segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O carnaval “globeleza” ou a história da deculturação de um país

Nestes dias, mais uma vez, o povo brasileiro se lança nos “festejos” do carnaval. Longe do espírito popular de sua origem, a “festa da libertação”, eminentemente pagã, é hoje convertida na “festa” da alienação montada a serviço da deculturação do país pelos grandes meios de comunicação de massa, acompanhando o próprio processo de destruição da genuína cultura popular pelos capitalistas. O carnaval “globeleza” promovido pela TV dos Marinhos, cujos holofotes se concentram nos sambódromos do Rio e São Paulo, com milhares de pessoas nas arquibancadas vendo os “vips” desfilarem, além dos “trios elétricos” de “axé” em Salvador, com sua música pasteurizada e bestializante é a melhor expressão desse processo de contrarrevolução no terreno da cultura nacional. Em nada tem a ver com o carnaval popular, de traço boêmio e contestador, próprio dos blocos de rua do passado (os chamados “cordões” e “ranchos” nascidos no final do século XIX). O primeiro “samba enredo” que se tem conhecimento e que se popularizou foi composto por Chiquinha Gonzaga em 1890 (“ô abre alas”) para o cordão “Rosas de Ouro” do carnaval carioca, outrora ungido pela vida boêmia das primeiras décadas do século XX e pelo autêntico samba negro dos morros cariocas que descia para as ruas da cidade para o “horror” da classe dominante branca. Pode-se dizer que desta festa popular que tomava de folia as ruas de forma espontânea e “desordenada” surgiram as “escolas de samba” organizadas profissionalmente, no entanto, hoje também em avançado processo de domesticação pelos padrões impostos pela Rede Globo e seus anunciantes.

A burguesia controla o Carnaval de rua (transformado hoje em sambódromos e trios elétricos milionários voltados unicamente para a “espetacularização” do evento) nos grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Olinda e tem interferido não só na organização do evento (algo perceptível, particularmente, nos elevados preços dos ingressos e de tudo que está em torno da festa), como também, na transformação desta festa em um espetáculo para a exibição de valores e comportamentos que não têm qualquer correspondência com o espírito popular de sua origem chamado “entrudo”, ou seja, a festa “de libertação” que antecede a quaresma, uma vez que o Carnaval era sinônimo de subversão dos “bons costumes” da elite oligarca ultrarreacionária. Hoje a “festa” que vemos na TV não representa mais o caráter contestatório político-religioso presente até meados da década de 50 (a sátira política como crítica ao regime político vigente).

O Carnaval, para ser palatável aos “turistas” do mundo inteiro e para os interesses comerciais da televisão, foi pari pasu “embranquecido” e “filtrado” de seus autênticos elementos de samba feito no morro, ou seja, foi instrumentalmente “desfavelizado”. Em decorrência da quebra de seus elementos originais quase desapareceram no Rio de Janeiro temas vinculados à cultura popular e às próprias raízes do Carnaval ou à história em versos da formação do povo negro. Até nos locais onde as tradições sempre foram mais preservadas, como em Olinda e, no ultrapopular “Galo da Madrugada”, no Recife, as garras dos patrocinadores capitalistas já chegaram. Somam-se a isso as festas e os camarotes exclusivos que, entupidos de celebridades descartáveis e “saradas”, servem para rechear centenas de páginas de publicações e programas globais que buscam entreter para alienar as massas.

De um lado, o pasteurizado carnaval “globeleza” e suas escolas de samba, completamente adaptadas aos interesses capitalistas, com músicas de letras vazias, vulgarizando e explorando o corpo das mulheres como uma simples mercadoria a ser “exposta” na mídia e para ser “consumida” virtualmente pelos telespectadores ou em carne e osso pelos “clientes” em seus camarotes de celebridades. Tudo isso em carros alegóricos e trios elétricos milionários bancados pelo Estado em associação com as grandes empresas, privatizando espaços públicos em uma verdadeira política de pão e circo, com a “diferença” de que neste show há que se pagar elevados preços dos ingressos, em geral loteados entre os turistas e “populares” indicados pelas diretorias das escolas de samba para fazer a “torcida organizada” nos desfiles. De outro lado, como produto da barbárie cultural, aparecem os paredões com seus incansáveis axés procurando alienar a população trabalhadora acerca de suas reais condições (ritmos de trabalho alucinantes, arrocho salarial, desemprego...). Seja na “luxúria” dos sambódromos, nos trios elétricos baianos com seu lixo cultural ou ao som dos paredões, a manipulação do carnaval o transforma em cultura de massa atrasada, completamente esvaziado de sentido. Desta forma os grandes meios de comunicação com o auxílio dos governos burgueses, como a frente popular petista, cumprem um papel nefasto de deculturação e alienação, ou seja, destroem qualquer traço de cultura genuinamente popular para melhor dominar o povo explorado, como os portugueses colonialistas fizeram com os índios.

Caminhando no processo de deculturação e alienação nos deparamos com Arlindo Cruz, outrora um sambista ligado a composições populares de qualidade, fazendo o papel de garoto propaganda da Rede Globo e, consequentemente, jogando o samba e sua história no lixo em uma ode a “globalização”, ou seja, ao processo de recolonização cultural e político que vive nosso país. Seguindo o mesmo caminho vem Diogo Nogueira que aparece de programação em programação, assumindo o papel de jovem queridinho da TV dos Marinhos e destruindo todo um legado de seu pai João Nogueira. O jovem sambista mauricinho vai no caminho inverso do “velho”, que na década de 80, quando o samba começou a ser abafado pelo mercado fonográfico e pela mídia cada vez mais controlada pelo jabá, fundou o “Clube do Samba” para resistir à influência cultural ianque devastadora sobre nosso país. Sua ruptura com a Portela e a fundação da escola de samba Tradição foi uma tentativa de romper com esse esquema mercenário. Nessa empreitada teve ao seu lado Paulo César Pinheiro, Nésio Nascimento  (filho de Natal da Portela) e nomes da velha-guarda da antiga escola de samba.

Como marxistas revolucionários dizemos que não há nada a “festejar” nestes dias se não rompemos com o móvel cultural desse carnaval mercenário, vazio e banal imposto pela mídia “murdochiana”, a burguesia e seus agentes. Contra a “carnavalização” comercial empurrada acriticamente goela abaixo da população pela mídia, é preciso “brincar” o carnaval com o genuíno espírito de resistência, lutando ideologicamente para dotar o movimento operário de uma clara conscientização programática acerca do que representa o carnaval no regime capitalista e o caráter nefasto da política de aprofundamento da submissão ao imperialismo e da deculturação do país patrocinada pelo governo Lula/Dilma.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Presidente da Alemanha renuncia, um prenúncio do retorno da velha social democracia à gerência do estado capitalista

O presidente da Alemanha, Christian Wulff, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (17/02), após o aumento da escalada de denúncias de corrupção e favorecimento pessoal, praticadas quando ainda exercia o cargo de governador do estado da Baixa Saxônia. O ápice da crise ocorreu justamente no momento em que a justiça alemã estava prestes a pedir autorização do Parlamento Nacional (Bundestag), para retirar a imunidade do presidente e iniciar um processo de investigações sobre as denúncias de corrupção. Diante da possível humilhação, Wulff um democrata-cristão conservador, decidiu pela renúncia, abrindo uma crise política para o governo de Angela Merkel , sua “madrinha” política que com muito custo o elegeu em 2010.

A coalizão conservadora cristã que governa a Alemanha atravessa um período de profundo desgaste político com a crise fiscal dos países europeus da zona do Euro, além da impopularidade em suas próprias fronteiras, em função das medidas de “austeridade” contra a população trabalhadora. A função de presidente da república na Alemanha não ocupa nenhuma responsabilidade administrativa, mas é permeada de grande influência política, uma espécie de “patriarca” moral do povo germânico. A premiê Merkel que está em plena “cruzada” para espoliar nações não-imperialistas da Comunidade Europeia, preservando seu parceiro preferencial (França) desta operação de rapina, agora terá que indicar um novo nome para a presidência alemã com o apoio da “oposição” social-democrata. Acontece que o velho SPD pretende fazer valer a cláusula da “alternância democrática”, planejando assumir o gabinete Alemão em plena bancarrota do Euro.

A social democracia alemã, a mais antiga de todo continente europeu, permitiu a ascensão da reacionária Merkel, justamente para que os democratas cristãos descarregassem sobre o proletariado todo o ônus da crise capitalista. Agora, com uma economia nacional “ saneada” às custas dos imensos sacrifícios do povo europeu, o SPD cobra o seu retorno imediato à chefia do governo alemão. Como “locomotiva” da economia europeia, a Alemanha vem saqueando financeiramente países inteiros, como a Grécia, por exemplo, fomentando novamente um sentimento antigermânico entre os povos europeus. É neste cenário de tensão que a social democracia surge mais uma vez como uma alternativa do capital para gerenciar a crise do enorme descompasso das assimétricas economias europeias.

O último governo “neoliberal” de Schroeder, dirigente do SPD, deixou muitas sequelas políticas, entre as quais um racha à “esquerda” no partido e um vertiginoso crescimento do Partido Comunista, anteriormente considerado morto. As próximas eleições ao Parlamento indicam uma dispersão de forças, sem a hegemonia absoluta da democracia cristã e do SPD, o que implica em um novo governo de “união nacional”, ou seja, as frações da burguesia unidas sob a batuta da social democracia.

