segunda-feira, 29 de maio de 2017

ESTADO DE SÍTIO NA CAPITAL DO PAÍS E O “EXÉRCITO BRANCALEONE” DO “FORA TEMER”: BRUTAL REPRESSÃO NO “OCUPA BRASÍLIA” MAS NENHUMA PALAVRA DE ORDEM DOS REVISIONISTAS PARA DEFENDER A ESTRATÉGIA DA AUTODEFESA OPERÁRIA E REVOLUCIONÁRIA DAS MASSAS! PARA O MRT BASTA TER “ÓDIO CONTRA OS REPRESSORES”...


Passado quase uma semana do “Ocupe Brasília” (24.05) ainda povoam nas redes sociais (principalmente no Facebook) e nos sites de grupos revisionistas como MAIS, MRT e PSTU fotos de seus militantes e dirigentes usando máscaras antigás e escudos de madeira para se proteger da ação da PM na capital federal. Em várias postagens se veem expressões como “Viva o nosso Exército Vermelho!”, “Somos os soldados revolucionários do Fora Temer” seguidas de imagens “épicas”, quase heróicas, que simbolizariam a resistência efetiva e organizada à brutal ação repressiva da PM e das FFAA. Em um verdadeiro “orgasmo revolucionário” esses agrupamentos narram a existência de um enfrentamento organizado do movimento de massas com as forças repressivas do Estado burguês. Alertamos que se trata de uma fraude política, a projeção de um filme reformista para iludir ingênuos. Ao lado dessas imagens cinematográficas, vemos a defesa de dóceis palavras de ordem como “Diretas Já”, “Constituinte” ou mesmo “Eleições gerais”, ou seja, toda a “tropa radicalizada” estaria em “luta” por encontrar uma saída pacífica e ordeira para a crise do regime político nos marcos da institucionalidade burguesa. Esses (falsos)“radicais” buscam uma fórmula política para preservar a democracia burguesa em crise, ou melhor, visam aprimorá-la. Esse verdadeiro “Exército Brancaleone” caracteriza-se por ser parte de uma comédia reformista justamente porque, apesar das imagens onde figuram como “soldados revolucionários”, nenhum dos grupos políticos que o conformam defendem em seus programas a necessidade de formar comitês de autodefesa e de criar milícias operárias e revolucionárias para responder a repressão estatal e forjar as condições para a derrubada insurrecional do governo Temer para edificar um poder de novo tipo, revolucionário e socialista. O MRT (ex-LER) conforma a ala mais tragicômica desse “exército”. Diante da repressão de Temer estimula, como em um delicado romance, que... “os trabalhadores precisam ter ódio de classe” (Esquerda Diário, 26.05). Nada mais, nenhuma medida concreta de luta e resistência!!! No hilário artigo afirma-se que “As mais de 100 mil lutadoras e lutadores que ocuparam Brasilia pela derrubada das reformas, de Temer e da cova de ladrões chamada de congresso nacional, protagonizaram horas de enfrentamento com o aparato repressivo do estado, resistindo desarmados e heroicamente, aos ataques do inimigo armado, violento e covarde. Isso tudo deve ser motivo de muito orgulho para os lutadores que lá estiveram”. O MRT diz textualmente que deve ser motivo de orgulho a resistência desarmada dos trabalhadores!!! Por isso não há no texto uma linha sequer em defesa do Armamento Popular, Comitês de Autodefesa, Milícias Operárias!!! Nem pensar, o idílico MRT apenas declara genericamente “A guerra de classes, exige ação coordenada (unificada) do nosso exercito, em torno de um programa capaz de fazer com que toda a classe trabalhadora, do campo e das cidades, do setor publico e do privado, a juventude em geral, assim como todos oprimidos, vejam os seus anseios nele representados e se disponham a toma-lo em suas mãos, e fazer dele o motor de uma batalha decidida, sem trégua, até vitória”...Em resumo, contra os ataques da burguesia a saída para esses revisionistas seria convocação de uma Constituinte, convocada pelos poderes da carcomida república burguesa!!! Definitivamente, nos faz rir!!! O MAIS, por sua vez, afirma: “Enquanto uma multidão de trabalhadores e estudantes ocupava pacificamente o Eixo Monumental, o presidente ilegítimo assinou decreto autorizando o “emprego das Forças Armadas para garantia da Lei e da ordem no Distrito Federal” (Esquerda On Line, 25.05). O que defende o grupo do Prof. Valério Arcary diante dessa medida de força reacionária lançada pelo canalha Temer? Leiam por seus próprios olhos a pérola do pacifismo pequeno-burguês: “Trata-se de mais um ataque brutal às