quarta-feira, 16 de maio de 2012

Jornal Washington Post noticia o que todos (menos a LIT!) já sabiam: o “Exército Livre da Síria” recebe dinheiro e armas da Casa Branca

Agora foi o jornal Washington Post, insuspeito de ter alguma simpatia pelo regime de Bashar al Assad ou de se opor à investida neocolonialista da Casa Branca no Oriente Médio, que acaba de noticiar nesta quarta-feira, 16/05: “os rebeldes da Síria receberam um fluxo de armas, incluindo antitanques, para sua luta contra o regime do presidente Bashar al Assad, em um esforço coordenado com a ajuda dos Estados Unidos”. Segundo o jornal, “A Casa Branca avançou nos vínculos com os rebeldes sírios e com os militares regionais aliados a eles, jogando um papel na rede de apoio internacional aos insurgentes”. Mais claro impossível a íntima relação entre o chamado Exército Livre da Síria (ELS) e o imperialismo ianque, mas para a LIT esses mercenários continuam a ser “revolucionários” que devem ser apoiados em sua luta contra a “ditadura sanguinária de Assad”!

Ainda pelo que relata o Washington Post, “Os Estados Unidos prometeram aumentar a pressão para que Assad deixe o poder e o tema será tratado na próxima reunião da OTAN em Chicago”. Como se vê, a OTAN e a LIT tem o mesmo objetivo, derrubar Assad na Síria, assim como estiveram na Líbia juntos em apoio aos “rebeldes” contra o regime nacionalista de Kadaffi! Estamos diante de uma força política que se passou de malas e bagagens para o campo da reação “democrática” imperialista. Se ainda restava alguma dúvida, prestemos bastante atenção no que diz a mais recente declaração dos morenistas sobre a Síria. Para a LIT, “Desde o final de 2011, a luta de classes na Síria chegou a sua máxima expressão, iniciando-se una guerra civil. Depois de meses de mobilizações populares que eram brutalmente reprimidas pelo regime sírio, surge o denominado Exército Livre da Síria (ELS). Esta força combatente está conformada, fundamentalmente, por setores da população civil que tomaram as armas e por soldados que desertaram do exército regular que responde a ditadura de Assad. Líderes do ELS asseguram que suas fileiras contam com 40 mil combatentes e suas ações militares se circunscrevem, geralmente, a tática de guerra de guerrilhas... Sustentamos que o armamento da população deve estender-se e as ações militares devem ser centralizadas a partir de una direção unificada de todas as unidades e comitês populares armados. Por outro lado, é preciso exigir aos governos armas e assessores militares para a resistência armada síria” (sítio LIT, 20/04)! Estamos diante de um claro chamado ao estabelecimento de uma frente única com as potências imperialistas contra um governo de corte nacionalista burguês!

Vejamos o que noticia o jornal sobre a política da LIT de “exigir dos governos armas e assessores militares para a resistência armada síria”. Segundo o Washington Post, EUA e Arábia Saudita chegaram à conclusão que é impossível causar um conflito interno no exército sírio, pois Assad exerce pleno controle sobre os militares. Por isso, o jornal afirma existir em andamento a implementação de um novo plano, na medida que os EUA já organizaram vários comitês de segurança, políticos e militares em favor dos “rebeldes” na Síria. O comitê ianque de apoio ao ELS é formando pela Secretária de Estado, Hillary Clinton, na função de supervisora e Jeffrey Feltman, como coordenador. Feltman também controla um grupo cujos membros incluem ministros de Relações Exteriores da Arábia Saudita e Qatar. Além disso, conta com participação da CIA e agências de inteligência da Arábia Saudita, Qatar, Turquia, Líbia e da OTAN, através de um escritório com sede em Doha, para a coordenação especial de segurança na Síria. Já o comitê militar é chefiado pelo general Martin Dempsey. O grupo é quem tem a palavra final em matéria de apoio logístico para os “rebeldes” sírios e determina o tipo de inteligência a serem fornecidos para a oposição. O comitê de segurança, entretanto, tem representantes de sete a dez agências de inteligência americanas. Sua missão é o desenvolvimento de enredos e coleta de informações-chave sobre a situação na Síria. Ainda segundo o jornal, um dos objetivos da estratégia está destinado a impedir a Rússia de manter uma posição permanente na Síria, mais precisamente sua base militar no país. Além disso, a trama procura “transferir a democracia ao país” sem ter que arriscar a segurança nacional de Israel. Por isso, o plano será realizado diretamente pelos batalhões militares de mercenários que atuam além das fronteiras sírias com países como o Líbano, Turquia, Jordânia e partes do Iraque. Guerra de guerrilha nas cidades sírias, ataques especiais em áreas que estão sob controle do governo de Al Assad pesado juntamente com operações paramilitares e guerra psicológica contra o exército fazem parte das ações!

Diante de fatos tão claros, inclusive noticiados amplamente pela própria mídia imperialista, não acreditamos que a “cúpula” morenista da LIT seja tão estúpida assim de não ver o óbvio. Trata-se de um outro fenômeno, marcado pela decomposição ideológica, moral e material de uma corrente política para melhor se adaptar aos “tempos modernos”, diante da brutal ofensiva imperialista pós-queda do Muro de Berlim, também apoiada por esses mesmos senhores em nome de combater a “ditadura stalinista” na URSS e no Leste europeu.

Está colocado frente a escalada política e militar do imperialismo em apoio aos “rebeldes” made in CIA na Síria, assim como fez na Líbia, combater para que a luta dos povos do Oriente Médio não sirva para o imperialismo debilitar os regimes que têm fricções com a Casa Branca (Irã e Síria), ou mesmo como cínico pretexto para justificar intervenções militares “humanitárias”. Cabe aos marxistas leninistas na trincheira da luta contra o imperialismo e pelas reivindicações imediatas e históricas das massas árabes, postarem-se em frente única com os governos das nações atacadas ou ameaçadas pelas tropas da OTAN e combater os planos de agressão das potências capitalistas sobre os países semicoloniais da região, desmascarando vigorosamente aqueles que se fingindo de “esquerda” avalizam a sanha neocolonialista de Obama e seus sócios.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Leia a mais recente edição do Jornal Luta Operária, nº 235, 1ª Quinzena de Maio/2012



EDITORIAL
A estabilidade do regime político como um fator de contenção para as massas


ASSALTO À POUPANÇA POPULAR
O que está por trás da “queda de braço” entre a Febraban e a presidente Dilma?


HOBIN HOOD ÀS AVESSAS
Adivinha quem vai bancar a “redução” dos juros dos parasitas do sistema financeiro?


IMPRENSA MURDOCHIANA
A guerra de quadrilhas da Rede Record com a Revista Veja e o papel da “mídia alternativa”


“COMISSÃO DA VERDADE”
Um engodo “democrático” para encobrir os crimes da ditadura militar


BALANÇO DO DIA INTERNACIONAL DE LUTA DOS TRABALHADORES
Divisão do 1º de Maio da Praça da Sé, uma expressão da disputa das burocracias sindicais no interior da “oposição de esquerda”


MAIS UM PELEGO NO GOVERNO
Dilma confirma Brizola Neto no comando do MT, um “presente de grego” para os trabalhadores neste 1º de Maio


TESE DA TENDÊNCIA REVOLUCIONÁRIA SINDICAL (TRS) AO 10º CONGRESSO DO SINTSEF/CEARÁ
Construir a greve geral dos servidores para derrotar os ataques do governo Dilma!


A LÍBIA SOB O REGIME FANTOCHE DO CNT
Seis mil presos políticos sob tortura no governo dos ex-“rebeldes” da OTAN


TERRORISMO MADE IN CIA
Síria é alvo de mega-atentado organizado pelos mercenários do “Exército Livre” para justificar intervenção militar da OTAN!


A GRÉCIA ENTRE DUAS ALTERNATIVAS BURGUESAS
Troika quer “união nacional” sob controle da direita, mas já admite como “plano B” um governo de “esquerda”


NOVO CAPÍTULO NA “TRAGÉDIA GREGA”
Crescimento da direita pavimenta governo de unidade com os neonazistas


RÚSSIA SEMICOLONIAL
Assume um Putin ainda mais servil às ordens da Casa Branca


OFENSIVA IANQUE CONTRA AS CONQUISTAS “SOBREVIVENTES”
Até mesmo cego pode ver a nova provocação ianque contra a China


VITÓRIA DE HOLLANDE
“Socialistas” são “escolhidos” para aplicar a cartilha de “ajuste” do imperialismo europeu


CAMPANHA INTERNACIONALISTA
Todo apoio à greve de fome dos presos palestinos contra as masmorras do enclave terrorista de Israel


LIGA BOLCHEVIQUE INTERNACIONALISTA
http://www.lbiqi.org



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Troika quer “união nacional” sob controle da direita, mas já admite como “plano B” um governo de “esquerda” na Grécia

Até agora as tentativas de se formar um novo governo na Grécia fracassaram. Se até 17 de maio a situação assim se mantiver, haverá novas eleições parlamentares em junho. A Nova Democracia (ND) junto com o PASOK conquistaram 149 cadeiras e não conseguiram a maioria necessária (151 deputados) no parlamento para constituir o gabinete de “união nacional”. ND buscou fechar um acordo com a extrema-direita agrupada no Aurora Dourada e outros grupos menores, mas o fato de ter que recorrer a social-democracia (PASOK) e mesmo a chamada Esquerda Democrática (ED) para ter maioria parlamentar desagradou seus parceiros neonazistas que desejam um governo “puro sangue” da direita xenófoba. A tendência é que em uma nova eleição, ND conquiste mais votos e com o bônus de 50 deputados para o partido mais votado, como prevê a aberrante legislação grega, consiga formar um governo que tenha o controle absoluto.