Os trotsquistas devem intervir nas próximas eleições alemãs publicitando as conquistas históricas perdidas pelo proletariado com o fim do Estado operário, além da defesa vigorosa (e corajosa) do muro de Berlim, entendido como uma barreira militar de contenção às investidas da OTAN sobre o Leste europeu. Neste sentido não se pode descartar a priori uma aliança política, mesmo que absolutamente crítica do ponto de vista programático, com o Partido Comunista, sobre a base da luta para a reconstrução revolucionária do Estado operário alemão, em toda sua plenitude territorial (Ocidente e Oriente). O bom combate de classe do proletariado alemão e europeu, não é simplesmente pela dissolução da zona do euro ou da própria União Europeia, como advogam os Stalinistas e congêneres revisionistas, mas pela retomada do “cinturão” soviético, do Pacto de Varsóvia e, por que não, do próprio COMECON, estendido até as terras da “realeza” britânica, passando por todas as falsas democracias, agora sob o controle dos rentistas e tecnocratas do mercado.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Rentistas em festa: governo Dilma corta R$ 55 bilhões do orçamento para bancar a orgia do capital financeiro

Mal havia batido o martelo da privatização dos aeroportos, Dilma anunciou um corte de R$ 55 bilhões nas despesas previstas no orçamento da União para 2012. A tesoura neomonetarista do PT atingiu em cheio as aposentadorias, com uma “economia” de R$ 20 bilhões nas áreas de Previdência e Assistência Social, FGTS e outros. Impôs também a redução das despesas com a Saúde em R$ 5,47 bilhões e na Educação, onde foi contingenciado R$ 1,93 bilhões. Não escaparam nem mesmo as verbas destinadas para a Defesa Civil e prevenção de desastres – isto que as calamidades “naturais” são muito comuns nesta época do ano. Todo esse “esforço” tem como objetivo alcançar um famigerado superávit primário de R$ 140 bilhões do Tesouro Nacional em 2012 com o objetivo de pagar os juros da dívida “pública”, ampliada em duas vezes nos últimos nove anos. As altas taxas de juros pagas pelo Banco Central aos rentistas internacionais vêm atraindo para o Brasil um enorme contingente de investimentos, na busca de um mercado seguro e estável. A bolha de crescimento econômico é inflada via crédito fácil oferecido pelo grande capital, bancado em última instância através dos cortes orçamentários do orçamento estatal. Desta forma, o governo da frente popular patrocina uma ciranda financeira que se tornou essencial à valorização do capital que “investe” no país, ganhando os tubos com tal rendimento de juros dos títulos públicos, mas quem paga a conta de fato são os trabalhadores com o arrocho salarial e o corte de direitos.

Esse verdadeiro assalto ao tesouro nacional em benefício da oligarquia financeira significa um ataque direto às condições de vida do nosso povo, que morre nas filas dos hospitais e não tem acesso a educação de qualidade, sofre na carne com inundações e deslizes de encostas, cuja população fica relegada ao abandono. Aqui todo o mito acerca de qualquer vestígio progressista do governo petista de desmancha no ar! O mais tragicômico neste cassino financeiro é que por mais que o governo Dilma deixe de investir nas chamadas “áreas sociais” para engordar o bolso dos banqueiros, obviamente a questão não se resolve. A dívida pública aumenta a cada ano, uma vez que o setor público é “forçado” a contrair novos débitos para pagar a totalidade dos juros. É um círculo vicioso montado claramente a serviço do capital financeiro, um dos grandes apoiadores do governo da frente popular.

O mais hilário em isso tudo é ver a CUT, CTB, UNE e MST afirmarem na reunião da CMS que “a profundidade e a irracionalidade do montante retirado do orçamento vão na contramão dos compromissos assumidos pela presidenta Dilma nas últimas eleições e contradizem o discurso realizado recentemente no Fórum Social de Porto Alegre, onde se contrapôs à lógica da subserviência aos ditames do capital financeiro internacional. Os compromissos de campanha, setores estratégicos e altamente sensíveis como saúde, educação e desenvolvimento agrário foram guilhotinados para alimentar a agiotagem, num claro desserviço ao país e ao povo brasileiro” (sítio CUT, 16/02). Trata-se de uma verdadeira farsa montada pela burocracia sindical “chapa branca”, já que Lula em sua conhecida “Carta aos Brasileiros” e o “poste” Dilma, que teve o apoio público dos banqueiros em sua campanha, sempre se “comprometeram” com o capital financeiro e nunca em combatê-lo. Por sua vez, a esquerda reformista, inclusive os revisionistas do trotskismo que se mantêm no PT, como “O Trabalho” e Esquerda Marxista (já não falamos da DS há tempos convertida a socialdemocracia), abandonaram a defesa da consigna do não pagamento da dívida interna e externa, clamando no máximo por uma “renegociação justa”. Fingem desconhecer que a chamada “dívida pública” é hoje a principal fonte da especulação financeira do país. O perfil da dívida “pública” concentra nas mãos das grandes corporações econômicas a grande maioria dos títulos estatais negociados no mercado financeiro.

A estatização de todo o sistema financeiro, contemplando o não pagamento das dívidas interna e externa, além da adoção de uma política de juros negativos para os empreendimentos dos trabalhadores e dos pequenos produtores rurais, é a única plataforma progressista para a classe operária. Toda demagogia da burocracia sindical “chapa branca” contra os atuais cortes no orçamento, no que é seguida pela “oposição de esquerda”, não serve aos interesses imediatos e históricos do proletariado, já que não está baseada na luta direta contra o governo burguês da frente popular! Portanto, cabe aos trabalhadores e sua vanguarda classista abstrair como lição que a única forma de romper com suas miseráveis condições de vida é lutando decididamente pela liquidação revolucionária do modo de produção capitalista, rompendo com a cadeia de espoliação que a frente popular e o tucanato impõem sobre o povo pobre para manter a festa bilionária dos rentistas e banqueiros!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eleições em São Paulo: Alckmin quer empurrar José Serra para o abismo

A “revoada” do prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab, e seu recém-criado partido, o PSD, para os braços da frente popular provocou mais uma crise no ninho do tucanato paulistano. José Serra, apoiado por um grupo de deputados estaduais, resolveu voltar atrás e cogita novamente ser candidato às eleições para a prefeitura de São Paulo. Está em uma “sinuca de bico”: ou é candidato para manter na sua órbita o PSD, mesmo sabendo da grande possibilidade de derrota e da resistência interna tucana ou assiste seu afilhado político e a legenda que ajudou a criar como alternativa ao próprio PSDB ser tragada de vez pelo PT em plena capital paulista. Kassab planeja indicar Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula e hoje no PSD, como candidato a vice-prefeito na chapa de Fernando Haddad. Nesse cenário dantesco, o atual governador do estado, Geraldo Alckmin, demonstrou para a platéia “apoiar” esta decisão de Serra, embora de forma lacônica e sarcástica: “Se ele quiser ser, é um ótimo candidato. Essa é uma decisão pessoal do Serra que nós devemos aguardar” (Folha de S.Paulo, 15/02). Evidentemente que este “apoio” do governador tem um objetivo bem específico – o de liquidar Serra politicamente – “retribuindo” a sabotagem que este fez à sua candidatura nas eleições municipais de 2008 ao apoiar Kassab contra o próprio candidato tucano, ninguém menos do que Alckmin!

Caso venha a se confirmar as intenções de Serra, todo um cenário já definido teria que ser alterado drasticamente, pois as atuais quatro pré-candidaturas (Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Tripoli) teriam que abrir mão das mesmas na convenção partidária marcada para o dia 4 de março e decidir pela aliança com o PSD kassabista. Além disso, o PSDB teria que atrair o PSB e o PDT para a aliança, comprando essas legendas com cargos importantes no governo estadual. Estas são as principais “exigências” do ex-governador para negociar com Alckmin. O declarado antisserrista José Aníbal advertiu que “se o Serra quer ser candidato terá que disputar as prévias. Estamos trabalhando nisso há seis meses” (O Estado de S.Paulo, 15/2) e dá a dimensão da crise da “oposição conservadora”. Declarações do ex-presidente da República, FHC, vêm jogar gasolina na fogueira da corrida eleitoral paulistana e na futura disputa pela presidência da República: “Se Serra se convencer de que seu sonho de disputar pela terceira vez a Presidência da República não passa disso, e cair na realidade, ele terá uma disputa difícil, mas viável, para encerrar sua carreira (…)” (Blog Tijolaço, 15/2). Tanta preocupação da “alta plumagem” tucana está relacionada a uma possível aliança de Kassab com o PT nas eleições para prefeito, a qual, se efetivada, seria compreendida como uma tremenda derrota para a “oposição” ao Planalto não só em nível municipal, mas em âmbito nacional. Ela seria colocada praticamente do campo da insignificância. O jornal serrista Folha de S.Paulo,15/2, alfineta: “Para o ex-governador, isso seria a vitória do projeto do ex-presidente Lula e transformaria a oposição numa ‘minoria absoluta’”.

O “apoio” de Alckmin colocou Serra na beira do precipício. Uma vez configurada a candidatura de Serra (que pesquisas demonstram ter uma rejeição superior a 30% do eleitorado e está sendo bombardeada pelo livro sobre a “Privataria Tucana”), o PSDB teria que se aliar a Kassab, sua criatura ou então correr “por fora” para a derrota com um dos quatro pré-candidatos contra a coligação PT/PSD. Porém, tanto em uma projeção como na outra, a possibilidade de perder é muito grande, levando Serra a se desmoralizar ainda mais, bastando um empurrãozinho para despencar ao fundo do abismo.

