quinta-feira, 19 de maio de 2016

DIRCEU CONDENADO À PRISÃO PERPÉTUA, VACCARI A 9 ANOS... O PRÓXIMO SERÁ LULA: A FAMIGERADA OPERAÇÃO LAVA JATO AVANÇA CONTRA LIDERANÇAS HISTÓRICAS DO PT MIRANDO NO CONJUNTO DA ESQUERDA, PORÉM PSTU E MES SEGUEM APOIANDO MORO


O Juiz “Nacional” Sérgio Moro acaba de condenar José Dirceu a 23 anos de prisão, maior pena da Operação Lava Jato, uma verdadeira prisão perpétua dada à avançada idade do dirigente petista. Também foi sentenciado o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto a 9 anos de detenção. Dirceu está preso em Curitiba desde agosto de 2015. Antes ele cumpria prisão em regime domiciliar, decorrente da pena do chamado “mensalão”, quando foi detido novamente pela Polícia Federal acusado de envolvimento no caso Petrobrás, criando então a esdrúxula situação da “reprisão”, ou seja, encarcerar alguém que já se encontra sob o regime da prisão domiciliar. A famigerada Lava Jato agora condena ao cárcere duas lideranças históricas do PT. A pena de Dirceu foi baseada nas “delações premiadas contra o PT”, apontando a empresa de consultoria do ex-ministro de Lula como beneficiária de “comissões” pagas por empreiteiras. O “curioso” na sentença de Moro é a alegação que Dirceu teria recebido as tais propinas quando já cassado pelo Congresso e processado pelo “Mensalão”, ou seja, mesmo excluído do governo e preso Dirceu teria a capacidade de operar o chamado “Petrolão”. O Juiz chega ao absurdo de acusar Dirceu de ter iniciado o processo de corrupção no interior da Petrobras. Sabemos muito bem que a corrupção (cobrança de comissões para cada transação comercial) nas empresas estatais e demais instituições republicanas não são criação dos governos da Frente Popular, são um produto sistêmico do modo de produção capitalista, embora o PT tenha dado continuidade a este mecanismo alimentado pelo mercado e a chamada “iniciativa privada”. Não nos parece justo atribuir exclusivamente as gerências petistas as atuais dificuldades da Petrobras (produto da queda artificial da cotação internacional do óleo cru) foi a na era da privataria tucana que a estatal acumulou suas piores perdas, incluindo a perda do monopólio na exploração do óleo em território nacional. Se Moro pretendesse realmente apurar a origem da relação promíscua entre as empreiteiras e a estatal deveria começar por investigar a fundo o período do regime militar, passando por Sarney e tendo como ápice o governo FHC. A tucanalha embolsou bilhões de dólares das multinacionais do petróleo para quebrar o monopólio que fazem das eventuais “propinas” pagas ao PT um “cofrinho infantil de moedas”. Entretanto a questão de fundo não é “monetária” e sim política! A Lava Jato tem um objetivo determinado de criminalizar as lideranças de esquerda, particularmente o PT, impulsionando uma histeria reacionária no país que já provocou o impeachment de Dilma. O mais trágico é que a defesa de Dirceu chegou a elogiar a Operação Lava Jato na véspera de sua condenação: “Não se pode negar a importância da Operação Lava Jato no cotidiano do nosso país. Um juiz de primeiro grau praticamente isolado, com a parca estrutura que tem o Judiciário como um todo, conseguiu, em razão de seu trabalho, de sua seriedade, de sua convicção e de seus ideais, prosseguir com uma operação que praticamente atinge todo o país, envolvendo inúmeros políticos e grandes empresas nacionais”, escreveram os advogados. Não sabemos se em um ato de desespero ou subserviência, eles evocaram a postura do juiz para, em seguida, pedirem a absolvição tanto de José Dirceu, quanto do irmão dele, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, que também é réu na mesma ação penal. Ledo engano, neste “cabo de guerra” de completa fragilização do PT, não há recuo das forças da direita que agora preparam uma manobra mais ousada, a prisão do ex-presidente Lula pelas mãos da Lava Jato. Este arriscado passo começa a ter fundamentação jurídica com a denúncia do Procurador Rodrigo Janot. Nesse caminho, a Rede Globo divulgou neste 18 de Maio (mesmo dia em que foi anunciada a condenação de Dirceu e Vaccari) que a Procuradoria Geral da República (PGR) fez a denúncia contra o ex-presidente Lula, acusado de obstrução à Justiça no caso da Operação Lava Jato que envolve o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Também se especula a prisão futura de lideranças sindicais ligadas à CUT e ao PT, já citadas na Lava Jato como a dos diretores do Sindicato dos Bancários de São Paulo e dos Metalúrgicos do ABC. Sem avalizar por um só momento a política desastrosa do PT, o movimento de massas deve ganhar as ruas para combater a escalada da direita e do fascismo, que mais cedo do que tarde se voltará contra o conjunto da vanguarda operária em nosso país. Entendemos que a defesa política, e não meramente jurídica, de Vaccari, Dirceu, e possivelmente amanhã a de Lula, se mantém necessária diante da ofensiva direitista contra o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. Nós da LBI não nutrimos nenhuma afinidade programática ou política com Dirceu, Vaccari, Lula e muito menos com os dirigentes do conjunto da Frente Popular que promoveu ataques aos direitos e conquistas dos trabalhadores à serviço do capital financeiro. Entretanto os Bolcheviques sabemos muito bem distinguir o fascismo da Frente Popular, o primeiro embrulhado no discurso da moralização e ética da coisa pública e o segundo atolado e refém da sua própria política de colaboração de classes. A defesa política de Dirceu e Vaccari, condenados como em uma vitrine midiática, para dar uma “lição” desmoralizante em qualquer esquerdista que se meta em “negócios” com a burguesia, é um ato de enfrentamento com a brutal ofensiva ideológica da direita e não pode ser confundido com o apoio ou solidariedade ao programa burguês da colaboração de classes levado a cabo pelo PT. A covardia do diretório nacional do PT que não emitiu sequer uma nota contra a condenação de Dirceu e Vaccari semeia ainda mais o terreno fértil para a histeria direitista que cruza o país e logo baterá na porta de Lula e depois nas lideranças classistas do movimento de massas. Cúmplices diretos da “Lava Jato” PSTU e o MES (corrente interna do PSOL) apostam no prestígio midiático do fascista Moro para tentarem obter algum dividendo eleitoral na velha “caça às bruxas” da direita tupiniquim. Nesta conjuntura de ofensiva reacionária em toda a linha, a tarefa dos Leninistas é denunciar vigorosamente a prisão política de Dirceu e Vaccari assim como a estratégia de colaboração de classes que levou o PT a completa subserviência diante da burguesia mesmo quando seus quadros históricos são perseguidos e presos, tendo o encarceramento de Lula no horizonte próximo como parte da sanha reacionária em curso no país. É necessário defender publicamente nas ruas e nas lutas a liberdade imediata de Dirceu e Vaccari neste momento contra a trama da direita reacionária que deseja entregar a economia nacional ao completo domínio dos monopólios imperialistas. Esta tarefa necessariamente precisa estar combinada com o chamado à mobilização direta dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal que antes era levado a cabo por Dilma e agora está sendo aprofundado por seu vice golpista, o rato Temer.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

PT ANUNCIA QUE É “OPOSIÇÃO” AO GOVERNO TEMER MAS... VAI APOIAR A CPMF, VOTAR PELA REFORMA DA PREVIDÊNCIA E ATÉ FAZER ALIANÇA COM O PMDB NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS


O Diretório Nacional (DN) do PT reuniu-se neste 17 de Maio. A resolução aprovada prima pelo cinismo, a demagogia e pela manutenção da política de garantir a estabilidade do regime político, aceitando inclusive apoiar medidas apresentadas pelo rato canalha que agora ocupa o Palácio do Planalto, como a CPMF e mesmo estabelecer alianças com partidos que apoiaram o impeachment nas eleições municipais de 2016. Depois de fazer obviamente a condenação do “golpe sem base legal”, o partido anuncia que tipo de oposição vai fazer a Temer: “Devemos combinar todos os tipos de ação massiva e combate parlamentar para inviabilizar suas medidas antipopulares, denunciar seu caráter ilegal e impedir sua consolidação no comando do Estado. Não reconhecemos o governo ilegítimo de Temer. Contra ele faremos total oposição e lutaremos até o fim nas ruas e nas instituições para derrotá-lo. Não há oposição moderada ou conciliação possível com um governo resultado de um golpe. As bancadas parlamentares do PT seguirão em combativa oposição a Temer no Congresso Nacional e ao seu programa neoliberal”. Nas entrelinhas pode-se ler que o PT vai fazer oposição parlamentar, usando sua força social para recompor sua base eleitoral fragilizada. Diz que não apoiará “medidas impopulares” mas dará suporte a plataforma neoliberal que já vinha aplicando ou tentando aprovar no Congresso, como a CPMF e a Reforma da Previdência. Essa posição já havia sido externada pelo então líder do governo Dilma no Senado, Humberto Costa: “Acho que a CPMF é uma contribuição que afeta menos os mais pobres. Pessoalmente acho que a gente pode discutir e aprovar” (FSP, 09.05). Com a recriação da CPMF, todos partidos burgueses, incluindo o PT, vão engordar o chamado “Caixa 3”, recebendo dinheiro vivo diretamente dos bancos como parte de sua “comissão” na aprovação desse novo imposto contra o povo trabalhador. No mais o PT vai estabelecer alianças eleitorais em 2016 com todos os partidos, inclusive os que apoiaram o impeachment, só não apoiando especificamente os candidatos que publicamente votaram pelo afastamento de Dilma: “Dado o conjunto de compromissos defendidos pelo PT ao longo de suas administrações públicas, é indispensável o esforço de diálogo com os partidos do campo democrático-popular e estendê-lo, caso a caso, a setores e partidos que, mesmo fora deste espectro, defendam conosco pontos programáticos para as eleições municipais. O PT não apoiará candidatos (as) que votaram e/ou apoiaram publicamente o impeachment”. Em resumo, além do PCdoB e PDT, analisará “caso a caso” as alianças municipais, de acordo com suas conveniências eleitorais, o que inclui apoiar candidatos do PMDB, PSD, PR...como afirmou Rui Falcão: “Vamos primeiro priorizar alianças com PCdoB e PDT. As outras nós vamos examinar caso a caso. Se alguém do PMDB quiser participar conosco numa chapa na eleição municipal, que não tenha apoiado o impeachment publicamente, e que adote programas que priorizem a área social, que faça orçamento participativo, que abra o debate, que tenha transparência, que não permita corrupção, não há nenhuma objeção”. Para os Marxistas Revolucionários da LBI não há nenhuma surpresa na resolução aprovada no DN do PT. A Frente Popular levou essa política durante a própria votação do impeachment, negociando acordos podres com essas legendas burguesas de “aluguel” que se mostraram um fiasco, enquanto sabotou a resistência da ação direta nas ruas. Agora declara de forma cifrada que vai aprovar a continuidade do ajuste neoliberal levada a cabo pela dupla Temer-Meirelles, obviamente fazendo demagogia com sua base social e eleitoral como prega a resolução “O centro tático para este novo período - sob a palavra de ordem 'Não ao golpe, fora Temer' -, deve ser a derrocada do governo ilegítimo que usurpou o poder e rompeu o pacto democrático da Constituição de 1988”. Como Comunistas militamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros, como revela o conteúdo do seu “Fora Temer”. Os Marxistas Revolucionários devem ter a nítida clareza do momento que atravessamos para combater o bando neoliberal de Temer sem jogar água no moinho da Frente Popular e sua cantilena em defesa da democracia burguesa que visa unicamente fortalecer a posição do PT e seus satélites no circo eleitoral. As alternativas democratizantes e institucionais que polemizam “intra corporis” as correntes revisionistas do Trotskismo, como “eleições gerais” (PSTU, MES) versus “Assembleia Constituinte” (CST, MRT), embora ambas maquiadas com o “Fora Temer” são desprovidas de qualquer conteúdo revolucionário e se inserem nas tentativas de salvaguardar o regime da democracia dos ricos em plena decadência histórica. O movimento de massas deve se organizar para combater pelo seu próprio poder estatal, conquistado na via revolucionária da ação direta da classe operária. Portanto o eixo de agitação e propaganda dos Comunistas Leninistas neste período de instabilidade do regime burguês, no marco geral da ofensiva imperialista neoliberal, deve ser o da construção de uma alternativa independente do proletariado rumo ao seu próprio governo, demarcando vigorosamente com todos os atalhos democratizantes ardorosamente defendidos pelo arco da esquerda reformista.

terça-feira, 17 de maio de 2016

SAI O BRADESCO “ALIADO” DA FRENTE POPULAR... ENTRA O ITAÚ: O GOLPISTA TEMER TROCA DE BANCO PARA APROFUNDAR A SUBMISSÃO AOS RENTISTAS!


O golpista Temer acaba de indicar Ilan Goldfajn para a presidência do Banco Central (BC). Até então, Goldfajn era economista-chefe e sócio do Itaú Unibanco, que disputa com o Bradesco a hegemonia do setor financeiro nacional. Com esta mudança, o rato interino “muda de banco” para gerenciar o Tesouro Nacional. Até o governo da Frente Popular quem dominava o Ministério da Fazenda e o BC era o Bradesco... agora é o Itaú. Na transição entre os rentistas, mesmo com o “golpe”, foi mantido temporariamente o então presidente do BC no governo Dilma, Alexandre Tombini, em uma prova de que o PT atuou como cúmplice impotente de seu próprio achacamento político, admitindo até indicar nomes de “confiança” para o novo ministério golpista, como Henrique Meirelles muito próximo as ideias de Lula para a economia nacional. Como dissemos no caso da indicação de Henrique Meirelles para a Fazenda, essa “interseção” demonstra que a quadrilha de Temer só irá aprofundar o ajuste neoliberal levado a cabo pela gerentona petista. Tanto que Tombini elogiou a escolha! Em nota declarou para desmoralização da esquerda Dilmista o “fio de continuidade” entre os dois governos: “Ilan Goldfajn é profissional reconhecido, com larga experiência no setor financeiro brasileiro, ampla visão da economia nacional e internacional, além de já ter passagem pela diretoria colegiada dessa instituição. Suas qualidades e sua formação o credenciam a uma bem sucedida gestão frente à autoridade monetária brasileira” (G1, 17.05). O novo presidente do BC já havia sido diretor de Política Econômica do próprio BC com FHC e no início do governo Lula, ou seja, esteve no cargo entre 2000 e 2003. Como prova adicional dessa sintonia, Henrique Meirelles disse que após deixar a presidência do BC, Alexandre Tombini continuará “integrando a alta administração federal em outra função” (Idem). Com a mudança de banco uma coisa é certa: o Itaú não vai pagar os 18,7 bilhões que deve aos caixas do Tesouro! O volumoso montante que a Receita Federal teria que receber da família Setúbal diz respeito a impostos não pagos referentes ao processo de fusão entre o UNIBANCO e o ITAÚ finalizado em 2008, resultando na formação do maior conglomerado financeiro da América Latina. Com a posse de seu homem de confiança no BC, a direção do ITAÚ está tranquila, o processo vai continuar “estacionado” na primeira instância da Receita da mesma forma como o da Rede Globo. Por sua vez, como a família Setúbal que sempre demonstrou antipatia pelo governo da presidenta Dilma e apoiou o impeachment, agora não vai poder reclamar (como fez na época das gestões da Frente Popular) do favorecimento estatal ao seu principal concorrente, o Bradesco, apoiador fiel dos governo Lula-Dilma, tanto que seu presidente Trabuco “cedeu” Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda no início do segundo mandato de Dilma. Com o anúncio Temer dá um sinal claro ao mercado financeiro no sentido de apontar o banco privado preferencialmente “parceiro” comercial do governo. Do ponto de vista político Temer se aproxima da tradicional família Setúbal no setor financeiro, até então patrocinadores junto aos banqueiros da candidatura de Marina Silva da Rede, tanto que a única filha do falecido patriarca Olavo Setúbal (ex-prefeito biônico de São Paulo e ministro do Sarney), Neca chegou a tornou-se da “noite para o dia” amiga íntima da acreana Marina, passando a assinar “generosamente” os cheques para as despesas organizativas do REDE. Roberto Setúbal, “CEO” do ITAÚ agora é junto com Meirelles o “gerente” de fato do Ministério da Fazenda. No terreno mais estratégico a “mudança” sinaliza para os rentistas nacionais e internacionais uma realocação da economia brasileira em direção aos EUA, que apresenta leves sinais de recuperação do crash financeiro sofrido em 2008 em contraponto aos BRICs, opondo-se a política econômica dos governos da Frente Popular “linkou” as exportações do país ao bloco comercial liderado pela China. Com o Itáu assumindo as “contas” do governo solidifica-se a receita prescrita por Washington ao Brasil: fica estabelecido que a política de “responsabilidade fiscal” é “sagrada”, assim como a manutenção das altas taxas de juros para o pagamento da dívida interna é intocável. Em resumo, a plataforma política de Temer assim como o programa gerencial defendido pelos rentistas e o imperialismo ianque são idênticos! Não custa lembrar que a Frente Popular até antes do impeachment e da Operação Lava Jato tinha como aliados de “peso” o Bradesco e as maiores empreiteiras do país (Odebrechet), sem falar no agronegócio e a quase totalidade das oligarquias corruptas regionais. Essa “lua de mel” acabou com o acirramento da disputa interburguesa que levou a ascensão de Temer via um Golpe Institucional. Nesse cenário a classe operária deve tirar as lições de que transição semi-acordada revela que o programa neoliberal anunciado por Temer (Reformas Previdenciária e Trabalhista), Parcerias Público-Privadas (PPP´s), privatizações como a da Caixa e do BB, além da redução de gastos públicos será uma continuidade aprofundada da política de ajuste que vinha desenvolvendo o governo da ex-presidente Dilma. Como revolucionários nos postávamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros. Vale a pena destacar que a escolha de Meirelles como "homem fiador" do novo governo segue a linha de Lula, que apostou no ex-banqueiro do Boston para substituir Levy do Bradesco. Meirelles defende a volta da CPMF, em total acordo com os economistas do PT, porém esta reivindicação dos rentistas enfrenta resistências da FIESP e da grande burguesia nacional que prestou apoio integral ao Golpe Institucional. Temer não vacilou e apesar das críticas concedeu "carta branca" para Meirelles voltar a introduzir o famigerado imposto, contando desde já com o apoio da bancada petista no Senado Federal.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

