ENQUANTO LIVRA A CARA DE RICHA NO PARANÁ, PF ENDURECE O
CERCO CONTRA PIMENTEL CUMPRINDO "VENDETA" DE AÉCIO. AFINAL QUEM É QUE
CONTROLA A PF NO BRASIL, TUCANOS OU O GOVERNO DILMA?
A eleição do petista Fernando Pimentel ainda no primeiro
turno para o estratégico governo de Minas foi sem sombra de dúvida o maior
ganho político do PT nas eleições do ano passado, posto que a própria vitória
apertada de Dilma parece representar um cadafalso para o partido. Minas Gerais
concedeu uma margem de mais de quinhentos mil votos para a candidatura
presidencial do PT sobre o ex-governador tucano Aécio Neves, que controlava o
estado há 12 anos, determinando decisivamente desta forma para a derrota do
PSDB na disputa pelo Planalto. Hoje o governo de Minas é a âncora institucional
mais consistente para a estabilidade do governo Dilma e para o próprio PT,
diante dos fiascos eleitorais em outros estados importantes (RJ, SP, RGS) e
também da extrema debilidade parlamentar no Congresso Nacional. Porém a
ofensiva da oposição conservadora não deixaria incólume este suporte político
para o PT, ainda mais quando resolveu centrar fogo em LULA e na criminalização
dos dirigentes do partido deixando para trás a tática do impeachment de Dilma,
pelo menos até as próximas eleições municipais quando aferirão o grau de
comprometimento do governo em levar à frente os planos de arrocho e ajuste
contra a classe trabalhadora. Com esta orientação explícita a Polícia Federal
deflagrou a segunda fase da chamada "Operação Acrônimo", após a
tentativa frustrada no TSE em abrir diretamente um processo de impugnação da
vitória de Pimentel. Colada na nova fase midiática da "Lava Jato",
onde o juiz Moro mandou prender os presidentes das duas maiores empreiteiras do
país, a Acrônimo não conta em Minas Gerais com um "herói" no
judiciário ou mesmo no Ministério Público, por isso a iniciativa está
concentrada na alta cúpula da Polícia Federal. Tudo leva a crer que Aécio Neves
comanda pessoalmente todos os passos da Acrônimo, desde a apreensão de uma
aeronave que pousava em Brasília no final do ano passado com tripulantes da
equipe de Pimentel (onde foi aprendida uma quantia de cerca de cem mil Reais)
até a espionagem na sede da produtora da esposa do governador, que esteve à
serviço de sua campanha eleitoral. A denúncia da PF consiste no fato da
produtora de comunicação Oli, cuja proprietária é Carolina Pimentel, ter
recebido um repasse financeiro da empresa Pepper que mantém um contrato de
prestação de serviços ao BNDES. Agora a PF conseguiu uma autorização
diretamente concedida pelo STJ para levar à frente à tal investigação, embora a
corte superior tenha imposto limites a sua atuação contra Pimentel. Como
Marxistas temos pleno conhecimento que todas as grandes "agências de
publicidade" em épocas eleitorais movimentam valores vultuosos,
completamente irreais para os padrões de um país como o nosso, os partidos
burgueses utilizam as bilionárias prestações de contas destas agências para o
"caixa dois" das campanhas e a posterior lavagem de dinheiro para os
candidatos eleitos. Em Minas, como em todo o Brasil sem nenhuma exceção,
aconteceu exatamente o que vem ocorrendo desde o surgimento da "Nova
República”, campanhas bilionárias e "magnatas" da publicidade
comandando o espetáculo eleitoral. A questão a ser respondida é porque só
acontece "investigação" policial onde ganha o PT, por acaso os
governadores tucanos eleitos não derramaram rios de dinheiro em suas produtoras
de comunicação? O caso do Paraná é bem sintomático, Richa foi reeleito em um
escandaloso esquema de lavagem de dinheiro que sequer buscou qualquer tipo de
disfarce, mas nem Moro e tampouco a PF estão dispostas a investigar nada. Como
a PF em sua operação Acrônico tem por objetivo único cassar o PT em Minas,
também não está muito preocupada com a ação dos amigos de Aécio, no caso do
"helicóptero do pó". Não podemos conceder nenhum "atestado
político de idoneidade" as milionárias campanhas burguesas do PT, em particular
