quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Editorial do Jornal Luta Operária nº 226, 1ª Quinzena de Novembro/2011: Após a ocupação da Líbia pela OTAN acentua-se o recrudescimento da ofensiva imperialista mundial

Um importante debate se abriu, no seio da chamada esquerda revolucionária, após a derrota do regime Kadaffi pelas mãos dos bombardeios da OTAN e suas tropas em terra, conhecidas com a alcunha de “rebeldes”. Afinal, a queda de Kadaffi fazia parte do processo legítimo de mobilizações “democráticas” que se iniciaram na Tunísia e seguiram até o Egito ou desde sua gênese era um produto do intervencionismo ianque para controlar a transição política operada em toda a região árabe? Para dar cabo a esta questão vital para a classe operária,  muito além de um simples debate “acadêmico” de posições abstratas, recorremos ao método da teoria marxista ,em toda a sua plenitude histórica e dialética. Quando um grande fato histórico, como uma guerra, revolução ou contrarrevolução, adentra no cenário de um período determinado da luta de classes, abre-se toda uma vaga política que determina as características intrínsecas deste momento, quais sejam a grosso modo: progressistas ou reacionárias. No caso da primeira variante rapidamente delineia-se no horizonte da humanidade uma etapa de ascenso revolucionário ou mesmo pré-revolucionário, já confirmada a segunda hipótese está colocada a antessala do fascismo e da latente contrarrevolução mundial. O marxismo como o maior instrumento de aferição da história, tem atravessado períodos de franca inclinação revolucionária, como o aberto com o início da derrota das tropas ianques na guerra de independência  do Vietnã, da qual o Maio de 68 na França é um dos signos mais marcantes desta etapa. Mais recentemente, no final da década de setenta, a derrota militar das ditaduras sangrentas na Nicarágua e no Irã, dando passo ao surgimento de regimes nacionalistas como o da FSLN e dos aiatolás, colocou em xeque o conjunto dos regimes facínoras no cone sul, além de catapultar a velha social democracia na gestão dos principais estados europeus. No fluxo inverso, a destruição dos Estados operários do Leste europeu no início dos anos noventa, deu a largada a uma etapa de ofensiva frontal do imperialismo, culminando com a Primeira Guerra do Golfo e o recrudescimento da onda “neoliberal” que atacaria conquistas históricas do proletariado mundial.

Na possibilidade de nós, trotskistas da LBI, termos nos equivocado completamente acerca do caráter mercenário e pró-imperialista dos “rebeldes” do CNT e ainda por cima ter sido o regime Kadaffi uma “ditadura entreguista sangrenta”, sua derrocada abrupta (que mobilizou uma coalizão de alcance internacional) abriria todo um período de perspectivas revolucionárias para a luta de classes. Mas a realidade concreta, para além do prolixismo de uma “esquerda” revisionista desnorteada, aponta no sentido oposto, onde se inicia uma etapa de profunda ofensiva reacionária do capital financeiro sobre povos, governos e organizações políticas que não se enquadrem em suas “exigências” da nova conjuntura aberta.

Os elementos objetivos da dinâmica imperialista pós o trucidamento de Kadaffi e sua família ainda no calor da batalha campal, aceleraram em muito o “desejo de sangue” da máquina de guerra do capital. O primeiro alvo, nesta sequência fascistizante foi o dirigente das Farc, Afonso Cano, assassinado covardemente após um pesado bombardeio de caças F-16 “emprestados” à Colômbia pelos EUA sob o pretexto de combate ao “narcoterrorismo”. A mesma forma do ataque imperialista ocorrido na Líbia e Colômbia não é uma mera coincidência. A imensurável supremacia bélica, no setor aéreo, das Forças Armadas ianques, a isenta do combate direto entre tropas e exércitos inimigos. No Iraque em 2003 bastaram 19 dias de bombardeios consecutivos para as tropas ianques entrarem em uma Bagdá arrasada, sem opor nenhuma resistência. A Líbia resistiu a mais de 1500 dias de bombardeios de uma coalizão ainda mais ampla do que a de 2003 no Iraque, com um potencial de fogo pelo menos 20 vezes superior. Na Colômbia desde o assassinato do comandante Mono Jojoy em setembro de 2010, as Farc estão sob uma chuva de bombas e mísseis letais disparadas desde o mar do Caribe.

Mas o recrudescimento da ofensiva do imperialismo não permeia somente o campo bélico-militar, também reforça suas posições na arena da luta política mais tradicional. Na Grécia, logo após uma tentativa de um tímido ato populista, através da convocação de um plebiscito para a consulta das condições impostas pela “troika” ao país, o primeiro ministro Papandreu foi “demitido” pelo “deus” mercado, que conjuntamente com a extrema-direita nomeou um novo primeiro ministro, tecnocrata de carreira. Na Itália seguiram a mesma trilha e despacharam o “bunga-bunga” Berlusconi, apesar da identidade fascistizante. A etapa da crise capitalista se delineia tão “pesada” que nem mesmo os velhos “camaradas”, como Berlusconi, estão sendo poupados pelos “senhores da guerra”. A Espanha vive às vésperas do retorno do franquismo, desta vez pela via “legítima” das eleições. Nem mesmo o país que deu origem ao movimento dos “Indignados” consegue respirar alguma brisa de “progressismo” e liberdades democráticas. Na Inglaterra e nos EUA, os movimentos sociais vêm recebendo tratamento de guerra civil por parte da “democracia” dos dois bandos, enquanto Cameron e Obama parecem caminhar tranquilos para um segundo mandato.

Se realmente o fim “trágico” de um regime nacionalista burguês como o de Kadaffi ou mesmo em um eventual colapso prematuro de Chávez, estimulado pela CIA, poderia significar um “alento à luta dos povos” como sustentou a “grande família” do revisionismo, deveríamos pelo menos estar vivenciando uma retomada do ascenso das massas no Egito e Tunísia. Não é isto que ocorre. No país do ex-ditador Ben Ali, as massas foram anestesiadas pela “trampa” de uma Constituinte limitada que sequer terá autonomia para deliberar sobre o poder institucional das Forças Armadas. Na terra milenar dos faraós, os generais egípcios preparam a transição para a gerência do novo títere dos EUA, os ex-chefe da IEA da ONU, ElBaradei. O grande “alento” dado pela covarde morte do “sanguinário” Kadaffi parece mesmo que foi dado para os genocidas do gendarme de Israel, que já fizeram soar os tambores de guerra para atacar outro regime nacionalista burguês da região, neste caso o Irã. Com o sinal verde dado pela Casa Branca os cretinos sionistas alegam que o regime dos aiatolás manipula a preparação de uma bomba atômica, no caso uma “grave” violação ao monopólio das armas nucleares israelenses. Esta “ousadia” militar dos verdadeiros terroristas de Torah na mão, na escalada das provocações patrocinadas contra a Síria, só está sendo possível pelo “sucesso” momentâneo das operações da OTAN em solo líbio, que estimularam as forças imperialistas e seus “sócios” a uma aventura sem precedentes sobre o Irã.