CAMALEÕES DO PCO – PARTE II


Vejamos o que falavam os camaleões do Partido da Causa Operária há poucos anos atrás sobre Lula, o PT e Frente Popular, hoje apresentados pelo PCO como vítimas de um Golpe de Estado orquestrado pela direita e o imperialismo por serem de esquerda, nacionalistas e defensores dos trabalhadores, que devem ser defendidos incondicionalmente apesar das gestões petistas aplicarem um severo ajuste neoliberal contra os trabalhadores. O PCO, que atacava duramente a Frente Popular, porém com a formalidade de um vazio programático, qualificando-a como agente da burguesia e do imperialismo assim como responsável por ressuscitar a direita e o PMDB de Temer no país, passou a defendê-la, chegando mesmo a integrá-la organicamente na companhia do PDT da oligarquia Gomes, subscrevendo seu programa reformista neoliberal em defesa da democracia burguesa. Nos trechos que reproduzimos abaixo, vemos as posições do PCO de 2002 a 2010, declarações que hoje seriam denunciadas violentamente pelo Sr. Rui Pimenta como ataques furibundos da “esquerda pequeno-burguesa cúmplice do golpe” contra o PT, Lula e o governo Dilma, uma política que estaria a serviço da direita. Acompanhe mais esse capítulo dos passos dos camaleões oportunistas do PCO, agora sobre a conjuntura nacional e veja o processo de corrupção política de material dessa corrente revisionista completamente degenerada!

1 - “LULA É UM DIREITISTA, ALIADO DA BURGUESIA, SEMPRE FOI”
(Rui Costa Pimennta, vídeo UOL, 19.08.2010)

2 - “O BRASIL, COM FHC E LULA, VIAJOU NO TEMPO PARA O PASSADO”
(Rui Costa Pimenta, 25 dezembro de 2010) 

“Os partidários do PT procuram mostrar que o governo Lula foi um governo social, um governo de esquerda, democrático. Isso, logicamente, só é possível se reduzirmos de maneira absurda os problemas nacionais, das massas e políticos a uma escala infinitesimal, que é a escala da mentalidade da classe média direitista que domina o aparelho do PT e que é a parte mais ativa do seu apoio.... O governo Lula é um gigantesco fracasso do ponto de vista das expectativas que ele criou. Ele nada fez, senão servir como uma fachada para uma política imutável determinada pelos bancos. Para entender isso, é preciso sair da escala infinitesimal e encarar os problemas de grande porte, por exemplo, o caráter e a função do Estado brasileiro na atual situação. O Estado brasileiro é um gigantesco mecanismo de transferência de dinheiro dos 200 milhões de brasileiros para um punhado de bancos e especuladores. Neste último ano de governo, Lula transferiu, só para os bancos, para pagamento dos juros da dívida pública, mais de 300 bilhões. Na escala da política burguesia este problema não existe, está dado, como um dogma religioso e se alguém falar em modificar esta situação, ameaçam o mundo inteiro com desastres apocalípticos. Governar seria administrar as sobras que caem no chão deste faustoso banquete dos banqueiros. Nessas condições, todos os arroubos reformistas do PT só podem ter um caráter medíocre com pouco paralelo histórico e de uma caricatura ridícula, uma política de repartição de sobras. Mesmo estas sobras, as mais aproveitáveis vão para a burguesia e nada para as massas. Lula nesse sentido, foi o administrador da máquina de transferir dinheiro dos pobres para os ricos. Isso só não parece ridículo pela diminuição da escala dos problemas. Nesse particular, sua função foi extraordinariamente importante, nenhum partido, nenhum governante, nas condições de falência do governo neoliberal teria conseguido manter esta máquina monstruosa de roubo permanente da população”.

3 - “OS OITO ANOS DO GOVERNO DE LULA: O PT RESSUSCITA O PMDB”
(Rui Costa Pimenta, 22 de dezembro de 2010)

“O segundo governo de Lula mostrou claramente o sentido da politica do PT: recuperar, por meio da participação no orçamento do Estado, o partido da repressão e da corrupção que é o PMDB, uma das alas direitas da política nacional, uma vez que boa parte dos direitistas da ditadura migraram para este partido em função do colapso do DEM. Toda a evolução da situação revela claramente que o conjunto do regime político apóia-se fundamentalmente no PT como única forma de sustentação diante das massas. Se a burguesia consegue fazer funcionar o regime, apesar da crise gigantesca dos seus partidos e das suas instituições, deve-se fundamentalmente à política do PT e o governo dos últimos oito anos foi fundamental nesse sentido. É sobre isso que se apóia hoje a direita para atacar a classe operária, o trabalhador do campo e os direitos democráticos de toda a população.”

domingo, 15 de maio de 2016

O "13 DE MAIO" OU OS ALICERCES DA COLONIZAÇÃO MERCANTILISTA DO BRASIL: A ESCRAVIDÃO COMO ELEMENTO CENTRAL DA GÊNESE DA ACUMULAÇÃO CAPITALISTA SEMICOLONIAL


Os primeiros escravos começaram a chegar no Brasil a partir de 1530, e eles iriam viabilizar a implantação da empresa açucareira, estabelecida pelos portugueses como modelo para a colonização do Brasil, associada ao monopólio português do tráfico negreiro que impunha seu contrato de exclusividade na utilização de mão-de-obra negra. Os principais fatores que contribuíram para a utilização da mão-de-obra negra foram econômicos já vinculados ao estabelecimento de monopólios capitalistas e não étnicos. O papel do Vaticano, instituição internacional sócia das metrópoles européias, foi muito importante na construção da imagem do negro, como um ser sem alma. A bula papal Romanus Pontifex, assinada por Nicolau V, outorgava poderes de captura dos negros aos navegantes portugueses. A "santíssima" Igreja Católica autorizou a tratá-lo como mera mercadoria. O tráfico negreiro instaurou decisivamente na história o racismo negro que se expandiu continuamente durante as primeiras décadas da colonização, englobando negros de diversas nações africanas, que passaram a ser comercializados já no cais do porto. A colonização do Brasil se deu no início da expansão comercial na Europa. Criou-se o sistema de plantations, voltado para o comércio exterior, tornando-se uma forma permanente de exploração do trabalho escravo. Sequestrado para o Brasil pela grande indústria do tráfico de escravos, passando pelas piores torturas nos navios negreiros, os africanos começaram as revoltas de maior proporção quando se encontraram reunidos coletivamente sob o tacão do trabalho escravo. A revolta se expressou inicialmente pela sabotagem da produção, depois, vieram as fugas e com elas a criação dos quilombos. Os quilombos se constituíram não somente como forma de luta contra o sistema escravista, mas também como propostas de uma nova sociedade, onde não havia divisões de classe. Eles abrigavam não somente negros, mas também brancos marginalizados, mestiços e indígenas.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

ASSUME A QUADRILHA TEMER: MEIRELLES, EX-MINISTRO E HOMEM DE CONFIANÇA DE LULA, ESTÁ NA LINHA DE FRENTE DO GABINETE “GOLPISTA” PARA APROFUNDAR A RECEITA NEOLIBERAL QUE DILMA FOI INCAPAZ DE FINALIZAR 


