sexta-feira, 15 de junho de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 237, 1ª Quinzena de Junho/2012


EDITORIAL
A prisão dos estudantes da Unifesp pela polícia do governo Dilma e o silêncio do ANDES


QUANDO OS “VERDES” SE ENCONTRAM
O conluio reformista entre a Rio+20, a Cúpula dos Povos e seus parceiros “ecossocialistas”


UMA MÃO LAVA A OUTRA
CPI “fria” ouve os governadores Perillo e Agnelo, é a mão suja dos tucanos lavando as porcarias do PT


DILMA PREPARA SUA REELEIÇÃO
A nova internação de Lula e a crise autofágica do PT às vésperas das eleições


“FOGO AMIGO” NA FRENTE POPULAR
O PT resolve “bombardear” as candidaturas a prefeito do próprio PT


EFEITOS DA CRISE MUNDIAL NO BRASIL
A redução da expectativa do crescimento do PIB para 2012 significa estagnação da economia brasileira?


LUTA DE CLASSES OU DE GÊNERO?
Esposa assassina e esquarteja marido, dono da Yoki! Como se posiciona a esquerda policlassista que defende a Lei Maria da Penha?


A GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS NA ENCRUZILHADA
Seguir com a política de respeito à ordem burguesa imposto pelo ANDES ou radicalizar na luta direta contra o governo Dilma?


URBANITÁRIOS - CEARÁ
Não ao golpe da direção “chapa branca” do Sindiágua. Por uma nova assembleia para reafirmar a rejeição à proposta do governo Cid Gomes (PSB)!


BOLETIM MOB –CE - CONTRIBUIÇÃO AOS ENCONTROS DO BB E DA CAIXA
Fora o comando da CONTRAF-CUT! Construir uma campanha salarial vitoriosa pela base!


MAIS UMA PIADA DOS PALADINOS DO SOCIALISMO DO SÉCULO XXI
“Democratizar a OEA”, o braço político do imperialismo ianque nas Américas!!!


CRISE “À ESPANHOLA”
Troika sai em “socorro” dos bancos enquanto Rajoy ataca os trabalhadores


HOLLANDE A FRENTE DO IMPERIALISMO
Governo “socialista” da França defende intervenção armada da OTAN na Síria


NOVO ATENTADO MADE IN CIA NA SÍRIA
Mais uma provocação a serviço da intervenção militar da OTAN


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA


quinta-feira, 14 de junho de 2012

A nova internação de Lula e a crise autofágica do PT às vésperas das eleições 

Passados os procedimentos clínicos da quimioterapia e radioterapia do câncer do ex-presidente Lula, há cerca de dois meses, não faltaram manchetes “plantadas” na mídia “murdochiana” sobre a completa cura (sem o menor resquício do tumor na laringe) do “capo” maior do PT. Mas, a realidade mostrava outro cenário, o que se podia ver era um Lula abatido, física e psicologicamente, bastante distante das promessas que o partido fazia de colocá-lo “full time” nas principais campanhas petistas para as eleições municipais de outubro próximo. Há cerca de um mês, no lançamento oficial da “comissão da verdade” em Brasília, Lula posava com os octogenários ex-presidentes Sarney e FHC, parecia o mais velho dos três carregado pela mão da presidenta Dilma que aparentava uma excitação desproporcional. Enquanto a candidatura do ex-ministro da educação, Fernando Haddad, afundava na capital paulista a espera da presença do “grande líder”, Lula era atacado sem piedade pelo odiado ministro Gilmar Mendes, sem esboçar a mínima capacidade de reação política, e o que é pior, sem o menor apoio da “tropa de choque” do Palácio do Planalto. Agora nos chega a notícia de uma nova e inesperada internação hospitalar, nesta quarta-feira, 13/06. Segundo a assessoria de imprensa de Lula, a internação no Sírio-Libanês (prevista para quatro dias) era necessária para a colocação de um cateter para a reavaliação da laringe. Fica absolutamente cristalino, para além dos artigos “encomendados” na mídia, que o quadro de saúde de Lula é bastante frágil e que está aberta no interior do PT uma disputa feroz pela “construção” de uma nova liderança, com vistas é claro para a sucessão presidencial de 2014.

O julgamento dos “mensaleiros” petistas pelo STF, sob pressão marcado para agosto, cumpre um papel determinante para a sedimentação de uma nova correlação de forças no campo da frente popular. Com uma conjuntura politicamente favorável ao governo Dilma, que mantém a economia estável diante das turbulências financeiras internacionais, o Julgamento da entourage de José Dirceu pela corte maior parecia até bem pouco tempo uma questão já superada pela história, tudo indicava para uma ampla absolvição de todos os petistas envolvidos no esquema do “Valerioduto”. Mas com a incapacidade de Lula em defender vigorosamente seus “bons companheiros”, entra em cena o novo personagem da ex-presidenta “poste”, interessada pessoalmente em decapitar a turma da “Articulação”, atual “Campo Majoritário” do PT. Ao que tudo aponta, os “mensaleiros” receberão uma punição exemplar do STF, podendo parar diretamente no presídio da Papuda, sob os auspícios jurídicos da burguesia que cobra de Dilma “pronta” para a reeleição, uma depuração rígida no interior do PT.

No curso deste processo político, onde as dúvidas acerca do quadro real da saúde de Lula passam a ter um peso enorme, ocorrem as eleições municipais, que despertam o interesse direto dos aliados burgueses do PT. Também os Demo-Tucanos em estado semifalimentar, vislumbraram alguma perspectiva eleitoral em outubro, diante do impasse que paralisa as principais forças petistas. A orientação política dada pelo Planalto foi a de sabotar os prefeituráveis identificados com o grupo de Dirceu, fomentando candidaturas dos partidos da base aliada, como o PSB e PMDB. Lula ainda atônito diante da ofensividade de um governo que parecia anteriormente um fantoche seu, deve permanecer “neutralizado” por razões óbvias.

Os trabalhadores não devem nutrir a menor expectativa no circo armado das próximas eleições municipais. A ausência de uma ferramenta revolucionária dos explorados vem permitindo que o movimento de massas assista passivo a todos os confrontos interburgueses ocorridos no último período da luta de classes. O proletariado deve construir seu próprio projeto de poder, superando o estágio atual do sindicalismo de “resultados” e das greves economicistas que em nada contribuem para a formação de sua consciência revolucionária de classe. As receitas postas pela burguesia e seus principais partidos (PT, PSB, PSDB e PMDB) de um capitalismo “ sustentável” já se mostraram falidas historicamente. Não será nenhuma eleição que terá a capacidade de “mudar o mundo”, como pregam os revisionistas de todas as latitudes. Somente a ação direta da classe operária, no sentido de demolir violentamente as instituições apodrecidas desta república dos barões capitalistas, representará algo verdadeiramente novo neste horizonte de estancamento das forças produtivas da humanidade.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

O conluio reformista entre a Rio+20, a Cúpula dos Povos e seus parceiros “ecossocialistas”

Neste dia 13 de junho começou a “Rio+20” com a presença da presidente Dilma Rousseff. Está prevista a chegada da madame Clinton e do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Paralelo à Conferência das Nações Unidas para o meio-ambiente, ocorre a “Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental”. Os dois eventos, um promovido pela ONU e o outro por ONGs e “entidades da sociedade civil” (CUT, Via Campesina, UNE...) ligadas ao Fórum Social Mundial e apoiadas por ninguém menos que a Fundação Ford, são duas faces da mesma política “ecocapitalista” levada a cabo pelo imperialismo e seus governos títeres da centro-esquerda burguesa com o ajuda dos chamados “movimentos sociais” completamente cooptados pela agenda da “economia verde de mercado”. Como “ala esquerda” da Cúpula dos Povos estão os defensores do chamado “ecossocialismo”, cujo principal porta-voz é Michael Lowy, que visa colocar como centro da defesa da necessidade histórica do socialismo a questão ambiental e não a luta de classes que tenha o proletariado como vanguarda da emancipação humana.

O que une os “ecocapitalistas” que se proclamam tão preocupados com o planeta Terra é um programa de violento ataque às condições de vida do homem, o principal vetor das forças produtivas da humanidade, enquanto fingem defender os recursos naturais. Ao denunciar a farsa em torno da Rio+20 e da própria “Cúpula das Povos” dizemos claramente que só a revolução socialista, com a expropriação da burguesia em nível mundial e a liquidação do modo de produção capitalista podem por um fim às forças destrutivas, às guerras e aos monopólios predadores que ameaçam a existência da humanidade. Nesse sentido, fazemos também a polêmica com os próprios “ecossocialistas” que buscam novas vanguardas justamente para negar a luta de classes como motor da história e o método da violência revolucionária e a ditadura do proletariado como únicos meios capazes de salvar a humanidade da barbárie capitalista.