Para aqueles que pensam que o “bafo” do curso belicoso do imperialismo passa bem longe das terras tupiniquins, a operação de guerra montada contra os estudantes da USP e moradores da Rocinha vem provar o contrário. Nem mesmo sob o regime militar a Universidade de São Paulo presenciou momentos mais truculentos. A ofensiva de “Cabralzinho” na Rocinha não está dirigida contra nenhum grande traficante, todos eles negociaram suas “férias” em Bangu, como o “temido Nem”. A vítima real da operação de invasão, protagonizada pela assassina PM carioca é justamente a população trabalhadora que reside no cobiçado espaço da Zona Sul da capital fluminense, na mira da desocupação para loteamentos da Copa do Mundo e olimpíadas.

Ironia à parte para os que saudaram o advento da “revolução” na Líbia, foi a descoberta pelos estudantes no prédio ocupado da Reitoria da USP, de correspondências entre o interventor Rodas e os setores não “radicais” do movimento estudantil, no caso específico o PSOL e seu parceiro de “oposição de esquerda”, o PSTU. Nestas “correspondências” fica comprovada a colaboração destes setores com o fascista de plantão, empossado no cargo de Reitor. Não foi a primeira vez que os revisionistas são flagrados “colaborando” com a reação, é só verificar os casos da Venezuela e mais recente na própria Líbia onde se prestaram a dar a cobertura de “esquerda” aos rebeldes monarquistas do CNT.

A classe operária mundial aprendeu há muito tempo, pagando com seu próprio sangue, a discernir entre uma vitória política e uma derrota histórica sob os golpes do inimigo imperial. A entrada dos “rebeldes” em Sirte, apoiados pelos modernos caças da OTAN, figurará entre os fatos contrarrevolucionários da história do proletariado, ao lado do incêndio do Reichstag em fevereiro de 33 na Alemanha pré-nazista e da marcha “yeltsinista” sobre o Palácio do Kremlin em agosto de 91. Somente pequeno-burgueses corrompidos ideologicamente e deslocados da luta de classes, podem  se “confundir” diante de acontecimentos tão trágicos para o rumo da luta socialista e revolucionária. É necessário preparar e concentrar nossas forças para tempos sombrios de reação em toda a linha, onde apenas a ação direta e consciente (programática) da classe operária será capaz de derrotar a poderosa ofensiva imperialista.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 226, Primeira Quinzena de Novembro/2011


EDITORIAL
Após a ocupação da Líbia pela OTAN acentua-se o recrudescimento da ofensiva imperialista mundial


DESOCUPAÇÃO POLICIAL DA REITORIA DA USP
A operação de guerra civil montada contra os estudantes é um sinal da etapa de profunda reação ideológica e ofensiva mundial do imperialismo!


INVASÃO DA ROCINHA PELA PM
Mais uma farsa apoiada pela TV Globo para “Cabralzinho” e os verdadeiros barões do tráfico de drogas e armas levaram adiante livremente seus negócios milionários


CORRUPÇÃO NO MINISTÉRIO DO TRABALHO
Ministro quadrilheiro do PDT diz que só sai do governo “abatido a bala”, para depois se “borrar” de medo!


MORTE DO CINEGRAFISTA DA BAND
Espetacularização da guerra entre “mocinhos” e “bandidos” montada pela mídia nas favelas cariocas


DELÍRIO DE UMA ESQUERDA CATASTROFISTA
PCO afirma que Brasil está à “beira da recessão”!


BALANÇO DO ENCONTRO MUNDIAL DOS BLOGUEIROS
Submissão em toda linha aos governos da centro-esquerda burguesa


PROFESSORES EM LUTA
TRS derrota “cidcato” na assembleia geral que deflagrou a retomada da greve geral da categoria


BOLETIM DO MOVIMENTO DE OPOSIÇÃO BANCÁRIA/CE
Direção do sindicato (CUT-CTB) confisca salário do bancário e cassa com imposições burocráticas o direito da base de se opor ao desconto assistencial!


URBANITÁRIOS - CEARÁ
Campanha Salarial dos trabalhadores da Cagece foi traída pela diretoria “chapa branca” do Sindiágua a serviço do governo Cid Gomes


4 DE NOVEMBRO DE 1969, CAIU EM COMBATE CARLOS MARIGUELLA PELAS MÃOS DO FACÍNORA FLEURY
Nossa homenagem a esse herói da luta contra a ditadura militar!


POLÊMICA COM A LIT
Da unidade com o ditador Galtieri em defesa das Malvinas à aliança com a OTAN e seus “rebeldes” mercenários na Líbia


POLÊMICA COM OS REVISIONISTAS PRÓ-OTAN
Comandaria Chávez um regime pró-imperialista na Venezuela?


CRISE EUROPEIA
Saem Papandreu e Berlusconi, entra o “deus mercado” agora na forma de tecnocratas de plantão para debelar a crise capitalista


TRAGÉDIA GREGA
Papandreu renuncia e articula governo de coalizão com a direita


ASSASSINATO DO COMANDANTE AFONSO CANO
Com vergonhosa ajuda de Chávez, facínora Santos impõe um duro golpe contra as FARC


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org/

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Saem Papandreu e Berlusconi, entra o “deus mercado” agora na forma de tecnocratas de plantão para debelar a crise capitalista

Na última sexta-feira, dia 11, assumiu como Primeiro-Ministro da Grécia, o tecnocrata Lucas Papademos, ex-vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), uma credencial que por si só demonstra seu compromisso de aplicar a fundo o plano de ajuste exigido pelo imperialismo. Na Itália, no último domingo, o “deus mercado” também encontrou uma solução semelhante e se livrou do “bunga bunga” Berlusconi. O escolhido para substituir o decadente “Cavaliere” foi o tecnocrata Mario Monti, ex-membro da Comissão Europeia para Assuntos Financeiros. A oposição de “esquerda” permaneceu calada e desta forma reverencia o verdadeiro dono do circo democrático, os “barões de Wall Street”.