Há, entretanto, o “Plano B” da burguesia, seu nome é SYRIZIA. A SYRIZIA ou “Coalizão de Esquerda e do Progresso”, dirigida pelo oportunista Alexis Tsipras, tentou até o último momento compor uma aliança com a Esquerda Democrática (ED) e o Partido Comunista Grego (KKE), além de outros grupos “independentes”, para a formação de um “governo de esquerda”. O objetivo de tal acordo era compor um gabinete com uma roupagem renovada para gerir a crise do regime grego questionando limitadamente os termos estabelecidos pela troika em seu “plano de ajuste” que impõe mais miséria e desemprego aos trabalhadores. Apesar de não defender a saída da União Europeia (UE) e sim a revisão do chamado “memorando” sob o slogan “Euro sem austeridade”, em seus discursos Alexis Tsipras chega a flertar com essa posição defendida de fato pelo KKE como a “alternativa para a crise grega”. Frente a essa realidade, a própria troika já admite um acordo com a SYRIZIA em torno da revisão dos termos do “memorando”. Segundo o Financial Times, bancos centrais europeus já falam abertamente nos preparativos para a saída da Grécia da “Zona do Euro”. Nesse sentido, Luc Coene, presidente do BC belga declarou: “Acredito que um divórcio amigável, se for um dia necessário, poderá ser possível. Mas eu ainda assim lamentaria” (O Estado de S.Paulo, 13/05). Patrick Honohan, presidente do BC irlandês, seguiu a mesma linha. “Coisas que não estão nos tratados podem ocorrer. Tecnicamente, a saída da Grécia pode ser administrada. Não seria necessariamente fatal, mas não é atrativa” (Idem). Para Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o BC alemão, “as consequências de sair da zona do euro são mais sérias para a Grécia do que para o resto da zona do euro” (ibdem).

A ruptura com a UE é uma solução política tão “ingênua” como distracionista para a verdadeira questão de fundo que nem os stalinistas do KKE querem abordar, ou seja, a ruptura radical com o capital financeiro e não simplesmente com a “Zona do Euro”. Não é demais lembrar que a Inglaterra atravessa sua pior crise dos últimos vinte anos, sem nunca ter ingressado na Zona do Euro e mantendo sua própria moeda nacional. O fulcro da crise capitalista vai muito além do modelo monetário adotado por um país ou mesmo uma comunidade de países, como é o caso da União Europeia. Sem abordar com radicalidade o verdadeiro cerne da questão em debate, os trabalhadores, principais vítimas da ciranda financeira vigente, ficaram à deriva dos projetos populistas e “antineoliberais” para superar o impasse de uma economia capitalista falida, mas que não deixará a cena histórica sem a construção de uma alternativa socialista e revolucionária.

Os esforços de SYRIZIA para formar um “governo de esquerda” também fracassaram momentaneamente até porque se os três partidos formassem uma aliança não conquistariam maioria parlamentar. A LIT, por exemplo, é uma apoiadora entusiasta dessa política frente populista. No artigo “Grécia: hecatombe dos partidos da troika e necessidade de governo das esquerdas”, os morenistas afirmam: “O que os gregos querem é um governo de unidade das esquerdas para acabar com a austeridade sobre os trabalhadores, os jovens, os pensionistas e o povo em geral. Nesse sentido, a extrema-esquerda agrupada na SYRIZA foi quem melhor capitalizou o descontentamento popular, pois o seu líder, Alexis Tsipras, vinha já há algum tempo a defender a linha de um governo das esquerdas baseado na SYRIZA, no KKE (Partido Comunista) e no DIMAR (Esquerda Democrática)... Para já, a alternativa do ponto de vista dos trabalhadores e da juventude parece ter de passar por um governo unitário das esquerdas entre a SYRIZA, o KKE e o DIMAR para romper com o programa da troika, recusar a usura da dívida, repor as perdas salariais e os direitos laborais, canalizar o dinheiro para o crescimento da economia e do emprego, nacionalizar ou impedir a privatização de sectores estratégicos da economia” (sítio LIT, 07/05). Como se vê, a LIT reivindica um “governo de esquerda” que gerencie a bancarrota do regime burguês sem qualquer ruptura revolucionária, já que sequer fala da expropriação dos capitalistas, não denuncia o caráter de classe do Estado burguês e nem mesmo defende da ruptura com a UE. A LIT também não emite uma linha em defesa da saída de Grécia da OTAN, seguindo a mesma posição da SYRIZA, até porque ambas as forças defendem a fantasiosa “revolução árabe” que se utilizou da agressão militar da aliança imperialista para impor os mercenários do CNT na Líbia.

Não está descartada a possibilidade de que se houver novas eleições parlamentares SYRIZA conquiste mais votos e esteja na ordem do dia a formação de tal “governo das esquerdas”, aumentando a pressão sobre o KKE para que componha essa coligação. Como dissemos anteriormente, apesar da negativa formal do KKE de compor uma aliança parlamentar com a SYRIZIA e ED para formar um governo e indicar o primeiro-ministro, a política eleitoralista dos stalinistas gregos pressionam os setores mais oportunistas do partido a internamente se postarem a favor de uma “frente de esquerda” para gerir a bancarrota do Estado burguês grego! Não por acaso, o KKE perdeu votos nas zonas proletárias de Atenas para a SYRIZIA. Enquanto Alexis Tsipras fala de um “governo de esquerda” como suposta alternativa concreta aos olhos dos trabalhadores a atual gestão abertamente submissa a troika, o KKE propõe vagamente um “poder popular dos trabalhadores”, mas não faz nada para concretizá-lo limitando-se a vergonhosos pedidos ao parlamento burguês porque para os stalinistas “as condições objetivas e a correlação de forças não estão maduras” para uma ruptura revolucionária!

Até o momento o Partido Comunista Grego declarou que “um governo ‘de esquerda’ é um barco furado para o povo que sofre”, denunciando a SYRIZA como um sustentáculo do regime. Porém, o próprio KKE centra suas ações sobre o parlamento burguês. Neste domingo, 13 de maio, a Secretária-Geral do KKE, Aleka Papariga, propôs a anulação dos acordos que levaram à concessão de ajuda internacional a seu país pelo próprio parlamento serviçal a troika! Segundo Aleka Papariga: “Vamos apresentar ao Parlamento grego um projeto de lei que determina muito especificamente a eliminação e a anulação do acordo” (O Estado de S.Paulo, 13/05). Vale relembrar que recentemente o KKE assumiu a condição de polícia para proteger o parlamento burguês contra os anarquistas e setores mais radicalizados das marchas de protesto de 2011, taxando-os de “provocadores”, sendo por isso elogiado pelas forças de direita governamentais pela sua “responsabilidade” e “espírito cívico”! Depois de negar-se a chamar a derrubada do governo burguês do Pasok, frente à gestão de unidade nacional controlada pela direita, o KKE apresentou como proposta a “retirada da UE”. Não por acaso, tal medida protecionista, que a frágil burguesia grega até poderia chegar a recorrer desesperadamente, tem a simpatia de setores da própria direita nacional. A entrada da Grécia na chamada zona do Euro a colocou em um colapso previamente anunciado. A única “saída possível” para a burguesia grega seria a renúncia ao Euro e o rompimento com o receituário draconiano da troika, mas isso é impossível no marco estatal de uma classe dominante associada às burguesias imperialistas europeias, em especial à alemã e francesa, que se beneficiam das exportações primárias da Grécia e principalmente da jogatina especulativa de que o país é refém. Em resumo, diante da covardia da burguesia nativa, o KKE assume a defesa da tarefa... dando-lhe uma maquiagem de esquerda, mas sem questionar em nenhum momento o próprio poder burguês.

A Troika aponta um gabinete de “união nacional” sob controle da direita na Grécia como saída preferencial, mas tem como “plano B” um governo de “esquerda”. São dois lados da mesma moeda. Nesse cenário, os trabalhadores não devem dar nenhum voto de confiança a essas duas alternativas burguesas voltadas a jogar mais uma vez nos ombros dos trabalhadores o custo da crise capitalista. Ao contrário, é preciso alertar, preparar e organizar o proletariado e, particularmente, sua vanguarda mais combativa para um período de fascistização do regime político. Tragicamente, o conjunto da esquerda grega, desde o stalinismo até os revisionistas do trotskismo apresentam nada mais do que impotentes programas sindicalistas, opondo-se a armar de uma plataforma revolucionária a classe para os novos embates que emergem desta nova conjuntura dramática. Os catastrofitas da LIT que ontem apregoavam que a “revolução” batia às portas da Grécia, agora descaradamente imploram pela formação de um “governo de esquerda” para gerir a Estado capitalista! Já o EEK, grupo ligado ao PO argentino, que também vendia ao mundo que estávamos às vésperas do fim do capitalismo na Grécia em 2009, se apresentou nas eleições nacionais e conquistou 6 mil votos, sendo uma das legendas menos votadas, isso quando Jorge Altamira pregava há dois anos que o EEK estaria à cabeça da “revolução grega”!