no estado de Minas onde esteve coligado com a máfia do PMDB, mas nem por isso
podemos nos perfilar com a ofensiva da direita reacionária calçada nas
entranhas do próprio aparelho de Estado herdado da ditadura militar. Muito
longe de uma campanha "moralizadora" da máquina estatal, Lava jato e
Acrônimo servem a interesses das oligarquias vinculadas ao imperialismo e
alojadas no Brasil no interior do PSDB. O que chama a atenção nesta ofensiva de
"caça às bruxas" contra o PT é que institucionalmente a PF está sob o
controle do Ministério da Justiça, ocupado pelo petista José Eduardo Cardozo,
integrante de uma das alas de esquerda do partido. Com a covardia e inércia do
governo Dilma, os organismos estatais de repressão vem aumentando a escalada de
ataques ao conjunto da esquerda e movimentos sociais. É totalmente equivocado a
conduta política de setores da esquerda revisionista proclamar a justa luta
contra o ajuste e desmonte do Estado e ao mesmo tempo avalizar a ofensiva
reacionária (com a maquiagem do combate à corrupção) institucional contra a
esquerda burguesa, que acaba se voltando ao conjunto do movimento de massas.
Da mesma forma que o juiz Moro, que sentiu-se amplamente amparado pela venal mídia corporativa em sua empreitada contra os interesses do país via a operação Lava Jato, a alta cúpula da PF seguindo as ordens de Aécio Neves parece ter constatado que o próprio Ministro da Justiça, o petista Eduardo Cardozo, não lhe impõe nenhum limite contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, como vemos na operação Acrônimo. Eduardo "Soneca" perdeu o controle institucional do principal órgão de sua pasta, a Polícia Federal. Neste quadro de instabilidade do "Estado de Direito", elemento básico de qualquer regime democrático burguês, onde a oposição direitista Tucana dirige de fato a PF e parte do Ministério Público, o PT vive dias de profunda apreensão política. Cardozo tem sido criticado por setores do próprio PT por não controlar alas tucanas da corporação. Na Lava Jato, delegados que fizeram campanha para o senador tucano na disputa presidencial prosseguem na caçada ao PT e ao ex-presidente Lula. Mas a cínica orientação “republicana” de “Soneca” em deixar a PF caçar os dirigentes do PT e até um governador de estado eleito pelo partido parece ter o aval da própria Dilma que não abriu a boca para sequer reclamar da ação midiática da polícia que deveria comandar e que beneficia diretamente Aécio e os tucanos, enquanto Beto Richa no Paraná está completamente blindado pelo MP e a PF!
Da mesma forma que o juiz Moro, que sentiu-se amplamente amparado pela venal mídia corporativa em sua empreitada contra os interesses do país via a operação Lava Jato, a alta cúpula da PF seguindo as ordens de Aécio Neves parece ter constatado que o próprio Ministro da Justiça, o petista Eduardo Cardozo, não lhe impõe nenhum limite contra o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, como vemos na operação Acrônimo. Eduardo "Soneca" perdeu o controle institucional do principal órgão de sua pasta, a Polícia Federal. Neste quadro de instabilidade do "Estado de Direito", elemento básico de qualquer regime democrático burguês, onde a oposição direitista Tucana dirige de fato a PF e parte do Ministério Público, o PT vive dias de profunda apreensão política. Cardozo tem sido criticado por setores do próprio PT por não controlar alas tucanas da corporação. Na Lava Jato, delegados que fizeram campanha para o senador tucano na disputa presidencial prosseguem na caçada ao PT e ao ex-presidente Lula. Mas a cínica orientação “republicana” de “Soneca” em deixar a PF caçar os dirigentes do PT e até um governador de estado eleito pelo partido parece ter o aval da própria Dilma que não abriu a boca para sequer reclamar da ação midiática da polícia que deveria comandar e que beneficia diretamente Aécio e os tucanos, enquanto Beto Richa no Paraná está completamente blindado pelo MP e a PF!
