domingo, 12 de abril de 2026

NEGOCIAÇÃO ENTRE OS EUA E IRÃ FRACASSA EM ISLAMABAD: CHINA E PAQUISTÃO PRESSIONARAM PARA TEERÃ CEDER AS EXIGÊNCIAS DO BUFÃO TRUMP 

Após 21 horas de negociações, os Estados Unidos e o Irã não conseguiram chegar a um acordo mais prolongado e efetivo de “cessar-fogo”, durante as conversas em Islamabad. A delegação norte-americana, chefiada pelo vice-presidente JD Vance, afirmou que “O fracasso era uma má notícia… para Teerã”.

Ao chegar às pressas ontem, o vice-presidente JD Vance dormiu quatro horas após desembarcar do avião para se adaptar ao fuso horário. Quando finalmente compareceu ao local das negociações, a equipe iraniana já havia delineado todos os pontos-chave para a primeira rodada.

O lado ianque sequer havia confirmado a agenda de negociações com os iranianos previamente e acabou agindo de forma improvisada, seguindo a estrutura proposta pelo Irã.

Os documentos de negociação trazidos pelos norte-americanos consistiam em apenas algumas páginas, repletas de cláusulas genéricas, enquanto os arquivos da equipe iraniana continham dados detalhados e minutas de acordos. Somente as explicações técnicas referentes à segurança das instalações nucleares somavam mais de 120 páginas.

A delegação iraniana foi chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammed Bagher Ghalibaf, e incluiu o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o Secretário do Conselho Supremo de Defesa Nacional, Ali Akbar Ahmadian, o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, e o ex-comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Bagher Zolghadr. Antes das negociações, ambos os lados concordaram com um “cessar-fogo” de duas semanas para reforçar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra. No entanto, a exclusão de Israel dos ataques ao Líbano no acordo de paz tem sido um ponto de grande divergência, tornando a trégua muito frágil.

Antes do início das negociações, o Irã apresentou algumas exigências importantes para o fim da guerra, incluindo compensação financeira pelos danos causados pelos ataques israelenses e americanos, a cessação de todas as hostilidades regionais contra grupos aliados e a soberania sobre o Estreito de Ormuz. Entretanto o grande destacamento de tropas navais imperialistas em meio a negociações indicam outra direção no horizonte da conjuntura da guerra.

Como já discorremos em vários artigos anteriores no Blog da LBI, o papel do Paquistão e da China não são o de “mediadores  neutros”.  Estão pressionando a delegação iraniana a recuar e abandonar suas pré-condições para se sentar à mesa de negociações. O lado do regime nacionalista dos Aiatolás insiste que a delegação dos EUA deve primeiro anunciar a implementação de todos os pontos do “cessar-fogo“ temporário antes que as negociações formais possam começar. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão chegou até a convidar a Arábia Saudita(grande parceira comercial da China)a enviar uma delegação diplomática para supervisionar as negociações.

Portanto a ameaça de um ataque ainda mais letal ao Irã permanece como uma possibilidade concreta para o Pentágono diante do fracasso das negociações em Islamabad. Enquanto os apologistas da política da “multipolaridade” continuam a “festejar” o proto-imperialismo chinês, que defendeu uma “rendição justa” do Irã, o enclave sionista de Israel avança na ocupação militar do Líbano.