo Freixo, que apesar de não estar coligado diretamente a nenhum partido burguês, recebeu o apoio “individual” de vários políticos do PV, PSB e mesmo do PSDB! Tamanha simpatia a Freixo se deu justamente porque ele encarna a esquerda domesticada a serviço do regime político burguês, basta ver sua defesa reacionária das UPPs que ocupam as favelas do Rio de Janeiro como exemplo de luta pela “cidadania”! A chamada “esquerda” do PSOL se limita a resmungar baixinho contra as alianças, mas de fato sai às ruas freneticamente em apoio aos maiores defensores desta política canalha. O Reage Socialista-Coletivo Fundador, que chamou a votar “criticamente” tanto no PSOL como no PSTU reflete bem a política oportunista desses agrupamentos. Critica os “notáveis” do PSOL, seu pragmatismo eleitoral e até mesmo o PSTU por “seguidismo” e acomodação com relação a políticas recuadas desenvolvidas pelas correntes dominantes do PSOL, mas na hora das eleições defende um programa quase idêntico ao da ala “direita” do partido e jamais critica para amplas massas as alianças escandalosas promovidas pelos Freixo e Edmilson que dominam o PSOL.

O PSTU, com a conquista de dois vereadores de capitais via suas coligações com o PSOL, agora mais do que nunca, irá se subordinar à estratégia eleitoral deste último. A direção morenista não tem porque recuar em sua inflexão à direita, ao contrário, ingressou em um caminho sem volta. A direção do PSTU em Belém se limitou a lançar “cartas” ao PSOL reclamando de aspectos pontuais da campanha, porém nunca ventilou a possibilidade de romper com a aliança com Edmilson. Agora, no segundo turno irá fazer o mesmo, apesar do apoio a este declarado pelo PT. Estas “queixas” não passaram de uma cortina de fumaça para convencer o público interno de que o partido mantém algum grau de distância do programa de colaboração de classes da minifrente popular encabeçada pelo PSOL. A estrutura política e material alcançada pelo PSOL através dos mandatos nas capitais vai incrementar ainda mais seus apetites eleitorais e o único caminho para crescer será ampliando seu leque de alianças burguesas. A esta estratégia determinada pela direção do PSOL está necessariamente colado o PSTU, ainda que finja formalmente reclamar deste curso. Tais queixas não passam de mero ilusionismo, porque o PSOL, como se provou em Belém, pode receber recursos de empresários, coligar-se com o PCdoB e ser apoiado por Marina Silva que o PSTU não rompe a aliança se esta lhe trouxer dividendos eleitorais. Neste segundo turno, mesmo o PSOL tendo o apoio do PT, DEM, PPS, PTB e até mesmos dos tucanos, o PSTU “lamentará” tais alianças, mas continuará aliado ao PSOL esperando que em 2014 seu parceiro “carnal” lhe provenha um mandato na Câmara Federal! Tanto que no editorial do Opinião Socialista (nº 451, 15/10) que acaba de ser lançado sob o título de “Uma grande vitória no terreno do inimigo”, a direção do PSTU declara: “Não aceitamos financiamento da burguesia como o PSOL. Não concordamos com o corte do ponto dos grevistas como Marcelo Freixo. Não defendemos alianças com partidos burgueses. Não aceitamos crescer eleitoralmente à custa de incorporar as práticas que já levaram o PT ao desastre atual”... Só “esqueceram” de dizer que estão aliados ao PSOL e seguirão este caminho em 2014!

O que realmente deve-se abstrair de um balanço mais geral da conduta política da “esquerda” nestas eleições e mais particularmente do PSOL é a sua completa integração ao regime democratizante, reverenciando até suas instituições mais apodrecidas e se aliando a partidos como DEM (ex-PFL) e comandados por figuras sinistras como o PTB de Collor. Já dizia um velho ditado da sabedoria popular, diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és... O PSOL sai destas eleições totalmente comprometido com os partidos burgueses, até mesmo de direita. Se o PSTU e seus satélites, dentro e fora do PSOL, mantêm-se colados a ele é porque compartem da mesma matriz programática, totalmente oposta ao marxismo revolucionário. O velho Marx principista e rigoroso, se vivo estivesse não hesitaria em classificar a história deste partido como a repetição de uma farsa, diante da tragédia original que representou o PT para a luta de classes. Já não temos a figura de Marx em vida, porém a LBI que reivindica a herança de seu imenso legado teórico e metodológico pode aferir o grau de oportunismo político trilhado pelo PSOL, que muito distante de uma organização revolucionária que luta contra as instituições da República dos modernos barões capitalistas, se integra a qualquer custo a seu regime político senil.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 245, 1ª Quinzena de Outubro/2012


EDITORIAL
PSOL: Que espécie de “partido socialista” celebra alianças com o DEM (ex-PFL), PTB (Collor), os Tucanos e o PT?


UM PRIMEIRO BALANÇO ELEITORAL
Violento fracionamento da base governista concede sobrevida a oposições de “direita e esquerda”


ABSTENÇÃO E VOTO NULO BATEM RECORDES
Organizar já um encontro nacional pelo Boicote Ativo à farsa eleitoral para dotar de um programa revolucionário o descontentamento popular com o circo da democracia dos ricos!


MINIFRENTE POPULAR
PSTU, agora mais do que nunca, solda com titânio sua estratégia eleitoral com a do PSOL


PCdoB EM CRISE
O fiasco eleitoral dos office-boys “vermelhos” da burguesia


DEMOCRACIA DOS RICOS
Campanha da LBI pelo boicote à farsa eleitoral ganha as ruas


JULGAMENTO DO MENSALÃO
Teoria do domínio do fato leva o STF a concluir a “encomenda” feita pelo Planalto, entregando a cabeça de Dirceu ao tucanato paulista


BALANÇO ELEIÇÕES URBANITÁRIOS - SINDIÁGUA/CEARÁ
Máfia do PSB/CTB utiliza capangas armados para garantir o resultado da fraude contra a Chapa 2


OCUPAÇÃO “HUMANITÁRIA” NO HAITI
Dilma e governos “bolivarianos” ocupam por mais um ano sob as ordens da ONU e do imperialismo ianque


FIASCO ELEITORAL DA "FAMÍLIA" REVISIONISTA NA VENEZUELA
Orlando Chirino, candidato “laranja” da direita reacionária, amarga pífios 4 mil votos!


EM NOME DA “REVOLUÇÃO ÁRABE” PATROCINADA PELA OTAN
Governo reacionário turco anuncia ações militares contra a Síria


ISRAEL E “CRESCIMENTO” ELEITORAL REPUBLICANO PRESSIONAM OBAMA
Casa Branca ordena que Jordânia e Turquia provoquem a Síria antes das eleições presidenciais


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA


segunda-feira, 15 de outubro de 2012


Teoria do domínio do fato leva o STF a concluir a “encomenda” feita pelo Planalto, entregando a cabeça de Dirceu ao tucanato paulista

Finalizando o processo do chamado “mensalão” a maioria dos ministros do STF condenou o “capo” da Articulação do PT, o ex-deputado José Dirceu, por corrupção ativa. Agora falta concluir o julgamento de todos os réus da Ação Penal 470, para definir o tempo de cada penalidade e a forma do regime prisional (aberto ou fechado) a chamada dosimetria da sentença, o que pode se arrastar por mais dois meses. Como “símbolo” político de comandar o esquema do “mensalão” a condenação de Dirceu começou bem antes, com a própria cassação de seu mandato parlamentar no final de 2005, passados quase sete anos deste fato a ultrarreacionária burguesia paulista recebeu um sinal verde do governo Dilma para extirpar definitivamente o “capo” petista da vida política nacional, utilizando como “operador” da manobra a mais alta corte do país. O STF não se furtou da missão recebida e com auxílio de um Ministério Público vinculado ao Planalto decepou a cabeça de Dirceu e de seus “bons companheiros” Delúbio e Genuíno Neto. Mas como se tratava de uma ação estritamente política e não jurídica, o Relator do processo no STF e o Procurador Geral Roberto Gurgel “esqueceram” de amealhar provas materiais contra Dirceu (a única “prova” era a do suspeito testemunho do “enforcado” Roberto Jefferson). Para compensar a tremenda “falha” de um processo que já tinha uma sentença prévia, determinada pela mídia “murdochiana”, os ministros togados do STF recorreram a “teoria do domínio do fato”, onde as provas materiais ou testemunhais legitimas são absolutamente dispensáveis em nome das “evidências factuais” da autoria de um crime. Em síntese, o Supremo ao reconhecer publicamente que não reunia provas substanciais contra Dirceu e Genuíno utilizou uma metodologia jurídica própria dos regimes de exceção, onde a condenação de réus corresponde a exigências do regime político vigente e não existem as garantias civis do chamado “estado de direito”.

