DA INDÚSTRIA ARMAMENTISTA AO COMPLEXO MILITAR FINANCEIRO: É O CAPITALISMO “DESENVOLVENDO” AS FORÇAS PRODUTIVAS DA DESTRUIÇÃO PLANETÁRIA
Desde os ano de 1960, o termo “complexo militar-industrial”, ou mesmo “indústria armamentista” norte-americana, vem sendo utilizado pelos analistas de geopolítica mundial. Porém agora precisamos adicionar e atualizar uma nova categoria econômica, o de “complexo militar-financeiro”. De concreto para os dias atuais, o Pentágono está formando um “seleto” e novo grupo de trinta banqueiros e grandes rentistas para investir US$ 500 bilhões ao longo de dois anos em projetos de rearme bélico, com o claro objetivo de confrontar a Rússia, ou melhor dizendo seu regime nacionalista burguês encabeçado pelo presidente Putin.
O Departamento de Defesa dos EUA está recrutando especificamente executivos do Goldman Sachs, Morgan Stanley, JPMorgan e Bank of America para integrar a equipe financeira em um programa de dois anos. O plano do Tesouro Ianque para arrecadar fundos é vender ações das novas corporações bélicas em troca de adiamento do pagamento de impostos federais.
Trump favorece o modelo de fundos soberanos, como um legítimo representante da decadente burguesia industrial estadunidense, semelhante aos dos países do Golfo Pérsico e da Ásia, utilizando capital privado para exercer hegemonia política global. Por meio de suas negociações comerciais e aumentos no orçamento militar, o reacionário governo Republicano agora dispõe de centenas de bilhões de dólares para investir em setores críticos. O gargalo está em encontrar acordos comerciais.
O Pentágono quer criar uma unidade de "patrocinadores de hedge", que atuaria como um banco interno, prestando serviços a empresas de “private equity” que apresentam propostas para negócios críticos à segurança nacional, oferecendo consultoria e intermediando empréstimos.
A equipe financeira recém formada se reportará a David Lorch, do fundo abutre Cerberus, e a George K. Kollitides II, ex-diretor da Remington e agora acionista do fundo “abutre” Alvarez & Marsal Capital. Os CEO’s se ligarão ao Subsecretário de Defesa Stephen Feinberg, o bilionário cofundador da Cerberus, que vem reformulando o funcionamento do Pentágono. Feinberg liderou a operação.
Muitos dos investimentos do governo Trump em empresas privadas foram supervisionados pelo Pentágono, incluindo o recente investimento de US$ 1 trilhão em uma subsidiária da L3Harris, uma empresa de tecnologia e contratada da área de defesa hipersônica. Para garantir que os banqueiros não entrem nas operações sem elevados ganhos pessoais , o relatório promete aos rentistas "acesso sem precedentes a funcionários governamentais de alto escalão e um fluxo de informações privilegiadas".
Como temos caracterizado exaustivamente em nossos artigos sobre a conjuntura mundial, a ascensão do governo Trump para gerenciar a Casa Branca, corresponde a uma tentativa da burguesia industrial ianque tentar retomar seu papel de protagonista no cenário global, e como todos nós já sabemos o complexo militar norte-americano é a ponta de lança econômica da indústria nacional dos EUA, são ironicamente as: “Forças Produtivas da Destruição”.