Aos genuínos marxistas cabe a tarefa de intervir ativa e pacientemente sobre estas lutas para elevar o nível de consciência dos setores mais radicalizados, a fim de fazê-la avançar da resistência defensiva atual para a disputa pela conquista do poder político contra seus algozes, superando a criminosa influência política que a centro-esquerda reformista e seus satélites revisionistas exercem sobre o proletariado. A materialização deste longo e paciente processo de evolução da consciência dos trabalhadores é a construção de um partido internacionalista e revolucionário que lute por derrotar a União Europeia imperialista, sob a qual a vida das massas converte-se em uma bárbara escravidão, para edificar em seu lugar uma Federação das Repúblicas Socialistas da Europa, apontando a única saída verdadeiramente progressista para o velho continente.

sexta-feira, 11 de maio de 2012


“Comissão da Verdade”, um engodo “democrático” para encobrir os crimes da ditadura militar
O Palácio do Planalto anunciou nesta quinta-feira, 10/05, os sete integrantes escolhidos pela presidente Dilma Rousseff para compor a Comissão da Verdade. São eles: o ministro do STJ escolhido por FHC, Gilson Dipp, o ex-procurador-geral da República no governo Lula, Cláudio Fontelles, o ex-ministro da Justiça no governo tucano, José Carlos Dias, o embaixador Paulo Sérgio Pinheiro que acabou de dar um parecer condenando a Síria na Comissão de “direitos humanos” da ONU, a psicanalista Maria Rita Kehl, diretamente ligada a Dilma e os advogados Rosa Maria Cardoso da Cunha e José Paulo Cavalcanti Filho, este último foi ministro interino no governo Sarney. No dia 16 de maio, haverá a posse dos integrantes com a presença de todos os ex-presidentes da República: José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Planalto, o “convite de todos os ex-presidentes é uma demonstração de que essa é uma comissão não de governo, mas de Estado”. A OAB aplaudiu como “equilibrada” a escolha dos integrantes em uma prova que sua composição foi produto de acordo com os militares enquanto os próprios membros da Comissão saíram logo a declarar que “não temos poder de polícia” o que na prática significa o famoso “não vamos punir ninguém”. O que está claro é que pelos membros indicados, todos ligados aos governos burgueses pós-ditadura comprometidos integralmente com a farsa da “transição democrática”, este engodo ficará conhecido na história como a “Comissão da Mentira” já que de fato, pelo acordo da burguesia com a alta cúpula das FFAA, não investigará nada servindo apenas para protocolarmente a gestão da frente popular se livrar dessa tarefa pendende, resolvida pelos governos da centro-esquerda burguesa do continente latino-americano.

Em tese a “Comissão da Verdade” irá apurar os assassinatos políticos, tortura e atentados cometidos durante a ditadura militar (1964-1985) mas desde o seu nascedouro está impedida de julgar ou criminalizar os torturadores e assassinos políticos da ditadura, que são protegidos pela “Lei de Anistia” e pela interpretação vigente que acatou sua proteção aos chamados “crimes conexos”, ou seja, as atrocidades comedidas pelos gorilas. Em nome da estabilização do regime, os autodenominados “setores progressistas” do governo, ligados aos movimentos dos direitos humanos, cederam diante da pressão dos generais e do STF para que não fosse revista a Lei de Anistia. Diante desta completa impotência, os próprios ministros militares deram carta branca ao governo para a instalação da Comissão que não será da verdade, mas de mentirinha, um embuste montado para dar uma satisfação aos organismos internacionais, em especial à facínora OEA, que cobra do governo brasileiro uma manifestação pública em relação à matéria. A “cobrança” da OEA, organismo imperialista responsável por apoiar golpes militares e invasões genocidas, por si só revela a necessidade de utilizar uma cobertura democrática para tentar dissimular suas próprias monstruosidades.

O PCdoB, diante do anúncio dos nomes, declarou cinicamente: “São sete brasileiros que terão a incumbência de levar adiante a tarefa de esclarecer os crimes cometidos pela repressão política da ditadura militar de 1964. A tarefa da Comissão será árdua. Vai enfrentar desafios como o escamoteamento de documentos e arquivos com informações necessários para esclarecer aquelas barbaridades como também a oposição e resistência dos setores conservadores e direitistas e dos saudosos da ditadura militar e seus métodos brutais. Mas terá o apoio decidido dos democratas, da juventude, daqueles que exigem o esclarecimento daqueles acontecimentos e lutam pela responsabilização daqueles que torturaram, perseguiram e assassinaram sob o manto do Estado ditatorial. Este apoio é fundamental. Ele expressa a consciência da Nação e a confiança no avanço e consolidação da democracia. Bom trabalho aos sete indicados!” (Sítio Vermelho, 10/05). Nesta forma os atuais oficies boys da burguesia prostituem o próprio papel de seus militantes na luta contra a ditadura, já que morreram lutando não pela “democracia” mas pela revolução socialista e para derrotar o regime militar que nada mais era que a face macabra do capitalismo naqueles anos de chumbo.

Na verdade, o texto elaborado pelo governo nem sequer cogita revisar a Lei de Anistia, pois significaria quebrar o acordo firmado com os militares desde a crise do regime militar nos estertores da década de 70. A denominada “transição” da ditadura para o regime “democrático” burguês, elaborada pelo general Golbery tinha como estratégia manter intacta a estrutura e os métodos de repressão política como monopólio do Estado capitalista. A “Lei de Anistia”, promulgada em 1979, inocentou os carrascos dos militantes e ativistas sociais, cujo “vespeiro” a burguesia e seus gerentes e ex-gerentes de farda ou civis não querem abrir, pois traria à tona a imensa podridão do regime capitalista e seus serviçais militares. Todos os documentos relativos a este período estão guardados a sete chaves por exigência das FFAA como ultra-secretos.

Outro aspecto dessa farsa seria o próprio condenado aplicar a pena contra si mesmo e seus pares. O governo Dilma é apenas o atual gestor do Estado burguês, um comitê dos negócios comuns da mesma classe reacionária que promoveu o golpe de 1964 e patrocinou o regime sanguinário. Sob o capitalismo, seja qual face expresse, o Estado não perde seu caráter ditatorial de classe. Portanto, Dilma não pode e nunca irá voltar-se contra os senhores aos quais servem tão dedicadamente. Hoje, sob os signos da democracia, os reformistas armados de ontem administram bilionários negócios em favor de grupos econômicos nacionais e internacionais. Os neo-stalinistas do PCdoB, por exemplo, engalfinham-se junto aos partidos burgueses tradicionais na divisão do botim estatal e dos negócios da Copa do Mundo, defendendo ardentemente todas as instituições do Estado capitalista, a mesma máquina assassina que seus ex-militantes da Guerrilha do Araguaia combateram. Essa é, sem dúvida, a maior ofensa à memória dos que tombaram na luta contra a ditadura militar. Um verdadeiro crime político a ser denunciado energicamente pelos revolucionários.

A verdade e a punição dos autores dos crimes cometidos pela ditadura militar somente será exposta com a abolição da Lei de Anistia para os torturadores e assassinos durante o regime que seguiu o golpe de 1964. Passa pela abertura imediata dos sinistros arquivos dos órgãos de inteligência dos militares de ontem e de hoje. A criação de tribunais populares para julgar e condenar os militares assassinos é parte integrante de uma tarefa democrática transicional da revolução socialista para pôr a termo o Estado capitalista e seu aparato repressivo. Somente a paciente construção de organismo de classe que aponte para a construção de um governo operário e camponês poderá revelar todos os arquivos secretos da repressão e punir os responsáveis pelas torturas e assassinatos cometidos no período do regime gorila.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O que está por trás da “queda de braço” entre a Febraban e a presidente Dilma?

O cenário estava todo preparado para o tão esperado anúncio da redução da taxa de juros por parte da famigerada Febraban, mas os rentistas “recalcitrantes” exigem ainda mais submissão do governo da ex-poste Dilma, e como afirma um ditado popular: “Quem muito se verga acaba mostrando os fundilhos”. Os parasitas financeiros, encastelados na entidade paraestatal, conseguiram que o governo da frente popular efetuasse o maior assalto da década aos pequenos poupadores alterando a metodologia do cálculo dos rendimentos da Caderneta de Poupança. Agora a remuneração da poupança popular segue um critério móvel, lastreada na variação da taxa SELIC, um índice absolutamente fictício que não baliza absolutamente nenhuma operação no mercado financeiro, a não ser um piso mínimo de negociação dos títulos públicos vendidos no pregão da dívida interna. Os já minguados rendimentos da Caderneta de Poupança foram vergonhosamente achatados como pretexto para promover a queda das taxas de juros (meio por cento ao mês mais um ínfimo índice da TR) o que simplesmente não ocorreu. No mundo real, e não no faz-de-conta do Palácio do Planalto, mensalmente os juros permanecem na casa dos 13% ou mais de 300% ao ano! Os banqueiros, “fiéis depositários” do imenso fundo financeiro da Caderneta de Poupança, que por lei deveria ser concentrada exclusivamente nos bancos estatais para fomentar a habitação popular, agora vão poder remunerar abaixo dos 6% ao ano os rendimentos da Caderneta, enquanto praticam o crime da usura cobrando de seus clientes mais de 300% ao ano do cheque especial ou cartão de crédito (ver fac-símile).




A malta dos apologistas da frente popular entrou em um delírio coletivo “pilantroso” afirmando que as mudanças operadas pelo governo na Caderneta tinham o objetivo de “preservar os direitos dos trabalhadores”, já os cretinos da chamada “oposição de esquerda” parece que emudeceram diante do descarado confisco da presidente “paladina” dos juros baixos. Figuras “respeitáveis” da blogosfera “progressista” como Carta Maior ou Altamiro Borges tentam cinicamente apresentar Dilma enfrentando “bravamente” os banqueiros, em uma atitude inédita na recente história da república dos novos barões. O “blog do Miro”, por exemplo, vende o seguinte conto: “Os banqueiros até agora não engoliram a investida do governo federal para reduzir as taxas de juros e para enfrentar a 'lógica perversa' da agiotagem financeira”, alguém precisa avisar ao “ingênuo” dirigente do PCdoB que a única investida real do governo foi contra o bolso do trabalhador, que teve tungado os rendimentos de sua Caderneta de Poupança.

Mas, de fato, os agiotas da Febraban não se contentaram somente com a “ajudinha” dos neomonetaristas da equipe econômica chefiada pelo capacho Mantega, e exigem mais do governo, já voltadas suas atenções para os próximos leilões de títulos públicos. Acontece que a taxa SELIC serve como uma referência mínima da taxa de juros que o Tesouro Nacional está disposto a pagar para “colocar” seus papéis no mercado financeiro. Como existe uma “abundância” de capital migrando para a economia brasileira, as taxas de juros pagas pelo governo para a rolagem da divida estatal tendem a cair. E este ponto concentra o “mau humor” da Febraban, que não quer “forçar o cavalo a beber água” antes de uma sinalização clara do governo acerca da rentabilidade do spread pago pelos títulos públicos de longo prazo.