Mas, se realmente existiu um mecanismo de completa decomposição ideológica e também de corrupção material dos dirigentes máximos do PT (incluindo o próprio Lula poupado pela burguesia e seu egrégio tribunal supremo) após a vitória presidencial de 2002, por que o Ministério Público Federal não reuniu as “provas” contra Dirceu? A resposta desta questão remonta a discussão sobre a própria essência do “mensalão”, apresentado cinicamente pelo procurador e relator do STF como um operativo do governo de compra de votos no Congresso Nacional. Esta “tese” sobre o caráter do “mensalão” vem sendo seguida por apologistas deste regime democratizante, como o PSOL e PSTU, por exemplo, que chegaram a reivindicar do próprio STF a anulação da reforma da previdência. Com um Parlamento composto pela escória neoliberal, o PT não precisaria gastar um centavo sequer para aprovar uma reforma constitucional abertamente pró-imperialista. Na verdade, o esquema do mensalão, revelado pelo próprio presidente do PTB, consistia na mera reprodução secular do formato de arrecadar comissões das empresas privadas de todos os ramos econômicos que se servem das “generosas” verbas estatais. A compra de partidos políticos inteiros para a ampliação da base de apoio governista é um aspecto totalmente secundário deste processo, que não foi “inventado” nem pelo PT e tampouco PSDB, pois é originário desde a instauração da república capitalista em nosso país. Neste quadro não interessa ao STF desnudar a lógica inerente a economia de mercado e sua relação corrupta, por sua própria natureza estrutural, com o Estado burguês. Por isto, não existiam “provas” contra Dirceu, teriam que acusar a todos os governantes  da história política do Brasil por receberem as gordas comissões das transações comerciais do Estado com a iniciativa privada.

A condenação dos “aloprados” petistas, pelos “probos” ministros do STF, não poderia significar de forma alguma uma condenação do neoliberalismo e suas relações promíscuas com o Estado capitalista. Os paladinos da “ética”, tendo a frente Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, são os defensores da ética da acumulação do capital, tendo o Estado burguês como seu principal indutor. Dirceu foi exemplarmente condenado (considerado inimigo publico nº 1 da nação) não por ter se transformado em um agente de grandes transnacionais no interior do governo da frente popular, mas justamente pelo contrário, ou seja pelos “ecos” de seu passado de guerrilheiro e dirigente marxista. Somente degradados  ideologicamente (que ainda não ocupam funções do Estado), como o PSTU, podem afirmar que: “Os ministros que votaram pela condenação de Dirceu apontaram uma série de indícios e evidências que mostram a sua participação no comando do esquema de desvio de recursos públicos e compra de deputados para a aprovação de projetos no primeiro ano do governo Lula.” (site do PSTU, 09/10). Para não deixar margem de dúvidas sobre que tipo de “crime” estavam condenando, os ministros do STF absolveram o marketeiro Duda Mendonça no envolvimento do esquema, exatamente pela razão inversa ao linchamento feito a Dirceu.

A conjunção de fatores políticos que possibilitou a condenação da antiga cúpula petista, unindo interesses comuns desde a “oposição de esquerda” passando pela anturragem Dilmista (Palocci no comando) até os Demo-tucanos, tem no horizonte estratégico as eleições presidenciais de 2014. A reeleição de Dilma vem sendo costurada por amplos setores da burguesia nacional, com aval explícito do imperialismo ianque. Afastar Dirceu e Lula deste processo seria uma condição “sine qua non” para a construção deste consenso das oligarquias dominantes. A função dada ao STF de trucidar adversários do Planalto e das “oposições” consentidas é extremamente perigosa para eliminação das já poucas liberdades políticas no marco deste regime bastardo. Somente idiotas úteis podem “festejar” as decisões de um poder judiciário que caminha abertamente para a criminalização dos movimentos sociais e da liberdade de expressão. O bom combate contra a corrupção estatal, inerente ao modo de produção capitalista e suas gerências de plantão, deve acontecer nas fábricas, escolas, praças e jamais nas esferas comprometidas da institucionalidade burguesa.

 

sábado, 13 de outubro de 2012


Dilma e governos “bolivarianos” ocupam por mais um ano o Haiti sob as ordens da ONU e do imperialismo ianque

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira, 12 de outubro, a extensão da missão de ocupação do Haiti por mais um ano. A “recomendação” foi dada diretamente pelo Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ventríloquo do Pentágono. O exército brasileiro continua a frente do comando da Minustah. A decisão foi tomada por unanimidade e conta com o apoio de todos os governos da centro-esquerda burguesa latino-americana. Além de Dilma, já enviaram forças militares ao país os governos Chávez, Evo Morales e Rafael Correa, em mais uma prova de que arroubo “anti-imperialista” dos paladinos do “Socialismo do Século XXI” não passa de uma farsa para acomodar os interesses de suas burguesias nativas junto ao imperialismo ianque. O Uruguai de Mujica e a Argentina de Cristina Kirchner também se somam a essa lista vergonhosa. A Casa Branca recorreu aos seus aliados no continente justamente para que as tropas ianques estejam de mãos livres para a ofensiva militar no Oriente Médio travestida de “Primavera Árabe”, mais particularmente a agressão em curso na Líbia, Síria e Irã. Os governos do Brasil e do Equador se prontificaram em “ajudar” o Haiti a formar um novo Exército para substituir a força de paz da ONU em sua missão de reprimir a população trabalhadora do país. Para isso, firmaram parceria com o presidente do Haiti, Michel Martelly, que recentemente recebeu o apoio de herdeiros de Papa Doc, mais particularmente de seu filho, Baby Doc. O governo de Martelly visa reconstituir o Exército com a ajuda da centro-esquerda burguesa do continente. Tanto que o Ministério da Defesa do Brasil confirmou que está preparado para “auxiliar” o Haiti em tudo que precisar para restabelecer seu Exército, incluindo treinamento militar e engenharia: “O Brasil vai prover todo o seu know-how para ajudar o Haiti a reerguer seu Exército”, afirmou à Reuters um assessor do Ministério. Esse know-how é o utilizado na ocupação das favelas do Rio de Janeiro pelas FFAA para reprimir a população pobre! Já o ministro da Defesa Nacional do Equador, Miguel Carvajal Aguirre, assinou um acordo de cooperação em matéria de defesa, firmando que as Forças Armadas do Equador irão partilhar experiências no campo da engenharia militar. Na cerimônia de assinatura do acordo, Martelly agradeceu o presidente do Equador, Rafael Correa, dizendo “Eu agradeço os soldados que irão trabalhar conosco, o ministro da Defesa, e através dele ao presidente equatoriano”. A Casa Branca e a ONU, como no Iraque e no Afeganistão, desejam empreender esforços internacionais para treinar e equipar uma nova força policial, uma meta fundamental para a missão da ONU no Haiti, com vista a liberar o máximo de seus assessores e estrategistas para a guerra contra o Irã.