Papademos estará à cabeça de um governo de coalizão conformado entre o Pasok e o tradicional partido da direita grega, a “Nova Democracia”, até então fora do gabinete. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, deu o tom do acordo: “Celebro a nomeação do primeiro-ministro Lucas Papademos, que conheço bem e com quem poderemos retomar os trabalhos para analisar o pagamento da sexta parcela e prosseguir com as relações entre o Fundo e a Grécia”.

A saída de Papandreu se deu mesmo após este conquistar o “voto de confiança” no Parlamento. Ele renunciou porque a UE exigiu que a oposição conservadora integrasse o novo governo, já que as pesquisas de opinião indicavam que a “Nova Democracia” ganharia as eleições legislativas caso estas fossem convocadas. Desta forma, sem a necessidade de eleições, escolheu-se um homem de confiança das duas grandes potências imperialistas europeias, França e da Alemanha, para gerir seus negócios a frente do governo grego em uma coalizão onde o Pasok perde força e os partidos de direita têm maioria. 75% dos entrevistados apoiam o novo governo segundo as pesquisas, confirmando plenamente nossos prognósticos de que pela ausência de uma direção revolucionária e, particularmente diante da impotência política do KKE estalinista, a crise econômica grega abria caminho para o fortalecimento das tendências políticas e sociais mais reacionárias, fascistizantes e xenófobas no país!

A UE já declarou que a liberação do próximo lote de “ajuda” a Grécia só será feito quando forem tomadas decisões que comprovem a determinação do novo governo em impor novas derrotas aos trabalhadores. Longe de abrir caminho para o socialismo e a revolução, como apregoavam desde o stalinismo até o revisionismo do trotskismo, a dramática tragédia grega está assentando as bases para a barbárie social sob o tacão da direita tradicional, que vai assumindo as rédeas do governo até então nas mãos do Pasok.

A demagogia de Papandreu, que ventilou a possibilidade de convocar um referendo sobre as medidas de ajuste exigidas pela UE, custou-lhe a cabeça. Depois de perder apoio dentro do próprio Pasok, os capitalistas “elegeram” para seu lugar um economista envolvido diretamente com a adesão da Grécia à Zona do Euro em 2001, um ex-funcionário do FED norte-americano.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Ministro quadrilheiro do PDT diz que só sai do governo “abatido a bala”, para depois se “borrar” de medo!

Pareceu mais uma cena daquelas chanchadas produzidas pelo velho Mazzaropi, mas não era. Foi o caso dos arroubos do ministro do trabalho, o pedetista Carlos Lupi, tentando se defender das acusações de corrupção lançadas consecutivamente pela mídia contra o sexto membro do gabinete de Dilma. Com uma linguagem própria de “malandro marrento” Lupi afirmou que só deixaria o ministério se fosse “abatido a bala”, para logo depois se borrar de medo da reprimenda que levaria da presidenta “poste”. Lupi convertido em “paz e amor” lambeu os pés da chefe, enviando para ela uma patética declaração de amor. Ironias a parte, a verdade é que Lupi tinha razões para bajular Dilma, que ao contrário do que ocorreu com Orlando Silva, foi “blindado” pelo governo. A presidente pessoalmente mandou o procurador geral da república, Roberto Gurgel, retirar o nome do ministro de qualquer investigação que pudesse resultar em um processo no âmbito do STF. Lupi deve permanecer no cargo mesmo enfrentando uma saraivada de denúncias de irregularidades na área de convênios do ministério do trabalho com ONGs “laranjas”.

O carioca Carlos Lupi foi quem se apropriou do espólio partidário do finado Leonel Brizola, que em função de sua morte súbita não preparou um herdeiro político a sua altura no PDT. Lupi, sem a menor história no trabalhismo e dotado de uma “ideologia” pragmática, logo vendeu o partido para a primeira oferta do governo da frente popular, com o qual o velho Brizola mantinha uma certa reserva. Sentado na cobiçada cadeira de ministro do trabalho, Lupi debelou adversários internos, como o próprio neto de Brizola e o pedetista histórico Miro Teixeira, transformando o tímido “nacionalismo” do partido em um desbotado fisiologismo político, afeito a todo tipo de maracutaias e alianças com as oligarquias mais entreguistas e corruptas. Neste sentido, o atual PDT de Lupi representa uma caricatura grotesca do que foi o velho “Brizolismo”, com toda a sua carga de incoerências e sua própria natureza de classe.

Para o governo da frente popular a permanência de Lupi significa pôr um fim na linha de denúncias, mantida pela mídia reacionária que na falência Demo-Tucana assumiu o papel de oposição política no país. Pouco importa o grau de corrupção existente no Ministério do Trabalho, para Dilma uma tecnocrata de carreira o relevante é manter uma “média” administrativa tolerável em todos os ministérios. A estabilidade concedida pelo movimento de massas ao governo, permite atravessar todos os episódios de denúncias de corrupção, levados a cabo pela mídia “murdochiana”, sem transformá-los em grandes crises políticas.

O repentino surgimento da doença, com certo nível de gravidade, no ex-presidente aponta um cenário, já delineado por nós, de uma transição do atual governo para uma nova gestão de Lula para 2014. Neste quadro o mandato “tampão” de Dilma deve decorrer sem maiores turbulências políticas ou econômicas, no Brasil “maravilha” da copa do mundo e das olimpíadas. Somente a entrada em cena da classe operária, com seus próprios métodos históricos, será capaz de “estourar” a estabilidade do pacto social vigente, celebrado entre a burocracia sindical “chapa branca” e a elite corrupta dominante.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Delírio de uma esquerda catastrofista: PCO afirma que Brasil está à “beira da recessão”!

Volta e meia a esquerda catastrofista alardeia que a economia brasileira entrará em colapso, que o país está à beira da recessão e será a “bola da vez” da crise capitalista. O PCO vem se especializando em montar esses cenários delirantes, como manchetes do tipo “Crescimento econômico em queda livre” ou “Brasil muito próximo da recessão” para, logo em seguida, vender o conto de que estamos prestes a presenciar uma “reação das massas” aos efeitos destas turbulências econômicas globais. Em geral quebra a cara! Nas páginas de sua imprensa, em seu mundo da fantasia, esses revisionistas tentam fazer da sua vontade a realidade, buscam encobrir sua impotência com atalhos, justamente porque não podem reconhecer que em função do Brasil ser atualmente um dos principais destinos dos investimentos capitalistas mundiais atravessa uma onda de expansão econômica, que tem amortecido a luta de classes.

