quarta-feira, 19 de julho de 2017

HÁ 38 ANOS DA TOMADA DO PODER NA NICARÁGUA: SUPERAR O PROGRAMA REFORMISTA DA FSLN PARA RECOLOCAR A PÁTRIA DE SANDINO NA SENDA DO SOCIALISMO REVOLUCIONÁRIO


Há exatos 38 anos, em 19 de julho de 1979, as colunas guerrilheiras da FSLN entraram em Manágua, consolidando a vitória da revolução popular sandinista sob o comando de Daniel Ortega, o movimento insurrecional responsável por quebrar a espinha dorsal do Estado burguês, derrotando e destruindo o exército nacional bancado pelos EUA. Dias antes, vendo que a derrota era inevitável, o ditador Somoza fugiu para Miami, tendo o abrigo do imperialismo ianque então sob a gestão “democrática” do presidente Cárter. Em comemoração a esta data histórica analisamos neste artigo minuciosamente tanto a vitória da revolução naqueles memoráveis dias como sua derrota pela via eleitoral quase duas décadas depois devido a política democratizante de sua direção pequeno-burguesa. A Revolução Sandinista foi a última insurreição popular armada vitoriosa a derrotar um governo títere do imperialismo, mas a política da direção reformista estrangulou todas as perspectivas de construir um Governo Operário e Camponês e tornar a Nicarágua um Estado operário em extensão para toda a América Central. Atualmente convertida a um partido da centro-esquerda burguesa e paladina do já falido “Socialismo do Século XXI”, a FSLN voltou a governar o país de pela via eleitoral e de forma completamente adaptada a democracia burguesa, sem grandes conflitos com o imperialismo ianque. Abstrair as lições programáticas dessa derrota em nossos dias é fundamental para a vanguarda militante combater a lógica reformista aplicada na Nicarágua já no final dos anos 80, onde o Sandinismo entregou a revolução em uma eleição burguesa em que previamente estava derrotado pela direita pró-ianque. Após vários anos dessa entrega sem luta, o Sandinismo retornou ao governo nacional pela via eleitoral, porém o regime da Nicarágua já não tem nenhum traço das conquistas revolucionárias de 1979. A melhor forma de comemorar o triunfo revolucionário de julho de 1979 é combater vigorosamente o imperialismo sem abrir mão da ácida crítica programática marxista a esquerda reformista como a FSLN. Este arco político defensor da colaboração de classes ressalta a democracia como valor universal e apresenta o respeito às urnas como “sagrado”, utilizando inclusive esse móvel programático para defender, por exemplo, a política de colaboração de classes da Frente Popular(PT) e aconselhar o PSUV de Maduro na Venezuela a seguir a mesma trajetória de capitulação da FSLN na Nicarágua. Para entender esse rico processo vamos abordar desde a gênese do Sandinismo, seu ascenso e derrota até o atual retorno de Daniel Ortega a presidência do país sem representar qualquer ameaça ao domínio da Casa Branca no continente centro-americano.

terça-feira, 18 de julho de 2017

50 ANOS DA DERRUBADA DO AVIÃO DO EX-PRESIDENTE CASTELO BRANCO PELA “LINHA DURA” MILITAR GOLPISTA: O QUE TEM EM COMUM OS “ACIDENTES AÉREOS” QUE MATARAM TEORI ZAVASCKI, EDUARDO CAMPOS E CASTELO BRANCO, PRODUTO DAS DISPUTAS INTERNAS MAFIOSAS NO SEIO DA CLASSE DOMINANTE?


Neste dia 18 de julho completa-se 50 anos do “acidente aéreo” que matou o golpista Castelo Branco, primeiro presidente militar após a deposição de João Goulart em 1964 ("eleito" indiretamente pelo Congresso Nacional). Apesar de obviamente não prestarmos nenhuma solidariedade póstuma ao cearense facínora que ajudou a impor a sanguinária ditadura militar no Brasil, para os Marxistas Revolucionários é importante compreender as circunstâncias que levaram a sua morte e compará-las com as que provocaram os “acidentes” mais recentes (Teori Zavaski e Eduardo Campos). Estas “quedas de aviões” também vitimaram burgueses que de alguma forma atrapalhavam os planos estratégicos da classe dominante. Em todos os três casos tudo aponta para acidentes “fabricados” por razões “estratégicas de estado”. Os Marxistas Revolucionários da LBI não acreditamos na “ética” da burguesia, nem sequer quando se trata de eliminar “um dos seus”. Denunciamos vigorosamente esses assassinatos enquanto o conjunto das forças políticas fazem coro na legitimação da farsa montada hoje e ontem. Essa crença abarca inclusive setores da esquerda que juram sua fidelidade aos ritos sagrados da democracia capitalista, entendem que a burguesia não ousaria ultrapassar os limites das “tradicionais” manobras políticas existentes no “jogo do poder”, portanto conspirações e assassinatos não poderiam fazer parte do “cardápio” das classes dominantes, como em geral age o PSTU, PSOL e MAIS, etc. Esse arco revisionista segue deve até hoje afirmar que o “acidente” aéreo que matou o general Castelo Branco, o primeiro presidente do golpe militar, não passou de uma fatalidade e que somente “mentes poluídas” poderiam afirmar a existência de uma tal “Operação Mosquito” contra Jango. Crimes e assassinatos bem planejados são a especialidade da classe dominante em momentos de crise aguda em seu seio. Mas em geral os “crentes” na democracia dos ricos nos acusam de delírio, de estarmos acolhendo uma “Teoria da Conspiração”. Esses senhores não tem uma compreensão do caráter golpista da direita tupiniquim, capaz de “eliminar” sem o menor escrúpulo “lideranças políticas burguesas indesejáveis”, como JK, Jango, Lacerda, Castelo Branco, Tancredo Neves, Campos etc... No caso específico de Castelo Branco vale destacar que o Marechal era inicialmente da ala de oficiais supostamente “leais” a legalidade do governo (como Amaury Kruel) mas que diante da polarização social logo se “unificaram” com os facínoras golpistas do quilate de um Costa e Silva, dando aval completo ao golpe de 1964 fundamentalmente após o Comício da Central do Brasil em março de 1964. Tanto que Castelo assumiu a presidência prometendo eleições em 1965, o que de fato não ocorreu por pressão da chamada “linha dura”. Essa trajetória conflituosa justificava por si só plenamente a eliminação do militar cearense, o que veio a correr com o acidente fatal aéreo de 50 anos atrás, seguido anos depois das mortes encomendadas de Jango, Lacerda e Jk. As “investigações” apontaram como causa um erro do piloto do bimotor do presidente golpista (que obviamente faleceu) que chocou-se com o jato da FAB, a mesma falha pessoal indicada nos relatórios de Teori e Campos, forjando-se inquéritos que não levaram a punição de ninguém nos três episódios. No caso de Castelo, o relatório assinado pelo brigadeiro Araripe Macedo cheio de falhas e lacunas foi aceito integralmente pela cúpula militar e como prêmio o oficial tornou-se ministro da Aeronáutica nos governos de Médici e Geisel. Vale registrar ainda que às vésperas de morrer Castelo Branco anunciou que iria fazer um “pronunciamento à nação”. Ele tinha deixado a presidência em 15 de março de 1967 e na disputa interna entre os militares foi forçado a passar o comando do país para Costa e Silva, um adversário seu na caserna. Um pronunciamento de Castelo contra Costa e Silva poderia rachar publicamente a cúpula militar, abrindo caminho para uma aliança do Marechal como a ala civil golpista (JK, Lacerda, Magalhães Pinto). Esse é o real motivo de sua morte. No que diz respeito ao assassinato de Teori, enquanto a esquerda revisionista adaptada e crédula ao regime da democracia dos ricos ficou em silêncio diante do “acidente” que matou o ministro do STF Teoria Zavascki (no máximo atuando como papagaios da mídia burguesa), alegando que não patrocina “Teorias da Conspiração” e desprezando o real funcionamento mafioso do Estado burguês e suas gerências de plantão, a LBI logo após a queda do avião apontou sem vacilar a ação como um assassinato planejado por Temer e sua antourragem palaciana (Jucá, Moreira Franco, Padilha, por “coincidência” os dois últimos ex-ministros da Aviação Civil...) para controlar o conteúdo das delações da Odebrecht. No caso de Eduardo Campos, a queda do moderno avião Cessna não foi produto de uma falha humana ou mesmo de um problema mecânico ocasional, mas na verdade de uma operação que teve as digitais da CIA para retirar o “socialista” da disputa a fim de abrir caminho para que Marina Silva (a candidata preferencial dos rentistas e do imperialismo ianque naquele momento), pudesse voltar a concorrer ao Palácio do Planalto. De nossa parte não vemos nenhuma surpresa nestes acontecimentos, as mortes de acidentes aéreos de desafetos políticos são relativamente comuns. Por mais contraditório que possa parecer, os mais “crédulos” no funcionamento das instituições “democráticas” deste bastardo regime burguês são justamente as organizações da esquerda, incluindo neste bojo as que se reivindicam “reformistas ou revolucionárias”. Enquanto neste país a direita golpista conspira abertamente contra todos aqueles que “atravessem” seu caminho, inimigos ideológicos ou não, a esquerda jura obediência à institucionalidade, confiante na “probidade” de seus adversários mais reacionário. 