Neste quadro, uma possível candidatura de Serra, antes de demonstrar a “unidade” do PSDB, é o sintoma da profunda crise na qual mergulhou a “oposição conservadora” durante o governo Lula/Dilma que, em aliança com as principais oligarquias regionais, praticamente aniquilou os demo-tucanos e sua ala paulista. Além do mais, os “Democratas”, aliados do PSDB, tendem a refutar uma aliança com o ex-demo, que hoje prestigia eventos do PT e vive em visitas ao Planalto negociando seu apoio ao governo federal. Os demos agem como uma fera ferida que tenta mostrar seus dentes e suas garras como “instinto de sobrevivência” perante as articulações políticas do PT com o PSD de Kassab.

Cabe ao movimento operário e sua vanguarda intervir diretamente neste processo, apresentado uma plataforma marxista e revolucionária, apontando que o caminho é o enfrentamento político dos explorados contra os aprendizes de Hitler, Alckmin, Serra e Kassab, assim como com a frente popular, ambos são partes das camarilhas burguesas que disputam entre si o assalto ao botim estatal via um violento ataque às condições de vida dos trabalhadores. A publicidade de uma plataforma comunista nas eleições, mais além da demagogia social democrata do revisionismo (oposição de esquerda), é uma tarefa que se coloca independente da legalização ou não do genuíno partido da classe operária.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TPOR reclama que a assassina Tropa de Choque da PM baiana foi vítima de “infâmia”!

A TPOR é conhecida por sua defesa entusiasta das greves policiais. Portanto, não foi para nossa surpresa que esta corrente revisionista do trotskismo declarou ser uma “infâmia” a acusação de que os policiais grevistas impuseram na Bahia um estado de terror contra a população trabalhadora durante os 12 dias de paralisação, ampliando a matança contra os pobres e negros que praticam em seus dias “normais” de expediente. Seu manifesto de apoio à greve faz um chamado em tom de profunda revolta: “É fundamental desmascarar a farsa montada pelos governos e pela imprensa em torno da infâmia de que a greve da polícia é criminosa e que tomam parte dela aqueles dispostos ao ‘vandalismo’, ‘terrorismo’. Demonstrar que a greve tem por base a difícil situação das famílias dos policiais que ganham baixos soldos” (Sítio Massas, 12/02). Espertamente, a TPOR quer nos fazer crer que o verdadeiro extermínio aos moradores de rua em Salvador, conhecido como “faxinaço” ou a ameaça dos policiais colocarem fogo em carretas em via pública, foi simplesmente uma invenção da mídia e do governo do PT para isolar a greve! Os mais de 160 mortos, em sua maioria pobres e negros, assim como as gravações do mafioso líder grevista, o direitista Marco Prisco, ligado ao PSDB, organizando a queima de caminhões de carga em plena BR para forçar as negociações, não deixam dúvidas que tais fatos não se trataram “apenas” de mais uma campanha arquirreacionária e fantasiosa da Rede Globo contra uma singela greve de “combativos” trabalhadores, como cinicamente tenta nos apresentar a TPOR usando como escudo o justo ódio popular contra a TV dos Marinhos, que hoje vende seus serviços para a frente popular!

A TPOR copiou esta posição escandalosa de apoio às reacionárias greves policiais do falecido dirigente máximo do POR boliviano, Guillermo Lora. Ele chegou a afirmar a seguinte “pérola” sobre o caráter das polícias: “uma frente antiimperialista pode englobar a polícia em seu conjunto, como instituição e não unicamente a uma facção antifascista” (Resposta ao impostor Nahuel Moreno, página 48). Não por acaso, esta seita brasileira, que hoje não passa de linha auxiliar do PSTU morenista que antes tanto criticava seu “guru” messiânico, chega ao extremo de “vender” o conto que os policiais em sua “luta salarial” buscaram a unidade com os operários um pouco antes do golpe militar de 1964! Em seu delírio ultrassindicalista, esses revisionistas defendem serem progressistas as reivindicações da polícia que serviu a ditadura militar para assassinar e torturar militantes de esquerda nos porões do DOPS e da OBAN!!! Exagero da LBI? Nada disso, deixemos que a própria TPOR se autodenuncie em sua cantilena reacionária: “A burguesia não pode nem imaginar que uma greve dos policiais venha confluir com uma situação de greves operárias. Lembremos que os movimentos no interior desse braço armado do Estado não é novo. Antes do golpe de 1964, houve importantes conflitos nesse sentido. A ditadura disciplinou todo o aparato, assim como fez com os sindicatos e toda vida política. No pós-ditadura, principalmente a partir de 1995, os policiais se animaram em reivindicar salário e condições de ‘trabalho’. Os governos fortaleceram o aparato, mas pouco fizeram para elevar os salários” (Sítio Massas,12/02). Esses estúpidos veem com simpatia o fato dos chacais do DOPS e da polícia militar reivindicarem serem melhores remunerados para caçar e matar os militantes que combatiam a ditadura militar! Informamos a TPOR que Roberto Marinho, Octávio Frias com sua Folha de São Paulo, o grupo Ultragaz e seu “comandante” Henning Boilesen assim como vários empresários também muito preocupados em “elevar os salários” dos policiais fizeram caixinhas milionárias para dar “melhores condições de trabalho” a seus serviçais civis e de farda!

E que não nos venha a TPOR “forçar a barra” e comparar as reacionárias greves policiais de hoje ou mesmo de 1995 com o levante dos cabos e soldados da marinha brasileira contra o comando militar e em defesa de sua organização sindical e política ocorrido em uma etapa pré-revolucionária às vésperas do golpe “cívico-militar” de 1964! São movimentos de móveis políticos absolutamente distintos. Os revolucionários devem aferir o apoio a estes movimentos a partir de critérios políticos e não economicistas, impulsionando a defesa dos direitos políticos e democráticos da tropa como em 64 e rechaçando os movimentos de caráter reacionários como as atuais greves policiais que reivindicam melhores salários para aperfeiçoar sua atuação na repressão aos explorados. Até porque como nos ensina Trotsky em sua famosa História da Revolução Russa: “Os policiais são inimigos ferozes, implacáveis, que odeiam e são odiados. Nem sequer pensar em ganhá-los... É diferente com os soldados: a multidão busca por todos os meios evitar confrontos hostis com eles; pelo contrário, busca maneira de influir neles a seu favor, convencer, atrair, fraternizar, fundir-se”. Como se vê, não existe um sinal de igual entre os soldados e cabos da PM com os recrutas e militares de baixa patente das FFAA.

Buscando sensibilizar ingênuos ou tolos de ocasião, a TPOR ainda sai em defesa das famílias dos “pobres” policiais, assassinos de trabalhadores, inimigos de nossa classe! Para isso afirma descaradamente que “O Estado burguês recruta entre as famílias pobres milhares de jovens que ingressam na polícia como tábua de salvação. Mas os submetem a um soldo que mal dá para viver... Em casa, com sua mulher e filhos, não se distinguem socialmente dos explorados. Daí a importância das mulheres nas greves policiais. Eis por que afirmamos que na reivindicação salarial e no uso do método da ação direta coletiva se manifesta a luta de classes deformada e limitada”. Mais uma vez somos obrigados a recorrer ao “velho” para demolir as supostas justificativas “sociológicas” de porque deveríamos ser solidários a greve policial. Para Trotsky “O fato de que a polícia foi originalmente recrutada em grande número dentre os trabalhadores social-democratas não quer dizer nada. Aqui também a consciência é determinada pela existência. O trabalhador que se torna um policial a serviço do Estado capitalista, é um policial burguês, e não um trabalhador” (E agora, questões vitais para o proletariado alemão, 1932).

Apesar de usar todo seu malabarismo político, a tentativa da TPOR em dotar a greve policial de alguma característica “progressiva” é absolutamente inútil. Para realizar a pirueta de apoiar a greve das PMs sem manchar-se com o sangue derramado quotidianamente dos trabalhadores pelos policiais nos dizem com ar angelical: “O POR apoiou a greve rechaçando as reivindicações de aumento do contingente militar, ou outras que pudessem ganhar relevo como melhor armamento, mais viaturas, melhorias nas unidades militares” (Jornal Massas, 246). Desta forma busca estabelecer a política de um ovo em cada cesto, justificam o apoio à greve (baixos salários) com o mesmo argumento de que dizem oporem-se às reivindicações da greve (melhoria de condições de trabalho). Só mesmo uma organização ultra-oportunista pode fazer tantas acrobacias políticas sem o menor princípio programático. Longe das ficções criadas pela TPOR para justificar sua frente com os policiais fascistas, como se estes fossem “pobres” trabalhadores, o movimento grevista na Bahia foi dirigido pelas direções reacionárias das Associações de Cabos e Soldados da Bahia, como a ASPRA, que nunca se opuseram às prisões e repressão dos trabalhadores e estudantes. Lembremos que para Trotsky, “inclusive as frações mais avançadas (do exército) não passarão aberta e ativamente para o lado do proletariado até que vejam com seus próprios olhos que os operários querem lutar e são capazes de vencer” (Aonde vai a França?). Ou seja, a unidade do proletariado mesmo com os setores mais avançados do exército só se dará em situações pré-revolucionárias. No entanto, na falta do proletariado em cena, os loristas tupiniquins seguem a reboque dos interesses reacionários das polícias, que uma vez vitoriosos, só reforçariam o aparelho repressor do Estado burguês, garantindo a continuidade da opressão sobre o proletariado. E não adianta a TPOR dizer que se trata de mais uma “infâmia” da LBI ou cortinas de fumaça do gênero, até porque já conhecemos a verdadeira “folha corrida” da corrente lorista em apoio as forças da reação, seja no Brasil ou na Bolívia!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

As duas tragédias da crise grega

A Grécia foi palco de gigantescos protestos nestes últimos dias contra os duros ataques do governo contra os trabalhadores. O “novo” plano de ajuste, que prevê demissões e a redução do salário mínimo, foi aprovado no parlamento nesta segunda-feira, 13/02. A troika (UE, BCE e FMI) exigiu estas medidas para que o país receba uma nova “ajuda” de 130 bilhões de euros voltados a pagar os bancos estrangeiros. Em Atenas, milhares se mobilizaram em uma demonstração de ódio popular contra a política levada a cabo pelo governo da coalizão Nova Democracia-Pasok comandado pelo tecnocrata Lucas Papademos. Mais uma vez, a pressão sobre o parlamento não teve qualquer efeito e deputados aprovaram o corte de 15 mil empregos públicos, uma diminuição de 22% no salário mínimo, flexibilização de leis trabalhistas (para facilitar a demissão de trabalhadores) e um pacote de impostos e reformas previdenciárias.