Não por acaso, Lowy nos diz que “O objetivo do ecossocialismo é o de uma transformação radical, a transição para um novo modelo de civilização, baseado em valores de solidariedade, democracia participativa, preservação do meio ambiente. Mas a luta pelo ecossocialismo começa aqui e agora, em todas as lutas sócio-ecológicas concretas que se enfrentam, de uma forma ou de outra, com o sistema. A única esperança então são os movimentos socais e aquelas ONGs que são ligadas a estes movimentos (outras são simples “conselheiros verdes” do capital). O movimento camponês – Via Campesina –, os movimentos indígenas e os movimentos de mulheres estão na primeira linha deste combate; mas também participam, em muitos países, os sindicatos, as redes ecológicas, a juventude escolar, os intelectuais, várias correntes da esquerda. O Fórum Social Mundial é uma das manifestações desta convergência na luta por um ‘outro mundo possível’, onde o ar, a água, a vida, deixarão de ser mercadorias”. (Entrevista com Michel Lowy, 24 de marco de 2012). Não há nenhuma referência ao proletariado como classe revolucionária e a necessidade do Partido Comunista, que é substituído por ONGs e “redes ecológicas” partidárias de um “novo modelo de civilização”, algo bem longe do comunismo, já que esses reformistas não querem ser identificados com Lênin e suas “fórmulas ultrapassadas”!

Ironicamente, o Brasil que pela segunda vez sedia a Conferência da ONU, tem um governo de frente popular que une em seu ministério tanto representantes do evento oficial como do “alternativo” e até mesmo “ecossocialistas” como chega a se proclamar a corrente petista Democracia Socialista (PT) que tem em Lowy uma de suas “referências”. Esta mesma Dilma levou a cabo a revisão do Código Florestal, contemplando ainda mais os interesses dos latifundiários e do agronegócio. Como se vê, a Rio+20 e a “Cúpula dos Povos” são atividades diversionistas para encobrir os reais e mais candentes problemas que a humanidade enfrenta nos dias atuais: a ofensiva imperialista através de suas guerras neocolonialistas e o ataque aos mais elementares direitos de existência dos trabalhadores. Agora mesmo está em curso no Oriente Médio sob o tacão da ONU e dos EUA sob o comando da madame Clinton, uma guerra colonialista sob a fachada da “revolução árabe” que na Líbia matou mais de 200 mil pessoas para abocanhar seus recursos naturais e segue em sua sanha assassina ao tentar desestabilizar o governo sírio. O que nos dizem os organizadores da Rio+20, da Cúpula dos Povos e até mesmos os “ecossocialistas” como Lowy e o NPA francês que apoiou a invasão da OTAN na Líbia em nome da defesa dos “direitos humanos”? Temos que apoiar os “rebeldes” que combatem as “ditaduras sanguinárias” nos proclama cinicamente este conluio reformista. Mais uma farsa, os mercenários líbios e sírios patrocinados pela CIA são na verdade porta-vozes das grandes transnacionais petrolíferas, ávidas por dominar territórios e as riquezas das nações oprimidas.

E, afinal de contas, quais são as “polêmicas” entre a Rio+20 e a Cúpula dos Povos? Os primeiros querem levar a frente os interesses dos grandes grupos econômicos fingindo a preocupação com o meio ambiente, como relata o texto da ONU: “Discutir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável (governança)”. Já os organizadores da Cúpula “paralela” desejam fazer ajustes nestes planos oficiais, mas ambos tem como unidade pétrea a manutenção do capitalismo. Vejamos o que nos diz a convocatória da Cúpula dos Povos: “A pauta prevista para a Rio+20 oficial – a chamada ‘economia verde’ e a institucionalidade global – é considerada por nós como insatisfatória para lidar com a crise do planeta, causada pelos modelos de produção e consumo... Queremos, assim, transformar o momento da Rio+20 numa oportunidade para tratar dos graves problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados. ‘Venha reinventar o mundo’ é o nosso chamado e o nosso convite à participação para as organizações e movimentos sociais do Brasil e do mundo”. Como se vê, as discussões entre as tendências burguesas e pequeno-burguesas do chamado “ecocapitalismo” sobre até onde é possível tomar medidas de pretensa proteção ao meio ambiente e ao equilíbrio climático, não pode reconhecer o caráter anárquico da produção mercantil e a impossibilidade de conter o saque da natureza com meios e métodos capitalistas. O saque e a destruição do homem e da natureza são consequências do modo de produção, apropriação e distribuição capitalistas, que não tem como ser planejada e racionalizada, mas sim liquidada pelos trabalhadores.

Já os “ecossocialistas” tentam colocar-se um passo à esquerda dos “ecocapitalistas”. Segundo Lowy “O reformismo ‘verde’ aceita as regras da ‘economia de mercado’, isto é, do capitalismo; busca soluções que seja aceitáveis, ou compatíveis, com os interesses de rentabilidade, lucro rápido, competitividade no mercado e ‘crescimento’ ilimitado das oligarquias capitalistas. Isto não quer dizer que os partidários de uma alternativa radical, como o ecossocialismo, não lutam por reformas que permitam limitar o estrago: proibição dos transgênicos, abandono da energia nuclear, desenvolvimento das energias alternativas, defesa de uma floresta tropical contra multinacionais do petróleo (Parque Yasuni!), expansão e gratuidade dos transportes coletivos, transferência do transporte de mercadorias do caminhão para o trem, etc”. Em resumo, os ecossocialistas são os “consequentes” defensores das reformas e da “verdadeira” cidadania, enquanto abominam os métodos de ação direta da classe operária para impor suas reivindicações, únicas que podem derrotar os capitalistas genocidas.

Não nos estranha que os promotores da Cúpula dos Povos abominem a defesa da revolução agrária em nome das “reformas” que o imperialismo e a burguesia venham a oferecer pela via estatal. Por isso, atuam como grupo de pressão sobre os governos burgueses, no papel de conselheiros de esquerda de seus programas eco-ambientais. Não por coincidência no Brasil, tendo como parceiros o PSTU e o PSOL, ambos “ecossocialistas”, esse ambientalistas atuam em conjunto com as ONGs manipuladas pelo imperialismo ianque para se passarem como “baluarte das florestas”. Nós revolucionários, ao contrário, defendemos que a verdadeira defesa do meio-ambiente só pode ser realizada através da aliança do campesinato pobre com o proletariado do campo e da cidade através da luta pela revolução agrária que exproprie os latifundiários através da construção de comitês de autodefesa armados, preservando a vida dos lutadores ameaçados pelo terror dos grandes proprietários, acobertados pela frente popular.

Para os marxistas revolucionários é preciso denunciar tanto a farsa da Rio+20 como a Cúpula dos Povos assim como o reformismo “ecossocialista”. Nesse sentido, o combate efetivo em defesa das reservas naturais, jamais poderá ser realizado em aliança política com empresários, ONGs e setores ligados ao imperialismo e seu projeto de “capital verde”. Somente o proletariado mundial, urbano e rural, e seus aliados históricos como o campesinato pobre, será capaz de travar uma luta consequente para expropriar o latifúndio, as grandes empresas e os monopólios por meio da luta pela revolução proletária e o socialismo!

terça-feira, 12 de junho de 2012

CPI “fria” ouve os governadores Perillo e Agnelo, é a mão suja dos tucanos lavando as porcarias do PT

A CPI do esquema Cachoeira ouviu nesta terça (12/06), na condição de convidado, o governador tucano de Goiás Marconi Perillo. Foram mais de oito horas de depoimento concentrados nas explicações do governador sobre a venda de sua residência pessoal em Goiânia para “laranjas” do bicheiro biliardário. Marconi confessou seu “erro” em não ter maiores critérios para aferir os “pagantes” que supostamente adquiriram seu imóvel. “Eu recebi três cheques pré-datados. E já me arrependi de não ter visto de quem era o cheque”, afirmou o “ingênuo” governador, que somente por gentileza telefonou para Cachoeira no dia de seu aniversário. Mas, quando tudo indicava para um “linchamento” político do tucano na CPI, por parte da bancada de apoio ao governo Dilma, acontece a blindagem e a amnésia coletiva sobre os negócios da megaempreitera Delta. O salvo conduto dado pela base aliada a Perillo tem a contrapartida no depoimento que o governador Petista do DF, Agnelo Queiroz, fará na quarta (13/06) a esta mesma CPI de “mentirinha”. Este instrumento institucional cujo único objetivo é desviar o justo ódio das massas com a decomposição moral do Estado burguês para o pântano parlamentar, ainda é legitimado por todos os naipes de oportunistas de esquerda, “focados” nas eleições de outubro próximo.

