sexta-feira, 24 de julho de 2026

UM MÊS APÓS O TERREMOTO NA VENEZUELA: “CAIU POR TERRA” A MÁSCARA DO REGIME ENTREGUISTA NEOLIBERAL DE DELCY ROGRÍGUEZ, VASSALA DO IMPERIALISMO IANQUE E SIONISMO! 

Nesta sexta-feira (24.07), completa um mês do terremoto na Venezuela. Após a tragédia, milhares de pessoas continuam desaparecidas. Segundo o balanço oficial, mais de 5 mil venezuelanos morreram e cerca de 17 mil ficaram feridas. Ao menos 20 mil pessoas continuam vivendo em abrigos temporários. A única certeza é a de que a Venezuela se encontra ainda mais vulnerável no marco da espoliação da economia nacional imposta pelo imperialismo ianque.

O efeito combinado desses esforços entre a Casa Branca e a vassala Delcy Rodríguez aprofundou ainda mais a Venezuela no controle e na exploração dos Estados Unidos. Para demonstrar esse ponto, é preciso olhar para os orquestradores dos últimos esforços de socorro dos Estados Unidos. São as mesmas forças que pilharam o Haiti desde o terremoto de 2010. No decorrer das próximas semanas, o Exército dos EUA e as ONGs internacionais repetirão a “Assistência” macabra que fizeram no Haiti.

Um exemplo foi colocar os Marines ianques e as tropas das Forças de Defesa de Israel (IDF) num terreno que antes era um caldeirão antissionista, tudo sob o pretexto repugnante e claramente enganador de “reconstruir” a Venezuela.

Desde que La Guaira veio abaixo, militares dos Estados Unidos e de Israel trabalham lado a lado com o governo venezuelano. Parte do efetivo norte-americano está instalado no aeroporto de Maiquetía, o principal do país, localizado no epicentro da tragédia. Posicionado em frente à costa de La Guaira, outro elemento passou a fazer parte da paisagem: o porta-aviões USS San Antonio, onde está baseada outra parcela do contingente militar norte-americano… A presença do navio é apenas a face mais visível do envolvimento dos Estados Unidos na resposta ao desastre. Ao todo, cerca de 2 mil militares norte-americanos estão baseados na Venezuela.

A presença de militares israelenses é outro indício da reconfiguração das alianças internacionais. Durante o governo do ex-presidente, Caracas rompeu relações diplomáticas com Israel, em 2009, na esteira dos ataques contra a Palestina. Hoje, militares israelenses circulam livremente pelo território venezuelano, apesar de os dois países ainda não terem restabelecido formalmente suas relações diplomáticas. “Organizamos um painel de monitoramento que permite, através de parâmetros estabelecidos a partir de big data, de grandes quantidades de dados de inteligência artificial e outras tecnologias desenvolvidas em Israel, priorizar onde começar primeiro, o que reparar e o que deve ser demolido", disse Roni Kaplan, porta-voz das Forças de Defesa de Israel, durante uma entrevista ao canal venezuelano Venevisión, ao falar sobre as ações realizadas em conjunto com o governo Delcy Rodríguez.

Nessa semana, a delegação israelense foi recebida pela presidente interina. Em suas redes sociais, Kaplan publicou fotos do encontro e disse que "o chefe da delegação israelense, o brigadeiro-general Yosef (Yossi) Pinto, apresentou o trabalho conjunto realizado com nossos parceiros venezuelanos, tendo em vista o início da etapa de reconstrução das áreas afetadas pelos terremotos devastadores". A “equipe de especialistas”, composta por cerca de 30 pessoas, aterrou na cidade de Valência a 1 de julho. De acordo com a retórica oficial a delegação sionista é liderada pelo brigadeiro-general Elad Edri, do Comando da Frente Interna das Forças de Defesa de Israel (IDF), e pelo embaixador de Israel no México, Yoed Magen, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Segundo as informações, também fazem parte da delegação a Autoridade Nacional de Gestão de Emergências (dependente do Ministério da Defesa de Israel) e a Agência Zaka de Identificação de Vítimas de Catástrofes (um grupo ultraortodoxo que colabora com a polícia israelense e que, no passado, esteve envolvido na divulgação de desinformação e em escândalos sexuais). Acompanham-nos as ONG israelenses Ready for Rescue e SmartAID, uma start-up tecnológica israelense que afirma dispor de uma equipe de busca e salvamento de 17 pessoas. Ela chegou sete dias após a catástrofe (quando as atividades de primeira intervenção já haviam praticamente terminado) e está supostamente trabalhando na “próxima fase da resposta humanitária”: sistemas de telecomunicações, energia e água.