Segundo a versão oficial dos fatos, o Marechal Castello Branco faleceu em um acidente aeronáutico, em uma aeronave do Governo do Estado do Ceará, um Piper Aztec matriculado PP-ETT, no dia 18 de julho de 1967. A aeronave que conduzia o ex-Presidente foi atingida na cauda pela ponta da asa de um caça da Força Aérea Brasileira, um Lockheed TF-33, perdendo a deriva. Depois de entrar em parafuso chato, o avião chocou-se com o solo e todas as pessoas a bordo morreram, com exceção do co-piloto. Na manhã de 18 de julho, Castello Branco saiu do sítio da escritora Rachel de Queiroz, sua amante, e decolou de Quixadá para Fortaleza a bordo do Aztec cedido pelo Governo do Ceará. Estavam a bordo do bimotor a escritora Alba Frota, o major Manuel Nepomuceno, o irmão do Marechal, Cândido Castello Branco, o comandante Celso Tinoco Chagas e o co-piloto Emílio Celso Chagas, filho do comandante. O tempo estava bom, visibilidade praticamente ilimitada e nebulosidade insignificante. O Aztec decolou do sítio de Rachel de Queiroz às 9 horas da manhã e voou em cruzeiro no nível de voo visual 055 (cinco mil e quinhentos pés). Trinta minutos depois, já durante a descida para Fortaleza, um jato de caça da FAB, um TF-33 - FAB 4325, atingiu a deriva do Aztec, decepando-a. O jato perdeu o tanque da ponta da asa, que curiosamente estava vazio, mas conseguiu retornar em segurança para sua base. O Aztec, entretanto, perdeu o controle direcional e entrou em parafuso chato, chocando-se com o solo de barriga, matando 5 das 6 pessoas a bordo, salvando-se o co-piloto Emílio Celso Chagas, que ficou, entretanto, bastante ferido. Na ocasião do acidente, houve uma investigação, que concluiu que o choque foi acidental, que ambas as aeronaves estavam em um mesmo "corredor" em direção à Fortaleza, e que teria havido, possivelmente, falha do controle de tráfego aéreo. E ficou por isso mesmo, já que o Governo Federal, naquela época, controlava tudo com "mão de ferro", censurando a imprensa e perseguindo a oposição burguesa e a esquerda revolucionária. Embora a presença de caças nos céus do Ceará fossem comuns, o tráfego civil era respeitado e os jatos mantinham separação visual dos mesmos, como acontece até hoje. Mas o bimotor que levava Castello Branco foi atingido na deriva com uma precisão "cirúrgica", com poucos danos ao caça. As condições de visibilidade eram excelentes, dando condições ao piloto do caça, o Tenente Alfredo Malan d'Dangrogne, de avistar perfeitamente o tráfego à sua frente. Mesmo assim, ocorreu a colisão, o que revela que não se tratava de um acidente, e sim de um atentado. Qual teria sido o motivo e a quem interessaria a morte do golpista? Sobre isso não restam dúvidas, pois motivos não faltavam. Castello Branco tinha deixado a presidência apenas 3 meses antes, passando o poder para o Costa e Silva, representante da "linha dura" do Exército. Na verdade, Castello Branco assumiu o governo prometendo devolver o governo aos civis. Isso ia contra os interesses de outros generais, que tencionavam se manter no poder sob a alegação de manter a paz e e ordem pública e eliminar a ameaça comunista. Mesmo fora do governo, o Marechal Castello Branco tinha uma considerável influência no Exército Brasileiro. Em resumo, a presença de Castello Branco incomodava, e muito, os generais da "linha dura" que pretendiam dar fôlego longo a ditadura, como de fato ocorreu. E não haveria outro meio de meio desses generais se verem livres dele, senão matando-o. A operação de resgate das vítimas do acidente foi desastrosa: os oficiais e soldados da aeronáutica destroçaram o avião a machadadas e carregaram as vítimas nas costas, sem qualquer técnica. Como estas tinham danos na coluna vertebral pela posição de impacto, isso pode ter colaborado para agravar seus ferimentos. O avião acidentado foi reconstruído e parcialmente restaurado, e encontra-se hoje no quartel do 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, no Ceará. A deriva arrancada pelo caça jamais foi encontrada. O caça também foi preservado e encontra-se hoje na Base Aérea de Fortaleza, como "lembranças" distantes do acidente, que na verdade foi um ataque fatal contra a vida de Castelo Branco para garantir a unidade interna dos generais e consolidar a ditadura militar que durou 21 anos..., sendo hoje usado na "democracia" o mesmo método para eliminar desafestos políticos no interior da classe dominante.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

100 ANOS DE JOÃO SALDANHA: NOSSAS DIVERGÊNCIAS E RESPEITO REVOLUCIONÁRIO AO DEDICADO MILITANTE STALINISTA, NOSSA CRÍTICA AO TÉCNICO QUE COMANDOU A SELEÇÃO BRASILEIRA EM PLENA DITADURA MILITAR


Neste mês de julho completa-se 100 anos do nascimento de João Saldanha. O gaúcho de Alegrete veio ao mundo poucos meses antes de ser vitoriosa a Revolução Bolchevique de Outubro na Rússia dirigida por Lênin e Trotsky, um acontecimento histórico que influenciou diretamente sua vida, já que seu pai era comunista e defensor da URSS. João entrou para a história por ter sido o técnico da seleção brasileira que “peitou” a ditadura militar ao não convocar o jogador Dario, o "Dadá maravilha" por indicação do general carniceiro Médici, para Copa do México de 70. Recusou-se a chamar o jogador “sugerido” pelo general e foi demitido por sua ordem. Formando uma seleção com base nas equipes do Santos, de Pelé, e do Botafogo, de Gérson e Jairzinho, o técnico conseguiu, de fato, forjar um grupo muito forte que se classificou para o Mundial de 70 no México, jogando um futebol talentoso, empolgante e, acima de tudo, corajoso que acabou por conquistar o tricampeonato sob o comando de Zagalo. No grupo, Saldanha teve muitos atritos como Pelé. Homem de temperamento intrépido, torcedor do Grêmio e do Botafogo (passou como jogador pelas categorias de base do Glorioso e como técnico do time da “Estrela Solitária” foi campeão carioca em 1957), Saldanha foi militante orgânico do PCB já na juventude, chegando a ir a China na década de 40 para apoiar a Revolução dirigida por Mao, tanto que estava em Pequim nas comemorações do primeiro aniversário da tomada do poder pelo PCCh. Como técnico da seleção, já afastado de fato do partido e apenas na condição de simpatizante, era o que na época se chamava um “amigo do Partidão”, tendo condutas contraditórias típicas dessa condição diletante. Muito se tem escrito sobre o João Saldanha técnico, enaltecendo seu espírito de combate à ditadura, além obviamente de sua capacidade como jornalista e comentarista de futebol, mas pouco se enaltece sua dedicada militância stalinista, conduta que fazemos questão de registrar e celebrar no centenário de seu nascimento, apesar de nossas profundas divergências políticas e programáticas.


Em 1935, aos dezoito anos de idade, João e seu irmão Aristides aderiram ao programa da Aliança Nacional Libertadora, atraídos pelo movimento internacional de resistência ao nazi-fascismo e de combate aos planos belicistas do imperialismo alemão. Do antifascismo, Saldanha evoluiu ideologicamente até aderir ao Marxismo Leninismo, ainda que stalinizado. Em 1936, João estava na Faculdade quando a polícia de Filinto Muller entrou em busca de seu professor de História. Em um primeiro momento, conseguiram “colocar a polícia para correr”. No dia seguinte, com maior contingente a polícia entrou novamente e João, entre outros, apanhou bastante e foi expulso da faculdade. Em 1945, pouco após o estabelecimento de relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética e a libertação de mais de cem militantes comunistas, Saldanha ingressou no Partido, passando a atuar num dos Comitês Populares Democráticos criados pelo Partido, organizações de massa incumbidas de organizar um vasto conjunto de atividades. Saldanha também ingressou no Movimento Unificador dos Trabalhadores (MUT), organização intersindical que resultou da aliança de comunistas e getulistas. Aos 28 anos de idade, Saldanha era o mais jovem secretário político dos comitês distritais do PCB, no Distrito Federal. Com o fim do Estado Novo, o PCB se fortaleceu, elegendo, para as eleições constituintes de 1946, 14 deputados federais e um senador: Luís Carlos Prestes. Nesse período, João assumiu a direção da União da Juventude Comunista - UJC enquanto escrevia para a Folha do Povo. Em 1949, dentro do período da frente populista do stalinismo, o PCB levantou como principal política a defesa da Paz e da Cultura. João seguia como dirigente da UJC e foi um dos responsáveis pela organização do I Congresso Brasileiro pela Paz, realizado na emblemática sede da UNE da Praia do Flamengo, que veio a ser queimada pela ditadura militar. Como era de se esperar, a polícia, que considerava o congresso ilegal, invadiu o prédio e efetuou várias prisões. João foi atingido por uma bala de fogo e por pouco não morreu. Por esse episódio, foi condenado a 6 anos de prisão, mas fugiu para São Paulo, onde utilizou o nome de João de Souza, passando a militar na frente sindical e morar no bairro operário de Vila Formosa, na zona leste da capital. No mesmo ano, acabou sendo preso durante o ato do movimento “O Petróleo é Nosso”, ficando 28 dias no prédio do DOPS. Foi libertado sem documentos. Sua situação estava bastante difícil. Resolveu então, sob orientação do partido, mudar-se para a França. Depois se deslocou para Praga, na então Tchecoslováquia, e depois para Pequim, meses após a tomada do poder por Mao Tse Tung. Ficado na China cerca de dois anos. Um ano depois, se encontrava cobrindo a Guerra da Coreia. Voltou ao Brasil em 1951 com passaporte falso, indo mais uma vez residir em São Paulo. Escreveu para o Jornal Noticia de Hoje, mantido pelo PCB, e foi encarregado de negociar o apoio do partido à candidatura de Jânio Quadros, que acabou não se concretizando, pois o PCB apoiou Adhemar de Barros, do PSP.  Ele assumiu tarefas de grande envergadura e responsabilidade do partido no Estado do Paraná e no Estado de São Paulo, tanto na luta contra a grilagem de terra, na organização de sindicatos no campo, quanto na aplicação da nova linha política para o trabalho sindical, nos anos de 1952-1953, e que culminou na greve histórica de março de 1953.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