Se realmente a ala de Lula, Genuíno e Dirceu esperavam obter alguma revanche ou mesmo moeda de barganha nesta CPI, estão completamente “ferrados”. Ao contrário, a CPI do Cachoeira apenas serviu para acelerar o julgamento dos mensaleiros no STF, e com direito a uma condenação prévia, após o trucidamento público de Lula feito pelo bandido Gilmar Mendes. Pelo que os fatos políticos dos bastidores revelaram, o meliante ex-presidente da corte suprema obteve o sinal verde do planalto para enxovalhar a liderança de um debilitado Lula. A manobra do governo Dilma não passou despercebida e agora é o próprio FHC que aconselha a presidenta a ter cuidado com o “troco” do atual “sapo sem barba”.

Os desdobramentos das “investigações” da natimorta CPI sobre o que realmente é o centro dos negócios de Cachoeira, não as migalhas dos caças-níqueis, são absolutamente nulos. Obviamente, as transações estatais do esquema Cachoeira eram centralizadas pela empreiteira carioca, formalmente sob controle da família Cavendish. Assim como a CPI deve finalizar seus “trabalhos” incólumemente, também a Delta foi “decretada encerrada” pelo governo Dilma, após a tentativa de vende-la a um grande grupo econômico “amigo”. Como acontece na máfia tudo aquilo que a incomoda deve acabar repousando no fundo de um rio, nos círculos do PT a lógica é a mesma.

O movimento operário deve caminhar por sendas opostas à colaboração de classes semeada pela frente popular. A crença nas instituições apodrecidas desta república dos novos barões capitalistas, como advoga o campo revisionista, só pode conduzir a novas derrotas do proletariado. A farsa desta, e de todas as CPIs, é conscientemente alimentada pela chamada “oposição de esquerda”, em parceria com os reformistas “chapa branca”, para objetivos políticos exclusivamente eleitoreiros. Para este amplo setor da esquerda, aparentemente dividido em blocos adversários, a luta pela revolução socialista é apenas uma questão para as “calendas gregas”, ou quem sabe para quando Wall Street “decidir” idilicamente sepultar o modo de produção capitalista.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O PT resolve “bombardear” as candidaturas a prefeito do próprio PT

Em uma conjuntura política abertamente favorável ao governo Dilma, que alcança excelentes índices de popularidade superando inclusive a do ex-presidente Lula, contraditoriamente o PT parece que caminha para o cadafalso nas próximas eleições municipais. Não se trata de uma crise no “projeto de poder” da frente popular, baseado na colaboração de classes e estabilidade institucional do regime político, mas sim da luta autofágica das camarilhas internas do partido dos trabalhadores que deverá beneficiar diretamente os partidos aliados da base de apoio do governo Dilma e até mesmo da oposição Demo-tucana. A disputa intestina que hoje “sangra” o PT está diretamente relacionada ao debilitamento físico da figura dirigente de Lula e do crescimento dos apetites vorazes da reeleição da ex-presidente “poste” Dilma Rousseff. A burguesia apóia descaradamente a iniciativa do grupo petista pró-Dilma em se livrar definitivamente da influência hegemônica da entourage de José Dirceu nas decisões partidárias . Com a repentina doença de Lula abriu- se a oportunidade de se consolidar uma nova maioria no PT (derrotando a antiga tendência “Articulação”), visando não as eleições municipais, mas a própria sucessão presidencial de 2014. Com a proximidade do julgamento do chamado esquema do “mensalão” pelo STF, Dilma passou a atuar ofensivamente pela condenação dos mensaleiros, passando por cima inclusive da vontade política do ex-padrinho em defender incondicionalmente seus “bons companheiros”. Com sua liderança abalada, Lula foi entregue às “feras” sendo atacado pela figura mais impopular da república, o ministro do STF Gilmar Mendes. Sem mostrar nenhum poder de fogo contra o odiado Gilmar, quem acredita que Lula poderá agora alavancar suas candidaturas “preferenciais”, como a de Haddad em São Paulo. Na sequência destes acontecimentos o setor planaltista não-alinhado com Dirceu partiu para defenestrar as candidaturas próprias do PT, não só em São Paulo, mas também em Recife, Fortaleza, BH, tendo a senadora Marta Suplicy como paladina desta “causa”.

Atentos a esta crise, os partidos da chamada base aliada já trabalham em coordenação direta com o planalto para sabotar as candidaturas próprias do PT. O PSB, representante das oligarquias “socialistas” nordestinas, saliva inviabilizar as candidaturas petistas em Fortaleza e Recife, além de impor a submissão do PT em BH. O PDT e o PMDB planejam realizar a mesma operação política em outras cidades e o PSDB paulistano já declarou que só teme a presença de Dilma na campanha de Haddad, já que Lula não teria mais a força de catapultar seus “afilhados” na disputa municipal. No Rio de Janeiro, o aliado Cabral impôs o apoio do PT à reeleição de Paes, o antigo carrasco dos mensaleiros na CPI de 2005. Em síntese, as tendências da situação apontam para um fiasco do PT em 2012, preparado domesticamente, para melhor postular a recondução de Dilma ao Planalto e “romper” diplomaticamente a cláusula da “renovação democrática”.

A operação de “desmanche” das candidaturas do PT vem provocando a reação da chamada esquerda petista e de alguns “caciques” preteridos pela sanha liquidacionista dos neopetistas, agrupados pelas generosas verbas estatais. Este é o caso do atual prefeito de recife, João da Costa, que praticamente teve seu mandato cassado pelos próprios correligionários. Para não perder o norte de um programa revolucionário, em primeiro lugar é necessário afirmar que tanto os membros do “campo majoritário” de Dirceu e Lula, como os neopetistas “planaltistas” são farinha do mesmo saco, ou seja, defensores da ordem burguesa e gestores estatais da crise estrutural do capitalismo. Chega a soar ridícula a tese levantada pelo revisionismo, como OT e EM, que ainda permanecem na frondosa sombra das “oportunidades” do PT. Os poucos seguidores de Alan Woods no Brasil, diante do impasse atravessado pelo PT afirmam que: “Os marxistas do PT devem ampliar a discussão da resistência contra esta política liquidadora em todo o partido de forma firme e ampla. A situação nacional e internacional exige a unidade dos petistas que desejam manter-se fiéis a sua classe para que se articulem nacionalmente lutando para que o Partido dos Trabalhadores vire à esquerda e reate com a luta pelo socialismo”. A única coisa que realmente pode virar a esquerda no interior do lamaçal petista é o próprio carro Land Rover de mais de cem mil dólares recentemente adquirido por Dirceu a título de honorários de consultoria política.

Os genuínos marxistas revolucionários não disseminam a menor ilusão em uma suposta recuperação do PT para o socialismo, depois de dez anos de governo servindo ao capital financeiro e aos trustes imperialistas. Tampouco cabe bancar os “conselheiros de esquerda” da presidente Dilma, como faz sistematicamente a oposição de esquerda (PSOL e PSTU), lembram- se da campanha “veta tudo Dilma”? A chave para superar a paralisia do movimento de massas passa bem longe das próximas eleições municipais, mais uma etapa do engodo burguês para “distrair” o proletariado. É necessário concentrar o acumulo de forças da classe operária na perspectiva da construção de uma alternativa revolucionaria de poder, agrupando os comunistas em uma frente única para impulsionar a ação direta das massas, para além dos estreitos limites institucionais do regime burguês.