Enquanto a “queda de braço” entre os rentistas internacionais (maquiados de banqueiros “brasileiros”) e o governo marionete de Dilma prossegue, a população pobre paga a conta da “pendenga”. Os juros na ponta final do consumidor terão no máximo uma pequena redução, sem alterar o padrão escorchante praticado nas últimas décadas, o que coloca o Brasil no panteão mundial dos ganhos do mercado financeiro. Somente a completa estatização da banca privada, com confisco do capital sem um centavo de indenização, e sob controle da classe operária, poderá gerar um “ambiente” econômico com juros negativos aos pequenos produtores e uma remuneração justa aos pequenos poupadores e ao FGTS. O caminho para a derrota efetiva da ofensiva do capital financeiro internacional contra os povos e nações, passa necessariamente pela revolucionária luta do proletariado mundial para instaurar um novo regime social de produção, baseado no planejamento central da economia e na ditadura do proletariado.


Síria é alvo de mega-atentado organizado pelos mercenários do “Exército Livre” para justificar intervenção militar da OTAN!

Pelo menos 55 pessoas morreram e 372 ficaram feridas nesta quinta-feira, 10 de maio, após duas explosões na zona de Qazaz, periferia de Damasco. A maioria das vítimas, segundo o governo, são civis. O ataque está sendo considerado o mais violento desde o início das provocações organizadas pelos mercenários pró-imperialistas contra o governo de Bashar al Assad, iniciadas em março do ano passado no lastro da ofensiva imperialista contra a Líbia. As explosões ocorreram perto da sede dos serviços de Inteligência em uma clara demonstração de que foram tramados pelos grupos de oposição de direita (CNS e ELS) financiados pela Casa Branca e o imperialismo europeu, com o apoio da Turquia e assessorados pelo Mossad sionista.

Logo o “Observatório Sírio de Direitos Humanos” (OSDH), montado em Londres para desestabilizar o governo, anunciou que autoria dos ataques seriam as próprias forças armadas que apóiam o regime. Esta farsa não se sustenta por um minuto sequer. Primeiro porque em Damasco o apoio a Bashar al Assad é enorme, segundo porque os alvos foram agentes da inteligência do próprio governo! Na verdade as informações para o ataque foram repassadas pelos inspetores-espiões da ONU, que estão auxiliando os grupos mercenários em sua tentativa de desestabilizar o regime. De quebra, o mega-atentado serve para justificar a necessidade de uma agressão externa da OTAN ao país, já que as potências imperialistas vendem que Assad não está cumprindo o “plano de paz” armado pela ONU via a mediação de Koffi Anan.
A agência de notícias oficial "Sana" informou que os observadores da ONU inspecionaram o local onde aconteceram os dois ataques. Não por acaso, o chefe dos observadores da ONU na Síria, general Robert Mood, pediu ajuda internacional para conter a violência no país: “Peço ajuda a todo o mundo na Síria e no exterior para deter a violência”. O que seria essa “ajuda” senão a intervenção da OTAN, como ocorreu na Líbia em nome da defesa dos “direitos humanos”? Os observadores se encontram na Síria para verificar o cumprimento do plano de paz da ONU que estipula, entre outras coisas, um cessar-fogo, em vigor desde 12 de abril. Mas de fato cumprem o papel de força auxiliar dos grupos financiados pelo imperialismo. A armação é tão clara que o chanceler russo, Serguéi Lavrov, assegurou que havia “mãos externas” na ação, declarando que “há alguns países que realizam ações práticas para explorar a situação síria” (Actualidad, 10/05).O mediador internacional Kofi Annan, o lobo em pele de cordeiro, declarou que “Estes atos abomináveis são inaceitáveis e a violência na Síria deve parar”(G1, 10/05). Mas quem vai “parar o banho de sangue” organizado pelos mercenários, será a ONU e a OTAN que apóiam os grupos armados para derrubar o governo? Piadas de mal gosto a parte, o que está claro é que os “(muy) amigos da Síria” resolveram aproveitar a presença dos observadores-espiões da ONU para incrementar sua ofensiva militar.

Lembremos que a segunda conferência dos “(muy) amigos da Síria” realizada em Istambul no mês de abril resolveu “escancarar” o apoio do imperialismo ianque ao chamado “Conselho Nacional Sírio” e seu braço armado o “Exército Livre da Síria”. Os “investimentos” do imperialismo no CNS é produto direto da sequência de derrotas sofridas pelo ELS diante das forças leais ao governo Assad. O anúncio da “oferta” de dinheiro em troca do serviço sujo dos bandos de sabotadores veio também depois que as sanções unilaterais dos EUA, contra fundos da Síria e comércio com o país, não lograram nenhum êxito significativo em termos de abalar a estabilidade política do governo sírio. A chefe da diplomacia do imperialismo norte-americano, Sra. Clinton, afirmou que “está quase convencida que não haverá mudanças no regime Assad pela via pacifica”, o que significa quase um anúncio de intervenção militar da OTAN, diante do rotundo fracasso do CNS que não conta com uma base social sólida no país, mais além de um punhado de mercenários. A questão em “aberto”, a saber, diz respeito aos ritmos do imperialismo em atacar diretamente a Síria como um corredor preparatório de sua invasão no Irã.
Nem diante de tantas evidencias da “mão” do imperialismo no conflito interno da Síria, planejado pela CIA e o Mossad para desestabilizar um governo nacionalista-burguês adversário direto do enclave de Israel, os canalhas da “família” morenista se convencem acerca de qual é o campo político correto do proletariado mundial neste confronto. Assim como atuaram na Líbia ao lado dos “rebeldes” da OTAN, agora na Síria voltam a clamar descaradamente por uma intervenção do imperialismo para acudir o derrotado ELS. Estes revisionistas que cantam loas a fraudulenta “primavera árabe”, impulsionada por Obama, se queixam que é preciso mais apoio do imperialismo aos mercenários para “derrubar a ditadura de Assad”. Segundo a LIT “Desde o final de 2011, a lucha de classes na Síria chegou a sua máxima expressão, iniciando-se una guerra civil. Depois de meses de mobilizações populares que eram brutalmente reprimidas pelo regime sírio, surge o denominado Exército Livre da Síria (ELS). Esta força combatente está conformada, fundamentalmente, por setores da população civil que tomaram as armas e por soldados que desertaram do exército regular que responde a ditadura de Assad. Líderes do ELS asseguram que suas fileiras contam com 40 mil combatentes e suas ações militares se circunscrevem, geralmente, a táctica de guerra de guerrilhas” (Sítio LIT, 20/04). Para resolver sua fragilidade militar, o famigerado “Exército Livre da Síria” já anunciou a colaboração recebida pela logística militar do gendarme de Israel, além do governo turco membro da OTAN. Isso é justamente o que pede a LIT ao declarar “Sustentamos que o armamento da população deve estender-se e as ações militares devem ser centralizadas a partir de una direção unificada de todas as unidades e comitês populares armados. Por outro lado, é preciso exigir aos governos armas e assessores militares para a resistência armada síria”(sítio LIT., 20/04)! Mais claro impossível, com essa política escandalosa a LIT chega ao ponto de apoiar o mega-atentado em Damasco como parte das "ações militares centralizadas" contra a “ditadura sanguinária de Assad”!

Os marxistas leninistas nunca nutrimos a menor simpatia política pelo regime da oligarquia Assad, porém declaramos abertamente e sem dissimulações que temos um “lado" na guerra civil da Síria, o nosso campo é frontalmente oposto aquele que o imperialismo e seus “amigos” apostam suas “fichas”. Impedir que a OTAN abra um corredor militar desde a Síria, passando pelo Líbano, para atacar o Irã, é neste momento a tarefa central da classe operária internacional em seu combate revolucionário e anti-imperialista. Já a LIT está no campo dos mercenários do ELS e da contrarrevolução, que acabam de promover um banho de sangue conta o povo sírio, matando mais de 55 pessoas!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A guerra de quadrilhas da Rede Record com a Revista Veja e o papel da “mídia alternativa”

