segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Assassinato do comandante Afonso Cano: Com vergonhosa ajuda de Chávez, facínora Santos impõe um duro golpe contra as FARC 

No último dia 05 de novembro, o facínora presidente colombiano, Manoel Santos, anunciou com júbilo o assassinato de Afonso Cano, dirigente máximo das FARC, que havia sucedido Manoel Marulanda no comando da guerrilha. Em uma operação que empregou mais de mil soldados do exército colombiano, o acampamento das FARC foi bombardeado e depois cercado, sendo mortos além de Cano vários dirigentes da guerrilha. Esse duro golpe contra as FARC só foi possível devido às informações obtidas depois da detenção, há poucos meses, na fronteira com a Venezuela, em uma operação conjunta entre as forças de segurança do governo Chávez e a polícia nacional colombiana, do guerrilheiro Miguel Ángel Ariñez, conhecido como “el médico”, responsável pela assistência médica ao comando central da guerrilha.

Segundo o próprio diretor da Polícia Nacional colombiana, o general Óscar Naranjo, Miguel Ángel Ariñez foi capturado em agosto na cidade fronteiriça de Cúcuta, depois de ter retornado a Colômbia pressionado pelas operações venezuelanas: “Este indivíduo saiu da Venezuela por pressão da busca que exerceu Venezuela, de maneira binacional” (Jornal espanhol Qué, 04/08), destacando que “a normalização diplomática com o país vizinho tem possibilitado maiores coordenações de inteligência e um trabalho conjunto. O que estamos constatando é que a pressão binacional Venezuela-Colômbia está produzindo estes resultados, dada a instabilidade e os erros que estão cometendo os terroristas” (Idem). A macabra ação conjunta de caça aos dirigentes das FARC entre Chávez e Santos permitiu as informações sobre a localização do acampamento onde estava Afonso Cano e a vitória do operativo militar que levou a sua morte. Esta mesma “parceria” já havia capturado o jornalista da ANNCOL (Agência de Notícias Nova Colômbia), Joaquín Pérez Becerra, refugiado político há doze anos na Suécia, preso quando estava na Venezuela e entregue para o cárcere do narco-fascista Manuel Santos, assim como deteve Julián Conrado, dirigente da guerrilha, doente e encarcerado em condições sub-humanas pelo exército venezuelano.

O mais repugnante é que as correntes de esquerda que apóiam o chavismo, como o PCB brasileiro, denunciam o assassinato de Cano, mas não fazem qualquer menção de que a colaboração do governo Chávez foi fundamental para que o exército colombiano alcançasse seu objetivo fatal. Da mesma forma agem os revisionistas do trotskismo, como a decomposta CMI de Alan Woods, que se calam diante de mais este verdadeiro crime que teve a participação direta do paladino do “Socialismo do Século XXI” que tanto reverenciam. Estes grupos sequer denunciam que, ao mesmo tempo em que Chávez colabora com o extermínio dos militantes das FARC, cinicamente defende que a guerrilha entregue suas armas, ou seja, pressiona para que as FARC se renda ao regime facistizante colombiano comandado por Santos. Desta forma, Chávez faz coro com este facínora, que ao anunciar a morte de Afonso Cano deu um ultimato público às FARC: rendição ou morte! Um exemplo claro do apoio a essa política canalha é o que defende o PC colombiano em sua declaração após o assassinato de Cano: “É necessário insistir em saídas humanitárias e pacíficas. O governo e as organizações insurgentes devem abrir um espaço de diálogo para o acordo pela nova Colômbia em paz com democracia e justiça social” (Sítio PCC, 05/11).

A LBI, apesar de nossas profundas divergências com o programa das FARC, mantém de pé a tarefa da defesa militar incondicional da guerrilha frente aos ataques do governo assassino de Santos, a serviço do imperialismo ianque, assim como a denúncia do chavismo e seu “Socialismo do Século XXI” como um embuste que não pode de forma alguma ser apresentado como um regime político aliado dos trabalhadores. Na verdade, o real conteúdo do decadente nacionalismo burguês, representado por Chávez, é exatamente similar a outros regimes com as mesmas características sociais, como na Líbia à época de Kadaffi. Em síntese, governos capitalistas com viés estatizante, vacilantes em relação ao enfrentamento com o imperialismo, que pressionados pelo proletariado adotam uma tímida postura “nacionalista”.

Em oposição pelo vértice aos revisionistas do trotskismo e dos estalinistas “moderados” que condenam as FARC pela adoção da luta armada, isolando-a ainda mais para que sejam presa fácil da burguesia, defendemos que uma política justa para o confronto entre a guerrilha e o Estado burguês passa por aplicar a unidade de ação contra Santos, com a mais absoluta independência política em relação ao programa reformista das FARC. Ao lado dos heróicos guerrilheiros das FARC e honrando o sangue derramado pelo comandante Afonso Cano, que morreu em combate, apontamos como alternativa programática a defesa da estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado, sem patrocinar nenhuma ilusão na possibilidade de construir uma “Nova Colômbia” sem liquidar o capitalismo e seus títeres.

