sexta-feira, 16 de setembro de 2011

“Rebeldes revolucionários” recebem com festa seus amos imperialistas, Sarkozy e Cameron, em uma Trípoli devastada pelas bombas da OTAN

Os abutres imperialistas, Sarkozy e Cameron, desembarcaram nesta quinta-feira (15/09) na capital líbia, sob um estrondoso esquema de segurança foram recebidos com festa pelos súditos do CNT, que prometeram fidelidade absoluta aos planos de rapina ao seu próprio país por parte das grandes empresas transnacionais. Parece até inacreditável, diante dos fatos, que existam organizações que se dizem de esquerda, ainda sustentando que os “rebeldes” representam uma força “revolucionária e anti-imperialista”. Os assassinos imperiais tiveram um tratamento “VIP”, por parte do presidente do CNT, Mustafá Abdul Jalil, que mandou “grafitar” os muros de Trípoli com frases de agradecimento pelas bombas da OTAN que permitiram a ocupação da capital Líbia pelos “insurgentes”, que hastearam a bandeira da monarquia na Praça Verde.

Outro objetivo da rápida visita dos abutres assassinos, além de reafirmar os novos contratos econômicos para a pilhagem do país, foi o de desviar a atenção mundial dos combates em torno de Sirte, que continua sob o controle do exército nacional líbio, em plena resistência contra um cerco criminoso imposto pelas tropas da OTAN já posicionadas em terra, além dos bombardeios aéreos diários. Ao contrário do regime burguês de Sadam Hussein no Iraque, que não ofereceu grande resistência militar à ocupação imperialista, o governo nacionalista do coronel Kadaffi armou a população (formando as milícias populares) e na medida de seu horizonte político vem dirigindo a resistência nacional. As notícias veiculadas pela mídia capitalista de fuga ou rendição do regime nacionalista burguês instaurado em 1969, não se confirmaram e a guerra segue seu curso da luta de classes, ainda que com uma colossal desproporção de forças no campo militar.

Nesta altura dos acontecimentos da guerra civil na Líbia, fica uma pergunta, será mesmo que as correntes revisionistas do Trotskismo como a LIT, por exemplo, estão simplesmente equivocadas politicamente na caracterização dos “rebeldes” ou se trata de um processo mais profundo de corrupção material diante do Departamento de Estado ianque? Como marxistas revolucionários sabemos muito bem que a existência material determina em última instância a consciência, não são poucos os casos onde tendências revisionistas passaram a refletir em sua plataforma programática a cooptação material que sofreram por parte de setores do imperialismo. Este foi o caso do Lambertismo na França ou mesmo de Alan Woods e sua tendência internacional, corrompida em cada país que atuam. O conflito da Líbia está realmente demarcando o campo de classe entre as correntes da esquerda revisionista que já ultrapassaram o “rubicão” e os genuínos Trotskistas que, mesmo “isolados” da opinião pública pequeno-burguesa, não cederam ao canto “sedutor” do imperialismo “democrático”.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sirte, que não se rende, é cercada e bombardeada criminosamente pela OTAN há quase um mês: e os canalhas da LIT ainda falam em “revolução dos rebeldes” como vitória popular!

A população da cidade líbia de Sirte enfrenta heroicamente há quase um mês os covardes e criminosos bombardeios da OTAN, além de um cerco por terra que cortou o fornecimento de água potável, alimentos e energia. Como já havíamos noticiado antes, a resistência nacional à ocupação imperialista da Líbia continua viva e combate bravamente em condições completamente desproporcionais às poderosas forças militares da OTAN. Nesta quarta-feira (14/09) o coronel Kadaffi, que ao contrário das manchetes da mídia “murdochiana” não fugiu do país, fez um apelo a comunidade internacional “humanitária” para que cessem os bombardeios contra a população civil, a mesma que a ONU “jurou” defender.

Segundo o porta-voz de Kadaffi, Moussa Ibrahim, o caudilho nacionalista burguês ainda está na Líbia e animado, com um exército poderoso por trás dele. “O líder está com boa saúde, moral elevada. Claro que ele está na Líbia”, disse Ibrahim por meio de uma linha de telefone via satélite: “A luta está mais longe de terminar do que o mundo possa imaginar. Ainda estamos muito poderosos, nosso exército ainda é poderoso. Temos grandes áreas na Líbia sob nosso controle, estamos reunindo nossas forças”. O governo títere do CNT recém fez sua primeira aparição pública em Trípoli, para uma pequena audiência de cerca de cinco mil pessoas, contrastando com as imagens fabricadas pela CNN, na Praça Verde onde milhares apareciam festejando a chegada dos “rebeldes” em Trípoli. A verdade é que o suposto apoio de “massas” dos monarquistas “rebeldes” não passa de uma ficção veiculada pela Casa Branca com o suporte dos “barões” da mídia capitalista mundial. A guerra civil está em pleno curso e a rapina imperial sobre um país semicolonial ainda não pode comemorar seu “triunfo popular”.

A integração da esquerda revisionista ao campo imperialista desta vez deu um salto de qualidade. Se na derrubada contrarrevolucionária da URSS ficaram no campo político dos EUA, agora na guerra de ocupação a Líbia além de postaram-se no campo político ianque, estacionaram de malas e bagagens no campo militar da própria OTAN, ao ponto de festejarem os bombardeios de seus caças em apoio à investida dos “rebeldes” como uma “revolução”! Correntes revisionistas como a LIT, UIT e SU, desta vez conseguiram enlamear completamente o nome do Trotskismo, a ponto de serem enxovalhadas por stalinistas do PCB e PCdoB, mestres da colaboração de classes. Afirmam os stalinistas: “O PSTU nos acusa de apoiar o governo burguês de Dilma, mas muito pior é apoiar a OTAN e os rebeldes queridinhos de Obama”. O silêncio destes revisionistas diante dos bombardeios diários da OTAN sobre Sirte é a prova cabal de sua cumplicidade com o imperialismo, cabe aos militantes honestos que ainda restam no interior destas correntes, exigirem uma retificação imediata desta política que macula o verdadeiro legado do Trotskismo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Para o PSTU/LIT as ações da resistência contra alvos da ocupação imperialista são “atos terroristas”?

Nos últimos dias o Talebã atacou a embaixada dos Estados Unidos e o quartel-general da OTAN no centro de Cabul, capital do Afeganistão, através de várias explosões com foguetes, carro-bombas e militantes armados suicidas. Foi uma forma heroica da resistência afegã furar o cerco da mídia imperialista e “lembrar” o imperialismo ianque que o Talebã e a resistência popular afegã estão em luta aberta contra a ocupação imperialista imposta pelos EUA logo após os ataques à sede da CIA nas Torres Gêmeas e ao Pentágono pela Al-Qaeda há dez anos. Quando ocorreu o 11 de Setembro, o conjunto da esquerda revionista e a LIT em particular condenaram os ataques da Al-Qaeda contra o alvos imperialistas, caracterizando-os como atos de “terrorismo individual”. Desta forma, se integraram politicamente à frente única antiterrorista encabeçada por Bush e os governos lacaios, apresentando os EUA como uma “vítima” dos “bárbaros terroristas” muçulmanos. Agora, diante dos recentes ataques da resistência a alvos imperialistas no Afeganistão ocupado desferidos pelo Talebã, perguntamos a esta mesma esquerda revisionista e à LIT em particular se as ações da resistência armada no Afeganistão, país ocupado pelos EUA, dirigidas pelas mesmas organizações que protagonizaram o ataque ao Pentágono e ao WTC em 11 de Setembro podem ser consideradas como “atos terroristas”?