MORENISTAS DO PSTU E CST VOLTAM A DEFENDER A PRISÃO DE LULA: OS “MORONISTAS DE ESQUERDA” TRANSFORMARAM-SE EM UM BRAÇO DA REAÇÃO BURGUESA AO DEFENDEREM A OPERAÇÃO LAVA JATO PARA MORALIZAR O REGIME BURGUÊS


A direção nacional do PSTU acaba de publicar o artigo “Por que Lula chegou a essa situação” (13/07/2017) em que defende, ainda de forma envergonhada, a prisão de Lula pelo juiz Moro. O texto afirma “Defendemos a prisão e o confisco dos bens de TODOS os corruptos e corruptores. E somos contra abafar as investigações contra quem quer que seja. Em certa medida, não alegra ninguém que o maior expoente que a classe trabalhadora brasileira construiu na sua história, acabe sendo condenado por corrupção por ter passado para o lado da burguesia. Mas, ao mesmo tempo, o desfecho dessa tragédia e dessa farsa que o PT construiu não surpreende. Demonstra que o PT e Lula já não têm condições de representar a classe trabalhadora, pois escolheram outros amigos e outro caminho”. O PSTU tenta cinicamente justificar sua posição apoiando-se no conceito de que “todos são corruptos, logo todos devem ser presos” pelos organismos repressores do Estado capitalista. Para os Marxistas Revolucionários não se trata de adotar os conceitos típicos da pequena-burguesia moralista, a mesma que é base para os protestos da direita contra o PT que desembocou no Golpe Institucional contra Dilma, mas compreender que a justiça no Estado capitalista tem um caráter de classe. Justamente por esse “detalhe” desprezado pelo PSTU é que somente o PT está sendo de fato alvo da Operação Lava Jato, seus dirigentes históricos vêm sendo presos e Lula deve ir para a prisão em breve, enquanto os ratos da política burguesa como FHC, Temer, Aécio e Renan continuam livres. A denúncia do MPF foi claramente um show midiático reacionário para atacar inicialmente Lula e o PT para na sequência perseguir toda a esquerda, inclusive os setores revolucionários que nunca apoiaram ou integraram os governos da Frente Popular. Esses fatos demostram que está em curso um processo de recrudescimento repressivo do regime político que tem como alvo não só o PT, mas o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. O objetivo estratégico desta operação é cercear as parcas liberdades democráticas e criar um ambiente político propício para alinhar servilmente o Palácio do Planalto às ordens do imperialismo ianque e da Casa Branca na rapinagem da economia nacional. O descaramento oportunista do PSTU é ainda mais vergonhoso porque tem "duas caras", enquanto defende a Lava Jato para "ficar de bem" com a opinião pública da classe média "ética", no campo político dos movimentos sociais continua chamando de "companheiros de luta" os dirigentes do PT e da CUT para não "ficar mal" com o ativismo que segue a enorme influência da Frente Popular.


O PSTU ainda afirma no artigo, defendendo a Lava Jato que “Também é de grande hipocrisia falar em ‘Estado de Exceção’ devido às prisões de meia dúzia de políticos e empresários... Quer dizer: sob o PT tínhamos ‘Estado de Direito’ porque só os pobres eram presos sem julgamento (Rafael Braga que o diga!) e agora temos ‘Estado de Exceção’ por causa da Lava Jato?  Tenham a santa paciência!” (Idem). Ao contrário do que afirmam os “Moronistas” a Lava Jato e seus “jovens fascistas” propõem um regime de exceção, apoiado nos setores mais reacionários da classe média. Sua “Força Tarefa” está a serviço de colocar ainda mais a economia nacional sob o domínio das empresas imperialistas, tendo como meta liquidar a Petrobras! A Lava Jato visa abrir caminho para o neoBonapartismo no Brasil, apoiado em um estado policial, baseado na privilegiada casta jurídica e militar! O Procurador Deltan Dallagnol, o “quadro” formulador da Força Tarefa da direita pró-imperialista, já explanou cristalinamente que a “República de Curitiba” pretendia não só remover o governo petista como também alterar profundamente o regime político vigente. Para esta “tarefa divina” não descartam depurar institucionalmente o PMDB e PSDB, na medida em que a conjuntura permitir, ou seja, caso o governo Temer “engasgue” na aplicação das reformas neoliberais exigidas pelo mercado financeiro, o Tea Party tupiniquin estaria a postos para assumir as rédeas do regime político, reconfigurando radicalmente a Constituição “democrática” de 1988. A plataforma da Lava Jato “10 medidas contra a corrupção” (escandalosamente apoiada por PSOL e PSTU) já é um esboço reacionário do programa do novo regime que defendem para o país! Longe de apoiar a Lava Jato e seus jovens procuradores fascistas os Marxistas Revolucionários denunciam que a corrupção não é um fenômeno episódico no regime capitalista, faz parte dos seus próprios mecanismos de acumulação privada de mais-valor. Somente a imposição de outra ditadura de classe, desta vez de caráter proletário, será capaz de iniciar a construção de uma nova sociedade e para alcançar esse objetivo estratégico é preciso edificar um partido operário revolucionário em nosso país, que supere o PT através do avanço da consciência de classe dos trabalhadores e não colocando seus dirigentes na cadeia (por mais degenerados que sejam), como defendem Moro, Deltan Dallagnol e escandalosamente o... PSTU e a CST!!!
ENTREVISTA COLETIVA DE LULA APÓS A SENTENÇA DE MORO: LULA LANÇOU OFICIALMENTE SUA CANDIDATURA PRESIDENCIAL FAZENDO UM APELO À BURGUESIA EM NOME DA COLABORAÇÃO DE CLASSES PARA UM “HOMEM DA SENZALA SERVIR NOVAMENTE À CASA GRANDE”


Lula fez hoje um pronunciamento na sede do PT analisando a sentença do juiz Moro condenando-o a 9 anos e meio de prisão. Lamentou a decisão do comandante da “República de Curitiba”, declarando que até chegou a esperar inicialmente que Moro recusasse a denúncia do MPF mas que agora com a condenação o justiceiro não passava de um homem a serviço da Rede Globo e dos que desejavam tirar a possibilidade de uma nova postulação sua a presidência da república, aproveitando a entrevista coletiva para se lançar como “pré-candidato oficial do PT”. Denunciou que o golpe parlamentar contra Dilma não fecha se ele for candidato e voltar ao Planalto, citando o artigo da Folha de São Paulo de outubro de 2016 em que pontuou que Moro estava obrigado pela mídia a lhe condenar. Apesar de criticar a Operação Lava Jato ele reafirmou que acredita nas instituições da república porque são a garantia da democracia, citando textualmente a PF, o MPF e a Justiça. Por fim declarou que “está no jogo” e fez um “desafio”: “Se a Casa Grande não consegue governar que deixe um homem da Senzala fazê-lo para incluir novamente o pobre no orçamento, para o povo voltar a ser otimista”, denunciando o ódio disseminado pela mídia venal. Coube ao presidente da CUT anunciar que nesse dia 20, em todas as capitais, haverá atos com o eixo de que “Eleição sem Lula é Fraude”. A estratégia adotada por Lula e a cúpula do PT consiste em chamar novamente a solidariedade da burguesia nacional contra a caçada humana a Lula promovida pela Lava Jato. Ocorre que a “Casa Grande” compreende que o ciclo histórico do “neodesenvolvimento” lulista para reintroduzir a “Senzala” ao ciclo do consumo está encerrado. Por isso mesmo não é conveniente e oportuno arriscar a possibilidade de Lula chegar novamente ao Planalto em 2018, a função de Moro e sua anturragem judiciária é exatamente esta. Porém a Lava Jato, como literalmente definiu o Procurador Geral Janot: "é bem maior do que todos nós", ou seja, trata-se de um operativo montado desde a Casa Branca, com a mirada voltada na reordenação da economia brasileira. Não pode haver pedido de clemência, por mais emocionado da parte de Lula, que faça recuar a tática de Moro em desmoralizar o PT pelas fartas "comissões" recebidas por todos os dirigentes do partido. É fato inconteste que o próprio Lula e as lideranças da Frente Popular se beneficiaram pessoal e politicamente com as "comissões" pagas pelos grandes grupos econômicos em função de cada transação comercial realizada com o estado capitalista, mas não é por este motivo que estão sendo processados e presos. Não existe um único gestor estatal desta república, desde Deodoro até o atual golpista Temer, que não tenha recebido as "comissões", conhecidas popularmente com a alcunha de "propinas". A república do "propinoduto", como afirmou o protofascista Dallagnol não foi criada pelo PT no governo Lula, o grande "crime" das gerências estatais da Frente Popular talvez tenha sido o de "baixar e democratizar" os valores recebidos de cada comissão, e isto parece ter perturbado a elite dominante. As "comissões" são um produto inerente ao modo de produção capitalista, para acabá-las somente instaurando um outro regime econômico, o socialismo, e isto hoje Lula foi bastante sincero ao afirmar que nunca em seu governo pretendeu "abraçar" a expropriação do capital. O fato de reconhecermos, como Marxistas, que Lula também recebeu " comissões", não outorga nenhuma legitimidade ou mesmo legalidade nas ações do Ministério Público, afinal deveriam começar pelas "comissões " bem mais robustas como as da Privataria Tucana. O Estado capitalista e suas instituições fraudulentas (STF, MPF, etc...) não podem ter a menor autoridade histórica para criminalizar os setores nacionalistas de esquerda da burguesia, como o PT ou na sua época o Brizolismo, repetimos mais uma vez trata-se de uma farsa, somente os próprios trabalhadores no curso da revolução proletária terão a missão de estabelecer seus próprios organismos de poder para construir sua justiça classista. A intervenção pública de Lula foi brilhante do ponto de vista político da demagogia eleitoral, lançando de fato sua candidatura a 2018 porém inócua do ângulo de convocar a resistência direta das massas para defenestrar a ofensiva fascista que aponta na perspectiva de eliminar as conquistas sociais e democráticas da classe operária. Ao lamentar a aprovação da reforma trabalhista e a ameaça a previdência Lula apenas apontou a necessidade da Frente Popular voltar ao Planalto, para retomar o ciclo de desenvolvimento, o que além de desarmar a luta direta das massas, não passo de um apelo para se estabelecer um novo pacto de colaboração de classes no país, uma saída que os revolucionários e os lutadores classistas devem opor-se vigorosamente, denunciando-a como mais um engodo da “Casa Grande” contra o “Senzala”!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

