APÓS 56 ANOS DE BLOQUEIO ECONÔMICO DO IMPERIALISMO IANQUE:
NOSSA RESPOSTA CONTINUA SENDO A DEFESA INCONDICIONAL DE CUBA E A LUTA PELA
REVOLUÇÃO POLÍTICA PARA BARRAR A RESTAURAÇÃO CAPITALISTA QUE AVANÇA COM A
CUMPLICIDADE DA BUROCRACIA CASTRISTA!
Nesse mês de fevereiro completam-se 56 anos do bloqueio
econômico do imperialismo ianque a Cuba, que já provocou um prejuízo superior a
US$ 1,5 trilhão segundo o governo da Ilha Operária. Por ordem do então
presidente “democrata” Kennedy, a Casa Branca suspendeu em fevereiro de 1962 as
relações comerciais com o Estado operário cubano, além de proibir linhas de
crédito e vários outros tipos de intercâmbios. A medida era uma retaliação às
nacionalizações de empresas norte-americanas e às crescentes relações com a
URSS. Essa política tem sido levada a cabo até hoje, foi renovada por Trump
mesmo após a negociações com o “democrata” Obama nos anos anteriores, pondo
assim um fim às ilusões da burocracia castrista que acreditou inicialmente que
este alteraria as relações políticas entre Cuba e os EUA. “Sabemos o que
acontece ali e não nos esquecemos. Cuba deve legalizar os partidos, permitir
eleições supervisionadas, liberar os presos e entregar os fugitivos. Enquanto
não houver liberdade, haverá restrições”, disse Trump recentemente. Hoje, o
bloqueio é usado como fonte de forte pressão para impor dificuldades econômicas
ao povo cubano e, ao mesmo tempo, serve de chantagem para o incremento da
abertura gradual capitalista por parte da atual direção stalinista do PCC, sob
o comando de Raul Castro, opositora frontal do programa trotskista da revolução
permanente em escala mundial. A melhor forma dos Marxistas Revolucionários
responderem as investidas do imperialismo ianque que se incrementaram com a
ascensão de Trump a Casa Branca, é chamando a classe operária em nível mundial
a derrotar o imperialismo e não apoiando a política de “coexistência pacífica”
com a Casa Branca e a Igreja Católica. Orgulhamo-nos de em meio à ofensiva
mundial do imperialismo contra Cuba e outros regimes políticos que são alvo da
sanha guerreirista da Casa Branca, como a Coreia do Norte, Síria, Venezuela e o
Irã, estarmos na linha de frente do combate internacionalista para derrotar as
grandes potências capitalistas, inclusive em unidade de ação com o PC cubano
diante dos ataques do pior inimigo dos povos, o imperialismo. Desde a
trincheira de luta da defesa do Estado operário cubano e das nações oprimidas,
fazemos o combate programático e político pela construção nestes países de uma
autêntica direção revolucionária para o proletariado pela via da revolução
política no Estado operário deformado cubano.
Com a liquidação contrarrevolucionária da URSS no início dos
anos 90, os efeitos do bloqueio econômico ianque se fizeram sentir ainda mais
ferozmente. A derrubada do Muro de Berlim e a liquidação da URSS no final da
década de 80, saudada como um “avanço ao socialismo” por grupos revisionistas
como a LIT/PSTU, UIT/CST, MRT/PTS e afins, forçou a direção castrista a adotar
uma série de medidas de mercado para incrementar a atividade econômica na Ilha,
completamente sufocada e esgotada pela ausência de relações comerciais com
países capitalistas. Até então a ilha mantinha 85% de seu intercâmbio econômico
e comercial com a URSS. Com o fim do Estado operário Soviético Cuba deixa de
receber abruptamente 14 milhões de toneladas de combustível ao ano a preço
abaixo do mercado mundial, quando a produção nacional chegava a no máximo 500
mil toneladas anuais. O desaparecimento das condições vantajosas do comércio de
Cuba com o Leste europeu e, fundamentalmente, com a URSS fez caírem as
exportações cubanas em mais de 70% em apenas três anos, entre 1989 e 1993. Como
produto dessa situação 1/3 do PIB caiu, dividido na redução de 50% da produção
da agricultura, 30% da indústria e 70% da construção civil. Em resposta à Lei
de Torricelli e a Lei Helms-Burton que reforçaram o bloqueio econômico, o
governo cubano aprovou a Lei de Inversões Estrangeiras, em 1995, que
flexibilizou o monopólio do comércio exterior, permite investimentos do capital
estrangeiro em ramos centrais da economia, autoriza a remessa integral dos
lucros e dissolveu a Junta Central de Planificação, órgão responsável pela
planificação da economia no Estado operário.