Quanto se trata de condenar os ataques de 11 de Setembro, o PSTU/LIT é categórico como afirma um texto de Alvaro Bianchi, publicado no sítio do partido: “Daí a necessidade de condenarmos não somente a política externa norte-americana, mas os ataques terroristas” (Os neocruzados, a guerra no Afeganistão e a Nova ordem mundial, Revista Outubro nº6), colocando vergonhosamente um sinal de igual entre o terrorismo do Estado imperialista e a legítima resposta militar de organizações dos povos oprimidos por meios militares não-convencionais (aviões civis, carros e homens bombas, etc...). Porém, quando relata as ações da resistência no Afeganistão ou mesmo no Iraque não é esta a caracterização que lemos nas declarações da LIT. Por exemplo, no texto “Não à guerra colonial! Pela vitória militar do Iraque” o PSTU afirma “Esta guerra não será decidida somente dentro do Iraque. Sobre o terreno, a máquina militar e a arte da guerra jogarão seu papel. Fora dele, o decisivo será a política com que enfrentaremos esta empresa genocida... No entanto, ao iniciar a guerra colonial, não podemos ser neutros. A derrota dos EUA e de seus aliados passam ao primeiro plano de nossa ação... Por isso, lutaremos pela vitória militar do Iraque contra os EUA. A neutralidade frente a esta agressão significa o apoio disfarçado à máquina militar ianque. O PSTU lutará pela derrota dos EUA, pois esta será um passo a mais na luta contra o regime de terror e barbárie que o imperialismo dos EUA tenta impor ao mundo” (Opinião Socialista nº 144 - 06 de fevereiro a 19 de fevereiro de 2003). Se em solo iraquiano ou mesmo afegão o PSTU/LIT defende a resistência militar contra a agressão imperialista e inclusive sua vitória sobre as forças abutres invasoras, porque então estas mesmas organizações são taxadas de “terroristas” quando atuam em território inimigo, atacando o coração do monstro imperialista? Será que estes grupos só têm “autorização” concedida pelos revisionistas de atacar, com os meios de que dispõem, os militares ianques em nações semicoloniais ocupadas ou em via de serem agredidas?

O ataque perpetrado pela Al-Qaeda em 11 de Setembro a alvos estatais, não-civis como insiste em afirmar a grande mídia, no próprio território ianque através de meios militares não-convencionais comandado por forças políticas que estavam revidando a guerra promovida pelos EUA contra suas nações, só pode ser considerado como uma ação “terrorista” por correntes revisionistas corrompidas pela democracia burguesa como é o caso da LIT. São os mesmos trânsfugas que sempre condenam a violência espontânea das massas quando estas “extrapolam” os estreitos limites das regras do jogo democrático e seu regime institucional. Ao contrário desses filisteus, defendemos que frente aos ataques a alvos militares ou estatais (por acaso esqueceram que o WTC sediava a CIA em NY), seja ao território dos EUA, no próprio Afeganistão ou mesmo no Iraque ocupado, toda nossa simpatia está ao lado dos “bárbaros” que se levantam com os meios militares não-convencionais de que dispõem, como fizeram no 11 de Setembro, para atacar os alvos do imperialismo.

Seguindo a mesma política de condenação dos ataques ao Pentágono e ao WTC por serem supostamente atos de “terrorismo individual”, a LIT deveria condenar como “um ato bárbaro e covarde” a investida militar da resistência afegã contra embaixada da ONU e ao quartel-general da OTAN! Terá a ousadia de fazê-lo? Como marxistas revolucionários apoiamos criticamente (pelo fato de não serem conduzidos por uma estratégia proletária) cada ofensiva sobre os agressores imperialistas e suas tropas de ocupação, postando-se em frente única, com absoluta independência política, com as forças que enfrentam as tropas de rapina das potências capitalistas. Cada revés sofrido pelos invasores dos EUA e da OTAN no Afeganistão, no Iraque, na Líbia ou em qual quer parte do mundo, ajuda a elevar o nível de consciência do proletariado e aumenta a sua confiança de que o imperialismo pode ser derrotado, forjando as condições para a construção de uma autêntica direção revolucionária que lute pela edificação do socialismo. Esses ataques representam uma resposta militar dos povos oprimidos e suas organizações ao imperialismo, muitas vezes por meios não convencionais de combate militar. Defendemos a unidade de ação com as forças que estão em luta contra o imperialismo. Nesse combate consideramos legitima toda e qualquer ação de resistência armada das massas à dominação belicista das metrópoles capitalistas sobre os povos oprimidos e nunca como “atos terroristas”! Ao que parece, para a LIT só resta, em função de sua vergonhosa política de adaptação ao imperialismo, condenar a ações da resistência com simples “atos terroristas”... agindo como verdadeiro papagaio de “esquerda” da Globo, Fox e CNN...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Para “lembrar” o 11 de Setembro, Talebã ataca embaixada ianque e quartel da OTAN no Afeganistão: Pela vitória militar da resistência contra a ocupação imperialista!

Mal a mídia imperialista e seus papagaios espalhados pelo mundo encerravam os noticiários sobre o 11 de Setembro, o Talebã atacou nesta terça-feira, 13, a embaixada dos Estados Unidos e o quartel-general da OTAN no centro de Cabul, capital do Afeganistão, através de várias explosões com foguetes, carro-bombas e militantes armados. O porta-voz do grupo islâmico Zabiullah Mujahid declarou que “Nossos insurgentes atacaram a cidade de Cabul. Os alvos eram a embaixada dos EUA, organizações governamentais e outras organizações estrangeiras”. A ação foi um claro aviso ao imperialismo ianque que o Talebã e a resistência popular afegã estão em luta aberta contra a ocupação imperialista imposta logo após os ataques a sede da CIA nas Torres Gêmeas e ao Pentágono pela Al-Qaeda há dez anos. Depois de sofrerem esta humilhação histórica pela ação espetacular do grupo islâmico em seu próprio território, os EUA bombardearam o Afeganistão e até hoje ocupam o país através das forças da OTAN, impondo um regime títere.

Os ataques desta terça-feira mostram que passada uma década da ocupação militar ianque após o 11/9, os EUA não conseguiram impor sua dominação sobre o país. O nível de instabilidade no Afeganistão é o maior desde que os abutres imperialistas agrediram militarmente no país no final de 2001, com alto índice de morte entre as tropas invasoras. Na véspera do 10º aniversário do 11 de Setembro, um caminhão-bomba explodiu em uma base da OTAN no centro do Afeganistão ferindo 77 militares americanos. Frente ao ataques declaramos que toda nossa simpatia está ao lado dos “bárbaros talebãs” que se levantam com os meios militares não-convencionais de que dispõem, como fizeram no 11 de Setembro, para atacar os alvos do imperialismo. São os “civilizados” facínoras imperialistas que impõem pela força das armas mais sofisticadas da OTAN seu domínio colonial no planeta. Neste momento os verdadeiros terroristas ianques, britânicos e franceses, sob a chancela da ONU e em nome do combate a suposta “ditadura sanguinária de Kadaffi” ocupam a Líbia com o auxílio dos “rebeldes” para impor um regime títere como ocorre atualmente no Afeganistão. Diante da impossibilidade de derrotar a resistência dos povos oprimidos, Obama vem ampliando a chamada “guerra ao terrorismo”, agora também com a maquiagem de “revolução árabe”, utilizando-se cada vez mais de bombardeios com aviões não tripulados ou mísseis altamente letais disparados de longa distância, atingindo propositadamente alvos civis, chacinando principalmente mulheres e crianças, para provocar terror e desespero na população. Essa verdadeira guerra de terror imperialista é a política da Casa Branca para auferir lucros para a poderosa indústria bélica ianque, controlar o petróleo e avançar em seus ditames sobre a região!

Como marxistas revolucionários apoiamos cada ofensiva sobre os agressores imperialistas e suas tropas de ocupação, postando-se em frente única, com absoluta independência política, com as forças que enfrentam as tropas de rapina das potências capitalistas. Cada revés sofrido pelos invasores dos EUA e da OTAN no Afeganistão, no Iraque, na Líbia ou em qual quer parte do mundo, ajuda a elevar o nível de consciência do proletariado e aumenta a sua confiança de que o imperialismo pode ser derrotado, forjando as condições para a construção de uma autêntica direção revolucionária que lute pela edificação do socialismo. Esses ataques representam uma resposta militar dos povos oprimidos e suas organizações ao imperialismo, muitas vezes por meios não convencionais de combate militar. Defendemos a unidade de ação com as forças que estão em luta contra o imperialismo. Nesse combate consideramos justa toda e qualquer ação de resistência armada das massas à dominação belicista das metrópoles capitalistas sobre os povos oprimidos!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011


ESPECIAL 11 DE SETEMBRO


11 DE SETEMBRO O OUTRO ATAQUE POUCO MENCIONADO
Há dez anos o Pentágono quartel general das forças armadas ianques, a mais poderosa do planeta, sofria uma humilhação histórica!


