PCBR SUCUMBE AS FORÇAS CENTRÍFUGAS DA SOCIAL DEMOCRACIA LULOPETISTA: SAÍDA DE JONES MANOEL É A EXPRESÃO PÚBLICA DA PROFUNDA CRISE QUE ESTÁ MERGULHADA SUA VACILANTE DIREÇÃO NACIONAL
A Direção Nacional do PCBR não passou no seu primeiro teste ácido da luta de classes, ou seja, enfrentar o PT e seus satélites (PCdoB, PSOL...) nas eleições gerais de 2026 e acabou sucumbindo as forças centrífugas da Social Democracia Lulopetista. O núcleo que fundou a organização está desmoralizando as próprias bases político-programáticas que levaram a ruptura do agrupamento com o PCB em 2023, na medida que Gabriel Lazarri, Jones Manoel e um punhado de dirigentes e militantes saíram do ex-“Partidão” acusando sua direção de não se colocar claramente no campo da “oposição de esquerda” ao governo burguês do PT, capitulando ao reformismo... mas agora acabam eles mesmos capitulando a Frente Ampla burguesa pela “porta dos fundos”.
A saída de Jones Manoel, que pediu desligamento do PCBR alegando que o partido queria impor a linha política em seu canal no You Tube (Farol Brasil) é apenas a expressão mais evidente da crise que seu frágil CC está mergulhado a partir da política eleitoralista que levou a legenda a aceitar as condições da “filiação democrática” no PSOL e, por consequência, ser apêndice de “esquerda” da candidatura burguesa de Lula.
A disputa interna de aparato no PCBR trata-se apenas de uma cortina de fumaça para o oportunista Jones ficar completamente de mãos livres no PSOL para apoiar Lula desde o primeiro turno e fazer todo tipo de alianças eleitorais no marco da Frente Ampla burguesa visando conquistar uma vaga de deputado federal no parlamento burguês. Entretanto, tudo começou quando o conjunto da direção adotou essa orientação de buscar “viabilidade eleitoral” para Jones conquistar um mandato.
O PCBR foi vítima de sua própria política antileninista de
permitir desde a sua fundação que uma figura pública do partido tivesse um peso
acima da organização coletiva, ditando de fato seu programa oportunista e uma
linha reformista e identitária de aproximação aberta com o PT, PCdoB e PSOL,
com “amigos” como Elias Jabbour, que também dividiu com Lazarri “lives”
amistosas em que ambos se apresentaram como “defensores do socialismo”, sem que
o dirigente do PCBR denunciasse que este não passa de um pilantra vendido a Eduardo
Paes no Rio de Janeiro e um apologista do bloco burguês dos BRICS.
Essa linha socialdemocratizante foi avalizada pelo Secretário-Geral Gabriel Lazarri, tanto que ele e Jones estiveram unidos na luta política contra Ivan Pinheiro que deixou o PCBR criticando a capitulação de sua direção nacional ao cretinismo parlamentar.
Não esqueçamos que há exatamente um ano (março de 2025), houve a ruptura de Ivan Pinheiro com o PCBR. O Blog da LBI publicou sua carta porque esta confirmava plenamente os prognósticos que fizemos desde a fundação do PCBR, uma organização reformista que se formou unindo carreiristas como Jones Manoel e velhos dirigentes que saíram do PCB, cuja heterogeneidade programática e limitações políticas chegou ao desfecho do seu principal quadro histórico, ex-Secretário-Geral do antigo “Partidão”, pedir desligamento publicamente denunciando o oportunismo político de Jones e a completa ausência de centralismo democrático… aliado a um eleitoralismo vulgar.
No documento Ivan Pinheiro afirmava “A julgar pela política eleitoral de 2024 e as recentes aproximações com correntes do PSOL e até personalidades do PT que questionam o lulismo acrítico dos setores majoritários desses partidos, resta saber se tem apenas natureza conciliatória o silêncio da direção nacional do PCBR em relação a estes evidentes esforços para a formação de uma frente de esquerda, em detrimento da frente anticapitalista e antiimperialista revolucionária anunciada por seu Congresso.”
Não por acaso na sua carta Jones declara “Não vou desistir da candidatura. É meu nome e não o do partido que foi colocado para ser a esperança de várias categorias e sindicatos”. Como vemos Jones leva até as últimas consequências a linha do PCBR que o autorizou em pedir “filiação democrática” ao PSOL na resolução “Nota política - A posição do PCBR nas eleições burguesas de 2026” (10/12/2025) onde sua direção nacional afirma “Temos feito uma série de discussões bastante avançadas com diversas correntes políticas e entendemos que a viabilidade eleitoral real dessa candidatura não deve ser desperdiçada e, por isso, estamos em tratativas junto à direção do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para utilizarmos do dispositivo da filiação democrática como apoio para a candidatura do camarada Jones Manoel”.
Nesse sentido Jones declara no seu desligamento: “Não vou virar lulista, não vou deixar de fazer as críticas, não vou mudar uma única vírgula do que venho falando nos últimos anos - e aguentando sozinho os ataques dos governistas, algo tomado só como responsabilidade minha e, novamente, não algo coletivo. Não tenho discordâncias com a estratégia e a tática eleitoral do partido, no geral, exceto a fala que ouvi de vários camaradas na reunião da última quarta-feira colocando que está descartado apoiar nomes como Glauber Braga, Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Renato Freitas, etc, para deputado federal e estadual. Isso sim é uma discordância importantíssima de tática eleitoral”.
Jones Manoel nesse sentido é “coerente”, não faz mais que reeditar a linha política da direção nacional do PCBR que em 2024 apoiou frentes eleitorais municipais encabeçadas pelo PT, PCdoB, PSOL e até o PDT em nome de derrotar a extrema direita.
Como vemos Jones se soma a posição dos parlamentares do PSOL que posam de “críticos” a Lula mas votam no petista para presidente no 1º turno, como deliberou o partido. O fato de dizer que “não vai virar lulista” é apenas um engodo para dizer que vota “criticamente” no pelego traidor como fazem setores do PSOL como Glauber, Sâmia, Melchionna e outros carreiristas que sempre recorrem ao perigo do “fascismo” para apoiar a Frente Ampla burguesa!
A carta de Jones, para além das disputas burocráticas e de aparato no interior no PCBR, é uma prova que essa organização foi tragada pelas forças centrífugas da Social Democracia sendo Jones a expressão mais putrefata da gangrena do eleitoral vulgar e ausência de firmeza política e ideológica!
Não por acaso o site do PCBR e suas redes sociais estão paralisadas porque a direção nacional em crise e dividida nega-se a enfrentar a ferida aberta com o desligamento de Jones.
A caracterização da LBI de que o PCBR se tornou uma legenda apêndice de “esquerda” da Frente Ampla burguesa se confirmou plenamente gerando uma crise que a consome rapidamente e pode acabar com o partido mais cedo do que se esperava, com rachas já ocorrendo em estados para carreiristas atuarem na sombra do PSOL e da candidatura Lula, enquanto outro setor, ligado a Gabriel Lazarri, está totalmente paralisado mas não avança na defesa do boicote ativo ao circo eleitoral democracia dos ricos.
Seu CC não deseja se chocar com o amplo arco Socialdemocrata que controla o movimento de massas no Brasil (e o governo central obviamente!), apesar dessa ser a tendência classista de sua militância de base no sentido de enfrentar o Lulopetismo, todo o oposto do que deseja sua vacilante direção mergulhada em uma crise que aparentemente vai consumir o partido de forma terminal...