Troika sai em “socorro” dos bancos espanhóis enquanto Rajoy ataca os trabalhadores

Neste final semana, a troika formada por Comissão da União Europeia (UE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) anunciou um empréstimo de 100 bilhões de euros aos bancos espanhóis por meio do fundo de resgate da zona do Euro. Com a decisão as bolsas de valores subiram pelo mundo afora nesta segunda-feira, 11 de junho, em sinal de aprovação dos capitalistas as medidas anunciadas. O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, declarou que “Haverá uma troika. Ela se encarregará de controlar com precisão que o programa seja cumprido” (Le Monde, 11/06) demonstrando que a “ajuda” está voltada a socorrer o sistema financeiro espanhol e o próprio governo do PP, de Mariano Rajoy, que em “contra-partida” tem levado um verdadeiro plano de guerra contra os trabalhadores, anunciando demissões e cortes de verbas para a saúde e educação. O chamado “memorando espanhol” prevê também o aumento da idade para a aposentadoria e uma reforma trabalhista para reduzir os “custos de produção”. Não por acaso, Schäuble, representante do BCE afirmou que “a Espanha se encontra no caminho correto para resolver seus problemas financeiros” (Idem) em um aval à política anti-operária do PP que recentemente enfrentou com violenta repressão a greve dos mineiros.

O empréstimo feito para os bancos será pago com o dinheiro dos trabalhadores espanhóis e por meio do ataque as suas condições de vida. O governo já prepara, a exemplo do que foi feito na Grécia, Irlanda e Portugal após empréstimos desta natureza, novas medidas que vão atacar em cheio o bolso dos trabalhadores e da população espanhola. Entre estas medidas está o aumento de impostos e o corte nos gastos públicos. O empréstimo vai ser enviado diretamente para o Fundo de Reestruturação Ordenada Bancária (FROB), o que vai assegurar que o dinheiro seja direcionado, sem intermediários, para os bancos falidos ou em “dificuldades”, mantendo assim a ciranda financeira em que o Estado é o fiador do socorro aos "pobres" banqueiros e seus executivos que recebem "bônus" milionários anuais. O empréstimo vai sustentar os bancos e aumentar mais o endividamento do governo espanhol, que ficará ainda mais refém da troika. Com a “ajuda”, a Espanha é o quarto sócio da UE a recorrer a empréstimos depois da Grécia, Irlanda e Portugal. Para se ter um ideia desse quadro dramático, os recursos para a mineração foram cortados de 300 milhões de euros para 110 milhões, sob a argumentação de que é preciso reduzir o déficit para pagar a dívida pública. Como resistência ao corte, houve a greve dos mineiros há poucos dias atrás.

O PSOE de Zapatero pavimentou, com a adoção de uma série de medidas antioperárias, a vitória do PP de Rajoy, que está dando sequência ao trabalho “sujo” deixado pelos “socialistas”, atacando violentamente os trabalhadores sem a menor resistência por parte das centrais sindicais controlada pelo PSOE. O retorno do franquismo à chefia do governo espanhol significa o triunfo da direita fascista na Espanha, que usa métodos de guerra civil contra os explorados, justamente em um período de profunda crise capitalista como a que atravessamos neste momento histórico de brutal ofensiva imperialista... Tudo o contrário do que diziam aos catastrofistas de plantão que vendiam a crise como a “ante-sala” da revolução, apresentando inofensivos movimentos pequeno-burgueses como o “indignados” do 15-M como uma alternativa política "revolucionária" a barbárie capitalista!

Durante o ápice do crash capitalista mundial de setembro de 2008, quando o conjunto da esquerda revisionista como PSTU-LIT, CST-UIT, LER-QI ou Causa Operária alardeavam que o “fim do capitalismo” estava próximo, alertamos justamente o contrário, ou seja, que devido à ausência de direção revolucionária com peso de massas e o quadro de ofensiva ideológica imposto pelo grande capital desde a queda da URSS, a tendência era não só que a burguesia utilizasse a crise econômica para incrementar sua investida contra as conquistas operárias em todo o planeta, mas que esta situação abriria uma etapa política de ascensão de governos de direita ou extrema-direita nos países mais castigados pela débâcle financeira, como o crescimento de grupos fascistas e neonazistas. A verdadeira intervenção da Troika na economia espanhola e os ataques do governo facistizante de Rajoy contra os trabalhadores apontam nesta trágica direção, colocando ainda mais na ordem do dia a construção de uma verdadeira resistência operária e revolucionária através da ação direta da classe ao governo do PP, o que passa bem longe da plataforma do movimento dos "indignados" apoiado pelos revisionistas de todos os matizes mas já em franco retrocesso, que não faz mais que repetir como uma roupagem "modernosa" as velhas fórmulas socias-democratas como “regular os mercados”, “taxar os investidores” e clamar por “justiça social”.  

sexta-feira, 8 de junho de 2012


Novo atentado made in CIA na Síria, mais uma provocação a serviço da intervenção militar da OTAN

Nesta quarta-feria, 06 de junho, ocorreu um novo atentado na Síria promovido pelos grupos mercenários que desejam derrubar o governo de Bassar al Assad. A ação ocorreu no vilarejo de Mazraat al Qubeira na província de Hama e deixou mais de 80 mortos. Logo, a mídia murdochiana e os porta-vozes das potências capitalistas, assim como a ONU, acusaram o governo sírio de ser o responsável pelo ataque. É o segundo atentado em menos de duas semanas. Mais uma vez, os abutres imperialistas avançam nas provocações e já falam abertamente em uma ação militar direta sem o aval das Nações Unidas devido aos vetos no CS da ONU por parte da Rússia e da China, como os EUA já fizeram na Iugoslávia em 1999 e no Iraque em 2003.

Os inspetores-espiões da ONU anunciaram que o ataque foi obra de forças do exército sírio, apesar do modus operandi ser o mesmo do massacre ocorrido em Houla e orquestrado por mercenários islâmicos oriundos da Líbia e financiados pelos “(muy) amigos da Síria”: esfaqueamento e queima de corpos. O próprio povo sírio já percebeu a real função dos “observadores” da ONU, tanto que montaram barreiras para impedir sua chegada ao local justamente porque sabem que estes canalhas estão a serviço dos abutres imperialistas. Essa atitude foi condenada pelo EUA que declararam: “A recusa do governo sírio em deixar os observadores da ONU entrar na área para verificar essas informações, constituem uma afronta à dignidade humana e à justiça” disse Obama em comunicado. Já a víbora Hillary Clinton foi ainda mais longe, disse que a crise síria precisa de uma transferência de poder e da formação de um governo interino representativo: “Assad tem que deixar o poder e abandonar a Síria”. Na Turquia, a madame Clinton se reuniu com representantes da Europa e do Oriente Médio agrupados nos “(muy) amigos da Síria” para discutir a situação do país e descartou a proposta da Rússia de fazer um encontro com a participação do Irã para buscar um acordo de paz. Já para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, é preciso “isolar a Síria, isolar o governo, para pressionar e mostrar que o mundo inteiro deseja uma transição política deste regime ilegítimo para um que cuide de seu próprio povo”. Como se vê, trata-se da mesma plataforma política apoiada pelos revisionistas do trotskismo que apoiam a fantasiosa “revolução árabe”, verdadeiros aliados da OTAN na derrubada de Kadaffi na Líbia e que agora clamam pela queda de mais um “ditador sanguinário” na Síria.

O ventríloquo ianque e Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirmou que “O povo sírio está sangrando. Eles estão furiosos. Eles querem paz e dignidade. Acima de tudo, eles querem ação” em uma clara declaração em favor da ação militar. Na mesma reunião, o enviado da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan, disse que a crise síria logo vai ficar “fora de controle” se a pressão internacional não produzir resultados rapidamente. Annan pediu que as potências mundiais advertissem o presidente Assad das “graves consequências” (G1, 08/06) se ele não cumprir o estipulado no plano de paz da ONU para o país em conflito: “Quanto mais esperamos, mais obscuro parece o futuro da Síria. O conselho deve aplicar uma ‘pressão unificada’ a Assad” (Idem), completou o ex-secretário-geral da ONU, como uma forma de pressionar a Rússia e a China. Em Pequim, os aliados de Bashar al-Assad também se reuniram. Representantes da China e da Rússia condenaram a possibilidade de uma intervenção militar e foram contrários a uma mudança no regime, mas como são governos burgueses são incapazes de serem consequentes na luta contra o imperialismo.