A extensão da missão da ONU na ilha negra acontece poucos dias depois que a própria OIT foi forçada a reconhecer o que todos já sabiam: a existência de sistema de trabalho forçado de crianças no Haiti. Segundo a OIT, uma em cada 10 crianças haitianas trabalha em regime forçado, o que na prática é um índice bem mais elevado que este. Com 225 mil crianças que trabalham a custo quase zero para as empresas transnacionais implantadas no país, o trabalho infantil sem qualquer direito é uma forma de escravidão moderna capitalista e amplamente praticado no Haiti, crescendo após o terremoto que matou mais de 200 mil pessoas na ilha. Estas trabalham em média de 14 horas diárias e em muitos casos recebem maus tratos, que chegam à exploração sexual pelos próprios soldados da ONU. Nos últimos dias foi denunciada novamente uma série de abusos sexuais cometidos pelas tropas da ONU no Haiti contra adolescentes da ilha negra ocupada. O contingente militar protagoniza todos os dias torturas, chacinas, estupros, que a grande mídia burguesa e a imprensa dos países invasores tratam de ocultar para manter a fachada de pacificadores e justificá-las a pretexto de “perseguir gangues mafiosas”. Esta é mais uma consequência da barbárie imposta pelas tropas invasoras comandadas pelo exército brasileiro em um país devastado por terremotos, doenças e fundamentalmente pela miséria social imposta pela recolonização imperialista. Já fazem mais de oito anos, desde junho de 2004, que as tropas da ONU ocupam o país depois que o imperialismo ianque através dos seus marineres impuseram a saída de Aristide via golpe de estado e mudam seus marionetes a frente do governo fantoche, sendo o mais recente o cantor Michel Martelly, ou seja, um “novo” presidente foi escolhido para manter a velha dominação neocolonial.

Há exatamente um ano, com a escolha de Celso Amorim para o Ministério da Defesa, alguns setores petistas chegaram a promover atos e manifestos solicitando que o governo Dilma retirasse o contingente brasileiro da ilha em comum acordo com a ONU, não perdendo a oportunidade de elogiar Amorim: “A Presidente Dilma deve tomar a iniciativa, trazendo de volta o contingente brasileiro... No Brasil, o novo ministro da Defesa, Celso Amorim declarou que ‘é hora de discutir uma saída organizada, inclusive com as Nações Unidas, claro. Não sei se em agosto, dezembro, janeiro, não é o que importa’” (Comitê Defender o Haiti é defender a nós mesmos). Já o PSTU afirmava que “independentemente das avaliações que fazemos sobre o governo Lula e mesmo sobre o governo Dilma, é hora de exigirmos que Celso Amorim, agora à frente do Ministério da Defesa, faça jus às suas próprias palavras e atue pela imediata retirada das tropas brasileiras do Haiti e o fim definitivo da ocupação militar no país” (sítio PSTU, 05/08). Passado mais de um ano desses patéticos pedidos da esquerda revisionista, o que vemos é a renovação da missão da ONU sobre o comando brasileiro e em parcerias com os governos “bolivarianos”. A iniciativa patrocinada pelos petistas, como a corrente “O Trabalho” é um claro embuste, já que não passa de um limitado movimento distracionista de pressão sobre o governo da frente popular para, diante do desgaste das tropas de ocupação, buscando encontrar uma saída negociada com o imperialismo e seu fantoche Martelly que mantenha o processo de superexploração econômica das empresas brasileiras e outras transnacionais sobre o país ocupado, reduzindo lenta e gradualmente a presença militar estrangeira direta aos moldes do modelo de deslocar exércitos de mercenários privados para a Ilha, como Obama vem fazendo no Afeganistão/Iraque e como a própria ONU já planeja segundo declarou o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.

Dilma acaba de declarar em seu discurso na assembleia da ONU realizada agora em setembro de 2012 que saúda a “chegada da democracia” no Oriente Médio, em uma intervenção servil que foi aplaudida até mesmo pelo PCdoB, que se diz contra a ofensiva imperialista na região sob a fachada farsesca da “Primavera Árabe”. A frente popular brasileira apoia os agressores imperialistas e a investida neocolonizadora também nesta região do planeta. Não por acaso, os revisionistas que pedem ao Planalto a “retirada das tropas”, são os mesmos que apoiaram a política pró-imperialista do governo Dilma com relação a Líbia agredida pela OTAN, inclusive exigindo mais “dureza” do Planalto como reivindicou o PSTU. Agora fazem o mesmo com relação a Síria e o Irã, país que a presidente petista critica publicamente por supostamente desrespeitar os “direitos humanos”! Os revisionistas do trotskismo, dentro e fora do PT, têm com pequenas diferenças de grau, a mesma política pró-imperialista no Oriente Médio e ainda seguem reivindicando justamente ao responsável por organizar a missão de ocupação no governo Lula a retirar as tropas brasileiras do Haiti!

Longe de apoiar a inócua política distracionista de pressão sobre o Conselho de Segurança da ONU, que acabe de se reunir renovando a missão de ocupação do Haiti e de “sensibilizar” o governo burguês de Dilma e seus parceiros “bolivarianos” a “retirar as tropas” é preciso fomentar uma saída operária para a barbárie social imposta pelo imperialismo, a única alternativa que pode evitar o agravamento das desgraças do país. Por isto, os revolucionários apoiam a organização da resistência armada haitiana pela derrota e expulsão das tropas invasoras, inclusive as brasileiras, uma vez que a ONU e o imperialismo nunca cederão aos apelos piedosos “pela retirada das tropas” como prega a esquerda reformista. Contra a tragédia capitalista incrementada pelo terremoto, cólera, os estupros e a miséria social é necessário que as massas da ilha organizem a resistência por uma nova expulsão dos colonizadores responsáveis pela “moderna” escravidão assalariada imposta pelo imperialismo através das tropas da ONU comandadas pelo exército brasileiro. Na América Latina, lutemos por derrotar o governo Dilma, Chávez, Evo e Correa denunciando sua vergonhosa política de submissão a Casa Branca no Haiti!

 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


Um primeiro balanço eleitoral: Violento fracionamento da base governista concede sobrevida a oposições de “direita e esquerda”

Nem vitória eleitoral do PT e tampouco triunfo da oposição Demo-tucana, assim poderíamos definir de forma ultrassintética o balanço político deste primeiro turno das eleições municipais, parafraseando Trotsky diríamos que “nem guerra nem paz” foi o resultado parcial deste embate entre as frações burguesas que se enfrentaram ferozmente no último 7 de outubro. Como as próprias eleições se realizam em dois turnos e a principal disputa nacional (cidade de São Paulo) ainda está indefinida entre petistas e tucanos, seria totalmente incorreto asseverar um “veredito fechado” antes do término completo do processo de mais este circo eleitoral onde a soberania popular é o elemento que menos pesa na definição final dos resultados oficiais. Mas, logo de cara podemos registrar que o aumento dos votos nulos e abstenção, que em várias cidades do país foi a “vencedora” das eleições, segue uma tendência histórica geral de um lento deslocamento das massas em relação a nulidade da institucionalidade burguesa como centro de resolução de suas reivindicações vitais. Ao mesmo tempo e fugindo do ufanismo delirante, tão comum a “família” revisionista, estamos longe de caracterizar o crescimento do voto nulo como produto da intervenção dos revolucionários nestas eleições ou como a “percepção da consciência” do proletariado em relação ao caráter de classe do regime político vigente. No bojo do universo do abstencionismo político nestas eleições se mitigam tanto elementos progressivos como fatores de despolitização e apatia das massas, que em absoluto significam um avanço da esquerda marxista revolucionária.