A ação da PF dirigida contra Pimentel é tão escandalosa que
as operações de busca e apreensão, assim com as prisões são acompanhas AO VIVO
pela Rede Globo e a Folha de SP, ou seja, estes meios de comunicação são
avisados previamente pela cúpula da PF em tese comandada por Cardozo! Somente
para ilustrar lembremos que em 7 de outubro de 2014, logo após a vitória de
Fernando Pimentel sobre o PSDB, duas denúncias “anônimas” chegaram à Polícia
Federal em Brasília. Falavam sobre a chegada de um avião turbo-hélice —
identificado apenas pelo prefixo — com pouso previsto para o fim da tarde no
Aeroporto JK, em Brasília. Como o país inteiro ficaria sabendo naquela mesma
noite pelo Jornal Nacional, havia uma câmara da Rede Globo no aeroporto, pronta
para gravar uma cena que seria exibida em sequência dramática nos telejornais,
um pouco mais tarde. Foi possível mostrar a chegada de uma perua negra com
letras douradas da Polícia Federal ao hangar indicado. Também foi possível
mostrar a hora que seu ocupante, o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira
Neto, e outros dois acompanhantes saíam do avião. Todos foram revistados pela
polícia, que encontrou R$ 116 mil. A Folha de S. Paulo também exibiu uma
fotografia tirada em Belo Horizonte, no momento em que o próprio Benedito sobe
a escada antes da decolagem. Dias depois da operação no aeroporto, os policiais
foram atrás dos endereços do empresário e receberam, na portaria do edifício de
um deles, uma informação errada. A de que o local indicado não era usado por
Benedito, mas pela empresa Oli, pessoa jurídica até então desconhecida. Os
policiais foram atrás dos dados da empresa, descobrindo que pertencia a
Carolina, esposa de Pimentel. Esse mesmo circo midiático foi usado contra
Vaccari, tesoureiro do PT quando de sua “condução coercitiva” totalmente ilegal
na Operação Lava Jato, que continua preso sem qualquer necessidade. Mais uma
vez é de se perguntar: Por que em pleno governo Dilma a PF só prende e persegue
os quadros petistas, afinal de contas quem a controla são os tucanos ou a “gerentona”
petista?
Combater o embuste das operações Lava Jato e Acrônimo
representa neste momento unificar na mesma pauta programática a luta contra a
ofensiva neoliberal deferida por Dilma-Levy que pretende subtrair nossos
direitos sociais e políticos, tarefa que deve ser combinada com a defesa
incondicional de todos os militantes políticos da esquerda que se postam no
campo nacional, democrático e popular, como Lula. Em meio a este sanha
reacionária, PSOL e PSTU tendem a agir como como linha auxiliar da direita
“sonhando” que desta crise política com o PT e Lula tirem futuramente algum
dividendo eleitoral. Esses cretinos de “esquerda” negam-se a compreender que
estamos vendo uma ofensiva “moralizadora” contra Lula, Pimentel e o PT não
porque eles fizeram negociatas que beneficiaram empresas e grupos capitalistas,
“degenerando-se”. Pelo contrário, a classe dominante prepara justamente o
descarte de seus “intermediários” da frente popular e de sua política de
colaboração de classes para entronar no Planalto um governo de corte bem mais
conservador, encabeçado por figuras nefastas como Moro, Alckmin, Joaquim
Barbosa, Marina... como exige o imperialismo em função do andar da crise
financeira internacional. Para o proletariado, que acompanha passivo e como
mero espectador a fratricida disputa burguesa exposta na TV e nos jornais, é
necessário tirar as lições desta guerra de quadrilhas burguesas. Longe de
apoiar a sanha reacionária contra seus serviçais petistas, o ativismo classista
deve construir nos locais de trabalho e estudo a resistência operária e popular
aos ataques neoliberais em curso, denunciando a covardia do PT em atacar os
trabalhadores e não enfrentar o tucanato. A superação da frente popular passa
necessariamente por construir uma alternativa revolucionária e classista que
desde já denuncie abertamente a atual sanha reacionária orquestrada pela mídia
murdochiana e a direita reacionária e não o contrário como vergonhosamente vem
fazendo a “oposição de esquerda” desde o chamado Mensalão e repetem esta
conduta na Lava Jato contra o tesoureiro do PT, João Vaccari e na Acrônimo
contra o governador petista, Fernando Pimentel.