ELEIÇÕES GERAIS NO NEPAL: POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES
PAVIMENTA VITÓRIA DOS MAOÍSTAS QUE ENCABEÇAM GOVERNO DE PACTO COM A BURGUESIA
No final de 2017 uma coligação de partidos maoístas
encabeçada pelos Partido Comunista Unificado do Nepal (PCN – UML) e o Partido
Comunista (CPN), venceu as eleições gerais e indicou o
primeiro-ministro, seu principal dirigente público, K.P. Sharma Oli. Segundo artigo publicado no site do PCB “Os
comunistas venceram as eleições parlamentares e provinciais no Nepal. No
Parlamento, a aliança comunista terá uma maioria de quase dois terços. O
governo eleito terá cinco anos de mandato e, com essa maioria parlamentar,
poderá reformar a Constituição de 2015 e aplicar seu programa político”. A
vitória dessa “coligação maoísta” foi possível devido sua política de
colaboração de classes, que vem de décadas, como já denunciava o artigo
reproduzimos abaixo, elaborado em 2007, há dez anos atrás, mas que mantém toda sua atualidade, quando polezimamos com a Liga Operária (A Nova Democracia). Tanto que o texto divulgado pelo PCB, longe de apontar o
caminho da ruptura revolucionária, afirma escandalosamente que “A aposta é que
um governo estável atrairá investimentos e turistas ao Nepal e que os recursos
possam ser utilizados no desenvolvimento da agricultura orgânica e na energia
limpa (incluindo-se a energia hidroelétrica), o que aliviará o custo da
importação de energia... É uma política que aponta para a conversão da agenda
comunista em agenda nacional, e que vai pressionar as classes dominantes e
castas superiores a não bloquear a política de desenvolvimento social. Trata-se
claramente de um projeto nacional-desenvolvimentista, dentro de um processo de
longa transição para o socialismo, tendo em vista as profundas contradições da sociedade
nepalesa” (Comunistas vencem as eleições gerais no Nepal, 05.01). Ao contrário
dos Maoístas, apontamos que as mais elementares tarefas democráticas pendentes
(unidade nacional, abolição do latifúndio, liquidação do sistema monárquico)
não podem vir pelas mãos de uma aliança dos comunistas com a autodenominada
“burguesia progressista” e sim pela revolução proletária em ruptura com a ordem burguesa.
FRENTE POPULAR NO NEPAL: MAOÍSTAS INTEGRAM GOVERNO BURGUÊS
DE UNIDADE NACIONAL
(HOME PAGE DA LBI 16/04/2007)
No final de março, o Partido Comunista do Nepal - Maoísta (PCN - M), que encabeçou nos últimos dez anos a luta armada no país, através do Exército Popular de Libertação (EPL), conquistando grande parte do território nacional, concluiu um acordo com setores da oposição burguesa, denominada Aliança dos Sete Partidos (ASP) e os partidos que apóiam a reacionária monarquia do Rei Gayanendra, sustentada pelos EUA, Inglaterra e Índia. O PCN-M passa a integrar um governo de unidade nacional interino até a convocação das eleições, previstas para 20 de junho, para uma assembléia nacional constituinte, que deverá pronunciar-se sobre o futuro da monarquia como forma de regime político no Nepal.
O acordo foi selado pelo líder maoísta Pushpa Kamal Dahal, conhecido como Comandante Prachanda e o tradicional político monarquista do país, membro do partido Congresso Nepalense, Girija Prasad Koirala, três vezes primeiro-ministro. As negociações foram abertas após abril de 2006, quando uma greve geral de 18 dias colocou abaixo o estado de sítio proclamado pelo rei, com o objetivo de liquidar a guerrilha maoísta.
O PCN-M terá cinco ministérios em um gabinete provisório comandado por Koirala. Pelo acordo o PCN-M irá iniciar o processo de dissolução de sua guerrilha de 15 mil homens, entregando suas armas, que ficarão sob “vigilância!” de inspetores da ONU, em 14 depósitos localizados em quartéis de Katmandu, capital do país controlada pelo exército real.
POR QUE OS MAOÍSTAS TRAEM A LUTA PELO SOCIALISMO?
A resposta a esta questão reside na própria estratégia política do maoísmo, herdada do “arsenal” da velha teoria stalinista da revolução por etapas, ou seja, primeiro estabelecer uma unidade com a “burguesia nacional” em nome da “revolução democrática” e depois, muito mais tarde, com o amadurecimento do capitalismo nativo, impulsionar a revolução socialista. A “diferença” entre a teoria clássica estalinista e o maoísmo consiste que este acredita que esta “transição” por etapas deve ser sustentada por uma organização armada que rejeite a via das eleições, como se a tática militar fosse o antídoto para evitar o velho reformismo estalinista.
Os dirigentes do PCN-M estão convencidos de que, depois de anos de luta armada para forçar a queda da monarquia, estão dadas as condições da primeira etapa da revolução e que, para isso, precisam colaborar na construção de um estado capitalista moderno no Nepal.
















