quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

DILMA RECEBE O "GOLPISTA" TEMER PARA O JANTAR: ACORDO MESMO SÓ EM SEGUIR ESFOLANDO O POVO TRABALHADOR


Depois de passar dois dias estimulando o achincalhe de Temer, principalmente pela via da blogosfera "chapa branca", a presidente Dilma convidou seu vice "golpista" para um jantar palaciano na noite desta última quarta feira( 09/12). No cardápio previamente acertado entre os caciques dos dois partidos burgueses, PT e PMDB, não entraria o assunto impeachment de Dilma nem tampouco as mágoas epistolares de Temer. Antes do encontro Renan Calheiros tratou de "lembrar" a Temer que é no Senado que se dará a votação final do impeachment e que nesta Casa a quadrilha pemedebista está muito "confortável" com o tratamento que a presidente Dilma dispensa aos senadores. O presidente do Senado fez questão de assegurar a Temer que o Planalto não removerá das "tetas" do governo nenhum dos seus correligionários. Quanto aos apadrinhados de Cunha o tratamento será bem diferente, Dilma já anunciou a demissão de um dos vices presidentes da CEF, que até poucos dias detinha um dos cargos mais cobiçados do terceiro escalão, administrando as loterias da Caixa. Para os que negavam a recente parceria entre Dilma e Cunha deve ter sido uma revelação incomoda. O certo mesmo é que Dilma e Temer concordaram em transmitir uma versão consensuada da reunião, onde não houve ruptura mas também não se chegou ao reatamento da aliança política. O único acordo entre Temer e Dilma exposto ao grande público foi a decisão de manter a "institucionalidade" do regime burguês, o que significa mais estabilidade para o governo seguir com seus ataques neoliberais aos direitos da classe trabalhadora. Por sinal a principal e até agora a única bandeira programática ("Uma ponte para o futuro") de Temer é uma temerária "reforma da previdência" na qual o "ajuste" neoliberal já realizado por Levy e C&A foi considerado insuficiente. Quanto a este ponto Dilma não tem a menor divergência ou queixa de Temer...mas quando a questão é apoiar o impedimento a presidente vira uma fera... A barganha continua aberta e Temer joga dos dois lados, Dilma por sua vez não cogita sequer retirar as centenas de nomeações efetivadas pelo governo a pedido do vice. Para a mídia Dilma afirma confiar no espírito patriótico de Temer: "Na nossa conversa, eu e o vice-presidente Michel Temer decidimos que teremos uma relação extremamente profícua, tanto pessoal quanto institucionalmente, sempre considerando os maiores interesses do país". Neste caso faltou Dilma dizer que "os maiores interesses do país" são na verdade os interesses dos rentistas que mandam em seu governo. Quanto ao "golpe" cunhista tanto denunciado pela esquerda planaltina como uma "ameaça à democracia", Dilma prefere negociar mais cargos com a máfia peemedebista do que enfrentar a escória reacionária parlamentar convocando a efetiva mobilização popular contra os planos do imperialismo de destruir a economia nacional. Porém as manifestações da direita já estão marcadas para o próximo domingo 13, embora com poucas perspectivas de uma ampla galvanização social. As digitais sujas de Cunha no processo do impeachment dificultam a adesão de setores da classe média, hoje revestida de falsos pruridos éticos. Já a marcha governista de apoio a Dilma, agendada para o próximo 16, deve agrupar somente os funcionários rentados do PT e a tradicional burocracia sindical, a vanguarda classista que enfrenta cotidianamente os planos de arrocho e ajuste do estafeta Levy não está disposta a defender nas ruas a continuidade do lucro dos rentistas. Enquanto perdurar a disputa fratricida no seio das classes pelo controle do botim estatal, a classe operária seguirá combatendo por uma alternativa política própria diante da crise estrutural capitalista.

Os que denunciam com muito vigor a tentativa de "golpe contra a democracia", entendida como as reacionárias manobras parlamentares para encurtar o mandato da presidente Dilma, são bastante silenciosos quando se trata de relatar as relações políticas ínfimas do governo com a escória golpista, concebida por nós como golpistas contra os direitos e condições de vida do povo trabalhador. Cunha um ex-aliado do Planalto, fazia "jogo duplo" desde que assumiu a presidência da Câmara, nunca foi incomodado por Dilma, ao contrário teve irrigada sua rede de cargos públicos chegando até a indicar Ministro de Estado. Por sinal o cupincha de Cunha no governo, Celso Pansera, permanece calado mesmo diante de toda pressão dos dois lados da guerra parlamentar em curso. A quadrilha pemedebista quer "chupar o osso" do governo até o último minuto da permanência de Dilma no Planalto, seja em 2016 ou 2018.Como já nos ensinou a história da luta de classes, quem dorme com golpistas acorda deposto.

Em tempos de impeachment outra "tese" reformista que agora está sendo abraçada por alguns grupos que se dizem revolucionários é que o "resultado das urnas não pode jamais ser violado", na verdade um juramento político de lealdade a democracia burguesa. Se triunfar esta lógica reformista, o movimento de massas não poderá daqui para frente lutar para derrubar nenhum governo eleito "democraticamente" pelas urnas, será celebrado definitivamente a vigência da democracia burguesa como regime universal e todos nós marxistas revolucionários que combatemos para por abaixo os governos neoliberais do capital financeiro (sejam de esquerda ou direita), seremos considerados relés golpistas...

Não embarcar nas aventuras de golpe parlamentar da recalcitrante direita tupiniquim contra um governo burguês neoliberal de "esquerda", não significa fazer apologia programática da democracia e muito menos de seu regime bastardo que só beneficia os ricos capitalistas. Se o impeachment contra Dilma representa uma manobra reacionária e antidemocrática da máfia parlamentar que saliva pelo botim estatal, seu governo de Frente Popular significa a manutenção dos interesses de classe da burguesia financeira em aliança com as oligarquias regionais mais corruptas. Nossa tarefa socialista diante da falsa disjuntiva "democracia versus golpe" , continua sendo a mobilização permanente do proletariado pela construção de seu poder revolucionário.