UMA RETROSPECTIVA HISTÓRICA MARXISTA

A LBI e o 11 de Setembro

A esquerda pseudotrotskista integrou de fato a frente contra-revolucionária "antiterror"


BIN LADEN ASSASSINADO NO PAQUISTÃO
A morte do "heroi dos povos muçulmanos" e a histeria nazi-imperialista que tomou conta dos EUA


OSAMA BIN LADEN "VIVO OU MORTO"
Um terrorista mundial criado pela CIA ou o braço armado do anti-imperialismo burguês?

domingo, 11 de setembro de 2011


O outro 11 de Setembro: a Frente Popular chilena e sua “via pacífica para o socialismo” pavimentaram o caminho para o golpe pró-imperialista do chacal Pinochet

Há trinta e oito anos, em 11 de Setembro de 1973, no mesmo Chile que até poucos dias se encontrava convulsionado pelas mobilizações estudantis contra a política de privatização do ensino herdada da ditadura militar de Pinochet, era desferido um golpe fascista patrocinado diretamente pelo imperialismo ianque. A ofensiva da contrarrevolução ganhou terreno e desferiu sua investida fatal nesta data trágica como produto direto da política de colaboração de classes do governo da Unidade Popular encabeçado por Salvador Allende. A UP correspondeu às características clássicas de uma frente popular, onde a burguesia em crise extrema e sob a pressão do ascenso popular faz concessões e entrega o governo a partidos reformistas de massas (PS e PC) para que estes controlem o movimento operário nos marcos do regime político burguês. A atual trégua que as direções do movimento estudantil, ligadas às mesmas forças políticas que conformaram a UP, deram ao presidente neopinochetista Piñera em nome de “negociar a educação gratuita” é uma prova de que esta política suicida não foi superada no Chile e continua fazendo, assim como no passado, a luta dos estudantes e trabalhadores como principal vítima.

A vitória eleitoral de Allende e da UP em 1970 ocorreu quando as massas estavam em uma mobilização ascendente que ameaçava destruir o Estado burguês. O aniquilamento eleitoral da direita (Partido Nacional), a derrota do democrata-cristão Eduardo Frei — em condições de divisão da burguesia — era uma expressão aberta de que estava na ordem do dia para as massas chilenas a luta por construir um governo operário e camponês. Para sair dessa encruzilhada, que a própria evolução da luta de classes impunha, os partidos frentepopulistas se aliaram com a burguesia, o exército e o clero com o objetivo de preservar a ordem capitalista. Essa tarefa era impossível sem desorganizar as massas e derrotá-las. Esta foi a função política que veio a ter o governo da UP: organizar a derrota pacífica dos trabalhadores e, portanto, pavimentar o caminho para o seu esmagamento sangrento. No programa da UP, a conquista do poder deveria ocorrer a partir de mecanismos institucionais existentes através de um processo gradual, progressivo e pacífico, ou seja, rechaçava a tarefa de armar as massas para pôr abaixo o Estado burguês em um enfrentamento direto com a burguesia nacional e o imperialismo. As reacionárias instituições e estruturas capitalistas deveriam ser transformadas paulatinamente sem a necessidade de organismos de poder popular e soviéticos que superassem e destruíssem a estrutura jurídica, política e econômica que mantinha de pé o regime burguês. Essa utopia reacionária pregava que a ordem capitalista deveria ser transformada a partir da institucionalidade montada para mantê-la, a passagem do poder de uma classe para outra deveria ocorrer sem que se abrisse um processo revolucionário para sua conquista.

Cumprindo esse objetivo, Allende promulgou uma lei que dava poderes ao Exército para fazer apreensões de armas sem aviso prévio. Esta medida estava dirigida às fábricas ocupadas e aos partidos de esquerda, em especial o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionário) que possuía um contingente de mais de 16 mil homens armados, que compunham a própria UP. Ao mesmo tempo em que exigia o desarmamento dos cordões industriais, em meio à maior crise militar de seu governo, nomeou Augusto Pinochet como chefe das FFAA. A cúpula da coalizão governista apoiava-se nestes organismos de base exclusivamente para pressionar a direita e buscar uma solução negociada para a crise, conferindo-lhe funções de colaboração com o governo. Ademais, o próprio Allende e o PC se manifestam contra os organismos de base, taxando-os de esquerdistas e desestabilizadores do quadro jurídico-político e institucional. Dado o peso e a influência da UP no movimento operário e popular (CUT e sindicatos) e a ausência de um partido revolucionário que dirigisse esses setores mais conscientes, a vanguarda classista que se aglutinava em torno dos organismos de base não conseguiu se contrapor frontalmente ao governo e às instituições do Estado burguês que, naquele momento, eram apresentadas pelo PC e o PS como estando a serviço dos interesses dos explorados. Em consequência dessa política criminosa, um dos momentos de maior radicalização das massas foi desprezado e seu ímpeto contido, como forma de garantir a estratégia política reformista. Alçada ao poder para conter e desviar o avanço das massas trabalhadoras do campo e da cidade, criando a ilusão de uma “via pacífica para o socialismo”, a frente popular foi derrubada em um momento em que a classe dominante e o imperialismo conseguiram organizar a contra-ofensiva auxiliados pela política da UP de desarmar o proletariado e pactuar com os setores “constitucionalistas” da burguesia (DC) e das FFAA. Como bem sintetizou Trotsky: “a política conciliadora das Frentes Populares condena a classe operária à impotência e abre caminho para o fascismo” (Programa de Transição, 1938).

No auge dessa crise, ocorre o golpe militar em setembro de 1973. Os trabalhadores resistiram heroicamente, as FFAA bombardearam as fábricas ocupadas e os rendidos foram sumariamente fuzilados. As ilusões de Allende que, horas antes de sua derrubada, chamava as massas a confiarem nos militares “patriotas” foram cúmplices do massacre, ainda que o “presidente-companheiro” tenha pagado com sua própria vida por elas. Com o golpe militar, o exército sequestrou e assassinou mais de 8 mil militantes e provocou o exílio e o cárcere de outros milhares. As Forças Armadas bombardearam bairros populares, fuzilaram, prenderam milhares de pessoas nos quartéis e, principalmente, no Estádio Nacional em Santiago do Chile. Por sua vez, o imperialismo norte-americano, através da CIA, ajudou ativamente a preparação do golpe. Esse massacre esteve a serviço de assegurar a recolonização do país e a destruição das conquistas da classe operária. O “pinochetaço” e o estabelecimento da ditadura militar finalizaram a curta experiência do governo da UP. Atualmente, um herdeiro político do chacal Pinochet, Sebastián Piñera, voltou a ocupar o Palácio La Moneda após seguidos governos “democráticos” de corte neoliberal da Concertación entre o PS e a DC após o regime militar. Hoje, assim como no passado, a política de colaboração de classes da frente popular limita a radicalidade do movimento de massas e sem uma plataforma revolucionária as lutas operárias e estudantis em curso tem acabado por servir à demagogia “antineoliberal” do PS que, convertido integralmente ao capital, deseja retornar à presidência já não mais em nome da defesa da “via pacífica ao socialismo”, mas sim para gerir, sem as fricções anteriores ao golpe fascista, a reacionária ordem burguesa “democrática” que mantém intacto o mesmo regime social de exploração da classe trabalhadora vigente na ditadura militar!

sábado, 10 de setembro de 2011


Viva a ocupação da embaixada de Israel no Egito! Derrotar o governo militar parido da farsesca “revolução árabe”!

Milhares de manifestantes ocuparam no fim da tarde desta sexta-feira, 09 de setembro, o edifício que abriga a Embaixada de Israel no Cairo em repúdio aos ataques do enclave sionista aos palestinos na fronteira com o Egito ocorrida em agosto passado e contra o muro erguido recentemente ao redor do prédio. O governo militar “revolucionário” parido da transição orquestrada pelo imperialismo após a queda de Mubarak ordenou a repressão violenta ao protesto, deixando três mortos e mais de mil feridos, decretando o famigerado Estado de Emergência. As forças de segurança egípcias atacaram os manifestantes nos arredores do edifício, onde o muro foi destruído e a bandeira israelense foi substituída por uma egípcia, forçando a fuga de avião do embaixador israelense, Yitzhak Levanon.