Como têm alertado vários especialistas renomados em questões militares não alinhados com Washington, como Michel Chossudovsky, Rómulo Pardo Silva e Ivan Eland, “Os EUA estão usando a ONU para obter uma aprovação multilateral das políticas que deseja aplicar. Porém, se a ONU não está de acordo com Washington, como no caso Iraque ou Kosovo, EUA seguirão adiante. Na verdade os EUA e a União Europeia já estão atacando assim como os meios de comunicação. Desde o ponto de vista estritamente militar, mercenários da Líbia e do Qatar já estão atacando. É perfeitamente possível que se leve a cabo uma intervenção de guerra via a Turquia, Qatar e Arábia Saudita. O que está claro é que ao EUA interessa o controle da Síria, o controle do Líbano, a destruição do Hezbollah, esse é um plano mundial e os EUA não desejam parar” (Actualidad, 08/05). Não por acaso, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nessa terça-feira, 07/06, que a Turquia vai lançar uma nova iniciativa internacional para a Síria, depois do bloqueio, no sábado, de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU por parte da Rússia e China: “Nós lançaremos uma nova iniciativa com os países que apoiam o povo e não o regime sírio”, declarou Erdogan no Parlamento, sem precisar o conteúdo dessa proposta. Ele condenou energicamente o veto da Rússia e da China no Conselho de Segurança, afirmando que esse bloqueio “é uma permissão para matar nas mãos do tirano sírio”. O chanceler turco Ahmet Davutoglu reuniu-se nesta na quarta-feira com a madame Clinton para traçar um plano de guerra militar e diplomático.

O covarde massacre no vilarejo de Mazraat al Qubeira, assim como os atentados anteriores por mercenários, demonstra que está se cumprindo contra a Síria o mesmo script político montado pelo imperialismo ianque contra a Líbia, que sempre conta com a ajuda dessa “esquerda” convertida em porta-voz da OTAN. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, postarem-se em frente única com os governos das nações atacados ou ameaçados pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre os países semicoloniais da região. Impedir que a OTAN abra um corredor militar desde a Síria, passando pelo Líbano, para atacar o Irã, é neste momento a tarefa central da classe operária internacional em seu combate revolucionário e anti-imperialista. Nesse combate desmascaramos os revisionistas do trotskismo (LIT, UIT...) que estão no campo dos mercenários do ELS e da contrarrevolução, falsos “rebeldes” que acabam de promover mais um banho de sangue conta o povo sírio!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O ataque das direções sindicais às greves que “extrapolam” os estreitos limites da “ordem democrática”

Nos últimos meses ocorreram em todo país uma série de greves, cujas marcas são reivindicações estritamente econômicas. Em geral elas foram derrotadas devido à própria política das direções sindicais “chapa branca”, ligadas a CUT, CTB e Força Sindical. Ainda assim, em vários casos, principalmente nas categorias em que os sindicatos têm menos controle de suas bases radicalizadas, como os operários de Belo Monte e Jirau ou mesmo nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro – Comperj, em Itaboraí, houve forte resistência à imposição de acordos vergonhosos que retiram direitos, mantêm o arrocho salarial e as péssimas condições de trabalho. Na luta direta por tentar romper com a verdadeira camisa-de-força imposta pelos pelegos da frente popular, os trabalhadores de base recorreram a métodos radicalizados de luta que “extrapolam” os estreitos limites da “ordem democrática”. Assim, a imprensa burguesa noticiou “escandalizada” quando os operários no norte do país atearam fogo em canteiros de obras, bloquearam estradas ou expulsaram das assembleias os vendidos dirigentes sindicais, assim como não respeitaram as ordens da justiça burguesa de voltarem ao trabalho quando suas paralisações foram consideradas ilegais.

Como não poderia deixar de ser, essas greves foram isoladas e derrotadas porque suas direções amarelas estão corrompidas política e materialmente pelo governo da frente popular e os patrões. Por esta razão, os sindicatos controlados pela burocracia sindical governista não politizam as lutas, negando-se a ligar as aviltantes condições de trabalho e a política de arrocho salarial das empreiteiras contratadas para as obras superfaturadas da Copa do Mundo e do PAC com a própria conduta do governo Dilma Rousseff que impõe aos servidores públicos “reajuste zero” e um salário mínimo miserável. A resistência instintiva ao pacto social implícito celebrado entre a CUT-CTB-FS, os patrões e o governo Dilma é violentamente atacada, com os próprios sindicalistas a soldo da frente popular ameaçando os trabalhadores, acusando-os de radicais e vândalos, para logo depois provocar sua demissão a partir de “listas negras” entregues diretamente a chefias e ao patronato. Muitos operários inclusive, como em Jirau, foram presos depois de serem delatados pelos próprios dirigentes sindicais mafiosos.

Desgraçadamente, as formas radicalizadas de combate em algumas greves estão em contradição com o nível de consciência dos explorados que protagonizam esses próprios embates. Como não há uma alternativa política de classe ao projeto da frente popular, as greves que assumem um importante grau de radicalização, não conseguem alterar o quadro da correlação de forças, bastante favorável ao PT e seus aliados nas oligarquias estaduais, apesar dos escândalos de corrupção que vem à tona todos os dias. Elas não abalam a popularidade do governo Dilma e daqueles que a frente popular apóia no circo eleitoral que se iniciará em poucos dias para a disputa das prefeituras.

Porém, a conduta de atacar as greves que saem do controle não foi adotada apenas pelas direções sindicais comandadas pela quadrilha da CUT, CTB, UGT, CGTB e Força Sindical. Também os sindicatos ligados a CSP-Conlutas e a Intersindical trataram de condenar os “excessos” de sua própria base quando estas rompiam os estreitos limites da “ordem democrática” ditada pelo regime político bastardo. Dois exemplos dessa conduta vergonhosa ocorreram recentemente: na greve dos trabalhadores da construção civil de Fortaleza e nos metroviários de São Paulo. No primeiro caso, operários destruíram, em seu ódio de classe, a entrada da sede de um poderoso grupo de comunicação burguês ligado a Rede Globo no último dia 29/05, que através de seu jornal e TV atacava diariamente a greve, taxando os operários de baderneiros e vândalos. Longe de organizar a justa ação operária e defender a legitimidade da violência revolucionária do proletariado, os trabalhadores foram parcialmente contidos por diretores do sindicato ligados ao PSTU, que formaram uma barreira humana de contenção para proteger a sede da filial do grupo dos Marinho em Fortaleza!!! Logo após, vergonhosamente, o próprio presidente do sindicato, Nestor Bezerra, dirigente do PSTU e da CSP-Conlutas, atacou os grevistas mais radicalizados ao afirmar nas mesmas rádios, jornais e TVs que “Não aprovamos atos violentos, mas não temos como controlar um número tão grande de operários. Nós fazemos várias manifestações na cidade e algumas pessoas se aproveitam da multidão e causam um tumulto” (G-1, 31/05).

Já nos metroviários de São Paulo, a contenção também foi bastante clara e escandalosa. Após apenas um dia de greve, 23/05, que parou 100% da categoria apesar da chantagem do governo Alckmin e da imprensa burguesa contra os trabalhadores, a direção sindical ligada a CSP-Conlutas e a Intersindical impôs o fim da paralisação aceitando uma proposta aquém da apresentada anteriormente pelo TRT e já rejeitada pela categoria na assembleia que deflagrou a paralisação. O motivo de tanta “pressa” e servilidade: a força da mobilização que por decisão da base não cumpriu as exigências da justiça burguesa de manter o metrô funcionando em horários de pico. Alegando que a greve iria ser decretada ilegal, PSTU e PSOL, trataram de fazer o jogo do governo e da justiça encerrando a paralisação em uma assembleia esvaziada, convocada fora do seu horário tradicional e sem nenhuma conquista, como confessou o próprio presidente do sindicato, Altino de Melo, dirigente do PSTU e da Conlutas, durante a assembleia “Realizamos uma das maiores greves dos últimos anos, com ampla adesão de todo o quadro de funcionários. Pararam os operadores de trem, funcionários da manutenção e das estações e o corpo de segurança. A proposta é ruim, não contempla nenhuma reivindicação, mas é o máximo que podemos conseguir neste momento”. Cabe a “singela” pergunta: por que não se manteve e radicalizou a luta para arrancar a vitória, já que a greve era fortíssima e havia recém começado? A resposta é justamente porque a CSP-Conlutas e a Intersindical, profundamente adaptadas ao regime político burguês, preferiram minar a ação direta da classe para não se enfrentar com a “ordem democrática” que não aceita os métodos radicalizados de luta da classe operária, ainda mais em uma categoria como os metroviários, capaz de paralisar São Paulo e provocar enormes prejuízos à burguesia.