O quadro de profunda crise econômica em que está mergulhado o país é uma tragédia social em si mesmo. Os rentistas puseram a Grécia em uma completa bancarrota, de joelhos, através de um endividamento “alavancado”, baseado no cassino financeiro internacional. Agora, esses parasitas estão impondo mais uma vez duros ataques aos trabalhadores com o objetivo de liberar o máximo do orçamento nacional para o pagamento de juros e amortizações. Como o país está complemente quebrado, a crise política vem debilitando o governo de plantão, porém não há uma alternativa política revolucionária, já que todos os partidos apóiam o plano de ajuste e o stalinista KKE joga suas fichas na pressão sobre o parlamento burguês como faz novamente agora, advogando “nenhum memorando deve ser assinado, nenhum acordo novo” (Comunicado KKE, 12/02), quando estava na ordem do dia a organização do chamado à derrubada revolucionária do governo burguês, através de uma greve geral política por tempo indeterminado com ocupações das empresas e a formação de comitês populares de autodefesa para enfrentar a repressão capitalista.

Aqui adentramos na segunda tragédia que vive a Grécia. Ao lado do avanço da barbárie social, assistimos a crise de direção política dos trabalhadores em luta. O KKE atua para desgastar eleitoralmente o governo, com vistas às eleições de abril. Sua tática distracionista está condensada no slogan “A Troika deve ir-se! Desligamento da UE” (Comunicado KKE, 12/02), mas esta impotência política tem aberto caminho para uma senda cada vez mais autoritária do regime, com as tendências fascistas ganhando força entre o povo pobre desesperado. A coligação governamental PASOK-ND tende a se esfacelar, porém em seu lugar a burguesia e o imperialismo planejam um governo puro da Nova Democracia (ND) em aliança com os partidos da extrema-direita! As pesquisas eleitorais apontam apoio popular a essa “saída”! Nesse sentido, chamando as “eleições agora! Cancelamento unilateral da dívida e desligamento da União Europeia!” (idem) o KKE não faz mais que dar fôlego à burguesia por meio das ilusões eleitorais!

Tragicamente, longe de abrir caminho para o socialismo e a revolução, como apregoavam desde o stalinismo até o revisionismo do trotskismo, a dramática situação grega está assentando as bases para a barbárie social sob o tacão da direita tradicional, que vai assumindo as rédeas do regime. Insistimos na lição de que não haverá mobilizações, por mais multitudinárias e heróicas que sejam como as que estamos presenciando na Grécia hoje, capazes de derrotar a burguesia e seus governos lacaios sem a adoção de uma estratégia revolucionária de luta pelo poder operário. Se não tirarmos estas lições para forjarmos no combate em curso a construção de um autêntico partido revolucionário, jamais romperemos com a onda de derrotas que estão sendo impostas aos trabalhadores no campo econômico e político, duas faces dramáticas dessa verdadeira tragédia grega!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Acaba a greve da PM baiana após denúncias de assassinatos de moradores de rua praticados pelos “combativos” policiais

Foi encerrada sábado à noite (11/02) em uma reduzida assembleia a greve da PM na Bahia, após doze dias de paralisação. O movimento perdeu força social já há alguns dias, o que obrigou a desocupação do prédio da Assembleia Legislativa, importante “ícone” da greve e elemento de barganha para as negociações com o governo petista de Jaques Wagner. Mas o principal “trunfo” da greve era mesmo o clima de terror espalhado na cidade de Salvador, com o aumento dos saques a pequenos comerciantes da periferia e a morte de moradores de rua. Quando no início da semana foi revelado, por meio de escutas telefônicas feitas pelo governo estadual com a autorização judicial, que o comando do movimento organizava os saques, queima de caminhões e até os assassinatos dos indefesos moradores de rua, a greve se desmontou por completo. O governo Wagner partiu para uma ofensiva midiática, jogando a população contra a greve, qualificando “generosamente” os policiais assassinos de “baderneiros” e de cometerem “vandalismo”. A assembleia da PM foi obrigada a aceitar a “reduzida” proposta (feita antes mesmo do começo da greve) de um aumento de 6,5% e pagamentos de gratificações escalonadas até 2015! Mas, pelo menos o contingenciamento orçamentário de 2012 para a compra de mais viaturas (importadas) e armas sofisticadas para reprimir melhor a população pobre e trabalhadora foi garantido por Wagner, configurando o saldo “positivo” do movimento, ao menos para os cretinos que apoiaram a “combativa” greve dos policiais assassinos.

Setores da intelectualidade “progressista” simpáticos ao governo da frente popular trataram de caracterizar o movimento da PM como um “motim”, marcando uma posição contrária a reivindicação dos grevistas e justificando a repressão sofrida com a ajuda do Exército. Por outro lado, a esquerda revisionista apoiou freneticamente a greve policial, afirmando que os PMs são uma categoria de trabalhadores como outra qualquer, e seu movimento debilitaria os governos estaduais, quebrando a “hierarquia militar”. Existiram ainda aqueles que, tentando permanecer equidistantes entre os dois lados (PCB, por exemplo), sacaram suas “receitas democráticas” de segurança pública, fazendo a defesa de uma “polícia cidadã” nos marcos de uma ditadura de classe (capitalismo).

Nós Bolcheviques leninistas entendemos que as atuais greves da PM, estão muito distantes de assumirem uma feição de “motim”, contra a cúpula militar ou mesmo contra as “autoridades” constituídas. Não voltaram suas armas contra nenhum comandante ou governador, não tomaram quartéis ou sequestraram oficiais, no máximo ocuparam um prédio da Assembleia Legislativa, palco tradicional de manifestações de funcionários públicos. Em resumo, se houve algum “motim”, por parte dos policiais grevistas, este ocorreu covardemente contra moradores de rua e pequenos comerciantes. Esta greve policial não “ousou” quebrar qualquer hierarquia substantiva e tampouco teve qualquer móvel democrático contra as próprias barbaridades cometidas diariamente pela tropa contra a população oprimida, com aval do alto comando militar e dos governos eleitos “democraticamente”. A “luta” dos policiais se limitava ao eixo de uma recomposição salarial, fomentada pelos altos gastos orçamentários com a “segurança pública”, leia-se com a preservação da propriedade privada dos meios de produção, de uma elite corrupta e que cada vez mais concentra renda em nosso país e teme a “ira dos marginalizados” deste regime bastardo.

A tentativa de dotar esta greve policial de alguma característica “progressiva” é absolutamente inútil. Por mais que a esquerda revisionista se esforce em “glamorizar” os cães raivosos das PMs, suas ações durante o movimento apenas reproduziram o que são treinados e pagos para fazer, ou seja, assassinar pobres e reprimir trabalhadores. Não por coincidência, quando o PSTU tentou levar o apoio dos rodoviários (a COLUTAS dirige o sindicato) a greve da PM ocorrida no Ceará, a categoria respondeu com um sonoro não! Agora se desnudam os atos “combativos” da PM na Bahia onde os grevistas partiam para queimar caminhões, imaginem a categoria dos rodoviários sendo solidária com seus “chacais”, só mesmo na mente dos estúpidos Morenistas.

Como definiu brilhantemente o “velho” bolchevique L. Trotsky, em uma polêmica com Stalinistas alemães, acerca do suposto caráter “proletário” dos policiais: “O fato de que a polícia foi originalmente recrutada em grande número dentre os trabalhadores social-democratas não quer dizer nada. Aqui também a consciência é determinada pela existência. O trabalhador que se torna um policial a serviço do Estado capitalista, é um policial burguês, e não um trabalhador...” (Questões vitais para o proletariado alemão, 1932). Os soldados e cabos da PM, nada tem a ver com os recrutas e militares de baixa patente das forças armadas, os primeiros são membros de uma instituição policial, militarizada ao gosto dos regimes autoritários, os segundos são militares de fato e pertencem ao exército nacional. Deixemos que o próprio Trotsky exponha esta questão: “A multidão demonstrava um ódio furioso contra a polícia. A polícia montada era recebida com vaias, pedras, pedaços de ferro. Muito distinta era a atitude dos operários com relação aos soldados... A polícia é um inimigo cruel, inconciliável, odiado. Não há nem que se pensar em ganhá-los para a causa. Não há outro remédio que açoitá-los ou matá-los. Quanto ao exército é outra coisa...” (História da Revolução Russa, 1930). Tentar transformar o legado teórico bolchevique, de cindir a base das forças armadas, em uma etapa revolucionária, a favor do proletariado, em apoio acrítico a uma greve reacionária de policiais, não passa de uma “armadilha” do mais rasteiro sindicalismo vulgar praticado pelo PSTU e seus congêneres revisionistas. A própria história da luta de classes se encarregará de elucidar para as novas gerações de comunistas a traição cometida pelos que hoje se colocam no campo da reação, seja na greve das polícias ou ao lado da OTAN na Líbia e Síria.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 230, Fevereiro/2012



EDITORIAL
Um gabinete de estafetas a serviço das grandes oligarquias regionais


GREVE DA PM NA BAHIA
Diante do possível enfrentamento entre as tropas do exército e a PM baiana, a defesa do derrotismo revolucionário é a única posição de classe


UMA POLÊMICA COM O PSTU
Devemos apoiar o movimento dos policiais que assassinaram e estupraram moradores do Pinheirinho?