JUSTICEIRO MORO CONDENA LULA A 9 ANOS E MEIO E O MANTÉM SOLTO MAS “PENDURADO” PARA AS ELEIÇÕES DE 2018: BURGUESIA DECIDIRÁ NO TRF O DESENLACE ELEITORAL DO PT. NÃO A CONDENAÇÃO DE LULA PELA FARSA DA LAVA JATO! SUPERAR A POLÍTICA DE COLABORAÇÃO DE CLASSES DA FRENTE POPULAR!


O Juiz “Nacional” Sérgio Moro acaba de condenar Lula a 9 anos e seis meses de prisão. Na mesma sentença Moro decidiu por não decretar a prisão do ex-presidente por “cautela”, leia-se que se submete a uma deliberação maior da burguesia nacional sobre o futuro eleitoral do PT para 2018, já que será o TRF a instância jurídica que dará a “palavra final” acerca da inelegibilidade ou não de Lula.  A pena foi baseada nas “delações premiadas contra o PT” que envolve o caso da compra e reforma de um apartamento Rriplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. A sentença foi publicada nesta quarta-feira (12). A farsesca “Operação Lava Jato" coordenada diretamente do gabinete do Departamento de Estado dos EUA agora fragilizada se concentra em "fisgar o peixe mais graúdo" do PT, o próprio Lula. Porém Moro já não tem mais o peso de "legislar" sozinho sobre os rumos institucionais do país. A mudança na política do Departamento de Estado da Casa Branca, com a vitória de Trump, fragilizou a operação “Lava Jato” colocando mais um ingrediente de impasse na política nacional. A decisão final das classes dominantes em montar o cenário eleitoral com seus “candidatos preferenciais” para a disputa do Planalto em 2018 deve esperar o próprio desfecho do atual governo golpista, ou seja se Temer terá algum fôlego para concluir as reformas neoliberais iniciadas por Dilma. Para desmoralizar o PT bastou se voltar para a exposição pública dos "pequenos" privilégios materiais de sua burocracia dirigente, como Lula ou Dirceu. São apartamentos, sítios e carros confortáveis de um padrão de classe média alta, que décadas atrás seria impensável a posse para um dirigente da esquerda "socialista". Nada comparável aos suntuosos apartamentos, grandes fazendas e modernos jatinhos da burguesia e seus representantes pemedebistas e tucanos, entretanto a compra de um "triplex" tem o mesmo impacto midiático seja em Guarujá ou na Côte D'azur, sem falar na diferença entre um bote de alumínio e um iate de milhões de dólares. A caçada da Lava Jato tem um prêmio: A cabeça de Lula e a prisão de sua anturragem mais próxima! Os Marxistas sabem muito bem diferenciar os privilégios materiais da burocracia sindical e política da esquerda "chapa branca", da propriedade jurídica dos meios de produção e troca sob controle dos políticos da burguesia. Enquanto a esposa de Alckmin era proprietária da luxuosa Daslu os venais da Globo não abriam o bico, mas quando "dona Marisa" resolveu comprar uma canoa a "indignação" dos fariseus ganha as principais manchetes. O PT está repleto de burocratas que elevaram em mais de cem vezes seu patrimônio pessoal, produto de comissões cobradas pela intermediação de negócios com o Estado, alguns do tipo de um José Guimarães chegam a "parelhar" fortuna com políticos burgueses como o senador pemedebista Eunício Oliveira, porém sequer ameaçam obter 10% do que foi usurpado do Estado no processo da "privataria" tucana na chamada era do "probo" FHC. Desgraçadamente uma parcela da esquerda revisionista também se deixou corromper pelas pequenas "benfeitorias" da Frente Popular, é o caso do liliputiano PCO, que passou a defender os privilégios materiais da burocracia sindical como algo "natural" ao movimento operário. Outros grupos revisionistas, no outro lado da margem, passaram a fazer apologia da Lava Jato endossando a ofensiva imperialista contra a "vacilante" economia nacional.  O próprio Lula, o antigo "herói" da burguesia nacional agora é considerado o novo "vilão número 1" do país. A tarefa que se coloca para a vanguarda da classe trabalhadora será abstrair as trágicas lições da política falida da burocracia petista, e forjar a construção do seu próprio poder político para o próximo período histórico. Sabemos muito bem que a corrupção (cobrança de comissões para cada transação comercial) nas empresas estatais e demais instituições republicanas não são criação dos governos da Frente Popular, são um produto sistêmico do modo de produção capitalista, embora o PT tenha dado continuidade a este mecanismo alimentado pelo mercado e a chamada “iniciativa privada”. Não nos parece justo atribuir exclusivamente as gerências petistas as atuais dificuldades da Petrobras (produto da queda artificial da cotação internacional do óleo cru) foi a na era da privataria tucana que a estatal acumulou suas piores perdas, incluindo a perda do monopólio na exploração do óleo em território nacional. Se Moro pretendesse realmente apurar a origem da relação promíscua entre as empreiteiras e a estatal deveria começar por investigar a fundo o período do regime militar, passando por Sarney e tendo como ápice o governo FHC. A tucanalha embolsou bilhões de dólares das multinacionais do petróleo para quebrar o monopólio que fazem das eventuais “propinas” pagas ao PT um “cofrinho infantil de moedas”. Entretanto a questão de fundo não é “monetária” e sim política! A Lava Jato tem um objetivo determinado de criminalizar as lideranças de esquerda, particularmente o PT, impulsionando uma histeria reacionária no país que já provocou o impeachment de Dilma. Sem avalizar por um só momento a política desastrosa do PT, o movimento de massas deve ganhar as ruas para combater a escalada da direita e do fascismo, que mais cedo do que tarde se voltará contra o conjunto da vanguarda operária em nosso país. Entendemos que a defesa política, e não meramente jurídica de Lula, se mantém necessária diante da ofensiva direitista contra o conjunto da esquerda e os movimentos sociais. Nós da LBI não nutrimos nenhuma afinidade programática ou política com Lula e muito menos com os dirigentes do conjunto da Frente Popular. Entretanto os Bolcheviques sabemos muito bem distinguir o fascismo da Frente Popular, o primeiro embrulhado no discurso da moralização e ética da coisa pública e o segundo atolado e refém da sua própria política de colaboração de classes. A defesa política de Lula condenado como em uma vitrine midiática, para dar uma “lição” desmoralizante em qualquer esquerdista que se meta em “negócios” com a burguesia, é um ato de enfrentamento com a brutal ofensiva ideológica da direita e não pode ser confundido com o apoio ou solidariedade ao programa burguês da colaboração de classes levado a cabo pelo PT. Cúmplices diretos da “Lava Jato” PSTU e o MES (corrente interna do PSOL) apostam no prestígio midiático do fascista Moro para tentarem obter algum dividendo eleitoral na velha “caça às bruxas” da direita tupiniquim. Nesta conjuntura de ofensiva reacionária em toda a linha, a tarefa dos Leninistas é denunciar vigorosamente a condenação de Lula assim como a estratégia de colaboração de classes que levou o PT a completa subserviência diante da burguesia mesmo quando seus quadros históricos são perseguidos e presos, tendo o encarceramento de Lula no horizonte próximo como parte da sanha reacionária em curso no país. Esta tarefa necessariamente precisa estar combinada com o chamado à mobilização direta dos trabalhadores contra o ajuste neoliberal que antes era levado a cabo por Dilma e agora está sendo aprofundado por seu vice golpista, o rato Temer. Combater o embuste da Operação “Lava Jato” assim como a LBI combateu o julgamento farsa do “Mensalão” representa neste momento unificar na mesma pauta programática a luta contra a ofensiva neoliberal que pretende subtrair nossos direitos sociais e políticos, tarefa que deve ser combinada com a defesa incondicional de todos os militantes políticos da esquerda que se postam no campo nacional, democrático e popular. A vanguarda classista deve abstrair todas as lições programáticas destes episódios e jamais empunhar a bandeira da “ética e moralidade pública” como fazem os cretinos revisionistas do PSOL e PSTU. Como afirmou Lenin, o Estado burguês não pode ser “democratizado” ou tornar-se “público”, deve ser demolido pela ação violenta e revolucionária da classe operária. A corrupção não é um fenômeno episódico no regime capitalista, faz parte dos seus próprios mecanismos de acumulação privada de mais-valor. Somente a imposição de outra ditadura de classe, desta vez de caráter proletário, será capaz de iniciar a construção de uma nova sociedade e para alcançar esse objetivo estratégico é preciso edificar um partido operário revolucionário em nosso país, que supere o PT e não seja sua reedição piorada como o PSOL. Não defendemos que justiça burguesa julgue Lula e outros dirigentes do PT. Por mais divergências que tenhamos com Lula e o PT sabemos que não são os sinistros órgãos de repressão do Estado burguês que devem julgar o ex-presidente petista, na medida em que como marxistas não reconhecemos nestes organismos capitalistas o poder para perseguir e condenar lideranças oriundas do movimento operário, por mais degeneradas e corrompidas que sejam. Esta tarefa cabe ao movimento de massas e seus organismos políticos, como parte da superação da plataforma de colaboração de classes da Frente Popular. Por esta razão em nenhum momento negamos que o PT é cúmplice desse processo de cerco as organizações políticas como, por exemplo, ao aprovar a Lei Antiterrorista que abriu espaço para criminalizar os movimentos sociais, os sindicatos e as lideranças populares, mas esta constatação não altera nossa orientação principista de denunciar os ataques da MPF ao próprio Lula! Se não podemos depositar confiança política alguma nos dirigentes petistas, artificies da estratégia de colaboração com a burguesia nacional e setores das oligarquias regionais corruptas, também não se pode embarcar na canoa falsamente moralizadora da Lava Jato que abre as portas para o frenesi reacionário das elites racistas contra o conjunto da esquerda. A estratégia adotada pela cúpula do PT consiste em chamar a solidariedade da burguesia nacional contra a caçada humana a Lula promovida pela Lava Jato, acontece que a classe dominante compreende que o ciclo histórico do “neodesenvolvimento” lulista está encerrado. Por isso mesmo não é conveniente e oportuno arriscar a possibilidade de Lula chegar novamente ao Planalto em 2018. Trata-se de uma estratégia suicida, mesmo que Lula seja candidato em 2018 será derrotado por Moro, no marco dessa mesma operação fraudulenta em curso que une urna "roubotrônica", mídia e o grande capital que pavimenta pelo caminho eleitoral o estado de exceção que se gesta no Brasil. Convocamos a militância de base do PT e da CUT para somar forças na ação direta pela liberdade de todos os presos políticos deste autocrático regime democrático-burguês. A classe operária mesmo não reconhecendo o PT como um partido seu, deverá saber diferenciar seus inimigos principais e seus possíveis aliados circunstanciais, que neste caso se materializa na militância de base do partido e da CUT. Somente a mobilização permanente, com os métodos revolucionários da ação direta do proletariado, será capaz de libertar todos os presos políticos das masmorras do Estado capitalista. Ilusões disseminadas na defesa de em um suposto “Estado de Direito” no quadro desta República dos novos “barões” do capital só servirá para o movimento de massas acumular mais derrotas e retrocessos como estes que estamos assistindo agora, por essa razão nosso eixo político deve ser “Não a prisão de Lula pela farsa da Lava Jato! Superar a política de colaboração de classes do PT!”.  