Existe um verdadeiro frenesi no interior da esquerda “chapa branca” e particularmente na blogosfera sobre as íntimas relações da Revista Veja com Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres, Marconi Perillo, a construtora Delta e outros membros da quadrilha que assaltam os cofres da República. Apesar disso, esses mesmos paladinos da chamada “mídia independente” pouco divulgam que o “esquema” de corrupção abarca todas as esferas, incluindo governos de todos os partidos, do PT ao PSDB/DEM, passando até por parlamentares do PSOL. Denunciar o grupo Civita e o “Murdoch” brasileiro virou uma verdadeira “febre jornalística” a tal ponto de se divulgar na chamada “imprensa alternativa” vídeos inteiros da Rede Record, pertencente ao Bispo Edir Macedo, esmiuçando os acordos de Veja e seu diretor da sucursal de Brasília, Policarpo Júnior, com arapongas a serviço do empresário/contraventor goiano que pautava as matérias da revista. Demóstenes, por exemplo, estava fazendo negociatas e mantinha contatos diretos com a direção da revista Veja para plantar e capitalizar escândalos que lhe rendiam poder de barganha em novos esquemas. Mas qual a "grande surpresa" desse episódio, se é justamente assim que funciona a relação da imprensa burguesa com os governos de plantão e seus representantes no balcão de negócios que são o parlamento e as empresas estatais. Neste exato momento, o Grupo Record de comunicação presta para o PT e o governo Dilma exatamente os mesmos serviços que a Veja faz para a “oposição conservadora" demo-tucano, ou seja, manipular a população trabalhadora em troca de favores e benesses oriundas das relações comerciais legais e ilegais com o Estado capitalista e seus gerentes de turno. São concessões de TV, empréstimos bilionários e negociatas... Na verdade estamos literalmente assistindo pela TV e lendo nos pastelões, assim como nos blogs, uma guerra de quadrilhas onde ambos os lados e suas “mídias” se engalfinham para melhor abocanhar o botim estatal. Como estamos sob a égide do governo da frente popular comandado pelo PT, a Revista Veja está sendo “alvo” de denúncias justamente porque outros grupos jornalísticos querem ocupar o seu lugar na disputa desse mercado tão lucrativo de criar e noticiar escândalos para tirar proveito próprio.
O que os “indignados” blogueiros e jornalistas a soldo da frente popular não dizem é que o PT e seu séquito burguês (PMDB, PCdoB, PSB, PDT...) agem da mesma forma que os demo-tucanos e o chamado PIG, já que representam os mesmos interesses de classe, opostos aos dos trabalhadores. A diferença é que PT e PSDB/DEM representam frações políticas distintas que se alternam a frente do Estado para explorar os trabalhadores e seguir entregando as riquezas nacionais para os grupos imperialistas e os novos barões nativos. Os blogueiros “chapa branca” (tipo Nassif, Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim...) limitam-se a atacar uma já decadente mídia golpista de corte facistizante e não o pacto oligárquico iniciado no governo Lula e continuado por Dilma, além de preservarem a Rede Record, onde diga-se de passagem, alguns estão empregados. A tão propalada “sanha golpista” da oposição burguesa que tem na arqui-reacionária Revista Veja seu principal aliado, é na verdade uma busca de correlação de forças minimamente tolerável na manutenção da hegemonia política da frente popular, haja vista que o Planalto goza de pleno apoio do imperialismo e grande parte da burguesia nacional, completamente identificada com a tranquilidade proporcionada pelo atual governo.

Em suma, os blogueiros governistas ao protegerem Dilma apenas endossam o engodo da frente popular anestesiando a ação direta dos explorados e de sua vanguarda, atuam como cúmplices do governo nos ataques à classe trabalhadora exigidos pelo imperialismo. Tanto que a “resposta” do PT as investidas da revista fascista a serviço da oposição conservadora até agora foi apenas aprovar em seu último congresso nacional, não por acaso por iniciativa de José Dirceu, um dos alvo preferidos de Veja por seus negócios milionários via a influência que ainda tem no governo, uma emenda a favor de uma branda regulação da grande mídia burguesa, na verdade um enunciado de medidas inócuas que servem apenas como um sinal de alerta “vermelho” contra possíveis novas investidas da “Veja” e similares contra os mafiosos “capos” petistas. Mas a principal resolução da pomposa emenda intitulada “Compromisso com uma agenda estratégica para as comunicações no Brasil”, consistia na pífia ameaça da distribuição das verbas estatais aos grandes meios de comunicação: “Democratizar a distribuição das verbas públicas de publicidade visando o estímulo à pluralidade de fontes de informação nas diferentes esferas da federação”. Com este recado direto aos Civita e Marinho, o PT pretendeu confirmar o óbvio: vai seguir estimulando a “concorrência” investindo pesado em complexos burgueses de comunicação como a rede Record ou mesmo SBT. Agora essa mesma situação volta à tona, com a frente popular tentando se apoiar em outros grupos jornalísticos para atacar a Veja e de quebra retomar o debate sobre a necessidade de um “marco regulatório da mídia”, que dá "Ibope" na base social do petismo mais engajado na cruzada da "éica na política e nas comunicações" . Aliás, esse é outro conto da carochinha que nos vende a chamada "imprensa alternativa".

É impossível existir uma “mídia independente” dos grandes monopólios dos meios de comunicação, sem a ruptura revolucionária das massas com o Estado burguês e a expropriação dos meios de comunicação capitalistas, que manipulam a população segundo seus interesses de classe, como faz corriqueiramente a revista Veja e a Rede Globo, assim como os aliados da frente popular, a exemplo da Rede Record ou do SBT. A defesa do marco regulatório como a via para a “democratização das mídias” (jornal, revista, TV e internet) não passa de uma burla na medida em que visa um acordo político e econômico com o grande capital que controla o setor, reservando uma parcela do orçamento estatal para beneficiar os grupos jornalistas burgueses minoritários e as chamadas “mídias alternativas”, como os blogs “chapa branca”, que apoiam incondicionalmente o governo da frente popular. Distribuindo verbas federais a seus novos aliados na mídia e ao mesmo tempo mantendo intocáveis os “velhos” grupos de comunicação, o PT pretende fazer “média” com sua base social vendendo o conto que está estimulando a “concorrência em nome da democracia”, quando na verdade apenas está investindo pesado em complexos burgueses de comunicação “alternativos” à mídia demo-tucana com o objetivo de melhor preservar seu governo de colaboração de classes para manter a estabilidade do regime da democracia dos ricos e seus esquemas de corrupção. A campanha a favor de uma tímida regulação da grande mídia burguesa serve apenas como uma medida preventiva contra novas investidas da “Veja”, Época”, “Folha”, “Estadão” ao governo petista e seus aliados. Esse fato demonstra que o PT e o governo da frente popular pela sua natureza de classe é completamente refém da mídia capitalista, sendo incapaz de tomar qualquer medida consequente contra esta e seus “barões”. A única forma de ter uma mídia comprometida com os interesses dos trabalhadores e do povo pobre é lutando pela liquidação do próprio Estado burguês, que através de seu “quarto poder” aliena as massas para manter a exploração capitalista e a hegemonia do imperialismo sobre os povos do planeta.

terça-feira, 8 de maio de 2012


Assume um Putin ainda mais servil às ordens da Casa Branca

Nesta segunda-feira, 07 de maio, tomou posse pela terceira vez como presidente da Rússia Vladimir Putin. Dimitri Medvedev agora assumirá o cargo de primeiro-ministro, um “troca-troca” em que a burguesia restauracionista russa tem o controle completo, através de seu “homem forte”, do governo central e do parlamento fantoche. Putin assume pregando uma maior aproximação com o imperialismo ianque e defendendo um acordo sobre o chamado “escudo antimísseis” da OTAN. No momento de sua posse houveram manifestações contra a fraude eleitoral que deu a vitória ao partido Rússia Unida, mas os protestos foram protagonizados por setores ligados à oposição de direita patrocinada por Washington, que apesar da subserviência de Putin, deseja quebrar o ciclo de poder de sua camarilha em favor de um setor político ainda mais entreguista e inofensivo.

No documento emitido em forma de decreto horas depois de sua posse, Putin estabelece suas prioridades na política externa, defendendo que Moscou quer levar a cooperação com Washington para um “nível realmente estratégico”, desde que as relações se baseiem na “igualdade, não-interferência nos assuntos internos, e respeito pelos interesses mútuos” (Actualidad, 08/05). Essa orientação trata-se claramente de sempre buscar uma “saída política” que preserve as áreas de influência russa pelo mundo. Porém, como se viu no caso da Líbia e agora na Síria, o governo Putin-Medvedev, pelo próprio caráter de classe burguês gerente de um país semicolonial, é incapaz de se por ao avanço político e militar do imperialismo na Ásia, África e Oriente Médio. Diferente dos idiotas no interior da esquerda que apresentam a Rússia como uma poderosa superpotência capitalista e mesmo como um país imperialista, a verdade é que com a destruição do Estado operário soviético a Rússia assumiu o papel de semicolônia dos EUA, sem grande margem de autonomia política frente à Casa Branca. Não por acaso, Putin acaba de autorizar a instalação de uma base militar da OTAN na cidade de Ulianovsk, onde nasceu Lênin, que é a ponte de comunicação aérea e terrestre que une a parte europeia da Rússia com a Sibéria e a Ásia Central. Putin defendeu a abertura do centro de passagem da OTAN alegando que "É preciso ajudá-los a solucionar o problema da estabilização no Afeganistão ou nós é que teremos que fazê-lo. Nossos interesses nacionais consistem em manter a estabilidade do Afeganistão (...), por isso garantiremos o trânsito" (Gazeta Russa, 22/04).

Como se vê, o máximo a que Putin pode chegar é negociar em doses graduais a rendição militar de seu país, como revela a própria “carta de intenções” divulgada nesta segunda-feira em que afirma “a Rússia se erguerá consistentemente por sua política com relação à criação pelos Estados Unidos de um sistema global de defesa antimísseis, buscando firmes garantias de que ele não será direcionado contra as forças nucleares dissuasivas da Rússia”. O decreto aborda a política russa para o mundo todo, mas serviu de mensagem para os EUA antes da reunião de Putin com o presidente ianque, Barack Obama, durante a cúpula do G-8 no mês que vem. O processo de submissão da Rússia ao imperialismo ianque avançou no último período, com a assinatura em 2010 de um pacto de limitação de arsenais nucleares. Diante da política abertamente defensiva de Moscou, a OTAN anunciou que o escudo deve ser concluído em quatro fases até cerca de 2020, sob o pretexto de conter uma resposta militar do Irã, mas de fato serve para interceptar os mísseis balísticos intercontinentais russos.