garantias e liberdades democráticas do povo brasileiro. Não podemos aceitá-la de forma nenhuma. Sua adoção só pode ser explicada pela escalada antidemocrática que vem acontecendo nos últimos anos no Brasil, especialmente depois do golpe parlamentar que aprovou o impeachment. A já limitada democracia dos ricos que existe em nosso país está agora ameaçada por medidas autoritárias e antidemocráticas, de caráter violento, como esta. Caso não sejam derrotadas, essas ações podem significar ataques ainda maiores aos movimentos sociais e ao povo trabalhador de conjunto” (Idem). Nada MAIS, ou melhor, o grupo de Valério defende as “Diretas Já” e que se forme uma “Frente de Esquerda” entre PSOL, PSTU, PCB para juntos disputarem o 1º turno das eleições presidenciais antecipadas...podendo até apoiar Lula depois!!! No único artigo sobre “A necessidade de autodefesa” (26.05), o dirigente do MAIS, Gibran Jordão, coordenador geral da Fasubra e da Executiva Nacional da CSP-Conlutas, afirma a seguinte piada: “Panfletos e bandeiras não são mais os únicos materiais. São precisos mais escudos, mais vinagres e mais capacetes”. O Armamento Popular, os Comitês de Autodefesa e as Milícias Operárias não existem como medidas de luta e resistência dos trabalhadores para esses revisionistas, verdadeiros pacifistas pequeno-burgueses cuja principal arma é o “vinagre” contras as potentes bombas de gás e armas letais da polícia e das FFAA! Essa tarefa, segundo esses senhores, não estaria colocada para agora, nesse momento devemos ser “realistas” defendendo fórmulas concretas para resgatar a democracia burguesa totalmente desacreditada aos olhos dos trabalhadores! Convocar a formação desses instrumentos de auto-defesa armada, como propõe a LBI, seria para esses senhores uma “provocação”. Em resposta, reproduzimos o que nos ensinou historicamente Trotsky: “Conclamar a organização da milícia é uma ‘provocação’, dizem alguns adversários certamente pouco sérios e pouco honestos. Isto não é um argumento, mas um insulto. Se a necessidade de defender as organizações operárias surge de toda a situação, como é possível não se conclamar a criação de milícias? É possível nos dizer que a criação de milícias ‘provoca’ os ataques dos fascistas e a repressão do governo? Neste caso, trata-se de um argumento absolutamente reacionário. O liberalismo sempre disse aos operários que eles ‘provocam’ a reação, com sua luta de classes.” (Aonde vai a França, LT). Assim como na imperdível comédia do filme italiano de Mario Monicelli da década de 60, esses “bem-intencionados” revisionistas são motivo de piada ao se fantasiarem de “lutadores consequentes” quando não passam de dóceis reformistas, que via de regra negam-se a ocupar as fábricas nas greves, aceitam quase passivamente as demissões e sempre reivindicam a arbitragem da Justiça burguesa e seus tribunais para solucionar os conflitos sociais, como vimos várias vezes na Embraer e na GM. Muitos desses grupos como o MAIS, a CST e o PSTU pleiteiam melhores condições de trabalho para os policiais reprimirem os trabalhadores e não lutam pelo fim do aparato repressivo pelas mãos dos explorados organizados em milícias operárias e comitês de autodefesa! Não por acaso, a nota do PSTU afirma em tom heroico, ao melhor estilo do sonhador cavaleiro medieval que cria realidades inexistentes para esconder suas fraquezas: “Enfrentamos repressão inaceitável, mas ocupamos Brasília!” (Opinião Socialista, 25.05). O que diz o texto: “Diante da situação, o PSTU, na figura do Zé Maria, chamou os manifestantes a resistirem à agressão policial, a se manterem no gramado do Congresso e realizarem a manifestação. Dezenas de milhares de manifestantes e inúmeras organizações – destacamos o papel fundamental da CSP-Conlutas – resistiram por mais de quatro horas à violenta repressão policial, que chegou a usar inclusive arma letal, e resultou em dezenas de feridos. Reivindicamos fortemente a resistência. Os trabalhadores e trabalhadoras não podem abrir mão dos seus direitos, dentre eles o direito de se manifestar para defender seus interesses... Não há repressão que consiga parar a nossa luta se estivermos unidos e determinados. Os trabalhadores e trabalhadoras do nosso país, unidos e em luta, somos muito