O cenário embrulhou o estômago. Cercado de gangesteris de colarinho branco, Temer “tomou posse” como presidente interino ladeado de ex-ministros do governo Lula e Dilma que agora assumem vários postos centrais no gabinete da quadrilha golpista. Henrique Meirelles, Kassab, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Eduardo Henrique Alves, Helder Barbalho, Sarney Filho... O “novo” ministério tem seis partidos que governaram com Dilma: PMDB, PP, PR, PRB, PSD e PTB. Da oposição conservadora nomes como Serra (PSDB), Jungmann (PPS) e Mendonça Filho (DEM). Porém o homem forte do gabinete “golpista” de rapineiros é Henrique Meirelles, nome do círculo político de confiança íntima de Lula e indicado pelo ex-presidente operário para substituir o estafeta Levy quando da saída deste da equipe econômica Dilmista. Essa interseção política revela que o programa neoliberal anunciado por Temer (Reformas Previdenciária e Trabalhista), Parcerias Público-Privadas (PPP´s), privartizações e redução de gastos públicos será uma continuidade aprofundada da política de ajuste que vinha desenvolvendo o governo da ex-presidente Dilma. Não por acaso, o então líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picianni, “aliado” de ocasião contra o impeachment e que praticamente só “garantiu” seu voto na bancada foi premido pelo trabalho de sabotagem com o cobiçado Ministério dos Esportes, gordo de verbas na véspera das Olimpíadas que serão abocanhadas pela gang de Cabral, Pezão e Paes. Como avaliamos anteriormente, a tendência hegemônica da etapa política apontava para o “debut” do governo Temer/PSDB, com o PT atuando como cúmplice impotente de seu próprio achacamento político, admitindo até indicar nomes de “confiança” para o novo ministério golpista, como Henrique Meirelles muito próximo as ideias de Lula para a economia nacional. Diante da paralisia imposta na véspera da votação do impeachment no Senado tudo leva a crer que o PT optou por sustentar indiretamente Temer (sabendo de seu inevitável desgaste com o ápice da recessão) e aguardar que Lula vença o pleito natural de 2018. Alertamos que o sonho de Lula voltar ao Planalto em 2018 talvez se transforme no pesadelo de sua prisão após o impeachment, mas desgraçadamente a esquerda reformista continua apoiando a “Lava Jato”, enquanto denúncia um Golpe de Estado inexistente. Cabe à vanguarda classista tirar as lições dessa transição semi-acordada, lembrando que nas eleições municipais deste ano, o PT até então havia liberado seus diretórios para fazer alianças com o “golpista” PMDB. O certo é que os ataques neoliberais contra os trabalhadores continuarão, as contrarreformas serão retomadas e a criminalização do movimento de massas ganhará um recrudescimento com o controle da pasta da justiça por Alexandre de Morais (PSDB), ex-secretário de segurança pública de São Paulo e afilhado político do fascista Alckmin. Como revolucionários nos postávamos no campo da oposição operária e revolucionária ao governo da Frente Popular, essa trincheira deve ser ainda mais reforçada no combate a quadrilha neoliberal de Temer, sem cair na cantilena da política de colaboração de classes da CUT e do PT que farão oposição parlamentar formal e “responsável” ao golpista somente de olho na conquista de postos eleitorais futuros. Os Marxistas Revolucionários devem ter a nítida clareza do momento que atravessamos para combater o bando neoliberal de Temer sem jogar água no moinho da Frente Popular e sua cantilena em defesa da democracia burguesa que visa unicamente fortalecer a posição do PT e seus satélites no circo eleitoral do capital financeiro que sempre visa submeter o movimento operário, suas lutas e reivindicações aos “sagrados” resultados de suas urnas! 

quinta-feira, 12 de maio de 2016

PSTU COMEMORA AFASTAMENTO DE DILMA COMO UMA VITÓRIA DA ESQUERDA RUMO AO “FORA TODOS”: MAIS UMA VEZ DE MÃOS DADAS COM A DIREITA E O IMPERIALISMO!


Em tom de festa o PSTU afirma “Senado aprova o afastamento de Dilma: Fora Temer, Fora Dilma, Fora todos!” (site PSTU, 12.05). Como parte da comemoração elogia a decisão da Câmara e do Senado: “A votação do impeachment, tanto na Câmara quanto no Senado, se dá no lastro do repúdio cada vez maior da população a esse governo” (Idem). Segundo o delírio morenista estamos avançando rumo a um governo socialista dos trabalhadores! O Golpe Institucional em curso seria por esta tese estúpida uma vitória das massas!!! O PSTU só não explica porque diante de tantos “avanços” não consegue agrupar mais de mil pessoas em seus atos nacionais pelo “Fora Todos” e vem sofrendo rachas questionando sua política de aproximação com a direita. Não importa a realidade, o PSTU nos ensina que o próximo ato da “revolução democrática” seria a convocação de eleições gerias: “Só conseguiremos de fato mudar esse país e impor as conquistas que precisamos através um governo socialista dos trabalhadores, apoiado em conselhos populares construídos nas lutas. Enquanto não temos esses conselhos, exigimos eleições gerais já, para todos os cargos”. Como se observa, os estúpidos caracterizam que estamos dando passos sempre à esquerda, falta apenas ajustar detalhes no caminho da revolução! Nesse roteiro tragicômico, o PSTU chega a aplaudir a decisão golpista na Câmara dos Deputados sob o comando de Eduardo Cunha e do Senado de Renan Calheiros junto com a reação burguesa. Mas não "só" isso, diz que agora com o PT completamente fragilizado pelo impeachment orquestrado pela oposição demo-tucana junto com os ex-aliados da Frente Popular devemos convocar imediatamente eleições! Segundo esses revisionistas “Defendemos eleições gerais já, não só para presidente, mas para todo mundo. Novas eleições em que esses corruptos envolvidos na Lava Jato ou em outros escândalos de corrupção, incluindo Aécio, não possam participar” (site PSTU, 04.03). A “lista” da operação Lava Jato elaborada pelo Juiz Moro é referência para o PSTU dizer quem poderia ou não participar dessas eleições gerais! Como se observa é a justiça burguesa, uma das mais reacionárias instituições do regime político, quem de fato definiria as regras do “Fora Todos”. Não por acaso o PSTU vem aplaudindo as decisões do STF, a prisão de Lula e dos dirigentes petistas pela PF! A linha em defesa do “Fora Todos”, apesar de floreada com frases “combativas” em nome da “Greve Geral” para enganar tolos, vai ficando cada vez mais clara: o próprio parlamento burguês deve cassar Dilma, Temer e Cunha e convocar eleições gerais, para isso deve-se pressioná-lo com mobilizações e apoiar a Operação Lava Jato! Nesse cenário, Moro e Marina estariam livres para assumir o Planalto em eleições antecipadas! Com todos os envolvidos na Lava Jato impedidos de participar das eleições, inclusive Lula, sobrariam os dois como os candidatos de peso da burguesia e alinhados diretamente com a Casa Branca, já que o PSTU não os cita em seu rol de “corruptos”. Ao lado deles (mas obviamente sem chances eleitorais) “disputariam” Zé Maria e Luciana Genro (PSOL-MES). Luciana, aliás, com seu lema “Cadeia para todos!”, também é apoiadora entusiasta da Operação Lava Jato e aplaude as ações da PF contra o PT em nome do “combate a corrupção”. Para esses revisionistas, o objetivo estratégico é convocar eleições que supostamente seria uma saída “democrática” mesmo que vença a direita alinhada com a Casa Branca! Ao festejar o afastamento de Dilma pelas mãos da direita, o PSTU acrescenta o Brasil na longa lista de países em que sua corrente internacional, a LIT, estabeleceu no último período unidade política com o imperialismo e a reação burguesa contra governos frente populistas, reformistas e nacionalistas. Líbia, Síria, Ucrânia, Egito e agora o Brasil segundo as alucinações do PSTU-LIT deram passos importantes rumo ao socialismo! Não importa que esse caminho tenha sido aberto pelas bombas da OTAN para assassinar Kadaffi, pelas mãos dos rebeldes terroristas financiados pela CIA contra Assad, pelos fascistas em Kiev, os generais golpistas assassinos que derrubaram o governo da Irmandade Muçulmana e aqui pelos coxinhas “verde-amarelos” anticomunistas apoiados pela FIESP e a Rede Globo. Afinal de contas “a revolução está na esquina” para esses revisionistas vulgares que maculam o nome do trotskismo!
GRUPO PARLAMENTAR DO “ALIADO” COLLOR É O ÚLTIMO A TRAIR: O DESTINO DE DILMA JÁ FOI SELADO DEFINITIVAMENTE!