Estrategicamente Obama e a víbora Clinton desejam se livrar do staff de ex-burocratas restauracionistas que ajudaram a Casa Branca a liquidar as bases sociais do Estado operário soviético na década de 90 e colocar no comando da Rússia figuras de sua inteira confiança, que sequer façam firulas verborrágicas como Putin. Mas esse objetivo só pode começar a ser alcançado de fato quando a Casa Branca eliminar o regime iraniano e voltar suas baterias de forma mais centrada para Rússia e China. No meio do caminho desse plano neocolonialista está a Síria...Nesse sentido, o apoio do imperialismo as manifestações internas contra Putin está voltado a pressionar seu governo diante da investida da Casa Branca contra o Irã e a Síria. Obama deseja que a Rússia recue em seu apoio militar a esses dois países, medida fundamental para que o imperialismo possa impor seus interesses na região e avançar rumo a Ásia. A Rússia tem uma base militar na Síria, porta-aviões estacionados na costa do país além de ser parceira estratégica do programa nuclear iraniano. Ademais, se opõe parcialmente à criação do sistema de defesa antimíssil para Europa controlado pela OTAN, voltado justamente para neutralizar qualquer reação militar russa a uma possível agressão imperialista. Washington também deseja livrar-se de Putin e seu séquito estrategicamente para impor a sua semicolônia uma nova fase histórica, hoje travada pelos arroubos do Kremlin, que utiliza do poderio militar russo para barganhar áreas de influência regional com o imperialismo ianque. A Casa Branca pretende fazer da Rússia um apêndice militar do Pentágono, já que do ponto de vista político desde a era Yeltsin o Kremlin vem seguindo a Casa Branca em seus passos de rapinas imperiais no planeta.
Não nutrimos a menor simpatia política pelos bandos mafiosos restauracionistas que se instalaram no poder na Rússia desde a contra-revolução de agosto de 1991, ao contrário, nos postamos ao lado da ala da burocracia stalinista (Bando dos 8) que tentou barrar a seu modo torpe esse processo então comandado por Boris Yeltsin e depois levado adiante por Putin. Porém não apoiamos qualquer “movimento” de fachada democrática patrocinado pelo Departamento de Estado ianque que tenha como objetivo preparar as condições para defenestrar Putin pelas mãos de uma ofensiva imperialista para impor um nome ainda mais alinhado com a Casa Branca.

Para derrotar os bandos restauracionistas agrupados em torno da dupla Putin-Medvedev e também os fantoches do imperialismo é necessário uma nova revolução social que faça da construção de uma nova Rússia soviética uma realidade política concreta, erguendo um Estado operário capaz de enfrentar a máquina que guerra do imperialismo ianque em unidade com as ações de massas do proletariado mundial, algo muito superior às inofensivas bravatas de um Putin que assume o novo mandato presidencial ainda mais servil as ordens do imperialismo ianque.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Vitória de Hollande: “socialistas” são “escolhidos” para aplicar a cartilha de “ajuste” do imperialismo europeu

Com um percentual de 51,7% François Hollande foi eleito presidente da França neste domingo (6 de maio), contra 48,3% de seu oponente Nicolas Sarkozy (UMP). Este resultado vem confirmar todos os prognósticos levantados pela LBI nos últimos meses acerca de que a vitória do PS estaria sendo gestada há pelo menos dois anos para “quebrar” o ciclo neoliberal clássico em meio à esteira da crise capitalista que arrasta países como Espanha, Portugal, Grécia e Itália. A volta ao governo dos “socialistas” não significa que a Europa esteja caminhando rumo a tendências “progressistas” em seus regimes políticos, como querem nos convencer os “marxistas” domesticados pela democracia burguesa. Ao contrário, a crise traz em seu bojo a ascensão da extrema-direita, no caso a Frente Nacional de Marine Le Pen (terceira colocada no primeiro turno das eleições). O imperialismo europeu tomou a França como um tubo de ensaio para o retorno do PS no comando do Estado capitalista com um projeto mais amplo de operar um processo de transição semelhante na Alemanha e Inglaterra, a fim de escolher seus “novos” gestores da crise capitalista à custa do sacrifício do proletariado europeu. Para tanto foi necessário eliminar figuras “indesejáveis” como Dominique Strauss Kahn e Leonel Jospin por suas passagens pela ultraesquerda “trotsquista” do defunto revisionista Lambert, credenciais que não lhes conferiram “salvo-conduto” para assumir o governo da V República.

Hollande em seu primeiro discurso como novo presidente já mostrou a que veio: “Prometo ser o presidente de todos”, ou seja, dispor seus serviços ao capital financeiro internacional (os rentistas), à burguesia industrial, banqueiros etc. Convicto acerca do papel que cumpre na atual conjuntura, acrescenta: “Hoje mesmo, responsável pelo futuro do nosso país, estou ciente de que toda a Europa nos observa” (France Press, 6/05). Como deixara claro desde o início, seu governo “para todos” inclui manter a parceria com a Alemanha de Angela Merkel, quem “declarou que irá receber Hollande de ‘braços abertos’, garantindo que vai trabalhar de perto com ele” (Le Monde, 7/05), uma vez que este país ao lado da França são os marcos de sustentabilidade do Euro e da União Europeia. Precisamente por isso, Hollande procurará Merkel para “renegociar” acordos nos marcos draconianos do Euro, ou seja, dando continuidade aos planos de austeridade de Sarkozy contra as conquistas históricas da classe trabalhadora francesa, só que agora com a aquiescência das direções sindicais encabeçadas pelo PCF que apoiaram entusiasticamente o novo presidente: “Quero felicitar François Hollande por sua eleição. As mulheres e os homens que se aglutinaram em torno de sua candidatura para infligir a Nicolas Sarkozy a derrota que ele merecia abriram uma nova esperança na França e na Europa”, afirmou em nota (6/05) o secretário nacional do Partido Comunista Francês, Pierre Laurent, “de olho” em algum cargo ministerial do futuro governo do PS.

Os marxistas revolucionários não defenderam o voto em nenhum candidato nestas eleições, muito menos chamaram a apoiar “criticamente” o PS no segundo turno. Postura que não teve a esquerda revisionista, uma vez que em nenhum momento apresentou uma caracterização programática clara diante da anunciada vitória do PS. O PTS argentino, por exemplo, não defendeu o voto nulo no segundo turno buscando assim manter suas boas relações com o NPA, partido que chamou voto em Hollande como “mal menor”. Desta forma o PTS Argentino e sua fictícia “corrente comunista revolucionária do NPA” acabaram por se centralizar pela política da direção do NPA. Já A LIT nem sequer se pronunciou ou elaborou uma declaração sobre as eleições francesas, se abstendo covardemente neste importante processo político de implicância mundial. A posição do Partido Operário de Altamira foi ainda mais esdrúxula e delirante. Em seu balanço do primeiro turno fez todo um malabarismo catastrofista para demonstrar que o crescimento da extrema-direita foi “desprezível” e que a vitória do PS e o “crescimento” da esquerda apontam uma “tendência à esquerda” das massas (site PO, 26/4), situação que, segundo PO, pode conduzir a “uma débâcle do regime político” (idem). Para o PO o “fim do mundo” sempre está muito próximo quando ocorre alguma mudança eleitoral no regime burguês, mas enquanto o “armagedon” não chega vão mesmo praticando seu cretinismo parlamentar e apoiando em silêncio e com muita discrição a velha social democracia europeia. Como os “melhores” oportunistas, não emitiram posição eleitoral pelo voto nulo no segundo turno... para o bom entendedor meia palavra basta!

Está claro para o marxismo revolucionário que as tendências fascistizantes do regime político somente poderão ser derrotadas através da ação consciente das massas, pela superação das direções sindicais cooptadas pelo Estado imperialista, numa frente única operária de ação para combater os novos ataques que virão dirigidos pelo “socialista” Hollande, representante-mor do partido que deu início aos primeiros pacotes neoliberais a partir da década de 80 patrocinados pelo também “socialista” Mitterrand. Ou seja, a resistência aos planos de austeridade antioperários que se avizinham não deve se limitar aos lobbies parlamentares como apregoa grande parte da esquerda mundial, a qual assinala desde já a importância das próximas eleições legislativas. A via eleitoral, neste sentido, é o caminho mais curto para as derrotas do proletariado francês e europeu. É preciso ir mais longe! A tarefa primordial para o momento é organizar os trabalhadores com total independência dos setores “progressistas” da burguesia para derrotar o regime político imposto pela União Europeia, pela via revolucionaria, em oposição ao programa de ajuste fiscal da “Troika”, no qual o PS francês está completamente integrado.

sábado, 5 de maio de 2012

Todo apoio à greve de fome dos presos palestinos contra as masmorras do enclave terrorista de Israel!

Desde 17 de abril 3.500 presos palestinos estão em greve de fome nos presídios do gendarme sionista de Israel. O protesto marca o “Dia do Preso Palestino” e logo recebeu a solidariedade de palestinos e familiares de militantes presos nas ruas de Gaza e da Cisjordânia. Os grevistas prometem mantê-la até que as suas reivindicações sejam atendidas. Eles não usam uniformes e não respondem às chamadas quando os soldados sionistas realizam a contagem dos prisioneiros nas celas, estão comprometidos em atingir as demandas de pleno direito de greve, em unidade com todos os prisioneiros, incluindo o fim definitivo de todo isolamento prisional, pelo fim das detenções administrativas e pelo direito das visitas de família e o direito à educação e aos meios de comunicação. Em retaliação, o serviço prisional de Israel já começou a puni-los. Foram cortadas as visitas de familiares e proibido a entrada de objetos pessoais. Além disso, Ahmad Saadat, Secretário-Geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), acusado pelo enclave sionista de ser o principal responsável pela deflagração da greve, foi transferido em 29 de abril do presídio Ramon para o hospital da prisão sem o conhecimento da sua família e de seu advogado. Saadat já perdeu 6 kg e está em isolamento por mais de três anos na prisão.

Ahmad Saadat foi sequestrado em 2006, da Prisão de Jericho, administrada pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia. Este presídio está sob vigilância dos EUA e britânicos desde 2002. O dirigente da FPLP estava detido junto de quatro de seus companheiros de partido sob a acusação de organizarem um ataque ao então ministro de turismo de Israel. Sua detenção já fazia parte da vergonhosa política da ANP de ser algoz de seu próprio povo. Saadat havia sido eleito para o Conselho Legislativo da Palestina, mas em 16 de março de 2006, as forças de ocupação israelenses atacaram a prisão e ele junto com outros militantes foram sequestrados com a conivência da ANP. Atualmente, é um dos 19 prisioneiros palestinos em isolamento, todos ligados às forças de oposição a ANP e sua política de subserviência a Israel.