sábado, 5 de novembro de 2011

Após receber o "voto de confiança" da burguesia grega, Papandreu articula governo de coalizão com a direita. Estalinismo mostrou mais uma vez sua impotência revolucionária
Na noite desta sexta-feira, 4, o Primeiro-Ministro Yorgos Papandreu, obteve o “voto de confiança” do Parlamento grego, depois de recuar em sua proposta de referendo sobre a "ajuda" da União Européia. A votação foi extremamente apertada, 153 a 144 e a vitória do Pasok foi produto de um acordo entre a própria base governista e pequenos partidos de direta em troca da formação de um governo de coalizão, cujo objetivo é empurrar goela abaixo dos trabalhadores gregos o “plano de ajustes” imposto pelo imperialismo e os banqueiros. O “novo executivo” terá muito provavelmente, na perspectiva política do Pasok, Papandreu na cabeça, com um ministério ainda mais conservador, o que indica que o regime caminha a passos largos rumo à direitização.
Até agora, o contexto de crise profunda não fez com que o proletariado assumisse seu papel de protagonista na luta contra o regime burguês lacaio em função da ausência de uma direção revolucionária. Como afirmamos desde o início da crise grega, em oposição do que apreogoava o conjunto do revisionismo delirando que a revolução está "batento às portas" da Grécia, quem está “capitalizando” a debacle do Pasok é o partido da direita tradicional, a “Nova Democracia” que vem sistematicamente votando contra o governo “socialista” numa tentativa de se cacifar para as eleições legislativas próximas, adiadas mais uma vez com o "voto de confiança" em Papandreu. O Pasok deverá ser derrotado pela direita que implementará com ainda mais dureza novas medidas de salvação do capital às custas do sacrifício da classe operária como ocorreu em Portugal e irá se repetir na Espanha com a volta do PP ao governo.
O estalinista Partido Comunista grego, o KKE, longe de direcionar os inúmeros protestos de massas contra o regime burguês vigente e pela derrubada revolucionária do governo, orienta-os a pressionar o Parlamento controlado pelo... Pasok! Esta é uma política suicida que leva a ascensão da direita no circo eleitoral, uma vez que ambos, KKE e ND, querem eleições. O mote da intervenção dos “comunistas” é de completa integração ao regime político: “demissão do governo, eleições já!... Precisamos de eleições já... A classe operária e as camadas populares devem impô-las e acolhê-las por mobilizações de massa em todo o país” (Comunicado do KKE, 2/11). Em outras palavras, o lobby parlamentar é um caminho de derrotas e desmoralização da classe operária. Esta política limita-se a convocar pífias greves de 24 ou 48 horas, apesar da enorme disposição de luta dos trabalhadores, em nome da preservação do establishment.
Deste modo, fica abstraída a ácida lição para os genuínos trotskistas de que as várias mobilizações e greves gerais na Grécia foram derrotadas pela ausência de um norte estratégico revolucionário das direções do movimento de massas e, em particular o estalinismo, as quais têm como horizonte a limitada conquista de cadeiras no Parlamento burguês. Mais uma vez os “catastrofistas” morderam a língua ao afirmarem que basta uma crise econômica se aprofundar para o capitalismo vir abaixo. Na Grécia, ou em qualquer parte do mundo capitalista, se não houver uma vanguarda genuinamente comunista no comando das massas não haverá avanço rumo a uma saída proletária para a crise, ou seja, a revolução socialista.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

4 de novembro de 1969, caiu em combate Carlos Mariguella pelas mãos do facínora Fleury: nossa homenagem a esse herói da luta contra a ditadura militar!

Precisamente na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi assassinado por agentes de repressão da ditadura militar numa emboscada em São Paulo, chefiada pelo facínora Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS, órgão oficial dos ratos covardes torturadores. Marighella foi um dos principais líderes da luta armada durante o período da ditadura semifascista. Apesar das divergências com o programa defendido por Marighella tanto no PCB como na ALN, rendemos nossa homenagem a esse herói da luta contra o regime dos gorilas, que morreu em combate contra a dominação do país pelo imperialismo e seus títeres de farda.

Nascido em 05 de dezembro de 1911, iniciou sua militância aos 18 anos, quando ingressou no PCB, em 1930, numa fase em que o partido comunista enfrentava profundas crises internas decorrentes de sua adaptação ao stalinismo. A onda de reação que se seguiu à aventura de 35, mais uma das fracassadas insurreições preparadas pelos agentes da III Internacional stalinista, vários militantes foram presos e barbaramente torturados pela polícia de Filinto Müller. Marighella foi detido em 1º de maio de 1936 e permaneceu encarcerado por um ano durante o governo Vargas. Elege-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas teve o mandato cassado em 1948, em virtude da nova proscrição do partido.

Após o golpe militar de 1964, é baleado e preso por agentes do DOPS no Rio de Janeiro. Libertado em 1965, Marighella começa a divergir da política do PCB diante do regime militar. Criticando o imobilismo da direção, que ficava a espera de espaços para a atuação política dentro das regras e dos limites impostos pelo próprio regime ditatorial, solicitou seu desligamento da Comissão Executiva em dezembro de 1966, anunciando sua disposição de lutar revolucionariamente contra a ditadura. Em 1967, na Conferência Estadual de São Paulo, as posições de Marighella são esmagadoramente vitoriosas (33 a 3) sobre o restante do Comitê Central, mesmo tendo como opositor o próprio Luiz Carlos Prestes. Contrariando as ordens do CC, que o ameaça de expulsão, Marighella vai a Cuba para participar da conferência da OLAS. O passo seguinte foi sua ruptura com o Comitê Central e, como consequência, sua expulsão do PCB. Ao retornar ao Brasil, Marighella funda a Ação Libertadora Nacional (ALN) e inicia as ações armadas contra a ditadura militar. Desgraçadamente, uma característica fundamental da ANL foi a negação da teoria leninista sobre o papel do partido da vanguarda do proletariado no processo revolucionário. Sob a influência do guevarismo e da experiência da revolução cubana, adotou como lema “a ação faz a vanguarda”, partindo para a luta armada. A cisão de Carlos Marighella com o PCB não significou sua renúncia ao stalinismo. O norte estratégico da ALN, não por acaso quase o mesmo nome da organização de caráter frente populista criada em 1934, era a restauração da democracia burguesa e a criação de um governo que realizasse algumas reformas sociais, como a reforma agrária, e assumisse uma posição de independência frente ao imperialismo.

Apesar de todas essas limitações, o incontestável heroísmo na luta contra a ditadura militar, fazem de Marighella um herói dos trabalhadores brasileiros e de sua vanguarda comunista. A LBI, que se mantém firme no combate por desmascarar a democracia dos ricos como uma face da ditadura do capital e dedica o melhor de suas forças à construção do partido revolucionário, espelha-se no exemplo inquebrantável de Marighella que, apesar dos erros programáticos, não traiu a causa que defendia, morreu em combate e pagou com a sua própria vida na luta contra os gorilas genocidas!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LIT: Da unidade com o ditador Galtieri em defesa das Malvinas à aliança com a OTAN e seus “rebeldes” mercenários na Líbia

Nahuel Moreno deve estar se
“tremendo no túmulo” com as
posições atuais da LIT

O PSTU (LIT) publicou recentemente um artigo intitulado “PCdoB, da selva aos gabinetes de Brasília” onde ironiza a trajetória de integração do Partido Comunista do Brasil e seu profundo grau de corrupção política e material ao estado capitalista. Concordamos em grande parte com a denúncia feita pela LIT acerca da conversão dos ex-maoístas tupiniquins à ordem burguesa, mas não poderíamos deixar passar em branco o fato da LIT padecer do mesmo mal, porém em uma escala muito maior, ao conceber uma aliança “tática” com o imperialismo quando apóia a contrarrevolução dos “rebeldes” na Líbia, mercenários patrocinados pelo governo dos EUA, em sua ofensiva neocolonialista sobre o país norte-africano. Assim como o PCdoB apresenta a instauração dos governos da centro-esquerda burguesa na América Latina como “fenômenos progressistas”, a LIT considera a derrubada do regime Kadaffi, pelas mãos da OTAN e seus parceiros do CNT, como um elemento “altamente positivo” na conjuntura dos países árabes.