A votação de hoje no Senado ainda foi pela admissibilidade do processo do impeachment, ou seja, um segundo estágio preliminar do golpe institucional contra o governo Dilma, porém o placar acachapante (55 a 22) selou definitivamente o destino político da presidente petista. A última esperança dos defensores do governo para postergar o impeachment residia na posição dos senadores liderados pelo ex-presidente Collor, um bloco parlamentar que aglutina algo em torno de 6 a 8 votos, número suficiente para impedir que a oposição atingisse os 2/3 na votação posterior do julgamento propriamente dito. Collor manteve o “suspense” quase até o final das intervenções no plenário do Senado, mas o ex-aliado “fiel” dos governos da Frente Popular protagonizou a última e talvez a mais letal traição dos setores burgueses a Dilma: seu grupo votou em peso pela continuidade do processo do impeachment, tornando o placar desta quinta-feira, 12 de Maio, como um golpe irreversível para o PT. O que poderia ser o prolongamento de uma agonia política para Dilma, caso a oposição de direita não atingisse pelo menos 51 votos no Senado, configurou-se o nascedouro de um novo governo de rapina nacional comandado provisoriamente pelo bandido Temer. Não há mais nenhuma instância do Estado burguês disposto a nutrir esperanças em uma sobrevida do governo Dilma, somente os reformistas do PT ainda disseminam ilusões na institucionalidade da república do capital! O mais hilário é que além de sabotar qualquer resistência nas ruas ao impeachment, o PT já se apresenta para a condição de comandante de uma oposição burguesa “responsável” ao governo Temer, em uma prova inconteste de que fora do Planalto vai seguir como um pilar de sustentação do regime político. Humberto Costa, o então líder de Dilma no Senado, afirmou em plena sessão de julgamento da ex-presidente “A nossa oposição será muito em cima de proposta. Não vamos fazer uma oposição em abstrato, como ‘ah, derruba o Temer’. Seremos o maior partido de oposição do Brasil. Mas não de oposição ao Brasil, como foi o PSDB”. É preciso abstrair as lições políticas e programáticas de todo esse processo que apeou a Frente Popular do governo central. De imediato os Marxistas Revolucionários alertam que a política de colaboração de classes do PT pavimentou o caminho do Golpe Institucional, este teve na votação concluída hoje no Senado seu 3º ato, tanto que o "dia nacional de paralisações” convocado para a véspera não ocorreu de fato, foi um fiasco completo. "Lambendo as feridas", Lula trabalha nos bastidores para a formação de uma “frente política” a fim de agrupar os cacos da então coalizão governista para fazer oposição no parlamento de olho nas eleições de 2018. Entretanto, basta um olhar mais apurado e realista para saber que as perspectivas não apontam nesse sentido, são nada alvissareiras para o PT e seus satélites. Estará no encalço dos dirigentes petistas e principalmente de Lula os desdobramentos criminais da Operação Lava Jato após o afastamento de Dilma, não sendo descartada até mesmo a prisão do ex-presidente. Além do mais, o previsível desastre nas eleições municipais de 2016 vai dispersar os aliados burgueses de ocasião do PT. Para o movimento de massas é preciso reorganizar suas forças para lutar contra o governo neoliberal de Temer sem ficar na condição de refém da oposição eleitoral petista e preso à política da burocracia sindical cutista, construindo nas lutas diretas uma alternativa de direção revolucionária para os trabalhadores! 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

PROFESSORES DE FORTALEZA NA LUTA CONTRA A OFENSIVA DA DIREITA E OS ATAQUES DE ROBERTO CLÁUDIO, “FILHOTE” DA OLIGARQUIA GOMES!

Ocorreu neste 10 de Maio o dia de luta dos professores de Fortaleza contra os ataques do prefeito Roberto Cláudio (PDT) aos servidores públicos, o PLC 257 que retira direitos do funcionalismo e a ofensiva da direita. Apesar da CUT não ter organizado nenhuma atividade de peso contra o impeachment do governo Dilma, milhares de trabalhadores concentraram-se em frente à Secretaria de Educação do município para protestar contra o Golpe Institucional. O importante desta mobilização é que ao entrar em choque com a reação burguesa, os trabalhadores necessariamente têm que enfrentar os aliados de Dilma, como a oligarquia Gomes (PDT) e seu “filhote” na Prefeitura, que inclusive pediu a ilegalidade da greve dos professores em fevereiro último, recorrendo aos métodos da direita mais reacionária. Roberto Cláudio também não liberou o recurso do FUNDEF para os trabalhadores em educação, ele quer surrupiar esse dinheiro para usar na sua reeleição e vem atacando várias conquistas da categoria para alcançar seu objetivo venal. Esta conduta prova a inutilidade da conduta da direção da CUT e do PT em apresentar esses canalhas burgueses como aliados da luta contra o chamado “golpe da direita” porque seu apoio a Frente Popular está movido apenas pelas negociatas que lhes beneficiam em torno da rapina do botim estatal enquanto atacam os trabalhadores onde governam. Os militantes da TRS/LBI que não se corromperam diante das verbas estatais e dos cargos comissionados distribuídos pela prefeitura convocaram o movimento de massas a se mobilizar contra o “golpe institucional” e o arrocho salarial promovido pelos governos da “esquerda” capitalista alinhados com a política de austeridade imposta pelos rentistas do mercado financeiro. Nossos camaradas da Oposição de Luta impulsionada pela TRS-LBI presentes na atividade alertaram que essa mobilização deve ser travada sem ter qualquer confiança na direção do SINDIUTE, ligada a Articulação (PT). Esta burocracia sindical "chapa branca" traiu a última greve dos professores, submetendo os interesses da categoria a aliança entre PT e PDT, que são aliados no Ceará e estão juntos sustentando os governos Dilma e Camilo! A única forma de barrar a ofensiva da direita é colocando o movimento de massas em ação contra a burguesia e seus partidos, porém esse combate não está focado na defesa em abstrato da “democracia” como alardeia a Frente Popular e sim para impor através dos métodos de luta dos trabalhadores as suas reivindicações imediatas e históricas, política que a CUT e a direção do SINDIUTE não adotaram neste dia 10 para não entrar em choque com seus aliados da Oligarquia Gomes no Ceará!

terça-feira, 10 de maio de 2016

O “ALIADO ” RENAN TRAI MAIS UMA VEZ O AGONIZANTE GOVERNO DILMA: PRESIDENTE DO SENADO DÁ SEU AVAL AO IMPEACHMENT, MARANHÃO RECUA DA ÚLTIMA MANOBRA NA CÂMARA E A “GREVE GERAL” DA CUT NÃO PASSA DE UMA FARSA


Esta segunda-feira, 09 de maio, foi marcada pela derradeira tentativa do governo Dilma reverter o processo de impeachment no âmbito do parlamento. Todas as manobras fracassaram neste roteiro rocambolesco da disputa intra-burguesa. Primeiro, Waldir Maranhão (PP-MA), presidente interino da Câmara dos Deputados, anunciou que estava anulando a sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment na Casa e solicitava que o Senado remetesse a decisão de volta para a Câmara. Aparentemente Maranhão estaria movido pela promessa de Flávio Dino (PCdoB-MA) lhe garantir o controle de postos importantes no secretariado do estado e a vaga de vice-governador em 2018. Dilma esperava com essa manobra de última-hora que o “aliado” Renan Calheiros paralisasse o andamento do impeachment na condição de presidente do Senado. O que se viu foi justamente o contrário: Renan celeremente e com mão de ferro, ao melhor estilo Eduardo Cunha, engavetou o pedido de Maranhão sob os aplausos da oposição demo-tucana e o protesto patético dos senadores governistas. No final do dia, para fechar a novela com um “gran finale” o próprio Maranhão anunciou que recuava de sua decisão. Em resumo, os “aliados” do governo “bateram mais um prego no caixão” do governo Dilma, que deve ser afastada por 180 dias no Senado no próximo 11 de Maio. Com o recuo de Maranhão, sequer o STF vai analisar a questão como desejava o governo em seu último ato de desespero, acreditando que as instituições do regime político poderiam reverter o Golpe Institucional em curso quando na verdade são de conjunto cúmplices e operadoras da trama. Com a decisão da dupla Renan-Maranhão restou a CUT, que não moveu um dedo em mobilizar para o seu “dia nacional de luta” neste 10 de Maio, porque todas as expectativas do governo da Frente Popular estavam focadas na consecução desta manobra parlamentar, declarar “CUT reafirma convocatória a todos os sindicatos, ramos, Estaduais e a todos aqueles que defendem a democracia. E é nas ruas que a gente vai impedir definitivamente este golpe”. Trata-se de mais uma piada sobre a “Greve Geral” que o PCO e a “esquerda do PT” apresentavam como medida de força para barrar o impeachment mas que na verdade não foi organizada, não passando de uma paródia, uma farsa completa onde não estava em pauta paralisar os transportes e a produção, sequer convocando assembleias de base de sindicatos importantes. O MRT (ex-LER), que vendeu o dia 10 como capaz de “barrar o golpe” e patrocinou ilusões na Frente Popular, demonstrou que mudou de lado mas continua com sua política oportunista de embelezar as direções burocráticas. No máximo estamos vendo fechamentos de avenidas, estradas e rodovias por parte do MST e MTST, além de estarem ocorrendo atos esvaziados pelo resto do país, a CUT e o PT não convocaram nada de peso nos dias que precedem a votação do dia 11. De nossa parte, como Marxistas Revolucionários, a LBI denunciou que a Frente Popular nunca iria colocar o movimento de massas em luta contra o Golpe Institucional porque está completamente comprometida com a estabilidade do regime político, mesmo que isso custe a perda da Presidência da República pela via do impeachment. Até porque o pauta neoliberal imposta pelo governo Dilma impede uma verdadeira mobilização operária contra o golpe, com os protestos concentrando-se em setores da pequena burguesia na defesa abstrata da “democracia”, eixo completamente limitado e que não serve como ponto de apoio para a luta direta pelas reivindicações operárias e populares. O fracasso das manobras parlamentares da Frente Popular na véspera da votação do afastamento por 180 dias de Dilma pelo Senado e o fiasco do “dia nacional de luta” da CUT revelam que a burguesia e o imperialismo, mesmo a contra-gosto, aposta no governo Temer como saída imediatada para a crise política, aguardando melhores condições para um desenlace mais estratégico e seguro, que passa por preferencialmente impor o neobonaparte Sergio Moro como Presidente da Republica ou mesmo como segunda opção uma alternativa fascistoide como Alckmin em 2018.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