Quando Israel atacou os palestinos na fronteira do Egito em 18 de agosto passado matando, além dos ativistas palestinos, soldados do próprio exército egípcio, o “novo governo” vergonhosamente apenas reclamou formalmente da agressão, já que nessa região o exército egípcio vinha conduzindo uma operação de perseguição aos palestinos há uma semana, visando desalojar cerca de 1.300 militantes, servindo assim aos interesses do imperialismo ianque e do enclave sionista. O governo do Egito havia enviado mais mil soldados para o Sinai depois de ter autorização de Israel, tendo a operação se baseado no acordo contrarrevolucionário de Camp David assinado em 1979 por Sadat com Israel. A subserviência a Israel mesmo com o enclave sionista matando militares egípcios foi um exemplo de como age o “novo Egito”, saudado pelos revisionistas de ser palco de uma fantasiosa “revolução democrática”.

Agora, depois de quase um mês da agressão israelense, manifestantes egípcios resolveram expulsar pela via da ação direta das massas o representante do enclave sionista, apontando qual deve ser o verdadeiro método para derrotar o imperialismo e Israel da região, oposto ao da “transição democrática” ordenada por Obama. A ira popular provocou pânico na Casa Branca, que logo acionou o governo militar “revolucionário” para assegurar a segurança de seus lacaios sionistas no Egito. Tanto que a ação repressora foi agradecida pelo facínora Netanyahu: “Fico feliz que tenhamos conseguido impedir um desastre e queria agradecer ao presidente dos Estados Unidos por sua ajuda” (O Estado de S.Paulo, 10/09). A junta militar do Egito logo declarou estado de emergência no país na madrugada deste sábado, 10, assim como fazia Mubarak até antes dos protestos populares. Esse episódio comprova mais uma vez o que a LBI afirmou desde o início das revoltas populares no Egito: a alta-cúpula das FFAA dirige o chamado “processo de transição” para garantir estabilidade ao regime, seguindo o planejado com a Casa Branca, que havia exigido a renúncia do desgastado Mubarak para amortecer a tensão política no país.

Com seu ato de heroísmo, os manifestantes egípcios mostram o caminho: enfrentar o governo militar parido da farsesca “revolução árabe” e destruir pela ação direta e revolucionária das massas o enclave sionista de Israel como passo fundamental para a conquista da verdadeira pátria palestina no conjunto dos territórios históricos rapinados pela máquina de guerra sionista, rumo à edificação de uma Palestina soviética, baseada em conselhos de operários e camponeses palestinos e judeus.



sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Aprovação da Lei de flexibilização das licitações das obras da Copa do Mundo e Olimpíadas: uma mudança para encher ainda mais os bolsos dos grandes empreiteiros

Mesmo enfrentando turbulências políticas a partir dos escândalos de corrupção em vários ministérios e após o anúncio de cortes no Orçamento Federal, o governo de Dilma Rousseff conseguiu aprovar no Congresso Nacional o projeto de lei de sua autoria com mudanças nas regras das licitações nas obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, conhecidas como Regime Diferenciado de Contratações (RDC). Sob a justificativa de simplificar e dar maior agilidade ao processo de contratação das obras para a Copa e as Olimpíadas, o RDC permite ao governo tornar público o orçamento de cada obra somente após o encerramento da licitação, a cujos dados processuais apenas os órgãos de “controle”, como o TCU, terão acesso.

Na verdade, o principal objetivo da nova regra é facilitar ainda mais a distribuição de dinheiro público às grandes empreiteiras nacionais e estrangeiras, institucionalizando definitivamente o superfaturamento das obras, uma vez que apenas o arquicorrupto TCU terá conhecimento das obscuras transações do governo Dilma com as construtoras. Neste sentido, o atraso das obras de preparação da Copa do Mundo de Futebol de 2014 foi utilizado como justificativa para a aprovação do famigerado projeto de lei. No entanto, sabemos que o retardo de obras não ocorre por uma simples questão de excesso de burocracia, mas como um artifício já há muito conhecido para facilitar a orgia financeira com o dinheiro do Tesouro Nacional. A nova regra das licitações é, portanto, um complemento de um capítulo inexorável da trama protagonizada pelo governo da frente popular que ora gerencia o Estado para beneficiar seus consortes burgueses.

Como um dos beneficiados do caixa dois das obras da Copa do mundo e das Olimpíadas, atuando como garoto de recados das grandes construtoras, o Ministro dos Esportes Orlando Silva, do PCdoB, sai desavergonhadamente em defesa do RDC. Após o Ministério Público tecer tímidas e protocolares contestações sobre “os dispositivos que dificultam a transparência e o controle da despesa pública” (G1, 07/09), Orlando Silva, salivando com a garantia de poder aumentar o botim e o desvio de recursos estatais das obras, logo se apressou em afirmar: “Nós acreditamos que a lei está correta e é plenamente constitucional” (Idem).

Enquanto Dilma e os governos estaduais retiram com a mão esquerda direitos trabalhistas, cortam verbas e criminalizam greves, com a direita concedem regalias e “facilidades” para os grandes capitalistas (“Programa Brasil Maior”). As obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas são a expressão material desta genuína “dádiva” da frente popular para os parasitas da “iniciativa privada” que se locupletam abastadamente com o botim estatal.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A histeria do “deus” mercado acerca da falta de autonomia do Banco Central

A última decisão do COPOM de reduzir em meio ponto percentual a taxa selic praticada pelo BC provocou uma verdadeira histeria dos agentes financeiros apoiados pela mídia capitalista. A "gritadeira" foi fundamentada no fato da equipe econômica palaciana ter “cantado” a redução dos juros uma semana antes da decisão do COPOM, no bojo do anúncio da elevação do superávit primário para o pagamento da dívida interna. Não contentes com o “presente” de dez bilhões de reais os “sagrados” rentistas não admitiram que um órgão do Estado (COPOM) aceite “ordens” da Presidenta da República, formalmente eleita no jogo da democracia dos ricos, o qual os barões do mercado juram “respeitar”.

Por seu turno, diante da forte reação dos rentistas, que teve direito até à campanha na imprensa burguesa, os “capos” do Planalto “amarelaram” todos, incluindo a própria Dilma. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, chegou mesmo a conceder uma entrevista exclusiva à Globo News para negar que estaria recebendo “pressão política” para reduzir a estratosférica taxa de juros brasileira. Já o ministro Mantega afirmou que nunca aceitaria nenhum tipo de “indução” do PT no rumo da política econômica nacional.

O fato é que a ínfima redução dos juros não vai alterar em nada a política da frente popular de arrocho fiscal e monetário para privilegiar os grandes bancos e rentistas. A classe operária não ganha absolutamente nada com a redução da taxa Selic, ao contrário, só assiste passiva a diminuição de seus rendimentos no Fundo de Garantia e na própria Caderneta de Poupança, sua pequena reserva econômica para enfrentar a falta de assistência do Estado em setores vitais como a saúde, por exemplo. O setor burguês industrial em plena “queda de braço” com os agiotas do mercado financeiro, mais uma vez, conseguiu arrastar as direções reformistas (CUT, UNE, etc...) para a “Alencarina” campanha pela redução da taxa de juros.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Neste 7 de setembro eclodiu o movimento dos “indignados” no Brasil, tão ou mais reacionário do que na Espanha e Israel!

Não só as paradas militares ou o já o “tradicional” Grito dos Excluídos, organizado pelo MST, marcaram o cenário nacional neste 7 de setembro, as manchetes dos principais jornais do país e do mundo deram destaque ao surgimento do movimento chamado internacionalmente de “indignados”. O periódico espanhol “El País” desta quarta deu o seguinte destaque a questão: “Arranca en Brasil el movimiento de los indignados contra la corrupción”, também a imprensa local fez uma ampla cobertura da eclosão do movimento dos “indignados” em Brasília e São Paulo. De fato, ocorreram passeatas em várias cidades do país contra a corrupção de uma maneira geral, convocadas a partir das redes sociais como o Facebook e o Twitter. Em Brasília, onde ocorreu a maior “mobilização”, com cerca de cinco mil pessoas, os organizadores entraram em confronto com militantes do PSOL e PSTU que pretendiam levar suas bandeiras ao “protesto”. Acontece que os “indignados”, muitos dos quais empresários, profissionais liberais e “mauricinhos” de classe média, não aceitam a participação de organizações de esquerda no movimento, por mais domesticadas à democracia burguesa que estas estejam, como é o caso do PSTU.