Pode-se comparar em certa medida a “evolução” do PCdoB, que protagonizou a Guerrilha do Araguaia e agora não passa de subgestor do Estado burguês no governo da frente popular, com a metamorfose operada pelos morenistas dos anos 80 para cá. Estes últimos passaram de paladinos da correta unidade de ação militar com o carniceiro Galtieri em defesa das Malvinas contra a agressão anglo-imperialista a Argentina no começo dos anos 80, a apologistas de uma “revolução democrática”, onde o imperialismo ianque é o ator principal do combate a “ditadura sanguinária” de Kadaffi. Passados quase trinta anos, a LIT que à época foi duramente criticada por outras correntes revisionistas (The Militant, SU, Lambert, etc...) por uma suposta capitulação a um regime militar assassino de mais de trinta mil militantes de esquerda, se converteu hoje em partidária da “frente única circunstancial” com a OTAN, em nome da defesa das “liberdades democráticas”. Estes revisionistas jogaram no lixo o abc do leninismo e do trotskismo, além de esquecerem as próprias lições deixadas por Moreno, quando afirmava que: “preferia estar no campo militar dos generais facínoras do que em nome da democracia apoiar a ocupação da Argentina pela frota imperial da Inglaterra”.

Apesar de não fazermos coro estúpido com a mídia “Murdochiana”, que afirmava ser o cambaleante regime nacionalista burguês, liderado por Kadaffi, uma “ditadura sanguinária”, é sintomático que a própria LIT, anteriormente na mesma trincheira da “ditadura sanguinária” de Galtieri contra o imperialismo britânico, agora se utilize do pretexto de que Kadaffi era um ditador para se postar no campo político e militar do imperialismo “democrático” e sua falsa “rebelião” que desembocou no governo títere (pró-imperialista) do CNT. Com a benção de Hillary e Obama, a “revolução” delirada pela LIT substituiu um regime que colocava alguns entraves na presença dos EUA na região por uma "associação” de mafiosos ex-kadafistas que prometeram lotear o país entre as principais potências imperialistas.

Esses canalhas da direção da LIT, que hoje envergonhariam o próprio Moreno se vivo estivesse, são os mesmos que depois de saudarem a contrarrevolução que liquidou a URSS nos anos 90 como um “acontecimento revolucionário” se renderam à reação democrática mundial  e hoje não passam de papagaios da Casa Branca, tão ou mais corrompidos do que os falsos “comunistas” dos gabinetes de Brasília. Enquanto os ex-maoístas tupiniquins recebem suas comissões dos esquemas de corrupção do Planalto, os dirigentes da LIT foram premiados com verbas do Departamento de Estado ianque via o ILAESE, para apoiar a “revolução” made in CIA no Oriente Médio!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 225, Segunda Quinzena de Outubro/2011




MÍDIA INDEPENDENTE
Blog da LBI participa do Encontro Mundial dos Blogueiros, na Tríplice Fronteira entre Brasil Argentina e Paraguai, denunciando a burla de uma “mídia independente” sem a ruptura revolucionária com o Estado capitalista


CRISE DO REFORMISMO ARMADO
Diante das “porteiras abertas” pelo PSOE, para a direita fascista na Espanha, ETA anuncia fim de suas atividades guerrilheiras


RESPOSTA AOS COMPANHEIROS DE “LUTA MARXISTA”
Diante do assassinato de Kadaffi pela OTAN é, mais do que nunca, necessário realizar um ato nacional em defesa da resistência líbia, que segue o combate anti-imperialista




LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Balanço do Encontro Mundial dos Blogueiros: Submissão em toda linha aos governos da centro-esquerda burguesa
Mesa do Encontro Mundial, composta majoritariamente
por apoiadores da centro-esquerda burguesa, expõe no telão
cartaz do ato contra a agressão imperialista à Líbia

Encerrou-se no último dia 29 o Encontro Mundial dos Blogueiros. Afora a intervenção dos representantes do Blog da LBI, que atraiu a simpatia de vários companheiros de diversos países que participaram dos três dias de debates, todas as mesas de discussão e as resoluções aprovadas expressaram a política de colaboração de classes da esquerda burguesa “chapa branca” e de seus aliados em nível mundial. Sob a fachada de “lutar pela democratização das comunicações” e em nome de uma suposta “mídia independente”, os organizadores do Encontro receberam uma generosa bolada das estatais que patrocinaram o evento (Itaipu e Banco do Brasil) para dar um verniz progressista à vergonhosa política dos governos da centro-esquerda burguesa de atrair para sua base de apoio político, através da redistribuição “plural” de verbas estatais para o setor, grupos capitalistas minoritários de mídia que disputam espaço com os veículos de comunicação tradicionais, alinhados aos setores mais reacionários da classe dominante.

A chamada “Carta de Foz do Iguaçu dos Blogueiros do Mundo” foi o documento aprovado ao final do Encontro. Ela defende uma “plataforma para um novo marco regulatório das comunicações” que entre outros pontos reivindica “pluralidade de idéias e opiniões nos meios de comunicação, promoção da participação popular nas decisões acerca do sistema de comunicação e o limite a concentração nos meios de mídia”. Como os editores do Blog da LBI pontuaram, esse programa é similar a chamada “Ley de Medios” aprovada pelo governo de Cristina Kirchner na Argentina, criticada duramente pelo grupo Clarín, alinhado à oposição conservadora e apoiada entusiasticamente por jornais como o Pagina 12, ligado ao peronismo reciclado. Tal legislação mantém nas mãos da burguesia como classe o poder de manipular, bestializar e enganar as massas. Portanto, a Carta aprovada no Encontro condensa uma série de medidas para o governo da frente popular patrocinar e fortalecer seus apoiadores nos meios de comunicações de massa e nas chamadas “novas mídias”, ainda que mantenha intocável sua relação de boa convivência com os “velhos” conglomerados das telecomunicações, alinhados aos demo-tucanos em decadência.