No momento em que escrevemos as linhas desse Editorial estamos em meio a um novo processo de luta que é a greve dos professores universitários, dirigida pelo ANDES, também controlada pelo PSOL e PSTU. Tragicamente, até o momento a greve nas universidades públicas, apesar da imensa adesão, padece dos mesmos limites impostos aos dois exemplos citados. A paralisação foi deflagrada completamente dentro da ordem burguesa, em que as direções sindicais ligadas à “oposição de esquerda” respeitam “religiosamente” os trâmites legais impostos pela justiça, usando a força do movimento para forçar a retomada das mesas de negociação (enrolação) e para estrategicamente desgastar eleitoralmente a gestão petista em busca de algum dividendo nas eleições municipais de outubro. Como é uma mobilização em curso e está se unificando com os estudantes e servidores técnicos-administrativos, cuja greve deve ter início no dia 11 de junho em conjunto com outras categorias do funcionalismo federal, mais radicalizados, a luta dos professores universitários encontra-se em uma encruzilhada, necessita romper com a política de respeito à ordem burguesa e ao “lobby de massas” imposto pelo ANDES, radicalizando na ação direta contra o governo Dilma para vencer. Desgraçadamente, a “folha corrida” tanto das direções “chapa branca” (CUT-CTB) que intervêm na greve fazendo o jogo do Palácio do Planalto, assim como da burocracia sindical de esquerda agrupada na CSP-Conlutas e Intersindical, demonstra que se depender de sua condução política teremos em um horizonte próximo mais um desfecho desfavorável para os trabalhadores.

Para romper com esse verdadeiro ciclo de derrotas é necessário superar a própria concepção economicista vulgar que domina os sindicatos, em sua esmagadora maioria completamente cooptados política e materialmente pelo governo da frente popular e que têm como limite de atuação as regras ditadas pelas instituições do regime, como a justiça burguesa. Faz-se necessário travar uma dura luta programática e ideológica no seio da vanguarda classista do proletariado para alterar o atual rumo das mobilizações em curso, antes que sejam derrotadas, já que teremos as campanhas salariais do segundo semestre chegando. Para começar, trata-se de lançar a consigna de unificação nacional de todas as lutas econômicas para o norte político estratégico de derrotar o governo Dilma. Em segundo lugar, mas não menos importante, é preciso retomar a pauta das reivindicações históricas da classe operária, muito mais além do que alguns pontos percentuais superiores aos que nos oferece a patronal. Mas, para empreender esta verdadeira batalha central contra toda sorte de oportunistas e revisionistas “chapa branca” ou de “esquerda” que dirigem o movimento de massas no Brasil, atrelando-o ao regime da democracia dos ricos, é fundamental forjar a construção de um verdadeiro embrião do partido operário revolucionário e de frações classistas nos sindicatos, com um trabalho diretamente estruturado em suas bases mais radicalizadas. Este é o principal desafio político, programático e ideológico a ser enfrentado pelos setores da vanguarda classista que buscam construir uma alternativa revolucionária de poder dos trabalhadores em nosso país, enfrentando a pressão daqueles que querem sempre disciplinar o movimento de massas sob as ordens “responsáveis e pacíficas” do grande capital.

Editorial do Jornal Luta Operária nº 236, 2ª Quinzena de maio/2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A redução da expectativa do crescimento do PIB para 2012 significa estagnação da economia brasileira?

O IBGE divulgou os dados do crescimento do primeiro trimestre do PIB em 2012 que, na projeção anualizada, estariam bem longe de alcançar a meta de 4,5% pretendida pela presidente Dilma. A variação de apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior (2011) projeta uma evolução do PIB na casa de 2,9%, ou seja, praticamente o mesmo resultado obtido pela economia em 2011. Os catastrofistas da “oposição de esquerda” logo saíram a prenunciar a tão aguardada chegada do “colapso da economia nacional”, em um ato de desespero para encobrir sua própria impotência política diante de uma conjuntura abertamente favorável a frente popular. As “viúvas de Cassandra”, como o PSTU e similares, sonham com a estagnação da economia brasileira não para impulsionar a ação direta das massas contra a ofensiva do capital, mas para quem sabe poder eleger algum vereador na carona de um possível débâcle do governo petista e seus aliados corruptos regionais. “Videntes” desde 2008 de um colapso final do capitalismo, o máximo que este amálgama de revisionistas conseguiu foi aprofundar ainda mais o curso direitista de suas intervenções na luta de classes, transformando-se em um verdadeiro bloco político de lobby parlamentar de poucos “resultados”. Acontece que se o país está bem longe das taxas de crescimento da economia chinesa, algo em torno de 8% ao ano, manter a estabilidade de um ritmo positivo de cerca de 3% do PIB em meio a uma retração generalizada do mercado mundial, de modo algum significa o limiar do “armagedon”. A leitura equivocada do ciclo da crise estrutural do modo de produção capitalista, feita pela “oposição de esquerda”, não ajuda em nada a formação da consciência de classe do proletariado, ao contrário o economicismo catastrofista só fortalece o viés oportunista de uma plataforma voltada para as eleições burguesas de 2012.

Mas, sem a menor sombra de dúvida, a expectativa do comando político do Planalto e seus acólitos era reeditar o nível de crescimento econômico alcançado em 2010, uma meta de pelo menos 5% ao ano, repetindo a sensação do “milagre” da Era Lula. Vários fatores influenciaram para um desempenho apenas “regular” da economia em 2012, sendo o principal a queda nas exportações de commodities agrominerais para o mercado asiático. Neste campo, a equipe econômica neomonetarista de Mantega tratou logo de “equilibrar” a balança comercial da maneira mais torpe possível, ou seja, desvalorizando nossa moeda para favorecer o Dólar. Por sinal, uma medida reivindicada por anos tanto pelo agronegócio, como pela “oposição de esquerda” que reclamavam da sobrevalorização do Real como um fator de retração econômica. Agora, com a possibilidade da retomada da escalada inflacionária estes mesmos setores da oposição reformista “acordaram” para se queixarem da desnacionalização da economia, ancorada na disparada do Dólar. Com um Real “barato” só no mês de maio duas grandes empresas brasileiras do ramo alimentício e de bebidas (Yoki e Ypioca) foram vendidas na “bacia das almas” por mais de um bilhão de reais cada uma.

Também a queda da taxa referencial dos juros, SELIC, no pagamento dos spreads dos títulos do Tesouro Nacional, provocou a diminuição imediata dos investimentos financeiros internacionais no mercado de capital brasileiro. Como assinalou o periódico imperialista “The Economist”, o Brasil deixou de ser o “queridinho” dos rentistas de Wall Street, apesar de suas taxas de juros ainda permanecerem bastante atraentes para estes parasitas do cassino global. As constantes quedas no índice das ações na BOVESPA, ocorrida neste primeiro semestre, reflete diretamente na depreciação dos ativos das principais empresas brasileiras pressionando para baixo o PIB nacional. Com a financeirização da economia global, em meio ao crash bursátil europeu (Espanha e Grécia no centro da tormenta), o país não poderia sair incólume desta turbulenta etapa, a não ser rompendo com a lógica da acumulação de capital, o que passa bem distante dos ideais programáticos deste governo “cipayo” da frente popular.

Para manter um patamar estável mínimo de crescimento do PIB em 2012, diante da crise mundial, o governo optou novamente pela alternativa dos subsídios e renúncia fiscal para os grandes grupos capitalistas, uma saída política que sempre agrada a burguesia e seus “agentes” no movimento operário. Esta variante utilizada em 2008, por Lula e que lhe rendeu a eleição de um poste nas eleições presidenciais de 2010, agora sofre resistência no interior da própria equipe econômica palaciana, que combate pela “ortodoxia” de um rígido superávit primário determinado pelo FMI. De toda maneira, a solução de “compromisso” encontrada pelas duas alas do governo (neodesenvolvimentistas e monetariatas) envolve um duro ajuste fiscal e corte em investimentos estatais nas áreas sociais, sem falar, é claro, no “consenso geral” em arrochar os salários do funcionalismo público. Fora este “pacote de maldades”, o governo seguirá induzindo o crescimento econômico pelo afrouxamento das linhas de crédito e inflacionando o orçamento federal com os gastos das obras dos “megaeventos” e infraestrutura nacionais. Como reflexo imediato destas medidas, as vendas do comércio no mês de maio (eletrodomésticos, materiais de construção e veículos) bateram um recorde dos últimos cinco anos, apontando um cenário completamente distinto de uma depressão econômica.