terça-feira, 11 de julho de 2017

ENQUANTO PSTU/CONLUTAS FAZIA "PRESSÃO" NO AEROPORTO DE BSB... O PT ENCENAVA O TEATRO NO SENADO PARA ENCOBRIR O SEU AVAL A REFORMA TRABALHISTA EM NOME DE UM GOVERNO LULA EM 2018


Enquanto os dirigentes do PSTU/CONLUTAS, como Paulo Barela, postavam nas redes sociais o "grande esforço" de praticarem lobby parlamentar no aeroporto de Brasília no dia da votação da Reforma Trabalhista, do outro lado da traição em um jogo de cena típico das novelas globais, as senadoras do PT e PCdoB fizeram um verdadeiro teatro para supostamente “barrar” no Senado o desmonte das conquistas operárias. Apesar de não organizarem nenhuma reação da classe operária ao ataque neoliberal a CLT, as representantes da CUT, PCdoB e do PT fizeram um verdadeiro “show” inócuo para protelar a aprovação de um ataque brutal aos trabalhadores. Ao final da encenação, como já havíamos denunciado, a reforma neoliberal foi aprovada por uma ampla margem de votos. Lula e a Frente Popular apenas encenam a “resistência” parlamentar enquanto de fato sabotam a ação direta nas ruas. Não por acaso desmarcaram a greve geral do dia 30 e “convocaram” apenas as patéticas mobilizações nos aeroportos, para fingir uma pressão parlamentar e fazer na verdade campanha eleitoral para Lula em 2018. De fato, o Senado concluiu, na noite desta terça-feira, 11, a votação da reforma trabalhista. Por 50 votos a 26, e uma abstenção, os senadores aprovaram o projeto de reforma trabalhista. Agora o PT e PCdoB vão dizer que “lutaram” contra o fim da CLT mas infelizmente a direita (PSDB, PMDB e aliados) impôs essa derrota, o que é uma “meia verdade” na medida em que não houve resistência de massas porque Lula deseja a aprovação do grosso do ajuste neoliberal antes de assumir a presidência da república (segundo o PT) após as eleições de 2018. Essa trama denunciada pela LBI foi avalizada por todo arco reformista, desde o PSOL, passando pelo MAIS e até mesmo o PSTU, que não denunciaram o teatro armado pelas senadoras da Frente Popular, inócuo do ponto de vista dos interesses dos trabalhadores. O revés de hoje dará mais fôlego para a burguesia aprofundar sua ofensiva contra os trabalhadores e organizar seu plano estratégico de manter Temer agonizando até costurar um acordo entre suas alas para através das eleições legitimar a ascensão ao Planalto de um “salvador da pátria”. De nossa parte defendemos a convocação de um Congresso Nacional dos trabalhadores para forjar um embrião de poder proletário por fora da institucionalidade burguesa e de seu circo eleitoral! Como Marxistas Revolucionários não patrocinamos ilusões eleitorais na Frente Popular e na candidatura Lula. Lutamos para a vanguarda romper com a política de colaboração de classes do PT e chamamos a construção de uma alternativa revolucionária ao conjunto do regime político burguês e suas apodrecidas instituições, combatendo vigorosamente o governo golpista de Temer, a direita reacionária e fascistoide mas sem capitular a política venal e covarde da Frente Popular, cujo objetivo é amortecer a luta de classes para um terreno que a burguesia domina: o circo eleitoral de 2018!

segunda-feira, 10 de julho de 2017

RELATÓRIO DA DENÚNCIA CONTRA TEMER NA CCJ DA CÂMARA: SÉRGIO ZVEITER INICIA A TRANSIÇÃO PARA O GOVERNO RODRIGO MAIA... BURGUESIA ENCONTRA ENFIM UM NOME ULTRANEOLIBERAL DE CONSENSO PARA POR FIM A “RESISTÊNCIA” DO GOLPISTA EM DEIXAR O PLANALTO