Marco Queiroz, porta-voz da LBI, ao centro entre Renato Ravoi
da Altercom-Brasil e o egípcio Ahmed Bahgat

Os representantes da chamada “mídia independente” no Brasil e pelo mundo afora presentes no Encontro (Le Monde Diplomatic, Carta Maior, Terra Maganize, Caros Amigos, Pagina 12, Wikilikies... e os blogs “chapa branca” de charlatões do naipe de Luiz Nassif e Paulo Henrique Amorim) não passam de porta-vozes bem remunerados dessa política que está voltada a promover a utopia reacionária de que é possível “democratizar os meios de comunicação” sem destruir o Estado burguês e expropriar o grande capital. Como denunciou o Blog da LBI esta “tese” furada trata-se de um embuste voltado a manter a dominação burguesa e a alienação que esta impõe, porém “oxigenada” sob uma fachada mais palatável que a ditada pelos tradicionais complexos midiáticos arquirreacionários. Para a LBI, que enfrenta não “apenas” na blogosfera, virtualmente, mas principalmente no terreno vivo da luta de classes, a política de cooptação e adaptação à ordem burguesa promovida por esta esquerda “chapa branca”, a decidida intervenção no Encontro Mundial dos Blogueiros mais do que nunca reforçou nossa convicção de que somente com a vitória da revolução proletária e o fim da propriedade privada dos meios de produção e comunicação, os trabalhadores poderão assentar as bases políticas, culturais e sociais para usarem os avanços tecnológicos e o poder de influência das mídias a serviço do progresso da humanidade!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Esporte cubano supera Brasil e México no Pan, demonstrando a superioridade do Estado operário sobre os países “emergentes” associados ao imperialismo

A 16º edição dos Jogos Pan-americanos realizado na cidade de Guadalajara capital do estado de Jalisco no México foi encerrada neste domingo 30 de outubro. Foram quinze dias de competição, onde os países das Américas (Norte, Central e Sul) mediram forças que, em certa medida, vão muito além do simples rendimento esportivo. Afora os EUA que tradicionalmente não participam com sua força máxima dos jogos Pan-americanos, os demais países estavam com seus melhores atletas em todas as modalidades. Esse foi o caso da delegação do Brasil que participou dos Jogos com o que tinha de melhor em cada modalidade, a exceção ficou por conta da seleção de futebol formada por jogadores desconhecidos e sem nenhuma expressão, devido ao boicote (branco) do eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e da Rede Globo, em represália à Rede Record de televisão, detentora exclusiva dos direitos de transmissão dos jogos, como parte da pugna travada por estas verdadeiras máfias das comunicações.

O quadro geral de medalhas foi fechado com os EUA em primeiro lugar com o total de 236 medalhas, registrando uma queda no número de medalhas em relação aos jogos do Pan 2007 (297), certamente reflexo da crise econômica vivida pelo imperialismo ianque. O Brasil, mais uma vez, acabou em terceiro lugar, atrás de Cuba que se mantém como a segunda potência esportiva das Américas. Apesar deste fato não ser propriamente uma novidade, o feito da pequena ilha do Caribe ganha uma dimensão extraordinária se levarmos em consideração a conjuntura vivida pelos dois países. A Rede Record do reacionário bispo Edir Macedo, que teve o monopólio da transmissão dos jogos, fez o mesmo papel da Globo, ao enquadrar os atletas cubanos em quase todas as modalidades como “provocadores”, “sem caráter”, ou seja, quase “bandidos” para idiotizar os telespectadores e disseminar a ideologia burguesa. A verdade é que o Estado operário cubano está atravessando um período de total isolamento, certamente o maior de sua historia após a revolução socialista de 1959, aprofundado com a “reação democrática” que ocorreu nos países árabes e, em decorrência disto, o incremento criminoso do embargo econômico por parte da Casa Branca. Enquanto isto, o Brasil e o México associados ao imperialismo são alçados à condição de uma das principais forças “emergentes” da economia capitalista no mundo. Em essência, “emergentes” significa semicolonias que têm enormes investimentos capitalistas que as possibilitam certa participação econômica nos mercados globalizados.

A explicação para o fenômeno do bom desempenho de Cuba nas grandes competições esportivas como os jogos Olímpicos e o Pan-americano, mesmo com todas as dificuldades provocadas pelo bloqueio econômico a que está submetida, reside na existência das bases de sua economia socializada (saúde, educação, moradia etc.) assentadas a partir da revolução socialista que derrubou o Estado burguês em 1959. Portanto, mesmo com todo o limite burocrático imposto pela direção Castrista, Cuba tem um resultado que demonstra a superioridade do Estado operário sobre as semicolonias como o Brasil, chamados sofisticamente pelos amos imperialistas de países “emergentes”. Neste contexto, da ofensiva mundial do imperialismo ianque, torna mais do que nunca uma necessidade vital para o proletariado cubano e internacional defender incondicionalmente o Estado operário e as conquistas históricas da revolução cubana, as quais permanecem com sua plena vigência, cujos resultados do Pan são a demonstração cabal de toda a sua superioridade diante do modo de produção capitalista decadente.

sábado, 29 de outubro de 2011

Blog da LBI faz ampla denúncia da agressão imperialista contra a Líbia no Encontro Mundial dos Blogueiros

Neste segundo dia do primeiro Encontro Mundial dos Blogueiros, o Blog da LBI fez ampla denúncia da agressão imperialista contra a Líbia através da intervenção do seu porta-voz, Marco Queiroz, quando usou sua intervenção para convocar a realização do ato nacional em defesa da resistência, chamando a derrota da ofensiva das potências capitalistas, da OTAN e de seus “rebeldes” por terra. A simpatia de uma ampla franja de blogueiros em apoio às posições políticas da LBI incomodou a direção do encontro.

Marco Queiroz, porta-voz da LBI,
fez a única defesa da resistência nacional líbia
no Encontro Mundial dos Blogueiros
 
A direção do Encontro, na figura de Altamiro Borges, do PCdoB, percebendo a polarização do debate cumpriu o papel vergonhoso ao impedir que os blogueiros pudessem se expressar desde o plenário através do uso da palavra, revelando que este suposto representante da “mídia alternativa” não passa de um capacho do governo Dilma e da própria direção da Itaipu, principal patrocinadora do encontro. Os “comunistas” do PCdoB não desejavam ver questionadas as posições vergonhosas da frente popular que reconheceu o governo fantoche do CNT, mesmo quando a resistência travava duros combates contra os abutres imperialistas e a cidade de Sirte era diariamente bombardeada pela OTAN.

