DIANTE DA AMEAÇA IMPERIALISTA A CUBA: PROMOVER “TURISMO DE ESQUERDA” A ILHA OU IMPULSIONAR UM MOVIMENTO DE MASSAS EM TODO O CONTINENTE EM DEFESA DA REVOLUÇÃO?
A visita de Chico Buarque a Cuba foi apresentada mundialmente pelo regime Castrista como um ato de solidariedade a Ilha contra o cerco imperialista a Cuba. O compositor brasileiro desembarcou em Havana a convite do músico Silvio Rodríguez e realizou a doação de medicamentos ao Ministério da Saúde cubano. Juntos fizeram vídeos e gravaram uma nova versão de Sueño con Serpientes, clássico do repertório de Silvio. Apesar de saudarmos a visita de Chico Buarque a Cuba alertamos que promover o chamado “Turismo de Esquerda” à Ilha é uma cortina de fumaça patrocinada pelo próprio governo cubano e os comitês de apoio ao regime a nível mundial para não impulsionar um verdadeiro movimento de massas em todo o continente em defesa da revolução e suas conquistas sociais! Por essa razão os gestos individuais de “ajuda humanitária” e “viagens turísticas de solidariedade” são ressaltados e patrocinados por todo arco reformista enquanto não são organizadas coletivamente manifestações de massas em defesa de Cuba, basta ver que nem a CUT, CTB e, muito menos o PT ou mesmo o PCdoB tomaram essas iniciativas justamente para não se chocarem com Trump com quem Lula tem uma relação vergonhosa de “química política”!
O mais interessante é que ao prestar a chamada “ajuda humanitária”, como fez Chico Buarque na qualidade de ilustre convidado do regime Castrista, as tarefas de realizar grandes atos e mobilizações em defesa da Cuba no Brasil e em outros países da América Latina por parte de artistas e “celebridades” como ele não existem. Chico não convocou sequer um ato-show público e gratuito em nosso país para prestar a solidariedade ativa o que fez individualmente na condição de “turista” em Cuba, posando para as fotos e câmeras de TV do regime que fizeram assim desgraçadamente um jogo de cena distracionista porque não desejam convocar manifestações que enfrentem o bloqueio na medida que estão negociando um acordo com Trump!
A militância da LBI está participando das plenárias e reuniões das atividades em defesa da Cuba. Nestes encontros temos proposto a solidariedade ativa contra a ameaça imperialista a Cuba, defendendo que os sindicatos e entidades de luta convoquem plenárias e organizem marchas nos países do continente em defesa da revolução cubana.
As coordenações das chamadas “Casas da Amizade com Cuba”, por exemplo, têm centrado seus esforços em organizar viagens a ilha, compra de remédios e aquisição de painéis solares.
Desde a LBI tempos polemizado como a prioridade dada ao chamado “Turismo de Esquerda” porque ela acaba por ser uma atividade política completamente limitada, alheia das reais necessidades do povo cubano, com os visitantes se hospedando em hotéis de luxo em uma realidade que atenta com o sacrifício vivido pelos trabalhadores da ilha.
A própria atividade turística em si colocou toda rede hoteleira nas mãos de transacionais espanholas e cubana, gerando uma economia de serviços que não desenvolveu o país, ao contrário, trouxe um lastro de atividades ao país que não reforçaram sua industrialização e investimentos nas áreas mais necessárias aos trabalhadores cubanos.
Reforçamos essa polêmica como internacionalistas proletários que defendem Cuba. Recentemente o próprio músico cubano Silvio Rodríguez publicou uma mensagem no seu blog (“Segunda Cita”) pedindo um fuzil para o governo. Como Trotskistas apoiamos a posição do genial cantor e compositor cubano mas para ser consequente Silvio deveria exigir que o governo cubano arme o conjunto da população, o que a burocracia castrista não vem fazendo, ao contrário, aposta nas negociações com Trump e os EUA em busca de um acordo político e econômico de “coexistência pacífica” ao estilo do celebrado pela “traidora interina” Delcy Rodríguez na Venezuela. Tanto que Díaz-Canel está negociando concessões com a Casa Branca enquanto “arma” Silvio com um AKM novo de ponta!
Esperamos que além de Silvio Rodriguéz a população cubana seja armada e treinada para enfrentar a agressão imperialista, caso contrário a restauração capitalista vai avançar no Estado Operário pelas mãos de uma ação militar de Trump ou mesmo pela via de um acordo vassalo ao estilo do celebrado na Venezuela, desgraçamente apoiado por Diaz-Canel e o chamado “mundo multipolar”!
É importante ressaltar também quando o primeiro barco da Flotilha “Nuestra América” atracou em Havana pontuamos que a “ação humanitária” revelou-se mais uma campanha em defesa do regime cubano do que um genuíno ato de solidariedade e, mais do que isso, também foi uma “cortina de fumaça” que encobria as necessidades reais do Estado Operário para enfrentar o cerco imperialista!
Como denuncia o grupo “Comunistas Cuba” do trotskista Frank García Hernández: “Os membros da ‘flotilha’ hospedaram-se em hotéis de luxo, desfrutando de um estilo de vida completamente alheio à desastrosa realidade cubana, provocando, assim, repulsa generalizada entre a classe trabalhadora da ilha. Uma das melhores críticas vem de alguém que participou da Flotilha Sumud e, consequentemente, possui grande autoridade moral para comentar a campanha chamada Nossa América. Claramente, é necessária uma campanha genuína de solidariedade com a classe trabalhadora, na qual seus membros se engajem com as realidades do povo e não se envolvam em um tipo de ‘turismo ‘revolucionário’ que chega a ser ofensivo para os cubanos”.
No marco desse debate mais amplo de como devemos apoiar Cuba a derrotar o cerco imperialista, não é demais lembrar que enquanto os reformistas aplaudem a visita de Chico Buarque, patrocinam o chamado “turismo de esquerda” a Cuba e celebram a “flotilha humanitária” dizem que não tem sentido defender a consigna que a Rússia forneça armas modernas para a Cuba porque tal atitude seria encarada como uma “provocação a Trump".
A campanha Defensista Revolucionária que a LBI vem desenvolvendo em defesa das manifestações de massas em defesa de Cuba, a exigência do armamento geral da população e a recriação dos Conselhos Populares em Cuba vai além da ajuda humanitária promovida pelo “turismo de esquerda” ou das “flotilhas humanitárias”. Visa garantir que o Estado operário Cubano, os trabalhadores da ilha e a solidariedade ativa possam juntos enfrentar de fato o cerco imperialista!
