segunda-feira, 4 de maio de 2026

UMA “REVOLUÇÃO COLORIDA” SE APROXIMA NA RÚSSIA: GOVERNO PUTIN É INCAPAZ DE REVERTER A CRISE CAPITALISTA POR SUA PRÓPRIA NATUREZA DE CLASSE 

Cinquenta meses após o início da guerra contra a Ucrânia, a Rússia enfrenta um crescente acúmulo de problemas militares, econômicos e sociais, com uma onda cada vez maior de “vozes críticas” apelando a Putin, dizendo ao chefe do Kremlin que está mal informado sobre a situação real do país. A economia capitalista, restaurada após a destruição reacionária da URSS, está na raiz de todas as atuais manifestações de descontentamento social russo. A atividade econômica mergulhou em uma recessão que se estende do setor de investimentos, há muito deprimido, ao poderoso complexo militar e industrial.

Putin tentou explicar a queda do Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia em janeiro e fevereiro como sendo devido a flutuações sazonais e ao clima, mas sua ordem para retomar o crescimento do PIB só pode ser cumprida manipulando as estatísticas macroeconômicas. A verdadeira profundidade da recessão pode ser maior do que alguns pontos percentuais, e alguns periódicos russos estão até citando avaliações ocidentais, como parâmetros econômicos.

Uma das apostas mais ousadas do governo da nova burguesia russa foi a obtenção de lucros inesperados com as receitas petrolíferas decorrentes do bloqueio do Estreito de Ormuz. No entanto, o volume de lucros adicionais foi significativamente reduzido devido aos contínuos ataques de drones ucranianos contra a infraestrutura energética do país.

A prioridade dos gastos com a defesa militar está literalmente corroendo a base do Estado do “bem-estar social”. A crise fiscal e orçamentária, com um déficit que aumentou quase 500% em 2025, resultou em cortes diretos nos serviços públicos para os setores mais carentes da população.

Enquanto Moscou desfruta de uma realidade diferente (embora o prefeito Sobyanin tenha admitido em 2023 que um salário de 120.000 rublos mal dá para sobreviver), dois terços dos russos vivem com menos de 60.000 rublos por mês (aproximadamente € 680). Uma pesquisa independente realizada no ano passado revelou que 21% dos russos identificam o "empobrecimento da maioria" como uma das principais ameaças, um número preocupante que cresce em paralelo com o cansaço da guerra.

Os cidadãos médios russos citam os problemas econômicos como sua principal preocupação. A inflação de produtos essenciais atingiu 14% somente no início de 2026, e a maioria da população considera o aumento desenfreado dos preços o problema mais urgente do país.

A Academia Russa de Ciências chegou a alertar que a redução da pobreza oficial (de 8% no terceiro trimestre de 2025 para 4,8% até o final do ano) se deve a auxílios direcionados e fatores específicos, mascarando uma estagnação real da renda e a persistência dos "trabalhadores pobres", o que perpetua as desigualdades estruturais.

O fato é que essa vulnerabilidade é o foco da atenção dos países imperialistas europeus, especialmente da Grã-Bretanha, um governo que vem analisando cuidadosamente o funcionamento interno da Rússia para impulsionar uma “Revolução Colorida”, no mesmo modelo ocorrido na Ucrânia.

A cúpula da OTAN aponta que a base militar-industrial da Rússia está em declínio estrutural, falta de mão de obra qualificada, dependência crítica de componentes tecnológicos mais avançados ocidentais. O imperialismo “recomenda” que os países ocidentais aumentem os controles de exportação de tecnologia e visem cadeias de suprimentos russas alternativas, corroendo assim seu poderio militar a médio prazo.

A conclusão política é clara, o bloco imperialista não está parado, preparando uma estratégia de médio e longo prazo para derrocar o regime nacionalista burguês russo, que ainda conta com o apoio de toda a estrutura liberal e conservadora interna. O proletariado russo, herdeiro da Revolução Bolchevique, deve preparar-se para impor seu norte histórico sobre todas as variantes capitalistas, ou seja, o socialismo!