O parecer apresentado pelo deputado Sergio Zveiter (PMBD/RJ) apresentado hoje na CCJ da Câmara, totalmente desfavorável ao presidente Michel Temer, parece indicar um final para o teatro montado pela burguesia cujo roteiro mostrava uma "feroz resistência" do golpista em deixar o Palácio do Planalto, apesar da deliberação já tomada pela burguesia nacional de cambiar o governo provisório ainda herdeiro da chapa vitoriosa de Dilma em 2014. A morosidade em despachar Temer direto para uma cela da "República de Curitiba", não estava relacionada a suposta "brava resistência" de Temer que se agarrava desesperadamente a sua base fisiológica parlamentar, tampouco era produto de uma "divisão da burguesia" posto que o conjunto das frações capitalistas dominantes tinham acordado em interromper o mandato interino do golpista. O lento processo da burguesia em demitir Temer de sua "gerência de crise" está linkado ao impasse da aprovação integral das reformas neoliberais no Congresso Nacional e em segunda medida encontrar um nome de consenso plenamente comprometido com a pauta econômica exigida pelo capital financeiro. A "novela" caminha para o fim e o presidente da Câmara dos Deputados foi o ungido pelo imperialismo para concluir a transição do golpe parlamentar até a eleição de um duro governo bonapartista, sufragado pela fraude das urnas em 2018. A pá de cal colocada pelo "companheiro" Zveiter, nome de confiança do PMDB carioca e articulado com o próprio Rodrigo Maia, encerra o impasse aberto com as denúncias promovidas pela famiglia Marinho contra o bandido Temer, flagrado em operação meticulosamente preparada pela Globo. O PT que apoiou Maia para a eleição da Mesa da Câmara dos Deputados, é parte integrante desta "solução final", embora vá seguir com a demagogia das "Diretas Já" tentando engabelar ativistas tolos e ingênuos úteis da política profissional. Todo o arco político burguês e reformista espera com ansiedade pelas eleições de 2018, os acenos de FHC e Lula em defesa de eleições neste ano de 2017 não se sustentam na própria movimentação parlamentar de seus partidos no Congresso, o PSOL vai a reboque oportunista da Frente Popular contando com o apoio de seus satélites como o grupo MAIS. Na semana em que o governo Temer foi golpeado por seus aliados na Câmara dos Deputados, abrindo caminho para a aprovação da denúncia da PGR contra ele, o Palácio do Planalto e esses mesmos “aliados” aprovarão a famigerada Reforma Trabalhista no Senado, provavelmente nesta terça-feira, dia 11. Como isso é possível? Há um acordo entre todas as frações da classe dominante em aprovar pelo menos a reforma trabalhista antes do afastamento de Temer pelo Congresso, com a posterior ascensão de Rodrigo Maia (DEM) por 180 dias a Presidência da República. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na Câmara, homem ligado à Rede Globo, Sergio Sveiter, apresentou parecer favorável à autorização do processo contra Temer. Esse é o “script” que a burguesia e seus partidos tem para essa semana, tanto que FHC, Alckmin, Tasso e Cassio Cunha Lima já bateram o martelo: o PSDB fica com o cadáver insepulto até a aprovação do fim da CLT para depois apoiar o nome de Maia, que tentaria avançar na reformas previdenciária...Nesse quadro o PCdoB que apoiou o filhote do DEM para a presidência da Câmara, já chancela seu nome como declarou o governador Flávio Dino, cinicamente suplicando “O melhor caminho para o Brasil são eleições diretas para reconectar o sistema institucional com a soberania popular, como quer a Constituição. Mas caso tenhamos um novo governo indireto, como tudo indica, espero que a agenda seja outra: estabilidade e não ‘reformas’ equivocadas”. O PT por sua vez finge-se de morto para que seja aprovado logo o grosso do ajuste neoliberal...o que facilita ainda mais o caminho de Maia, apenas alguns parlamentares fazendo demagogia para a plateia como parte da campanha de Lula 2018. A Rede Globo liberou “seus” artistas para fazerem um movimento pela investigação e afastamento de Temer. Pressionam para que 342 parlamentares digam “sim” na votação da primeira denúncia que pode ocorrer no final da semana que vem, toda essa transição ocorrendo por dentro das apodrecidas instituições do regime burguês. Como se observa trata-se de um espetáculo onde a classe operária não foi convidada a se apresentar. Tanto que a CUT e a Frente Brasil Popular estão convocando apenas pequenos atos para pressionar os parlamentares como descreve o domesticado PSTU “Precisamos reunir forças para realizar grandes protestos nos dias 11 e 12 de julho. Na terça-feira (11) haverá o envio de representações sindicais e do movimento popular para Brasília (DF). Essa é uma atividade importante e necessária. Ocorrerá ato na chegada dos parlamentares no aeroporto e também no Senado. Precisamos de um forte dia de luta na capital federal”. Por sua vez o MTST e o PSOL através da Frente Povo Sem Medo convocaram uma manifestação para hoje na capital paulista...e nada mais!!! A CUT é ainda mais cínica já fazendo campanha eleitoral: “Um governo que não foi eleito e está envolvido em inúmeros escândalos de corrupção quer retirar nossos direitos que foram duramente conquistados. Centrais e sindicatos preparam manifestações, em Brasília, para o dia da votação. Na segunda-feira, haverá concentração no Aeroporto Juscelino Kubitschek para pressionar parlamentares a votar contra o projeto. Os trabalhadores e trabalhadoras não se esquecerão dessa traição. Os sindicatos e movimentos sociais, em todos os estados, estamparão nas ruas e nas redes sociais a cara desses assassinos de direitos para que sejam riscados do cenário político nacional”. Trata-se de uma piada de mal gosto. De nossa parte caracterizamos que com o fiasco do dia 30.06 a classe dominante está mais fortalecida para encontrar uma saída por cima, via um pacto das elites, com o aval da Frente Popular. O revés do “dia nacional sem-luta” deu mais fôlego para a burguesia aprofundar sua ofensiva contra os trabalhadores e organizar seu plano estratégico de manter Temer agonizando até costurar um acordo entre suas alas para através das eleições legitimar a ascensão ao Planalto de um “Salvador da Pátria” usando Maia como uma “nova pinguela” para essa travessia reacionária como defende FHC. A LBI em luta contra essa saída burguesa defende a convocação de um Congresso Nacional dos trabalhadores para forjar um embrião de poder proletário por fora da institucionalidade burguesa e de seu circo eleitoral! Para os Marxistas Leninistas a tarefa colocada como centro de agitação de massas é a denúncia do regime da democracia dos ricos e suas “alternativas” institucionais como “Constituinte ou Diretas”. O proletariado deve erguer sua própria plataforma programática diante da crise capitalista: “Socialismo ou Barbárie”.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

HÁ 03 ANOS A SELEÇÃO BRASILEIRA PERDIA POR 7 A 1 NA COPA DO MUNDO: UMA DERROTA HUMILHANTE QUE PAVIMENTOU A OFENSIVA REACIONÁRIA DA DIREITA CONTRA O GOVERNO DO PT FORA DOS CAMPOS DE FUTEBOL


Reproduzimos o artigo do BLOG da LBI elaborado no dia da derrota histórica da Seleção Brasileira para o time da Alemanha por 7 a 1, há exatos 3 anos. Nesse texto pontuamos as importantes consequências na arena política do resultado desastroso dentro de campo. Esse se constituiu em um verdadeiro “start” para a ofensiva da direita reacionária contra o governo Dilma, na época um elemento decisivo para disciplinar ainda mais a Frente Popular na direção do capital financieiro no novo mandato que seria conquistado poucos meses depois com a reeleição da gerentona petista. A Frente Popular acabou garantindo seu quarto mandado consecutivo por uma pequena margem de votos contra a direita (PSDB) mas logo a crise política detonada com o vexame da Copa do Mundo se acumulou com a frustração popular pela adoção de um agressivo programa neoliberal em 2015 comandado pelo capacho dos rentistas Joaquim Levy escolhido para o Ministério da Fazendo por Dilma, minando ainda mais a base eleitoral e política da Frente Popular, gerando uma conjuntura que selou sua queda dois anos depois do mundial de futebol. Naquele momento alertamos que para os interesses da Casa Branca no país era totalmente descartado que a FIFA entregasse o “Caneco” à seleção brasileira pela necessidade de colocar o novo governo Dilma acuado “nas cordas” preparando a transição para um governo da direita ortodoxa “pró-ianque” em 2018. Foi o que se viu nos anos subsequentes, cujo ápice foi o próprio afastamento da Frente Popular do Planalto em 2016, em um golpe parlamentar orquestrado pela Rede Globo e o imperialismo ianque diante da incapacidade do governo Dilma aplicar integralmente o ajuste neoliberal exigido pela banca financeira. Vale destacar que a “farra” bilionária da Copa serviu para o PT irrigar o cofre das grandes empreiteiras com o dinheiro do Tesouro Nacional, o que garantiu o apoio decisivo desse setor da classe dominante para chancelar um quarto mandato seguido da Frente Popular, além de revelar o caráter repressor do governo petista com a aprovação da Lei Antiterorrista para perseguir as organizações de esquerda, com o aparato repressivo atacando duramente as manifestações contra a Copa. Registre-se que a “Operação Lava Jato” teve início na véspera do mundial de futebol (março de 2014), montada para preparar a transição política reacionária que hoje está em curso no Brasil para desmoralizar o conjunto do tecido político burguês do país, como se vê com a atual sangria do canalha golpista Temer, escolhido na época como vice da chapa presidencial de Dilma. Naquele momento, em meio a Copa do Mundo, a LBI pontuou que o Juiz Moro tinha sido escolhido pelo Departamento de Estado ianque para operar essa mudança rumo a um governo da direita ortodoxa “pró-ianque” em 2018. Sem sombra de dúvidas, o desastre dentro de campo provocado pela derrota histórica de 7 a 1 para a Alemanha há três anos atrás catapultou a sanha do NeoBonapatista do “Salvador da Pátria” Moro que vemos em nossos dias...