Os “dados econômicos” que o PCO lista em seus artigos para dar um ar “científico” aos seus delírios não podem sobrepor-se a uma realidade vista a olhos nus: a estabilidade social e política alcançada pelas gestões da frente popular conseguem atrair um enorme fluxo de capital internacional em forma de bolha de crédito, amortecendo a ação direta da classe operária e rebaixando suas reivindicações imediatas. Justamente por ser peça chave na divisão internacional do trabalho imposta pela economia mundial capitalista, o Brasil não altera sua estrutura de dependência dos centros imperialistas e continua a apresentar altos índices de miséria e pobreza. Porém, a população trabalhadora vem sendo anestesiada com políticas públicas compensatórias das mais diversas e pelo crédito para os pequenos negócios, enquanto na outra ponta, as direções sindicais sabotam as lutas das categorias organizadas, impondo pífios reajustes e mantendo o governo Dilma completamente blindado. As derrotas das últimas campanhas salariais que o digam! Em meio à queda de vários ministros por corrupção, o governo amplia sua popularidade assim como sua base social e política, o PSD de Kassab atuando como fiel escudeiro do governo Dilma no parlamento é mais um prova do quadro de absoluta tranquilidade por que atravessa a gestão da frente popular!

Os planos de incentivo à indústria com renúncia fiscal de quase 30 bilhões de reais, os milionários empréstimos do BNDES, os recordes de vendas, apesar das elevações constantes nos preços dos carros novos, o surgimento vertiginoso dos chamados “pequenos negócios” subsidiados pelo Estado, o aumento dos imóveis em função dos megaeventos (Copa e Olimpíadas)... são exemplos de uma semicolônia que atravessa um momento de expansão econômica e não o contrário, como nos deseja convencer o estúpido PCO. Causa Operária é “apenas” mais afoita em seus delírios castrofistas, que são compartilhados por todo arco revisionista do trotskismo, que vai do PSTU até a LER. O PCO, ao repetir a cantilena catastrofista de que a “crise vem aí!”, como fazem todos os revisionistas de forma recorrente desde o crash capitalista de 2008, busca um atalho oportunista auto-ilusório porque não reconhece que vivemos uma etapa de aberto retrocesso ideológico e de cooptação de um amplo setor social dos trabalhadores, como a chamada “nova classe média” no Brasil. Por esta razão, soam cada vez mais patéticas suas análises e ainda mais suas posições políticas. Não esqueçamos: os mesmos que dizem que o Brasil está “a beira da recessão” são os que, usando como pretexto o aprofundamento da crise capitalista mundial, apoiaram os atentados da extrema direita na Noruega e apresentaram os mercenários “rebeldes” pró-OTAN na Líbia como “genuínos revolucionários”!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Comandaria Chávez um regime pró-imperialista na Venezuela?



O presidente “bolivariano” vem entregando vários dirigentes militares das FARC para os cárceres fascistas colombianos. A lista é vasta! A colaboração entre os serviços de inteligência da Venezuela com o aparato repressivo da Colômbia, diretamente controlado pela CIA e que tem auxílio do Mossad, é responsável pelo sucesso de operações militares que levaram a morte de quadros das FARC, como recentemente a do comandante Afonso Cano e outros guerrilheiros. Alguma corrente política, ainda que tenha denunciado a conduta de Chávez, caracteriza que seu governo tenha se convertido em um peão do imperialismo na América Latina por conta desta colaboração vergonhosa com Santos e a CIA? Absolutamente! Muitos grupos apoiadores da farsesca “revolução árabe” que bradaram aos quatro cantos que Kadaffi era um “ditador sanguinário pró-imperialista” na Líbia sequer denunciam o apoio da Venezuela à perseguição as FARC e a prisão de vários de seus militantes pelo exército bolivariano!

Para os revisionistas mais esquecidos, lembremos que o governo Chávez tem sido abertamente conivente com o assassinato de sindicalistas, principalmente aqueles que fazem oposição a seu governo, como foi o caso de três dirigentes operários da central venezuelana União Nacional dos Trabalhadores (UNT) que tiveram suas vidas ceifadas em 2008 ou os companheiros da Mitsubishi em 2009. A lista é vasta! A guarda nacional chavista reprime as greves e age em apoio aos grupos armados contratados pelos patrões para atacar os trabalhadores, principalmente nas greves que paralisam a produção de empresas transnacionais como Pepsi-Cola, Mitsubishi Motors Corporation... Por acaso, apesar de sua aberta repressão aos lutadores, alguma corrente de esquerda, apoiadora ou crítica do governo Chávez, saiu a acusá-lo de ter se convertido em um regime pró-imperialista por conta desses graves acontecimentos?

Se o critério teórico para definir o caráter do regime político como pró-imperialista for os contratos com as transnacionais do petróleo, então o governo Chávez seria um dos mais fiéis aliados de Obama no continente! O governo da Venezuela, grande produtor de óleo, estabelece concessões muito maiores neste setor do que as praticadas na Líbia quando comandada por Kadaffi, inclusive com empresas norte-americanas como a Texaco, que mantém bases de extração e distribuição no país. Chávez nunca cortou o fornecimento de petróleo para os EUA. Existiria “prova” mais contundente do apoio de Chávez ao imperialismo ianque, que usa o petróleo venezuelano para manter suas guerras de rapina contra os povos?

Tragicomicamente, um dos argumentos centrais para os revisionistas justificarem seu vergonhoso apoio aos “rebeldes” pró-OTAN na Líbia ou mesmo grupos “derrotistas” se negarem a estabelecer a unidade de ação com as forças do regime vigente quando estas se enfrentavam com os mercenários do CNT em terra seria a suposta conversão do decadente regime nacionalista burguês comandado por Kadaffi em um governo pró-imperialista nos últimos 20 anos. As “provas” dessa evolução seriam sua colaboração com a CIA para a perseguição aos “opositores” e aos militantes da Al Qaeda além dos contratos com as transnacionais do petróleo. Não faltou a divulgação de fotos de Kadaffi com Obama, Sarkozy... para evidenciar tal conversão. Como se viu, Chávez segue o mesmo caminho... Os que apoiaram os supostos “rebeldes” teriam na Venezuela que se somar às orquestrações dos golpistas “esquálidos” que também se dizem “inimigos da ditadura”, já que tanto na Líbia como na Venezuela essas forças políticas e sociais representam a contrarrevolução, assumindo o objetivo de liquidar conquistas do proletariado. Seria cômico se não fosse trágico ver essas mesmas correntes serem acossadas e desmoralizadas na Venezuela por manifestações supostamente “democráticas” patrocinadas pela direita golpista, inspiradas nos ventos de “mudança” trazidos do Oriente.