APROVADA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA NA GRÉCIA: GOVERNO “SOCIAL-DEMOCRATA DE ESQUERDA” PARCEIRO DO PSOL NO BRASIL, IMPÕE AJUSTE NEOLIBERAL EXIGIDO PELO IMPERIALISMO EUROPEU

O governo SYRIZA por meio do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, defendeu neste domingo (8 de Maio) no parlamento do país a Reforma da Previdência e Fiscal, uma exigência do imperialismo através das metas estipuladas pelo FMI e BCE. As contribuições para as aposentadorias aumentarão consideravelmente e haverá cortes de benefícios, tanto que a nova medida foi denunciada como a “Lei Guilhotina” que reduz conquistas sociais. O governo SYRIZA, eleito tendo como palavra-de-ordem o cancelamento dos memorandos e com amplo apoio da chamada "esquerda mundial" como o PSOL no Brasil, chega 15 meses depois, ao ponto de implementar as políticas neoliberais anteriores da Nova Democracia e do PASOK. O interessante é que o PSOL estabelece como referência internacional o SYRIZA, não por coincidência no mesmo momento em que se converte no apêndice político do governo neoliberal do PT. Cinicamente Tsipras declarou “Nos comprometemos em reformar o sistema de previdência sem reduzir as pensões principais e conseguimos. O sistema precisa de uma reforma porque é complexo, socialmente injusto e clientelista. E não corresponde ao estado financeiro do país”. Com a medida, ele quer economizar 5,4 bilhões de euros por ano para conseguir, em 2018, um superávit primário de 3,5% do PIB, como prevê o programa do terceiro resgate financeiro firmado com os parasitas internacionais da banca financeira. A aprovação das reformas gerou protestos. Desde a sexta-feira, 06, uma greve geral paralisou os transportes na Grécia. Metrô, ônibus, trens e barcas estavam parados. Em Atenas, nenhum transporte público estava disponível e os funcionários públicos permaneceram em greve até domingo. O movimento foi convocado pelos sindicatos do setor público (GSEE), privado (Adedy) e PAME, ligada ao Partido Comunista Grego (KKE). 15 mil manifestantes saíram às ruas e muitos atiraram bombas contra a polícia, que revidou com gás lacrimogêneo. As medidas foram aprovadas por 153 votos a favor, frente a 144 contrários. O maior sindicato do país definiu as mudanças como “o último prego no caixão” para trabalhadores e pensionistas. Diz que os aumentos vão dizimar rendimentos e ameaça promover uma série de greves. A tarefa central que se mantêm neste cenário é apontar que o caminho dos trabalhadores e do povo grego para barrar os ataques impostos pela Troika e o governo do Syriza é a mobilização direta, suas greves e lutas pela nacionalização dos bancos, indústrias, portos e aeroportos sob o controle dos trabalhadores e de conselhos operários para lançar as bases para a construção de um poder de novo tipo, um Estado Operário, forjando uma alternativa revolucionária trabalhadores da cidade e do campo. Estamos pelo estabelecimento de uma frente única com KKE cabendo aos genuínos trotskistas intervir neste processo para que os ativistas combativos e militantes que se proclamem leninistas superem no curso da luta política e ideológica os limites da posição do stalinismo e avancem pela senda de um programa revolucionário que coloque na ordem do dia a expropriação da burguesia, das transnacionais e a revolução proletária combatendo a gestão neoliberal do SYRIZA.

domingo, 8 de maio de 2016

VIVA OS 71 ANOS DA VITÓRIA DO EXÉRCITO VERMELHO SOBRE OS NAZISTAS DE HITLER: UMA LIÇÃO HEROICA DE COMO A CLASSE OPERÁRIA DEVE ENFRENTAR A ATUAL OFENSIVA REACIONÁRIA


Neste dia 8 de maio completam-se os 71 anos da tomada de Berlim pelas tropas soviéticas, data que entrou para a história simbolizada com a bandeira da URSS sendo erguida no alto do Reichstag depois da vitória do Exército Vermelho na épica “Batalha de Berlim”. Era o ano de 1945 e se aproximava o fim a Segunda Guerra Mundial em um contexto de rendição incondicional da Alemanha nazista. Em quase seis anos de conflito, mais de 50 milhões de vidas foram exterminadas como consequência direta das sangrentas batalhas, dos bárbaros assassinatos nos campos de concentração nazistas e dos hediondos massacres contra a população civil, como as bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki. As comemorações dos 71 anos da derrota do nazismo hoje, celebrada particularmente com um grande desfile militar na Rússia do restaurocionista Putin com forte simbologia comunista (tanques com estrelas vermelhas e bandeiras com a foice e martelo), são crivadas pela retorno do fascismo na Ucrânia patrocinado pelo “democrático” imperialismo ianque e a resistência das repúblicas populares no Leste ucraniano. Apesar dos “historiadores” a soldo do capital buscarem falsificar a história, a derrota do nazismo foi efetivamente uma vitória militar do Exército Vermelho fundado por Trotsky. A campanha militar de Hitler não havia sofrido um só revés até dezembro de 1941, quando fracassou a tentativa de conquistar Moscou. Porém, a batalha decisiva da Segunda Guerra só ocorreu no ano seguinte, na famosa Stalingrado. Em agosto os alemães fizeram a primeira investida contra a cidade com pesados bombardeios. Mas os combates que determinaram a derrota nazista ocorreram a partir de novembro. Em 30 de janeiro de 1943, no décimo aniversário de sua ascensão ao poder, Hitler, fazendo um solene pronunciamento pelo rádio, declarou: “Daqui a mil anos os alemães falarão sobre a Batalha de Stalingrado com reverência e respeito, e se lembrarão que a despeito de tudo, a vitória da Alemanha foi ali decidida”. Três dias depois o marechal Von Paulus assinava a rendição do 6º Exército alemão diante do General Chuikov, comandante das tropas do Exército Vermelho em Stalingrado. A vitória soviética, como era de se esperar fortaleceu enormemente o stalinismo como principal direção política para o proletariado mundial, reduzindo a influência da IV Internacional a um pequeno círculo de propaganda. A orientação do Kremlin, em nome dos acordos com as potências imperialistas celebrados em Yalta e Potsdam, conduziu a derrota de vários processos revolucionários ocorridos no pós-guerra. Na Itália e na França, os PCs, que haviam alcançado um enorme prestígio na organização da resistência partisans, foram orientados a conformar governos de unidade nacional com os partidos burgueses. Na Grécia, a traição do stalinismo, permitiu a derrota da insurreição operária em Atenas, sufocada pelos pesados bombardeios da aviação britânica. Porém, na Iugoslávia e na China, onde as orientações de Stálin não foram seguidas, a luta de libertação nacional resultou na expropriação da burguesia, independente da presença militar do Exército Vermelho. Apesar das traições stalinistas, a onda revolucionária que se abriu no pós-guerra era uma evidência de que a heroica resistência do Estado operário soviético, ainda que burocratizado, foi um colossal estímulo para a luta de classes do proletariado mundial. Nos dias atuais, é fundamental resgatar o legado da vitória da resistência soviética sobre o nazismo, ainda que sob o comando de Stálin, para combater a atual ofensiva imperialista, postando-se no campo político e militar das “repúblicas populares” do Leste da Ucrânia para derrotar o governo nazifascista imposta em Kiev (como fizeram os trabalhadores do país na Segunda Guerra Mundial) a fim de avançar para a construção de um nova União das Repúblicas Socialistas Soviéticas!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

