quinta-feira, 26 de março de 2026

FLOTILHA “NUESTRA AMÉRICA” APORTOU EM CUBA: NÃO BASTA SOMENTE AJUDA “HUMANITÁRIA”, O ESTADO OPERÁRIO NECESSITA DE PETRÓLEO E ARMAS PARA ENFRENTAR O CERCO IMPERIALISTA! 

O primeiro barco da Flotilha “Nuestra América” atracou em Havana nesta semana levando ajuda humanitária a Cuba em meio ao agravamento da crise energética na ilha devido ao aprofundamento do cerco imperialista. A embarcação de pesca Maguro, rebatizada simbolicamente de Granma 2.0, completou a travessia iniciada no porto de Progreso, em Yucatán, no México, após cinco dias de viagem pelo Caribe. A flotilha “humanitária” revelou-se mais uma campanha em defesa do regime cubano do que um genuíno ato de solidariedade e, mais do que isso, é uma “cortina de fumaça” que encobre as necessidades reais do Estado Operário para enfrentar o cerco imperialista: petróleo e armas que nem a Rússia, México, Brasil e, muito menos, a Venezuela (cujo governo agora é capacho da Casa Branca) ousam enviar para Cuba!

Como denuncia o grupo “Comunistas Cuba” do trotskista Frank García Hernández: “Os membros da ‘flotilha’ hospedaram-se em hotéis de luxo, desfrutando de um estilo de vida completamente alheio à desastrosa realidade cubana, provocando, assim, repulsa generalizada entre a classe trabalhadora da ilha. Uma das melhores críticas vem de alguém que participou da Flotilha Sumud e, consequentemente, possui grande autoridade moral para comentar a campanha chamada Nossa América. Claramente, é necessária uma campanha genuína de solidariedade com a classe trabalhadora, na qual seus membros se engajem com as realidades do povo e não se envolvam em um tipo de ‘turismo ‘revolucionário’ que chega a ser ofensivo para os cubanos”.

O Blog da LBI reproduz algumas impressões de Basel Ramsis Labib, ativista egípcio pró-Palestina sobre a Flotilha “Nuestra América” que “Comunistas Cuba” publicou originalmente. Essas observações (que registramos não temos acordo integral) valem como subsídio para a vanguarda internacionalista refletir e, por essa razão, reproduzimos os principais trechos que estão no site do grupo do cubano Frank García Hernández: “Hesitei em dar minha opinião sobre a flotilha para Cuba. Hesitei porque participei da flotilha para Gaza, que ainda considero necessária. Apoio-a como forma de protesto e para romper o silêncio, e participarei novamente quando puder. Mas, como tenho uma relação muito próxima com Cuba há 17 anos e conheço a ilha e seu povo, acho essa flotilha, especificamente a ‘Nossa América’, ridícula. Ela é permeada de egocentrismo e seu principal objetivo é impulsionar a fama e as perspectivas de carreira política e midiática de alguns de seus líderes. Cuba não é Gaza. Qualquer pessoa que queira ir a Cuba pode ir sem correr riscos; não é como Gaza. Podem também levar medicamentos e alimentos para apoiar o povo cubano. Ou podem enviar ajuda sem ter de viajar, fazer espetáculo ou gastar todo o dinheiro necessário para organizar esta flotilha desnecessária. Sei que as despesas são enormes, pois participei na flotilha a Gaza. Este dinheiro de tantos doadores teria sido melhor utilizado para o povo cubano, e não para tirar fotografias com o presidente de Cuba e receber aplausos. O povo cubano precisa de gasolina, remédios, alimentos.... Precisa também de uma política que sustente a ilha e proteja as conquistas históricas do povo cubano, sua revolução e seus sacrifícios. Portanto, concentrar-se apenas no slogan de romper o embargo dos EUA — o que é necessário — não basta. Quem quiser ajudar o povo cubano pode ir e ficar nas aldeias, trabalhando com as pessoas, ensinando os meninos e meninas que não podem ir à escola por falta de gasolina e eletricidade... Algumas dessas atitudes são insultuosas e completamente alheias à miséria e à fome sofridas pelo povo cubano. E chamar um dos navios de ‘Granma 2.0’ não é uma homenagem aos cubanos, mas sim uma fantasia infantil que visa mostrar que eles são iguais aos tripulantes do Granma original, que foram verdadeiramente corajosos e revolucionários. Como eu supus, a famosa flotilha quando chegou a Cuba acabou sendo um show político: fotos com Diaz-Canel, atos em locais devidamente selecionados. Tudo para dar uma ideia de uma Cuba que não existe. Quem vai, talvez saiba que não está tendo contato com a realidade, que tudo está preparado, que faz parte de um teatro, mas gostou da ideia de fazer ‘turismo revolucionário’. Entretanto, o impasse continua a destruir uma classe trabalhadora que vê esse teatro tão alheio a ela e acima de tudo, à solução real dos seus problemas.”

No marco desse debate mais amplo de como devemos apoiar Cuba a derrotar o cerco imperialista, não é demais lembrar que a exquerda reformista enquanto aplaude a “flotilha humanitária” desenvolve uma cômica campanha (uma verdadeira tragédia ideológica para a classe operária) reivindicando que o governo burguês da Frente Ampla no Brasil envie petróleo para Cuba.