Se forem coerentes, os revisionistas (a corrente de Alan Woods é a expressão maior da “incoerência” deste setor da esquerda) que acusaram Kadaffi de ter comandado na última década um regime pró-imperialista serão obrigados também a caracterizar o governo de Hugo Chávez na Venezuela como tão ou mais pró-imperialista que seu inspirador norte-africano. Porque não o fazem? Exatamente porque estão “vendidas” ao regime de Chávez, que se mostrou muito generoso em “agradar” as correntes revisionistas que o apóiam. Quanto a Kadaffi, este já tinha cortado todos os vínculos políticos e principalmente materiais que manteve por muitos anos com a esquerda reformista mundial, provocando uma “radical” mudança na caracterização destes senhores acerca do regime Líbio. Ou seja, quando acabaram as “verbas” que Kadaffi destinava a corromper os reformistas, estes logo o acusaram de “pró-imperialista”!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Morte do cinegrafista da Band: Efeito “colateral” da espetacularização da guerra entre “mocinhos” e “bandidos” montada pela mídia “murdochiana” nas favelas cariocas

Em uma operação na qual a PM carioca invadiu a Favela Antares, zona oeste do Rio, o cinegrafista da Rede Bandeirantes, Gelson Domingos, foi morto com tiro de fuzil no último dia 6 enquanto fazia tomadas de imagens do confronto entre o BOPE e traficantes. Aqui, mais uma vez, a se destacar na mídia “murdochiana” é a “espetacularização” da sociedade como produto de uma relação de promiscuidade entre Estado burguês (polícia) e empresas privadas (redes de televisão). A primeira busca “publicidade” simpática a seus atos de violência contra a população pobre; a segunda o lucro fácil e “espetacular” na briga pela audiência valendo-se da belicosidade policial, justificando a mesma perante à opinião pública.

Sabe-se que a Globo, por exemplo, “compra” a exclusividade de suas reportagens no “Fantástico” acerca das investigações da Polícia Federal, através das quais os Marinhos divulgam depoimentos, documentos e afins supostamente sob segredo de justiça. Em troca, a Globo oferece reportagens simpáticas à atuação da polícia, “privilégio” que provoca uma corrida entre as demais emissoras pelo “furo de reportagem” em programas policiais “especializados” em sangue e morte que envolvem a população pobre.

No entanto, a relação entre mídia e polícia é bem mais abrangente do que se imagina, está acima das chamadas “chefias de redação”. Esconde por detrás toda uma operação midiática que hoje envolve todo o planeta: a ofensiva frontal do imperialismo sobres os povos e a sua justificação ideológica. Para ilustrar esta tendência, basta reportarmos a invasão do Complexo do Alemão no final do ano passado e a ulterior implantação das UPPs em que a cobertura das grandes redes televisivas do país cumpriram um claro objetivo tático militar, a de tornar uma ocupação militar algo necessária, eficiente e simpática à população.

Para o marxismo revolucionário, ao contrário do que é posto, a ocupação tem um preciso conteúdo de classe: serve para oprimir e aterrorizar a população local (policiais estupram, roubam, chantageiam moradores etc.). Assim age no âmbito internacional o imperialismo para acobertar sua política genocida sobre países invadidos como o Iraque, Afeganistão, Líbia, dando vazão para que ações deste tipo adquiram um conteúdo universal de belicosidade militar e ideológica, logo assimilados por governos de plantão como o de Dilma Rousseff e Cabral.

Assim, a morte do cinegrafista para a mídia “murdochiana” é apenas mais um “efeito colateral” e um elemento de “audiência” com a divulgação do vídeo em que o jornalista é atingido pelo projétil porque sequer tinha um colete a provas de balas adequado para tiros de fuzil, justamente a principal armas usada nestas ações. A Globo neste mesmo viés deu uma declaração que beira à estupidez, afirmando que trata-se de um “atentado à liberdade de imprensa”. O governo Sérgio Cabral, a PM, a Band, todos querem se eximir de culpa, mas está clara a promiscuidade política entre as redes de TV e o Estado burguês na promoção dos atos de “heroísmo” da polícia. Somente a classe operária e sua vanguarda, o partido revolucionário, podem destruir o braço armado da burguesia que é a polícia, as FFAA e o Estado burguês.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Assassinato do comandante Afonso Cano: Com vergonhosa ajuda de Chávez, facínora Santos impõe um duro golpe contra as FARC 

No último dia 05 de novembro, o facínora presidente colombiano, Manoel Santos, anunciou com júbilo o assassinato de Afonso Cano, dirigente máximo das FARC, que havia sucedido Manoel Marulanda no comando da guerrilha. Em uma operação que empregou mais de mil soldados do exército colombiano, o acampamento das FARC foi bombardeado e depois cercado, sendo mortos além de Cano vários dirigentes da guerrilha. Esse duro golpe contra as FARC só foi possível devido às informações obtidas depois da detenção, há poucos meses, na fronteira com a Venezuela, em uma operação conjunta entre as forças de segurança do governo Chávez e a polícia nacional colombiana, do guerrilheiro Miguel Ángel Ariñez, conhecido como “el médico”, responsável pela assistência médica ao comando central da guerrilha.

Segundo o próprio diretor da Polícia Nacional colombiana, o general Óscar Naranjo, Miguel Ángel Ariñez foi capturado em agosto na cidade fronteiriça de Cúcuta, depois de ter retornado a Colômbia pressionado pelas operações venezuelanas: “Este indivíduo saiu da Venezuela por pressão da busca que exerceu Venezuela, de maneira binacional” (Jornal espanhol Qué, 04/08), destacando que “a normalização diplomática com o país vizinho tem possibilitado maiores coordenações de inteligência e um trabalho conjunto. O que estamos constatando é que a pressão binacional Venezuela-Colômbia está produzindo estes resultados, dada a instabilidade e os erros que estão cometendo os terroristas” (Idem). A macabra ação conjunta de caça aos dirigentes das FARC entre Chávez e Santos permitiu as informações sobre a localização do acampamento onde estava Afonso Cano e a vitória do operativo militar que levou a sua morte. Esta mesma “parceria” já havia capturado o jornalista da ANNCOL (Agência de Notícias Nova Colômbia), Joaquín Pérez Becerra, refugiado político há doze anos na Suécia, preso quando estava na Venezuela e entregue para o cárcere do narco-fascista Manuel Santos, assim como deteve Julián Conrado, dirigente da guerrilha, doente e encarcerado em condições sub-humanas pelo exército venezuelano.

