PCBR DECIDE VOTAR EM LULA JÁ NO PRIMEIRO TURNO: MAIS HONESTO SERIA TER PERMANECIDO NO PCB QUE APOIARÁ O PT “APENAS” NO SEGUNDO TURNO
Jones Manoel, principal figura pública do PCBR, será candidato a deputado federal em Pernambuco pelo PSOL através do mecanismo de “filiação democrática”. A Executiva Nacional do PSOL reunida em 28 de março decidiu por unanimidade ceder a legenda (já que o PCBR não tem registro eleitoral no TSE), após ele concordar com os termos apresentados pela sigla, entre eles o alinhamento com a tática eleitoral do PSOL e o apoio à candidatura de Lula desde o primeiro turno. O acordo também prevê a preservação das figuras públicas e da imagem da legenda, assim como não concede direitos de participação e decisão nos espaços partidários. Jones Manoel até o momento não negou esse acerto político, ao contrário, vem agradecendo publicamente o apoio de dirigentes nacionais do PT e PCdoB (como Elias Jabor) à sua candidatura em Pernambuco. Em resumo, o PCBR irá votar em Lula já no primeiro turno das eleições presidenciais desmoralizando as bases político-programáticas que levaram a ruptura do agrupamento com o PCB em 2023, na medida de Jones e um punhado de dirigentes e militantes saíram do ex-“Partidão” acusando sua direção de não se colocar claramente no campo da “oposição de esquerda” ao governo burguês do PT, capitulando ao reformismo. Seria mais honesto Jones Manoel ter permanecido no PCB que apoiará o PT “apenas” no segundo turno, mas pelo visto o cretinismo eleitoral do PCBR falou mais alto, ávido por eleger Jones ao parlamento burguês e se integrar ao circo eleitoral da democracia dos ricos!
Lembremos que a questão nacional ganhou relevo no curso da cisão na medida que o PCB teve uma votação irrisória na eleição nacional de 2022 (ficando atrás da liliputiana UP). Isso ocorreu porque grande parte de sua militância acomodada aderiu ainda no primeiro turno da disputa presidencial a candidatura burguesa de Lula, uma conduta que uniu inclusive membros das duas alas em conflito, que apesar de trocas de acusações públicas de hoje, se irmanaram em apoio embriagado a política de colaboração de classes da Frente Ampla, adotando um linha socialdemocrata de aconselhar Lula&Alckmin, tanto que em nenhum momento na campanha de Sofia Manzano ou Jones Manoel (ambos foram candidatos) denunciaram o caráter contrarrevolucionário do Lulopetismo, ao contrário, se perfilaram como apêndices do PT e sua aliança burguesa.
São por essas e outras que o PCBR não passa de uma fraude política, apesar de toda a verborragia “revolucionária” segue a mesma linha reformista do ex-“Partidão”, no caso em questão (as eleições presidenciais de 2026) em um curso ainda mais à direita!
Registremos que o PCB decidiu há poucos dias lançar Edmilson Costa (seu Secretário-Geral), pré-candidato à presidência da República, assim como fez em 2022 com Sofia Manzano. No site do partido não vemos uma linha sequer em defesa da revolução socialista, da ruptura revolucionária com o regime burguês ou mesmo qualquer crítica direta à candidatura burguesa de Lula. Ao contrário, o programa do PCB para a disputa se limita a apontar “uma saída popular para os graves problemas que afligem os trabalhadores e a população em geral” e “aponta para a reconstrução do Brasil na perspectiva do poder popular”. O que significa isso exatamente ninguém sabe e, muito menos, o PCB explica em seu texto.
Essa posição joga água no moinho da colaboração de classes e na frente eleitoral com o PT no segundo turno. Por isso o texto do PCB não ousa criticar Lula, seu verdadeiro candidato nas eleições presidenciais de 2026, mas o PCBR sequer faz esse jogo de cena, apoiará Lula logo no primeiro turno!
