HÁ SETE ANOS DO INÍCIO DA FALSA “REVOLUÇÃO ÁRABE” NA LÍBIA:
O IMPERIALISMO PATROCINA AS PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES EM BENGHAZI PARA
DESESTABILIZAR O REGIME NACIONALISTABURGUÊS DO CORONEL KADAFFI
ONU E OTAN PREPARAM INTERVENÇÃO MILITAR: DEFESA
INCONDICIONAL DA NAÇÃO LÍBIA DIANTE DA OCUPAÇÃO IMPERIALISTA!
(Publicado originalmente no Site da LBI, 03/02/2011)
O cenário montado pelo imperialismo está sendo armado para a
intervenção militar. A Líbia já está dividida com a oposição reacionária
controlando o leste e a zona litorânea rica em petróleo. Em paralelo, a ONU, a
OTAN e o imperialismo ianque e europeu estão acertando os últimos detalhes para
a ofensiva desta semana que entra. Obama já assinou uma ordem executiva para
congelar todos os ativos da Líbia nos bancos americanos, na primeira de uma
série de sanções anunciadas, além de suspenderam as operações em sua embaixada
na Líbia. Já o Conselho de Segurança da ONU decidiu "aplicar medidas
decisivas o mais rápido possível". O documento final inclui a declaração
de um embargo de exportação de armas à Líbia, assim como o congelamento dos
bens e a proibição da cúpula do regime líbio de viajar, além de acionar o TPI
para julgar os "crimes contra a humanidade", supostamente cometidos
por Kadaffi. Por sua vez, a OTAN, em conjunto com o pacote de bloqueio
econômico da União Europeia enviará navios e aviões para águas próximas à costa
da Líbia. Diante da orquestração militar do imperialismo, Kadaffi tenta
negociar sua permanência "honrosa" diante da possibilidade da fragmentação
do pais. Como representante da burguesia nacional teme um enfrentamento frontal
com o imperialismo, ainda que o custo político de sua capitulação seja a
liquidação do regime nacionalista que sobrevive no pais. O verdadeiro movimento
de massas que ocupou as ruas de Tripoli para exigir condições políticas e
militares para combater os "insurretos" pró retorno da monarquia,
esperam mais que retórica da liderança de Kadaffi.
A esquerda revisionista, para melhor camuflar sua traição,
declara cinicamente que se houver uma intervenção da OTAN será em socorro de
Kadaffi e segue reproduzindo como papagaios da grande mídia imperialista os
"ataques sanguinários" contra os "insurretos" partidários
da monarquia do rei Idris.
O Secretário-Geral da macabra organização militar
imperialista, a OTAN, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que os ministros de Defesa
dos países membros pretendem criar uma zona "exclusiva", ocupada por
aeronaves e vasos de guerra diante da costa marítima líbia: "Se trata de um
espaço aéreo e marítimo controlado exclusivamente pelos aliados, que teriam luz
verde para levar a cabo ações de intervenção rápida, no momento que
considerassem necessárias" (O Estado de São Paulo, 26/02), explicou
Rasmussen sem oferecer outros detalhes. O porto de Valletta está repleto de
navios de guerra da França, Alemanha, Reino Unido e Malta, entre embarcações
militares de outros países. Segundo Rasmussen "A OTAN tem a sua disposição
alguns ativos que podem ser úteis no esforço de coordenação... Para outras ações
precisamos de legitimidade internacional, em particular, de uma mensagem clara
das Nações Unidas" (Idem). Não por coincidência a "rebelião"
começou em Bengazi e os "insurretos" concentram-se nas cidades em sua
volta, próximas aos mais ricos campos petrolíferos da Líbia e na região que
aglomera a maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto
de gás natural liquefeito.
Como parte da armação desse cenário, Obama considera que as
atuais circunstâncias representam uma "ameaça incomum e extraordinária à
segurança nacional e à política externa dos EUA" e arrematou "O
governo de Muammar Gaddafi violou normas internacionais e a decência comum e
tem que responder por suas ações. Apoiamos firmemente os líbios em sua
exigência de que sejam respeitados os direitos universais e em sua
reivindicação de um governo que responda a suas aspirações" (O Estado de
São Paulo, 26/02). Em resumo, a Casa Branca pede a cabeça de Kadaffi.
Completamente desmoralizada, a esquerda que alardeia
histericamente uma "revolução contra a ditadura na Líbia" agora é
desmascarada com os preparativos da intervenção militar da OTAN "por suas
nobres razões humanitárias".
Segundo a grande imprensa burguesa mundial, esta "onda
revolucionária" made in USA já chegou a Síria, outro regime com sérias
fricções com o imperialismo. O The Guardian anuncia que a "Tensão chega
agora à Síria. O aparato de segurança do presidente sírio, Bashar al-Assad,
reprimiu manifestações em apoio aos protestos antigovernamentais em outros
países árabes. A tensão aumenta na capital síria, Damasco, após o terceiro
protesto pacífico em três semanas, a multidão foi violentamente dispersada. Há
cada vez mais relatos de intimidação e de bloqueio de comunicações pelos
serviços secretos, na esteira dos distúrbios violentos em países árabes
vizinhos" (The Guardian, 25/02). Com já alertamos, a Líbia hoje, amanhã o
Irã e a Síria são os alvos prioritários do imperialismo e do sionismo para
concluir o processo de transição política na região.
Lembremos que boa parte do arco revisionista que saúda
febrilmente a tal "revolução árabe" também foi e é partidária da
farsesca "revolução venezuelana" comandada por Chavéz, o
"Kadaffi do Século XXI". Temendo por si mesmo os efeitos da ofensiva
imperialista, o presidente venezuelano acaba de dar declarações em apoio ao
dirigente líbio, afirmando em sua conta na rede social twitter no dia 24/02: "Viva
a Líbia e sua Independência! Kadafi enfrenta uma guerra civil!!". Seria
cômico se não fosse trágico ver essas mesmas correntes pseudotrotskistas que
saúdam as "mobilizações contra a ditadura na Líbia" serem acossadas e
desmoralizadas por manifestações supostamente "democráticas"
patrocinadas pela direita golpista na Venezuela, ainda mais em um ano
pré-eleitoral, inspiradas nos ventos de "mudança" trazidos do
Oriente. Para serem coerentes esses senhores deveriam se unir à reacionária
direita golpista na Venezuela, assim como estão unidos aos monarquistas do rei
Idris na Líbia, para "derrotar as ditaduras de Chávez e Kadaffi",
pois assim o imperialismo define os regimes nacionalistas burgueses nestes dois
países.
Os próximos dias serão decisivos. Kadaffi afirmou em seu
pronunciamento na Praça Verde que abrirá os depósitos de armas e munição para
os militantes nacionalistas, mas até o momento busca desesperadamente uma
negociação com o imperialismo. Sua perspectiva histórica parece ser a mesma de
Sadam Husseim, ou seja, uma capitulação vergonhosa, o que em nada modifica a
posição marxista de apoio incondicional a um pais semicolonial frente a uma
intervenção imperialista. Uma posição revolucionária neste exato momento passa
por estabelecer uma frente única militar com as forças que estejam dispostas a
lutar na defesa do atual regime, contra os rebelados da reação imperialista e
da monarquia, com absoluta independência de classe do governo nacionalista
burguês.