O mais repugnante é que as correntes de esquerda que apóiam o chavismo, como o PCB brasileiro, denunciam o assassinato de Cano, mas não fazem qualquer menção de que a colaboração do governo Chávez foi fundamental para que o exército colombiano alcançasse seu objetivo fatal. Da mesma forma agem os revisionistas do trotskismo, como a decomposta CMI de Alan Woods, que se calam diante de mais este verdadeiro crime que teve a participação direta do paladino do “Socialismo do Século XXI” que tanto reverenciam. Estes grupos sequer denunciam que, ao mesmo tempo em que Chávez colabora com o extermínio dos militantes das FARC, cinicamente defende que a guerrilha entregue suas armas, ou seja, pressiona para que as FARC se renda ao regime facistizante colombiano comandado por Santos. Desta forma, Chávez faz coro com este facínora, que ao anunciar a morte de Afonso Cano deu um ultimato público às FARC: rendição ou morte! Um exemplo claro do apoio a essa política canalha é o que defende o PC colombiano em sua declaração após o assassinato de Cano: “É necessário insistir em saídas humanitárias e pacíficas. O governo e as organizações insurgentes devem abrir um espaço de diálogo para o acordo pela nova Colômbia em paz com democracia e justiça social” (Sítio PCC, 05/11).

A LBI, apesar de nossas profundas divergências com o programa das FARC, mantém de pé a tarefa da defesa militar incondicional da guerrilha frente aos ataques do governo assassino de Santos, a serviço do imperialismo ianque, assim como a denúncia do chavismo e seu “Socialismo do Século XXI” como um embuste que não pode de forma alguma ser apresentado como um regime político aliado dos trabalhadores. Na verdade, o real conteúdo do decadente nacionalismo burguês, representado por Chávez, é exatamente similar a outros regimes com as mesmas características sociais, como na Líbia à época de Kadaffi. Em síntese, governos capitalistas com viés estatizante, vacilantes em relação ao enfrentamento com o imperialismo, que pressionados pelo proletariado adotam uma tímida postura “nacionalista”.

Em oposição pelo vértice aos revisionistas do trotskismo e dos estalinistas “moderados” que condenam as FARC pela adoção da luta armada, isolando-a ainda mais para que sejam presa fácil da burguesia, defendemos que uma política justa para o confronto entre a guerrilha e o Estado burguês passa por aplicar a unidade de ação contra Santos, com a mais absoluta independência política em relação ao programa reformista das FARC. Ao lado dos heróicos guerrilheiros das FARC e honrando o sangue derramado pelo comandante Afonso Cano, que morreu em combate, apontamos como alternativa programática a defesa da estratégia da revolução socialista e da ditadura do proletariado, sem patrocinar nenhuma ilusão na possibilidade de construir uma “Nova Colômbia” sem liquidar o capitalismo e seus títeres.

sábado, 5 de novembro de 2011

Após receber o "voto de confiança" da burguesia grega, Papandreu articula governo de coalizão com a direita. Estalinismo mostrou mais uma vez sua impotência revolucionária
Na noite desta sexta-feira, 4, o Primeiro-Ministro Yorgos Papandreu, obteve o “voto de confiança” do Parlamento grego, depois de recuar em sua proposta de referendo sobre a "ajuda" da União Européia. A votação foi extremamente apertada, 153 a 144 e a vitória do Pasok foi produto de um acordo entre a própria base governista e pequenos partidos de direta em troca da formação de um governo de coalizão, cujo objetivo é empurrar goela abaixo dos trabalhadores gregos o “plano de ajustes” imposto pelo imperialismo e os banqueiros. O “novo executivo” terá muito provavelmente, na perspectiva política do Pasok, Papandreu na cabeça, com um ministério ainda mais conservador, o que indica que o regime caminha a passos largos rumo à direitização.
Até agora, o contexto de crise profunda não fez com que o proletariado assumisse seu papel de protagonista na luta contra o regime burguês lacaio em função da ausência de uma direção revolucionária. Como afirmamos desde o início da crise grega, em oposição do que apreogoava o conjunto do revisionismo delirando que a revolução está "batento às portas" da Grécia, quem está “capitalizando” a debacle do Pasok é o partido da direita tradicional, a “Nova Democracia” que vem sistematicamente votando contra o governo “socialista” numa tentativa de se cacifar para as eleições legislativas próximas, adiadas mais uma vez com o "voto de confiança" em Papandreu. O Pasok deverá ser derrotado pela direita que implementará com ainda mais dureza novas medidas de salvação do capital às custas do sacrifício da classe operária como ocorreu em Portugal e irá se repetir na Espanha com a volta do PP ao governo.
O estalinista Partido Comunista grego, o KKE, longe de direcionar os inúmeros protestos de massas contra o regime burguês vigente e pela derrubada revolucionária do governo, orienta-os a pressionar o Parlamento controlado pelo... Pasok! Esta é uma política suicida que leva a ascensão da direita no circo eleitoral, uma vez que ambos, KKE e ND, querem eleições. O mote da intervenção dos “comunistas” é de completa integração ao regime político: “demissão do governo, eleições já!... Precisamos de eleições já... A classe operária e as camadas populares devem impô-las e acolhê-las por mobilizações de massa em todo o país” (Comunicado do KKE, 2/11). Em outras palavras, o lobby parlamentar é um caminho de derrotas e desmoralização da classe operária. Esta política limita-se a convocar pífias greves de 24 ou 48 horas, apesar da enorme disposição de luta dos trabalhadores, em nome da preservação do establishment.
Deste modo, fica abstraída a ácida lição para os genuínos trotskistas de que as várias mobilizações e greves gerais na Grécia foram derrotadas pela ausência de um norte estratégico revolucionário das direções do movimento de massas e, em particular o estalinismo, as quais têm como horizonte a limitada conquista de cadeiras no Parlamento burguês. Mais uma vez os “catastrofistas” morderam a língua ao afirmarem que basta uma crise econômica se aprofundar para o capitalismo vir abaixo. Na Grécia, ou em qualquer parte do mundo capitalista, se não houver uma vanguarda genuinamente comunista no comando das massas não haverá avanço rumo a uma saída proletária para a crise, ou seja, a revolução socialista.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

4 de novembro de 1969, caiu em combate Carlos Mariguella pelas mãos do facínora Fleury: nossa homenagem a esse herói da luta contra a ditadura militar!