O PCB irá apoiar Lula “apenas” no segundo turno, lançou sua candidatura própria para manter as formalidades de independência política, mas o PCBR em nome de eleger Jones Manoel nem sequer fez esse teatro ou mesmo chamou o voto crítico no PSTU (que ofereceu também a “filiação democrática” a Jones), UP ou mesmo no própria PCB! Voto Nulo ou Boicote ativo ao circo eleitoral da democracia burguesa não passa sequer no horizonte desses “comunistas”!
Alertamos que lançar uma candidatura parlamentar pelo PSOL e apoiar Lula significa subordinar a intervenção eleitoral a um instrumento político que atua para sustentar um governo de conciliação de classes da Frente Ampla, inimiga dos interesses imediatos e históricos dos trabalhadores.
O PCBR afirma que a opção política de filiar Jones ao PSOL foi tomada pela “viabilidade eleitoral”, ou seja, joga no lixo o Leninismo. A resolução da III Internacional afirma categoricamente que a “campanha eleitoral deve ser conduzida, não no sentido da obtenção do máximo de mandatos parlamentares, mas no sentido da mobilização das massas debaixo das palavras de ordem da revolução proletária.” Inclusive apontou que “Os Parlamentos burgueses, que constituem uma das principais engrenagens do aparelho de Estado da burguesia, não podem ser conquistados pelo proletariado tal como o Estado burguês em geral. A tarefa do proletariado é a de fazer explodir o aparelho de Estado da burguesia, destruí-lo, incluindo as instituições parlamentares, quer as das repúblicas quer as das monarquias constitucionais.” Por fim, a III Internacional declara que “Admitir por princípio a ação parlamentar revolucionária não implica de modo algum que se participe efetivamente em todos os casos nas eleições e em determinadas assembleias parlamentares. Isso depende de uma série de condições específicas. A saída dos comunistas do Parlamento pode ser necessária em determinados momentos.”
O PCBR celebra o “Marxismo” em dias de festa mas no mundo real sua política é ser uma dócil uma sublegenda do PSOL, passando inclusive a integrar as frente eleitorais com o PT e partidos burgueses para justamente conformar governos de conciliação de classes em nome do combate ao avanço da extrema direita (Bolsonarismo), reeditando em nossos dias a velha política de Frente Popular do Stalinismo, como vimos também nas eleições municipais de 2024, votando até mesmo no PDT.
O PCBR vem operando uma brusca guinada à direita em sua linha política nacional. Jones e seu heterogêneo agrupamento que rompeu com o PCB alardeando que o partido não defendia a “oposição de esquerda” ao governo Lula agora vai votar no PT já no primeiro turno! Sua militância tentar justificar essa posição escandalosa em nome da suposta importância de ter Jones na Câmara dos Deputados, o que não passa de um vulgar cretinismo parlamentar próprio da Social-Democracia… tão criticado por Lênin!
Não esqueçamos que há exatamente um ano (março de 2025), houve a ruptura de Ivan Pinheiro com o PCBR. O Blog da LBI publicou sua carta porque esta confirmava plenamente os prognósticos que fizemos desde a fundação do PCBR, uma organização reformista que se formou unindo carreiristas como Jones Manoel e velhos dirigentes que saíram do PCB, cuja heterogeneidade programática e limitações políticas chegou ao desfecho do seu principal quadro histórico, ex-Secretário-Geral do antigo “Partidão”, pedir desligamento publicamente denunciando o oportunismo político de Jones e a completa ausência de centralismo democrático… aliado a um eleitoralismo vulgar. No documento Ivan Pinheiro afirmava “A julgar pela política eleitoral de 2024 e as recentes aproximações com correntes do PSOL e até personalidades do PT que questionam o lulismo acrítico dos setores majoritários desses partidos, resta saber se tem apenas natureza conciliatória o silêncio da direção nacional do PCBR em relação a estes evidentes esforços para a formação de uma frente de esquerda, em detrimento da frente anticapitalista e antiimperialista revolucionária anunciada por seu Congresso.”
Por ironia da história o voto do PCBR em Lula já em primeiro turno na condição de sub-legenda do PSOL e como apêndice de “exquerda” da Frente Ampla burguesa vai além dos “piores temores” de Ivan Pinheiro e confirma plenamente a caracterização dos Marxistas Leninistas da LBI!