ATO NA PRAÇA DA SÉ EM SOLIDARIEDADE AO PINHEIRINHO
Alckmin, o rato fascista covarde, foge e Kassab é alvo de “ovos e pedras”


ENTRE AMIGOS...
Lula recebe o fascista Alckmin para felicitá-lo pela barbárie no Pinheirinho


A ESQUERDA REVISIONISTA E A DESOCUPAÇAO DO PINHEIRINHO
Crônica de uma derrota anunciada ou... como não organizar a resistência popular à ação militar do fascista Alckmin


“PRIVATARIA PETISTA”
Como nos tempos “plumados” do tucanato, Dilma “bate o martelo” e privatiza os aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília!


CNJ VERSUS STF, UMA GUERRA DE QUADRILHAS
A “caixa preta” do judiciário brasileiro e seus “bandidos de toga”


UM CONVITE BASTANTE REVELADOR...
PSTU propõe integrar uma “frente de esquerda” encabeçada pelo “movimento por uma nova política”, impulsionado por Marina Silva e Heloísa Helena em Maceió


COLONIALISMO INGLÊS
A disputa diplomática pelo controle das ilhas Malvinas e a impotência da esquerda revisionista, convertida agora em força auxiliar da OTAN


EM DEFESA DO ESTADO OPERÁRIO
Após 50 anos de bloqueio econômico do imperialismo ianque, nossa resposta continua sendo a defesa incondicional de Cuba e das conquistas da revolução!


LUTAR CONTRA A RESTAURAÇÃO CAPITALISTA NA ILHA
O abraço de urso do governo neoliberal de Dilma no Estado operário cubano


A VERDADEIRA FACE DA “PRIMAVERA ÁRABE” NO EGITO
A chacina de Port Said e a “etapa democrática da revolução”


OFENSIVA IMPERIALISTA NO ORIENTE MÉDIO
Falsas manifestações populares, atentados terroristas e sabotagem cibernética: táticas de guerra do imperialismo ianque contra o Irã e a Síria


COMBATE ANTI-IMPERIALISTA NO NORTE DA ÁFRICA
Resistência nacional líbia expulsa as milícias mercenárias da OTAN, retomando o controle da cidade de Bani Walid


O REVISIONISMO DE MÃOS DADAS COM A CASA BRANCA
Senhora Clinton organiza “clube de amigos da Síria” (sic!) enquanto governo turco prepara invasão ao país para “derrubar o ditador Assad”, LIT (PSTU) afirma que apóia a iniciativa!


ONTEM NA LÍBIA, HOJE NA SÍRIA...
PTS, a um passo “à esquerda” do tradicional Morenismo, mas ainda no mesmo campo da OTAN


PUBLICAÇÕES LBI
Lançada nova edição de Marxismo Revolucionário


CAMPANHA NACIONAL DE ASSINATURAS
Assine Luta Operária, um jornal militante de combate pela revolução proletária e o socialismo!


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Após 50 anos de bloqueio econômico do imperialismo ianque, nossa resposta continua sendo a defesa incondicional de Cuba e das conquistas da revolução!

Nesse mês de fevereiro se completa 50 anos do bloqueio econômico do imperialismo ianque a Cuba, que já provocou um prejuízo superior a US$ 1 trilhão segundo o governo da Ilha. Por ordem do então presidente “democrata” Kennedy, a Casa Branca suspendeu em 1962 as relações comerciais com o Estado operário cubano, além de proibir linhas de crédito e vários outros tipos de intercâmbios. A medida era uma retaliação às nacionalizações de empresas norte-americanas e às crescentes relações com a URSS. Essa política tem sido levada a cabo até hoje, sendo renovada sistematicamente por outro “democrata”, Obama, pondo assim um fim às ilusões da burocracia castrista que acreditou inicialmente que este alteraria as relações políticas entre Cuba e os EUA. Hoje, o bloqueio é usado como fonte de forte pressão para impor dificuldades econômicas ao povo cubano e, ao mesmo tempo, serve de chantagem para o incremento da abertura capitalista por parte da direção do PCC, opositora do programa trotskista da revolução permanente.

Com a liquidação contrarrevolucionária da URSS, os efeitos do bloqueio econômico ianque se fizeram sentir ainda mais ferozmente. A derrubada do Muro de Berlim e a liquidação da URSS entre os anos de 89-91, saudada como um “avanço ao socialismo” por grupos revisionistas como a LIT/PSTU, forçou o castrismo a adotar uma série de medidas de mercado para incrementar a atividade econômica na Ilha. Até então a ilha mantinha 85% de seu intercâmbio econômico e comercial com a URSS. Com o fim do Estado operário soviético Cuba deixa de receber abruptamente 14 milhões de toneladas de combustível ao ano a preço abaixo do mercado mundial, quando a produção nacional chegava a no máximo 500 mil toneladas anuais. O desaparecimento das condições vantajosas do comércio de Cuba com o Leste europeu e, fundamentalmente, com a URSS fez caírem as exportações cubanas em mais de 70% em apenas três anos, entre 1989 e 1993. Como produto dessa situação 1/3 do PIB caiu, dividido na redução de 50% da produção da agricultura, 30% da indústria e 70% da construção civil. Em resposta à Lei de Torricelli e a Lei Helms-Burton que reforçaram o bloqueio econômico, o governo cubano aprovou a Lei de Inversões Estrangeiras, em 1995, que flexibilizou o monopólio do comércio exterior, permite investimentos do capital estrangeiro em ramos centrais da economia, autoriza a remessa integral dos lucros e dissolveu a Junta Central de Planificação, órgão responsável pela planificação da economia no Estado operário.

Inicialmente Fidel Castro escondeu a nocividade destas medidas e buscou identificá-las com a NEP de Lenin, quando na verdade sua política não estava baseada na expansão da revolução mundial, como podemos ver claramente nas relações que Cuba estabelece com o chavismo, apoiando o “presidente bolivariano” em sua política nacionalista-burguesa de não-ruptura com o modo de produção capitalista, como fez anteriormente com a Nicarágua de Daniel Ortega. Hoje esta orientação está clara nas resoluções do VI Congresso do PCC, condensadas nas palavras de Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular: “O socialismo não é a propriedade pública de todos os meios de produção. A luta política e nosso próprio voluntarismo conduziram a exageros no passado, que precisam ser retificados. Não podemos mais compreender o empreendedorismo privado, sob controle do Estado, apenas como uma concessão temporária. Essa atividade deve ter seu lugar em nosso modelo socialista. Para essa tarefa, precisamos entender qual o socialismo possível, capaz de trazer desenvolvimento e prosperidade para as novas gerações. Não temos medo de criticar nossos próprios erros, pois não há outra forma de construir um projeto histórico de nação.” (Opera Mundi, 08/02). Ao contrário dessa apologia a abertura feita pela direção castrista, que ataca direitos históricos dos trabalhadores, os genuínos trotskistas não escondem por um só momento a angustiante realidade por que passa Cuba, produto da própria etapa contrarrevolucionária aberta com o fim da URSS e da ação da burocracia parasitária.

Alertamos que os “ziguezagues” do castrismo diante da ofensiva mundial do imperialismo ianque colocam em risco a defesa das conquistas históricas da revolução cubana, que mesmo debilitadas por um bloqueio criminoso, permanecem socialmente vigentes para o proletariado da ilha operária. Os próximos passos da Casa Branca estão bastante claros: primeiro a chantagem “democrática”, utilizando a dissidência contrarrevolucionária como as “Damas de Branco” ou os ataques midiáticos da blogueira-mercenária Yoani Sánchez, posteriormente a tradicional agressão militar como vimos na Líbia. Quando se completam os 50 anos do bloqueio econômico do imperialismo ianque a Cuba, reafirmamos que somente a mobilização internacionalista da classe operária poderá fazer frente aos planos do império para aniquilar totalmente a enorme referência mundial da revolução cubana. Frente às provocações ianques sobre o Estado operário cubano, a posição dos revolucionários deve ser a sua defesa incondicional, para na trincheira da luta contra o imperialismo preparar as condições para a revolução política. A destruição do Estado operário cubano seja pela via da agressão militar ou da contrarrevolução “democrática”, inspirada na farseca “revolução árabe” apoiada por todo arco revisionista, não por acaso os mesmos canalhas de “esquerda” que clamam pela “derrubada da ditadura dos irmãos Castro”, representará uma enorme derrota para o proletariado da América Latina, abrindo um período sem precedentes de avanço imperialista. Por isso, nossa resposta continua sendo a defesa incondicional de Cuba e das conquistas da revolução!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Senhora Clinton organiza “clube de amigos da Síria” (sic!) enquanto governo turco prepara invasão ao país para “derrubar o ditador Assad”, LIT (PSTU) afirma que apóia a iniciativa!