Stand da LBI no Encontro Mundial dos Blogueiros
despertou a atenção dos blogueiros que se
identificaram com a luta anti-imperialista

Ao denunciar os apologistas da mal-chamada “Primavera Árabe” no Encontro Mundial dos Blogueiros e polemizar abertamente com os representantes dos blogs “chapa branca”, a LBI desde as suas “pequenas” forças militantes travou uma luta política frontal pelas posições revolucionárias no meio daqueles que se dizem contra o monopólio da mídia pelos grandes capitalistas, mas se vergam a estes no terreno vivo da luta de classes, nas mais elementares tarefas, como é o caso de defender a Líbia agredida pelas metrópoles abutres! A tarefa que se impõe neste momento é a de conquistar completa autonomia política e material, por parte dos que constroem uma verdadeira mídia independente dos “barões” da comunicação, dos governos da centro-esquerda burguesa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Blog da LBI participa do Encontro Mundial dos Blogueiros, na Tríplice Fronteira entre Brasil Argentina e Paraguai, denunciando a burla de uma “mídia independente” sem a ruptura revolucionária com o Estado capitalista


Cândido Alvarez, editor do Blog da LBI,
polemiza com a esquerda “chapa branca” no
Encontro Mundial dos Blogueiros em Foz

Teve início neste dia 27 de outubro o 1º Encontro Mundial dos Blogueiros, na cidade de Foz do Iguaçu, Paraná, localizada na região da chamada Tríplice Fronteira. Região multiétnica que o carniceiro Bush pretendia “ocupar” em 2001, sob o pretexto de abrigar terroristas muçulmanos. O Blog da LBI esteve representado pelo seu editor, o camarada Cândido Alvarez, que já no início dos trabalhos denunciou a impossibilidade de existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como faz corriqueiramente a revista Veja e a Rede Globo, assim como os aliados da frente popular, a exemplo da Rede Record ou do SBT.

A LBI pontuou que a defesa do marco regulatório apresentado pelos organizadores da atividade como a via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas”, como os blogs “chapa branca”, que apóiam incondicionalmente o governo da frente popular. Uma expressão prática deste engodo foi quando o principal organizador do Encontro, Altamiro Borges, do PCdoB, elogiou o apoio do governo do Paraná (PSDB) à atividade como um exemplo da “pluralidade” que ele reivindica nos meios de comunicação!

Distribuindo verbas federais a seus novos aliados na mídia e ao mesmo tempo mantendo intocáveis os “velhos” grupos de comunicação, o PT pretende fazer “média” com sua base social vendendo o conto que está estimulando a “concorrência em nome da democracia”, quando na verdade apenas está investindo pesado em complexos burgueses de comunicação “alternativos” à mídia demo-tucana com o objetivo de melhor preservar seu governo de colaboração de classes para manter a estabilidade do regime da democracia dos ricos.

O contraponto feito pelo camarada Cândido Alvarez, denunciando que a campanha a favor de uma tímida regulação da grande mídia burguesa, principal reivindicação do 1º Encontro Mundial dos Blogueiros, serve apenas como uma medida preventiva contra novas investidas da “Veja”, Época”, “Folha”, “Estadão” ao governo petista e seus aliados, como foi vítima recente o ex-Ministro Orlando Silva, do PCdoB. Esse fato demonstra que o PT e o governo da frente popular pela sua natureza de classe é completamente refém da mídia capitalista, sendo incapaz de tomar qualquer medida consequente contra esta e seus “barões”.

Para o “novato” blog da LBI, que ousou defender corajosamente essa política principista em pleno Encontro Mundial dos Blogueiros dominado pela frente popular e seus porta-vozes na blogsfera, ao invés de resmungar covardemente a léguas de distância, a única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através de seu “quarto poder” aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Fritado pela própria Dilma, Orlando cai arrastando o PCdoB para a vala comum da corrupção burguesa nacional

A queda de Orlando já estava “cantada” desde que as denúncias da arquirreacionária revista “VEJA”, colocaram o PCdoB no centro da berlinda política do país. O esquema corrupto de contratação de ONGs para a execução de projetos públicos, não é monopólio do PCdoB, tampouco do PT, foi introduzido maciçamente ainda na gestão estatal tucana de FHC. Mas foi pela via das ONGs que a frente popular, no governo central, estabeleceu uma rede de cooptação e corrupção de centenas de lideranças do movimento de massas. Reproduzindo o esquema das ONGs no ministério dos esportes, com o programa “Segundo Tempo”, Orlando retirava das escolas públicas a obrigação de oferecer a prática esportiva aos seus alunos, transferindo para entidades privadas um dever elementar do Estado para com a juventude. As ONGs, indicadas pelo PCdoB, passaram a receber “generosas” verbas públicas para gerenciar o programa “Segundo Tempo”, retribuindo a “gentileza” em forma de “comissões” para o partido.

O fato das denúncias terem partido da fascista “VEJA” e de um policial delinquente, diga-se de passagem ex-filiado ao PCdoB justamente para por em prática o malfadado programa do Ministério dos Esportes, não anula a gravidade da verdadeira “privataria” colocada em marcha por Orlando e seu partido “comunista”. Se os bandidos da burguesia midiática agora cinicamente clamam por “ética” no trato da “coisa pública”, esqueceram que foram os primeiros a incentivar a tal “Parceria Público Privada”, na qual o PCdoB embarcou sem o menor constrangimento ideológico. A decomposição programática dos pseudocomunistas é tamanha, que admitem “administrar” o Estado capitalista em parceria com as piores máfias da burguesia, como a oligarquia Sarney, com a qual coabitam no Ministério do Turismo.

O que chama a atenção na demissão de Orlando foi a “fritura” interna do ministro, operada nos bastidores do próprio Palácio do Planalto. Sem a exibição de fitas de áudio e vídeo que pudessem comprometer a figura pessoal de Orlando, o PCdoB esperava contornar a crise política e se manter no cargo, mas não foi isto que aconteceu. A própria Dilma através do seu “aríete” jurídico, o Procurador Geral da República Roberto Gurgel, mandou abrir uma investigação no STF contra Orlando, ao contrário do que fez com outras denúncias de corrupção, onde os ministros envolvidos estavam ligados a bandos burgueses de maior calibre político, como o PMDB. O “insuspeito” supremo logo aceitou o pedido feito por Gurgel, selando assim a sorte de Orlando, mais uma “vítima” do fogo-amigo da frente popular. Acontece que os polpudos “negócios” que o Ministério dos Esportes vem traficando em torno da Copa do mundo e das Olimpíadas no Brasil, despertaram o apetite voraz das quadrilhas que habitam o condomínio corrupto e moralmente decomposto da frente popular. O governo Dilma ainda tentou “emplacar” de imediato o nome do “coringa” Aldo Rebelo para a pasta dos esportes, um “comunista” já formatado integralmente para servir às classes dominantes, e visto com muita desconfiança no interior do próprio PCdoB, mas a manobra não deu certo.

