DIRCEU CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA, VACCARI A 9 ANOS... O
PRÓXIMO SERÁ LULA: A FAMIGERADA OPERAÇÃO LAVA JATO AVANÇA CONTRA LIDERANÇAS
HISTÓRICAS DO PT MIRANDO NO CONJUNTO DA ESQUERDA, PORÉM PSTU E MES SEGUEM
APOIANDO MORO
O Juiz “Nacional” Sérgio Moro acaba de condenar José Dirceu a 23 anos de prisão, maior pena da Operação Lava Jato, uma verdadeira prisão perpétua dada à avançada idade do dirigente petista. Também foi sentenciado o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a 9 anos de detenção. Dirceu está preso em Curitiba desde agosto de 2015. Antes ele cumpria prisão em regime domiciliar, decorrente da pena do chamado “mensalão”, quando foi detido novamente pela Polícia Federal acusado de envolvimento no caso Petrobrás, criando então a esdrúxula situação da “reprisão”, ou seja, encarcerar alguém que já se encontra sob o regime da prisão domiciliar. A famigerada Lava Jato agora condena ao cárcere duas lideranças históricas do PT. A pena de Dirceu foi baseada nas “delações premiadas contra o PT”, apontando a empresa de consultoria do ex-ministro de Lula como beneficiária de “comissões” pagas por empreiteiras. O “curioso” na sentença de Moro é a alegação que Dirceu teria recebido as tais propinas quando já cassado pelo Congresso e processado pelo “Mensalão”, ou seja, mesmo excluído do governo e preso Dirceu teria a capacidade de operar o chamado “Petrolão”. O Juiz chega ao absurdo de acusar Dirceu de ter iniciado o processo de corrupção no interior da Petrobras. Sabemos muito bem que a corrupção (cobrança de comissões para cada transação comercial) nas empresas estatais e demais instituições republicanas não são criação dos governos da Frente Popular, são um produto sistêmico do modo de produção capitalista, embora o PT tenha dado continuidade a este mecanismo alimentado pelo mercado e a chamada “iniciativa privada”. Não nos parece justo atribuir exclusivamente as gerências petistas as atuais dificuldades da Petrobras (produto da queda artificial da cotação internacional do óleo cru) foi a na era da privataria tucana que a estatal acumulou suas piores perdas, incluindo a perda do monopólio na exploração do óleo em território nacional. Se Moro pretendesse realmente apurar a origem da relação promíscua entre as empreiteiras e a estatal deveria começar por investigar a fundo o período do regime militar, passando por Sarney e tendo como ápice o governo FHC. A tucanalha embolsou bilhões de dólares das multinacionais do petróleo para quebrar o monopólio que fazem das eventuais “propinas” pagas ao PT um “cofrinho infantil de moedas”. Entretanto a questão de fundo não é “monetária” e sim política! A Lava Jato tem um objetivo determinado de criminalizar as lideranças de esquerda, particularmente o PT, impulsionando uma histeria reacionária no país que já provocou o impeachment de Dilma. O mais trágico é que a defesa de Dirceu chegou a elogiar a Operação Lava Jato na véspera de sua condenação: “Não se pode negar a importância da Operação Lava Jato no cotidiano do nosso país. Um juiz de primeiro grau praticamente isolado, com a parca estrutura que tem o Judiciário como um todo, conseguiu, em razão de seu trabalho, de sua seriedade, de sua convicção e de seus ideais, prosseguir com uma operação que praticamente atinge todo o país, envolvendo inúmeros políticos e grandes empresas nacionais”, escreveram os advogados. Não sabemos se em um ato de desespero ou subserviência, eles evocaram a postura do juiz para, em seguida, pedirem a absolvição tanto de José Dirceu, quanto do irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que também é réu na mesma ação penal. Ledo engano, neste “cabo de guerra” de completa fragilização do PT, não há recuo das forças da direita que agora preparam uma manobra mais ousada, a prisão do ex-presidente Lula pelas mãos da Lava Jato. Este arriscado passo começa a ter fundamentação jurídica com a denúncia do Procurador Rodrigo Janot. Nesse caminho, a Rede Globo divulgou neste 18 de Maio (mesmo dia em que foi anunciada a condenação de Dirceu e Vaccari) que a Procuradoria Geral da República (PGR) fez a denúncia contra o ex-presidente Lula, acusado de obstrução à Justiça no caso da Operação Lava Jato que envolve o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Também se especula a prisão futura de lideranças sindicais ligadas à CUT e ao PT, já citadas na Lava Jato como a dos diretores do Sindicato dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC. Sem avalizar por um só momento a política desastrosa do PT, o movimento de massas deve ganhar as ruas para combater a escalada da direita e do fascismo, que mais cedo do que tarde se voltará contra o conjunto da vanguarda operária em nosso país. Entendemos que a defesa política, e não meramente jurídica, de Vaccari, Dirceu, e possivelmente amanhã a de Lula, se mantém necessária diante da ofensiva direitista contra o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. Nós da LBI não nutrimos nenhuma afinidade programática ou política com Dirceu, Vaccari, Lula e muito menos com os dirigentes do conjunto da Frente Popular que promoveu ataques aos direitos e conquistas dos trabalhadores à serviço do capital financeiro. Entretanto os Bolcheviques sabemos muito bem distinguir o fascismo da Frente Popular, o primeiro embrulhado no discurso da moralização e ética da coisa pública e o segundo atolado e refém da sua própria política de colaboração de classes. A defesa política de Dirceu e Vaccari, condenados como em uma vitrine midiática, para dar uma “lição” desmoralizante em qualquer esquerdista que se meta em “negócios” com a burguesia, é um ato de enfrentamento com a brutal ofensiva ideológica da direita e não pode ser confundido com o apoio ou solidariedade ao programa burguês da colaboração de classes levado a cabo pelo PT. A covardia do diretório nacional do PT que não emitiu sequer uma nota contra a condenação de Dirceu e Vaccari semeia ainda mais o terreno fértil para a histeria direitista que cruza o país e logo baterá na porta de Lula e depois nas lideranças classistas do movimento de massas. Cúmplices diretos da “Lava Jato” PSTU e o MES (corrente interna do PSOL) apostam no prestígio midiático do fascista Moro para tentarem obter algum dividendo eleitoral na velha “caça às bruxas” da direita tupiniquim. Nesta conjuntura de ofensiva reacionária em toda a linha, a tarefa dos Leninistas é denunciar vigorosamente a prisão política de Dirceu e Vaccari assim como a estratégia de colaboração de classes que levou o PT a completa subserviência diante da burguesia mesmo quando seus quadros históricos são perseguidos e presos, tendo o encarceramento de Lula no horizonte próximo como parte da sanha reacionária em curso no país. É necessário defender publicamente nas ruas e nas lutas a liberdade imediata de Dirceu e Vaccari neste momento contra a trama da direita reacionária que deseja entregar a economia nacional ao completo domínio dos monopólios imperialistas. Esta tarefa necessariamente precisa estar combinada com o chamado à mobilização direta dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal que antes era levado a cabo por Dilma e agora está sendo aprofundado por seu vice golpista, o rato Temer.

















