segunda-feira, 2 de março de 2026

A ECONOMIA DA CHINA NÃO DEPENDE DO PETRÓLEO DO IRÃ: SERÁ POR ISSO QUE A BUROCRACIA “COMUNISTA” AFIRMOU QUE NÃO SE IMISCUIRÁ NO CONFLITO MILITAR? 

É verdade que a economia da China depende em grande parte do petróleo do Oriente Médio, mas não do óleo cru iraniano, mas principalmente da Arábia Saudita. Além disso o “Dragão Capitalista Asiático” tem acumulado reservas estratégicas precisamente para este tipo de situações, como guerras e revoluções, e também devido as preocupações de possíveis  as sanções dos EUA. Assim, a China está bem posicionada para lidar com qualquer escassez e ainda pode recorrer a mais importações de petróleo da Rússia e África, além da Argentina na América do Sul, de onde tem aumentado o abastecimento nos últimos anos para evitar justamente uma dependência do petróleo iraniano. No entanto, para o leste da Ásia, Japão e Coreia, bem como para a Europa em geral onde o fornecimento de petróleo russo foi encerrado, a situação pode ficar muito mais difícil se o conflito militar no Golfo Pérsico continuar por muito tempo.

Os preços do petróleo subiram hoje quase 9% para 73 dólares por barril hoje, o valor mais alto em mais de oito meses, à medida que os ataques conjuntos dos EUA e israelenses ao Irã devem continuar por mais algumas semanas. O Estreito de Ormuz, um ponto vital que movimenta cerca de um quinto dos despachos globais de petróleo e volumes significativos de gás natural, está agora bloqueado por decisão do regime nacionalista do Irã. As empresas de transporte marítimo estão redirecionado os navios e as seguradoras já estão aumentando drasticamente os prêmios das apólices. 

Os ataques com mísseis e drones iranianos devem começar a atingir as instalações de produção e refino de petróleo saudita, aliada militar canina dos EUA, o que foi duramente criticado pelo governo Xi Jinping, por razões comerciais e que desmascaram completamente o discurso ilusório do “Sul Global” e do fantasioso “mundo multipolar”. 

Até agora, os mercados financeiros dos EUA permanecem relativamente estáveis, exceto pelo fato do preço do ouro ter atingido novos máximos históricos, o ativo mais seguro para se acumular em crises agudas. Mas registre-se também o fato que o dólar também subiu em relação a outras moedas, mais uma indicação de que toda a “conversa fiada” da exquerda reformista sobre o fim iminente do dólar é uma grande ilusão. 

As indicações políticas que vem de Pequim, sejam as oficiais ou oficiosas, é de que o governo chinês não se “imiscuirá” em uma guerra fora de seu território, por questões de “princípios do respeito a soberania dos outros países”. Um belo discurso vazio, mas que não esconde o caráter de classe capitalista da burocracia restauracionista chinesa, que se preocupa bastante com seus negócios comerciais da “Nova Rota da Seda”, mas está se “lixando” para a solidariedade internacionalista concreta aos povos oprimidos pelo imperialismo.