A esquerda revisionista vem “lambendo” o surgimento mundial do fenômeno dos “indignados”, um movimento de caráter pequeno-burguês avesso à ação direta e aos métodos políticos da classe operária . Na Espanha os “indignados” se organizam em uma espécie de Fórum Social Mundial, uma enorme ONG do reformismo assumido para “pressionar” o regime da democracia dos ricos. Em Israel os “indignados” representam uma espécie de sionismo de esquerda, reivindicando mais moradias para os judeus nos territórios ocupados do povo palestino. No Brasil não poderia deixar de ser diferente e os “indignados” reacionários nascem sob a égide da “ética” e contra a corrupção estatal dos quais muitos fazem parte como a própria OAB, uma das forças propulsoras do movimento. Até mesmo os elementos mais pitorescos das manifestações ocorridas neste 7 de setembro revelam o caráter superficial e antiproletário dos “indignados”. Organizados pelo grupo Anonymous, criado por hackers, parte dos manifestantes usaram a máscara popularizada pelo filme “V de Vingança”, dirigido pelo conservador James Mcteigue em 2006.

A vanguarda classista e combativa do proletariado não pode manter a menor expectativa política no surgimento do movimento dos “indignados” no Brasil, não são nossos aliados “táticos” como afirma o revisionismo, agora adaptado completamente a OTAN e suas ações criminosas contra os povos e nações. O caráter reacionário do movimento dos “indignados” em nosso país confirmou plenamente nossas caracterizações já realizadas em outras partes do mundo, resta ao PSOL e PSTU o papel sujo de “embalar o pacote” com um matiz progressista, mesmo sendo rejeitados e até ameaçados por tentarem se “colar” ao modismo da classe média. A paciente e árdua organização revolucionária da classe operária para a tomada violenta do poder, passando ao largo da reivindicação de “mais democracia”, continua sendo a tarefa central dos marxistas leninistas em uma etapa histórica de forte ofensiva em toda linha do imperialismo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

“Amigos da Líbia” versão tupiniquim: Dilma bloqueia ativos do governo líbio no Brasil

A pedido da Advocacia-Geral da União recursos do governo líbio no Brasil foram bloqueados pela justiça federal. Desta forma, o governo Dilma, servil ao imperialismo, segue as diretrizes dos abutres imperialistas “Amigos da Líbia” deliberadas na reunião em Paris. Segundo a AGU, o embargo aos ativos do governo Kadaffi e das instituições públicas da Líbia “visa impedir o armamento de forças ligadas ao ditador e para suprimir as fontes financeiras que possam contribuir para o armamento, o desrespeito aos direitos humanos e a utilização da violência contra civis” (O Estado de S.Paulo, 6/9). É a comprovação na prática de que a política externa do governo da frente popular é uma mera sucursal da Casa Branca, apesar da retórica “terceiromundista”.

Depois de anunciar que pretende reconhecer o governo dos facínoras do CNT como “representante legítimo do povo líbio”, a fim de garantir os negócios das empresas brasileiras junto aos rebeldes mercenários da OTAN, Dilma, através da ação da AGU; soma-se ao cerco dos aliados “emergentes” das potências imperialistas que visam estrangular por todos os meios a resistência popular que se nega entregar o país nas mãos dos neocolonialistas. Cinicamente, a frente popular faz essa investida em nome do “combate à ditadura de Kadaffi”, mas não esboça nenhuma reação contra os ataques do enclave de Israel aos palestinos ou ao terrorismo de estado ianque pelo planeta afora.

Por isto, não é de se estranhar que o Palácio do Planalto acabe de anunciar que está disposto a apoiar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução mais dura que imponha novos embargos à Síria. A proposta deverá ser apresentada nestes dias pela Grã-Bretanha aos outros 14 membros do Conselho, mas pode ser vetada pela Rússia, um dos cinco membros permanentes do CS. Justamente no sentido de “convencer” Moscou a aceitar a resolução, o servil governo brasileiro está sendo acionado pela Casa Branca para costurar um “texto de consenso” contra o regime da oligarquia Assad.

A posição do chanceler brasileiro, Antonio (nada) Patriota é a de que “passou o tempo de espera por um sinal do governo de Bashar Assad de que a violência será controlada no país e o Conselho precisa tomar uma atitude mais dura”. Pela resolução se bloqueará os bens sírios no exterior, instaura-se um embargo total de armas e munições a Damasco e proíbe-se membros do governo e parentes de Assad de serem recebidos em outros países. Esta aberta agressão à soberania nacional síria é similar à resolução aprovada em fevereiro contra a Líbia. Como se vê, o imperialismo prepara, com o apoio do governo Dilma, o incremento da ofensiva política, diplomática e militar contra a Síria, enquanto acerta com a frente popular os termos da rapina do botim na Líbia!


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O IV congresso (de picaretas) do PT e a “fúria” contra a mídia demo-tucana

No final dos trabalhos da Constituinte e às vésperas das primeiras eleições diretas após o regime militar em 89, o então parlamentar Lula da Silva afirmou que o Congresso Nacional teria “por baixo uns trezentos picaretas”, passados mais de vinte anos hoje poderíamos afirmar que pelo menos três mil picaretas participaram como delegados do IV Congresso do PT realizado no último final de semana em Brasília, incluindo neste balaio os “pilantroskos” de “O Trabalho” e da “Esquerda Marxista”. O evento nacional petista foi marcado pela “fúria” dos capos partidários com as investidas da revista “Veja” contra o ex-todo poderoso da corrente majoritária “Articulação” José Dirceu. A fascista revista demo-tucana resolveu “barbarizar” a vida de Dirceu, espionando seu quarto-escritório sediado em um luxuoso hotel de Brasília. Às vésperas de seu julgamento pelo STF e em plena guerra interna contra os “Paloccianos”, Dirceu visualizou na tremenda ousadia da “Veja” uma tentativa de liquidar seu cacife político junto ao governo da presidenta Dilma, muito mais ligada aos neomonetaristas do PT, como Palocci, do que aos próprios ex-companheiros da luta armada.

A contra-ofensiva de Dirceu consistiu em fazer aprovar no Congresso uma enorme emenda a favor de uma branda regulação da grande mídia burguesa, na verdade um enunciado de medidas inócuas que servem apenas como um sinal de alerta “vermelho” contra possíveis novas investidas da “Veja” e similares contra os capos petistas. Mas a principal resolução da pomposa emenda intitulada “Compromisso com uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil”, consistia na ameaça da distribuição das verbas estatais aos grandes meios de comunicação: “Democratizar a distribuição das verbas públicas de publicidade visando o estímulo à pluralidade de fontes de informação nas diferentes esferas da federação”. Com este recado direto aos Civita e Marinho, o PT pretende confirmar que pretende seguir estimulando a “concorrência” investindo pesado em complexos burgueses de comunicação como a rede Record.

Além das “mensagens” subliminares, a mídia capitalista da qual o PT pela sua natureza de classe é completamente refém, o IV Congresso petista também aprovou uma ampla política de alianças para as próximas eleições municipais que inclui o novato PSD do ex-“demo-nazistinha” Kassab. Fora mesmo das coligações somente os tucanos e sua corte (PPS e Demo), e até mesmo o PSOL foi considerado um possível parceiro para 2012. Na verdade, o PT está mais preocupado com suas ferozes disputas viscerais do que com a falida oposição “conservadora” e a inofensiva oposição de “esquerda”. O movimento operário, ainda atado às ilusões da política de colaboração de classes da frente popular, está muito distante da construção de uma alternativa revolucionária de poder, ficando a mercê de falsários de todas as gradações, o que desgraçadamente inclui até os revisionistas que falam em nome do legado da Quarta Internacional.

domingo, 4 de setembro de 2011


José Piaggesi, o “Rambo” Morenista a serviço da rapina imperialista na Líbia

Copiando ao “melhor estilo” os arquirreacionários pastelões hollywoodianos produzidos contra a antiga URSS, a grande mídia mundial a serviço de tornar os ataques à Líbia “simpáticos” junto à opinião pública pequeno-burguesa de “esquerda”, vem destacando em seus noticiários a figura de um professor argentino José Piaggesi, apresentando-o com um guerrilheiro que combateria ao lado dos “rebeldes” made in CIA. Comparado cinicamente como o “Che Guevara do século XXI” pelas CNNs e Globo da vida, esse palhaço, que se diz “trotsko-Morenista”, mais se parece com um “Rambo”, o estúpido anticomunista, em ação atuando como parte da ampla campanha político-ideológica do imperialismo para justificar com uma fachada “democrática” sua intervenção militar contra a “ditadura sanguinária de Kadaffi”, mote central de todas as correntes Morenistas como a LIT.