Para os ex-Stalinistas do PCdoB, uma organização da esquerda reformista que abandonou o leninismo e a estratégia da revolução socialista, resta o “consolo” de ter sobrevivido nas tetas do Estado burguês, apesar da profunda desmoralização política a que foi submetido. Seus parceiros reformistas como o PCB agora “tripudiam” em cima dos fatos, olvidando que estiveram juntos na campanha eleitoral de Lula em 2002, repetindo o apoio no segundo turno em 2006 e da própria Dilma em 2010. Por sua vez, os “probos” da oposição de esquerda, como o PSTU, querem se juntar ao movimento dos “cansados e indignados” da franja tucana, para moralizar o Estado burguês, estes revisionistas não passam de uma escória política, sedenta para se aliarem à direita, como fizeram na Líbia e agora pretendem repetir a dose na Venezuela e em Cuba. Para se combater realmente a corrupção que assola o país, inerente a estrutura de qualquer Estado burguês, independente do matiz político de seu governo de turno, é necessária a adoção de uma estratégia revolucionária que aponte o norte programático da ditadura do proletariado.
Especulação imobiliária em torno dos “negócios” da Copa do Mundo impede o direito de acesso à habitação da maioria da população de baixa renda

A Copa do Mundo de 2014 instalou um quadro de agressiva especulação imobiliária nas principais cidades que abrigarão os jogos da seleção brasileira de futebol. Os governos nas esferas federal, estadual e municipal tudo fazem para atrair os “investidores” para a consecução deste megaevento empresarial, desde isenções fiscais até suculentos empréstimos do BNDES praticamente a fundo perdido à “iniciativa privada”. Por outro lado, a bolha especulativa em relação aos imóveis expulsa os trabalhadores do entorno das obras dos estádios que sediarão os jogos da Copa e impede que os explorados adquiram suas moradias, empurrando-os muitas vezes para áreas de risco. O inflacionamento dos imóveis incluem os projetos “Minha Casa, Minha Vida”.

O aumento artificial do valor dos imóveis que está sendo praticado no Rio de Janeiro, escolhido para o encerramento da Copa e sede das Olimpíadas de 2016, segue a lógica da euforia do mercado especulativo, causado pela explosão na demanda. Os bairros que terão maior valorização serão os da Zona Sul (Gávea e Jardim Botânico) e aqueles com UPPs. Até mesmo nas favelas e bairros populares esta realidade vem ocorrendo, por exemplo, no Conjunto de Favelas da Maré – que se situa a dez minutos do centro da cidade – uma casa que custava em torno de 40 mil há alguns meses, hoje já custa mais do que o dobro, 98 mil. O ciclo se repete em Fortaleza, após o anúncio da Fifa que o Castelão irá receber jogos da seleção brasileira, a especulação imobiliária tomou contra da cidade, na qual terrenos e imóveis tiveram uma alta generalizada. Terrenos hoje baldios deverão receber conjuntos residenciais, as obras viárias infra-estruturais do entorno do estádio devem causar uma explosão de preços ainda maior. Segundo dados do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Ceará os imóveis tiveram um acréscimo de 25% e que para o próximo período devem aumentar muito mais.

Tanto em Fortaleza como no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade brasileira que abrigará jogos da Copa, os principais atingidos pela bolha especulativa serão os trabalhadores de baixa renda familiar. Para ilustrar esta situação temos a construção do “Fielzão” no bairro de Itaquera na capital paulista anunciado como palco da abertura da Copa do Mundo. Os governos federal, estadual e municipal estabeleceram desde o início uma política segregadora que prioriza os bilionários negócios de poucos grupos privados com isenções fiscais e fundos creditícios oriundos do BNDES. As famílias pobres que há anos vivem nas proximidades do estádio sofrem cotidianamente com o pesadelo do despejo. As obras viárias causarão impacto sobre 16 favelas em razão do alargamento de avenidas, construção de vias, estacionamentos, shoppings centeres etc. Inúmeras famílias serão despejadas de um raio de quilômetros em torno do estádio.

A Copa do Mundo, um megaevento capitalista organizado pela mafiosa Fifa, mostra a sua verdadeira face de classe: não só se apropriou da paixão popular pelo futebol como também atua tal qual um animal predador que devora os parcos recursos da classe operária e está exclusivamente voltada para a lógica da circulação de capital. Ela não trará nenhum beneficio para os explorados, uma vez que único objetivo das empresas é lucrar de qualquer forma, não existindo qualquer interesse social nas obras referentes à Copa. Há sim o viés de aprofundar a segregação social, com a remoção forçada a cassetetes e bombas de gás de famílias inteiras dentro das áreas circunscritas à bolha especulativa. A tônica dos capitalistas e governos de plantão é a mercantilização do espaço urbano. Para a população pobre está reservada a polícia (as UPPs) e a impossibilidade de adquirir a sua casa própria por causa dos preços proibitivos, que nem sequer poderá assistir aos jogos porque os valores dos ingressos serão absurdamente caros; para os capitalistas e especuladores, ao contrário, todo o incentivo com bilhões de reais!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Eleições para a Assembleia Constituinte na Tunísia: “velho regime” é reciclado pela transição democrática operada pelos EUA

No domingo, 24, encerraram-se as eleições para a Assembleia Constituinte, a qual designará um “primeiro-ministro” que estará encarregado de liderar um governo de transição que ficará no comando até a convocação das eleições gerais para uma data ainda indeterminada. Um movimento bem distinto daquele que se iniciou em dezembro de 2010, dia 17, quando um vendedor ambulante ateou fogo ao próprio corpo em protesto à carestia geral, ao desemprego, às dívidas e a falta de perspectivas, dando início um espontâneo protesto radicalizado de massas na Tunísia. Este fato foi um alerta para os órgãos de inteligência do imperialismo francês e ianque em relação ao chamado “mundo árabe” que trataram de movimentar suas peças políticas na região. Facilitou a fuga do corrupto Zine El Abidine Ben Ali no poder há 23 anos por eles sustentado e viabilizou um governo de transição tutelado pelas FFAA, a polícia e “democratas” do “velho regime”. Mas por que as massas foram derrotadas?

As condições objetivas estavam dadas: carestia de vida, desemprego, crise política e social, caos econômico etc. No entanto, o problema fundamental foi eminentemente subjetivo: a ausência de uma direção revolucionária que desse um curso de classe à radicalidade das massas e um norte de tomada de poder pelos explorados. Por esta razão, não tardou para que o imperialismo começasse a mexer as peças do tabuleiro deste intricado xadrez, intervindo no processo através da CIA, ONGs, União Europeia com o objetivo de estancar a crise e restaurar o mais rápido possível a ordem burguesa. O estancamento das manifestações de massa na Tunísia foi o “tubo de ensaio” do imperialismo para agir logo em seguida no Egito, Bahrein, Iemen... e Líbia em sua expressão contrarrevolucionária, mais sangrenta e assassina.