A FPLP emitiu uma declaração em resposta à notícia de que Saadat fora transferido para o hospital da prisão, onde afirma que: “o governo de ocupação é totalmente responsável por quaisquer dano a vida do Secretário-Geral Saadat e a de todos os heróicos prisioneiros que lutam através da greve de fome, pela garantia do direito de ser atendida suas justas reivindicações, em especial o desumano tratamento expresso nas prisões de regime solitário”. Ao mesmo tempo, no dia 1º de Maio, vários militantes palestinos desafiaram o exército israelense ao escalar um dos skunks – os caminhões-tanques brancos de Israel que atiram um líquido fétido e tóxico em ativistas – estacionados em frente ao complexo prisional-militar israelense de Ofer, em Ramala, carregando uma bandeira da Palestina para prestar solidariedade à greve de fome dos presos políticos em Israel.

Desde a LBI declaramos nosso total apoio ao movimento dos prisioneiros políticos palestinos e fazemos um chamado a cobrir esse protesto da mais ampla solidariedade internacionalista. A greve de fome nas prisões sionistas reforça a necessidade das organizações de resistência palestinas e árabes colocarem em marcha uma contraofensiva que tenha como perspectiva a destruição do enclave nazi-sionista de Israel, rompendo com a vergonhosa política da ANP e seus “acordos de paz”. Como marxistas leninistas consideramos legítimas as ações dos grupos paletinos contra alvos sionistas e imperialistas. Para libertar definitivamente Ahmad Saadat e todos os presos palestinos das masmorras de Israel é necessário que a classe operária árabe e hebréia empunhe um programa revolucionário e através de sua mobilização permanente lute pela construção de uma república soviética Palestina dos povos que habitam milenarmente toda a região do Oriente Médio.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Até mesmo cego pode ver a nova provocação ianque contra a China

Sob a roupagem de uma crise diplomática, causada por um ativista chinês de “direitos (des)humanos”, se insere a mais nova provocação ianque contra a poderosa semicolônia chinesa. A crise internacional teria começado com um verdadeiro “conto de fadas”, quando o ativista cego pró-ianque, Chen Guangcheng, detido em prisão domiciliar por criticar duramente a política de planejamento familiar do Estado chinês, fugiu espetacularmente de sua residência para procurar asilo na embaixada norte-americana em Pequim. Chen se notabilizou mundialmente por sua admiração a Secretária de Estado Hillary Clinton, a quem considera uma notável paladina na defesa dos direitos humanos. Talvez sua “cegueira” ideológica o impeça de enxergar os monstruosos crimes de guerra cometidos sob os auspícios da madame Clinton no recente conflito militar ocorrido na Líbia, com um saldo de mais de cem mil civis mortos, incluindo crianças com idade menor que dez anos. Os serviços de inteligência dos EUA, sob o comando da CIA, mostraram que estão bastante ativos no interior do território chinês, ajudando o cego Chen a “pular mais de dez muros na madrugada e encontrar abertas as portas da embaixada norte americana”. A partir desta verdadeira epopeia, nada mais fácil do que mobilizar a opinião pública ianque (e mundial) na defesa de um ativista cego que luta em defesa do “sagrado” direito a maternidade, tolhido por “ex-comunistas chineses totalitários”. Agora, o “caso” Chen se encontra no âmbito do “humanista” congresso norte-americano, o mesmo que avalizou a invasão militar do Iraque e Afeganistão, que exige uma posição “firme” do governo Obama contra a China.

Chen insiste em obter permissão das autoridades chinesas para deixar seu país natal e embarcar para o que considera o “paraíso da democracia e dos direitos humanos”, talvez por idiotia não saiba que no império ianque exista fome e segregação racial, além de mais cem mil cidadãos condenados à prisão perpétua por sua condição social. Ah, mas é claro, que o Estado norte-americano não impede nenhuma mãe de ter quantos filhos se desejar... para depois colocá-los nos guetos sem proteção social ou prisões de trabalho escravo. A ídola de Chen, madame Clinton, em função de seu “afilhado” chinês, agora tem que dividir seu tempo entre as tarefas de armar sabotadores para assassinar apoiadores do regime Assad na Síria e preparar uma nova provocação contra um país potencialmente adversário. Por sua vez, Obama às vésperas da eleição presidencial quer marcar sua gestão, anteriormente considerada “frouxa” (Obanana), com um matiz belicoso e guerreirista, tendo como ponto de inflexão política a decisiva intervenção ianque na farsesca “revolução árabe”.

O governo Chinês, diante da flagrante intromissão norte-americana em uma questão “doméstica”, reagiu como um tradicional governo burguês semicolonial submisso, tentando colocar “panos quentes” na ofensiva ianque. A burocracia ex-comunista chinesa, hoje convertida em uma força social capitalista, com grande potencial de mercado, não pretende confrontar seus amos imperialistas, patrocinadores da restauração que destruiu as bases históricas do antigo Estado operário. Assim ocorreu na invasão do Iraque, do Afeganistão e, mais recentemente, na Líbia, que apesar dos protestos da diplomacia chinesa, nada de concreto fizeram para auxiliar na resistência dos povos oprimidos. Os burocratas chineses do PC a frente do Estado capitalista, hoje estão empenhados na empreitada de desarmar a Coreia do Norte para quebrar as bases sociais do Estado operário, além da demagogia diplomática que praticam contra uma possível intervenção militar dos EUA na Síria. Como prognosticou brilhantemente o grande revolucionário russo León Trotsky, “o Estado operário convertido em modo de produção capitalista jamais se tornaria um país imperialista, mas uma nova semicolônia subordinada aos ditames de Washington”.

Os marxistas revolucionários estão na primeira linha de defesa da nação chinesa contra as agressões imperialistas, apesar de afirmamos claramente o caráter venal e corrompido dos ex-burocratas “comunistas” que liquidaram as principais bases sociais do Estado operário, para se converterem em uma nova classe social dominante. Apesar da restauração capitalista, o que proporcionou a China a criação de um dos maiores mercados do mundo, parte das conquistas do proletariado ainda estão de pé e sob ameaça da ofensiva imperialista. É exatamente neste ponto que se concentram todo o ódio da burguesia ianque contra a China, não podem admitir que um país recém-convertido à economia “livre” de mercado, mantenha conquistas operárias que devem ser eliminadas pelo “ajuste financeiro” global que promovem contra os povos. Portanto, mantém-se plenamente vigente o prognóstico do Programa de Transição, apontando que os bolcheviques-leninistas devem combinar a luta pela revolução socialista nos ex-Estados operários com as tarefas pendentes da luta política em defesa das conquistas ainda existentes.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Adivinha quem vai bancar a “redução” dos juros dos parasitas do sistema financeiro?

A ex-presidente poste parece mesmo que se lançou em uma “cruzada cívica” pela redução dos juros escorchantes cobrados pelo sistema financeiro nacional. Neste último Primeiro de Maio em cadeia nacional de radio e TV, Dilma se dirigiu aos trabalhadores conclamando que se endividassem mais porque ela “garantiria” juros menores em um futuro muito próximo. Para este objetivo o governo acionou os bancos públicos, que já “reduziram” o patamar de juros de cerca de 8% ao mês para algo em torno de 3,5% em casos “especiais”, como o da conta salário e crédito consignado em folha de pagamento. Os rentistas privados que controlam o sistema financeiro nacional, quase todos agiotas internacionais com exceção do Itaú (o Bradesco já está sob controle da banca norte-americana) se recusam a baixar suas taxas de forma “abrupta” e exigem uma série de contrapartidas jurídicas (como execuções sumárias) por parte do governo federal. Dilma está literalmente sentada em um verdadeiro “barril de ouro”, com a captação recorde de uma enorme massa de capitais voláteis vindos ao Brasil atraídos por juros elevadíssimos e uma segura estabilidade política. Quanto aos salários, Dilma não se preocupou em anunciar nenhum aumento neste dia do trabalhador, ao contrário, segue a política de “reajuste zero” para uma enorme parcela do proletariado, que não deixa de ser “convidado” insistentemente pelo governo a tomar dinheiro emprestado aos bancos, para “compensar” o arrocho salarial. Os rentistas que tiveram uma rentabilidade excepcional no ano passado visualizam que não podem estrangular o setor industrial, sob pena de provocar uma crise econômica no país, apresentaram uma “proposta” para a presidente: “Vamos encontrar um 'pato' para arcar com o ônus financeiro da redução das taxas de juros!”. Dá para adivinhar quem vai bancar o ínfimo “prejuízo” dos parasitas do cassino de Wall Street?

A cartilha capitalista neoliberal que Dilma segue à risca, manda que os trabalhadores sempre paguem a “conta” de qualquer perda nos lucros da burguesia, e na atual “cruzada cívica” da frente popular não poderia deixar de ser diferente. Logo o governo encontrou uma saída para “equalizar” as chorumelas dos banqueiros, recalcitrantes em diminuir uma taxa de juros estratosférica e insustentável a longo prazo (10%) para um nível de extorsão “civilizada” (4%). A solução foi a redução da já miserável rentabilidade da caderneta de poupança, meio ponto percentual ao mês, apontada agora como a “vilã” da luta contra os juros altos. Acontece que a caderneta de poupança representa o fundo de reservas financeiro da maioria dos pequenos comerciantes e dos trabalhadores de baixa renda, que sequer conseguem abrir uma conta corrente em um grande banco comercial, em função das exigências cadastrais. A rentabilidade da caderneta de poupança (independente do estabelecimento onde se concentram os depósitos) é mínima mas garantida por lei federal, desde sua criação durante o regime militar. Em conjunto com o fundo de garantia, são os menores rendimentos pagos aos poupadores mais pauperizados, e mesmo assim Dilma e sua equipe econômica de neomonetaristas canalhas pretendem reduzir ainda mais para agradar as hienas da Febraban.