O PT, organização impulsionadora e hegemônica da frente popular, manteve linearmente seu crescimento fisiológico nos pequenos e médios municípios, “engorda” que se conserva estável após a vitória presidencial em 2002. O fato novo ficou por conta das ações políticas do Palácio do Planalto, que sob o comando da anturragen da presidenta Dilma, passou a patrocinar o lançamento de candidaturas de outros partidos da base aliada, especialmente o PSB, PMDB, PDT e até o PRB. A luta fratricida no interior do PT ultrapassou suas fronteiras internas, hoje dividindo o partido entre apoiadores da reeleição de Dilma e a “velha guarda” comandada por Dirceu e Falcão que advogam o retorno de Lula em 2014. Neste cenário de guerra intestina, o STF foi um dos palcos privilegiados onde os neopetistas e dissidentes da corrente “Articulação” trabalharam em conjunto com a oposição “golpista” pela condenação exemplar do bando dirigido por Dirceu. O resultado pragmático desta disputa “aloprada” nos bastidores do poder foi o desastre eleitoral colhido em Recife e a derrota política sofrida em Belo Horizonte, ambos capitalizados pelo PSB das oligarquias de Eduardo Campos e Ciro Gomes. Em Fortaleza, tudo aponta para um novo triunfo do PSB sobre o PT, já que em Manaus os “socialistas” seguem no segundo turno o tucano Arthur Virgílio contra a candidata do PCdoB. Em São Paulo, por muito pouco o petista debutante Haddad não perde a vaga para o veterano Russomano do PRB, sigla do ministro da pesca e da Igreja Universal, inflado veladamente pelo Palácio do Planalto. No Rio, o candidato do PMDB, apoiado efusivamente por Dilma, ganhou por ampla margem logo no primeiro turno, situação semelhante ocorrida em Porto Alegre onde o PDT derrotou o PT e PCdoB, com a simpatia do Planalto.

O campo político das oposições muito castigado pela alta popularidade do governo da frente popular não pode se queixar de seus resultados eleitorais. Os Demo-tucanos disputam o segundo turno em capitais importantes como São Paulo, Salvador, Manaus e Belém, além das vitórias asseguradas em Aracaju e Maceió. Já o PSOL concorre em Belém e Macapá, onde muito provavelmente deverá perder em ambas as capitais. Apesar de ter “cantado” vitória antecipada em Belém, com a candidatura do ex-prefeito Edmilson, o PSOL sai destas eleições com uma boa musculatura nas principais câmaras municipais e com o capital político de ser a segunda força eleitoral da capital fluminense. O crescimento do PSOL, realizado a custa de alianças com legendas burguesas e governistas, além de financiamento direto de grupos capitalistas, atingiu também os Morenistas do PSTU que agora voltam a salivar o apetite pelo parlamento burguês, atados inexoravelmente ao destino oportunista do PSOL.

O chamado PT “puro sangue” também não pode ser considerado derrotado nestas eleições municipais. Consolidou-se nas principais cidades do estado de São Paulo, como São José dos Campos, Osasco, São Bernardo, disputando com grandes chances no segundo turno a capital, Santo André, Guarulhos e Diadema. Os petistas ganharam em Goiânia e Uberlândia (segunda cidade de Minas Gerais) e quase certo conquistarão Cuiabá e Salvador, a principal capital nordestina. No marco de um alargamento geral da base de apoio do governo Dilma, onde até o minúsculo PSC poderá governar uma cidade importante como Curitiba, a conjuntura nacional de estabilidade política e econômica estabeleceu um certo equilíbrio na correlação de forças das frações burguesas, ávidas pelo controle do botim estatal. A tendência política que se delineia no horizonte, após mais este capítulo do circo eleitoral, é a sedimentação da liderança da presidenta Dilma com a consequente fragilidade da ala Lulista do PT e a ausência de um acúmulo de forças da oposição Demo-tucana para ameaçar a continuidade do projeto de poder da frente popular.

Estas eleições pelo menos tiveram o mérito de deixar cada vez mais claro o caráter completamente fraudulento do regime da democracia dos ricos. As pesquisas eleitorais totalmente manipuladas a serviço das oligarquias dominantes “construíram e destruíram” candidaturas ao sabor dos interesses econômicos do mercado. As empreiteiras escolheram seus apêndices na gerência estatal e as pesquisas simplesmente tratam de formatar eleitoralmente suas preferências. O que as pesquisas fajutas começam as urnas “robotrônicas” terminam, isto é claro sob o consenso de todos os partidos vinculados a este regime bastardo, incluindo neste saco a esquerda revisionista. Mas vez por outra algum candidato burguês se sente prejudicado e resolve “botar a boca no trombone”, denunciando a fraude. Este ano a “missão” ficou a cargo do pedetista Heitor Ferrer, candidato a prefeitura de Fortaleza, que denunciou os falsos “institutos” de pesquisa e exige a anulação das eleições da capital Alencarina. Heitor repete timidamente os atos do “velho” caudilho nacionalista Brizola que teve a coragem de colocar a nu a farsa deste sistema eleitoral.

A classe operária nada deve esperar do que saia deste circo eleitoral de cartas marcadas. A suposta tática de rebaixar o programa revolucionário para conseguir adentrar no seleto clube do parlamento da burguesia, nada tem a ver com uma genuína tática leninista de utilizar a tribuna eleitoral para publicitar a revolução socialista e a ditadura do proletariado. A demagogia de um “socialismo com liberdade”, hoje tão em moda na boca dos revisionistas de vários matizes, representa a antítese da teoria comunista da destruição violenta das instituições representativas da democracia burguesa. Os herdeiros do legado programático do trotsquismo, mesmo “remando contra a corrente”, continuarão defendendo a ação direta das massas como centro de sua intervenção marxista e jamais subordinarão sua estratégia de construção do poder revolucionário do proletariado aos estreitos limites da institucionalidade desta república de novos barões capitalistas.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Pressionado por Israel e o “crescimento” eleitoral republicano, Obama ordena que Jordânia e Turquia provoquem militarmente a Síria antes das eleições presidenciais ianques

Os últimos dias foram marcados por uma escalada de provocações patrocinadas pela Casa Branca contra a Síria e o Irã. Primeiro, a Turquia deteve uma avião civil da Syrian Air que vinha de Moscou rumo a Damasco sob a acusação falsa de transportar armas para o governo de Bashar Al Assad, em uma clara falsificação já que a Rússia tem uma base militar em Tartus e livre trânsito para o envio de armas e munições para a Síria. Depois, o Pentágono enviou oficialmente 150 estrategistas e assessores militares para a Jordânia, a fim de organizar investidas na fronteira sul do território sírio. O posto avançado militar que está sendo montado na Jordânia poderá ser usado no caso de uma participação mais ativa dos EUA na guerra contra a Síria. A base fica a menos de 56 quilômetros da fronteira e constitui a presença militar ianque mais próxima do país. Agora, acaba de ser noticiando que mais um porta-aviões nuclear ianque chegou ao Golfo Pérsico para entrar em ação diante das supostas “ameaças” sírias e iraquianas. Na semana passada a Casa Branca divulgou que em seis meses espera a queda do governo de Bashar al Assad através da ação dos “rebeldes” mercenários do ELS em ação conjunta com a Jordânia e Turquia, tendo o apoio logístico do Catar, Arábia Saudita e Israel. Todos esses elementos indicam que Obama resolveu endurecer em sua ofensiva militar na região às vésperas das eleições de novembro nos EUA visando justamente retomar a iniciativa política para agradar ainda mais o complexo industrial-militar e os sionistas.

Em tímida resposta a ofensiva política e militar ianque as autoridades sírias acusaram nesta quinta-feira, 11 de outubro, o fantoche primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, de mentir sobre as armas encontradas a bordo de um avião civil sírio proveniente de Moscou e interceptado na quarta-feira, 10/10, pela Turquia: “O primeiro-ministro turco continua com sua série de declarações mentirosas com o objetivo de justificar o comportamento hostil de seu governo em relação à Síria” declarou o ministério sírio das Relações Exteriores em um comunicado no qual desmentiu novamente a presença de armas a bordo do avião. Erdogan, a cabeça do reacionário governo turco e agindo a serviço da OTAN, havia informado que o avião da Syrian Air levava “equipamento e munições” destinados ao ministério da Defesa sírio que foram fornecidos pela agência russa de exportação de armas. O presidente russo, Vladimir Putin, deveria visitar a Turquia no início da próxima semana, mas desmarcou a viagem em um protesto poruque cidadãos russos foram retidos no avião sírio.