O balanço a ser feito é o papel da esquerda revisionista durante as manifestações espontâneas das massas na Tunísia. Para ela foi uma “revolução” que ainda não terminou e se estendeu para o norte da África e Oriente Médio. Por exemplo, o CMI de Alan Woods chegou ao delírio de comparar este protesto popular como uma “Revolução de Fevereiro” (Lucha de Clases, 12/2/2011) e que, portanto, os “revolucionários” deveriam convocar imediatamente uma “Assembleia Constituinte revolucionária”. Nove meses depois da queda de Ben Ali, estancada a crise, acontecem as eleições constituintes e o sufrágio para escolher um governo provisório para o país e determinar para um futuro indeterminado as eleições gerais. As eleições para a Assembleia Constituinte são nada mais nada menos do que a expressão da transição política ordenada, instaurando um novo regime democratizante, voltado aos interesses econômicos do imperialismo.

Como lição para os marxistas revolucionários fica o fato de que não nos contaminamos com o engodo democrático-burguês apontado e levado a cabo pelo imperialismo na farsesca “revolução árabe”, embuste no qual a esquerda revisionista caiu como um cordeirinho. É prioritária a necessidade dos genuínos revolucionários denunciarem a reação “democrática” orquestrada a partir dos gabinetes da Casa Branca e construir uma alternativa independente do proletariado. Todo movimento de massas que não esteja balizado por uma clara estratégia revolucionária de enfrentamento com o velho regime e o imperialismo estará fadado à derrota. Uma revolução somente poderá vingar através da construção de organismos de poder que liquidem as FFAA, expropriem a burguesia como classe e instaurem um novo modo de produção sob a direção de um partido comunista proletário.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O assassinato de Kadaffi entre as risadas das hienas e as lágrimas dos crocodilos da ONU

Não tardou muito e as hienas do revisionismo saíram com força a dar “vivas” à morte de Kadaffi, afirmando ser um “alento” à queda de outros “ditadores”... um impulso a suposta “revolução árabe”, que por sinal celebrou a transição democrática na Tunísia com a realização das eleições para a Assembleia Constituinte. As imagens filmadas dos últimos momentos de vida do dirigente líbio “mostram” o combatente capturado na mão dos “rebeldes” do CNT, sendo sumariamente executado após exigir o direito universalmente constituído de um prisioneiro de guerra. A mídia “murdochiana” logo transformou este fato em um pedido de clemência feito por Kadaffi aos seus algozes de “ocasião”. Em êxtase as hienas (na verdade são “cadelinhas da OTAN”) disseram que não teria sido a OTAN a responsável pela morte de Kadaffi, mas sim os próprios “bravos rebeldes” já que as imagens não mostram nenhum destacamento da OTAN em ação. Imaginem que um comboio de quase 200 homens armados poderia ter sido capturado por poucas dezenas de “rebeldes” bêbados (ver imagens) e ainda por cima só ter restado como prisioneiro unicamente Kadaffi e seu filho Mutassim, um conto do tipo dos filmes de Chuck Norris.

Na verdade, o comboio militar em que se encontrava o coronel Kadaffi buscava se reposicionar nos arredores de Sirte, na tentativa de aliviar os pesados bombardeios dos caças da OTAN que já duravam quase dois meses ininterruptos, castigando impiedosamente toda a população civil. Nesta manobra tática o comboio foi duramente atingindo por mísseis de alta precisão da OTAN, obrigando os combatentes a se entrincheirarem fora dos carros, travando uma encarniçada batalha contra as tropas em terra da OTAN e seus “rebeldes”, que durou várias horas. Em franca desvantagem bélica e possivelmente já com pouca munição, as forças da resistência, reduzidas a cerca de 80 combatentes, foram capturadas, sendo entregues aos bêbados “rebeldes” que trataram de trazer para si o mérito do linchamento covarde, como num passe de mágica onde encontraram Kadaffi escondido em um bueiro. Agora começam a aparecer os cadáveres da criminosa operação da OTAN, cerca de 60 combatentes da resistência encontrados em um hotel desativado de Sirte.

A mesma ONU que chancelou os bombardeios “humanitários” da OTAN, agora cinicamente cobra explicações do governo títere de transição do CNT acerca da execução sumária de Kadaffi. Por sua vez, os covardes “rebeldes” temem até o cadáver de Kadaffi, prometendo sepultá-lo em um local secreto, com medo de manifestações populares. Os abutres imperialistas não param de render homenagens aos “rebeldes”, que fizeram o valioso papel de coadjuvantes na verdadeira operação de estupro a uma nação soberana. O CNT já anunciou o advento da “democracia ocidental” na Líbia (sem radicalismos islâmicos), com a realização de eleições similares a Tunísia, em no máximo oito meses, é só esperar o “deus” mercado tomar conta da situação e excomungar de vez o fantasma da “ditadura sanguinária”. Este é o real conteúdo da chamada “revolução árabe” impulsionada pelo imperialismo ianque, instalar governos títeres em nome da “nova democracia” e dos valores ocidentais capitalistas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Vitória arrasadora de Cristina Kirchner e o “fim das ilusões” para uma esquerda integrada ao regime democratizante

A presidente argentina, Cristina Kirchner, obteve ontem (23/10) uma estrondosa vitória eleitoral ao conseguir sua reeleição ao cargo com quase 55% dos votos. Em segundo lugar e muito distante de Cristina aparece o ex-governador da província de Santa fé, Hermes Binner da Frente Ampla Progressista. As candidaturas tradicionais, como a da UCR (Alfonsín) e do “velho” peronismo (Duhalde e Rodriguez Saá) foram praticamente trucidadas. A FPV de Cristina conseguiu não só ampliar a votação obtida nas primarias de agosto como reconquistar a maioria na Câmara dos Deputados, assim como eleger seis governadores das oito províncias que renovaram seus mandatários. Foi a maior diferença eleitoral obtida por uma candidatura à presidência desde o fim da ditadura militar em 1983, desta forma Cristina consolida uma liderança política nacional do calibre de Juan Domingo Perón, em seu último período de vida, onde o nacionalismo era apenas um leve traço desbotado.

O triunfo da família Kirchner, apesar do falecimento prematuro do patriarca Néstor no ano passado, tem a mesma base do sucesso Lulista no Brasil, ou seja, uma forte expansão econômica baseada na bolha de crédito internacional. A Argentina também é beneficiada com a alta no valor das commodities agrominerais no mercado mundial, impulsionando um grande mercado interno consumidor. Redução nos índices de desemprego e um relativo aumento do controle estatal sobre preços e serviços públicos e privados, foram os ingredientes políticos que finalizaram a aplastante vitória de Cristina no cenário nacional. Um capítulo a parte nestas eleições foi a virulenta campanha dos meios de comunicação contra a presidenta, acusada de “totalitarismo” e até mesmo de pretender transformar a Argentina em uma nova Cuba. O jornal “El Clarín” comandou uma cruzada ultrarreacionária contra Cristina, chegando a apostar suas fichas nas candidaturas da esquerda “oficial”, que obtiveram a “generosidade” das principais páginas do asqueroso periódico da direita pró-imperialista portenha.