LICENÇA REMUNERADA DE CUNHA: FRENTE POPULAR E REVISIONISTAS COMEMORAM O 2º ATO DO GOLPE INSTITUCIONAL


A Frente Popular está comemorando a decisão do pleno do STF (11 a 0) pelo afastamento provisório do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. A deliberação de suspender Cunha aconteceu após o ministro Teori Zavascki acolher tardiamente o pedido apresentado em dezembro de 2015 pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, a partir de um requerimento formulado pela Rede de Marina Silva. Em resumo, seis meses após a solicitação da PGR e somente depois de Cunha comandar com mão de ferro e usando todas as artimanhas possíveis a admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o “lento” Teori decidiu dar uma “licença remunerada” para Cunha, no que foi seguido por todos os demais pares! Cunha vai continuar com direito a salário de 33 mil, uso da residência oficial, mandato parlamentar, foro privilegiado e todas as mordomias milionárias, até mesmo a utilizar jato da FAB para viajar pelo país com sua família de peruas deslumbradas. Mesmo assim, PT, PCdoB e PSOL aplaudiram como uma “grande vitória” a decisão do STF, o mesmo tribunal que depois de condenar Dirceu e outros dirigentes petistas avalizou recentemente o 1º ato do Golpe Institucional perpetrado pelo próprio Cunha contra Dilma! A esse coro de apologistas da justiça burguesa, somou-se o revisionista PSTU que apesar de bradar pelo “Fora Todos” apoia entusiasticamente as decisões do STF e a Operação Lava Jato comandada pelo Juiz "nacional" Sérgio Moro, instituições burguesas reacionárias do regime político que ao lado da PF apresentam-se como paladinos da “ética na política” quando na verdade não passam de quadrilhas encasteladas no aparelho do Estado negociando segundo os interesses das frações burguesas suas decisões, investigações e prisões. Ao dar “férias de luxo” para Cunha, o STF tira de cena temporariamente o aliado indesejado de Temer para facilitar a ascensão do vice-presidente canalha ao Planalto. É significativo que a primeira iniciativa para julgar Cunha só tenha sido tomada após a aprovação do processo de impeachment na Câmara. Essa “inação” demonstra que o STF é um dos participantes do golpe institucional em marcha, não por acaso deixou Cunha de mãos livres até agora enquanto impediu a posse de Lula como ministro e aprisionou dirigentes petistas, recorrendo a nazi-fascista “teoria do domínio do fato” onde as provas materiais ou testemunhais legítimas foram absolutamente dispensáveis em nome das “evidências factuais” da autoria de supostos crimes cometidos pelo PT. Depois de Eduardo Cunha ter feito todo o trabalho sujo para aprovar o impeachment, a liminar concedida por Teori Zavascki e acolhida pelo pleno do STF pavimenta o caminho para o rato-canalha Temer negociar com todo leque burguês sem ser acusado pela mídia de cúmplice do presidente afastado da Câmara. Essa artimanha busca dar uma cobertura “ética” a trama golpista em curso que inclui os grandes grupos de TV e jornais, o parlamento e o STF. A LBI denuncia vigorosamente que não há nada a comemorar nem a festejar na decisão do STF, o mais importante tribunal da reacionária justiça burguesa que invariavelmente julga contra o povo trabalhador e representa com toga as distintas frações da classe dominante! Estamos diante na verdade do 2º ato do “Golpe Institucional” na medida em que a decisão do STF visa quebrar a resistência da “opinião pública” à presença de Cunha na presidência da Câmara depois da votação do impeachment na Câmara para facilitar os próximos passos do golpismo, uma exigência da própria burguesia como expressou claramente os editoriais de O Globo e da Folha de São Paulo, expoentes do PIG. De forma tragicômica, a Frente Popular que não tem coragem sequer de convocar uma greve geral para o dia da votação no Senado recorre ao distracionismo para comemorar a “licença remunerada” de Cunha, entretanto sua direção capituladora sabe que essa medida pode gerar a estabilidade política necessária para a transição rumo a um futuro governo do PMDB com ministros de peso do PSDB e outras legendas burguesas de aluguel como o PP. A presença de Cunha no comando da Câmara mesmo depois de aprovado o impeachment na casa vinha contaminando esse processo até porque ele estava fazendo cada vez mais exigências a Temer na composição do futuro ministério apesar de concentrar um nítido ódio popular, sendo rejeitado comodamente agora pelos próprio setores que defendem o impeachment. A vanguarda classista deve denunciar o conjunto do corrupto parlamento burguês e o STF como serviçais dos grandes grupos econômicos capitalistas, alertando inclusive que os “ilustres” ministros desta instituição considerada o sustentáculo “ético” do atual regime na verdade tomam suas decisões em função das pugnas políticas existentes nas entranhas do poder republicano. Por isso declaramos: nenhuma ilusão nas instituições do regime político, no parlamento e no judiciário, construir uma alternativa de poder operário e popular baseado na democracia operária dos trabalhadores em luta contra a Frente Popular e a direita! 

quinta-feira, 5 de maio de 2016

NA LUTA DAS ESCOLAS OCUPADAS: JUVENTUDE BOLCHEVIQUE NA LINHA DE FRENTE DA OCUPAÇÃO DA ALESP CONTRA ALCKMIN E SUA CORJA DE LADRÕES

O Plenário da ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo) encontra-se ocupado por estudantes secundaristas desde o dia 03 (terça-feira) contra os planos de Alckmin para o fechamento das escolas e denunciando o desvio de verbas da merenda escolar pelo PSDB. A ocupação da ALESP ocorreu na sequência de várias escolas que foram ocupadas em todo o estado, demonstrando a disposição de luta dos estudantes. Esse movimento também vem ocorrendo em outros estados como Rio de Janeiro e Ceará. A Juventude Bolchevique (SP) que recentemente conquistou o Grêmio da Estudantil da Escola Estadual Odete Fernandes, em Guarulhos-SP, está na linha de frente do corajoso protesto, inclusive com companheiros militantes ocupando o parlamento paulista. O fascista Alckmin mais uma vez responde as reivindicações estudantis com repressão. Enviou a tropa de Choque a FATEC Centro Paula Souza e agora ameaça junto com os canalhas deputados fazer o mesmo na ALESP. A entrada do plenário em que estão acampados continuava bloqueada por policiais militares e nem a imprensa estava autorizada a falar com os manifestantes. Os jovens lutadores, contudo, seguem firmes. Já enfrentaram o corte da energia elétrica, a proibição de entrada de alimentos, roupa e água no espaço, a agressão de parlamentares e assessores. É hora de cobrir de ampla solidariedade a luta do movimento estudantil paulista e dos demais cantos do país. Trata-se de unificar a luta dos secundaristas com a dos professores e demais setores da educação, como as universidades estaduais. Novas escolas e mais cinco ETECs estão sendo ocupadas neste momento! A mobilização ocorre com luta direta apesar da política da UBES (PCdoB) ser apenas por pressionar pela instalação da CPI da Merenda visando somente o desgaste eleitoral de Alckmin e da tucanalha para a disputa pela prefeitura no final do ano e o próprio embate coma Frente Popular em torno do impeachment de Dilma. Fernando Capez (PSDB) é o presidente da ALESP e principal envolvido no escândalo da merenda. A JB convoca todo o movimento operário, popular e estudantil a prestar a mais ampla solidariedade a luta dos estudantes paulista, defendendo a deflagração de uma greve estadual da educação para barrar os planos de Alckmin e dos tucanos, chamando desde já a manutenção da ocupação da ALESP e o fortalecimento do movimento nas escolas rumo a vitória, seguindo o exemplo que fizemos no ano passado! A vitória da ação direta dos estudantes paulistas é um importante passo para a derrota da ofensiva reacionária que infesta o país inteiro, também se constitui em um exemplo concreto de luta para a Frente Popular que capítula abertamente diante da escalada direitista da tucanalha e seus sócios da máfia pemedebista.

Militantes da JB no plenário da ALESP
LUTADORA DO MTST BALEADA DURANTE MANIFESTAÇÃO EM SP!


A sem-teto Edilma Aparecida Vieira dos Santos, de 36 anos, acabou de ser baleada durante manifestação da Ocupação João Goulart (MTST) rumo à Prefeitura de Itapecerica da Serra, na Região Metropolitana de São Paulo. A marcha do MTST seguia com mais de 500 pessoas quando o motorista de um carro atirou contra os sem-teto, atingindo Edilma na barriga. O carro é um Corsa preto, de placa EQZ 8730. O Movimento está indo neste momento registrar ocorrência e exige das autoridades do Estado de São Paulo providências imediatas contra o agressor. Edilma está sendo neste momento atendida pelo SAMU e seguirá para o PS Municipal de Itapecerica.

Não passarão! A Marcha Segue! A luta seguirá!
Coordenação do MTST

terça-feira, 3 de maio de 2016

DILMA “ECOA” PROPOSTA DA ANTECIPAÇÃO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS, “GOLPISTA” TAMBÉM?