7 A 1: DILMA EM “ALERTA VERMELHO” AO MESMO TEMPO EM QUE AS HIENAS DA DIREITA SALIVAM PARA “FATURAR” POLITICAMENTE EM CIMA DA HUMILHANTE DERROTA
(BLOG DA LBI, 8 DE JULHO DE 2014)

A acachapante vitória da seleção alemã sobre um atônito Brasil nesta tarde de 8 de julho com certeza entrará para a história do futebol mundial, mas também terá desdobramentos na arena política nacional por mais que os principais protagonistas da “Copa da eleição” tentem negar. Mal terminava o primeiro tempo da partida, com a vitória já previamente selada da Alemanha, a principal questão que se debatia nas chamadas “redes sociais” da internet não era futebolística e sim política. Qual seria o impacto da humilhante derrota brasileira sofrida no gramado nas próximas eleições presidenciais, ou mesmo se as “Jornadas de Junho” retomariam com toda a força após o término da Copa sem a “Taça”. Para responder corretamente estas questões, em primeiro lugar teríamos que separar os verdadeiros fatores táticos da derrota em campo da seleção, para depois tentar estabelecer uma “ponte” entre o desastroso resultado esportivo e a conjuntura que se abre no país com o “apito” inicial da corrida eleitoral. A elástica goleada sofrida hoje não foi produto de uma “fatalidade” ou mesmo dos desfalques de Neymar e Thiago Silva, sem dúvida dois nomes importantes no elenco “canarinho”, o vexame de hoje é a consequência de todo um planejamento “criminoso” da comissão técnica da CBF, privilegiando a convocação de jogadores medíocres “bancados” por corporações capitalistas (em sua maioria estrangeiras) e de uma formação tática completamente equivocada em campo. O caso emblemático do nosso ineficaz centroavante Fred, patrocinado pela UNIMED, revela o horizonte tacanho que visualizava Felipão e sua “turma”. Aliás, nosso treinador muito mais se preocupou em fechar contratos de publicidade do que preparar tecnicamente a seleção brasileira. De fato, antes da Copa, Felipão só “contabilizou” menos do que o jogador Neymar, realizou comerciais para as empresas Gillette, Sadia, Vivo, Ambev, Peugeot e Walmart. Em março deste ano, três meses antes da Copa, ele apareceu em 318 inserções de comerciais na mídia televisiva. A tentativa de tentar transferir totalmente o ônus da derrota da seleção para a conta política do governo Dilma é oportunista, apesar da presidente ter sua parcela de responsabilidade ao prestigiar a máfia dirigente da CBF, inclusive com a destinação de “generosas” fatias do orçamento “público” estatal para uma entidade privada. Sejamos sinceros se a fragorosa derrota da seleção não servirá para criar uma onda de ufanismo patrioteiro no país, como em 70, também não poderá ser utilizada pela direita tucanalha pelo simples fato de que o grande “desastre” da Copa (tão esperado pelo PIG) só ocorreu dentro das quatro linhas do gramado.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

DOZE ANOS SEM PIERRE BROUÉ: QUANDO O REVISIONISMO ANIQUILA A VIDA REVOLUCIONÁRIA


No próximo dia 26 de julho completa-se 12 anos da morte de Pierre Broué (Privas, França, 8 de maio de 1926 – Grenoble, França, 26 de julho de 2005), historiador francês, histórico dirigente trotskista. Broué iniciou sua militância política no final da Segunda Guerra Mundial, combatendo a ocupação nazista a seu país. Pela larga influência do partido comunista no interior dos “partisans”, Broué ingressa nas fileiras do stalinismo para logo depois romper e aderir ao trotskismo pelas mãos de Pierre Lambert, em cuja corrente permaneceu por quarenta e cinco anos, até o início dos anos 90, quando abandonou formalmente o trotskismo. Conhecido mundialmente por importantes investigações históricas (arquivos de Leon Trotsky), foi editor dos “Cahiers Leon Trotsky” e autor de livros como a “História do Partido Bolchevique”. Junto ao inglês Alex Callinicos e o argentino Osvaldo Coggiola, era um dos historiadores marxistas mais respeitados na intelectualidade de esquerda militante. Mas ao contrário dos que pretendem apresentar Broué como um “notável acadêmico”, como é o caso do revisionista PTS argentino, sua projeção internacional está diretamente ligada ao papel dirigente que jogou no interior da corrente internacional lambertista. A ex-OCI, hoje uma decadente paródia denominada de “Parti des Travailleurs” na França, teve um lugar fundamental no combate ao liquidacionismo pablista, levando à divisão da IV Internacional e, posteriormente, à sua pulverização crônica. No bojo do Comitê Internacional, fundado em 1953, os dirigentes da OCI como Pierre Broué e Stéphane Just travaram uma luta principista contra os desvios do healysmo (SWP inglês), em particular suas caracterizações ultra sectárias acerca do caráter do Estado cubano, que consideravam capitalista, mesmo após as expropriações realizadas pelo PC cubano sob a liderança de Fidel Castro.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

BLOG DA LBI ULTRAPASSA 1,5 MILHÕES DE ACESSOS: 06 ANOS DE LUTA POLÍTICA E IDEOLÓGICA EM DEFESA DO MARXISMO LENINISMO, UMA TRINCHEIRA MILITANTE DIÁRIA NA CONSTRUÇÃO DO PARTIDO REVOLUCIONÁRIO!

terça-feira, 4 de julho de 2017

100 ANOS DAS “JORNADAS DE JULHO” QUE PRECEDERAM A TOMADA DO PODER EM OUTUBRO: O PARTIDO BOLCHEVIQUE ORGANIZA UM "RECUO TÁTICO" COM O OBJETIVO DE PREPARAR AS CONDIÇÕES POLÍTICAS PARA A VITÓRIA FINAL DA REVOLUÇÃO PROLETÁRIA

Publicamos o vivo e ardente artigo de Trotsky extraído do Livro “História da Revolução Russa” analisando detalhadamente como foram as “Jornadas de Julho” de 1917, que completam 100 anos neste mês. Nos dias 3 a 5 de julho, milhares de operários e soldados realizaram espontaneamente manifestações armadas que o Partido Bolchevique considerou prematuras. O partido interveio, organizando uma retirada ordenada, evitando assim, a derrota das massas como resultado de um assalto precoce ao poder, que à época limitar-se-ia à “Comuna” de Petrogrado, preservando a revolução do isolamento e dos erros que levaram ao estrangulamento da Comuna de Paris. As Jornadas de Julho russas terminaram com uma derrota para o Partido Bolchevique "no sentido formal do termo" como assinalou Trotsky. Muitos militantes foram presos, o jornal do partido foi fechado, o soviete, reduzido a impotência, as tipografias operárias, saqueadas, as sedes das organizações operárias, invadidas por bandos paramilitares da extrema-direita. Lenin e Zinoviev tiveram que esconder-se. Em Petrogrado ocorreu o mesmo que ocorreria um ano e meio depois em Berlim. Mas também nas jornadas de julho os revolucionários puderam medir as suas forças e a do inimigo, puseram em evidência para amplas massas proletárias que o governo provisório estava a serviço dos capitalistas e da contra-revolução! Após as "Jornadas de julho", o governo Kerensky desencadeou as perseguições aos bolcheviques. Trotsky, Kamenev e outros são detidos, mas a maioria dos militantes, portando documentação falsa, volta à clandestinidade em que se encontrava até fevereiro. Lênin foi acusado de estar a serviço do governo alemão e o Comitê Central do Partido Bolchevique decide preservá-lo, escondendo-o na Finlândia, onde ficará até início de outubro. O líder bolchevique sabia de sua importância vital para o partido, não podia deixar-se cair nas mãos da repressão. Neste momento, Lênin avalia que: "'Todo poder aos sovietes!' era palavra-de-ordem de desenvolvimento pacífico da revolução, que de 27 de fevereiro até 4 de julho foi possível e, como é natural, o mais desejável a todos, porém hoje já é absolutamente impossível" (A respeito das palavras-de-ordem). Após a reação subseqüente às Jornadas de Julho, manter esta palavra-de-ordem "significaria enganar o povo" (idem). Não seriam os sovietes dirigidos por partidos que conspiravam contra a revolução proletária e conciliavam com a burguesia que tomariam o poder. Para isto, era preciso derrotar os mencheviques e os SR´s nos Sovietes e fortalecer as milícias armadas, construindo na fusão destes organismos um Estado maior da Revolução sob direção bolchevique. Na Finlândia, traçou o plano de assalto ao poder estatal para realizar imediatamente a revolução, estudando como estabelecer a ditadura do proletariado e qual seria a estrutura que viria a ter o futuro Estado operário. Escreveu, então, "O Estado e a Revolução". Baseado nas observações de Engels, Lênin concluía que o Estado é um órgão de dominação e opressão de uma classe sobre outra, constituído, antes de tudo, de destacamentos de homens armados com certos suplementos materiais, como, por exemplo, os cárceres. Expunha assim, a essência da questão do Estado que separaria definitivamente os revolucionários dos reformistas abrindo caminho político e teórico para a vitória da Revolução Proletária em Outubro de 1917.


OS BOLCHEVIQUES PODIAM TOMAR O PODER EM JULHO? 
(Léon Trotsky, História da Revolução Russa)

Proibida pelo governo e pelo comité executivo, a manifestação teve um carácter grandioso; na segunda jornada, ela contou pelo menos quinhentas mil pessoas. Sokhanov, que não encontra bastantes palavras para condenar «o sangue e a lama» das jornadas de Julho, escreve portanto: «independentemente dos resultados políticos, só se podia considerar com admiração esse espantoso movimento das massas populares. Não se podiam, mesmo julgando nefasto, entusiasmar diante da amplitude gigantesca dos elementos desencadeados.» Segundo os cálculos da comissão de inquérito, houve vinte e nove mortos, cento e quatorze feridos, aproximadamente a igualdade dum lado e de outro.