Já a Jordânia é o Estado árabe que, junto com o Egito, faz fronteira com Israel, sendo os únicos que assinaram um tratado de paz reconhecendo a existência do enclave sionista. O tema da agressão a Síria dominou recentemente os contatos do chefe do Pentágono, Leon Penetta, em sua visita a Jordânia quando se encontrou em Amã com o rei Abdulah II. Sob o pretexto de reforçar a segurança na fronteira com a Síria diante da chegada de cerca de 140 mil desalojados pelo conflito, os EUA incrementam sua presença militar no país justamente para abrir outra frente de guerra com a Síria. Como parte desta escalada, um grupo de navios de guerra liderados pelo porta-aviões nuclear John Stennis entrou para a poderosa frota que os EUA estacionaram no Oriente Médio a pretexto de “enfrentar as ameaças” do Irã e da Síria. O navio agora está nas águas do Golfo Pérsico e entrou na zona de operações da Quinta Frota, que é responsável por forças navais dos EUA no Golfo Pérsico, Mar Vermelho, Golfo de Aden e na África Oriental. Na véspera do envio do porta-aviões, o chefe do Pentágono declarou que esta era a resposta dos EUA diante da ameaça do Irã de fechar o Estreito de Ormuz por onde passa grande parte do óleo cru da região devido as sanções impostas pela ONU e a UE. O navio John Stennis se juntou a três outros (USS Abraham Lincoln, USS Enterprise que já está no Golfo de Aden e ao USS Eisenhower que se encontra no litoral do Paquistão para “ajudar” a OTAN no Afeganistão). O grupo de batalha do novo navio da Quinta Frota é composto de 5.500 marinheiros, que consistem em quatro destróieres, um míssil de cruzeiro e um submarino nuclear. Transportam 48 caças F/A-18 Super Hornet, dois esquadrões de helicópteros e vários drones, sendo ainda equipados com cerca de 100 mísseis de cruzeiro Tomahawk de longo alcance. Tamanho poder de destruição prova que o imperialismo ianque esta pronto para a guerra, ainda que sua opção preferencial ainda seja a desestabilização “interna” dos governos do Irã e da Síria vias os “rebeldes” ou a vendida oposição persa.

Por trás de todo esse incremento militar está a pressão de Israel e do complexo industrial-militar. O crescimento artificial da candidatura republicana de Mitt Romney é justamente para tensionar ainda mais Obama a agir o mais rápido possível contra o Irã, não estando descartada totalmente uma intervenção militar na Síria em “ajuda” a Turquia ou a Jordânia. Ainda que a mídia republicana infle descaradamente Romney, já há um acordo para manter Obama em função de o próprio ter conseguido cacifar-se como “falcão” democrata em sua intervenção no Oriente Médio e Norte da África. É verdade que Obama já vinha dando continuidade integral à chamada política “bushiana” da guerra ao terror. As tropas ianques sob a gestão democrata intensificaram suas ações no Iraque e Afeganistão, além da manutenção da prisão de Guantánamo, símbolo maior desta etapa. Mas o fato do “continuísmo” de Obama não lhe dava direito de “reivindicar” um novo mandato à frente da máquina de guerra do imperialismo ianque. Passadas e desfeitas as expectativas da posse em 2009, Obama parecia que teria o destino de um governo “tampão”. Papel historicamente reservado aos democratas “fracos”, como Carter, por exemplo. O determinante para “a virada de jogo” aconteceu na arena internacional, especificamente na “nova” política das intervenções “humanitárias” e “democráticas”, seja na transição pactuada do Egito, seja na guerra civil que foi vitoriosa na Líbia.

Obama está em pleno curso de suas provocações contra o governo Assad na Síria e prepara o embate mais crucial contra o regime dos aiatolás no Irã. Por estas razões políticas de Estado, as duas “alas” da águia imperialista americana o definiram como o próximo presidente ianque. O atual neofalcão chamou para si a responsabilidade de defenestrar os regimes burgueses nacionalistas, adversários de Washington no Oriente Médio e Norte da África. O bombardeio criminoso sobre o povo líbio, as provocações terroristas contra o governo Assad e o anúncio da guerra nuclear contra o Irã, conferiram a Obama o posto de carniceiro imperial, pronto a “combater” pela manutenção da hegemonia militar ianque. O momento é de potenciar os abalados lucros capitalistas com a indústria da guerra, agora rebatizada de cruzada humanitária ou de “revolução árabe”, operação política planejada pelo Pentágono e avalizada pelos cretinos da esquerda revisionista, que comemoraram junto a Obama e a senhora Clinton o assassinato de Kadaffi e neste momento salivam por um mesmo fim para Assad e Mahmoud Ahmadinejad. O acionamento da Turquia e da Jordânia fazem parte desse tabuleiro.

Para a poderosa classe operária norte-americana, fica a lição de superar as ilusões no presidente “humilde e negro” que semeava a expectativa de uma mudança radical na linha ultramonetarista e belicista aplicada nos oito anos de governo Bush. Como parte desse balanço os trabalhadores norte-americanos devem aliar-se aos povos semicoloniais em luta visceral contra o imperialismo, independente do caráter burguês de suas direções nacionalistas. Somente estabelecendo uma frente única incondicional para a derrota militar do “monstro” imperialista, mantendo sua independência de classe, a vanguarda do proletariado mundial poderá credenciar seu projeto histórico socialista, diante do conjunto dos povos oprimidos e da própria humanidade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012



PSTU, agora mais do que nunca, solda com titânio sua estratégia eleitoral com a do PSOL

O PSTU anunciou como uma grande vitória política e eleitoral do partido a eleição dos vereadores Amanda Gurgel, em Natal e Cléber Rabelo, na capital paraense. Não por acaso estas foram as duas únicas capitais do país, além de Maceió, onde o PSTU esteve coligado com o PSOL em 07 de outubro, constituindo a tão almejada “Frente de Esquerda” ou, melhor dizendo, uma minifrente popular. Diante deste resultado, a principal conclusão política a se tirar é a de que a partir de agora, mais do que nunca, a estratégia eleitoral dos morenistas está umbilicalmente ligada a do próprio PSOL. E qual a perspectiva política do PSOL para os próximos embates eleitorais? Aprofundar suas alianças com os partidos burgueses para alcançar mais postos parlamentares e executivos. As experiências em Belém e Macapá, onde o PSOL coligou-se desde o PCdoB até o PPS não deixam a menor dúvida do caminho a ser trilhado em 2014! A direção do PSTU sabe perfeitamente disto e já optou por se subordinar a esta estratégia eleitoral cretina. Por isto aceitou o PCdoB em Belém e coligou-se com o PSOL em Natal, mesmo podendo ter saído sozinho e, inclusive, garantido no mínimo mais um vereador para o partido na capital potiguar. Mas a “real política” do PSTU vai mais além dos resultados eleitorais imediatos no Rio Grande do Norte. Para soldar com titânio as relações “carnais” com o PSOL, o PSTU preferiu sacrificar parcialmente em Natal seu próprio potencial eleitoral em nome da ganhar um “passaporte” para futuras coligações com o PSOL pelo país afora! Não por acaso o nome da coligação em Natal foi “Frente Ampla de Esquerda” apesar de ser formada exclusivamente pelo PSTU e PSOL. Ambos partidos quiseram reafirmar publicamente o caráter “amplo” de seu programa de colaboração de classes, aberto a novos aliados burgueses em 2014!

Como o futuro eleitoral do PSTU está ligado ao do PSOL comecemos analisando os resultados de “quem paga a banda e pede a música”. O PSOL foi para o segundo turno em Belém e Macapá e teve uma votação expressiva no Rio de Janeiro com Marcelo Freixo (quase 30%). Além disso, elegeu vereadores em quase todas as capitais do país (RJ, SP, POA, FORT, BEL, FLO, NT, SALV, ...). Esse resultado considerável do ponto de vista da política eleitoral burguesa faz sua direção salivar ainda mais com as possibilidades futuras. Ainda que deva ser derrotado nas disputas no norte do país, o PSOL sairá fortalecido pela capilaridade parlamentar que conquistou como um partido com peso político razoável no espectro da oposição burguesa, ou seja, é uma legenda que atrai, além de setores “éticos” da pequena-burguesia, políticos burgueses, carreiristas e afins. Não por acaso, Edmilson Rodrigues recebeu o apoio de Marina Silva ainda no primeiro turno e Clécio Vieira formou uma ampla aliança burguesa já em 07 de outubro em Macapá, que conta também com a participação do PPS, PRTB, PMN, PTC, PV e PCB. Em ambos os casos a coligação encabeçada pelo PSOL vai se ampliar para o segundo turno. Em Belém, o PT e seu então candidato a prefeito, Alfredo Costa, já anunciaram apoio à candidatura de Edmilson Rodrigues assim como o PV e PPL (ex-MR8).