A operação de roubo institucionalizado aos trabalhadores e pequenos poupadores é bem simples, a grande massa de depósitos da caderneta de poupança (quase um trilhão de reais) encontra-se nos bancos privados, e agora serão remunerados com menos de 0,5% ao mês, podendo chegar a insignificantes 0,1% (quase nada!), então os “pobres” rentistas “forçados” pelo governo emprestarão seu capital (apropriado dos trabalhadores) a uma taxa que pode variar entre 3,5 e 6% ao mês! O presidente do covil de bandidos, que atende pela alcunha de Febraban, Murilo Portugal, está eufórico com a iniciativa “corajosa” de Dilma, afirmando que agora poderá sentar a mesa com o governo para debater a redução dos juros. Mas quem pensa que a equipe do escroque Mantega vai ficar por aí se engana, já cogitam alterar os rendimentos do próprio Fundo de Garantia do Trabalhador (FAT), não por coincidência também regido pela mesma taxa referencial de juros (TR) da caderneta de poupança. Para completar o pacote de “bondades” do governo, Dilma “liberou geral” a desvalorização do Real, atendendo a pedidos dos agroexportadores e da esquerda “desenvolvimentista” estúpida, que não se cansava de reclamar da “subvalorização do Dólar”. Com o Dólar voltando a disparar, a inflação já está de volta, principalmente na cesta básica alimentar, composta de commodities agrárias com suas cotações muito “aquecidas” com a alta artificial do Dólar.

O “país do presente” realmente atravessa um momento “singular” em sua história, com uma bolha de crédito a sua disposição e vivendo uma “trégua social” ofertada pela burocracia sindical corrompida. O crash financeiro mundial de 2008, como afirmávamos solitariamente no mesmo período, não trouxe para o Brasil a “catástrofe”, mas sim uma etapa de forte expansão econômica baseada em uma brutal ofensiva imperialista contra as conquistas sociais do proletariado. Nos EUA e Europa a ofensiva patronal obriga os trabalhadores a lutarem defensivamente, e sem nenhuma perspectiva revolucionária e socialista. As direções reformistas e revisionistas anunciam o “armagedon” do atual modo de produção como uma manobra para ocultar sua política de humanizar o capitalismo e subordinar a ação direta do proletariado a disputa institucional no Parlamento burguês. O “bom combate” contra os parasitas do mercado financeiro não pode estar separado da luta pela revolução socialista e a demolição violenta da instituições “democráticas” do Estado burguês. No Brasil, sob a égide da frente popular, não pode haver ilusões que os governos petistas não passam de agentes submissos da banca internacional, travestidos da mesma social democracia que levou a Europa para a bancarrota econômica.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Divisão do 1º de Maio da Praça da Sé, uma expressão da disputa das burocracias sindicais no interior da “oposição de esquerda”

Ocorreram neste ano de 2012 em São Paulo dois atos de 1º de Maio dos setores que historicamente convocavam a atividade para a Praça da Sé. PSOL, PCB, Unidos pra Lutar (CST), Intersindical (Nova Central) e Pastoral Operária mantiveram o ato na Sé, enquanto o PSTU/CSP-Conlutas concentrou no Masp seus militantes vindos do congresso da central e finalizaram “sua” passeata na... Igreja da Consolação! Não houve o “ato unificado” na Praça da República, como foi anunciado anteriormente por ambos os lados. O motivo da ruptura foi a disputa em torno da eleição para o Sindicato dos Químicos de São José dos Campos entre a Unidos Pra Lutar (CST) e o PSTU, com acusações de práticas pró-patronais entre os dois bandos morenistas. A CST acusa membros da chapa ligada a CSP-Conlutas de ingressarem na justiça burguesa para impedir que diretores demitidos formassem parte da outra chapa, ligada a Unidos, reforçando a ofensiva da patronal contra a diretoria, conduta vergonhosa admitida publicamente pelo próprio José Maria de Almeida, dirigente do PSTU e da Conlutas, no sítio do partido. Em resumo, como disputam o mesmo espaço no corrompido “mercado sindical”, os aparatos sindicais controlados pela chamada “oposição de esquerda” acabaram por não chegar a um acordo, tendo o PSTU uma clara posição divisionista que não esteve calcada em nenhuma crítica programática ao PSOL, PCB, Unidos e Intersindical, como por exemplo, a realização por parte desses setores do ato de 1º de Maio em conjunto com as “pastorais sociais” da Igreja Católica. A CSP-Conlutas foi incapaz de realizar qualquer delimitação com seus ex-parceiros porque, além de não se opor a essa política de submissão a arquirreacionária instituição religiosa, neste exato momento está levando a frente uma aberta orientação de colaboração de classes na “câmara setorial” com o governo Dilma e as grandes empreiteiras, responsável por impedir e sabotar as greves operárias nas obras do PAC, como em Belo Monte.



Banca de publicações da LBI na Praça da Sé
desperta interesse do ativismo classista
 

Como denunciou a LBI e os sindicalistas revolucionários da TRS em seu manifesto de 1º de Maio distribuído amplamente ao ativismo, esse processo expressa a corrupção política e material do conjunto da “oposição de esquerda” e do PSTU em particular. O fato do PSOL e da CST defenderem a política de “CPI pra valer” no caso do escândalo envolvendo as relações de Carlos Cachoeira com todos os poderes da República não é nenhuma surpresa e demonstra a que nível de integração ao regime político burguês chegaram esses senhores que se postam como paladinos da “ética na política” e da moralização do Estado capitalista. O PSTU, porém, até pouco tempo atrás, ainda tinha o respeito de um setor classista do ativismo porque fazia algumas críticas pontuais à política de alianças do PSOL com a burguesia e seus partidos (PV, PPS...). Com o advento da fantasiosa “revolução árabe”, onde o PSTU passou de malas e bagagens para o campo da contrarrevolução imperialista, apoiando a ofensiva patrocinada por Obama e a OTAN contra os regimes nacionalistas burgueses da Líbia, Síria e Irã, essas ilusões com os morenistas por parte de setores honestos da vanguarda diminuiu bastante. Não por acaso, o mesmo PSTU-LIT que faz o jogo do Departamento de Estado ianque acusando os regimes líbio e sírio de serem “ditaduras sanguinárias” para melhor justificar as agressões imperialistas é o que estabeleceu um escandaloso “compromisso nacional” com o governo Dilma e as grandes empreiteiras e recorre à justiça burguesa para que demitidos não possam participar de eleições sindicais, visando assim fortalecer a CSP-Conlutas na disputa com o bloco sindical formado em torno da Unidos-Intersindical. Não temos nenhuma simpatia pelos morenistas da CST, ainda mais direitistas que o PSTU em seu apoio aos mercenários pró-OTAN na Líbia e na Síria, tanto que chegaram a defender abertamente que a OTAN e a ONU enviassem armas para os mercenários “rebeldes” do CNT na Líbia. Porém, quando uma corrente degenerada como a CST chega ao ponto de criticar publicamente o PSTU por este integrar a “tripartite” da Construção Civil e usar métodos pró-patronais em eleições sindicais é porque o nível de podridão (leia-se corrupção) da CSP-Conlutas chegou a um nível tão profundo que permite que tais críticas sejam feitas até mesmo por aqueles morenistas que romperam à direita com a LIT, voltaram ao PT e hoje estão abrigados no PSOL!

Em meio a essa guerra de aparatos sindicais, os satélites do PSTU que também aplaudem a mal-chamada “revolução ou primavera árabe” como a LSR, MR e LER marcharam a reboque da política divisionista da CSP-Conlutas sem esboçarem qualquer denúncia de que a ruptura do ato de 1º de Maio na Praça da Sé por parte do PSTU não correspondeu a nenhuma delimitação programática “principista” e sim a um cálculo estritamente de aparato em meio à disputa sindical com os outros setores da “oposição de esquerda”. Apesar de todos os ataques a democracia operária no congresso na CSP-Conlutas, que se encerrou na véspera do ato de 1º de Maio, essas correntes se limitaram a resmungar contra os “exageros” do PSTU em sua conduta ultra-burocrática que em nada deixa a dever aos pelegos da CUT, mas não podem romper com esta central porque são no fundo partidárias entusiastas da política da LIT no Oriente Médio em apoio à reação democrática patrocinada pela Casa Branca em nome do “combate as ditaduras”, inclusive atuando em unidade tática com a OTAN para derrubar Kadaffi e quem sabe no futuro Bassar Al-Assad. Em resumo, são “farinha do mesmo saco” que servem para criar uma cortina de fumaça a serviço do moinho de vento do império.

Em oposição a essas correntes que tem uma política revisionista do trotskismo do mesmo naipe da levada a cabo pelo PSTU e a CSP-Conlutas, a LBI e os sindicalistas revolucionários da LBI defenderam neste 1º de Maio a ruptura com esta “central” que evoluiu para posições abertamente pró-imperialistas e pró-patronais, fazendo um chamado aos lutadores classistas e revolucionários para que se somem aos nossos esforços de impulsionar pela base e nas mobilizações diretas um reagrupamento revolucionário e sindical capaz de construir um embrião de uma alternativa de direção para os trabalhadores. Neste 1º de Maio publicitamos a necessidade de agrupar em torno de uma plataforma revolucionária as oposições classistas e coletivos que estejam dispostos a estabelecer uma frente única para apresentar esse reagrupamento como um canal de expressão política às lutas dos setores operários e explorados contra o governo Dilma, os patrões e para combater a ofensiva imperialista em curso.