Para se estabelecer uma política revolucionária, de combate frontal ao engodo da colaboração de classes deste projeto de “poder” da frente popular, não é necessário mentir as massas como sistematicamente faz a “oposição de esquerda”. Não será com previsões que o “fim do mundo” está próximo, do tipo “irmã jurema”, que os genuínos comunistas “disputarão” as mentes mais classistas do proletariado, com o arco de apoio do PT e sua asquerosa entourage política. Desde quando os marxistas-leninistas não sabem combater em momentos de refluxo ideológico do movimento, precisando iludir a classe operaria com análises triunfalistas? A verdade é sempre revolucionária, e neste momento é necessário dizer que o governo Dilma detém a iniciativa política, lastreado em uma momentânea conjuntura econômica relativamente favorável, apesar do esgotamento histórico do desenvolvimento das forças produtivas em todo o planeta. Armados desta compreensão concreta da realidade, os trabalhadores e o povo oprimido não devem nutrir a menor expectativa política em caminhos “institucionais” para o atual impasse da luta de classes, mais que nunca mantém-se a atualidade teórica da dijuntiva: “socialismo ou barbárie”.

terça-feira, 5 de junho de 2012


Mais uma piada dos paladinos do Socialismo do Século XXI: “democratizar a OEA”, o braço político do imperialismo ianque nas Américas!!!

Evo Morales, Rafael Correa e o chanceler venezuelano Nicolás Maduro são verdadeiros piadistas ou... na verdade enganadores de seu próprio povo e do proletariado latino-americano. Os três, em uníssono, usaram suas intervenções na 42ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade criada em 1948 pelo imperialismo ianque para melhor dominar a região e suas semicolônias, solicitando diplomaticamente a “democratização” desse covil de bandidos, um organismo que qualquer governo que se diz soberano (não falamos sequer de retoricamente socialista) já deveria ter rompido. Lembremos que Cuba foi expulsa do bloco em 1962, logo após Fidel Castro e Che terem nacionalizado as empresas ianques e derrotado a Invasão da Baía dos Porcos. A ilha operária foi “convidada” a ser reincorporada a esse organismo em 2009, mas o PC cubano vetou o ingresso porque a burocracia castrista, apesar de todas as concessões feitas ao imperialismo, sabe que o retorno a OEA seria uma armadilha contra sua própria existência.

Segundo Evo Morales “Queremos garantir plena igualdade entre os Estados-membros”. Ele afirmou que o continente necessita adotar um modelo de coexistência, respeito e complementaridade: “Temos de resolver nossas profundas feridas históricas, sob pena de impedir a integração plena que desejamos”. Já Rafael Correa declarou “Vemos que o Sistema Interamericano não está à altura da mudança de épocas que vivemos em nossos países”, enquanto Maduro argumentou que “Não quero que se pense mal, pois não queremos que a OEA morra, porém a prepotência dos EUA não ajuda e isto pode levar a morte deste organismo” (Telesul, 05/05). E arremata: “o desejo é manter a OEA, porém com algumas propostas para conseguir uma mudança que beneficie a todos e não somente os EUA” (Idem). As palavras dos três mosqueteiros paladinos do “Socialismo do Século XXI” é uma prova a mais de que estes governos estão comprometidos em estabelecer um acordo com o imperialismo que preserve os interesses de suas burguesias nativas e os negócios com o amo do norte. O governo Dilma, ainda mais próximo da Casa Branca, sequer embarcou nessa demagogia de seus colegas da centro-esquerda burguesa, preferindo atuar nos bastidores para fechar um acordo político como “mediador” dos dois lados, devendo chefiar o órgão.

A OEA é responsável por legitimar fraudes e golpes na região. Outrora atuou contra o Panamá, Cuba e a República Dominicana em defesa dos interesses ianques em suas intervenções militares. Em 2006 organizou a fraude que levou Noboa ao segundo turno das eleições presidenciais equatorianas contra o próprio Correa, justamente para o imperialismo poder chantageá-lo. Recentemente, deu seu aval ao golpe em Honduras, país reincorporado ao organismo após acordo vergonhoso com Zelaya, outro paladino da farsa do “Socialismo do Século XXI” que abortou qualquer resistência direta à investida arquirreacionária colocando nas mãos da OEA a saída... Resultado: centenas de ativistas assassinados em Honduras e os golpistas a frente do governo até hoje!!!

As pretensões de Evo, Correa e Maduro não podem ser soberanas, porque os mandatários destes países são servos, apesar das diferenças de grau, do amo do norte. Ademais, a relação de colônia dos países sul-americanos e caribenhos com os EUA, sem poder militar e econômico independente, colocam por terra a farsa montada em torno do projeto de “democratização” da OEA. Do ponto de vista político, a melhor forma do imperialismo ianque seguir dominando a região, principalmente com a reeleição de Barack Obama à presidência do EUA, é recorrendo a seus títeres de “esquerda”, que ainda têm uma ampla margem de manobra e apoio do movimento de massas, fator fundamental que tem estabilizado o continente, apesar das crises. Por essa razão a demagogia em torno de um novo pacto de condução da OEA e o chamado a Cuba participar do organismo como parte da pressão para que se avance a restauração capitalista.

Como alternativa a esses farsantes que sequer têm a coragem de romper com a OEA, organismo que a qualquer momento pode apoiar ofensivas políticas e militares contra seus próprios governos e a Cuba em particular, como vem demonstrando o papel da Liga Árabe no Oriente Médio em defesa da farsesca “revolução árabe” made in CIA, está colocada a luta pela expropriação dos monopólios ianques, das transnacionais e das grandes empresas nacionais, colocando-as sob o controle dos trabalhadores assim como a unidade revolucionária do proletariado em torno de um partido internacionalista revolucionário. Somente a luta consequente das massas poderá gerar as condições para uma verdadeira soberania e independência nacional, no marco da construção de uma Federação das Repúblicas Socialistas da América.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Governo “socialista” da França defende intervenção armada da OTAN na Síria

O recém-eleito presidente “socialista” (PS) da França, François Hollande, afirmou na última terça-feira, (29), que “não há solução possível na Síria sem a saída de seu presidente Bashar al Assad” (Folha de S.Paulo, 1/6). Exige, ao mesmo tempo, que a ONU deve endurecer em relação ao regime nacionalista sírio, impondo duras e draconianas sanções. E vai mais além nas palavras e atos: “a intervenção armada não está excluída, desde que seja feita por uma decisão do Conselho de Segurança” (Actualidad, 29/5). Evidentemente, que não se trata de uma simples “saída”, mas sim que Assad seja deposto tal como Kadaffi através de uma intervenção militar direta na Síria. O ministro das relações exteriores, Laurent Fabius, reforça esta política quanto à situação do governo sírio: “demonstra mais uma vez o isolamento do regime de Damasco, ao que ninguém mais pode apoiar a barbárie” (Folha de S.Paulo, 1/6). A pronta resposta do governo dos “socialistas” franceses vem confirmar nossos ácidos prognósticos, que Hollande e seu staff foi escolhido pelo imperialismo europeu para melhor aplicar os planos de ajustes do FMI contra o proletariado francês e dar continuidade a ofensiva do governo Sarkozy.

A situação tem se agravado após o mega-atentado de Husla, na verdade uma orquestração terrorista do imperialismo ianque e europeu para culpabilizar o governo Assad pelo massacre de... sua própria população (!) e isolá-lo perante as demais nações. A destituição de Assad equivale à destruição do país em nome da cínica defesa dos “direitos humanos”, cujo objetivo da OTAN seria criar um corredor na Síria e Líbano para um futuro ataque ao Irã. E é este o papel que vem cumprindo o “novo” governo da França que, aliás, foi vergonhosamente apoiado por todo arco do revisionismo trotsquista. Ou seja, Hollande “não deve ter tido em mente apenas o governo da Síria... Suas palavras servem também de apelo à comunidade de países ocidentais e aos governos das nações que tem apoiado a Síria até agora” (Terra Notícias, 31/5), mais especificamente em relação à Rússia e China.