A estrutura política e material alcançada pelo PSOL via mandatos nas capitais vai incrementar ainda mais seus apetites eleitorais e o único caminho para crescer será ampliando seu leque se alianças burguesas. A esta estratégia determinada pela direção do PSOL está necessariamente colado o PSTU, ainda que os morenistas finjam formalmente reclamar deste curso. Tais queixas não passam de mero ilusionismo, porque o PSOL, como se provou em Belém, pode receber recursos de empresários, coligar-se com o PCdoB e ser apoiado por Marina Silva que o PSTU não rompe a aliança se esta lhe trouxer dividendos eleitorais. O mesmo ocorrerá neste segundo turno, vide o que está ocorrendo em Belém! Lembremos que em Maceió, a direção do PSTU aplicou o mesmo cálculo eleitoralista, porém desta vez Heloísa Helena, mesmo sendo a vereadora mais bem votada na capital alagoana, amealhou pouco mais de 17 mil votos e não os 30 mil conquistados em 2008. Heloísa conseguiu eleger além de si apenas mais um vereador na coligação e não dois como calculava a direção do PSTU. Mesmo sabendo desta possibilidade os morenistas não vacilaram em se aliar aquela que é a ponta de lança da ala direitista do PSOL, “marineira” de primeira hora, tanto que chegou mesmo a abandonar a candidatura presidencial do PSOL em 2010 para apoiar a postulante do PV.

Como a política eleitoral do PSTU deu resultados “concretos” neste 07 de outubro, tanto que o partido elegeu dois vereadores de capitais depois de vários anos de “abstinência parlamentar”, a direção morenista não tem porque recuar em sua inflexão à direita, ao contrário, ingressou em um caminho sem volta. Por que não se coligar com o PSOL e seu arco de aliados burgueses se, como em Belém, o PSTU conseguiu eleger um “parlamentar revolucionário”, como se nada tivesse a ver com o apoio milionário de empresários a campanha Edmilson, o principal “cabo eleitoral” de Cléber Ribeiro? A direção do PSTU se limitou a lançar “cartas” ao PSOL reclamando de aspectos pontuais da campanha, porém nunca ventilou a possibilidade de romper com a aliança. Estas “queixas” não passaram de uma cortina de fumaça para convencer o público interno de que o partido mantinha algum grau de distância do programa de colaboração de classes da minifrente popular encabeçada pelo PSOL. Agora com a festejada “vitória eleitoral” que garantiu dois postos parlamentares, o PSTU já definiu esta tática típica do oportunismo morenista como a “justa” para lhe lavar a cara e manter intocáveis suas alianças com o PSOL. Porém, a luta de classes é implacável e na medida em que essas críticas são letra morta, sem nenhum desdobramento concreto, o processo de adaptação ao programa e as alianças do PSOL vão avançando, exigindo uma maior inflexão à direita por parte do PSTU. Em 2014, por exemplo, o PSTU “venderá sua alma ao diabo” para coligar-se no máximo de estados com o PSOL, aceitando “criticamente” suas alianças burguesas desde que esse balaio de gatos lhe garanta um mandato no parlamento nacional. Registre-se que isto só não ocorreu até agora porque o PSOL resiste em coligar-se com o PSTU onde tem chances eleitorais reais, porém com a aceitação pelo PSTU da estratégia eleitoral do PSOL esta barreira começa a ser superada! Belém mostrou o caminho e a “retribuição” em Natal consolida esse processo!

Já não resta a menor dúvida que adentramos em outra etapa política no que diz respeito às relações eleitorais do PSTU como o PSOL, na medida em que este último mostrou que tem viabilidade eleitoral e se consolidou como um partido que começa a ganhar peso no interior da oposição burguesa. Como já afirmamos, estamos vendo o “começo do fim” do PSTU enquanto partido que se reivindicava formalmente revolucionário, que a passos largos vai se tornar mais uma legenda “domesticada” da esquerda social-democrata refém do regime democratizante, onde os apetites eleitoralistas, sindicalistas e aparelhistas, já com enorme peso no partido e que corrompem grande parte de sua militância vinculada a essas estruturas, vão esmagar qualquer traço de classismo, ainda que formal, que mantinha até então o PSTU fora das alianças diretas com a burguesia e seus partidos! Embriagada por ter conquistado um “lugarzinho” no parlamento burguês, a direção do PSTU vai tentar convencer sua base de que tais concessões “táticas” não ameaçam o “programa revolucionário” do partido, recorrendo inclusive cinicamente a Lênin e Trotsky para justificar sua política escandalosa. Como já vimos esse filme reformista várias vezes, responsável por liquidar organizações políticas inteiras ou tornando-as meras legendas a serviço de parlamentares carreiristas de “esquerda”, como é o próprio PSOL, chamamos os militantes que ainda se opõem a essa política escandalosa da direção do PSTU a tirar as lições programáticas dessa vergonhosa integração ao regime da democracia dos ricos pelas mãos do PSOL.

terça-feira, 9 de outubro de 2012


PCdoB: o fiasco eleitoral dos office-boys “vermelhos” da burguesia

Os resultados das urnas destas eleições municipais deste 07 de outubro revelam o fiasco eleitoral do PCdoB e servem para aferir o nível de degradação política em que se encontram os ex-stalinistas office-boys da burguesia que integram o governo da frente popular. O desempenho do PCdoB foi marcado por uma rotunda derrota nos principais municípios do país em que apresentou candidaturas. Os desastrosos números do primeiro turno forçaram o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, a lançar um patético balanço no site do partido, que não passa de um verdadeiro embuste para encobrir a crise política que se abateu sobre a legenda, ao afirmar que os resultados foram “favoráveis” se comparados às eleições de 2008: “É a primeira vez que o PCdoB participa no centro da disputa eleitoral com esse tamanho. Os resultados mostram um avanço gradativo, mas importante do Partido” (Vermelho, 7/10). Esta “análise” trata-se de uma aberta falsificação política, já que o suposto crescimento do PCdoB em pequenas cidades do interior do Brasil, a custa das mais sórdidas alianças com partidos burgueses representantes das reacionárias oligarquias regionais, busca esconder seu tremendo retrocesso nos maiores e importantes centros urbanos como São Paulo, Fortaleza, Porto Alegre, Florianópolis e Manaus.

Na maior cidade da América Latina, São Paulo, a mais importante concentração operária do país, foi notório o fiasco do PCdoB nestas eleições. Até então possuía duas cadeiras na Câmara dos Vereadores, Jamil Murad e Netinho. Murad, um dos principais dirigentes do partido não conseguiu ser reeleito somando 17.574 votos (0,31% dos votos válidos), retrocedendo em relação a 2008 quando amealhou 28.041 votos. Com todas as expectativas voltadas para a eleição do ex-ministro dos esportes do governo Lula/Dilma, Orlando Silva não atingiu o percentual para ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, com os 19.739 obtidos (0,35%), mesmo sendo uma das mais conhecidas figuras públicas do partido. Na capital paulista, apenas Netinho conseguiu se reeleger com 50.698 votos, muito abaixo de 2008 quando obteve 84.177. Contudo, Netinho não tem qualquer vínculo ideológico-partidário com o PCdoB, uma vez que se trata de um oportunista “pagodeiro” decadente que alugou a legenda para poder desfrutar de uma “boquinha” no Parlamento.