mais fortes do que todas as armas deles.” Para o PSTU a saída para enfrentar a repressão seria a “resistência e a unidade” e a futura convocação de uma greve de 48hs, mas não publicitam por momento algum a necessidade autodefesa armada dos trabalhadores!!! Alertamos a vanguarda classista, mesmo que se convoque outra greve geral (de 24 ou 48hs) sem a alteração desta política geral o objetivo será o mesmo: alavancar uma saída democrática burguesa no marco da crise do regime vigente, isto sem falar no prenúncio de que as reformas neoliberais podem ser aprovadas mesmo diante do colapso terminal do governo Temer. Somente com a mudança radical de perspectiva política do movimento de massas poderemos derrotar o ajuste rentista iniciado por Dilma e que seu ex vice-presidente tenta concluir. Por esta razão diante do agravamento da crise do regime burguês os Marxistas publicitamos a necessidade da organização de um greve geral por tempo indeterminado, rejeitando os “escapes” democráticos (diretas ou constituinte), ao mesmo tempo que forjamos embrionariamente a consciência dos explorador na senda da construção de seu próprio poder estatal, o governo operário e camponês ,como um sinônimo político da Ditadura do Proletariado. A LBI defende que faz-se necessário debater com o movimento de massas a tarefa de organizar de conjunto nossas milícias de autodefesa, independente dos matizes políticos que nos separam. No campo, nas periferias e nos centros urbanos a organização dos círculos de autodefesa deve estar colada à ação direta nos sindicatos e associações, sempre na perspectiva da luta concreta por melhores condições de vida e salário. Não devemos encarar a formação das milícias de autodefesa como uma tarefa “militarista”, separada de nossas reivindicações pontuais e históricas. Nossas lutas estão enfrentando uma etapa bastante delicada nesta correlação de forças, onde teremos que enfrentar o duro ajuste neoliberal em curso que tem a cumplicidade do próprio PT porque foi desatado inicialmente pelo governo Dilma, sendo agora aprofundada por Temer e na mesma proporção a “onda” fascistizante que deve se avolumar na medida do agravamento da própria crise econômica. Estabelecer uma enérgica resposta política dos oprimidos a cada ataque direitista contra nossos companheiros e lutas, perpassa pela organização de nossas milícias de autodefesa, sabemos muito bem que com o fascismo que ameaça nossas liberdades democráticas “Não se dialoga, se combate de armas na mão, se preciso for!”. Por esta razão reforçamos nosso chamado ao MST, MTST, CUT, UNE, Conlutas, Intersindical e demais entidades de massas para que debatam em suas bases e organizem o mais rápido possível as milícias de autodefesa de cada organização de esquerda, porque a sanha facínora da direita já mostrou que está em curso como vimos no “Ocupa Brasília” e no decreto reacionário de Temer. Trotsky já nos dizia no Programa de Transição que “Por ocasião de cada greve e de cada manifestação de rua, é necessário propagar a ideia da necessidade da criação de DESTACAMENTOS OPERÁRIOS DE AUTO DEFESA. É necessário inscrever esta palavra-de-ordem no programa da ala revolucionária dos sindicatos. É necessário formar praticamente os destacamentos de auto-defesa em todo o lugar onde for possível a começar pela organizações de jovens e conduzi-los ao manejo das armas. A nova onda do movimento de massas deve servir não somente para aumentar o número de destacamentos, mas ainda para unificá-los por bairros, cidades, regiões. É necessário dar uma expressão organizada ao ódio legítimo dos operários pelos pelegos e bandos de gangsters e de fascistas. É necessário lançar a palavra-de-ordem de MILÍCIA OPERÁRIA como única garantia séria para a inviolabilidade das organizações, reuniões e imprensa operárias”. Como se observa, enquanto o fundador da IV Internacional orienta publicitar amplamente essas medidas de luta, os hilários revisionistas do trotskismo de hoje tratam de esconder essas palavras de ordem em nome de saídas políticas e ordeiras dentro dos marcos do regime político vigente! Suas armas chegam, no máximo, a “mais escudos, mais vinagres e mais capacetes”... Qualquer semelhança com o “Incrível Exército de Brancaleone” não é mera coincidência!!!