Inicialmente Fidel Castro, no comando do aparelho stalinista
do PCC, escondeu a nocividade destas medidas e buscou identificá-las com a NEP
de Lenin, quando na verdade sua política não estava baseada na expansão da
revolução mundial, como podemos ver claramente nas relações que Cuba estabeleceu
com o chavismo, apoiando o “presidente bolivariano” em sua política
nacionalista-burguesa de não-ruptura radical com o modo de produção
capitalista, ou como fez anteriormente com a Nicarágua de Daniel Ortega. Hoje
esta orientação está clara nas resoluções dos Congressos do PCC, condensadas
nas palavras de Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional do Poder
Popular: “O socialismo não é a propriedade pública de todos os meios de
produção. A luta política e nosso próprio voluntarismo conduziram a exageros no
passado, que precisam ser retificados. Não podemos mais compreender o
empreendedorismo privado, sob controle do Estado, apenas como uma concessão
temporária. Essa atividade deve ter seu lugar em nosso modelo socialista. Para
essa tarefa, precisamos entender qual o socialismo possível, capaz de trazer
desenvolvimento e prosperidade para as novas gerações. Não temos medo de
criticar nossos próprios erros, pois não há outra forma de construir um projeto
histórico de nação.” (Opera Mundi, 08/02/12). Ao contrário dessa apologia a
abertura feita pela direção stalinista, que ataca direitos históricos dos
trabalhadores, os genuínos trotskistas não escondem por um só momento a
angustiante realidade por que passa Cuba, abraçada pelo urso imperialista, produto
do isolamento da própria etapa contrarrevolucionária aberta com o fim da URSS e
da ação da burocracia stalinista que segue firme negando a vigência histórica
da revolução internacional.
Alertamos que os “ziguezagues” do castrismo diante da
ofensiva mundial do imperialismo ianque, acreditando nas "boas
intenções" dos Democratas ianques, colocam em risco a defesa das
conquistas históricas da revolução cubana, que mesmo debilitadas por um
bloqueio criminoso, permanecem socialmente vigentes para o proletariado da ilha
operária. Os próximos passos da Casa Branca, mesmo com o idiota Trump no
comando, estão bastante claros: primeiro a chantagem “democrática”, utilizando
a dissidência contrarrevolucionária como as “Damas de Branco” ou os ataques
midiáticos da blogueira-mercenária Yoani Sánchez, posteriormente a tradicional
agressão militar como vimos na Líbia e Síria. Quando se completam os 56 anos do
bloqueio econômico do imperialismo ianque a Cuba, reafirmamos que somente a
mobilização internacionalista da classe operária poderá fazer frente aos planos
do império para aniquilar totalmente a enorme referência mundial da revolução
cubana. Frente às provocações ianques sobre o Estado operário cubano, a posição
dos Marxistas Revolucionários deve ser a sua defesa incondicional, para na
trincheira da luta contra o imperialismo preparar as condições para a revolução
política. A destruição do Estado operário cubano seja pela via da agressão
militar ou da contrarrevolução “democrática”, inspirada na farseca “revolução árabe”
apoiada por todo arco revisionista, não por acaso os mesmos canalhas de
“esquerda” que clamam pela “derrubada da ditadura dos irmãos Castro”,
representará uma enorme derrota para o proletariado da América Latina, abrindo
um período sem precedentes de avanço imperialista. Por isso, nossa resposta
continua sendo a defesa incondicional do Estado Operário de Cuba e das
conquistas sociais da revolução!