Como parte desta farsa em que o revisionismo compartilha com a mídia burguesa e a OTAN, a campanha em defesa da “democracia” na Líbia, Piaggesi segue o “script” alucinado montado por organizações morenistas como LIT, UIT, CS etc... e em seu delírio político afirma que “os líbios preferiram sacrificarem-se a si mesmos ao invés de permitirem uma solução como a do Iraque e Afeganistão. Aqui nenhum soldado deles [OTAN] colocará os pés” (sítio Convergencia Socialista da Argentina). Estas são as palavras proferidas pelo herói fabricado, convertido a “Rambo” Morenista que atua ao lado dos lúmpens “rebeldes” treinados pela CIA e comandados pela OTAN. Tal como o “herói” solitário “Rambo” fabricado pelos estrategistas do Pentágono, em sua sanha contrarrevolucionária de derrotar o Vietnã nas telas do cinema e atacar ideologicamente a ex-URSS, Piaggesi assume este papel na vida real ao atuar na restauração do reacionário regime monárquico na Líbia.

O “papel” de Piaggesi se tornou ainda mais reacionário após o selvagem bombardeio de Trípoli e o complexo militar Bab al-Aziziya, na medida que a OTAN segue sua marcha de massacres sobre a cidade natal de Kadaffi, Sirte. Protegidos pelos mísseis e comandados pelos assessores militares das grandes potências, os “rebeldes” a soldo da Inglaterra, França, EUA etc. e enaltecidos à exaustão pela mídia pró-imperialista como a CNN, Al-Jazeera, BBC, Globo..., cercam esta cidade, impedindo que a população transfira os feridos para outras regiões e até mesmo de enterrar seus mortos. A ordem dos abutres da OTAN é bastante precisa: “atirar em tudo que se move”, indiscriminadamente.

Piaggesi é uma caricatura de um revolucionário que, na verdade, combate do outro lado da trincheira que não o dos explorados. Este canalha palhaço nada tem a ver com o Che, pois este dedicou a vida (e pagou com ela) a organizar militarmente comunidades locais para, de fato, combater regimes ditatoriais sustentados pelo imperialismo ianque. Che jamais admitiria uma aliança “tática” com as tropas anglo-ianques para primeiro derrubar “um ditador” e supostamente depois lutar contra o imperialismo, política “oficial” Morenista. Cabe, portanto, aos genuínos marxistas revolucionários desmascarar este embuste grotesco incorporado pela esquerda, a farsa midiática deste “pop star” a serviço do imperialismo e da contrarrevolução, para justificar a ocupação e a partilha-saque da Líbia entre as grandes potências capitalistas.

sábado, 3 de setembro de 2011


As duas faces do WikiLeaks: enquanto Assange é alvo dos holofotes da grande mídia, Bradley Manning, sua fonte de informações, é torturado em solitária ianque

Nesta semana, o criador e porta-voz do WikiLeaks, Julian Assange, se apresentou em teleconferência a uma plateia em São Paulo (SP) onde afirmou frases de efeitos como “A grande verdade é a verdade sobre mentiras”. Para ser coerente deveria, no mínimo, ter denunciado a prisão de Bradley Manning, a principal fonte do WikiLeaks, que está detido na Base dos Fuzileiros Navais em Quântico, Virgínia, desde julho de 2010, sob a acusação pelo governo ianque de “conluio com o inimigo. Na sua fala, entretanto, Assange não fez qualquer referência à perseguição ao ex-soldado. Enquanto Assange pode lançar livros, prepara um filme produzido pelo hollywoodiano Steven Spielberg, abocanha quantias milionárias junto a ONGs e a grande mídia burguesa, o jovem ex-soldado do exército dos Estados Unidos está detido nas piores condições possíveis, além de forma totalmente ilegal. Não tem direito a habeas corpus, está em confinamento solitário num cubículo, é obrigado a ficar nu nos “interrogatórios”, impedido de dormir exposto a luzes intensas e vigiado 24 horas por câmeras de TV. Em resumo, para Assange as tiradas midiáticas e os holofotes, para Bradley Manning tortura e solitária!

O jovem soldado Bradley Manning foi o verdadeiro responsável por dar visibilidade mundial ao WikiLeaks e demonstrar que o verdadeiro terrorista é o imperialismo ianque. Captou os dados da “Net Centric Diplomacy”, um imenso arquivo que contém toda a corrupção e patifarias ianques provenientes da “diplomacia secreta” de todas as nações do planeta enquanto prestava serviço militar no Iraque. Na prática, é um centro ativo de espionagem intimamente vinculado a CIA. Manning forneceu a Julian Assange 250 mil telegramas secretos retirados destes arquivos, além do vídeo “Colateral” em que mostra o massacre de civis metralhados por um helicóptero americano em Bagdá em 2007. Em um dos diálogos dos soldados no vídeo aparece a ordem que muito bem expressa os “valores” do imperialismo ianque: “Light'em all up. Shoot” (“Acendam eles todos. Atirem” [nos civis]). Em consequência desta macabra descoberta, todos os “louros” da divulgação ficaram com Assange. A Manning restou a prisão e as feridas da tortura.

Ainda que Assange insista que seu projeto WikiLeaks seja um meio “alternativo” que busca revelar os segredos dos governos e das corporações, Daniel Estulin em seu livro “Desmontando o WikiLeaks” mostra em seu trabalho investigativo que os milhares de arquivos que foram filtrados foram publicados sob prévio acordo nos meios mais conservadores que estão controlados pelos setores oligopólicos do planeta. Além disso, não é um segredo que da junta diretiva do WikiLeaks faz parte o arquicorrupto magnata dos meios de comunicação Rupert Murdoch e que um dos financiadores deste projeto é o especulador financeiro internacional George Soros. Por isso, não é gratuito que Assange tenha subscrito acordos para que seus documentos digitais, previamente selecionados, sejam publicados em jornais como The New York Times, Der Spiegel (a maior revista semanal da Europa de origem alemã) e a revista inglesa The Economist. Isto demonstra que o “latifúndio midiático” internacional e o WikiLeaks são sócios, daí que Assange tenha recebido o Prêmio no Novo Meio de Comunicação de The Economist em 2008. Desta forma, o WikiLeaks é um meio “alternativo” a serviço do monopólio da imprensa mundial e muitos especialistas denunciam que o portal é controlado secretamente pela própria CIA. Agora, recentemente, WikiLeaks resolveu publicar seu arquivo completo com mais de 250 mil telegramas diplomáticos dos Estados Unidos sem qualquer edição. Mais um jogo de mídia, já que o portal de informações perdeu o controle de seu arquivo de 284 milhões de palavras já no ano passado, quando Assange forneceu, mediante uma fortuna, os documentos originais para parceiros na imprensa burguesa!

Definitivamente, Assange não é um ativista anti-imperialista como entusiasticamente proclamam alguns tolos setores da esquerda, os mesmos que vergonhosamente relegam ao esquecimento o próprio Bradley Manning! Como não fazemos parte deste “mundo do espetáculo” exigimos a liberdade imediata para Manning e ao mesmo tempo alertamos que não se deve nutrir a menor confiança política no Wikileaks e muito menos no seu pérfido fundador, que abandonou o ex-soldado a própria sorte!