Chama atenção, em primeiro lugar, porque estes reformistas sequer questionam o papel traidor da presidência interina da Venezuela, que deixou de mandar petróleo para Cuba, privilegiando agora negócios com corporações de energia dos EUA. Dirão os representantes da exquerda corrompida pelo capital financeiro, que a Venezuela não envia mais petróleo para Cuba em função do sequestro do legitimo presidente Maduro ou porque os navios tanques estão impedidos de chegar à Ilha pelas tropas dos EUA, esses “motivos” são uma grande falácia!

A Venezuela não foi invadida pelo exército norte-americano, o ataque militar ianque foi restrito a captura de Maduro e tampouco os petroleiros estão impedidos de chegar a Cuba por razões bélicas, o cerco do imperialismo ianque a Ilha é totalmente comercial!

Países que mantiverem relações econômicas com Cuba serão sancionados comercialmente pela Casa Branca com aumento de tarifas de importação, essa é a razão real da covardia dos governos “progressistas” não enviarem petróleo a Cuba, inclusive o venezuelano, perder dinheiro ao deixar de estabelecer negócios com os EUA! O caminho que Delcy escolheu foi o da capitulação (disfarçada de negociação diplomática), e agora optou por realizar bons negócios com as multinacionais imperialistas, deixando a população de Cuba sem energia.

Por sua vez, é vergonhosa a postura do velho pelego Lula em relação ao duro cerco comercial imposto a Cuba. Sentimos até vergonha em ter que debater esta questão com uma exquerda completamente corrompida e inclusive disposta a cair no ridículo para defender um governo frente populista neoliberal no Brasil inteiramente submisso ao imperialismo ianque e seu gerente estatal de turno, seja um Democrata ou Republicano, pouco importa!

Lula não enviará uma gota sequer de petróleo a Cuba, simplesmente porque já se calou covardemente diante do sequestro ilegal do presidente Maduro, assim como não cacarejou nem um pio frente a gravíssima situação energética atravessada pela economia socialista de Cuba.

Todos já estão “carecas” de saber que Lula “rasgou” elogios nauseabundos ao genocida Trump até programou novas rodadas comerciais e políticas na Casa Branca. Mas parece que falta avisar da claudicação vira-latista de Lula para os “surdos e cegos” dirigentes da esquerda reformista.

Com relação a Putin, o Kremlin declarou que a “A Rússia não deseja uma ‘escalada’ com os EUA devido a possíveis as exportações de petróleo para Cuba”. Esta foi a declaração oficial do governo Putin diante do pedido de ajuda feito por Cuba, para um possível fornecimento de petróleo para Ilha que sofre um cerco militar e comercial do imperialismo ianque.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou em 12/02 que “não deseja uma escalada das tensões com os Estados Unidos após as ameaças de Washington de impor tarifas aos países que fornecem petróleo a Cuba”. Mais uma vez Putin está revelando seu caráter covarde e submisso diante do imperialismo ianque.

Para tentar “atenuar” a traição ao Estadual Operário Cubano, Moscou afirmou que mantém contatos com Havana para discutir formas de “fornecer assistência energética”, sem especificar que tipo de “assistência” seria essa, sabendo que a Ilha necessita do petróleo da Rússia, uma nação no rol das maiores produtoras de óleo cru do planeta.

O governo restauracionista russo, ou seja, que operou uma transição contrarrevolucionária de uma economia socialista para outra capitalista, justificou que está avaliando mecanismos de apoio a Cuba, embora “mantenha uma abordagem cautelosa para evitar um confronto direto com Washington em meio a tensões geopolíticas mais amplas”. A Embaixada da Rússia em Havana também informou que seu país está preparando “um carregamento de ajuda humanitária”, embora tenha reafirmado que “a questão do petróleo ainda será avaliada”.

Desde o Blog da LBI, na trincheira militar da Rússia na “guerra de procuração” armada pela OTAN, já vínhamos denunciando as posições políticas vacilantes e até mesmo traidoras do Kremlin em relação ao Eixo da Resistência Árabe e Muçulmana (Irã e Palestina), porém essa postura covarde do governo Putin em relação ao embargo econômico criminoso imposto pela Casa Branca contra Cuba, gera repugnância moral em toda vanguarda classista do proletariado mundial.

A campanha Defensista Revolucionária que a LBI vem desenvolvendo pelo armamento geral da população e a recriação dos Conselhos Populares em Cuba faz parte também das propostas que vão além da ajuda humanitária que a “flotilha” levou.

Como Trotskistas exigimos que o governo cubano arme o conjunto da população, o que a burocracia castrista não vem fazendo, ao contrário, aposta nas negociações com Trump e os EUA em busca de um acordo político e econômico de “coexistência pacífica” ao estilo do celebrado pela “traidora interina” Delcy Rodríguez na Venezuela. Tanto que Díaz-Canel está negociando concessões com a Casa Branca. Díaz-Canel nem cogita armar as massas e recriar os Conselhos Populares em Cuba!

O fundamental é distribuir fuzis para as massas e chamar o apoio concreto internacional para defender Cuba, ou seja, o armamento da população para defender as conquistas históricas da revolução, enviar petróleo e praticar a solidariedade ativa com brigadas internacionalistas que aportem na Ilha!