O imperialismo francês nada mais faz do que seguir as ordens da Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton nas entranhas da chamada “revolução árabe”: “Devemos trabalhar em conjunto para isolar mais ainda o regime, cortar-lhe o financiamento e a capacidade de mover uma guerra contra o seu próprio povo” (France Press, 30/5), anunciando uma crônica já vista antes, a de um banho de sangue do povo sírio pelas mãos criminosas da OTAN e da UE. Hollande confirma plenamente esta orientação: “Não posso permanecer sem reação perante o que está ocorrendo na Síria, e nós coordenaremos nossas ações de acordo com nossos colegas europeus” (France 2, 28/5). A crise capitalista exige o retorno da velha social democracia nos países chaves da Europa como França, Inglaterra e Alemanha substituindo os já desgastados governos da “direita” conservadora.

A defesa da agressão militar da OTAN contra a Síria pelo PS é a expressão do verdadeiro papel que cumpre os “socialistas” no velho mundo. Não por acaso, Hollande foi apoiado no segundo turno das eleições presidenciais por grande parte das correntes pseudotrotskistas que aplaudem a fantasiosa “revolução árabe”. Contra a nefasta política do imperialismo francês, o proletariado mundial deve-se levantar em luta para barrar mais essa investida colonialista, postando-se pela defesa da nação síria contra os ataques das grandes potências capitalistas a um país semicolonial.

sábado, 2 de junho de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 236, 2ª Quinzena de Maio/2012


EDITORIAL
O ataque das direções sindicais as greves que “extrapolam” os estreitos limites da “ordem democrática”


DILMA E SUA “CRUZADA CÍVICA” PELO JURO BAIXO
Com país “encharcado” de capital, BC reduz taxa de juros ao menor nível da última década


LIGAÇÕES PERIGOSAS
Por que Lula, Gilmar Mendes e Jobim se encontraram em Brasília?


MENSALEIROS EM POLVOROSA
“Eu sou apenas um carola” afirma Demóstenes na comissão de ética do Senado, para desespero de Dirceu


CIRCO PARLAMENTAR
Cachoeira fica de bico calado, restando a CPI convocar Xuxa para “soltar o verbo”


FARINHA DO MESMO SACO
Na CPI do Cachoeira todo o mundo político tem o “rabo preso”, o remédio foi o indulto geral da “esquerda para a direita”


GUERRA DE QUADRILHAS
Qual é a verdadeira disputa em torno da convocação do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel?


“ECOCAPITALISTAS”
O veto parcial do governo ao Código Florestal e a campanha “veta tudo Dilma!


URBANITÁRIOS - CEARÁ
Rejeitar a esmola oferecida pelo governo Cid Gomes defendida pela direção “chapa branca” do Sindiágua! Organizar a greve geral da categoria!


TAMBORES DE GUERRA
Hienas imperialistas e camundongos revisionistas salivam pela intervenção da OTAN na Síria


“REVOLUÇÃO MADE IN USA”
Jornal Washington Post noticia o que todos (menos a LIT!) já sabiam: o “Exército Livre da Síria” recebe dinheiro e armas da Casa Branca


CÚPULA DO G-8 E DA OTAN
Abutres imperialistas planejam novos passos de sua escalada neocolonialista em cúpula do G-8 e da OTAN


SIONISMO EM NOVA AÇÃO TERRORISTA
Enclave terrorista de Israel forma “governo de unidade” para atacar o Irã após a reeleição de Obama



TRANSIÇÃO PACTUADA
Eleições presidenciais do Egito têm a marca da “revolução” fraudulenta


CRISE NA ZONA DO EURO
O crash financeiro global e o capitalismo grego



“SINAIS DA CRISE” NO VELHO MUNDO
Violento ataque aos mineiros em greve na Espanha é a marca do governo fascistizante de Rajoy



ELEIÇÕES MEXICANAS
PRI é a opção preferencial do imperialismo ianque enquanto Obrador “corre por fora” para ser o novo gerente dos negócios da burguesia



CONVENÇÃO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA (I)
Poeta Thiago de Mello e militantes internacionalistas demonstram grande interesse pelo folheto “Os genuínos trotskistas e a questão cubana”


CONVENÇÃO NACIONAL DE SOLIDARIEDADE A CUBA (II)
LBI defende incondicionalmente a ilha operária e delimita-se com a política de “coexistência pacífica” da direção do PC cubano


LANÇAMENTO DE LIVRO
Editora Publicações LBI lança o folheto “Os genuínos trotskistas e a questão cubana”


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

sexta-feira, 1 de junho de 2012


“Sinais da crise”: violento ataque aos mineiros em greve na Espanha é a marca do governo fascistizante de Rajoy

Milhares de mineiros espanhóis, em greve contra a redução nos recursos para o setor do carvão, que foram cortados em 64% pelo governo Rajoy, bloquearam estradas e queimaram pneus nos últimos dias, sendo brutalmente reprimidos pela polícia da gestão fascistizante do PP, que recorreu a bombas de gás lacrimogêneo e blindados (assista o vídeo). As manifestações começaram na semana passada e desembocaram numa greve de quatro dias. Este mês, os recursos para a mineração foram cortados de 300 milhões de euros para 110 milhões, sob a argumentação de que é preciso reduzir o déficit. Trata-se da luta direta contra os efeitos da crise capitalista no velho mundo. Como já tínhamos apontado anteriormente, Zapatero pavimentou, com a adoção de uma série de medidas antioperárias, a vitória do PP, que está terminando o trabalho “sujo” deixado pelo PSOE. O retorno do franquismo à chefia do governo espanhol não é uma simples questão do jogo “do perde ganha eleitoral” da “democracia” parlamentar, como poderia ser interpretado com a recente ascensão do PS na França e a derrota do direitista Sarkozy. É emblemático para a classe operária europeia, e também mundial, o significado do triunfo da direita fascista na Espanha, usando métodos de guerra civil contra os mineiros em greve, justamente em um período de profunda crise capitalista como a que atravessamos neste momento histórico de brutal ofensiva imperialista. Começam a soprar os ventos da reação, sobre o proletariado espanhol carente de uma perspectiva revolucionária e refém de alternativas pequeno-burguesas, como o 15-M.

Os partidos da direita europeia, como o PP, que abrigam alas neofascistas em seu interior, têm pavimentado um forte crescimento político diante da crise econômica capitalista e a falência do chamado “estado de bem estar social”, modelo clássico da social-democracia. O crescimento desta direita, que extrapola um mero alargamento em seu peso parlamentar, tem suas raízes mais profundas nas derrotas consecutivas do movimento operário e na ausência de uma perspectiva revolucionária em seu conjunto. Como a própria ascensão de Hitler foi precedida de uma série de derrotas do proletariado europeu, a atual onda social de xenofobia é calcada no retrocesso na consciência dos trabalhadores e na ausência de um partido genuinamente comunista para enfrentar o fascismo com os próprios métodos da classe operária, bem mais além de uma disputa eleitoral. Os atentados monstruosos de Oslo se inserem nesta dinâmica política, ao contrário do que afirma a delirante esquerda revisionista que insiste em “abstrair” sinais revolucionários destes acontecimentos.

Longe de preparar a classe operária para embates “cruentos” com o fascismo, estes oportunistas, como a LIT e o PO argentino, semeiam a ilusão de uma “crise revolucionária” dobrando a esquina, apostando suas fichas na corrida eleitoral mais próxima. A tarefa vigente que se impõe neste período contrarrevolucionário, após a destruição dos Estados operários do Leste europeu e ofensiva imperialista em toda linha, é a da construção da Frente Única Operária, como nos ensinou Trotsky em situações similares. Compreendendo politicamente esta frente única com partidos e organizações verdadeiramente proletárias, que hoje nada tem a ver com os partidos “socialistas” europeus (no governo ou na oposição) que se converteram a súditos do capital financeiro ou as “alternativas” surgidas de suas entranhas, como o “governo de esquerda” que os pseudotrotskistas clamam para ser concretizado na Grécia encabeçado pela SYRIZA.

Insistimos uma vez mais que durante o ápice do crash capitalista mundial de setembro de 2008, quando o conjunto da esquerda revisionista alardeava que o “fim do capitalismo” estava próximo, alertamos justamente o contrário, ou seja, que devido à ausência de direção revolucionária com peso de massas e o quadro de ofensiva ideológica imposto pelo grande capital desde a queda da URSS, a tendência era não só que a burguesia utilizasse a crise econômica para incrementar sua investida contra as conquistas operárias em todo o planeta, mas que esta situação abriria uma etapa política de ascensão de governos de direita ou extrema-direita nos países mais castigados pela débâcle financeira, como o crescimento de grupos fascistas e neonazistas. Hoje, a situação na Espanha confirma dramaticamente nossos prognósticos.