O naufrágio desta política aconteceu também em Fortaleza, quando a candidatura de Inácio Arruda ficou somente na sétima colocação, atrás inclusive do PSOL de Renato Roseno. Inácio, que nos primórdios da campanha eleitoral estava cotado para ser o “vencedor” por ser um “plano B” da oligarquia dos Ferreira Gomes, obteve parcos 22 mil e 880 votos, uma humilhação para quem foi eleito senador em 2006 com quase 2 milhões de votos! O caso foi semelhante em Florianópolis, com a candidatura de Angela Albino, apresentada pelo partido como franco-favorita para vencer as eleições, nem sequer passou para o segundo turno, somando apenas 25,03% dos votos válidos contra os 27,37% de Gean Loureiro (PMDB) e 31,68% de César Júnior (PSD). Em Manaus a surra das urnas foi acachapante. Vanessa Grazziotin, mesmo tendo o apoio ostensivo de Lula e Dilma, foi para o segundo turno com menos da metade dos votos de seu adversário tucano, Arthur Virgílio, 19,95% e 40,55% respectivamente. Mas o “tiro de misericórdia” aconteceu em Porto Alegre, onde Manuela D´Ávila foi esmagada por Fortunati (PDT) eleito já no primeiro turno com 65,22% contra insignificantes 17,76% da “musa” gaúcha, que aliou-se aos setores mais reacionários como o PSD de Kassab. Até mesmo onde o PCdoB era governo, como em Olinda, por muito pouco não foi alcançado pela candidata do PMDB, Izabel Urquiza, quem obteve 40,44% contra 50,45% do “comunista” Renildo Calheiros da inusitada coligação “Frente Popular de Olinda”. Este só “venceu” a disputa porque sua coligação englobou quase todo o arco de partidos burgueses da região, como o próprio PSDB, tanto que recebeu o apoio direto do seu presidente nacional da legenda, o tucano Sérgio Guerra. Por fim, o partido perdeu a prefeitura de Aracaju que controlava por um acordo com o PT do governador Marcelo Deda. O atual prefeito, Edvaldo Nogueira, do PCdoB, apoiou um candidato do PSB, porém este foi fragorosamente derrotado por João Alves Filho, do DEM, com uma vantagem de mais de 20% para o representante das oligarquias reacionárias!

A crise na qual mergulhou o PCdoB decorre do fato não conseguir se cacifar como uma legenda burguesa com peso político como o PSB. Na verdade, hoje nos locais em que não concorreu sob as asas protetoras do PT, ocupou a função de mais um partido “nanico”, perdendo espaço à esquerda pela ascensão do PSOL nas eleições de outubro. Não é para menos, pois desde as denúncias contra o ex-ministro do esporte Orlando Silva, acusado de intermediar negociatas com empreiteiras e multinacionais em obras da Copa do Mundo se valendo de ONGs, não consegue superar sua crise interna. Situação piorada com a total desmoralização de Aldo Rebelo, responsável por aprovar o “novo” Código Florestal junto a bancada ruralista do Congresso Nacional em nome do agronegócio e dos latifundiários. Aldo, por demonstrar ser de inteira confiança perante a direita mais recalcitrante, foi alçado ao lugar de Orlando Silva para fazer a “faxina” contra seu próprio partido no ministério e dar continuidade às mamatas da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas de 2016 na condição de office-boy das grandes corporações e empreiteiras. O ocaso do PCdoB é, sem dúvida, produto da imensa ofensiva ideológica do imperialismo pós-queda do Muro de Berlim e destruição da URSS. Sem qualquer referência política no comunismo, sua atual direção integrou-se de mala e cuia à “democracia” capitalista, deixando de ser um partido estalinista para transformar-se numa legenda de aluguel disponível a qualquer burguês que se interessar em comprá-la. Nem mesmo o nome “comunismo” espanta a classe dominante, porque não há a menor relação ideológica entre este partido e um programa revolucionário. Os “comunistas” do PCdoB, não é de hoje, sempre estiveram a serviço da burguesia e das oligarquias regionais mais reacionárias, tanto que apoiaram Sarney, Tasso Jereissati, Collor, Jader Barbalho e Renan Calheiros já época da mal-chamada “Nova República”. A política do PCdoB de aliar-se com as mais diversas frações da burguesia e a defesa das instituições do Estado capitalista não são nenhuma novidade e desnudam a total decomposição moral e política de um partido corrompido ideologicamente, plenamente adaptado ao projeto de colaboração de classes da frente popular. Como se vê, a legenda do PCdoB está pagando um alto preço por ser uma verdadeira “prostituta política” da burguesia.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012



Abstenção e Voto Nulo batem recordes em 07 de outubro: Organizar já um encontro nacional pelo Boicote Ativo à farsa eleitoral para dotar de um programa revolucionário o descontentamento popular com o circo da democracia dos ricos!

A principal manchete do site da Folha de São Paulo na noite deste domingo, 07 de outubro, logo depois da “apuração” das urnas eletrônicas, foi “Taxa de brancos e nulos dispara em SP nas eleições deste ano”. Em letras garrafais estava claro que a burguesia havia acendido a luz amarela de alerta para esse “fenômeno político”, até porque os votos brancos, nulos e a abstenção juntos alcançaram o mesmo índice médio (30%) em quase todo o país. Os dados do próprio TSE atestam, ainda que deformadamente, que toda ladainha do regime político burguês em torno da importância da democracia, do valor do voto como instrumento de mudança e da cidadania não fizeram efeito em grande parte da população, particularmente nos setores mais proletarizados. Em tom de desapontamento, a Folha afirmou: “Foram 28,9% de brancos, nulos e abstenções para prefeito: 18,5% dos eleitores deixaram de ir às urnas; outros 10,4% dos eleitores até compareceram ao local de votação, mas não escolheram nenhum candidato, votando branco ou nulo - ou 12,8% dos que compareceram” (sítio Folha de S.Paulo, 07/10, 23:54hs). Em outro trecho, o pastelão assevera: “Para anular o voto, é preciso digitar na urna eletrônica um número de candidato inexistente (como “00”) ou errar o número do candidato escolhido. Hoje, 8,5% dos paulistanos anularam o voto, contra 3,9% em 2008 e 4,4% em 2004. Para vereador, os votos nulos chegaram a 8,9%, contra 5,1% em 2008 e 4,3% em 2004”. Como se observa, há uma tendência crescente pelo boicote passivo ao circo eleitoral via abstenção pura e simples, assim como do aumento do número de votos nulos como uma opção de repúdio a democracia burguesa e aos partidos da ordem, sejam de “direita” ou “esquerda”. Para nós da LBI, esse “fenômeno” que deixou os analistas burgueses e seus pastelões em polvorosa diante do “desprezo pela democracia” não é nenhuma surpresa. Já no começo de agosto, exatamente três meses antes do 07 de outubro, prognosticamos: “O caráter burlesco de eleições que já estão preliminarmente decididas empurra cada vez mais setores conscientes de nosso povo a se enojarem com toda essa farsa montada para desviar o curso da ação direta dos explorados. Avaliamos que nestas eleições municipais crescerá a tendência a abstenção e ao voto nulo como expressão passiva de repulsa a essa democracia dos ricos” (Editorial: Por um boicote ativo ao circo eleitoral burguês! JLO Nº 241 - 1ª Quinzena Agosto/2012).

Sempre afirmamos que era necessário intervir nesta tendência para politizá-la, transformando-a em luta direta e consciente contra o regime político burguês. Não por acaso, ao mesmo tempo em que fizemos este prognóstico, que se mostrou tremendamente acertado, pontuamos por várias vezes que para potenciar esse processo político de descontentamento popular era necessário uma tática que permitisse dialogar com os setores mais avançados de nossa classe, propondo ações unificadas que possibilitassem romper o cerco imposto pela frente popular e o revisionismo. Para tanto, a LBI fez um chamado às correntes políticas e coletivos classistas a desenvolver uma ampla campanha nacional de boicote ativo a estas eleições, que abarcasse não só chamado ao voto nulo, indo mais além no sentido de iniciativas ousadas para desmascarar o conjunto da fraude política em curso. Chegamos a chamar a organização de um encontro nacional antes do primeiro turno para ampliar o processo de agitação e denúncia deste regime democratizante e suas eleições fraudulentas. Desgraçadamente, tais grupos “revolucionários” fizeram ouvidos moucos a tal chamado optando por uma política de avestruz que não se chocasse com a frente popular e a “oposição de esquerda”. Alguns papagaios do florido arco do “trotskismo fictício” chegaram mesmo a se arrepender de ter chamado o boicote ativo no passado, enquanto outras seitas virtuais chamaram logo o voto no PSTU, PCB ou mesmo no PCO, alegando que tal posição oportunista “concreta” era um “antídoto” contra o suposto “ultra-esquerdismo” que representava o chamado ao voto nulo ou ao boicote ativo. Os dados provam que uma importante parcela da população trabalhadora, mesmo com toda a chantagem em torno da “importância do voto” e da “cidadania”, além da corrupção eleitoral propriamente dita (compra de votos), virou as costas para a farsa eleitoral.

