NICARÁGUA AS VÉSPERAS DE RETORNAR AO “SANDINISMO RAIZ” DA REVOLUÇÃO DE 79: TUDO DEPENDERÁ DO AVANÇO DA LUTA DE CLASSES
O presidente nicaraguense, o dirigente histórico Sandinista Daniel Ortega, descartou no último domingo, a possibilidade de “novas eleições no país”. Ortega, é um ex-guerrilheiro de 80 anos que dirigiu a revolução Sandinista em 79, e que voltou a governar a Nicarágua em 2007, pela via eleitoral burguesa. A afirmação de Daniel, no sentido de eliminar as instituições formais das eleições tradicionais, ainda que de forma muito prematura, aponta uma perspectiva política progressista, perdida pelo próprio Sandinismo quando decidiu restabelecer a democracia burguesa em 1989, levando a sua própria derrota eleitoral no início de 1990.
Ortega anunciou que a Assembleia Nacional, controlada pelo partido Sandinista (FSLN), trabalhará para aprovar: “Leis para erguer um muro, um bloqueio contra os golpistas, contra os traidores. Não importa quanto dinheiro os ianques (os EUA) lhes deem, eles não conseguirão”. A questão central que está colocado para a classe operária e os camponeses nicaraguense, não é só abolir às instituições eleitorais, mas sim voltar a expropriar as fábricas e terras produtivas, como iniciaram há quase cinquenta anos atrás, quando derrubaram de forma revolucionária (com armas na mão), a ditadura sanguinária de Anastásio Somoza.
Neste mesmo domingo, Daniel Ortega e sua camarada, Rosario Murillo, lideraram em Manágua, eventos comemorativos dedicados ao 47º aniversário da Revolução Sandinista, que derrubou a ditadura da família Somoza em 19 de julho de 1979. O país soube honrar o sacrifício de seus mártires guerrilheiros que tombaram na luta pela soberania nacional e pelo combate anti-imperialista.
Neste momento a Nicarágua tem fortes laços econômicos com a China, grandes investimentos econômicos no país, entretanto é o próprio governo Xi Jinping que mais se mostra hostil para uma radicalização política e social do Sandinismo. A burocracia capitalista chinesa deixou bem claro que se opõem à uma expropriação dos meios de produção na Nicarágua. O embaixador da China na Nicarágua, Qu Yuhui, presente nas comemorações do aniversário da Revolução Sandinista, aconselhou Ortega a seguir o “modelo misto”, ou seja, o “socialismo de mercado” com grande abertura ao capital financeiro internacional. A questão é que a Nicarágua está bem debaixo dos EUA, se seguir as orientações de Pequim será “engolida” pela burguesia rentista ianque.
A “última palavra” da Revolução Sandinista, que desde de 79
atravessa mais retrocessos do que avanços socialistas, está com o proletariado
nicaraguense. Somente a Tese da Revolução Permanente poderá levar a classe
operária ao poder efetivo do Estado, sem ficar refém das próprias “limitações” (para
não falar em traições) programáticas e de classe do Movimento Sandinista.