Precisamente na noite de 4 de novembro de 1969, Carlos Marighella foi assassinado por agentes de repressão da ditadura militar numa emboscada em São Paulo, chefiada pelo facínora Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DOPS, órgão oficial dos ratos covardes torturadores. Marighella foi um dos principais líderes da luta armada durante o período da ditadura semifascista. Apesar das divergências com o programa defendido por Marighella tanto no PCB como na ALN, rendemos nossa homenagem a esse herói da luta contra o regime dos gorilas, que morreu em combate contra a dominação do país pelo imperialismo e seus títeres de farda.

Nascido em 05 de dezembro de 1911, iniciou sua militância aos 18 anos, quando ingressou no PCB, em 1930, numa fase em que o partido comunista enfrentava profundas crises internas decorrentes de sua adaptação ao stalinismo. A onda de reação que se seguiu à aventura de 35, mais uma das fracassadas insurreições preparadas pelos agentes da III Internacional stalinista, vários militantes foram presos e barbaramente torturados pela polícia de Filinto Müller. Marighella foi detido em 1º de maio de 1936 e permaneceu encarcerado por um ano durante o governo Vargas. Elege-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946, mas teve o mandato cassado em 1948, em virtude da nova proscrição do partido.

Após o golpe militar de 1964, é baleado e preso por agentes do DOPS no Rio de Janeiro. Libertado em 1965, Marighella começa a divergir da política do PCB diante do regime militar. Criticando o imobilismo da direção, que ficava a espera de espaços para a atuação política dentro das regras e dos limites impostos pelo próprio regime ditatorial, solicitou seu desligamento da Comissão Executiva em dezembro de 1966, anunciando sua disposição de lutar revolucionariamente contra a ditadura. Em 1967, na Conferência Estadual de São Paulo, as posições de Marighella são esmagadoramente vitoriosas (33 a 3) sobre o restante do Comitê Central, mesmo tendo como opositor o próprio Luiz Carlos Prestes. Contrariando as ordens do CC, que o ameaça de expulsão, Marighella vai a Cuba para participar da conferência da OLAS. O passo seguinte foi sua ruptura com o Comitê Central e, como consequência, sua expulsão do PCB. Ao retornar ao Brasil, Marighella funda a Ação Libertadora Nacional (ALN) e inicia as ações armadas contra a ditadura militar. Desgraçadamente, uma característica fundamental da ANL foi a negação da teoria leninista sobre o papel do partido da vanguarda do proletariado no processo revolucionário. Sob a influência do guevarismo e da experiência da revolução cubana, adotou como lema “a ação faz a vanguarda”, partindo para a luta armada. A cisão de Carlos Marighella com o PCB não significou sua renúncia ao stalinismo. O norte estratégico da ALN, não por acaso quase o mesmo nome da organização de caráter frente populista criada em 1934, era a restauração da democracia burguesa e a criação de um governo que realizasse algumas reformas sociais, como a reforma agrária, e assumisse uma posição de independência frente ao imperialismo.

Apesar de todas essas limitações, o incontestável heroísmo na luta contra a ditadura militar, fazem de Marighella um herói dos trabalhadores brasileiros e de sua vanguarda comunista. A LBI, que se mantém firme no combate por desmascarar a democracia dos ricos como uma face da ditadura do capital e dedica o melhor de suas forças à construção do partido revolucionário, espelha-se no exemplo inquebrantável de Marighella que, apesar dos erros programáticos, não traiu a causa que defendia, morreu em combate e pagou com a sua própria vida na luta contra os gorilas genocidas!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

LIT: Da unidade com o ditador Galtieri em defesa das Malvinas à aliança com a OTAN e seus “rebeldes” mercenários na Líbia

Nahuel Moreno deve estar se
“tremendo no túmulo” com as
posições atuais da LIT

O PSTU (LIT) publicou recentemente um artigo intitulado “PCdoB, da selva aos gabinetes de Brasília” onde ironiza a trajetória de integração do Partido Comunista do Brasil e seu profundo grau de corrupção política e material ao estado capitalista. Concordamos em grande parte com a denúncia feita pela LIT acerca da conversão dos ex-maoístas tupiniquins à ordem burguesa, mas não poderíamos deixar passar em branco o fato da LIT padecer do mesmo mal, porém em uma escala muito maior, ao conceber uma aliança “tática” com o imperialismo quando apóia a contrarrevolução dos “rebeldes” na Líbia, mercenários patrocinados pelo governo dos EUA, em sua ofensiva neocolonialista sobre o país norte-africano. Assim como o PCdoB apresenta a instauração dos governos da centro-esquerda burguesa na América Latina como “fenômenos progressistas”, a LIT considera a derrubada do regime Kadaffi, pelas mãos da OTAN e seus parceiros do CNT, como um elemento “altamente positivo” na conjuntura dos países árabes.

Pode-se comparar em certa medida a “evolução” do PCdoB, que protagonizou a Guerrilha do Araguaia e agora não passa de subgestor do Estado burguês no governo da frente popular, com a metamorfose operada pelos morenistas dos anos 80 para cá. Estes últimos passaram de paladinos da correta unidade de ação militar com o carniceiro Galtieri em defesa das Malvinas contra a agressão anglo-imperialista a Argentina no começo dos anos 80, a apologistas de uma “revolução democrática”, onde o imperialismo ianque é o ator principal do combate a “ditadura sanguinária” de Kadaffi. Passados quase trinta anos, a LIT que à época foi duramente criticada por outras correntes revisionistas (The Militant, SU, Lambert, etc...) por uma suposta capitulação a um regime militar assassino de mais de trinta mil militantes de esquerda, se converteu hoje em partidária da “frente única circunstancial” com a OTAN, em nome da defesa das “liberdades democráticas”. Estes revisionistas jogaram no lixo o abc do leninismo e do trotskismo, além de esquecerem as próprias lições deixadas por Moreno, quando afirmava que: “preferia estar no campo militar dos generais facínoras do que em nome da democracia apoiar a ocupação da Argentina pela frota imperial da Inglaterra”.