O mais cômico de todos esses agrupamentos atordoados com o crescimento do boicote a farsa eleitoral e do número de votos nulos foi o PCO que declarou: “Crise do regime - Voto nulo ganha eleição em São Paulo: 39% dos eleitores do maior colégio eleitoral não votaram em nenhum candidato. Abstenção eleitoral, somados aos votos nulos e brancos somaram mais de 3 milhões de voto” (sítio PCO, 8/10). Em seu catastrofismo vulgar, Causa Operária “esquece” que lançou seus palhaços no picadeiro do circo eleitoral para serem porta-vozes de um programa sindicalista ultrarrebaixado, mas que ainda assim foram solenemente menosprezados pelos trabalhadores, com votações pífias que alcançaram a marca “recorde” de 0,02%, como na própria capital paulista! Lembremos que o PCO nestas eleições entrou pelas portas dos fundos da “frente de esquerda” aos se coligar com o PCB em Teresina, o mesmo que estava na coligação com o PPS, PRTB, PMN, PTC, PV e PSOL em Macapá! O PCO que vem se integrando gradativamente à “oposição de esquerda” e ao seu eleitoralismo, agora em mais um de seus delirius tremens afirma: “Os 39% de abstenções é a expressão eleitoral da ruptura por baixo no regime político, da qual as lutas sociais, greves e manifestações que tomaram conta do país no último período foram a demonstração mais clara do deslocamento à esquerda ocorrido no último período. É o fim das ilusões com jogo de cartas marcadas” (Idem). Causa Operária é a mais afoita das correntes em seus devaneios catastrofistas, que são compartilhados por todo arco revisionista do trotskismo, que vai do PSTU até a LER e outros grupos do trotskismo “fictício”. Não por acaso passou (literalmente) de um dia para o outro de patrocinar ilusões no circo eleitoral para agora profetizar que a abstenção e voto nulo recordes nestas eleições já seriam “o fim das ilusões com jogo de cartas marcadas”! Nada mais falso, a tendência política heterogênea de abstenção ou voto nulo, que muitas vezes tem um conteúdo de direita e reacionário, só ganhará um corte consciente do ponto de vista do proletariado com a intervenção organizada do partido revolucionário, como fez a LBI e suas brigadas militantes neste 07 de outubro, todo o oposto da conduta eleitoralista cretina do PCO e do conjunto da esquerda domesticada! Para os Bolcheviques que não puderam se apresentar institucionalmente nestas eleições na função de tribunos do povo, por conta de uma legislação draconiana, a política que melhor expressou a publicidade pela revolução socialista e a auto-organização do proletariado foi a defesa do voto nulo ou de boicote ativo eleitoral, dependendo das circunstâncias concretas de cada município. A agitação pelo voto nulo em nenhuma medida deve ser confundida com a política anarquista, contra a utilização da tribuna eleitoral para a propaganda revolucionaria.

Tragicamente, as organizações políticas que defendem o voto nulo ou o boicote eleitoral, preferiram até agora atuar dispersa e covardemente neste processo, se limitando a emitir declarações passivas acerca da “justeza” do voto nulo. Como dissemos, o chamado realizado pela LBI para a realização de um encontro nacional, que centralizasse politicamente a iniciativa de um boicote ativo ao engodo eleitoral foi “solenemente” ignorado pelas correntes que não convergiram para o caudal revisionista da frente de esquerda entre o PSOL e PSTU. Sem uma unificação mínima acerca do processo eleitoral, os grupos da esquerda classista seguem sem um eixo de ação nacional, verbalizando a defesa do voto nulo sem o confronto real com o reformismo “chapa branca”, e o que é pior, à margem de uma inserção concreta junto à classe operária e o movimento de massas. Mesmo tendo clareza absoluta das profundas limitações da política do boicote eleitoral na atual conjuntura do país, nós da LBI nos esforçamos ao máximo no marco de nossas pequenas forças, para dotar o eixo do “voto nulo” em uma referência ativa para as massas. De outra forma a defesa da abstenção eleitoral poderá ser confundida com uma despolitizada crítica (típica dos anarcóides) aos “políticos” de uma forma geral. Por esta razão, insistimos onde houver segundo turno nestas eleições municipais no chamado a uma ação centralizada das correntes e do ativismo classista, através de uma plataforma programática mínima e principista, que desemboque na denúncia política viva deste regime fraudulento da democracia dos ricos.

Como dissemos bem antes do primeiro turno, compreendemos que para homogeneizar um programa de luta diante do circo eleitoral burguês e dotar o movimento operário de um eixo comum de ação é urgente construir uma plataforma revolucionária unitária com o objetivo de denunciar as candidaturas do regime e apontar, através da ação direta, uma alternativa de poder própria dos trabalhadores, baseada nos interesses históricos e imediatos dos explorados! Devemos aproveitar o debate eleitoral nas escolas, ruas e bairros proletários para demonstrar a nulidade destas eleições como via para obter a menor conquista social e denunciar o caráter fraudulento desta democracia dos ricos, onde a verdadeira soberania popular há muito foi “sequestrada” por um seleto clube de “eleitores” empreiteiros, industriais e latifundiários. Mais uma vez convocamos, desde as modestas forças políticas da LBI, todos os coletivos classistas e ativistas combativos do movimento de massas a desenvolverem em frente única conosco, uma campanha nacional e ativa pelo voto nulo e em defesa da revolução socialista mundial. Neste sentido, chamamos a organização de um encontro nacional o mais rápido possível para que possamos potenciar coletivamente o processo de agitação e denúncia deste regime democratizante e suas eleições fraudulentas. O voto nulo passivo, sem a demarcação programática vigorosa e necessária com as variantes da política burguesa e reformista, só reforça as tendências de despolitização das massas e sua inação diante de nossos inimigos de classe.

Sabemos que entre as organizações políticas que defendem o voto nulo neste segundo turno existem sérias divergências de cunho programático, teórico e político. Essas diferenças persistem e se manterão, não as ocultamos, até porque várias correntes políticas apoiaram ainda que “criticamente” candidatos pela “frente de esquerda” como o PSTU, PCB ou PCO, enquanto outros agrupamentos, como a LBI, já defendiam o voto nulo programático desde o primeiro turno. Apesar dessa realidade, seria um sectarismo que, diante de uma posição eleitoral comum em defesa do voto nulo adotada no segundo turno, marcado pela polarização eleitoral e uma acirrada disputa política no seio da burguesia, não conformássemos uma frente única de ação, dispersando as forças militantes em um momento crucial para os trabalhadores, já que uma campanha com um corte de classe pelo voto nulo e o boicote ativo seria desde já o embrião de um pólo para enfrentar as administrações municipais burguesas no próximo período, sejam elas da base de apoio ao governo Dilma (PT) ou a oposição demo-tucana. Não avançar na constituição de uma campanha unitária em defesa do voto nulo programático representaria um sério equívoco político, ainda mais quando um contingente de quase 30% do eleitorado se absteve ou votou nulo no primeiro turno, expressando sua frustração com as instituições do regime. A Liga Bolchevique Internacionalista conclama as correntes políticas que já se posicionaram em defesa do voto nulo ou do boicote ativo ao circo eleitoral neste segundo turno, os ativistas classistas independentes, a abraçarem a tarefa de construir este encontro nacional forjando-a como um instrumento de independência política dos trabalhadores.