Que não restem dúvidas: não se trata de médicos, enfermeiros nem treinadores de cães de resgate. Trata-se de uma equipe liderada por funcionários do Governo israelense e das IDF, com laços estreitos com o Ministério da Defesa e a Polícia. A "Equipe Genocídio", como foi apelidada, recebeu uma recepção de tapete vermelho por parte do Governo de Delcy. Foi praticamente a única, entre dezenas de equipas de resposta internacionais, que ela elogiou numa conferência de imprensa, e reuniu-se imediatamente com líderes militares e políticos venezuelanos, incluindo a própria Delcy. “Espero que possamos continuar a avançar”, disse-lhes, agradecendo-lhes repetidamente pela sua presença.

A “Equipe Genocídio” tem sido confiada a tarefa de “reabilitar as infraestruturas e avaliar o seu estado". Este mandato foi rapidamente alargado depois de Delcy o ter solicitado ao ministro dos Negócios Estrangeiros israelense, Gideon Sa’ar, e de Bibi ter dado luz verde à ideia. Os sionistas irão agora (segundo se informa) dedicar-se a "mapear" e a pôr em prática um "plano de reconstrução".

Por trágica ironia somente desde 2023, as IDF destruíram mais de 90 % de todos os edifícios de Gaza, 11 000 edifícios no Líbano, lançaram 18 000 bombas sobre o Irão e realizaram mais de 1 000 ataques aéreos e incursões na Síria. Sim, parece que são, sem dúvida, os mais indicados para a tarefa de reconstruir a Venezuela.

Louvando a delegação sionista, o criminoso de guerra Bibi Netanyahu afirmou que a sua equipe irá ajudar a “reconstruir ruínas e também a reconstruir relações (…) mostrando ao povo venezuelano a verdadeira face do Estado israelense". A Venezuela rompeu relações com o Estado sionista em 2009, quando Hugo Chávez o acusou de cometer genocídio em Gaza. Desde então, não tem havido relações diplomáticas, nem conversações, nem comércio, nem intercâmbios. Até que Delcy (leia-se Trump) começou a assumir o comando.

A delegação liderada pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), que faz parte de uma resposta acelerada às "oportunidades" que o terramoto oferece no contexto do capitalismo de desastre na sua máxima expressão, não é o primeiro tremor desta mudança política que abala os alicerces.

Recém-saído do sequestro ilegal do seu pai pelas tropas norte-americanas (que também voltaram a pisar solo venezuelano) em janeiro, o filho de Maduro, "Nicolasito" — ele próprio membro de destaque do PSUV, o partido governante de Delcy —, dominou as manchetes ao defender, num ato cristão evangélico, que a Venezuela restabelecesse as relações diplomáticas com Tel Aviv.

Em fevereiro, a Bloomberg noticiou que a petrolífera estatal venezuelana PDVSA — tal como o resto do aparelho estatal, agora sob a tutela dos EUA — tinha voltado a vender petróleo a Israel através do envio de um carregamento para a refinaria Bazan, em Haifa. A notícia, apesar de ter sido desmentida, como era de esperar, por Delcy, sugeria de forma preocupante que a Venezuela liderada pelos EUA poderia ser um fornecedor cúmplice de combustível para o genocídio sionista no Médio Oriente e na Ásia Ocidental.

Pouco depois, a declaração de Caracas sobre os ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã condenou a resposta de Teerã sem mencionar os bombardeamentos sionistas. Foi rapidamente retirada dos canais de imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Um mês mais tarde, em março, Delcy abriu novos caminhos políticos ao enviar, em primeiro lugar, uma mensagem personalizada por ocasião da Páscoa judaica à minúscula comunidade judaica da Venezuela (cerca de 4 000 pessoas) e, posteriormente, ao receber os seus líderes — entre os quais o presidente da Associação Israelita da Venezuela e representante sionista, o rabino Isaac Cohen — no Palácio Presidencial para um evento transmitido em direto que muitos interpretaram como um evento em busca de investimentos, na qual afirmou que o país pode ser um "santuário" para pessoas como Cohen.

Esta aproximação enquadra-se na ofensiva continental do sionismo, que lhe permitiu estabelecer importantes postos avançados na Argentina, na Bolívia e na Colômbia, na sequência do desastre da Socialdemocrata no continente. Da mesma forma, amplia ainda mais o abismo do tamanho do Grand Canyon que separa o Governo do povo venezuelano, afastando ainda mais os revolucionários de base e avivando as críticas à administração de Delcy e à sua já evidente subordinação à Casa Branca.

Fora o imperialismo ianque e o sionismo da Venezuela! Abaixo o governo entreguista neoliberal de Delcy Rodríguez! Toda solidariedade internacional da classe trabalhadora ao povo venezuelano!