Apesar de não fazermos coro estúpido com a mídia “Murdochiana”, que afirmava ser o cambaleante regime nacionalista burguês, liderado por Kadaffi, uma “ditadura sanguinária”, é sintomático que a própria LIT, anteriormente na mesma trincheira da “ditadura sanguinária” de Galtieri contra o imperialismo britânico, agora se utilize do pretexto de que Kadaffi era um ditador para se postar no campo político e militar do imperialismo “democrático” e sua falsa “rebelião” que desembocou no governo títere (pró-imperialista) do CNT. Com a benção de Hillary e Obama, a “revolução” delirada pela LIT substituiu um regime que colocava alguns entraves na presença dos EUA na região por uma "associação” de mafiosos ex-kadafistas que prometeram lotear o país entre as principais potências imperialistas.

Esses canalhas da direção da LIT, que hoje envergonhariam o próprio Moreno se vivo estivesse, são os mesmos que depois de saudarem a contrarrevolução que liquidou a URSS nos anos 90 como um “acontecimento revolucionário” se renderam à reação democrática mundial  e hoje não passam de papagaios da Casa Branca, tão ou mais corrompidos do que os falsos “comunistas” dos gabinetes de Brasília. Enquanto os ex-maoístas tupiniquins recebem suas comissões dos esquemas de corrupção do Planalto, os dirigentes da LIT foram premiados com verbas do Departamento de Estado ianque via o ILAESE, para apoiar a “revolução” made in CIA no Oriente Médio!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 225, Segunda Quinzena de Outubro/2011




MÍDIA INDEPENDENTE
Blog da LBI participa do Encontro Mundial dos Blogueiros, na Tríplice Fronteira entre Brasil Argentina e Paraguai, denunciando a burla de uma “mídia independente” sem a ruptura revolucionária com o Estado capitalista


CRISE DO REFORMISMO ARMADO
Diante das “porteiras abertas” pelo PSOE, para a direita fascista na Espanha, ETA anuncia fim de suas atividades guerrilheiras


RESPOSTA AOS COMPANHEIROS DE “LUTA MARXISTA”
Diante do assassinato de Kadaffi pela OTAN é, mais do que nunca, necessário realizar um ato nacional em defesa da resistência líbia, que segue o combate anti-imperialista




LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Balanço do Encontro Mundial dos Blogueiros: Submissão em toda linha aos governos da centro-esquerda burguesa
Mesa do Encontro Mundial, composta majoritariamente
por apoiadores da centro-esquerda burguesa, expõe no telão
cartaz do ato contra a agressão imperialista à Líbia

Encerrou-se no último dia 29 o Encontro Mundial dos Blogueiros. Afora a intervenção dos representantes do Blog da LBI, que atraiu a simpatia de vários companheiros de diversos países que participaram dos três dias de debates, todas as mesas de discussão e as resoluções aprovadas expressaram a política de colaboração de classes da esquerda burguesa “chapa branca” e de seus aliados em nível mundial. Sob a fachada de “lutar pela democratização das comunicações” e em nome de uma suposta “mídia independente”, os organizadores do Encontro receberam uma generosa bolada das estatais que patrocinaram o evento (Itaipu e Banco do Brasil) para dar um verniz progressista à vergonhosa política dos governos da centro-esquerda burguesa de atrair para sua base de apoio político, através da redistribuição “plural” de verbas estatais para o setor, grupos capitalistas minoritários de mídia que disputam espaço com os veículos de comunicação tradicionais, alinhados aos setores mais reacionários da classe dominante.

A chamada “Carta de Foz do Iguaçu dos Blogueiros do Mundo” foi o documento aprovado ao final do Encontro. Ela defende uma “plataforma para um novo marco regulatório das comunicações” que entre outros pontos reivindica “pluralidade de idéias e opiniões nos meios de comunicação, promoção da participação popular nas decisões acerca do sistema de comunicação e o limite a concentração nos meios de mídia”. Como os editores do Blog da LBI pontuaram, esse programa é similar a chamada “Ley de Medios” aprovada pelo governo de Cristina Kirchner na Argentina, criticada duramente pelo grupo Clarín, alinhado à oposição conservadora e apoiada entusiasticamente por jornais como o Pagina 12, ligado ao peronismo reciclado. Tal legislação mantém nas mãos da burguesia como classe o poder de manipular, bestializar e enganar as massas. Portanto, a Carta aprovada no Encontro condensa uma série de medidas para o governo da frente popular patrocinar e fortalecer seus apoiadores nos meios de comunicações de massa e nas chamadas “novas mídias”, ainda que mantenha intocável sua relação de boa convivência com os “velhos” conglomerados das telecomunicações, alinhados aos demo-tucanos em decadência.

Marco Queiroz, porta-voz da LBI, ao centro entre Renato Ravoi
da Altercom-Brasil e o egípcio Ahmed Bahgat

Os representantes da chamada “mídia independente” no Brasil e pelo mundo afora presentes no Encontro (Le Monde Diplomatic, Carta Maior, Terra Maganize, Caros Amigos, Pagina 12, Wikilikies... e os blogs “chapa branca” de charlatões do naipe de Luiz Nassif e Paulo Henrique Amorim) não passam de porta-vozes bem remunerados dessa política que está voltada a promover a utopia reacionária de que é possível “democratizar os meios de comunicação” sem destruir o Estado burguês e expropriar o grande capital. Como denunciou o Blog da LBI esta “tese” furada trata-se de um embuste voltado a manter a dominação burguesa e a alienação que esta impõe, porém “oxigenada” sob uma fachada mais palatável que a ditada pelos tradicionais complexos midiáticos arquirreacionários. Para a LBI, que enfrenta não “apenas” na blogosfera, virtualmente, mas principalmente no terreno vivo da luta de classes, a política de cooptação e adaptação à ordem burguesa promovida por esta esquerda “chapa branca”, a decidida intervenção no Encontro Mundial dos Blogueiros mais do que nunca reforçou nossa convicção de que somente com a vitória da revolução proletária e o fim da propriedade privada dos meios de produção e comunicação, os trabalhadores poderão assentar as bases políticas, culturais e sociais para usarem os avanços tecnológicos e o poder de influência das mídias a serviço do progresso da humanidade!