Após o Primeiro de Maio onde “esbanjou” sua estratégia de colaboração de classes com a burguesia, sendo ovacionada pela esquerda corrupta como o PCdoB e PCO traidores da independência de classe do proletariado, Dilma mobilizou seu staff político para “ecoar” nos circuitos dos movimentos sociais sua proposta de antecipação das eleições presidenciais. A presidente pode encaminhar ao Congresso a proposta de emenda constitucional que prevê o encurtamento de seu mandato e novas eleições em outubro, juntamente com as disputas para as prefeituras para “emparedar” Temer, avaliam setores do PT simpáticos à iniciativa. Na última sexta-feira, Dilma despachou Wagner e Berzoini para São Paulo com o objetivo de ouvir as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo sobre a ideia. Mesmo que a proposta seja enviada ao Congresso Nacional pelo Planalto sua aprovação é considerada dificílima pelo que restou da “base aliada”. Uma PEC precisa ser votada em dois turnos tanto na Câmara como no Senado e só é aprovada se obtiver apoio de três quintos dos deputados (308) e dos senadores (49). A anturragem Dilmista já considera perdida a disputa no Senado, caracterização completamente oposta a de Lula e do núcleo duro da tendência “Articulação” do PT. O ex-presidente tem bastante clareza de que apesar do isolamento político do governo nos bastidores podres do Congresso, onde Temer já foi até empossado informalmente, a burguesia nacional ainda não “bateu o martelo” em favor do impeachment. A prova deste fato é a própria correlação atual de forças no Senado Federal, onde a cassação definitiva de Dilma ainda está bem longe de alcançar o quórum qualificado. PT e PC do B somam somente onze votos, mas já aglutinam diante mão mais dez senadores de outras legendas, isto apesar da maioria da bancada do PDT ter se posicionado a favor do impeachment. Faltam apenas o governo cooptar mais cinco senadores, somando vinte e seis votos, contando que o presidente da Casa, Renan Calheiros declarou que não votará no julgamento da presidente (são necessários vinte e sete votos para derrotar o impeachment). Ora qualquer analista político, mesmo dos mais inexperientes, sabe que para um governo que ainda tem base social (potencial eleitoral aferido pelos próprios institutos de pesquisa) e “caneta na mão” obter cinco votos no Senado não é das missões mais impossíveis... Porém a incapacidade política de Dilma em perceber o tamanho do cerco montado pela oposição de direita (grande parte oriunda de sua própria base parlamentar) já lhe custou um “vexame” na Câmara dos Deputados. Os cinco votos que o governo necessita no Senado hoje estão agrupados em um bloco parlamentar liderado pelo ex-presidente Collor, que rompeu com o PTB para montar a chamada “Ala Moderadora”, já contando com dez adesões. Collor até pouco tempo um fiel escudeiro de Dilma no Senado, não quer declarar como seu bloco parlamentar se posicionará na votação definitiva do impeachment, por enquanto apoiam que o processo desemboque no afastamento temporário de Dilma, para depois negociarem com os dois setores da burguesia nacional em aberta disputa política, mas não dispostos a protagonizar um enfrentamento de classe, ou seja, um Golpe de Estado. A política neoliberal “convicta” de Dilma agudizou tanto a crise política e econômica, levando a uma situação que nem mesmo a burguesia mais reacionária poderia prever: um esfacelamento vertiginoso da base aliada no Congresso que “despertou” o apetite voraz da máfia do PMDB. Agora Lula e Dilma pensam de forma distinta sobre a melhor saída tática para a profunda crise política da Frente Popular, a ausência do ex-presidente no ato do Anhangabaú não foi simplesmente por “falta de voz” e sim por “falta de acordo”. As pífias medidas (pacote de bondades) anunciadas por Dilma no último domingo estão muito longe de reverterem o curso neoliberal de seu governo, as lideranças dos movimentos sociais sabem disto e por isso flertam com a proposta de encurtamento do mandato presidencial, antes considerado como “manobra golpista”. A suposta inciativa de convocação de uma greve geral pela CUT, para barrar o impeachment, se perdeu nas calendas gregas, a máscara da Frente Popular caiu e agora não se fala mais em impulsionar mobilizações populares, sequer os atos com artistas e intelectuais estão na pauta. Para o PT e seus apêndices somente estão na “mesa do jogo” institucional duas cartas: Eleições Gerais em outubro ou a “compra” de uma nova “base aliada” no Senado. As duas tentativas da Frente Popular podem afundar juntas, na completa ausência do protagonismo do movimento operário, atado a uma política criminosa de colaboração de classes diante da brutal ofensiva da direita pró-imperialista.

domingo, 1 de maio de 2016

1º de MAIO SEM LUTA: MANIFESTAÇÕES EM SÃO PAULO PELO “FICA DILMA” E “FORA DILMA” NÃO SERVIRAM PARA ORGANIZAR O COMBATE REVOLUCIONÁRIO POR UMA ALTERNATIVA DE PODER DOS TRABALHADORES. LBI INTERVÉM EM AMBOS PUBLICITANDO UMA PLATAFORMA INDEPENDENTE

Dilma no ato da CUT defende a covarde
política da colaboração de classes
Neste 1º de Maio ocorreram em São Paulo os dois principais atos políticos da esquerda. O do Anhangabaú convocado pela CUT e o da Av. Paulista chamado pela Conlutas. O primeiro proclamava-se “Contra o Golpe, Em defesa da Democracia”, o segundo pelo “Fora Todos, Eleições Gerais”. Tanto a manifestação pelo “Fica Dilma” com a do “Fora Dilma”, organizadas sem uma perspectiva de luta, não serviram como ponto de apoio para construir uma alternativa de poder dos trabalhadores, muito menos, para organizar o combate direto das massas contra a ofensiva neoliberal da direita. A limitação de ambos foi a política de colaboração de classes de suas direções que apesar de estarem em campos políticos opostos não apontaram medidas de luta direta contra a reação burguesa. Delimitando com as duas orientações reformistas, a militância da LBI interveio nos atos com milhares de panfletos e o Jornal Luta Operária, publicitando uma plataforma independente em defesa de forjar um Poder Operário e Camponês. Em primeiro lugar deve-se destacar que caiu a máscara alimentada pela esquerda revisionista, como PCO, “O Trabalho” e “Articulação de Esquerda”, de que a direção nacional da CUT iria aproveitar as manifestações do 1º de Maio para convocar uma Greve Geral contra a aprovação do impeachment no Senado, marcada para o próximo dia 11. Longe disso, a Frente Popular dedicou integralmente a atividade no Anhangabaú para que Dilma fizesse demagogia eleitoral anunciando um pequeno reajuste do Bolsa Família e da Tabela do Imposto de Renda, medidas já previstas anteriormente no Orçamento de 2016 mas adotadas somente apenas na véspera do impeachment de olho nas próximas eleições, já que a estratégia da direção nacional do PT e do PCdoB voltou a ser costurar um “acordão nacional” para a antecipação das eleições presidenciais, com os neostalinistas defendendo inclusive a convocação em um “plebiscito por diretas já”. Não foi deliberado no ato de 1º de Maio a realização de nenhuma “Greve Geral” e muito menos assembleias nos sindicatos na próxima semana, apenas convocado mais um “dia nacional de luta” como os tradicionalmente realizados pela CUT com um caráter midiático e sem qualquer organização efetiva na base das categorias. Até porque a presidente Dilma não anunciou nem no ato e, muito menos, no curso de seus mandatos medidas reais que pudessem servir como base para a mobilização dos trabalhadores em defesa de seu mandato. Ao contrário, a gerente petista levou a cabo um duro ajuste neoliberal com o congelamento do salário dos servidores públicos, redução das pensões do INSS, restrição do seguro desemprego e cortes no orçamento na saúde e educação, além de um amplo pacote de privatizações e concessões, como portos, aeroportos e estradas. A prova da ausência de disposição para as massas saírem em defesa do governo Dilma foi o próprio ato no Anhangabaú extremamente esvaziado, apesar da presença ostensiva da burocracia sindical “chapa branca”. A ausência de trabalhadores de base e de setores da chamada “classe média progressista” foi um fato marcante, como a intervenção da presidente Dilma apelando para a burguesia vir ao seu socorro diante do golpe parlamentar da direita. 

Candido Alvarez, dirigente nacional da LBI, polemiza no Anhangabaú
com o deputado Paulo Teixeira, ex-líder do governo Dilma na Câmara Federal
Por sua vez, o ato político nacional convocado pelo PSTU na Av. Paulista contou com pouco mais de 2 mil pessoas, o grosso formado pelo aparato sindical ligado a Conlutas e os sindicatos a ela filiados, que levaram delegações de vários estados para fortalecer artificialmente a atividade com quase nenhuma participação espontânea. Nesta manifestação, a palavra de ordem “Fora Todos, Eleições Gerais” dominou a fala do PSTU e setores do PSOL (MES, PSTU, LSR). Entretanto, como esta política se aproxima das posições da direta e da oposição demo-tucana que prestigiou o ato de 1º de Maio do mafioso Paulinho da Força Sindical, o próprio ativismo presente não demonstrava grande disposição de leva-la à frente, ainda mais com a direção do PSTU aplaudindo o impeachment de Dilma. Trata-se de uma aproximação aberta com a direita que deve ser rechaçada ativamente pelo ativismo classista, como defendeu a LBI na própria atividade da Conlutas.


Zé Maria, presidente nacional do PSTU, na Av. Paulista contestado politicamente
pela defesa de eleições gerais por Marco Queiroz, porta-voz oficial da LBI
A militância da LBI distribuiu amplamente milhares de seu manifesto e o jornal em ambas as atividades, não temendo delimitar publicamente e “olho no olho” com a política do PT e da CUT assim como da Conlutas e do PSTU. Nosso chamada a combater a ofensiva golpista da direita e um possível governo Temer não esteve em nenhum momento desvinculado da denúncia do pauta neoliberal levada a cabo pela governo Dilma com o aval da direção petista e a paralisia da CUT. Nesse sentido, a LBI fez o oposto do PCO e do MRT que capitularam a política de conciliação de classes da Frente Popular  participando do 1º de Maio da CUT e embelezando a sua suposta oposição ao “golpe”. 

Frente Popular não organizou luta contra ofensiva golpista da direita