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ratos covardes prorrogam ultimato para “rendição” de Sirte: como em Trípoli esperam o serviço sujo das bombas da OTAN para depois posarem de “rebeldes heróis” para a mídia “murdochiana”

Os “valentes rebeldes” protegidos por centenas de caças da OTAN anunciaram nesta quinta-feira a prorrogação em uma semana para a rendição das forças leais ao regime Kadaffi sitiadas em sua cidade natal, Sirte, o prazo inicial dado pelo CNT vencia no próximo sábado. A razão de tanta “generosidade” é bem simples, os ratos “rebeldes” não têm a menor condição político-militar de enfrentar a verdadeira resistência popular com suas próprias forças, esperam como em Trípoli os covardes mísseis da OTAN realizarem todo o “trabalho sujo” (aniquilando as defesas nacionais) só para depois da estratégia de terra arrasada colocada em marcha pelo imperialismo, posarem como os “heróis” que libertaram a Líbia da “tirania” kadafista. Sem dúvida, um belo conto de “capa e espada” produzido pelas CNNs murdochianas da vida e desgraçadamente “comprado” pelos canalhas Morenistas da LIT e seus apêndices menores.

A cidade de Sirte situada a cerca de 350 km do oeste de Trípoli está cercada por ar e terra pelas forças especiais da OTAN, seu fornecimento de água, luz e alimentos foi cortado, os bombardeios acontecem a cada trinta minutos dia e noite. Mesmo neste quadro de isolamento as milícias da resistência já anunciaram que não se renderão, revelando o heroísmo da população líbia diante dos abutres saqueadores imperialistas e seus ratos “rebeldes”. O covarde cerco a Sirte poderá se estender por meses, enquanto o novo “governo” títere do CNT ganha tempo de lotear o país para as grandes corporações imperialistas. Por outro lado, prossegue a política de cooptações em larga escala de setores do governo nacionalista burguês que traindo a resistência popular se integram rapidamente ao regime de “Vichi”, imposto pela ocupação imperialista.

O próprio Kadaffi afirmou sua intenção de romper o cerco a Sirte e marchar com uma coluna de vinte mil homens com o objetivo de retomar Trípoli. Para além de suas declarações, como marxistas sabemos que a guerra é o prolongamento da política por outros meios e neste caso concreto os “ziguezagues” de Kadaffi, pela ausência de um autêntico programa proletário, não podem inspirar muita confiança. É verdade que a imensa superioridade bélica da coalizão militar imperialista sobre um país atrasado que sequer possui armamento nuclear, não pode ser secundarizada em nenhuma análise minimamente séria sobre esta guerra. Kadaffi teve uma oportunidade de esmagar os “rebeldes” contra-revolucionários, sem nenhum apoio nacional, concentrados em Benghazi e não o fez, buscou uma saída negociada com o imperialismo quando detinha a ofensiva do conflito. Agora é a OTAN que cerca impiedosamente as tropas de Kadaffi em Sirte, lembrando o cerco nazista a Stalingrado na URSS durante a Segunda Guerra Mundial.

Ainda não se pode sentenciar um resultado final da ofensiva da OTAN e tampouco do cerco a Sirte, mas proclamar previamente a vitória “revolucionaria” do imperialismo, pelas mãos dos “rebeldes” monarquistas, como faz a LIT, significa a maior capitulação de classe já cometida por uma organização que se diz de esquerda em toda a história do marxismo. Sem depositar nenhuma confiança política no regime burguês de Kadaffi, os bolchevique-leninistas devem seguir combatendo pela derrota militar das forças de ocupação, lutando por um programa independente do proletariado (socialista) em completa unidade de ação com a resistência nacional e popular. Se é correto afirmar que Kadaffi não é Stalin e também a Líbia de hoje não representa o que foi o Estado operário soviético, também é verdade que a classe operária de ambas as nações já demonstrou sua capacidade de batalhar heroicamente por suas conquistas históricas.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Reunião dos “Amigos da Líbia” em Paris: o início da partilha do botim entre os abutres imperialistas e os “rebeldes protège” da OTAN

Realiza-se neste dia 1º de setembro, em Paris, por iniciativa de Sarkozy e Cameron, reunião das potências imperialistas e aliados, cinicamente intitulados “Amigos da Líbia”, para acertar a rapina das riquezas na Líbia. Participam representantes de 60 países, entre eles o Brasil. Já é público que o governo francês estabeleceu logo após a aprovação da resolução da ONU em março um “acordo secreto” com o CNT para controlar 35% das exportações de óleo cru via transnacional Total, sócia acionária da Petrobras. Agora Sarkozy deseja acomodar seus interesses no marco da aliança imperialista que comandou a agressão da OTAN em conjunto com os “rebeldes” financiados por estes mesmos abutres.

Confirmaram presença nas discussões de hoje a Secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton e a chanceler Angela Merkel, assim como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, além de dirigentes da Liga Árabe e da União Africana. A quadrilha está formada para partilha do botim da Líbia, já que a Rússia anunciou há poucos dias que também reconhece o CNT como “novo governo legítimo”. Vale registrar que empresas como Alcatel-Lucent, EADS, Sanofi, Veolia, GDF Suez e Thales, entre outras, tomaram parte em junho passado de um seminário de negócios em plena Benghazi, cidade bastião dos “rebeldes” contra-revolucionários.

Esse é o resultado da “revolução árabe” saudada pelos revisionistas que agora começam a balbuciar cinicamente que a insurreição está sendo “confiscada” pelo imperialismo e para enganar tolos vendem a cantilena que os “rebeldes” estão resistindo em meio a “duas guerras”: contra as forças leais a Kadaffi e a OTAN. Trata-se de uma farsa completa, os “rebeldes”, mesmo com grande parte do território líbio já ocupado por mercenários a serviço da OTAN e seus especialistas militares, não conseguem sequer avançar rumo a Sirte, cidade natal de Kadaffi, sem o bombardeios destruidores dos caças da Aliança!

Como a LBI alertou desde o início do conflito em fevereiro, o imperialismo desejava se livrar do papel intermediador do Estado burguês líbio gerenciado por Kadaffi, baseado em um regime nacionalista burguês, produto de uma revolução democrática no final dos anos 60, que fez concessões às massas centralizando ferreamente os negócios do petróleo, em um grau muito maior que o chavismo da Venezuela com seu “Socialismo do Século XXI”. Os facínoras atuais paladinos da “democracia” a la OTAN agora vão impor um regime lacaio, alinhado integramente com a Casa Branca e a UE onde, na condição de novos donos do petróleo, negociem diretamente com as transnacionais sem a intermediação do Estado. A Líbia, como a Venezuela, é um país cuja economia é baseada na monoprodução de petróleo, uma commoditie mineral com baixo valor agregado. A exploração do óleo cru se dava por uma empresa estatal nacional que controla as exportações, sendo desta fonte a principal receita estatal responsável até então por garantir a manutenção da conquistas econômicas no país. Neste ponto específico, da prospecção e exportação de petróleo, é necessário que se diga claramente que apesar das concessões feitas por Kadaffi nos últimos anos, o modelo líbio era ainda o mais “fechado” do mundo. Isto era reconhecido pela própria OPEP, que nunca morreu de amores pelo dirigente líbio. Agora com a farsesca “revolução árabe”, os “amigos da Líbia” vão fazer do país uma nova Arábia Saudita! Não estranhemos se amanhã, quando o imperialismo tentar fazer o mesmo na Venezuela, a corja revisionista do quilate da LIT venha saudar a “insurreição popular” dos esquálidos da direita golpista na América Latina!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária nº 221, 2ª Quinzena de Agosto/2011



EDITORIAL
Utilizando-se do “fantasma” da crise mundial, Dilma presenteia rentistas com aumento do superávit

ESCÂNDALOS DE CORRUPÇÃO
Dilma troca um quadrilheiro amador por um mafioso profissional no comando da agricultura

NAS ENTRANHAS DO ESTADO BURGUÊS
Quem matou a juíza Patrícia Acioli?

LUTA NO CAMPO
Latifúndio assassina impunemente mais um dirigente camponês no Pará em pleno mandato da ex-guerrilheira Dilma Rousseff

DEFLAGRAR A GREVE GERAL DOS TRABALHADORES DOS CORREIOS
Governo Dilma e quadrilha do PT e PCdoB aprovam privatização da ECT na Câmara dos Deputados

PROFESSORES - CEARÁ
Rechaçar a proposta da direção da APEOC de suspender a greve e as manobras do PSTU para enfraquecer nossa luta!