“Durante todos estes meses foram reprimidas, de maneira brutal e impiedosa, todas as mobilizações populares que reivindicam a saída do ditador e que exigem liberdades democráticas. Até o mês de dezembro do ano passado, organismos da ONU, igual que outras entidades de direitos humanos, tinham contabilizado cerca de 5.500 vítimas mortais” (04/02/2012). Não, esse não é o texto da resolução proposta pelo governo Obama ao conselho de (in)segurança da ONU, para apoiar a intervenção “humanitária” da OTAN na Síria. Trata-se da última declaração política da LIT, colocando-se integralmente no campo militar dos sabotadores armados por Israel e Turquia, para depor o governo nacionalista burguês de Bachar Al Assad. Com o subtítulo “Fortalece-se o exército da Síria livre” o artigo dos Morenistas segue defendendo descaradamente e sem pruridos a intervenção da OTAN no pais que abriga o suporte militar do Hezbolah e Hamas, adversários encarniçados do sionismo, mais além de suas posições teocráticas e nacionalistas. Para a LIT os “rebeldes” Sírios, igual a seus pares sicários líbios, são “autênticos revolucionários”, a despeito do “insignificante” detalhe de estarem sendo armados pelo Mossad do Estado terrorista de Israel. Se muitos enxergaram como um exagero a denúncia feita pela LBI, durante a guerra civil na Líbia, de que a LIT havia se transformado em uma agência política da OTAN, agora é só comprovar como defendem explicitamente as ações dos governos imperialistas contra um país semicolonial, vejamos o que afirmam nesta mesma declaração: “Neste sentido, o ministro francês de Relações Exteriores, Alain Juppé, condenou no Conselho de Segurança o que chamou de ‘silêncio escandaloso’ por parte da ONU, em relação à violência na Síria. O premiê britânico, David Cameron, solicitou em 31 de janeiro ao Conselho de Segurança a ‘não proteger’ o presidente sírio: ‘Os assassinatos devem parar e o presidente Assad deve ir embora’, indicou o premiê britânico.” (Homepage da LIT, 04/02/2012). Para mostrar claramente que estão do lado das potências imperiais da OTAN, os Morenistas denunciam a formação de um eixo de países “Castro-Chavistas” para salvar Assad: “O castro-chavismo continua apoiando a ditadores assassinos. O concreto é que a El Assad restam poucos aliados no cenário internacional. Podemos contar nos dedos das mãos e são: Rússia, China, Irã, Cuba, Venezuela e Nicarágua.” (Idem), ou seja, no “democrático” clube dos “amigos da Síria”, onde estão os carniceiros Cameron, Sarkosy etc., a LIT e seus parceiros gusanos são bem vindos!

A verdade é que o veto da China e Rússia, no CS da ONU, obrigou o imperialismo ianque a trabalhar “por fora” da chamada multilateralidade, convocando parceiros diretos, como Israel e Turquia  a acelerarem o cerco militar ao governo Assad. O cenário montado pela Casa Branca é o mesmo da Líbia, onde supostas manifestações populares contra o regime Assad, teriam sido reprimidas violentamente, causando a morte de milhares de “civis inocentes”. A solução então encontrada pelos “nobres” chacais da OTAN, seria a intervenção “humanitária”, chancelada pela ONU. A Rússia que antes já tivera sinalizado com o apoio a uma resolução de condenação moderada a Assad, agora volta atrás temerosa de que se acelerem vertiginosamente os planos da invasão do Irã, o destino final da empreitada bélica ianque no Oriente Médio e Ásia. O governo Putin também acossado por mobilizações “made in Washington”, após a fraude nas últimas eleições parlamentares, tenta buscar uma saída de “compromisso” entre o regime Assad e a oposição pró-sionista. Esta mesma posição é seguida pela diplomacia brasileira, que tanto condena as supostas mortes causadas pelo exército regular Sírio, como os inúmeros atos de sabotagens terroristas praticados pelo “exército livre” da oposição.

O tal “exército livre da Síria”, que de livre não tem absolutamente nada, é pacientemente formado pelos EUA há quase dois anos, exatamente quando o Pentágono começou a por em marcha a operação chamada de “primavera árabe”. No início os planos do gabinete Obama eram de eclodir a guerra civil primeiro na Síria e depois no Irã, acontece que a oposição Líbia saiu na “frente”, conjuntamente com a iraniana que foi sufocada rapidamente pelas mobilizações populares em favor do regime dos Aiatolás. Os dissidentes sírios todos exilados na “city” londrina, tiveram que aguardar o imperialismo terminar seu trabalho sujo no Magreb, para entrarem em ação, com o respaldo do “know how” da vitoriosa “revolução” na Líbia. A oligarquia Assad que domina o país há varias décadas, controla um regime que representa uma verdadeira barreira de contenção ao expansionismo estatal sionista. Humilhado com as derrotas sofridas nas guerras contra Israel, chegando a perder parte do seu território, como as colinas de Golan, o regime Assad dedicou-se a apoiar as guerrilhas árabes anti-sionistas, como uma forma de estabelecer uma guerra não convencional com Israel, no sentido de pressionar pela devolução de seus territórios ocupados até hoje pelas forças do gendarme imperialista. A eliminação do apoio logístico e político as guerrilhas do Hezbolah e do Hamas, dado pela Síria, é considerado um ponto de honra pelo staff sionista, que colocou seu aparelho de segurança militar inteiramente à disposição da oposição aos Assad.

Por sua vez, o voto diplomático dado pela Rússia e China, no CS da ONU, de forma alguma significa apoio militar a Síria em uma eventual invasão militar da OTAN, apoiada pelas tropas da Turquia. Ao contrário do que proclama a “intelectualidade progressista” e o reformismo, Putin e a burocracia restauracionista chinesa estão muito longe de serem heróis anti-imperialistas. Dentre as emendas sugeridas pelos diplomatas russos na ONU, ao projeto de sanção norte americana, havia a exigência de que o governo sírio retirasse soldados e forças de segurança das cidades mais importantes do país, inclusive Homs, centro da oposição. O bloco dos BRICs, exceto a Índia que segue os EUA, defende a transição ordenada e “pacífica” do regime Assad, nos moldes do que aconteceu no Egito e Tunísia.

Neste momento, mais além da demagogia russa, a Síria só pode contar mesmo com o apoio militar decidido do Irã e das heróicas guerrilhas do Hezbolah (Líbano) e do Hamas (Palestina), contra a invasão de seu território, ou mesmo do recrudescimento de uma guerra civil, financiada por Israel. O proletariado mundial tem um campo político bem delimitado neste conflito, qual seja do lado dos combatentes palestinos e libaneses que já organizam brigadas internacionais em solidariedade ao regime nacionalista da oligarquia Assad. Os próprios combatentes palestinos, que já combateram no passado o regime burguês sírio, sabem muito bem que Assad deposto por forças pró-sionistas, como esta oposição “democrática”, significa uma vitória para Israel e um tremendo reforço na marcha imperialista para atacar o Irã, com um “corredor” aberto na Síria. Sem depositar nenhuma confiança política no regime Assad, os marxistas leninistas lutarão ombro a ombro, na mesma trincheira militar, com todas as forças que se proponham a derrotar os mercenários “livres” pró-sionistas, a serviço da OTAN.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Diante do possível enfrentamento entre as tropas do exército e a PM baiana, a defesa do derrotismo revolucionário é a única posição de classe

Com toda justeza de um grande revolucionário que nunca temeu “quebrar os ovos” para fazer a “omelete” da política marxista, Lenin afirmava que diante de um confronto entre duas forças sociais absolutamente reacionárias o proletariado não tinha nenhuma trincheira de combate, a posição do proletariado deveria ser a defesa do derrotismo revolucionário. “Quando dois ladrões se enfrentam que morram os dois” é a celebre frase do dirigente bolchevique para definir de maneira pedagógica para as massas sua política do “derrotismo revolucionário”. Hoje com a greve dos facínoras policiais militares da Bahia e o possível enfrentamento com as tropas federais do exército, a serviço do governo neoliberal do PT, os comunistas leninistas defendem o derrotismo revolucionário, diante dos dois bandos reacionários e antipopulares.

De um lado o governo petista do ex-sindicalista, Jaques Wagner, que deu continuidade à política de arrocho salarial do Carlismo, do outro o movimento “sindical” dos policiais militares, dirigido pelo oportunista Marco Prisco ex-candidato a deputado estadual pelo PTC em 2010 e atual postulante a vereador na chapa tucana. No “terceiro” campo uma população trabalhadora, oprimida e negra, vítima das maiores brutalidades de uma polícia militar racista e de um governo de “esquerda” submisso aos interesses de uma elite dominante preconceituosa. Quando chegarem a um “acordo”, os dois bandos criminosos, governo do PT e sua PM, se voltarão unidos contra as lutas populares, com toda a ferocidade que lhes ordenar os grandes capitalistas e latifundiários baianos.

Não faltaram as vozes na “esquerda” reformista em defesa da greve dos policiais, os arautos do “tradeunismo” vulgar dizem que são “trabalhadores fardados” e nesta condição vítimas da exploração e arrocho salarial como os outros servidores públicos. Os policiais, como uma categoria social, realmente são assalariados (e na sua grande maioria de origem proletária) e nisto se resume seu único “denominador comum” com os trabalhadores. Como um destacamento de “serviços especiais” do Estado burguês, os policiais não fazem parte da classe trabalhadora, como demonstrou o próprio Lenin, em seu excepcional artigo sobre os serviços de “inteligência” do regime tsarista. A polícia cumprindo a função social de um destacamento armado para preservar a propriedade privada dos meios de produção, jamais poderia ser considerada parte integrante da classe trabalhadora, pelo menos para os que têm referência no marxismo histórico. Somente revisionistas mais decompostos podem acreditar que a função da polícia em uma sociedade de classes é cuidar da “segurança pública”, de todos os cidadãos independente de sua posição na cadeia produtiva. A verdadeira “proteção” da polícia é dada apenas a burguesia nos momentos em se sente “ameaçada” de seus lucros pelas lutas do proletariado.