Que o movimento tenha começado a partir de baixo, independentemente dos bolcheviques, numa certa medida contra eles, foi, nas primeiras horas, confessado pelos próprios conciliadores. Mas já pela noite do 3 de Julho, e mais particularmente no dia seguinte, a apreciação oficial modificou-se. Declarou-se que o movimento é uma insurreição onde os bolcheviques são os organizadores. «Sob a palavra de ordem: «Todo o poder aos sovietes» — escrevia logo Stankevitch, próximo de Kerensky — produzia-se formalmente uma insurreição dos bolcheviques contra a maioria soviética de então, composta dos partidos da defesa nacional.» A acusação de ter fomentado um levantamento não é somente um procedimento de luta política: essa gente, no corrente de Junho, convencera-se demasiado da força da influência dos bolcheviques sobre as massas e, agora, recusavam simplesmente em acreditar que o movimento dos operários e dos soldados tivesse podido cair sobre a cabeça dos bolcheviques. Trotsky tentou dar uma explicação na sessão do comité executivo: «Acusam-nos de criar a opinião das massas; não é verdade, tentamos somente formulá-la.»

segunda-feira, 3 de julho de 2017

HÁ 55 ANOS A ARGÉLIA DECLARAVA SUA INDEPENDÊNCIA DO JULGO COLONIALISTA FRANCÊS: VITÓRIA DA RESISTÊNCIA NA GUERRA PELA LIBERTAÇÃO NACIONAL ENQUANTO O PCF E PS APOIAVAM O “SEU” IMPERIALISMO

“O movimento revolucionário nos países avançados na verdade seria uma fraude completa, se em sua luta contra o capital, os trabalhadores da Europa e da América não estivessem intimamente e completamente unidos com as centenas de centenas de milhões de escravos coloniais que são oprimidos pelo capital” 
(V.I Lenin, no Segundo Congresso da IC)


Em 3 de julho de 1962, a Argélia proclama sua independência nacional após 132 anos de colonização francesa, que teve início em 14 de junho de 1830 com o desembarque de forças francesas na costa de Sidi Fredj. Depois da assinatura dos Acordos de Evian em 18 de março de 1962 e a declaração de cessar-fogo no dia seguinte, foram necessários 4 meses para que a Argélia conquistasse totalmente sua independência. A Guerra de Independência ou de Libertação Nacional (descrita no clássico filme de Gillo Potencorvo, "A Batalha de Argel" reproduzido abaixo) foi um conflito que se estendeu de 1954 a 1962. Os primeiros disparos foram ouvidos na noite de 31 de outubro para 1º de novembro de 1954. Jovens argelinos, integrantes da até então desconhecida FLN (Frente de Libertação Nacional), iniciavam assim a luta para acabar com o domínio francês, que começara através da invasão do norte da África em julho de 1830, consolidando-se nos 17 anos seguintes. Num panfleto, os rebeldes conclamavam à criação de um Estado independente na Argélia, cujo sistema social deveria ser uma mescla de social-democracia e islamismo e que garantisse também direitos iguais a todos os cidadãos. Sempre existira insatisfação popular quanto ao domínio francês na Argélia, pois uma minoria europeia imperava sobre a maioria do povo argelino, constituído de árabes e berberes. No decorrer dos anos, os franceses começaram a tratar a colônia norte-africana como se fosse uma parte do território da França e os argelinos, como estrangeiros no próprio país. A resistência começou a aparecer paulatina e cautelosamente. Um primeiro sinal de alarme para os franceses ocorreu em 1950, com um assalto ao correio central de Oran, comandado por Ahmed Ben Bella. O líder rebelde argelino tinha servido no Exército francês durante a Segunda Guerra Mundial, como muitos dos seus compatriotas, tendo sido altamente condecorado pelas suas ações nos campos de batalha da Itália. Ben Bella transformou-se na figura símbolo da luta argelina de libertação e foi, posteriormente, o primeiro chefe de governo da Argélia independente. Inicialmente, porém, a repressão francesa da rebelião ficava a cada dia mais cruel. Depois dos primeiros disparos de 31 de outubro de 1954, milhares de argelinos foram presos. Mas todas as manifestações antifrancesas eram punidas com extremo rigor. Com isto, o ódio dos argelinos tornou-se sempre mais profundo, chegando ao auge quando o Exército francês na Argélia foi reforçado com 500 mil homens. Isto – e a pressão da FLN sobre muçulmanos hesitantes – consolidou a frente da rebelião. A situação ficou ainda mais tensa quando a Tunísia e o Marrocos conquistaram a independência, mas a França continuava enviando os líderes argelinos para a prisão. Os colonizadores rebelaram-se duas vezes, mas acabaram não podendo impedir que ocorresse aquilo que temiam, a libertação da Argélia, quando o movimento de resistência vitoriosa derrotou militarmente o exército francês, que deixou o país, quando logo depois De Gaulle acordou a realização de um "plebiscito" para dar aparência democrática a retumbante derrota do imperialismo francês na Argélia

domingo, 2 de julho de 2017

ATENTADO EM DAMASCO ORGANIZADO PELO MOSSAD: TODO APOIO AS FORÇAS ANTISSIONISTAS QUE COMBATEM NA GUERRA CIVIL DA SÍRIA NO CAMPO DA RESISTÊNCIA ÁRABE


Ocorreu na manhã deste domingo (02.06) um atentado terrorista no centro de Damasco (Praça Tahrir) que matou mais de uma dezena de civis e militares. O operativo terrorista, patrocinado pelo Mossad, que ocorreu no primeiro dia útil após os feriados do Ramadã, teria como objetivo criar um clima de pânico na Síria, após a derrota dos grupos "rebeldes" vinculados ao imperialismo ianque. A guerra civil que devastou parte do país durante os últimos 6 anos está prestes de ser vencida pelo regime nacionalista burguês de Bashar al Assad, provocando o desespero de Israel e seus aliados na região, como o ISIS. Os Marxistas Revolucionários prestam irrestrita solidariedade às vítimas do covarde atentado terrorista, assim como reafirmam a necessidade do estabelecimento da frente única de ação com todas as forças antissionistas e anti-imperialistas do Oriente Médio, em defesa do povo palestino e dos povos que enfrentam a assassina máquina de guerra israelense! Para derrotar a ofensiva política e militar das potências como os EUA e Israel de seus aliados internos como o ISIS é preciso que o proletariado sírio em aliança com seus irmãos de classe do Oriente Médio se levante em luta contra a investida imperialista na região, travestida pela retórica de defesa dos “direitos humanos e democracia”. Neste momento, é fundamental estabelecer uma clara frente única anti-imperialista com as forças populares que apoiam o regime nacionalista burguês sírio assim como com o Hezbollah para derrotar a ofensiva da OTAN sobre o país. A Síria só pode contar mesmo com o apoio militar decidido do Irã e das heroicas guerrilhas do Hezbollah (Líbano) contra a invasão de seu território, ou mesmo, como está ocorrendo agora com o recrudescimento da uma guerra civil financiada por Israel e os EUA. O proletariado mundial tem um campo político bem delimitado neste conflito: do lado dos combatentes palestinos e libaneses que já organizam brigadas internacionais em solidariedade ao regime nacionalista da oligarquia Assad. Os próprios combatentes palestinos, que já lutaram no passado o regime burguês sírio, sabem muito bem que Assad deposto por forças pró-sionistas, como esta falsa oposição “democrática”, significa uma vitória para Israel e um tremendo reforço na marcha imperialista para atacar o Irã, com um “corredor” aberto na Síria. Os genuínos trotskistas não têm dúvidas de que lado ficar em um conflito desta dimensão. Estamos literalmente em meio a uma guerra civil onde a CIA, o Mossad e o Pentágono armam os mercenários e com a ajuda da OTAN pretendem derrubar o governo nacionalista decadente de Assad! Os revolucionários estão pela defesa incondicional da nação oprimida e por sua vitória militar contra o imperialismo e seus agentes armados em meio a guerra civil em curso! Sem depositar nenhuma confiança política no regime Assad, os Marxistas Leninistas lutam ombro a ombro, na mesma trincheira militar, com todas as forças que se proponham a derrotar os mercenários “livres” pró-sionistas, a serviço da OTAN. Vencido o imperialismo, o sionismo e seus serviçais, com as massas em ascenso por sua vitória, trataremos de acertar as contas com o decadente regime burguês de Assad. Desta forma estamos honrando no terreno vivo da luta de classes as lições de Trotsky e seu combate programático pela reconstrução da Quarta Internacional, sabendo distinguir os nossos inimigos de classe por trás de qualquer máscara “democrática” que eles utilizem e não se aliando a esta corja de bandidos como faz todo o arco revisionista canalha. O atentado desferido hoje em Damasco comprova fatalmente mais uma vez o que afirmamos, cabendo ao proletariado mundial dar uma resposta política e militar a altura da bestial ação do imperialismo, Israel e seus sócios!