Outro grande derrotado nestas eleições foram as organizações da esquerda revisionista que formaram a “FIT”, uma verdadeira fraude política que tinha como principal slogan eleitoral: “Meta diputados de izquierda”. O Partido Obrero (PO), principal integrante da “FIT”, meses antes das eleições afirmava rotundamente com seu catastrofismo ridículo e peculiar que “Cristina marcha a un derrumbe generalizado”, para em poucas semanas da realização das primárias, tentando “surfar” na onda Kirchnerista, pedir aos eleitores peronistas “cortar boleta e votar en los candidatos de la FIT”. Passadas as primárias onde a FIT obteve o “milagro” oportunista de superar o piso proscritivo, graças ao apoio descarado dos “camaradas” do Clarín, Altamira saiu a brindar com o jornalista fascista “Chiche” Gelblumg o resultado obtido pela “FIT”. O PTS que repudiou a postura vergonhosa de Altamira foi logo ameaçado de expulsão da FIT pelo PO. Logo depois foi o próprio PTS quem aceitou sem “verguenza” a edição do seu livro, “A esquerda frente a Argentina Kirchnerista”, por uma editora hiper reacionária (Planeta), a “ABRIL” de lá.

Projetando ampliar a votação das primárias, onde a FIT obteve pouco mais de 2% dos votos, o PO passou a delirar com a eleição de vários deputados. O resultado foi que apesar de uma campanha eleitoralista e palatável à mídia capitalista, sem a publicidade de qualquer referência revolucionária e comunista (chegaram a negar a defesa da ditadura do proletariado nos programas televisivos), a FIT estacionou nos 2% ficando muito distante de conquistar uma bancada parlamentar. A esquerda revisionista argentina que embarcou de conjunto no amálgama da FIT, mostrou que é completamente incapaz de passar, de forma Leninista, no teste elementar da democracia burguesa, ou seja, a farsa do circo eleitoral.

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CFK obtém vitória aplastante e “un milagro para Altamira” são os signos das primárias argentinas
Diante das “porteiras abertas” pelo PSOE, para a direita fascista na Espanha, ETA anuncia fim de suas atividades guerrilheiras

Nestes últimos dias passou quase que despercebido pela mídia “murdochiana” o anúncio de que o grupo guerrilheiro “Pátria Basca e Liberdade” (ETA) depunha as armas, cessando em definitivo as suas ações militares: “face à violência e a repressão, o diálogo e o acordo devem caracterizar o novo ciclo... o reconhecimento do Euskal Herria [País Basco] e o respeito à vontade popular devem prevalecer sobre a imposição” (Declaración de ETA, 20/10). Desgraçadamente, esta declaração segue o curso do profundo retrocesso da consciência do proletariado mundial, em meio ao bárbaro assassinato de Kadaffi pela OTAN e às vésperas da iminente vitória da direita fascista capitaneada pelo Partido Popular (PP) nas eleições espanholas de novembro próximo. Diante da ofensiva mundial do imperialismo e o avanço do fascismo na Europa, o ETA divulga a sua renúncia às armas após uma trégua com o regime político de Zapatero que já perdurava cerca de dois anos. As tentativas de acordos com o Estado espanhol (e francês) foram várias, sendo que a mais recente ocorreu no chamado “Acordo de Gernika”, em setembro de 2010, os quais culminaram na “Conferência de Aiete” na quinta-feira, 20 onde estiveram presentes nomes de confiança do imperialismo europeu como e ex-chefe de gabinete de Tony Blair, Jonathan Powell, o ex-secretário da ONU Kofi Annan e o dirigente do Sinn Fein Gerry Adams.

A decisão dos dirigentes do ETA está diretamente relacionada às sombrias perspectivas eleitorais de seu braço político, a “izquierda abertzale”, que nas eleições municipais de maio deste ano obteve 25% dos votos com a chamada “coalização Bildu” e às pressões políticas daí decorrentes para o “respeito à vontade popular”. Neste sentido, pesquisas demonstram que a direita franquista pode se eleger com cerca de 60% dos votos, uma vitória acachapante do PP através de Mariano Rajoy, enquanto a coalizão basca teria uma porcentagem irrisória de votos. Zapatero, ao antecipar as eleições gerais, ora marcadas para março do ano que vem, deu um cheque em branco para direita. O PP vem assumir o governo com um projeto que pretende durar vários anos no poder, razão pela qual o ETA, para se preservar decidiu pôr fim às suas ações militares e se integrar ao regime político em seu “novo ciclo”. Mesmo assim, as pressões são gigantescas, pois além da renúncia política à guerrilha, a burguesia espanhola exige segundo as Forças de Segurança do Estado, que o ETA entregue definitivamente seu “arsenal bélico” espalhados pelo país, em Portugal e na França. Até agora os dirigentes bascos não fizeram menção de colocar em movimento esta capitulação, o que na verdade seria uma completa rendição, haja vista que nenhum dos problemas relacionados à nacionalidade foram solucionados: há 700 militantes bascos presos nas masmorras espanholas e francesas, centenas de exilados, nem sequer houve a mínima retirada das Forças de Segurança do país basco. Num futuro governo PP esta condição, não obstante, tende a piorar drasticamente, como afirmou o candidato Mariano Rajoy ao jornal El Periodico (23/10) que o ETA “deve pagar algum preço... e sua dissolução é irreversível”. E arremata com violência: “Com o ETA não há nada o que falar... é um grupo criminoso que quer impor pela força suas teses”.

Como podemos ver, ao contrário do que a esquerda revisionista afirma, as tendências políticas para o próximo período, numa etapa de aguda crise do capitalismo, indicam um enorme retrocesso na consciência das massas no velho continente, onde, por exemplo, “indignados” espanhóis (e em vários outros países) não poupam esforços para demonstrar sua profunda rejeição a partidos de esquerda, o que representa uma porteira aberta para o retorno da direita fascista do PP. A possível vitória eleitoral da social democracia na França de forma alguma anula esta tendência geral, posto que a adoção de um programa de governo neoliberal pelo PS, apenas semeia o caminho do breve retorno de uma direita ainda mais recalcitrante do que Sarkozy.