Enquanto os parlamentares da frente popular (PT, PCdoB) condenam os “excessos” da greve da PM baiana, suas centrais sindicais (CUT e CTB) tratam de fazer a tradicional demagogia sindicalista apoiando as reivindicações salariais do movimento “grevista”. Já a “oposição de esquerda”, PSTU e PSOL, convoca a mais irrestrita e acrítica solidariedade aos mesmos policiais militares que acabaram de chacinar covardemente a população indefesa da ocupação do Pinheirinho em São José dos Campos. Seguindo o legado de Lenin e Trotsky, os comunistas sem nenhum “compromisso” com o “sindicalismo” policial e tampouco com a patifaria da frente popular, afirmam em alto som sua defesa do derrotismo revolucionário na atual crise política do estado capitalista e suas forças de segurança. A classe operária deve abstrair as lições deste enfrentamento interburguês e se preparar para organizar sua própria defesa militar diante da brutal ofensiva patronal em curso.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Como nos tempos “plumados” do tucanato, Dilma “bate o martelo” e privatiza os aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília!

A “Privatização está de volta à agenda do País”. Quem deu a declaração foi o ex-ministro das Comunicações do governo FHC e ex-presidente do BNDES, o mafioso Luiz Carlos Mendonça de Barros, um dos “denunciados” no livro de Amaury Ribeiro Jr., “Privataria Tucana”. A privatização de três importantes aeroportos do país (Cumbica, Viracopos e Brasília) pelo governo Dilma nesta segunda-feira, 6/02, só reforça o que já havíamos afirmado: o lulismo segue o tucanato na entrega das estatais para o capital privado. Como não poderia deixar de ser, a CUT se limitou a fazer seu “teatro” na Bovespa e sequer convocou a greve dos aeroportuários em rechaço à medida.

Não por coincidência, os aeroportos de Guarulhos, Campinas e Brasília agora privatizados serão os que vão receber maiores aportes públicos destinados à Copa do Mundo, conforme o “plano de expansão dos aeroportos” defendido pelo Planalto, atendendo às pressões de empreiteiras estrangeiras. Estes três aeroportos são responsáveis por 30% do total do transporte de passageiros, 57% do total das cargas e 19% das aeronaves que circulam em todo o país. Eles sempre foram alvo da cobiça de poderosas empresas “privadas”, nacionais e estrangeiras. A privatização foi feita tendo como pretexto o sucateamento dos aeroportos. Porém, a “inoperância” dos mesmos é decorrente da velha política burguesa de sucatear as empresas estatais para depois entregá-las de bandeja à chamada “iniciativa privada”, ou seja, ao seleto grupo das companhias e consórcios que “determinam” as regras das obras de infraestrutura, agora “engordado” pelas empreiteiras internacionais, como vimos no leilão da ANAC.

Para completar o processo de privatização, o governo criou uma grande maracutaia chamada “Sociedade de Propósito Específico” (SPE), na verdade uma nova empresa, controlada pelos tubarões empreiteiros internacionais, com a qual se fundirá a Infraero. À Infraero nesta “sociedade” caberá o controle de apenas 49% das ações, enquanto as empreiteiras assumirão a maioria das ações, 51%. Trata-se da privatização pura e simples dos filões do setor. É neste quadro que entra a SPE, a qual tem a finalidade de transferir as riquezas do Tesouro Nacional para os bolsos dos grandes grupos capitalistas, ou seja, dinheiro público para financiar obras privadas. Sem meias palavras, todos os custos de produção com a edificação da infraestrutura ampliada dos aeroportos (entenda-se prejuízos) estarão nas mãos da Infraero, ao passo que os lucros serão exclusivamente aferidos pelas empreiteiras, companhias aéreas e seus sócios menores.

A essência da “negociata” é privatizar os aeroportos considerados filões e manter os deficitários sob controle da Infraero. A Infraero, ela mesma um reduto de corrupção criada durante o regime da ditadura militar que até hoje perdura sob novas formas, é controlada pela cúpula das FFAA a soldo das companhias aéreas, empreiteiras nacionais e agora estrangeiras que “ditam” sob o império das fraudes contratos sem licitações e superfaturamentos. Nesta perspectiva, os aeroportos são transformados muito mais em grandes “shopping centers” para atender as demandas dos tubarões capitalistas e ao consumismo da classe média do que voltados a atender a demanda de transporte nacional da população. Isso em um quadro em que durante o governo Lula a aviação comercial teve um crescimento vertiginoso no país – com a expansão de 118% nos últimos oito anos. Em 2011, pela primeira vez na história deste país, as viagens de avião ultrapassaram as realizadas em ônibus interestaduais. Apesar disso, nenhum investimento em modernização das torres de controle, perpetuação do arrocho salarial dos aeroportuários da Infraero, que agora convivem com a ameaça de demissão camuflada por “deslocamento obrigatório”. Tanto que o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, declarou cinicamente que nos primeiros seis meses após a assinatura do contrato todos os funcionários da empresa permanecerão onde trabalham hoje e, após esse prazo, a concessionária poderá escolher com quais funcionários deseja permanecer: “Os demais serão realocados nos 63 aeroportos que continuam sob gestão da Infraero”.

A privatização dos aeroportos consiste em um brutal ataque aos trabalhadores e a perda da mais elementar soberania nacional levada a cabo pelo governo Dilma. Uma área estratégica, considerada de segurança nacional, agora é controlada diretamente por empresas privadas, com participação estrangeira. Esta vergonhosa rapina burguesa dos aeroportos somente pode ser barrada com o controle da Infraero pelos seus trabalhadores mantendo-os estatais e nacionalizando as companhias aéreas que têm dívidas milionárias com o Estado. É necessário denunciar as privatizações levadas a cabo pela frente popular que nas eleições acusa demagogicamente o tucanto de “privatista” e lutar contra a ofensiva “neoliberal” que está em curso sob a batuta petista. Somente o efetivo controle operário das empresas estatais poderá representar um elemento progressivo e transicional para a efetiva tomada do poder pela classe operária. A defesa da restatização dos aeroportos sob o controle dos funcionários e a denúncia política das privatizações sob encomenda do imperialismo por parte do governo petista, devem estar necessariamente ligadas ao programa da revolução socialista, caso contrário não passarão de demagogia barata como fez a CUT e a CTB em seus teatrais atos de protestos, na verdade praticamente assistindo de camarote o governo Dilma “bater o martelo” no leilão da ANAC, como nos velhos tempos tucanato!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Egito: A chacina de Port Said e a “etapa democrática da revolução”

Mais de setenta mortos assassinados a “sangue frio” na cidade de Port Said, em uma simples partida de futebol pelo campeonato egípcio. A tragédia inicialmente apresentada pela grande mídia como uma briga das torcidas do time local, Al Masry e o Al Ahly, da cidade do Cairo, foi na verdade uma emboscada “armada” pelos serviços de segurança do governo da junta militar contra os organizadores da torcida do Ahly. O motivo de tamanha barbaridade, que além dos mortos deixou um saldo de mais de trezentos feridos, teria sido o envolvimento dos dirigentes do Ahly nas manifestações populares que levaram a queda do decrépito Mubarak. Mas o objetivo dos generais, que hoje controlam a transição do regime, é bem mais profundo do que uma sinistra vingança política. Os gorilas assassinos pretendiam disseminar um “clima” de temor e pânico no Egito, na tentativa de granjear apoio nos setores reacionários da classe média, receosa de uma possível “anarquia” e a falta de “segurança” no país.

Os trágicos acontecimentos, e que não foram os primeiros fomentados com estas características pela junta militar como o massacre dos Coptas, revelaram mais uma vez que o Egito está muito longe de ter atravessado uma “revolução democrática”, como sustentam os ideólogos da Casa Branca e desgraçadamente a esquerda revisionista que há muito perdeu a bússola de uma verdadeira revolução. Os militares pró-ianques que se livraram do fardo Mubarak diante das mobilizações populares e sob orientação direta do Pentágono, estão diante de um impasse no atual processo da transição política conservadora, qual seja, entregar o governo nas mãos da Irmandade Muçulmana, contrariando as pretensões iniciais da ascensão do ex-dirigente da ONU, El Baradei. As recentes eleições parlamentares, para a assembleia constituinte, potenciaram a força da Irmandade e seu Partido da Liberdade e Justiça, levando as possibilidades de uma eleição direta presidencial de Baradei a quase zero.

Neste marco travado da “transição democrática”, Obama orientou a permanência da junta militar por um máximo de tempo possível, até conseguir chegar a um acordo pleno com a Irmandade, principalmente no que tange ao respeito aos acordos militares firmados entre Egito e Israel, desde os tempos de Anuar Sadat, morto por uma ação espetacular da própria Irmandade em 1981. No aniversário de um ano da farsante “revolução”, que sequer alterou o regime militar em plena vigência, as massas sem nenhum instrumento de poder já começam a se impacientar com a letargia do processo de transição. Por sua vez o imperialismo ianque está no momento absorvido com a “questão Síria”, organizando com apoio das burguesias árabes (incluindo aí a egípcia ) a sabotagem militar ao regime Assad adversário de Israel. El Baradei anunciou sua intenção de desistir da disputa presidencial, cobrando dos EUA uma postura mais firme diante dos militares.

A ausência de uma direção revolucionária e de organismos reais de duplo poder, mais além da lotação multitudinal da Praça Tahir, faz do proletariado egípcio um espectador passivo do processo de “transição democrática”, iniciado por iniciativa de Washington. As reações espontâneas das massas, como a ocupação da embaixada de Israel em Cairo no ano passado, carecem de um eixo central de classe e inclusive são bastantes rebaixadas do ponto de vista de uma radicalidade democrática, se limitando a exigir o cumprimento do calendário das eleições presidenciais. As reivindicações operárias e as lutas por melhores condições de vida da população tem sido subordinadas pelas direções “revolucionárias” ao cronograma das ilusões institucionais da “primavera árabe”, retardando a organização independente do proletariado, o que só atesta o caráter fraudulento da chamada “revolução árabe”.