BALANÇO DO “LOBBY” EM BRASÍLIA - 24/08
Uma marcha do “turismo sindical” para credenciar a Conlutas como central sindical reconhecida pelo governo Dilma

AMÉRICA LATINA
Trabalhadores e estudantes unidos se levantam em greve geral de 48 horas no Chile. Sem uma plataforma revolucionária movimento pode reforçar demagogia “antineoliberal” do PS

PALESTINA OCUPADA
Pela vitória dos “vingadores palestinos” em sua resistência contra o enclave de Israel!

TENSÃO NO ORIENTE MÉDIO
Planos para intervenção “humanitária” na Síria é antessala do ataque imperialista ao Irã

SÍRIA
PSTU exige que “Dilma rompa relações com a ditadura síria”, mas não se incomoda com sua “diplomacia” diante dos “governos democráticos” carniceiros de Cameron, Sarkozy e Obama

EM DEFESA DO TROTSKISMO
Há 71 anos de sua morte, Trotsky combateria se estivesse vivo os “Burnham e Shachtman” de hoje, que apóiam os “rebeldes” pró-OTAN na Líbia em nome da farsesca “Revolução Árabe”

ESPECIAL LÍBIA

CARTA ABERTA AO MST
Transformar o “Grito dos Excluídos” em um Grito de Luta contra a ocupação imperialista na Líbia!

CAIU A MÁSCARA
OTAN é forçada a reconhecer seu papel de direção militar dos “rebeldes” líbios

GUERRA DE RAPINA
O ouro da Líbia, um saque pouco mencionado pelos piratas da OTAN

RESISTÊNCIA LÍBIA
Bairro a bairro, rua a rua de Trípoli se desenvolvem os combates entre a heróica resistência popular e a contra-revolução imperialista

REBELDES” AVANÇAM CONTRA KADAFFI
Aplastar a ofensiva contrarrevolucionária da OTAN sobre Trípoli! Armar as milícias populares para a batalha final! Denunciar o silêncio criminoso do revisionismo como cúmplice do imperialismo!

JUSTA RESPOSTA DOS POVOS OPRIMIDOS
ONU, covil de abutres que autorizou agressão imperialista a Líbia, é alvo do legítimo ódio do povo da Nigéria

SERVIL “DIPLOMACIA” BRASILEIRA
Submissa ao imperialismo, Dilma pretende reconhecer o governo títere do CNT/OTAN na Líbia

POLÊMICA COM A LIT I
Os “rebeldes” travaram uma guerra contra a OTAN na Líbia? Ou o delírio pró-imperialista das “duas guerras” teorizado pela LIT

POLÊMICA COM A LIT II
O novo porta-voz “de esquerda” da OTAN: a LIT!

POLÊMICA COM CAUSA OPERÁRIA
PCO acredita mesmo que são os “revolucionários” líbios capazes de tomar o reduto de Kadaffi? Ou a omissão do revisionismo delirante diante dos criminosos bombardeios da OTAN!

LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA

terça-feira, 30 de agosto de 2011

PCO acredita mesmo que são os “revolucionários” líbios capazes de tomar o reduto de Kadaffi? Ou a omissão do revisionismo delirante diante dos criminosos bombardeios da OTAN!

A estreita colaboração entre os “rebeldes” made in CIA e as forças da OTAN na Líbia vem sendo saudada entusiasticamente pelo PCO. Enquanto a aliança militar imperialista lança novos bombardeios sobre Sirte, a cidade natal de Kadaffi, simplesmente porque os “rebeldes” não conseguem avançar por terra para tomar a localidade, apesar de todo armamento recebido, os cretinos do PCO comemoram o fato de que os “revolucionários líbios avançam contra Sirte, reduto das forças de Kadafi” (Causa Operária On Line, 24/08). Dias depois, esses verdadeiros agentes do imperialismo travestidos de “esquerda” reconheceram no artigo “A batalha por Trípoli: o caminho aberto pelas bombas da OTAN” (26/08) que os “rebeldes” só avançavam por terra devido ao rastro assassino imposto pelo bombardeio da Aliança. Mas se alguém pensa que este fato causa alguma náusea no PCO engana-se redondamente! Além de festejarem o genocídio em curso perpetrado pelas tropas piratas, ainda contam o “verso” que os “rebeldes” são autênticos “revolucionários” e que não estão sob o comando político e militar do império!

Esses trânsfugas que enlameiam a bandeira da Quarta Internacional desejam fazer crível a farsa de que está em curso uma revolução na Líbia e que esta não pode ser controlada pelo imperialismo! Por esta razão alertam, pasmem, que “ao mesmo tempo em que a revolução avança para esmagar todas as alavancas de poder do antigo regime, o imperialismo tem se aproveitado de todas as oportunidades para estabelecer uma aliança com a ala mais conservadora dos revolucionários” (CO on line 26/08). Pelas asneiras que escreve o PCO, haveria uma ala genuinamente revolucionária dos “rebeldes” que estaria em luta ao mesmo tempo contra Kadaffi e o imperialismo! Em seu estúpido delírio, Causa Operária só se iguala aos ultra-Morenistas da LOI-DO argentina que gritam: “Fora as tropas da OTAN, com seu ‘fogo amigo’, as que durante dois meses impediram que as milícias avançassem desde Misarrata a Trípoli. As heróicas milícias revolucionárias chegaram a Trípoli, apesar e contra a OTAN e o CNT” (Sítio Democracia Obrera, 27/08). Finalmente, esses dementes do quilate do PCO nos “informaram” que a OTAN passou dois meses bombardeando os “rebeldes” para impedir sua entrada em Trípoli e assim preservar o regime de Kadaffi! Mas não foi o próprio PCO que comunga da mesma tese “revolucionária” que comemorou o fato dos “rebeldes” terem o “caminho aberto pelas tropas da OTAN” para conseguirem entrar em Trípoli? Ora, o que importa a realidade para esses senhores! O malabarismo retórico do PCO trata-se apenas de uma cópia bastarda da estapafúrdia “teoria” das “duas guerras” fabricada pela LIT para enganar bobos, vendendo a cantilena que os “rebeldes” algum dia tenham lutado contra as tropas da OTAN ou adotado uma plataforma “anti-imperialista”. Não pode se tratar “apenas” de confusão, delírio ou idiotice... será que alguém está pagando bem para estes filisteus darem uma cobertura de “esquerda” à ofensiva imperialista na região em nome da farseca “revolução árabe”?

Como denunciou a LBI desde o início das manifestações pró-imperialistas em Benghazi ainda no mês de fevereiro, os mercenários “rebeldes” estavam a serviço da CIA justamente pelas suas estreitas ligações políticas e econômicas com as transnacionais do petróleo instaladas na cidade portuária. Não por acaso, o CNT criou um banco central em plena guerra e continuou a exportar religiosamente óleo cru barato para as potências estrangeiras que lhes patrocinavam!

O PCO ainda nos avisa em Editorial intitulado “Líbia: o que está em jogo?” (28/08) que “O ‘confisco’ da revolução líbia pelo imperialismo foi a forma encontrada para, ao mesmo tempo, modificar as relações econômicas com o país e garantir que a transição de poderes – considerada à altura em que as manifestações começaram como algo inevitável – se desse dentro dos limites impostos pela política imperialista, isto é, sob o controle dos elementos mais alinhados com os interesses dos EUA, da França e da Itália na Líbia dentro do próprio regime kadafista”. Quer dizer que agora houve uma revolução na Líbia e, num passe de mágica, o imperialismo conseguiu “confiscá-la” pondo-a sob seu controle? Alguém em sã consciência pode acreditar em tamanha imbecilidade já que os “rebeldes” (ou revolucionários para o PCO) nunca lançaram um único tiro contra as tropas da OTAN, receberam armas e ajuda de seus especialistas militares e agora buscam caçar Kadaffi em Sirte depois dos seguidos bombardeios contra a cidade natal do dirigente líbio? Que “revolução” é esta que se vale de uma agressão imperialista para vencer um regime nacionalista burguês que tem atritos com a Casa Branca e empunha a bandeira da monarquia arqui-reacionária do rei Idris? Simples: não é uma revolução, mas uma contra-revolução, estúpido!