domingo, 15 de março de 2026

CHINA NÃO FORNECE APOIO MILITAR AO IRÃ: MAS AJUDA TRUMP A PRESSIONAR O REGIME DOS AIATOLÁS PARA REABRIR O ESTREITO DE ORMUZ 

O portal de notícias iraniano “HispanTV”, voltado para as nações de língua espanhola, publicou nesse sábado (14/03) um importante artigo intitulado: “Incapaz diante do Irã, Trump recorre a ajuda da China para reabrir o Ormuz” em que afirma “Diante da incapacidade das Forças Armadas dos EUA de reabrir o Estreito de Ormuz, Trump recorreu à China e a outros países em busca de ajuda para manter a via navegável aberta”. O texto afirma ainda: “Em uma publicação em sua rede social Truth, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que ‘muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos, para manter o estreito aberto e seguro. Esperamos que a China, a França, o Japão, a Coreia do Sul, o Reino Unido e outros países afetados por essa restrição artificial enviem navios para a região, para que o Estreito de Ormuz deixe de ser uma ameaça”. Como podemos observar EUA e China atuam para que o Regime dos Aiatolás reabra a passagem marítima a fim de que o preço do óleo cru caia como defendem as corporações petrolíferas que integram a Governança Global do Capital Financeiro para que não sejam reféns da nação persa.

Notemos que Trump não fala apenas de “pressão diplomática”… ele chama a China a enviar navios de guerra para escoltar as embarcações. Como vemos há uma estreita relação de interessem entre os governos capitalistas dos dois países, para além das aparências. Não por acaso, o Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqai há poucos dias (03/0) declarou: “O Irã é a única força que se enfrenta com os EUA” e atribuiu o recente conflito militar a dois anos de “inação por parte de outras nações em resposta aos crimes cometidos pelo regime israelense em países vizinhos”. Como diz o ditado popular “Para bom entendedor meia palavra basta”, em uma clara e direta referência a inação das chamadas “potências” do chamado “Sul Global”. Inclusive o Irã para “contornar” essa pressão declarou que liberará o acesso ao canal para os países que pagarem o petróleo em Yuan, visando assim “responder” diplomaticamente aos apelos de Pequim.

Como o Blog da LB pontuou: “É verdade que a economia da China depende em grande parte do petróleo do Oriente Médio, mas não do óleo cru iraniano, mas principalmente da Arábia Saudita. Os preços do petróleo vêm subindo por barril à medida que os ataques conjuntos dos EUA e israelenses ao Irã devem continuar por mais algumas semanas. O Estreito de Ormuz, um ponto vital que movimenta cerca de um quinto dos despachos globais de petróleo e volumes significativos de gás natural, está agora bloqueado por decisão do regime nacionalista do Irã. As empresas de transporte marítimo estão redirecionado os navios e as seguradoras já estão aumentando drasticamente os prêmios das apólices. Os ataques com mísseis e drones iranianos devem começar a atingir as instalações de produção e refino de petróleo saudita, aliada militar canina dos EUA, o que foi duramente criticado pelo governo Xi Jinping, por razões comerciais e que desmascaram completamente o discurso ilusório do ‘Sul Global’ e do fantasioso ‘mundo multipolar’”. (A economia da China não depende do petróleo do Irã: Será por isso que a burocracia “comunista” afirmou que não se imiscuirá no conflito militar? 02/03). Em resumo, a China não presta apoio militar ao irã e ainda pressiona o Regime dos Aiatolás a liberar o Estreito de Ormuz como lhe pediu Trump.

As indicações políticas que vem de Pequim, sejam as oficiais ou oficiosas, é de que o governo chinês não se “imiscuirá” em uma guerra fora de seu território, por questões de “princípios do respeito a soberania dos outros países”. Um belo discurso vazio, mas que não esconde o caráter de classe capitalista da burocracia restauracionista chinesa, que se preocupa bastante com seus negócios comerciais da “Nova Rota da Seda”, mas está se “lixando” para a solidariedade internacionalista concreta aos povos oprimidos pelo imperialismo.

Somente mesmo uma esquerda reformista e corrompida pelo capital financeiro, poderia acreditar que o governo Xi Jinping, uma criatura do restauracionista neoliberal Deng Xiaoping, poderia levantar as armas do antigo Exército Popular (fundado pelo pelo stalinista Mao Tsé-Tung) contra os sócios imperialistas de Wall Street. Diga-se de passagem que a única vez que a China entrou em uma guerra, após a revolução social, esteve lutando contra o Vietnã ao lado justamente da trincheira do imperialismo ianque.

Desde que o eixo imperialista ianque-sionista atacou o Irã, a República Islâmica tem atacado bases militares norte-americanas instaladas nas ditaduras feudais do Golfo Pérsico, alegando legítima defesa. Um desses países, o Bahrein, apresentou uma resolução ao Conselho de Segurança da ONU, que foi aprovada condenando o Irã, que, curiosamente, não menciona o ataque terrorista realizado por Israel e seus aliados há poucos dias. Vergonhosamente a Rússia e a China, que possuem poder de veto, não o utilizaram para defender a nação persa.

Lembremos que o Conselho de Segurança adotou na última quarta-feira um projeto de resolução do Bahrein, em nome do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG – composto pelos estados árabes que fazem fronteira com o Golfo Pérsico), condenando os legítimos ataques retaliatórios do Irã com mísseis e drones contra bases militares norte-americanas na Jordânia e nos estados árabes do Golfo Pérsico, e exigindo que Teerã cesse imediatamente tais ataques aéreos. Treze membros do Conselho de Segurança da ONU votaram a favor, enquanto os dois membros restantes, Rússia e China, se abstiveram. Desta forma, caiu por terra a falsa narrativa da exquerda reformista, corrompida pelo capital financeiro (inclusive o que movimenta o Brics), de que os governos Xi Jinping e Purin estariam dando suporte ao regime nacionalista burguês dos Aiatolás. Nem mesmo firmeza política no campo da diplomacia internacional, a Rússia e China estão demonstrando na defesa do Irã.

O papel geopolítico de “suporte militar” que supostamente a China disponibilizaria aos seus parceiros comerciais “bricianos” do tal “mundo multipolar”, simplesmente não existe! Ou melhor só existe mesmo na mente da exquerda Social Democrata, apologista do protoimperialismo chinês, que na realidade concreta da luta de classes estabeleceu sociedade mesmo foi com o capital social globalizado.

Para os burocratas restauracionistas de Pequim a parceria com o Irã tem fins exclusivamente econômicos e comerciais, e mesmo assim limitada as imposições do Deep State. O internacionalismo socialista e proletário, o que inclui a solidariedade ativa aos povos atacados pelo imperialismo, é um princípio que passa muito longe do programa do “Partido Comunista” chinês…