Como marxistas leninistas, compreendemos uma revolução, mesmo que em sua “etapa democrática” como a abrupta e violenta mudança de regime político, e não como um processo controlado pelas mesmas elites dominantes do “staff” institucional anterior. A revolução permanente, que funde em um mesmo fio condutor todas as fases da revolução, pressupõe ocorrer o armamento do proletariado e uma crise nos marcos do Estado burguês e não simplesmente em seu regime político ou governo de turno. Como afirmou Trotsky, dirigente da revolução bolchevique: “Mesmo na ausência de uma direção genuinamente comunista, a classe operaria deve estar armada em seus organismos de poder para que aconteça uma revolução de novo tipo”. Está absolutamente cristalino que nada parecido com isso ocorre hoje no Egito!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PSTU propõe integrar uma “frente de esquerda” encabeçada pelo “movimento por uma nova política”, impulsionado por Marina Silva e Heloísa Helena em Maceió

Quando afirmamos que o PSTU e sua corrente internacional, a LIT, há muito tempo abandonou qualquer princípio de classe em sua política, não são poucas as vozes de “esquerda” pequeno-burguesa que nos contestam, alegando que se trata de um “exagero” e até mesmo de falta de “ética”. A acidez das críticas da LBI a corrente Morenista, longe de assumirem um caráter difamatório, corresponde a própria atuação concreta do PSTU na luta de classes, seja na vergonhosa posição que tiveram na guerra da Líbia ou agora nas eleições quando propõe que Heloísa Helena, dirigente junto com Marina Silva do “movimento por uma nova política”, encabece uma chapa a prefeitura de Maceió. O PSTU mais uma vez se faz de “ingênuo” (na Líbia também desconhecia que os “rebeldes” eram armados e financiados pela OTAN), omitindo o “pequeno detalhe” da ex-senadora alagoana já ter anunciado publicamente seu ingresso no movimento para fundar um novo partido burguês. Convocando uma aliança eleitoral oportunista com o PSOL, os Morenistas afirmam que a vereadora burguesa Heloísa Helena é o melhor nome para representar a frente policlassista em Maceió: “A candidatura de Heloísa Helena será capaz de alavancar e fortalecer o programa e as candidaturas da Frente de Esquerda em todos os setores de nossa cidade” (Sítio do PSTU na internet).

A prematura saída de Marina Silva do PV em 2011, ocorrida após a derrota diante da oligarquia Sarney na disputa pelo controle do partido, obrigou os “Marinistas” a permanecerem institucionalmente em suas legendas de origem, em função da impossibilidade de legalizarem uma nova sigla partidária para as eleições municipais de 2012. A orientação política dada pelo “movimento por uma nova política”, organizado por Marina, é que seus membros se lancem nestas eleições pelos partidos que estiverem filiados no momento. Este é o caso de Heloísa Helena que mesmo já tendo declarado apoio ao movimento “Marinista”, continua filiada formalmente ao PSOL. O último congresso nacional do PSOL ampliou sua política de colaboração de classes em uma tentativa inútil de manter no ambiente partidário sua “ala Marinista”, que engloba além de Heloísa todo o “MTL” da deputada carioca Janira Rocha. Com um arco de alianças com partidos burgueses que inclui o PV (Sarneysista), PDT, PPS além do próprio “movimento por uma nova política” de Marina, o PSOL tenta sobreviver ao naufrágio da “oposição de esquerda” nestas eleições municipais, onde a frente popular deverá colher uma estrondosa vitória nas urnas.

Obviamente para “consumo interno” o PSTU se diz contrário às coligações com partidos patronais, chegando a implorar ao PSOL para “rever” sua política de alianças, enquanto para o “grande público” lança Heloísa Helena para a prefeitura de Maceió. Somente muito tolos podem imaginar que a direção nacional do PSTU não está informada sobre a colocação partidária de Heloísa, mesmo após a própria militância do PSOL repudiar quase unanimemente no congresso, a conduta ultra-oportunista da ex-senadora nas eleições presidenciais de 2010. Acontece que também um setor do próprio PSTU é defensor da ampliação da política de alianças, rompendo a velha tradição de formação de frentes unicamente com partidos da “esquerda” pequeno-burguesa.

Na verdade não há uma diferença substantiva de classe, entre o que defende o PSOL para estas eleições e a tradicional frente reformista proposta pelos Morenistas mais “conservadores”. Tanto é assim que o nome de Heloísa Helena, com toda sua trajetória burguesa, parece ser um denominador político comum entre os “heterodoxos” e “ortodoxos” do revisionismo. Para a classe operária as figuras eleitorais “progressistas” e de “esquerda” da burguesia, como Heloísa, Marina e afins, não devem receber sua menor confiança política. Somente a formação de uma frente classista revolucionária voltada para a ação direta, pode credenciar-se para receber o apoio eleitoral do proletariado e seus aliados históricos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A “caixa preta” do judiciário brasileiro e seus “bandidos de toga”

A bárbara repressão sobre os moradores do Pinheirinho suscita uma importante questão acerca da “confiabilidade” da justiça burguesa e qual o seu papel em uma etapa de crescente recrudescimento político do regime da “democracia dos ricos”. Como em quase todas as sentenças, os juízes, nas questões de interesse social que envolve ocupações urbanas ou camponesas, dão ganho de causa aos grandes proprietários de terras ou de imóveis. Evidentemente, respondem a uma classe social bem definida, os detentores dos meios de produção que lhes pagam seus “salários” e privilégios.

Embora a venalidade dos magistrados seja há muito conhecida, foi através de uma declaração, não de algum partido de esquerda, mas da corregedora nacional do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, quem criticou a proposta de reduzir ainda mais o poder de investigação do CNJ. Afirmou que a magistratura “hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga” (Associação dos Profissionais Jornalistas, 27/9). Ou seja, onde há fumaça há fogo! Isto dito por um de seus pares jurídicos. E não por acaso, a corregedora dispara contra o Tribunal de Justiça de São Paulo: “é um tribunal de justiça fechado, refratário a qualquer ação do CNJ” (idem). Por isso, a juíza Juiza Marcia Loureiro, uma patricinha a soldo do tucanato e da especulação imobiliária, resolve agir com toda liberdade e truculência para devolver a Nahas a posse ilegal do terreno do Pinheirinho, sem que ninguém possa questioná-la juridicamente, às custas das 1.500 famílias que agora estão morando na rua.

Hoje, conhecidos são mais de 1.353 casos de juízes em todas as esferas que estão “sob suspeita” (Pernambuco com 302, Piauí com 211, São Paulo com 167, Minas Gerais com 72 etc.). Só para se citar um, que ilustra bem o caráter venal e antioperário da “justiça”: o do Presidente do TRE do Rio de Janeiro, Luiz Zreiler, cujas “irregularidades” vêm da época em que era presidente do TJ fluminense, é acusado de vender sentenças para favorecer construtoras que queriam especular com terrenos sob litígio. Este é apenas um caso, mas a maioria dos implicados se fundamenta nas leis que a própria burguesia aprova para blindar completamente qualquer possibilidade de investigar os “togados”, a fim de perpetuar privilégios, desvios de função e, frequentemente, acobertar crimes por eles cometidos (que vão do passional ao político). São processos contra magistrados que defendem o trabalho escravo (no Maranhão), ou os que atrasam sentenças para que estas prescrevam favorecendo grandes empresas (bancos, construtoras, agronegócio etc.), omissão, parcialidade, abuso de autoridade e até evolução patrimonial fora dos padrões, estreitos vínculos com o crime organizado etc. São estes “senhores” que estão imbuídos da tarefa de decidir e selar o destino da vida de milhares de pessoas, a maioria das quais pobres, sem-teto, sem-terra ou condenar como “ilegais” greves operárias.

Até mesmo uma inofensiva crítica feita por um membro do próprio “staff” do judiciário para limitar o imenso poder do STF e dos aparatos da justiça em nível regional já causou toda uma repulsa na cúpula da hierarquia dos “togados”. Em conversas reservadas de bastidores, ouviu-se o seguinte comentário entre dois ministros: “o que faremos neste caso excelência? Simples, deixaremos o CNJ pequeno e a Eliane com poderes para mandar servir o cafezinho”. Quer dizer, neste terreno ninguém mete a mão, é uma “caixa preta” inexpugnável a serviço da burguesia. Não por acaso, há poucos dias, o presidente do STF, Cezar Peluso, impediu até mesmo que as iniciais de juízes togados envolvidos em escândalos fossem divulgadas na imprensa e os mesmos tenham como “pena” máxima a aposentadoria compulsória, ou seja, são “punidos” com férias remuneradas.

As dolorosas lições políticas da desocupação do Pinheirinho devem estar presentes em qualquer movimento de massas que se enfrente com a propriedade privada dos meios de produção. Como sempre alertamos ao conjunto do movimento operário, não é possível ter qualquer ilusão, nem por um instante, na justiça burguesa, ao contrário do que fez o PSTU no caso do Pinheirinho. Mesmo nestas poucas linhas já é possível se ter a dimensão de quão putrefatas são as vísceras desta instituição arcaica e “elitista” a serviço da ordem capitalista. Os revolucionários, por sua vez, não acreditam na moralização do judiciário através do CNJ, até porque a justiça tem um caráter de classe e o CNJ assim como sua “corregedora”, fazem parte dessa estrutura burguesa, com suas disputas com o STF se limitando a uma briga de quadrilhas. Os trabalhadores devem lutar pela destruição do Estado burguês, desmascarando a cada fato da luta de classes todas as instituições desse regime senil, onde o judiciário representa uma das faces mais reacionárias!